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Ser beta, em uma sociedade que ômegas e alfas eram considerados maiorais, nunca foi fácil para Jimin. E ele odiava isso, entretanto, não mais do que odiava Min Yoongi, o alfa da sua sala que sempre arrumava algum pretexto para irritá-lo. Jimin gostava de manter distância. No entanto, descobriu que essa não era a vontade do destino quando acordou em uma manhã, depois de uma discussão com o alfa no estacionamento da faculdade, e estava, simplesmente, no corpo dele.


Hayran Kurgu Gruplar/Şarkıcılar 13 yaşın altındaki çocuklar için değil.

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001. eu

Escrito por: @Baunie_Baunilha

Notas Iniciais: Oi oi bolinhos, mais uma história pq a noah não me deixa em paz com esses temas fodas

Nunca fiz uma história nessa temática, ent me desculpem de não ter ficado tãaaao bom quanto vocês esperam q esteja

O abo do meu bauniverse é bem diferenciado em relação aos betas, ent se alguma coisa estiver confusa podem perguntar nos comentários q eu vou tentar responder da forma mais clara possível

Por enquanto, o mais importante saber é: sim, betas possuem um lobo interno, mas a ligação deles não é tão forte como a de alfas e ômegas com seus lobos. E eles tem aroma como alfas e ômegas, mas apenas outros betas podem sentir

Sem mais delongas, bem vindos a DRE 🥺💙



~~~~


Jimin odiava ser beta, essa era a única convicção que ele possuía.

Vindo de uma família relativamente grande, ele era o irmão do meio de três filhos e o único beta.

Ele amava sua família, tinha uma boa relação com seus parentes quando era criança, lembrava-se bem, mas as coisas começaram a desandar quando teve sua maturação aos quinze anos, revelando-se um beta.

Infelizmente, os betas ainda eram vistos com preconceito pela sociedade, apenas por não terem uma conexão tão forte com seus lobos como alfas e ômegas tinham, e esse era o motivo de serem tão raros.

Não foi surpreendente o fato de a sua família rejeitá-lo, ignorando-o totalmente em algumas situações. As coisas ficaram tão complicadas que, em dado momento — quando iniciou a faculdade, especificamente —, Jimin se mudou para um apartamento pequeno e começou a se virar sozinho.

Estava há três anos naquela situação, totalmente esquecido pelos familiares. Mas ele não se importava, ou gostava de fingir que não.

Ele não era bem aceito e não podia fazer muita coisa para mudar, além de fazer o possível para não ser incomodado por comentários idiotas.

As coisas melhoraram quando conheceu Seokjin, um alfa alto com um cheirinho gostoso de café, que era muito atencioso e com piadas péssimas. Os dois possuíam uma amizade estranha, já que mais implicavam um com o outro do que qualquer outra coisa, mas Jimin gostava.

Principalmente quando o Kim ligava de manhã para acordar o beta quando ele perdia o horário, coisa que acontecia com uma frequência assustadora. Como naquele dia.

Jimin despertou no susto, olhando em volta com os olhos arregalados antes de esticar a mão para pegar o celular e sentir o coração acelerar assim que viu as horas.

Levantou, apressado, nem se dando ao trabalho de atender ao amigo enquanto corria para o banheiro e se livrava das roupas pelo caminho.

Tomou o banho mais rápido que pôde, xingando aos quatro ventos quando deixou um pouco da espuma do sabão cair em seus olhos. Escovou os dentes e voltou para o quarto se secando, pegando as primeiras peças que viu no armário e as jogando sobre a cama.

Vestiu a calça jeans, seguida da camisa branca com a imagem de um dos animes que gostava de assistir e uma blusa xadrez amarela e preta. Calçou o All Star preto e passou a mão pelos cabelos escuros, arrumando-os de qualquer jeito.

Pegou os óculos de armação redonda na cômoda ao lado da cama e a mochila pendurada atrás da porta. Foi correndo até a cozinha e pegou uma das caixinhas de leite de morango, um estoque que abastecia todo mês, já que era a melhor opção de café da manhã quando estava atrasado.

Pegou a vasilha com cenouras cortadas em tirinhas e foi até o cantinho da sala, ouvindo os pulinhos animados atrás de si.

Colocou uma boa quantidade do legume no potinho junto à ração e trocou a água, pegando o coelho branco e com manchas pretas nas orelhas no colo assim que terminou a rotina de todas as manhãs.

— O papai tá atrasado, Sr. Bigodes, a gente se vê de noite, tá bom? — falou, deixando vários beijos na pelagem do animal, que permanecia tranquilo, apenas movendo o focinho.

Colocou o coelho no chão e saiu de casa, correndo escadaria abaixo em uma velocidade que com certeza poderia causar um acidente, mas ele não se importava.

Apenas tirou um tempo para respirar tranquilo quando estava na garagem do prédio pegando sua bicicleta, só então checou seu celular para responder às várias mensagens de Seokjin.

Pig oink oink

|Park Jimin, eu espero muito que você ainda não esteja dormindo

|Jimin, você já viu que horas são???

|O senhor Sun vai comer o seu fígado se chegar atrasado na aula dele outra vez

|Tomara que o bigodudo chute a sua cara de novo

[Uma ligação perdida]

|Você já está vestido pelo menos??

Oi, Jin|

Eu tô montando na bicicleta|

Obrigado por ter me ligado|

Pig oink oink

|Pois eu não deveria

|Da próxima te deixo chegar atrasado

Você sabe que não teria essa coragem|

Pig oink oink

|Vai acreditando mesmo que não

Jimin apenas riu e guardou o celular na mochila, respirando fundo antes de começar a pedalar o mais rápido que conseguia em direção à faculdade e fazendo o possível para não atropelar ninguém no caminho. Quando chegou, não teve tempo nem de parar para beber um pouco de água, disparou pelos corredores até sua sala, suspirando aliviado quando notou que o professor ainda não estava lá.

Entrou de cabeça baixa, sem cumprimentar ninguém, seguindo diretamente até o seu lugar de sempre, mais ao fundo e próximo à parede. Não era tão longe para que pudesse escutar as falas dos professores e nem muito na frente para que não tivesse muita atenção dos professores, que adoravam fazer perguntas quando ele menos estava esperando.

Arrumou os óculos no rosto e começou a organizar suas coisas sobre a mesa pequena até que ouviu as vozes, sendo seguidas pelas risadas exageradas e o cheiro forte de hortelã, que parecia ir diretamente até Jimin.

Levantou os olhos, já sabendo o que encontraria, e fechou a expressão assim que viu o grupinho que entrava na sala.

Era a panelinha popular da sua turma, composta por Jungkook, seu namorado — Taehyung —, Hoseok e, o beta revirou os olhos ao pensar no último nome, Min Yoongi.

O Jeon e o Jung eram ômegas, e os outros, alfas. Jimin não seria chato de dizer que não suportava o grupo; eles eram muito legais e gentis, o problema estava em Yoongi.

O alfa exibido que adorava menosprezar o seu trabalho, só por ter tirado uma nota menor. Era o queridinho de todos os seus professores e o melhor aluno. Além disso, também era o dono do coração de Hoseok, o ômega por quem Jimin era apaixonado.

Sua implicância idiota — nas palavras de Seokjin — começou no seu segundo ano na faculdade, quando o Min fora transferido de Daegu para a Seoul National University.

O Park até pensou que os dois poderiam se dar bem, mas foi só o Min conseguir a atenção de seus professores e a amizade de Jung Hoseok que esse pensamento foi esquecido de vez.

O beta era apaixonado pelo Jung desde que havia ingressado na universidade, sendo totalmente encantado pelo sorriso de coração do ômega e sua risada contagiante, sem contar a beleza exuberante que ele possuía.

Jimin tentou chamar atenção dele da forma que pôde — leia-se olhar para o de cabelos platinados fixamente igual a um idiota, na esperança de ser notado. Seokjin tentou de vários jeitos diferentes ajudar o Park, incentivando o amigo para que fosse falar com o ômega de uma vez, antes que fosse tarde, mas o moreno não deu ouvidos.

Alfa e ômega viraram amigos assim que Yoongi apareceu na turma: os dois ficaram grudados como carrapatos e as várias especulações de que eles eram um casal não ajudavam em nada a acalmar o coração do beta, que já aceitava ter perdido a vez.

Jimin não se lembrava de quando o Min começou a implicar consigo, mas, quando percebeu, os dois não conseguiam trocar duas palavras sem soltar farpas um contra o outro.

Todos sabiam que juntar ambos era como unir fogo e gasolina e, por mais que todo mundo odiasse o clima que ficava depois de alguma briga verbal dos dois, adoravam ver as discussões deles, que eram sempre cheias de insultos infantis e feromônios — por parte de Yoongi.

Enquanto observava o grupo tomar seus lugares em uma das primeiras fileiras, Jimin não notou que olhava demais até Seokjin se jogar na cadeira ao seu lado, preenchendo tudo à sua volta com seu cheiro gostoso de café.

— Se você continuar olhando, vai abrir uma fenda nas costas do Min — o mais velho disse, provocativo, brincando com o pirulito em sua boca.

Jimin revirou os olhos, finalmente os desviando do outro alfa.

— Não seria uma má ideia — resmungou com um bufar, voltando a organizar suas coisas.

O Kim negou com a cabeça, cruzando as pernas de forma desleixada e relaxando as costas no apoio do assento.

— Você conseguiu a folga para a gente sair? — indagou, mudando de assunto. Adorava implicar com Jimin por conta do Min e a relação conturbada que os dois tinham, mas às vezes ele ficava rabugento demais.

Jimin negou.

— Só no final de semana, como já imaginava — respondeu com um suspiro. — A senhora Lee está fornecendo as flores para um evento e vai precisar da minha ajuda hoje o dia todo, para carregar as caixas e montar os buquês.

— Beleza, então. A gente pode sair no final de semana mesmo, vai ser até melhor, o Bigodudo vai estar junto — falou com um sorriso, rindo quando viu a careta do amigo.

— Já falei para parar de chamar ele assim — resmungou contrariado, formando um bico nos lábios.

— Você sabe que eu não ligo. — O alfa piscou um dos olhos e mandou um beijinho, causando uma careta de desgosto no Park.

Os dois pararam de conversar depois disso, pois o professor entrou na sala pedindo desculpas pelo atraso e logo dando início à primeira das várias aulas que ambos teriam naquela manhã.

As horas seguiram lentas, com Jimin revirando os olhos sempre que ouvia a voz ou sentia o cheiro de hortelã do alfa perto dele — o que não era uma novidade.

O beta agradeceu aos céus quando as aulas foram encerradas e ele poderia voltar para casa e almoçar, já que não costumava fazer isso na universidade.

Jimin ouvia algumas músicas enquanto pedalava, ao mesmo tempo que tentava não se distrair muito do caminho à sua frente e cair ou atropelar alguém, como já havia acontecido uma vez.

O moreno sorriu assim que parou em frente à porta do seu apartamento e pôde ouvir o coelho arranhando, euforicamente, a madeira do outro lado.

O Sr. Bigodes tinha sido um presente de Seokjin e ele já estava há um ano consigo. O Kim o havia presenteado por achar que Jimin passava muito tempo sozinho, então pensou que um bichinho poderia ser uma ótima companhia. E desde então, beta e coelho eram inseparáveis.

Assim que destrancou a porta, abaixou-se para receber o roedor, rindo enquanto observava-o circular seu corpo aos pulos, cheirando-o em todos os lugares que podia antes de deixar o Park pegá-lo no colo.

Jimin entrou em casa e respirou fundo, sentindo o cheiro reconfortante de laranjas, que o deixava mais relaxado.

Fez carinho entre as orelhas do Sr. Bigodes e o colocou no chão, largando sua mochila no sofá e seguindo até a cozinha para preparar sua refeição.

Não estava atrasado, então poderia fazer tudo com bastante calma. Tirou algumas marmitas, preparadas na noite anterior, da geladeira, montou algumas porções para esquentar no micro-ondas e foi até o quarto, para separar as roupas do trabalho enquanto a comida era aquecida.

O beta comeu rapidamente, tomou um banho e colocou mais cenouras e algumas folhas de alface com pedacinhos de morango para o coelho antes de sair outra vez com sua bicicleta.

A floricultura da senhora Lee não ficava muito longe, então gostava de ir pedalando, ou às vezes até a pé mesmo.

— Olá, Jimin, conseguiu chegar cedo hoje — Yerin, a dona da floricultura, disse assim que o viu caminhando até ela em meio às flores, enquanto amarrava seu avental com o logo da loja.

— Oi, senhora Lee — o Park cumprimentou, curvando-se educadamente com um sorriso. — Eu tive a última aula livre, então consegui chegar em casa com mais tempo.

A mulher assentiu, terminando de amarrar a embalagem dourada em volta do buquê de peônias azuis e brancas e colocando-o ao lado de outros quatro já prontos sobre a mesa.

— Muito bem, então venha me ajudar — pediu, apontando para o banquinho ao seu lado. — Monte vinte desses arranjos, por favor. Pode ir alterando as cores das peônias, mas coloque as brancas em todos.

Jimin assentiu e pegou a tesoura, puxando alguns baldes com as flores para perto e começando a selecionar os botões mais atraentes para colocar nos buquês.

Ficaram ali a tarde toda montando pedidos, recebendo carregamentos com mais flores e atendendo alguns clientes. Jimin já sentia seus dedos doloridos, pois o último buquê que teve que montar era de rosas e acabou se machucando com alguns dos espinhos.

Já trabalhava na loja há um ano, mas sempre se esquecia que as rosas tinham defesas dolorosas.

Terminou seu expediente no final da tarde, ajudando Yerin a fechar a loja e trocar a água de algumas das flores, assim como organizar o estoque.

Quando chegou a casa, acabou agindo no automático, lembrando-se de apenas se deitar na cama com o Sr. Bigodes e suspirando de alívio quando sentiu seu próprio cheiro impregnado nas cobertas.

~

Jimin bufou e olhou para o ecrã do celular pela décima vez, conferindo que estava mesmo atrasado.

Ele estava na fila da biblioteca, esperando para registrar no sistema os livros que tinha pegado. Poderia ser uma coisa corriqueira e tranquila, mas estava deixando o beta incrivelmente nervoso.

A manhã de Jimin estava um caos desde que acordou: perdeu a hora, chegou atrasado à faculdade, esqueceu em casa um dos trabalhos que deveria entregar e estava prestes a se atrasar para o trabalho. E, como se tudo já não bastasse, começou a cair o céu do lado de fora.

O Park batia o pé, angustiado, enquanto mordia o canto dos lábios e se esticava para ver quantas pessoas ainda tinham na sua frente; choramingou quando viu que faltavam quatro ainda e a bibliotecária não parecia nem um pouco interessada em apressar as coisas.

Apertou os livros em seus braços, amaldiçoando em pensamento por não poder simplesmente largá-los ali para pegar outro dia, pois precisaria deles para estudar para o teste do dia seguinte.

Estava tudo um desastre.

Ele se encolheu um pouco quando ouviu o som de um trovão vir forte, assim como viu o clarão pelas janelas da sala repleta de estantes com livros. A chuva parecia não querer passar e isso lhe dava a certeza de que tomaria um banho até chegar ao ponto de ônibus mais próximo, sem contar que teria que correr até a sua casa depois.

O moreno ficou cerca de quase meia hora na fila até chegar a sua vez e ele poderia agradecer eternamente por a mulher não ter demorado tanto em registrar os livros na sua ficha.

O beta saiu apressado pelos corredores, tomando cuidado para não esbarrar em ninguém nem cair, como já havia acontecido uma vez quando ele correra em meio àquele monte de pessoas.

Suspirou quando já estava do lado de fora, preparando-se para cair na chuva enquanto se amaldiçoava em pensamento por não ter olhado a previsão do tempo antes de sair de casa.

Ele respirou fundo, arrumando sua mochila em frente ao corpo, e correu o mais rápido que conseguia, sentindo suas roupas ficarem molhadas em questão de minutos.

Optou por ir pelo lado aberto do estacionamento, pois era mais perto de onde tinha deixado a bicicleta, e levaria menos tempo para chegar até a ciclovia sem que ele precisasse dar muitas voltas.

Quando chegou aonde tinha guardado a bicicleta, abriu rapidamente o pequeno cadeado amarelo que a prendia no suporte e começou a empurrá-la para fora do estacionamento.

O beta estava com os olhos colados à frente enquanto guiava a bicicleta para fora do estacionamento. Ele estava tão focado, pensando no tempo que perderia no percurso até sua casa com aquela chuva, que nem sequer percebeu quando um carro começou a sair da vaga onde estava estacionado e seguiu em sua direção.

Ele só ouviu uma buzina antes de sentir o impacto em suas pernas e a luz cegante dos faróis em seus olhos, que o fizeram cair com os olhos arregalados pelo susto.

Yoongi não estava muito diferente dentro do carro, apertando o volante com força sem saber ao certo o que fazer. Ele só despertou do choque quando viu uma figura se colocar de pé em frente ao carro e começar a xingá-lo.

O Min não entendeu muito bem o que aconteceu. Ele estava saindo da sua vaga e dirigindo calmamente para a saída do estacionamento, enquanto tentava arrumar o aquecedor… Não estava muito atento no espaço à sua frente, já que, com aquela chuva e naquele horário, o local estava praticamente vazio e ninguém se aventuraria a andar por ali. O alfa só se atentou outra vez porque viu uma sombra passar em frente aos faróis, mas ele estava perto demais para tentar desviar, então só buzinou e tentou frear, ouvindo o baque de alguma coisa caindo e naquele momento tinha um universitário gritando xingamentos para ele aos quatro ventos.

Yoongi tirou o cinto e abriu a porta do carro, com uma visível preocupação em suas feições.

— Você é maluco?! — o homem gritou por cima do barulho da tempestade, caminhando para perto do alfa. — Eu poderia ter morrido!

Yoongi passou a mão pelos cabelos, sentindo a chuva molhando-o mais a cada segundo. Ele teria sorte se não ficasse doente depois.

— Eu sinto muito, posso te levar ao hospital se quiser. Você se machucou? — indagou, tentando manter a calma; sabia que estava errado.

Jimin parou por um segundo e passou os dedos em frente aos olhos, afastando o excesso de água, para tentar enxergar melhor o homem à sua frente, sentindo sua raiva triplicar ao ver que se tratava de ninguém mais ninguém menos do que Yoongi.

— Eu não acredito — grunhiu, chegando mais perto e conseguindo sentir finalmente o cheiro de hortelã que estava sendo mascarado pela chuva. — Min Yoongi?!

Yoongi franziu as sobrancelhas, apertando os olhos para enxergar melhor. Estava escuro e a chuva não ajudava muito, mas ele conseguia reconhecer aquela pose irritada e a voz raivosa.

— Jimin? — perguntou para ter certeza. Sentiu-se idiota por não ter reconhecido antes, aquela reação era típica dele.

— Claro que tinha que ser você! — o beta retrucou, irritado, apertando as mãos em punhos ao lado do corpo. — Roubar o lugar de primeiro da turma não é o suficiente? Agora você quer me matar também?!

Yoongi revirou os olhos.

— Você é tão exagerado — disse com um suspiro, jogando os fios molhados e longos para trás. — Eu não estava muito rápido, o máximo que você sofreu foi um arranhão na mão, por ter caído.

— Mas poderia ter sido algo pior! — gritou, sentindo seu rosto ficando vermelho pela raiva. — Tudo porque você é um péssimo motorista. Um perigo para os pedestres!

Yoongi suspirou novamente, passando a mão pelo rosto para livrá-lo do excesso de água e cruzando os braços logo após.

— A culpa também foi sua por não ter olhado por onde anda.

Jimin comprimiu os lábios, formando uma linha tensa, seu cheiro aumentou de intensidade e ele se sentiu tonto. Agradeceu aos céus por Yoongi não poder sentir seu aroma, assim ele poderia se expor sem que precisasse mascarar seus sentimentos.

Alfas e ômegas possuíam cheiros muito fortes e territoriais. Dependendo da intensidade com que fossem liberados, poderiam fazer alguém até mesmo desmaiar, por isso eles tinham que se controlar mais para não intensificar seu cheiro com seus sentimentos.

Betas eram diferentes. Por apenas outros betas poderem sentir, não precisavam se preocupar em afetar alguém, então sentiam com liberdade, liberando seus feromônios à vontade, como Jimin estava fazendo.

Já Yoongi, tentava se controlar para não assustar o Park, que parecia pronto para pular em seu pescoço ao mínimo movimento.

— Eu estava no meio da chuva! Claro que não ia me preocupar com o que tem em volta! Ainda mais segurando uma bicicleta… — A voz do beta foi morrendo quando ele olhou para a bicicleta jogada no chão e viu o pneu da frente com uma envergadura estranha. Ele soltou um grito horrorizado. — Você quebrou a minha bicicleta!

O alfa engoliu em seco, dando um passo para trás por precaução.

— Você vai pagar por isso! — Jimin disse em um tom exaltado e com indícios de que, se o Min negasse, ele seria capaz de cometer um crime ali mesmo.

Yoongi não estava gostando da sensação de suas roupas grudadas em seu corpo, enquanto água e mais água escorria pelo seu rosto, mas ele não negaria que a cena que presenciava era um tanto adorável: Jimin tinha as bochechas infladas e vermelhas pela raiva, o que o deixava parecendo um esquilinho fofo.

— Mas a culpa também foi sua por não prestar atenção — o Min retrucou, mesmo sabendo que era uma péssima ideia.

— Você também deveria estar prestando atenção na rua. Eu poderia ter morrido. Morrido!

— Para de drama, Jimin, qual é?! — Revirou os olhos, colocando a mão na cintura. — Eu pago pelo conserto da bicicleta, não precisa fazer essa cena toda.

— Você vai pagar mesmo! — o Park gritou, dando um passo para perto do alfa. — Eu deveria até te obrigar a comprar…

Sua fala foi interrompida por um clarão que cortou o céu, antes de um estrondo forte de explosão assustar ambos. Jimin só entendeu o que estava acontecendo quando Yoongi o puxou contra o seu peitoral forte de alfa e os fez abaixar ao lado do carro, protegendo Jimin com seu corpo.

O Park estava tão aturdido que se agarrou às roupas de Yoongi com força, deixando o aroma de hortelã passar por suas narinas e o inebriar de uma forma calmante e fazendo seu coração desacelerar.

Então, ele sentiu uma energia percorrendo seu corpo, como um choque, deixando-o arrepiado. Foi rápido, em questão de segundos a sensação havia passado, mas foi o suficiente para deixar o beta se sentindo um pouco estranho.

Ele levantou os olhos, ouvindo sua respiração ruidosa contra as roupas molhadas do alfa, e viu por cima do ombro do outro um poste soltando faíscas, por isso deduziu que o raio o acertou em cheio.

Suas mãos tremiam e seus olhos estavam arregalados, Yoongi não parecia estar diferente, visto que parecia congelado enquanto ainda abraçava Jimin com força contra o seu corpo.

O beta se afastou devagar, olhando nos olhos do Min, e sentiu sua respiração ficar presa na garganta quando notou o quão próximos seus rostos estavam, com seus narizes a centímetros de se tocarem.

Seus lábios se entreabriram, e os de Yoongi fizeram o mesmo em reflexo. Por estarem tão perto, o Park conseguiu distinguir um brilho azul perpassando nas írises do alfa; era lindo e isso o fez querer chegar mais perto. Era como se estivesse enfeitiçado, agindo sem ter controle sobre o corpo.

E acreditava que os dois teriam se beijado, se um trovão não tivesse soado outra vez, fazendo-os piscar e sair do pequeno feitiço.

Jimin foi o primeiro a se afastar, empurrando o alfa e se levantando, desajeitado, sentindo seu lobo choramingar pela distância, enquanto se deliciava com o cheiro de hortelã impregnado em suas roupas. Ele odiou aquilo.

Yoongi se levantou logo após, parecendo tão perdido quanto, olhando para o Park com as sobrancelhas franzidas.

O beta abraçou o próprio corpo, parecendo perceber só naquele momento o frio que sentia, mas que fora esquecido enquanto esteve abrigado no abraço quente de Yoongi.

— Obrigado — sussurrou, quase não sendo ouvido, por causa da chuva.

Yoongi apenas assentiu, mordendo os lábios e os lambendo.

— Acho melhor você ir, vai acabar pegando um resfriado — disse o Min, ficando confuso porque as palavras fugiram da sua boca sem que ele percebesse, mas seu lobo se sentiu satisfeito ao ver o rubor nas bochechas do beta.

— Não me dê ordens — Jimin retrucou, apenas porque não sabia que reação ter. Não era comum alguém além de Seokjin demonstrar preocupação por ele.

Yoongi engoliu em seco, ouvindo seu lobo choramingar e se encolher pelo tom um pouco grosseiro. Aquilo estava muito estranho, as respostas agressivas de Jimin não costumam causar essas reações nele.

— Foi só uma sugestão — falou baixo, com os olhos fixados no rosto do Park, preocupado demais em observar mais daquele rosto que parecia tão macio.

— Guarde suas sugestões pra você. — Jimin arrumou sua mochila nas costas, sentindo vontade de chorar ao ver o quanto ela estava molhada e já imaginando o estrago que acontecera com o material dentro dela. Pegou sua bicicleta também, entristecido ao ver que o aro da frente estava totalmente destruído. — E tente não atropelar mais ninguém.

Olhou para o alfa por alguns segundos e saiu andando, ignorando os chamados dele enquanto apressava o passo até um ponto de ônibus, sentindo-se sortudo por, assim que chegou à pequena cobertura, ver que um ônibus já se aproximava, então ele fez sinal para que o veículo parasse.

Olhou uma última vez para trás, a tempo de ver o Min entrando em seu carro e saindo finalmente do estacionamento. E, por um motivo que Jimin desconhecia, sentiu seu coração palpitar dolorido.

Balançou a cabeça e tentou afastar todos aqueles sentimentos estranhos que não condiziam em nada com sua situação naquele momento, entrando finalmente no ônibus para ir para casa e pegando um dos últimos bancos para que sua bicicleta não atrapalhasse ninguém.

Passou o caminho inteiro se sentindo cansado, mais do que ficava diariamente, com as pálpebras pesadas e com a sensação de que poderia dormir profundamente sempre que piscava.

Ele fez tudo no automático depois disso. Chegou ao seu apartamento, tirou as roupas molhadas, tomou um banho rápido, comeu, alimentou o Sr. Bigodes e foi para o trabalho.

Aquilo estava estranho, parecia que tinha alguma coisa o puxando para algum lugar e isso desgastava tanto a ele quanto ao seu lobo, que parecia até mais cansado do que ele.

As horas iam passando e a cada minuto tudo parecia piorar: sua visão estava embaçada, mesmo com os óculos, e ele se sentia tonto, algumas vezes até precisando se apoiar em algum lugar para não cair.

Conseguir ter rendimento no trabalho foi outro esforço inválido. Ele se cansava rapidamente enquanto carregava os vasos com plantas, além de ter confundido três pedidos seguidos.

E, para piorar, começou a sentir febre. Não era tão forte no início, mas fora o suficiente para deixar seu corpo dolorido. E ele sentia que não era por conta do banho de chuva que tinha tomado.

Yerin o observava do caixa, com um olhar preocupado por trás de seus óculos de leitura. A mais velha tinha percebido que o Park não estava bem no instante que entrou na floricultura, entretanto, não ficou insistindo como uma mãe porque o mais jovem disse que estava bem. “É apenas uma virose”, ele disse.

A Lee não pretendia vigiá-lo trabalhar pela loja, mas seu instinto materno a fez ficar de olho nele o tempo inteiro. E isso se provou ser uma excelente ideia quando viu Jimin branco como papel, a ponto de desmaiar, enquanto regava alguns brotinhos nos fundos da loja.

A ômega correu para lá imediatamente, segurando o moreno pelos ombros para que ele não caísse.

— Você vai para casa. Agora! — decretou com sua cara de mandona, deixando claro que não aceitaria uma negativa dele.

Jimin suspirou, engolindo em seco enquanto sentia as palpitações em seu peito.

Ajumma, eu estou bem. — Tentou sorrir, mas ficou claro que não conseguiu com a careta que sua chefe fez.

— Não está. Você vai para casa descansar e só vai voltar quando se sentir melhor. — Passou um dos braços pelas costas do Park e começou a guiá-lo para a frente da loja. — Se aparecer aqui antes disso, eu te demito.

Ele choramingou.

— Mas a senhora precisa da minha ajuda, quem vai carregar essas coisas pesadas?! — Sabia que não adiantava ir contra a mais velha, mas não custava nada tentar persuadi-la.

Mas pelo olhar que a ômega o direcionou, soube que isso não tinha sido uma boa ideia.

— Taehyo, peça um táxi, por favor — a Lee pediu ao ômega que também trabalhava na floricultura, esperando-o assentir antes de se virar completamente para Jimin e segurá-lo pelos ombros. — Eu dou conta de tudo isso, Jimin, meus filhos podem me ajudar também. Agora, se preocupe apenas com você. — Ela deu um sorriso mínimo e acariciou o rosto do mais novo.

Jimin desistiu de fazê-la mudar de ideia e se sentou em um dos banquinhos da pequena recepção, aceitando de bom grado quando Taehyo deu-lhe um copo com água.

Ficou ali até o seu táxi chegar, ganhando um beijinho de despedida na testa da sua chefe, junto a ordens de ligar caso precisasse de alguma coisa.

O caminho para casa foi um pouco mais tranquilo, tirando as dores no corpo, que pareciam piorar mais a cada segundo. A tontura tinha melhorado o suficiente para ele conseguir chegar ao seu apartamento sem desmaiar nas escadas, o que ele achou ter sido um avanço ótimo — ou nem tanto.

Foi recepcionado pelo Sr. Bigodes, que, como sempre, ficou dando pulinhos alegres em volta do dono, até ser pego no colo.

Jimin foi cambaleante até a cozinha para alimentar o coelho fofo e peludo em seus braços, mas não se preocupou em se alimentar também. Quando seguiu para o quarto, jogou-se direto na cama e nem se deu ao trabalho de trocar a roupa ou tomar um banho.

E pegar no sono nunca tinha sido tão fácil antes.

~

Assim que acordou, Jimin percebeu que parecia estar pior do que no dia anterior.

Sua cabeça latejava em todos os lugares possíveis, seu corpo estava pesado sobre o colchão, suas roupas pareciam grudadas em seu corpo pelo suor e ele nem precisou abrir os olhos para saber que se sentia incrivelmente tonto.

Soltando um gemido dolorido, o beta virou na cama, ficando de barriga para cima e finalmente forçando seus olhos a se abrirem.

A princípio tudo ficou turvo, então ele piscou algumas vezes para se habituar, franzindo as sobrancelhas ao notar que aquele teto não se parecia com o da sua casa. Foi quando ele resolveu inspecionar o ambiente à sua volta.

As paredes eram pintadas de um azul-claro muito suave, com apenas a parede na qual a cama era encostada contendo algumas formas geométricas em preto.

Em frente à cama, tinha uma prateleira enorme com inúmeros troféus, de todos os tamanhos e formas, assim como alguns porta-retratos.

Curioso e preocupado, querendo saber na casa de quem estava — e pretendendo descobrir como tinha ido parar ali —, Jimin se levantou da cama com extrema dificuldade depois de ter certeza de que estava sozinho no quarto, arrastando os pés até se aproximar da estante.

Nas paredes, tinham alguns quadros pintados à mão, que com certeza tinham sido feitos por uma criança, dadas as formas estranhas que eram retratadas ao lado de árvores, montanhas, cachoeiras e até uma casa.

Ele passou a ponta dos dedos pelos troféus, dando passos cuidadosos para sua tontura não piorar, até chegar perto de um dos porta-retratos. Então, o beta congelou.

O moreno engoliu em seco, sentindo sua respiração ficar gelada e ruidosa.

Pegou o quadro de moldura simples e o levou para bem perto do rosto. Primeiro, Jimin analisou a mulher mais velha ali, ela era muito bonita e com olhos pequenos e gatunos. Ao lado dela, estava uma garotinha, com marias-chiquinhas adoráveis, enquanto sorria largamente mostrando a falta de alguns dentes. E por último, lá estava ele, ao lado da garotinha, exibindo um sorriso enorme e feliz que mostrava suas gengivas rosadas.

Ofegante, Jimin devolveu a foto ao seu lugar imediatamente, dando alguns passos para trás. Não sabia se estava aterrorizado por estar no quarto do alfa ou por descobrir que ele tinha uma irmã.

Ele se sentia confuso, lembrava-se de ter ido para casa e ter praticamente desmaiado sobre sua cama. Como era possível, magicamente, ele aparecer no quarto de Min Yoongi?!

O Park passou a mão pelos cabelos, olhando em volta à procura de um lugar pelo qual pudesse fugir. O que quer que tivesse acontecido, com certeza não era nada bom.

Não tinha sinal algum de Yoongi ali, então ele provavelmente estava em outro lugar da casa, era a oportunidade perfeita.

Já caminhava em direção à janela quando batidas rápidas vieram da porta, ele parou no mesmo segundo.

— Yoongi, querido, se levante, senão vai se atrasar. — A voz do outro lado era incrivelmente carinhosa, combinando perfeitamente com o aroma doce de ameixas, que invadiu o quarto. — O café já está pronto.

Jimin mordeu o canto dos lábios e ponderou por um momento. Seja lá o que tivesse acontecido, a mãe de Yoongi não sabia de nada, então tinha uma chance de receber a ajuda dela para sair dali.

No entanto, assim que se virou em direção à porta, Jimin deu de cara com o espelho de corpo inteiro em uma parede próxima à ela. E o que viu ali o deixou ainda mais apavorado.

— Ai meu Deus — sussurrou enquanto olhava para seu reflexo de olhos arregalados.

O beta correu até o espelho e aproximou seu rosto dele o máximo que podia, tocando em todas as partes, não acreditando que podia mesmo ser real.

— Yoongi? — a senhora Min chamou novamente, batendo na porta, parecendo preocupada.

— Mas que porra... — Jimin praguejou, sentindo a respiração acelerar. Algo estava muito errado ali.

— Filho, está tudo bem?

Sua respiração começou a falhar e ele teve que respirar fundo para tentar se acalmar, fazendo assim com que o aroma denso de hortelã entrasse direto até seus pulmões, confortando seu lobo, que parecia tão angustiado quanto ele, fazendo-o perceber só naquele momento o quanto a presença de Yoongi era forte naquele cômodo.

Sim, definitivamente algo estava muito errado ali, porque, naquele espelho, a única imagem que refletia era a de Min Yoongi, assustado e com os olhos vibrando em um tom intenso de verde. Olhos de alfa.

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Notas Finais: Uma introdução cheia de emoções kkkk

O jimin é bem nervosinho como puderam notar, o yoon vai sofrer maus bocados com esse alfa fake 🤭

Quero agradecer a @yonpanx por essa capa incrível q ficou do jeitinho q eu tava imaginando e a @tsukinojojo pela betagem cheia de comentários e reações fofas. Vocês são perfeitas 🥺💙

Espero q tenham gostado, até a próxima bebês 🥺 amo vocês 💛

16 Ocak 2023 00:40 0 Rapor Yerleştirmek Hikayeyi takip edin
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