ditto Liiz Lestrange

Naruto gostava desses que faziam tipo bad boy. Não era um problema, ele era pior.


Hayran Kurgu Anime/Manga Sadece 18 yaş üstü için.

#yaoi #shonen-ai #naruto #narusasu #sasunaru
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Bad Boy

[avisos rápidos por favor leiam]

- Essa fic é inspirada por músicas do Red Velvet, principalmente Bad Boy, que dá título à história. Serão quatro capítulos, cada um é uma música. Se você não conhece, recomendo e, mesmo que não goste de kpop, dá uma chance pra essas aqui, são algumas das minhas favoritas (:

- a história se passa no meu país São Paulo™ e todos os lugares são reais, fica a dica de dar uma pesquisada se quiser, e se mora aqui ou vier visitar algum dia, recomendo o passeio;

- e por último mas não menos importante, eu sei que tô devendo Elástico e Prometido, eu estive num bloqueio horroroso e estou na esperança que terminar essa aqui vai me ajudar a retomar o ritmo de escrever. Se você lê uma das duas e quer atualização, o melhor jeito de me ajudar é comentar nessa, eu sei que soa meio pedante, mas quando tão lendo e comentando alguma fic comigo me deixa muito na vibe da história e me dá vontade de escrever e eu tô precisando de hype pra escrever ):

é isto, obrigado por ler, espero que gostem <3





Se você passasse pela Galeria do Rock, no centro de São Paulo, em qualquer dia da semana, seriam grandes as chances de encontrar um mesmo grupo de rapazes à porta. Estavam por ali sempre no mesmo horário, durante a tarde. Eram quatro: um tinha o cabelo castanho preso num rabo de cavalo apertado, estava sempre sentado e sempre fumando; um outro tinha cabelo bem preto em corte de tigela, enormes olhos redondos e era o único que não tinha furos na orelha ou tatuagens; um deles tinha o cabelo castanho meio arrepiado e o braço esquerdo inteiro fechado de tatuagens de banda, quase sempre estava brincando com os vira-latas da rua. O último era o líder. Tinha os cabelos dourados bem arrepiados e olhos de um azul intenso, três furos e alargador em cada orelha, jamais era visto sem lápis preto dramático em volta dos olhos, quase sempre com uma calça preta de couro falso muito justa no corpo, todas as camisetas que usava (de banda) tinham a gola e as mangas cortadas e costumava andar com alguma jaqueta, às vezes jeans, às vezes de couro, caída nos ombros.

Esse era Naruto. Morava com os pais ali perto, de frente para a Praça da República. Todos da região o conheciam, porque nascera e crescera ali: era amigo dos donos do mercadinho, dos caras que vendiam droga no quarteirão de baixo, de cada lojista e funcionário da galeria, dos tatuadores, dos feirantes e de todo mundo mais que frequentasse a região num raio de pelo menos cinco quarteirões de distância.

Naquela segunda-feira em particular, Naruto não estava ali. Chegou quase uma hora depois dos outros, quando chegou eles estavam sentados em roda no chão e dividiam uma garrafa de refrigerante barato.

—... Mas se fosse, também, pau no cu dele — Kiba reclamava enquanto passava a garrafa ao próximo.

— Tá xingando quem agora? — Naruto perguntou ao chegar, fazendo sinal para os amigos abrirem espaço para ele.

— Aquele cara de ontem... — Shikamaru respondeu entediado.

— Ninguém quer mais te ouvir reclamando, seu otário — Naruto resmungou dando um leve empurrão no outro.

— A gente falou pra ele calar a boca.

— Cês não me dão moral nessa merda, se fosse com vocês eu tava junto real — o garoto resmungou ofendido.

— Mas e aí, perdi alguma coisa de interessante? — Naruto pegou a garrafa e deu um gole. Como já esperava, depois do gosto cítrico do refrigerante, veio o álcool queimando suavemente a garganta ao descer.

— Reabriram a loja de cd — Rock Lee contou. — Sabe? Aquela no segundo andar, de frente pra loja de coturno?

— Claro que sei — Naruto mordeu a boca curioso. — Mas outro dono? Será que o cara passou o ponto pra alguém?

— Acho que não, é um moleque da nossa idade, acho que é só funcionário, mesmo.

— Pode ser funcionário de um dono novo.

— Não, ele é a cara do dono, acho que é parente dele.

— Sério? A cara do dono?

— Será que é filho? Não sabia que ele tinha filho.

— Ele não tem filho, seu animal, ele é viado.

— Sobrinho, então?

— Será que esse sobrinho dele é viado também?

— Não importa se ele é viado — Naruto interrompeu depois de virar mais um bom tanto da mistura goela abaixo —, me importa se ele é bonito.

Os outros três viraram a cabeça para ele com um ar preocupado.

— Ih, de novo não — Shikamaru rolou os olhos e puxou um cigarro do bolso para acender.

— Porra, Naruto, se segura, o Neji não faz nem duas semanas.

— E daí? Problema dele. É bonito ou não?

Kiba e Lee trocaram um olhar frustrado, Naruto estalou a língua impaciente.

— Eu acho que sim — Rock Lee admitiu, dando de ombros.

— Ótimo, vou lá dar uma olhada.

— Tomara que ele seja hétero e você quebre a cara — Shikamaru resmungou.

— Ser hétero nunca me impediu antes, — Naruto se ergueu empolgado, parando antes de joelhos na frente do outro com um sorriso enorme — sorte a sua que eu ainda não botei seu nome na minha lista.

Ele roubou o cigarro da boca do amigo e lhe deu um selinho antes que Shikamaru tivesse tempo de reagir. Saiu quase saltitando para dentro da galeria, ouvindo uma caprichada seleção de xingamentos ficando para trás. Tragou fundo e soltou a fumaça devagar, a verdade era que Shikamaru era bem o tipo desinteressado, difícil e grosso com quem ele gostava de brincar até deixar caído aos seus pés, mas ainda que detestasse admitir, sabia reconhecer uma batalha perdida quando via uma. Talvez até tentaria se o conhecesse numa festa por aí, mas eram amigos desde a escola e isso arruinava suas chances tanto quanto sua vontade de tentar. Insinuava a ameaça mesmo assim, porque achava graça em aborrecê-lo.

Tragou de novo. Estava muito interessado em ver o tal garoto novo, o dono da loja em questão tinha pelo menos o dobro de sua idade, verdade, mas era um tipo bonitão e intimidador que seria seu ideal de sugar daddy se algum dia decidisse largar tudo e casar com um velho rico. Se o tal sobrinho (ou parente de qualquer grau) fosse metade de tudo o que ele era, já estava de bom tamanho.

Naruto apoiou-se no parapeito da escada rolante, de frente para a loja, e deu um longo trago para terminar o cigarro logo. Não teve dúvidas de que aquele garoto era de quem os amigos estavam falando e soube imediatamente que a conclusão do parentesco era certeira: a semelhança entre o dono dali e o rapaz de olhar entediado atrás do balcão era gritante. Era bonito, mesmo, mais do que Naruto esperava. Tinha o olhar baixo, parecia estar lendo alguma coisa, e pelo jeito mascava um chiclete. O cabelo, tal como imaginara, era preto e liso escorrido, tinha uma franja bonita e bem repicada, emoldurava-lhe o rosto fino até a altura do queixo, mas era mais curto e arrepiado atrás. Vestia uma camiseta surrada do Metallica e tinha duas correntes penduradas no pescoço, mas que iam para dentro da roupa e não lhe permitiam ver o pingente. Tinha snakebites no lábio e a orelha, do lado que conseguia ver, também tinha vários piercings: um transversal em cima e, no lóbulo, duas bolinhas prateadas e uma pequena cruz pendurada no último furo. Um espetáculo — pelo menos da cabeça à cintura, onde conseguia ver. Naruto não tinha muita ideia de que tipo de pessoa ele era, se ia se dar bem com ele ou detestá-lo, mas já tinha certeza absoluta que cedo ou tarde ia sentar naquele homem e não era Shikamaru nem os barracos de Neji que iam conseguir impedir.

Com um último trago, apagou o cigarro na lata de lixo e se esgueirou para dentro da loja. Tocava Black Dog, do Led Zeppelin, em um aparelho de som antigo no canto. Ele parou para curtir a música e estudar a loja por um instante, o rapaz do balcão sequer se mexeu ou deu qualquer sinal de reconhecer sua presença ali. Naruto sorriu. A loja continuava idêntica ao que se lembrava desde a última vez que estivera aberta, dois anos antes. Não haviam mudado nem sequer uma caixinha de lugar, pareceria intocado se não estivesse limpo. Correu os dedos pelos títulos dos álbuns, como se estivesse procurando alguma coisa, olhou em volta pelos posters desbotados na parede e a vitrine amarelada. O vendedor continuava ignorando sua presença.

— Bom ver isso aqui aberto de novo! — exclamou alegre numa tentativa de puxar assunto.

— Hm.

Ele não ergueu os olhos do livro (que Naruto não conseguia ver qual era), mas ao menos respondera. Significava que ele estava ciente de que o outro estava na loja, só não se importava. Naruto mordeu os lábios para conter o sorriso divertido com a situação e foi desapressado se apoiar com os braços cruzados sobre o balcão.

— Você é parente do dono? Cê é a cara dele.

— Ele é meu tio-avô.

— Caralho, quantos anos ele tem?

— Uns cinquenta.

— E quantos anos cê tem?

O rapaz deu um suspiro lento e aborrecido e, finalmente, levantou a cabeça para Naruto.

— Você vai comprar alguma coisa?

Ele tinha um olhar afiado e pouco amigável, sua voz soava grave e tão seca quanto a expressão em seu rosto. Mais importante, entretanto, era que de perto ele era mais bonito que parecia ser de longe e aquilo não era coisa pouca. E aquele olhar frio e penetrante, então, era material para sonhos molhados por uma semana inteira. Naruto lhe sorriu com simpatia.

— Não. Vim ver você! — O outro lhe ergueu uma sobrancelha. — Meus brother me falou que tinha um carinha novo, aí eu vim dar uma olhada! É meu dever, tá ligado? Dar as boas vindas pros recém-chegados. Eu nunca te vi por aqui antes.

— Eu me mudei mês passado. Mas tô ótimo sozinho, não se preocupe. — Ele rolou os olhos e voltou a atenção ao livro.

— Ah, não precisa ficar com vergonha, cê não deve conhecer nada por aqui! Deixa eu te dar uma geral, pelo menos, pra cê se localizar: tô sempre por aqui, se precisar de alguma coisa. Sei todos os melhores tatuadores aqui do pedaço, os melhores butecos, se tu usar alguma coisa eu sei todos os caras que têm produto de qualidade aqui da região... Ah, se alguém tentar mexer contigo, também, só falar que cê é meu amigo que te deixam em paz. Esse aqui é meu pedaço, tá ligado? Ninguém mexe com meus amigos por aqui. Cê parece legal, então eu te quebro essa. Qualquer coisa, na real, tudo que cê quiser aqui na região é só falar meu nome.

O rapaz respirou fundo devagar e lhe lançou um olhar impaciente.

— Ah é! Esqueci de me apresentar! Naruto Uzumaki, eu moro logo ali na frente da praça — Ele ofereceu a mão para o outro, mas foi ignorado e voltou a cruzar os braços sobre o balcão. — E o seu nome, qual é?

— Sasuke — ele respondeu, por fim, voltando os olhos para o livro.

— Prazer te conhecer, Sasuke. Meus brother também são firmeza, pode procurar eles se precisar e eu não tiver por aqui, sabe? É o Kiba, o Rock Lee e o Shika. Às vezes tem o Shino, também, mas ele não aparece tanto, ele tá fazendo facul à tarde. Se precisar de qualquer coisa pode contar com nóis.

Conosco. — Sasuke corrigiu desinteressado. Naruto deu uma gargalhada de satisfação.

— Você é engraçado, sabe.

— Se você veio só pra rir e não vai comprar nada, já pode ir embora.

— Nossa, é assim que você trata os clientes? Não vai vender nada desse jeito, hein?

— Foda-se.

Naruto riu ainda mais e mais alto, erguendo—se finalmente do balcão.

— Gostei de você, Sasuke, cê devia andar com a gente um dia desses.

Sendo outra vez ignorado, ele foi saindo da loja de ré, com os olhos colados ao rapaz do outro lado do balcão ainda lendo e mascando chiclete. Aquele tinha jeito que seria muito difícil e não tinha nada no mundo que poderia ter deixado Naruto mais atiçado. Mais ainda, aquele tal Sasuke deixava todos os caras anteriores no chinelo, bonito parecia xingamento diante do que vira ali. Não era só um rosto estonteante: era um espécime perfeitamente feito sob medida em beleza, charme e personalidade especial somente para Naruto e ele estava exultante em antecipação com o que sairia daquilo. Sentia que havia acabado de encontrar um bilhete premiado da loteria.

— Já era, olha a cara desse arrombado — Kiba comentou com ares de riso quando ele voltou junto aos amigos.

— E aí, Naruto? Ele é gay? — Lee perguntou se apoiando para trás sobre os cotovelos.

— Não faço ideia — contou-lhe empolgado — , ele mal olhou na minha cara, mandou um "foda-se" e quase me expulsou de lá.

— Puta merda — Shikamaru rosnou rolando os olhos. — Olha só, já vou avisando que se tiver gente se arrebentando de porrada por culpa sua na porta da minha casa de novo, eu não vou me meter não, vou chamar a polícia.

— Quem disse alguma coisa de se arrebentar na porrada, mano? Só quero transar de boas!

— Ah, tá bom. Só pra te lembrar que o Neji e o Gaara brigando por você foi a dez dias atrás, tá? E você tá querendo se meter com outro cara.

— Não é culpa minha que os caras são malucos, nunca enganei ninguém. Se eles se apaixonaram por mim o problema é deles, não posso fazer nada.

— Se finge de coitado, mesmo, cê sabe bem sua parcela de culpa. Tá avisado: não vou me meter, ainda tô com o braço todo roxo.

Naruto rolou os olhos e se fingiu de surdo. Sabia que Shikamaru tinha razão: ele havia instigado a discussão e jogado um contra o outro. Também não podia dizer de consciência limpa que não houvesse dado falsas esperanças para ambos. Achara engraçado que os dois garotos estivessem tão investidos nele a ponto de partirem para uma briga física, mas também não era sua intenção que acabasse metendo Shikamaru no meio daquela bagunça.

Mais tarde, os amigos foram embora e Naruto inventou uma desculpa qualquer para ficar por lá. Não que algum deles tenha caído na sua, Shikamaru lhe lançou um olhar de aviso antes de dar as costas, mas todos estavam bem acostumados com aquela ladainha. Faltava ainda um tanto para as seis, hora que fechavam as lojas, então Naruto foi matar o tempo conversando com o segurança (um dos poucos que gostava dele), depois com uma moça simpática que estampava camisetas numa loja do térreo.

Teve que esperar menos do que imaginara, nem bem deu cinco e meia e já viu ao longe Sasuke fechando a loja. Certificou-se de ver para qual lado ele estava saindo e correu para chegar à porta antes. Parou por ali fingindo que estava ocupado com qualquer outra coisa até que ele passou apressado, no que Naruto finalmente foi atrás como se jamais esperasse vê-lo por ali.

— Ei!

O outro não parou de andar, mas virou a cabeça com aquele mesmo olhar gelado de antes e crispou os lábios ao confirmar que era consigo.

— Ei, Sasuke! É Sasuke, né? — Naruto correu para alcançá-lo, ainda sem resposta. — Pra onde vai?

— Metrô.

— Tá, mas pra onde cê vai de metrô? Casa?

— Faculdade.

— Ôohh, quem diria! — Abriu um enorme sorriso e lhe deu um tapinha honorário no ombro. — Estuda onde?

Sasuke bufou impaciente.

— O que você quer? Tô sem tempo agora.

— Poxa, só quero fazer amizade! Se não quiser contar, tudo bem, só fiquei curioso pra saber o que você cursa.

— Engenharia elétrica.

— Nossa! E... posso saber onde?

— Poli.

Caralho! Poli tipo politécnica? Cê estuda na USP? — Sasuke virou o rosto o suficiente para lhe jogar um olhar ácido de censura e voltou o olhar para frente. Naruto não se importou nem um pouco, encarava-o impressionado e sorridente, meio correndo para manter o ritmo do outro. — Puta merda, cê é mó nerd! Ah, lógico... Cê se mudou pra São Paulo mês passado, só podia ser pra estudar. Caralho, cê deve ser puta inteligente! Com essa cara de delinquente eu jamais ia imaginar...

— E você vai ficar me seguindo, mesmo? — Ele cortou com um ar desinteressado.

— Ah, sabe o que é? Eu te vi passando e lembrei que vai ter um cover do Metallica sexta no Morrison. Aí achei que cê ia curtir ir com a gente.

— Onde? — Sasuke olhou para ele ao perguntar, ainda que continuasse com o jeito aborrecido, já parecia um avanço gigantesco. Naruto sorriu ainda mais.

— No Morrison. Cê não conhece nenhum lugar legal por aqui, né? É um bar de rock, toca banda ao vivo, a gente vai pra curtir um som e encher a cara. É meio caro, mas eu sou amigo do dono, então se eu chego cedo ele deixa a gente entrar de graça. — Dessa vez, ele não respondeu. Naruto choramingou exageradamente alto e se pendurou de leve em seu braço. — Vaaai! Pô, cê não conhece nada por aqui, aproveita a chance!

Sasuke parou de andar. Parecia ser um esforço sobrenatural para ele ser obrigado a dar atenção ao outro, mas inspirou fundo e soltou o ar com força antes de virar-se para Naruto e erguer uma sobrancelha.

— Onde fica isso?

— Perto da estação Vila Madalena, linha verde — Naruto respondeu com um crescente entusiasmo.

— Que horas?

— Dez.

Ele rolou os olhos devagar, pensativo, e lhe deu as costas outra vez.

— Vou pensar — resmungou se afastando.

Naruto não o seguiu mais, o observou sumindo nas escadas rolantes do metrô, com uma energia conhecida e um gostinho de vitória na boca. Começava a achar que aquele cara novo seria mais fácil do que imaginara.

No dia seguinte, o plano continuou. Arrastou Shikamaru até a loja de CDs para apresentá-lo a Sasuke com a desculpa de ajudá-lo a se enturmar. Era difícil dizer qual dos dois parecia menos interessado: Sasuke não ergueu os olhos para o outro rapaz por mais de um segundo inteiro e Shikamaru resolveu acender um cigarro.

— Porra, cê vai fumar dentro da minha loja? — Sasuke reclamou com um suspiro aborrecido.

— Caguei — o meliante retrucou.

— Caralho, Shika, eu tentando ser legal com o carinha novo e cê me fode assim.

Naruto arrancou o cigarro da boca do amigo e apagou na jaqueta dele, fazendo-o grunhir e arregalar os olhos.

Não acredito nisso...!

— O segurança vai ficar puto contigo, otário — justificou o empurrando pra fora da loja. — Não liga pra ele, acordou de mau humor. Mas depois que conhece, ele é mó legal, te juro.

Sasuke deu de ombros, sem erguer os olhos do livro que tinha consigo.

— E aí? Pensou no meu convite? — Naruto perguntou, indo apoiar-se no balcão outra vez.

— Hm?

— Cover do Metallica, sexta à noite?

— Ah é... Vou pensar.

— Que horas termina sua aula de sexta?

— Não tenho.

— Perfeito! Vem com nóis, cê não perde nada!

— Vou pensar.

Na quarta-feira, apresentou Rock Lee e Kiba, mas Sasuke permaneceu com a mesma falta de interesse. Na quinta, quando apareceu na loja dele outra vez, Sasuke não o olhou, como já era de praxe, mas falou mais do que de costume.

— Me diz uma coisa: cê não sai da minha cola o dia todo, você não tem mais o que fazer, não?

Naruto riu satisfeito.

— Eu moro aqui do lado, te falei já.

— Então, suponho que não.

— Meu trabalho é cuidar aqui da área.

— Sei.

Na sexta, enquanto Naruto revia todos os CDs de cada prateleira pela milésima vez e tagarelava sobre qualquer coisa, Sasuke resolveu fechar seu livro e o encarar direito.

— Eu perguntei de você por aí — soltou de repente. O outro se calou e olhou para ele surpreso. — Todo mundo das lojas aqui te conhece, mesmo. Falaram que você costuma ser bonzinho.

Ele sorriu e fez um charme com os ombros.

— É, eu sou um bom garoto.

— Mas também falaram que às vezes você causa. Um segurança te chamou de trombadinha e três pessoas diferentes me contaram que você e seus amigos já saíram na porrada com outro grupinho e meteram o canivete num cara.

Ah... — Naruto rolou os olhos e o encarou com um ar sério. — É, mas eles eram nazistas... — Sasuke continuou o estudando sem muita reação. — Cê não é nazista não, é?

— Não, definitivamente não.

— Sei lá, só garantindo... Mas então... — Ele foi se aproximando do balcão com um sorrisinho de canto. — Quer dizer que você saiu por aí perguntando sobre mim?

Sasuke ergueu uma sobrancelha e voltou a ler.

— É, cê decidiu me perseguir, achei melhor ter certeza que não era um sociopata. Mas pelo que me contaram por aí, suponho que seja só carência, mesmo.

O comentário lhe causou um ligeiro incômodo no estômago. Mordeu a boca por dentro e inspirou devagar em silêncio para não se zangar. Carência. Ele tinha muita audácia de ofendê-lo estando naquela posição, ainda mais depois de confirmar que Naruto era do tipo que se metia em brigas violentas. Mas afinal, era aquela empáfia que o tornava tão interessante. Naruto disfarçou sorrindo e apoiou-se ao balcão como de costume.

— Eu só gosto de gente, fazer amigos. Ainda mais que cê é novo por aqui, não conhece nada nem ninguém e tem mais ou menos a nossa idade... Quantos anos você tem, aliás? Cê nunca me disse.

— Vinte.

— Jura?! Eu também!

— Fantástico.

— Mas e aí, vai rolar hoje? — Sasuke o encarou como se não fizesse a menor ideia do que estava falando. Ele ergueu as sobrancelhas — Metallica? Dez da noite? Vila Madalena?

— Ah... — Sasuke voltou a ler. — Tá, pode ser.

Um sorriso soberbo abriu-se sozinho em seu rosto, estaria mentindo se dissesse que não tinha plena confiança que conseguiria aquilo desde o primeiro dia. Conhecia bem aquele tipo, Sasuke podia se fazer de esnobe e sem coração o quanto fosse, Naruto conhecia o mapa daquele labirinto como a palma da mão.

— Legal, te vejo de noite, então!

Ao chegar em casa, se arrumou como quem se prepara para uma cerimônia. Demorou bastante no banho, vestiu sua roupa predileta, a calça mais justa que tinha, o perfume de marca, gargantilha, trocou os piercings simples por uns modelos mais bonitos. Caprichou nos olhos um pouco mais, com um toque de vermelho além do lápis preto de costume, arrumou um lado do cabelo penteado para trás, só para dar um charme. O resultado final não era nada muito diferente do seu visual cotidiano, mas uma versão calculadamente mais sofisticada. Assim que terminou de se arrumar, pegou o celular.


Shikamaru:

vc tem ctz q ele vai?

Naruto:

tenho

Shikamaru:

ce pegou o zap dele?

Naruto:

n

Shikamaru:

pq?

Naruto:

ainda n é a hora

Shikamaru:

seu arrombado

e se ele atrasar?

Naruto:

n vai

Shikamaru:

tem ctz que ele vai mesmo?

Naruto:

tenho

Shikamaru:

ok, mas se ele n aparecer na hora a gente n vai esperar n

Naruto:

rlx, eu to ligado

Shikamaru:

ta pronto? eu to passando dai em 5m

Naruto:

pode vir, vou soh comer alguma coisa


Ele fechou o celular e correu para a cozinha. Fez um sanduíche com tudo o que encontrou de razoável na geladeira, engoliu quase sem mastigar e voltou para o espelho para ter certeza de que estava tudo impecável. O interfone tocou, deu um beijo apressado na bochecha da mãe enquanto ela fazia um monólogo irritado sobre sua rotina inconsequente e saiu para encontrar o amigo.

— Queria que você tivesse sempre tentando impressionar algum cara, porque é o único jeito que cê fica pronto no horário — Shikamaru sorriu ao vê-lo abrir a porta tão rápido.

— Fazer o quê, motivação é tudo — respondeu pomposo.

Os dois encontraram o resto do grupo já na estação, faltava cinco para as dez e Sasuke não estava lá ainda. Kiba e Shino haviam acabado de voltar com um litro de catuaba para fazer o esquenta e o primeiro estava discutindo com Lee.

— Não vai beber porra nenhuma, se tu começar a beber agora, a gente vai ficar cinco minutos lá dentro e eu já vou ter que te carregar pra fora pra vomitar!

— Não vai, juro! Eu vou tomar bastante água!

— Olha quem chegou!

— E aí, Naruto, cadê o cara dos cds?

Ele deu de ombros.

— Não chegou ainda.

— Ih, será que ele te deu um bolo?

— Eu não sou você, Kiba, eu não levo bolo.

— Pau no seu cu, Naruto.

— Obrigado, deus te ouça.

No que o grupo explodiu em risadas, Shikamaru lhe deu uma cutucada no braço. Naruto o olhou confuso, por trás do cigarro que estava acendendo, ele tinha um sorriso ladino e apontou discretamente para o outro lado. Lá estava ele: subindo as escadas rolantes com um semblante entediado, Sasuke encontrou os cinco amigos e foi juntar-se a eles.

— E aí? — ele cumprimentou.

Tinha as mãos nos bolsos e um olhar vago, mas sem a aura de irritação que frequentemente o circundava quando Naruto aparecia por perto. Ele também parecia ter se arrumado um pouco mais do que o normal, entretanto nada muito chamativo. A camiseta aparentava ser nova e o cabelo tinha um ar impecável, também uma pulseira que Naruto suspeitava ser recém-adquirida na própria Galeria. Como sempre, estava lindo e parecendo um junkie saído diretamente do lado depressivo do tumblr, do jeitinho que tinha que ser. Naruto lançou um sorriso vitorioso para Kiba antes de adiantar-se para o seu lado e lhe dar um tapinha no ombro.

— E aí? Sabia que cê viria, a gente tava só te esperando!

— Esse aqui é o Shino — Kiba apontou para o amigo, que segurava a catuaba numa mão e acenou com a outra. — Shino, esse que é o cara que a gente falou, o da loja de cd.

— Legal, todo mundo aqui? Vamos indo — Rock Lee tomou a frente e fez sinal para os outros o seguirem.

Nem bem começaram a andar, Sasuke tirou do bolso um cigarro para acender.

— Não sabia que você fumava!

— Bom, geralmente quando você tá me enchendo o saco... — Ele tragou fundo para pegar a chama e guardou o isqueiro no bolso antes de soltar a fumaça. — eu tô dentro da loja. Eu não fumo na loja, óbvio.

Naruto riu satisfeito.

— Faz sentido... Me dá um trago? — Sasuke lhe lançou um olhar rápido e colocou o cigarro na boca, indo pegar o maço outra vez, mas Naruto acenou a mão em negativa — Nã-nã-não! Não precisa, eu não aguento um inteiro. Meu negócio é só roubar uns tragos dos meus amigos quando eles tão fumando, sabe? Se tiver tudo bem com você.

Sasuke o encarou com aquele olhar indecifrável de sempre, soltou a fumaça devagar e lhe ofereceu o fumo. Não tirou os olhos de Naruto até receber o cigarro de volta, sempre com aquele semblante enigmático, e depois tornou sua atenção para as ruas no caminho. Era difícil assimilar o que se passava na cabeça dele, sua expressão beirava a completa apatia, mas se alguém conseguia enxergar além daquela fachada, esse alguém era Naruto. Conhecia mais do que bem aquele tipo, e naquele instante o que seu olhar escondia era curiosidade. Curiosidade pela cidade nova, pelas ruas novas, pelas pessoas novas. E curiosidade pela companhia extrovertida e sorridente que lhe pedia o cigarro de tempos em tempos e não saía de sua cola desde a segunda-feira.

Curiosidade era um elemento essencial. Era ela quem mantinha os rapazes interessados e era com ela que Naruto controlava seus interesses românticos (ou, melhor dizendo, suas presas). Descobriu rápido que atração física é um impulso volátil e pouco confiável; afeto funciona de um jeito diferente para cada um e funciona com quem já o procura; curiosidade, por outro lado, qualquer um tem e, enquanto tiver, vai existir a vontade de saciar. Naruto era especialista na arte de instigar curiosidade. Sabia bem atrair com uma narrativa, ir mostrando intenções ambíguas, apenas um pouquinho por vez, peças soltas de uma história, e fazer os homens correrem atrás do resto. Sabia bem que, naquele momento, Sasuke não sabia quais eram as suas intenções e, mais importante, ele estava pagando para descobrir. Em outras palavras, ele havia mordido a isca.

Uns dez minutos de caminhada depois e com a garrafa devidamente vazia, chegaram à porta do bar. Uma pequena fila se formava na porta, ainda que andasse rápido. Foram recebidos por um homem muito alto e agitado que checou seus nomes na lista, entregou as comandas e os deixou passar. Ainda não estava muito cheio, mas as caixas de som já tocavam uma seleção de heavy metal em volume potente. O grupo conseguiu seguir até o centro da pista. A casa era um enorme e largo corredor, as paredes tinham acabamento de tijolo e as luzes eram bastante tênues e amareladas. No centro havia um longo bar estilo americano, a lateral direita era repleta de mesas, logo acima havia um mezanino, que também parecia ser cheio somente com mesas. Ao fundo, na parede oposta à entrada, localizava-se o palco. Naruto fez sinal para Sasuke se aproximar, o barulho ainda não fazia extremamente necessário, mas fez questão de quase colar a boca ao seu ouvido para falar com ele.

— Ali é onde pede bebida, comida, essas coisas — explicou apontando. — No andar de cima tem um fumódromo, se quiser.

— Ok.

— Meia noite vai ter uma banda que toca vários clássicos, daí mais ou menos uma e meia tem um cover do Faith No More, e às 3 deve começar o cover do Metallica.

— Você quer assistir todos?

— O que você quer fazer?

Sasuke se afastou o suficiente para que o outro pudesse vê—lo dar de ombros.

— Eu vim sem muitas expectativas. — Ele aumentou a voz um pouco em vez de continuar lhe falando ao ouvido. — O que vocês costumam fazer por aqui?

Naruto sorriu e foi falar de perto novamente, mas desta vez ao seu lado, para estar olhando na mesma direção.

— Os três ali costumam ficar na pista a noite toda no bate cabeça — ele indicou com discrição Kiba, Shino e Lee, que discutiam alguma coisa. — O Shika deve durar uma meia hora na pista, depois ele vai achar um lugar pra sentar. Até o fim na noite ele deve acabar arranjando uma mina pra pegar.

— Hm... E você?

Naruto se fez de pensativo por um instante e mordeu o lábio.

— Eu tô pensando em começar com uma tequila.

Sasuke rolou os olhos, mas deixou escapar um mínimo sorrisinho. Mínimo, mas o primeiro que Naruto presenciou e que, sozinho, garantiu que a semana inteira de investimento valeria a pena.

O grupo inteiro foi ao bar, cada um pediu um shot de tequila para si, depois uma bebida de preferência. Naruto pegou uma ice, Sasuke o acompanhou. Voltaram à pista, onde conversaram sobre qualquer coisa até a primeira banda começar. Sasuke não falava muito, mas não os ignorava tampouco e, apesar de seu jeito apático, parecia estar desfrutando o momento. Naruto, como era de costume, deixou o álcool subir rápido e logo cantava com as músicas à pleno pulmão, acompanhado de Lee, que era ainda mais fraco para bebida.

Quando a primeira banda começou a tocar, as coisas começaram a ficar interessantes. Era sempre conveniente ir em dia de casa cheia, porque com a pista abarrotada de gente ficava muito mais fácil colar-se ao outro rapaz e fingir que era culpa da lotação. Um ocasional roçar de ombros, encostar a perna na dele por uma música inteira, pendurar-se em seu braço e agir como se apenas tivesse se desequilibrado. Havia uma medida certa entre pouco demais que passaria desapercebido e muito frequente para ser acidental. Aquele ponto ambíguo ali no meio — o ponto que chamava atenção, mas ainda deixava espaço para dúvidas — era aonde ele mirava.

Na pausa entre as bandas, Naruto puxou de leve o braço de Sasuke e aproximou o rosto para falar.

— Vou no bar pegar alguma coisa, vem comigo?

Ele pensou por um instante, mas acenou com a cabeça e o seguiu para fora da aglomeração. A fila para pegar bebidas era enorme, estava claro que muitos tiveram a mesma ideia, mas Naruto não se importou. Achou um cantinho no balcão para se apoiar até chegar a sua vez e virou-se sorridente para Sasuke. Este o estudava com um ar divertido, o que era uma surpresa, e antes que pudesse perguntar o motivo, ele esticou a mão e arrumou seu cabelo.

— Cê fica pulando de um lado pro outro, tá desmontando seu penteadinho.

Estava pronto para abrir o maior sorriso do mundo, mas acabou franzindo o cenho para o uso cínico do diminutivo.

— Penteadinho?! — exclamou ofendido.

— É, achei fofo o esforço extra pra hoje — ele comentou com um ar pouco impressionado —, mas vai acabar desperdiçando, desse jeito.

— Bom, eu vim pra ficar muito bêbado e me divertir — Naruto deu de ombros.

— Com sucesso, eu diria.

— E você? Tá se divertindo?

— É, é legal aqui.

— Mesmo? Tava meio preocupado com você lá na pista, todo mundo pulando, cantando e você só concordando com a música...

— Concordando com a música?

— É, sabe?

Naruto balançou a cabeça devagar para cima e para baixo no ritmo da música ao fundo, fazendo Sasuke desviar o olhar e dar uma risadinha inconformada.

— Tá bom... Eu não sou uma pessoa muito expansiva, mas não se preocupe, se eu quisesse eu já tinha virado as costas e ido embora.

— Ui, então tá. Mas acho que cê se solta mais se ficar bêbado...

— Eu já tô bêbado.

Naruto crispou os lábios e inclinou a cabeça com um olhar exagerado de desdém, o outro rolou os olhos com um sorriso de lado.

— Eu tô conversando e rindo, o que mais você poderia querer de mim?

Resistindo ao impulso de lhe responder um pretensioso "tudo", Naruto deu de ombros.

— Vamos ver até onde cê chega. Vou pedir outra tequila.

Até serem atendidos, a próxima banda estava subindo ao palco para começar o segundo show. Os dois viraram outro shot de tequila, com limão e sal, e outra ice para levar. O caminho de volta foi mais difícil, assim que entrou a primeira música pareceu difícil voltarem para a frente da pista, onde estavam antes. Não era impossível, mas além de não valer muito o esforço, não era com intenção de reencontrar os amigos que Naruto resolvera ir sozinho com Sasuke ao bar. Ao chegarem na pista, ele puxou o outro de leve pelo ombro para que o olhasse e, ainda com a mão apoiada ali, aproximou a boca de seu ouvido para falar.

Tá muito cheio — lamentou com esforço para se sobrepor às caixas de som —, não vamos se enfiar aí não.

— E seus amigos?

— Eu mando mensagem, depois a gente se acha.

Sasuke fez um aceno breve com a cabeça e fez que ia se virar, mas Naruto o puxou de novo. Desta vez, a mão do outro foi automaticamente se apoiar em sua cintura e foi sorte que estivesse com o rosto fora de seu campo de visão, porque Naruto abriu o tal maior sorriso do mundo e precisou morder a boca antes de falar.

Cê gosta do Faith?

— Gosto.

— Tudo bem a gente ficar aqui pra trás nesse show?

Outra vez, ele respondeu com um aceno e se afastou. Correu os olhos pelo amontoado de gente pulando e gritando em volta dos dois com aquele seu costumeiro ar desinteressado. Era quase impossível assimilar aquela expressão apática à mesma pessoa que lhe sorria uns minutos atrás. Tinha alguma coisa de fascinante sobre ele, Naruto sentia que poderia observá-lo o dia todo e, de fato, quase esqueceu de voltar sua atenção à banda tocando.

Um pouco mais do mesmo e Sasuke quem lhe cutucou da próxima vez, aproveitando uma pausa entre duas canções. Naruto, que havia se apoiado à parede, fez sinal para ele se aproximar. Não mexeu um músculo, deixou que o outro viesse até si e inclinasse sobre seu ombro para conseguir falar.

— Queria um cigarro — ele disse —, me leva até o fumódromo?

Naruto deu um sorrisinho e fez que sim com a cabeça. Tomou a frente, o guiando até a escada. No andar superior havia mais mesas e lugares para sentar, bastante gente desfrutava de porções de batata frita ou sanduíches, diferente do térreo onde só se via pessoas bebendo. Havia duas filas do lado oposto ao que seria o palco, uma dos banheiros e outra para o fumódromo. Não levou muito tempo para conseguirem entrar (ou sair), o espaço era um largo terraço, mas o entorno era parcialmente coberto por placas de madeira que formavam a fachada da casa, de forma que a rua só era visível através de frestas. Apesar disso, era muito bem arejado e, para um temporário descanso dos ouvidos, o som que vinha de dentro ficava bastante abafado ali.

— Nossa, que diferença poder escutar, né? — Naruto comentou sorridente.

Sasuke concordou com a cabeça e procurou um cantinho livre para se enfiar. Como qualquer outro canto do bar naquela noite, o fumódromo também estava bastante cheio, mas era bom que estivesse. Naruto seguiu o outro rapaz até o canto que ele escolheu e aproveitou a falta de espaço como desculpa para ficar exageradamente próximo, ainda que virado para o lado com um ar distraído como se sequer estivesse percebendo. Sasuke, por outro lado, percebia bem. Sentiu o olhar dele analisando-o dos pés à cabeça enquanto fingia prestar atenção no celular. Viu que tinha umas mensagens de Shikamaru, mas tirou as notificações sem abrir e logo voltou os olhos para Sasuke, que agora tinha um cigarro aceso na mão.

— E aí, suas aulas começaram esse mês, mesmo? — começou com um ar interessado.

— É.

— É legal lá? Tá curtindo?

— Sei lá, foi só duas semanas.

— Tem razão — Ele deu uma risadinha. — Você faz o quê, mesmo? Engenharia?

— Engenharia elétrica.

— Nossa, que fita... Cê vai ser o quê com isso?

Sasuke quase deixou escapar um sorriso.

— Eu quero focar em engenharia de computação...

— Então quer dizer que você é um tremendo nerd, é isso?

Ele rolou os olhos e, desta vez, riu.

— É, acho que sim.

— Posso? — Naruto indicou o cigarro, Sasuke assentiu. — Tem que ser bom de matemática pra mexer com essas coisas, né?

— É, programação é basicamente números.

Naruto deu um longo trago e soltou o ar devagar, percebeu pelo canto do olho que Sasuke estava indo apoiar o braço no parapeito bem atrás de si e precisou fazer esforço para não sorrir. Fez questão de colar-se um pouquinho mais junto a ele ao devolver o cigarro.

— Eu jamais conseguiria, se me pressionar muito eu erro até dois mais dois.

— Mas, afinal, você não faz faculdade, né?

— Não.

— Nem trabalha?

— De vez em nunca eu faço uns bicos por aí e ganho uns trocados.

— Cê devia fazer alguma coisa, cê é bem esperto.

— Você acha?

Virou a cabeça para ele com um sorriso charmoso e viu o olhar de Sasuke quase vacilar. Ele já não parecia mais tão desinteressado e frio quando repousava os olhos em si.

— Acho. Só talvez seja meio estabanado — Sasuke franziu o cenho e trocou o cigarro de mão para ajeitar outra vez o cabelo do outro. — Não são nem duas e meia e cê já tá se desmontando.

— Arruma pra mim, eu não enxergo!

Naruto virou o corpo todo de frente para Sasuke, deixando que arrumasse seu cabelo. Sentiu os dedos dele penteando os fios devagar, passando de resvalo nos piercings em sua orelha, quase descendo para sua nuca. Estavam tão próximos que a respiração dele tocava sua bochecha, se mexesse qualquer parte do corpo acabaria roçando nele. Aproveitou o momento para tomar o cigarro de novo. Sasuke afastou a cabeça para dar uma olhada.

— É, acho que é o melhor que eu posso fazer.

— Tô feio?

Fez um bico chateado ao perguntar, Sasuke franziu o cenho com uma expressão preocupadíssima.

— Hm, eu acho que isso seria bem difícil.

Naruto endireitou-se com um sorriso deslumbrante e apoiou o braço no parapeito. Nenhum dos dois se afastou meio centímetro que fosse, Sasuke pegou de volta o cigarro, tragou sustentando a mirada do outro e, muito convicto, pousou o braço sobre o seu.

A coisa toda estava indo tão de acordo com o que ele queria que Naruto ficava em dúvida se deveria estar orgulhoso ou decepcionado. Aquele era seu modus operandi: instigar, fazer-se de desentendido, provocar com sutilezas até que a própria vítima incauta tomasse as iniciativas. Nunca ele, sempre o outro. Assim garantia que estava no controle da situação. Desta vez, pelo jeito aborrecido e esquivo do alvo, pensou que levaria mais esforço que de costume, mas Sasuke foi caindo rápido. Quase não tinha graça ganhar assim. Quase, mas ainda tinha. Fosse difícil ou fácil, Sasuke tinha um quê de maravilhoso que instigava seu interesse. Talvez uma conquista menos emocionante, mas com certeza quereria desfrutar de sua vitória por bastante tempo, quem sabe até levaria uns dois ou três meses antes de se cansar dele. A sensação de ter um bilhete premiado se mantinha firme.

Sasuke deu uma última tragada e apagou a bituca.

— Vamos voltar lá pra dentro? — ele suspirou, lhe acariciando o braço de leve.

— Uhum.

Eles se viraram para ir, Naruto foi na frente e Sasuke, colado atrás, segurou sua mão como se pudessem se perder atravessando aquele espaço minúsculo. Estava tudo indo muito bem.

— E aí, Naruto, brinquedinho novo? — ouviram de repente.

Reconheceu a voz antes de encontrar a figura que veio em sua direção. Era um cara alto e intimidador, tinha ombros largos e olhos muito claros, vestia jaqueta denin desbotada por cima da camiseta e ostentava um cabelo castanho liso escorrido que ia impecável até sua cintura. Naruto o encarou furioso e apertou a mão de Sasuke para puxá-lo para longe o quanto antes.

— Vai correr, é? Tá com medo que eu estrague seu plano? — o rapaz debochou.

— Vai pra puta que te pariu, Neji, cuida da sua vida! — Naruto vociferou, avançando bruscamente para o lado do outro. Sasuke segurou seu braço de leve.

— Quem é esse? — ele perguntou, franzindo o cenho.

— Não importa, vamos sair daqui — Naruto se virou em direção à saída outra vez, mas Neji deu uma alta risada para provocar.

— Rápido, você, hein? Arranjou outro do dia pra noite. Ôu, cuidado com esse aí, cara — Desta vez, ele falou com Sasuke. — Não cai no joguinho dele, não, ele arranja um por semana.

Naruto empurrou Sasuke para o lado e avançou para cima de Neji com um ar assassino e os punhos cerrados, erguendo o indicador em riste em sua cara.

Você é um playboyzinho mimado filho da puta! — ele gritava, Neji com um sorrisinho cínico o encarando sem se retrair sequer um milímetro. — Você foi lá na frente da minha casa fazer barraco porque não aceita perder, saiu metendo porrada em todo mundo, quase quebrou o braço do meu amigo! Você é um bostinha de um bebê chorão, seu merda! Fica na sua!

Naruto sentiu alguém o puxando para trás pelo braço, que logo percebeu ser Sasuke, e logo em seguida alguém o segurou pelo outro, mas não viu quem era.

Ah é, e você é o quê? Uma putinha nóia que nunca vai ser nada na vida!

Neji tentou avançar, mas foi impedido também. Era o segurança que controlava a entrada do fumódromo, ele empurrou o outro para trás com grosseria e se virou para Naruto com um ar aborrecido.

— Fica de boa, Naruto! Eu não quero ter que te botar pra fora, — ele falou. Era um homem enorme de altura e largura, tinha um jeito meio paternal, apesar dos óculos escuros cobrindo, e crispou os lábios, fazendo sinal para ele sair com Sasuke dali antes de se virar para Neji outra vez. — Fica de boa você também, cara, senão eu te arremesso daqui de cima lá pra rua.

Neji se desvencilhou e arrumou a jaqueta com seu jeitinho arrogante, erguendo as mãos em sinal de rendição, mas Naruto não podia mais ouvir a conversa, porque Sasuke finalmente conseguiu o arrastar para dentro da casa e o levar pela mão o mais longe da porta o possível.

Se acalma — ele disse. Naruto não ouviu nada, uma vez que estavam outra vez com as caixas de som estourando ao som da banda no andar de baixo, mas Sasuke pronunciou cada sílaba com ênfase o suficiente para que pudesse ler seus lábios. — Respira.

Fez que sim com a cabeça.

Conforme foi pedido, ele respirou fundo e tentou botar a cabeça no lugar. Deu um minuto quieto, fazendo um mapa mental do que deveria fazer em seguida, depois saiu apressado em direção ao bar. Sasuke foi atrás, meio aborrecido, meio preocupado. Naruto deu um jeito de furar fila na marra e ser atendido logo, apontou no cardápio para a linha que dizia "tequila (com limão e sal)" e, enquanto o barman saía apressado para pegar seu pedido, Sasuke o cutucou forte.

Cê vai passar mal! — gritou em seu ouvido. Naruto se remexeu irritado e deu de ombros a tempo de pegar sua dose e virar apressado.

Fechou os olhos e fez uma careta pelo gosto forte, depois deu um suspiro frustrado e olhou em volta. Nenhum dos dois se moveu ou disse nada por um momento tortuoso e demorado demais até Naruto o cutucar outra vez.

Quero ir embora, se eu encontrar aquele cara por aí de novo eu vou sair na porrada com ele.

Sasuke concordou com a cabeça e o levou até a saída. Ainda não passava das três, então não havia fila alguma no caixa. Pagaram as comandas rápido e saíram para a rua, Naruto exageradamente agitado, andando rápido e pisando duro, e Sasuke o seguindo exageradamente quieto.

— Me dá um cigarro? — pediu, sua voz muito rouca. Sasuke assentiu e lhe entregou um com o isqueiro. — Caralho, como eu odeio aquele merda!

— Quem é ele? Seu ex?

Naruto soltou o primeiro trago e devolveu o isqueiro.

— Ele não é meu ex, a gente nunca namorou! Ele é um burguesinho de merda com daddy issues que desconta as frustrações dele sendo babaca com os outros. Eu só dei pra ele umas vezes e ele resolveu que eu tinha algum tipo de obrigação emocional com ele, apareceu lá na rua atrás de mim, saiu na porrada com o Gaara, baixou a polícia lá em casa, o Shika teve que se meter no meio... Agora ele volta pra encher mais o saco, porque ele não consegue engolir que eu não quero nada com ele! Tomara que ele se exploda!

Virou irado para gritar a última palavra em direção ao bar, voltando a caminhar apressado para o outro lado em seguida. Sasuke bufou e rolou os olhos.

— Naruto, pera aí! Pra onde a gente tá indo?

Ele parou de supetão e deu um trago, segurando a fumaça no peito enquanto contemplava a pergunta.

— ... Pro metrô... — murmurou num tom magoado. Sasuke ergueu uma sobrancelha.

— São quase três da manhã, o metrô só abre às cinco.

Naruto fez cara de choro, bateu o pé e suspirou fundo.

— Eu tô muito bêbado — ele choramingou.

— Eu sei. Para um minutinho, senta. — Sasuke foi ao meio-fio e fez sinal para o outro vir ao seu lado. — Avisa seus amigos que cê foi embora.

Obedecendo-o, Naruto sentou-se junto a ele e pegou o celular.

— Ah, porra...

— O que?

— O Shika tinha me avisado, olha só... "Eu vi o Neji por aqui, fica de olho"... Que merda, eu devia ter lido quando vi a notificação...

— Tanto faz, agora já era.

— Porra, que ódio, não tô acreditando nisso... Filho da puta, estragou minha noite...

— Cê disse... Esse Neji foi na sua casa e saiu na porrada com quem?

— Com o Gaara...

— Quem é esse?

Naruto fez que ia responder, mas parou no meio e fez cara de choro outra vez. Sasuke crispou o canto dos lábios com um ar paciente.

— Cê tava dando pra ele também?

Aw, falando assim parece que eu tava dando pros dois ao mesmo tempo, eu não faço isso! Eu dei primeiro pro Gaara, aí eu parei e só depois que eu fui dar pro Neji...

— Esse Gaara veio antes?

— É.

— E o que ele tava fazendo na sua casa quando o Neji foi lá te encher? — Naruto abriu a boca num momento silencioso de auto-decepção e jogou a cabeça para trás dramaticamente. Sasuke deu uma risadinha impressionada. — Meu deus, cê tem uma horda de cara apaixonado correndo atrás de ti?

Naruto deu de ombros chateado.

— Cê tá puto comigo? — choramingou.

Sasuke pegou um cigarro para si próprio e acendeu sem pressa. Puxou fundo e segurou a fumaça antes de soltar, com o olhar perdido em qualquer ponto à frente.

— E por que eu deveria estar?

— Não sei... Eu te chamei pra curtir um show com meus brother, estraguei a noite tretando com ex babaca e agora a gente tá que nem trouxa sentado no meio da rua...

Sasuke o examinou com um veemente interesse. Naruto tentou tragar o cigarro e puxar o máximo que podia, mas parou no meio. Deu uma tossida meio engasgada, largou o cigarro no meio-fio e se ergueu atordoado, olhou em volta e foi cambaleante até uns arbustos na frente de uma loja, onde botou o estômago para fora. Sasuke acompanhava com um ar preocupado e se levantou para ajudar.

— Tá tudo bem, eu tô bem... — Naruto murmurou ao vê-lo se aproximar. — Vai passar...

— Onde você mora?

— Cê sabe, ali do lado do metrô República...

— Não, me fala o endereço, eu tô te pedindo um uber.

Naruto o encarou boquiaberto por um instante até assimilar a informação, depois ergueu as sobrancelhas com exagero e sentiu os olhos queimarem. O outro rapaz o fitava com um misto de confusão e desgaste conforme ele se enroscou chorando ao seu braço e deitou a cabeça em seu ombro.

Cê é muito firmeza, Sas... — soluçou baixinho. — 'brigado, cê é muito foda, cara, eu já te amo.

— Estou lisonjeado. — Sasuke segurou uma risadinha e estalou a língua. — Agora me passa seu endereço, Naruto, fazendo o favor.

11 Haziran 2021 02:02:12 1 Rapor Yerleştirmek Hikayeyi takip edin
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Sonraki bölümü okuyun Really Bad Boy

Yorum yap

İleti!
KL Kitsune Lyra
Você voltoooou! Tô muito soft com isso sim! Gente, meu bebê Naruto é sempre lindo e perfeito né? Eu sempre me apaixono por ele, um amor demais! E o Sasuke sendo Sasuke, também adoro. Amei o grupinho de mais que amigos, friends. E quero que o Neji se exploda também, playboy fudido Gaara é meu nenê e entendo total não superar o Naru, eu nunca superaria na vida. Enfim, o negócio ia andando e a Barbie morena fudida acabou com meu casal, ansiosa pro trem andar de novo 😍
June 15, 2021, 01:45
~

Okumaktan zevk alıyor musun?

Hey! Hala var 1 bu hikayede kalan bölümler.
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