jace_beleren Lucas Vitoriano

Talem conseguira roubar um tesouro valioso de um gigante, o único problema era conseguir escapar e voltar vivo para sua aldeia aonde poderia desfrutar dos louros de sua conquista.


Короткий рассказ 13+.

#aventura #fantasia-medieval
Короткий рассказ
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Capítulo único

As mãos de Talem tremiam e suavam. Elas apertavam com força a pequena adaga com cabo de osso de javali, o osso da arma chegando a machucar suas mãos, deixando-as com marcas avermelhadas. Estava escondido atrás de uma grande pedra acinzentada, suor também escorria de sua testa, mas ele não tinha coragem de largar a adaga nem por um segundo sequer para limpar as gotas que desciam de forma torturante pelo seu rosto. Era obvio que aquela adaga de nada adiantaria contra o gigante que estava a vagar a apenas poucos metros de distância, procurando-o com olhos vigilantes. Mesmo assim, Talem agarrava-se a arma com toda a força de seu ser.

Quanto ao gigante, locomovia-se a passos lentos e pesados. Seu aspecto era atarracado, ombros largos, pescoço minúsculo, quase imperceptível. A cabeça era arredondada, testa protuberante e olhos miúdos. Estava sem camisa, a barriga protuberante para fora, depilada e mole. Ysava apenas uma especie de tanga cobrindo-lhe a cintura e botas de couro gastas. Era uma criatura rustica, antisocial e com inegáveis tendências violentas. Talem era consideravelmente menor, pois se tratava de um simples humano, magro, ágil, com um jeito especial para lidar com adagas e mulheres. O rapaz preferia estar com uma mulher nas mãos, não com uma adaga, mas infelizmente as coisas não estavam saindo como ele queria, elas raramente saiam.

Mas se conseguisse fugir com o que roubara da caverna do gigante, poderia se esbanjar com quantas mulheres coubesse em seus braços por um ano inteiro, talvez mais. O gigante moveu sua cabeça na direção de Talem e ele encolheu-se ainda mais, prendendo a respiração para tentar manter-se escondido.

- Apareça anão! - rugiu o gigante. Sua voz era tão forte e cheia que Talem sentiu seu corpo tremer todo por dentro – devolva-me o que roubou e eu prometo que só brincarei com você por uma hora antes de matá-lo!

Talem conseguia o cheiro de uma mentira de longe e aquela era claramente uma delas. Com cuidado para não fazer barulho, retirou do saquinho de couro que trazia preso a cintura. Dentro, um anel dourado com um caprichoso nome escrito em baixo relevo “Isabelle Listaren” estava gravado. Talem sorriu, o rei lhe pagaria muito bem por devolver-lhe o anel que fora de sua avó. Todos sabiam o qual aquele homem idoso havia chorado quando sua querida avo fora morta, décadas atrás, por um gigante na estrada de Estion, ao oeste do reino.

A apenas alguns metros de distância, o gigante virava o rosto de um lado para o outro, procurando irritado e impaciente pelo humano que lhe havia roubado. Tinha quase cinco metros de altura, os braços largos socaram uma árvore próxima, derrubando-a em questão de segundos. Talem engoliu em seco, se a árvore tivesse caído a alguns metros a direita, provavelmente teria sido esmagado.

Não seria possível fugir. Se saísse da proteção dada pela pedra que o ocultava, Talem seria visto pelo gigante e, com toda certeza, capturado por ele. Nem queria imaginar todas as crueldades que passavam na cabeça pesada daquele brutamonte selvagem. Gigantes nunca foram conhecidos por suas habilidades em resolver os problemas através de diálogos.

- Não pode se esconder de mim!! - rugiu o gigante furioso. Em um ataque de fúria inútil e infantil, começou a derrubar as árvores ao redor, arrancando-as do chão com relativa facilidade. Parecia uma criança em birra, chegaria a ser cômico se não fosse assustador, pois em um acesso de raiva, um gigante poderia causar um grande estrago ao contrário de um bebe que, no máximo, incomodava muito com seu choro insistente.

Talem manteve-se em silêncio com o coração batendo acelerado no peito. Para seu azar, o gigante se aproximara em seu ataque de raiva, movendo-se para muito perto de Talem. Fora por muito pouco que ainda não o havia visto. Furioso, o gigante socou o chão causando um pequeno terremoto.

- Merda, saia daqui maldito – disse baixinho, as mãos tremendo. Já estava quase arrependido de seu furto. Quase. A expectativa da recompensa ainda conseguia suplantar o medo da morte.

Quando o gigante virou o rosto para o lado, Talem seguiu seus instintos e correu com todas as suas forças. Não tinha alternativa melhor, logo seria visto, sendo assim, a escolha mais favorável era correr quando tivesse uma chance. Sentia vontade de olhar para trás, checar se o gigante o havia visto, mas não tinha coragem. Se percebesse que o gigante o seguia, ficaria tão assustado que provavelmente acabaria tropeçando nas próprias pernas.

Precisava fugir dali, deixar o gigante para trás e ir em direção ao seu futuro glorioso com muito ouro, reconhecimento e mulheres. Não era um sonho distante. Na verdade, estava bem próximo, tão próximo que ele já conseguia sentir o cheiro do sucesso.

- VOLTE AQUI ANÃOZINHO!!!

A voz trovejante do gigante fez com que Talem sentisse seu sonho afastando-se. Não ousou olhar para trás, manteve-se correndo, correu como se sua vida dependesse disso pois era exatamente esse o caso.

As passadas do gigante em seu encalço eram firmes, causando tremores mais fortes na terra quanto mais se aproximavam. Com suas pernas curtas, Talem sabia que não poderia escapar. Deveria usar a inteligência, mas que tipo de inteligência seria tão poderosa para subjugar a montanha de músculos que era seu adversário?

Foi então que a ideia lhe veio, tão vivida e clara que o fez sorrir mesmo naquele momento de tensão. Ele não precisava derrotar o gigante, apenas encontrar quem o fizesse. Sabia que não muito longe dali um grupo de soldados estava montando acampamento. Não sabia de que reino eram, mas isso não importava, eram soldados e agiriam como tais se um gigante se aproximasse deles. Talem correu o máximo que pode, ignorando a dor em suas pernas e o medo crescente. O gigante gritava impropérios, xingava-o, anunciava todas as barbaridades que iria fazer com ele.

- Vou arrancar seus membros um por um anão! Até mesmo aquela coisa miúda que você tem entre as pernas!

Mais um motivo para escapar, não queria ser castrado, de jeito nenhum. Não temia só por ele, mas por todas as mulheres do mundo que ficariam privadas do imenso prazer que era dormir com ele. Talem conseguiu tirar forças de sabe-se lá onde, apressou o passo, e seguiu em frente. Estava perto, bem perto, logo veria os soldados acampados e deixaria a eles a glória de matar o gigante. Não se importava com glória, apenas com o dinheiro.

Entretanto, mesmo não olhando para trás, Talem sentia o chão tremer muito forte o que o fez desequilibrar e quase cair. A sombra do gigante o envolveu como em um abraço de trevas e ele mal teve tempo de reagir quando sentiu que o gigante inclinava-se para frente e para baixo tentando agarra-lo com sua mão imensa.

- PEGUEI VOCÊ ANÃO! - urrou o gigante em triunfo. Talem sentiu os dedos fortes envolvendo-o como um abraço de urso. Tentou lutar, mas seus esforços eram imuteis, não passava de um simples inseto em comparação ao seu captor.

As lagrimas de Talem desceram como duas cachoeiras de seus olhos. O desespero tomando conta dele, dominando-o com tanta força quanto o aperto do gigante. Implorou por sua vida, mas foi em vão. O gigante ria em deleite.

- Não gosto de ladrões anãozinho, não quando estão roubando de mim!

Talem tentou implorar, mas o gigante apertou-o entre seus dedos grossos, obrigando-o a soltar um grito angustiado de dor. Seus ossos estalaram como se fossem míseros gravetos. Suas costelas foram esmagadas, uma delas perfurando o pulmão esquerdo. O ar escapou-lhe dos pulmões, ou pelo menos do pulmão que restou inteiro. O gigante abriu a mão e o corpo quebrado de Talem despencou como um peso inútil em direção ao chão.

O gigante sorriu satisfeito, nem sequer deu-se ao trabalho de conferir se Talem estava morto, como também esquecera-se completamente de recuperar o que lhe fora roubado. Voltou para sua caverna com a sensação de que havia feito um bom trabalhado, matado mais um humano insolente, algo que sempre fazia bem ao seu ego que era quase tão grande quanto seu tamanho.

Quanto ao ambicioso Talem, sobrevivera, mesmo com sequelas. Fora encontrado agonizante pelos soldados que tão desesperadamente procurava em sua tentativa de conseguir escapar do gigante. Um dos soldados que estava fazendo o reconhecimento da área viu-o e o levou para o acampamento aonde um curandeiro cuidou de seus ferimentos, salvando sua vida, mas não deixando-o em um estado em que se podia viver dignamente.

Talem ficara aleijado, morto da cintura para baixo devido a espinha dorsal fraturada. No final das contas, as mulheres foram mesmo privadas dele e de sua fenomenal atuação na cama, ou era assim que ele sempre se referia a si mesmo, com tristeza e melancolia, nos dias tristes que se tornavam frequentes em sua vida. Quanto ao anel, conseguira devolvê-lo ao rei e a recompensa fora farta e generosa, muito mais ouro do que ele jamais pudera sonhar.

Infelizmente, nem todo o ouro do rei poderia comprar-lhe a felicidade. Aleijado, Talem perdera os meios para aproveitar a vida farta que agora conseguia bancar. Não mais poderia sair em aventuras, não mais poderia dormir com belas mulheres nem cavalgar, algo que tanto amava. Tudo que lhe restou, fora a tristeza de sua impotência e pilhas e mais pilhas de moedas de ouro.

5 марта 2020 г. 4:10:04 0 Отчет Добавить 0
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Об авторе

Lucas Vitoriano Ola, me chamo Lucas, adoro escrever, ver animes, jogar Magic the gathering, ler entre outras coisas mais rs. Sou particulamente fissurado em mitologia grega, meus autores favoritos são Neil Gaiman e Kazuo Ishiguro e, meu livro favorito, é As brumas de Avalon.

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