magicsvante Ari Lima

Foi inevitável para Taehyung e Jeongguk não se envolverem e se entregarem aos sentimentos latentes que nutriam um pelo outro. Jamais imaginaram que o seu encontro inusitado em meio a pista de dança lotada daquela boate e que a sua falha tentativa de terem sexo no banheiro, seria o gatilho inicial para o início de sua envolvente história de amor. E eles seriam o casal perfeito, não fosse por seus conflitantes posicionamentos sexuais: ambos eram ativos. {kookv} {topjk e bottomtae} {posicionamento sexual contrastante} {design de capa por @baepsae_w}


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Desperte o passivo que há em Kim Taehyung


Tudo o que Taehyung desejava fazer naquela sexta-feira à noite era refugiar-se no conforto de seu quarto, com um belo pote de sorvete de morango a sua disposição para, quem sabe, maratonar a segunda temporada de Stranger Things – com a qual namorava há tempos, mas não teve tempo de assistir – ou, ainda, usar o seu raro fim de semana livre para terminar de assistir Game Of Thrones e assim colocar os episódios das séries que acompanhava – se é que ainda podia dizer isso – em dias. Ambicionava aproveitar o seu tempo livre enfiado debaixo de seus cobertores, acomodado em seu colchão macio e quentinho, revezando-se entre suas adoradas séries e um sono profundo.


Desconhecia a palavra “descanso” desde que começou a trabalhar em um novo projeto, auxiliando o famoso escritor Min Yoongi na publicação de uma nova obra. Sempre admirou o trabalho do jovem escritor de romances policiais; comprava todos os seus livros antes mesmo de seu hyung baixinho tornar-se famoso e reconhecido. Afogava-se nos enredos repletos por mistérios e personagens carismáticos quando sequer cogitava que um dia seria um dos responsáveis por trazer obras tão ricas a vida como um editor.


E mesmo que adorasse trabalhar entre documentos do docs e uma agenda apertada (servindo como uma ponte que liga o escritor aos outros profissionais envolvidos no processo de publicação de suas obras, sendo a base deles em tempos de crise e bloqueio criativo, apontando erros e pontuando tudo aquilo que pode ser melhorado, puxando as suas orelhas para que cumprissem com os prazos e comemorando consigo a obtenção de bons resultados enquanto construíam lado a lado um novo mundo, existente dentro do coração e mente alheios, necessitando apenas de um empurrãozinho para se tornarem palpáveis nas folhas de um livro) nem toda a sua paixão e empenho tornava a sua profissão menos exaustiva de modo que ao chegar ao fim de mais uma jornada, com a sensação de dever cumprido no peito ao ter os livros em que tanto trabalhou ocupando as prateleiras de lojas e livrarias, tudo o que ansiava era por sua cama e um passe livre para a realidade paralela de suas séries.


Porém, não poderia dar-se a esse luxo quando seu melhor amigo – vulgo Kim Namjoon – insistiu com tanto empenho para que Taehyung fosse consigo para a balada naquela noite, pois desejava apresentá-lo ao seu mais novo namorado. O acastanhado até pensou em dizer não, e mentiria se falasse que não tentou dar uma desculpa ou outra ao Kim mais velho a fim de escapar daquela roubada e apreciar devidamente o conforto de sua caminha, mas não foi capaz de esquivar-se daquela situação. Namjoon havia sofrido bastante com o fim de seu relacionamento com Hoseok e, agora, que finalmente havia superado a fase da bad e já conseguia até mesmo encontrar um novo amor, não poderia deixar de apoiá-lo – mesmo que para isso tivesse que abrir mão de suas preciosas horas de sono.


Foi com sua caixa de entrada cheia de mensagens animadas de Namjoon – que consistiam tanto em palavras para incentivá-lo ao dizer que seu namorado levaria um amigo super gostoso a tiracolo quanto em textos para apressá-lo para que se arrumasse logo e não se atrasasse –, que Taehyung levantou a sua bunda de seu confortável sofá aveludado, arrastando-se até o banheiro a fim de tomar um banho e arrumar-se como lhe foi instruído. Optou por vestir uma calça de couro preta apertada, uma camiseta de gola V azul marinho, puxando as mangas longas até a altura de seus cotovelos, calçou seus sapatos escuros e finalizou o seu vestuário colocando um colar de prata em seu pescoço, o qual tinha um discreto pingente vermelho.


Não demorou muito para que Namjoon o telefonasse, avisando que estava o esperando em frente ao seu prédio e o apressando para que descesse. Verificou a sua aparência uma última vez, borrifando perfume em seu pescoço e tentando, inutilmente, bagunçar seus fios castanhos e lisos, estes que pareciam voltar a sua perfeita ordem logo em seguida, pendendo sobre sua testa. Dando-se por vencido, pegou as suas chaves e enfiou o celular no bolso, fechando o seu apartamento e indo ao encontro de seu hyung.


O caminho até a sua boate predileta, Le Boy, fora regado pelas falas entusiasmadas de Namjoon ao falar do – ainda desconhecido – Jimin. Achava curioso a euforia com a qual o mais velho agia quando apaixonado, ao dizer que jamais havia conhecido alguém tão incrível ou que o fizesse se sentir tão encantado. O Kim mais velho sempre embarcava de cabeça em seus relacionamentos, doando-se e amando intensamente, como se aquela fosse a primeira e, quem a sabe, a última vez que se apaixonaria. Alguns poderiam considerá-lo bobo por cometer o erro de se entregar tão facilmente e ao final apenas acumular decepções amorosas, porém, para Taehyung, o seu hyung não poderia estar mais correto visto que a vida é curta demais para desperdiçar as oportunidades de amar e ser amado.


Após longos minutos na estrada e mais alguns esperando para adentrarem o tão conhecido salão de paredes vermelho vinho, mobília marrom, iluminado por um jogo de luz em tons diversos e ocupado por corpos humanos suados e em constante movimento, estavam finalmente em seu interior, espremendo-se entre o aglomerado de pessoas dançantes até o bar mais próximo da entrada, onde o namorado de Namjoon prometeu encontrá-los junto ao seu “amigo gostoso” – conforme o apelidaram.


Com algum esforço, ambos alcançaram o balcão do bar ao que Namjoon direcionou-se a passos apressados até o rapaz baixinho de cabelos negros e bochechas cheinhas, que se acomodava em um banquinho logo a sua frente, segurando o seu rosto e o beijando apaixonadamente. E foi enquanto assistia o seu amigo devorar a boca daquele desconhecido em um beijo digno de desentupidor de pia, que Taehyung teve certeza de que deveria ter ficado em sua casa maratonando Stranger Things na Netflix enquanto devorava o seu sorvetinho de morango ao invés de vir até aquele local barulhento somente para servir de candelabro para o casalzinho apaixonado. Pigarreou repetidas vezes e quase se engasgou enquanto forçava uma tosse exagerada a fim de chamar a atenção de seu amigo para si e fazê-lo retomar seu bom senso.


— Já estava com saudades de você, mozão. — disse Namjoon, ao finalmente separar-se dos lábios carnudos de Jimin, mantendo as suas testas grudadas e seus olhos conectados. Nem parecia que haviam se visto a menos de três horas atrás.


— Eu estava com mais saudades! — insistiu o outro, com uma voz beirando a infantilidade, roçando o seu nariz no alheio em um beijinho de esquimó.


— Não, eu estava com mais! — teimou Namjoon.


— Humhum, eu estava com muito mais saudades — o baixinho continuou a insistir de forma dengosa.


Antes que Namjoon pudesse dar continuidade aquela ceninha melosa e ignorar completamente a presença de seu melhor amigo, Taehyung resolveu agir e colocar um fim naquilo pois estava prestes a vomitar arco-íris tanto pela fofura dos dois quanto pelo nojinho que embrulhava o seu estômago devido ao exagero de ambos.


— Okay, já entendi que vocês estão morrendo de saudades um do outro, mas por favor não precisam me levar junto com vocês para a cova, parem de grude antes que eu morra de desgosto por ter sido feito de vela e de brinde ainda ter que aguentar toda essa melosidade — interviu Taehyung, afastando os dois antes que se engolissem novamente.


O casalzinho 10/10 caiu na risada automaticamente diante das palavras mal-educadas do acastanhado, achando graça da indignação alheia.


— Amor, esse é o Tae e Tae esse é o Jimin. — Namjoon os apresentou, com um sorriso largo ainda contornando a sua face, fazendo suas covinhas marcarem suas bochechas avantajadas.


— Namjoon me falou muito sobre você — revelou Jimin, estendendo a sua mão para Taehyung.


— Acredite em mim, ele me falou bem mais sobre você — retrucou, apertando as mãozinhas pequeninas e de dedinhos gordinhos – os quais achou muito fofos.


— Onde está Jeongguk? — questionou o Kim mais velho, olhando em volta à procura do outro rapaz desconhecido, o qual Taehyung julgou ser o tal “amigo gostoso”.


— Ele se perdeu no meio da pista de dança algum tempo antes de vocês chegarem — respondeu o Park.


— Jeongguk seria o tal amigo gostoso? — perguntou Taehyung a Namjoon, apenas para confirmar as suas suposições.


— Gostoso, hm? — indagou Jimin, em um tom nada amigável, lançando um olhar ferino para o mais alto.


— Foi só uma forma de expressão, amor. Um incentivo para que Taehyung aceitasse vir. Tirar esse aí de dentro daquele apartamento é uma missão quase impossível — explicou-se nervoso diante do olhar acusador alheio — Você sabe que para mim você é o homem mais gostoso do mundo, não sabe? — indagou, se aproximando do baixinho que tinha os braços cruzados sobre o peito e uma expressão digna de uma criança birrenta ao passo que Namjoon parecia pronto para adular o namorado até que este desfizesse aquele enorme bico.


Taehyung bufou cansado do tom infantil e da melosidade do casal de namorados que diziam “iti neném”, “mozão”, “bebê” e outras milhares de expressões açucaradas demais para um Kim Taehyung na seca. Casais apaixonados e felizes pareciam perder a sua fofura quando não se estava em situação semelhante, não se possuía alguém para chamar de amor e muito menos para ter uma boa foda.


Enfadado de seu papel de castiçal, Taehyung pediu três doses de tequila, virando-as de uma vez, sem reclamar ao sentir o gosto amargo em sua língua e o sabor do álcool queimar sua garganta. Ele sentiu o sangue correr quente em suas veias e se perdeu em meio ao aglomerado de corpos suados e em movimento constante, deixando a música embalar seus movimentos.


Algum tempo depois, quando o suor já molhava a sua pele acobreada e fazia os seus fios castanhos grudarem em sua testa enquanto dançava e remexia os quadris sem pudor algum, sentiu mãos grandes e firmes moldarem-se ao seu osso ilíaco, um sorriso sacana contornou os seus lábios ao que rebolou sinuosamente para então virar-se para encarar o desconhecido.


Taehyung quase teve um enfarto ao colocar os seus olhos sobre a figura do outro, analisando o rosto de traços delicados, que lhe conferiam um quê de inocência mesmo quando os lábios pequenos e bem delineados desenhavam um sorriso ladino e safado. Os olhos grandes e redondos alheios pareciam tão profundos quanto a noite escura fazendo Taehyung sentir ser fisgado por aquele negrume profundo, demorando alguns segundos até que voltasse para a realidade.


As mãos do moreno direcionaram-se até sua cintura, puxando o seu corpo de encontro ao dele para que pudessem dar continuidade aquela dança, o suscitando a buscar apoio nos braços malhados do outro, sentindo a rigidez de seus bíceps sob suas mãos e do peito firme alheio contra o seu.


— Estava te observando dançar há alguns minutos e me perguntando porque um homem tão lindo continuava desacompanhado — sussurrou o moreno em seu ouvido, a voz rouca e a respiração quente fizeram com que a mente de Taehyung vagasse, imaginando o quão imoral tal timbre soaria ao gemer o seu nome.


— Deveria ter pensado menos e agido mais — disse, mordendo o seu lábio inferior e olhando descaradamente para o corpo alheio, apreciando a visão de sua camiseta branca úmida devido ao suor grudando no peito definido. Cravou as suas mãos na gola da jaqueta bomber alheia, puxando-o para mais perto e grudando os seus lábios na concha da orelha alheia e ditou: — Quem sabe assim já teríamos pulado a parte em que dançamos e trocamos provocações para aquela em que transamos no banheiro.


Um sorriso sacana contornou os lábios do moreno perante as palavras ousadas e cheias de atitude alheias, fazendo-o segurar com mais firmeza a cintura delgada ao espelhar as ações do outro e ditar ao pé de seu ouvido uma resposta à altura.


— Podemos pular para essa parte quando você desejar, baby — falou em um tom rouco e macio, levando Taehyung a suspirar deleitosamente ao ter os lábios alheios envolvendo o lóbulo de sua orelha e ondulando seus quadris contra os dele, fazendo com que seus volumes – ainda dormentes em suas calças – se friccionassem um contra o outro embalados pela batida ditada pelo DJ.


Apesar de toda a sua ousadia inicial, o Kim desejava prolongar aquele momento, gostava do quão quente poderia ser aquela fase da conquista, na qual os dois se desafiavam a seduzir o outro com palavras astutas, regadas de segundas intenções e toques e movimentos certeiros. Descobriria nos longos cinco minutos que aquela mesma música, um remix de Earned It do The Weeknd, foi a trilha sonora de ambos, o quanto o moreno apreciava aquele joguinho tanto quanto si e como ele era um jogador exímio, movimentando o corpo e os quadris com uma precisão e maestria enlouquecedoras. Perceberia como aqueles olhos negros o impeliam a corresponder suas provocações e a dançar especialmente para ele, enquanto as mãos bobas de outrem aproveitavam aquele momento para passear por seu corpo.


Tudo acerca do desconhecido com quem dançava parecia ser feito unicamente para lhe seduzir, deixar-lhe tão duro quanto era possível para que o agarrasse ali mesmo, em meio aquele aglomerado de pessoas.


— Agora — ditou ao ouvido do moreno —, quero pular para a parte em que fodemos no banheiro — pediu, vendo um sorriso sacana e convencido contornar os lábios alheios, que o fez sentir ainda mais desejo de beijá-lo visto que aquele levantar de lábios apenas o deixou mais atraente – se é que isso era possível.


— Como quiser, baby — respondeu presunçoso.


Logo o moreno tomou a sua mão, entrelaçando os seus dedos enquanto o conduzia até o banheiro, abrindo passagem para ambos em meio ao salão lotado. Mal entraram no banheiro e o outro empurrou o corpo de Taehyung contra a parede gelada, embrenhando os seus dedos em meio aos fios castanhos alheios e tomando os lábios volumosos com urgência. O sabor do álcool presente em ambas as bocas se misturaram ao passo que as línguas se envolveram, deslizando uma na outra, necessitadas daquele contato, em uma disputa por espaço e domínio dentro de suas cavidades bucais.


As suas cabeças moviam-se de um lado para o outro a procura de um ângulo favorável para se embebedarem cada vez mais naquele ósculo. As mãos inquietas do Kim seguiram até a bunda alheia, o puxando de encontro a si e friccionando o seu membro latejante no em estado semelhante, que se encontrava tão duro quanto si.


— Jeongguk — disse o desconhecido contra os lábios do Kim, o olhando de forma intensa e recebendo uma carinha confusa em resposta. — Para você gemer — explicou, rindo ladino e tomando os lábios alheios novamente.


Taehyung sentiu uma sensação de familiaridade ao ouvir aquele nome, como se já o tivesse escutado antes ou até mesmo o conhecesse, no entanto, o álcool em seu sistema e os lábios rosados contra os seus não o permitiriam pensar com clareza. Ainda mais quando, o agora nomeado Jeongguk, o empurrou bruscamente contra a pia, o desgrudando da parede e o virando de costas para ele, debruçado contra a pia, com uma velocidade e agilidade invejáveis.


Quando se deu conta, já estava ali, a mercê do moreno, com um pau duro investindo contra as suas nádegas e as mãos grandes e fortes mantendo os seus quadris erguidos e inertes. Os seus olhos castanhos arregalaram-se e um temor enorme tomou o seu peito ao se dar conta da situação em que se metera e que a integridade de seus países baixos estava sob ameaça.


— Opa, amigão, vamos com calma aí! — disse alarmado, afastando-se das mãos alheias e virando-se de frente para o rapaz, que o encarou em um misto de confusão e frustração por ter perdido o seu doce. — Ninguém aqui te deu permissão para sair esfregando esse caralho duro na minha bundinha linda não.


Demorou alguns segundos até que os olhos e mente confusos de Jeongguk realizassem a informação proferida pelas palavras alarmadas alheias.


— Espera... — falou analisando Taehyung da cabeça aos pés. — Então você não é passivo? — quis confirmar as suas suposições, dando um passo para trás a fim de respeitar o espaço pessoal do homem na sua frente, quem parecia deveras incomodado com toda aquela situação.


— Tenho cara de passivo para você por acaso? — Taehyung questionou, rude.


— Não foi isso que quis dizer. E eu sequer sabia que passivos tinham “cara” agora — respondeu, na defensiva, fazendo aspas com os dedos.


— Pois agora está sabendo e, talvez, se você se olhar por alguns minutos no espelho, acabe descobrindo exatamente como a cara de um passivo se parece — proferiu em tom debochado ao analisar o rosto alheio.


— Pelo menos não era eu quem estava rebolando até o chão... — retrucou o Jeon, insinuativo, recebendo um olhar indignado em resposta do outro.


— Olha aqui, querido, posso até descer até o chão, mas não tenho as palavras “passivão da porra” cravadas nos meus olhos como você — apontou o indicador para o rosto alheio de forma acusatória.


— Posicionamento sexual não tem nada a ver com aparência, cara. Até porque, se fosse para te julgar baseado na sua aparência, você também não estaria tão bem na fita já que tem rostinho de boneca — respondeu em um tom calmo, fazendo uso de sua enorme paciência.


— Pois não se deixe enganar novamente por um rostinho de boneca, porque aqui é ativo, sou macho alfa, parceiro — assegurou, batendo levemente sua destra contra o peito.


E então, contra todas as expectativas, Jeongguk riu. Uma risada alta e melodiosa, do fundo de sua garganta e a qual ele vinha contendo desde o princípio daquela discussão. Achava curiosa a necessidade alheia de se reafirmar sexualmente tanto quanto achava o jeito debochado com que proferia as suas palavras engraçado. Ao passo que Taehyung sentiu a sua irritação atingir níveis inimagináveis ao vê-lo rindo de si, com os olhos lacrimejando e o rosto ficando vermelho devido a risada exagerada. Taehyung revirou os olhos e bufou, pronto para sair daquele lugar, onde sequer deveria ter entrado.


— Vou sair logo desse banheiro antes que você ataque minha bundinha virgem mais uma vez. Desejo manter a integridade dela até o túmulo — avisou, afastando-se do outro.


— Espera! — pediu o Jeon, segurando o seu braço e impedindo a sua saída — Não vai rolar nem uma briguinha de espadas? — questionou, rindo logo em seguida e vendo o Kim revirar os olhos novamente, ameaçando se desvencilhar de si. — Espera — pediu de novo, enxugando uma lágrima de seus olhos e tentando controlar-se para parecer sério mais uma vez. — Qual é o seu nome? — indagou, curioso para dar um nome aquele rostinho bonito.


— Por que quer saber? — devolveu a pergunta do outro, arqueando uma sobrancelha e fazendo uso de seu melhor tom irritado.


— Curiosidade.


— Kim — respondeu, sem querer de fato identificar-se.


— Existem muitos “Kim” na Coréia — insistiu ao que Taehyung bufou, achando melhor lhe dizer logo o seu primeiro nome.


— Taehyung — disse por fim.


— Taehyung é um nome bonito, como você — falou, testando como o nome alheio soava em sua voz e lhe oferecendo um sorriso galanteador em seguida. — Taehyung, hm... — disse mais uma vez. — O seu nome soa familiar para mim.


— Deve ser porque eu não sou o único Taehyung existente na Coréia, né.


— Af, saia da defensiva. Não sou um animal selvagem para te atacar assim, sem o seu consentimento — reclamou, franzindo o cenho.


— Você queria saber o meu nome, eu te disse. Agora solte o meu braço porque ainda tenho que procurar Namjoon e o namoradinho meloso dele para poder voltar para minha casa, lugar de onde não deveria sequer ter saído, aliás.


— Oh, então você é o melhor amigo encalhado do Joonie hyung! — disse o moreno, com os olhos brilhantes e um enorme sorriso no rosto. — Sabia que conhecia seu nome de algum lugar.


— Perfeito. Agora além do baixinho grudento, tenho que aturar o ativo gostoso e bem-humorado demais no meu pé pelo restante da noite — murmurou mal-humorado. — E ainda por cima descobri que o meu amigo anda dizendo por aí que estou encalhado. Não tem como piorar.


— Talvez seja você quem está mal-humorado demais — Jeongguk rebateu.


— Quem não ficaria? Você jogou todo meu entusiasmo pelo ralo.


— A proposta para a briga de espadas ainda está de pé — sorriu sacana para o outro, lhe olhando com malícia, ao que Taehyung apenas bufou, puxando o seu braço do aperto alheio e saindo do banheiro com o som da risada gostosa de Jeongguk e da batida eletrônica como música de fundo.


O Kim fez questão de beber o máximo de doses de tequila que os quarenta minutos esperando até que o Jeon encontrasse o casal maravilha lhe permitiram. A sua noite havia sido um fiasco em todo o sentido da palavra. Frustração definindo claramente os seus sentimentos sempre que o seu olhar recaía no moreno bonito e de sorriso encantador. Não foi capaz de contar nos dedos quantos xingamentos e palavras rudes concedeu ao seu hyung até que estivesse entregue em seu apartamento – o culpando pela noite desastrosa que tivera.


E novamente, ao contrário de suas expectativas, Taehyung foi acordado na manhã seguinte pelo barulho estridente de seu celular tocando e a voz melodiosamente macia acariciando seus ouvidos ao atendê-lo.


— Bom dia, hyung — o Jeon o cumprimentou animadamente, fazendo Taehyung se questionar como alguém poderia acordar bem disposto e bem humorado em um sábado de manhã logo após ter um noitada como aquela.


— Dia — respondeu, a sua voz soando rouca e sonolenta enquanto procurava com seus olhos pelo relógio eletrônico no criado-mudo ao lado de sua cama, este que marcava exatamente 12:43 AM.


— Você está bem? — questionou. — Quero dizer, espero que não esteja com ressaca ou que tenha te acordado.


— Sinto lhe dizer que sim, você me acordou e pior que isso, estou com uma puta dor de cabeça.


— Oh, me desculpe. Esperei até que estivesse em um horário bom para telefonar mas vejo que não deu muito certo — riu nasalado ao final, sem graça.


— Está tudo bem, já estava passando da hora de me levantar mesmo — o acalmou, sentindo-se levemente culpado por roubar o tom animado da voz alheia. — Então, me diga, como conseguiu o meu número? — perguntou, procurando mudar de assunto.


— Pedi ao Namjoon hyung — respondeu simples.


— E porque fez isso? O fiasco de ontem não foi o bastante para você? — inquiriu curioso.


— Sinceramente? — perguntou retoricamente — Nem eu mesmo sei o motivo, mas não consigo parar de pensar sobre o quanto você é bonito e engraçado, então pensei que talvez, se nós saíssemos e conversássemos, toda essa curiosidade e interesse pudessem ser sanados.


— Essa é a sua forma de me convidar para um encontro? Você sabe que não vou abrir as pernas para você só porque está sendo delicado o bastante para me ligar no dia seguinte, não sabe? — Indagou Taehyung, desconfiado do comportamento alheio, ouvindo a risada gostosa de Jeongguk em resposta.


— Primeiramente, sim, estou convidando você para um encontro. E, em segundo lugar, prometo que não irei atentar contra a castidade da sua bundinha linda.


— É bom mesmo — falou o Kim. — Quando e onde iremos nos encontrar?


— Isso é um sim?


Quando e onde? — devolveu a pergunta, incapaz de dizer sim abertamente, devido a vergonha que se apossou de si naquele momento.


Após ouvir mais uma risada melodiosa, o Jeon lhe passou o endereço do local onde desejava vê-lo, que atendia pelo nome de Coffee Library. Não conhecia a tal cafeteria, mas ao menos sabia onde ficava e conseguiria ir até o local no horário combinado.


Taehyung não admitiria em voz alta, mas o convite alheio havia mexido consigo e amolecido o seu coração. Sabia que não teriam muito mais que uma conversa e, com sorte, talvez rolasse alguns beijinhos – já que nenhum dos dois pareciam interessados em ceder. No entanto, não pôde evitar sentir-se animado ou arrumar-se com afinco demais para encontrar-se com o moreno.


Os elogios do outro a sua aparência serviam apenas como um incentivo para que desejasse impressioná-lo, por isso, buscou por roupas casuais e bonitas para usar naquela ocasião, optando por vestir uma camiseta social branca, acompanhada por um suéter verde, que deixava apenas a gola e os punhos de sua camisa a mostra, colocou uma calça também social de tom escuro, calçando os seus sapatos lustrados e finalizando o seu vestuário ao cobrir os seus fios castanhos com uma boina que o deixava ainda mais charmoso.


Logo estava adentrando o local de fachada creme e portas de madeira que escondiam o seu interior. O ambiente aconchegante e com cheiro de café lhe trouxe uma sensação de conforto imediato, os seus olhos correram pelas mesas arredondadas de vidro, as poltronas com estofado acinzentado, o balcão de madeira que acomodava banquinhos ao seu redor, assim como estudaram os dizeres escritos em letras cursivas e giz branco nas paredes pretas, que o remetiam aos quadros negros de seus anos escolares, além dos variados quadros e enfeites dispostos nas paredes. No entanto, o que realmente chamou a sua atenção, foram as prateleiras recheadas por livros que eram distribuídas pelo lugar. Questionava-se o motivo de nunca ter ouvido falar daquele local incrível ao passo que fazia uma nota mental de que deveria agradecer ao Jeon por tê-lo levado aquele pequeno pedaço do paraíso.


Não demorou muito para que o moreno sorridente entrasse em seu campo de visão e Taehyung caminhasse até a mesa onde Jeongguk estava acomodado, degustando o seu café enquanto lia um bom livro.


— Oh, você chegou! — o recebeu animado, fechando o livro para dar a devida atenção ao Kim e lhe oferecendo um de seus sorrisos fofos.


— É o que parece — disse Taehyung, sentando-se na poltrona confortável em frente ao moreno.


— Sempre tem uma resposta pronta para tudo ou isso tudo é especialmente para mim? — indagou, em um tom calmo, quase divertido.


— Um pouco dos dois — respondeu rapidamente, pegando o cardápio sobre a mesa para analisá-lo e fazer o seu pedido. — E você? Traz todos os rapazes para cá em seu primeiro encontro a fim de impressioná-los e bancar uma de intelectual, ou me convidou apenas porque aqui eu teria a certeza de que você não irá me atacar como um animal selvagem? — indagou de forma astuta e presunçosa, arqueando uma de suas sobrancelhas.


— Nenhum dos dois — disse imediatamente. — Mas se quer saber quais são as minhas táticas de conquista, costumo convidar as pessoas em quem estou interessado para ir a um jantar ou simplesmente a um motel. Depende de quão prático o dito cujo seja.


— Então porque escolheu me trazer aqui? Desistiu de me levar para a cama?


— Como disse, quero conhecer você e não precisamente levá-lo para a cama. E, para conhecê-lo é preciso que você também me conheça, por isso pensei que trazê-lo para cá, meu local de trabalho, pudesse facilitar a coisa toda.


— Você trabalha aqui, nesse lugar incrível? — questionou Taehyung, tendo a sua curiosidade e interesse no outro automaticamente instigados.


— Na verdade, sou o dono desse café. O abri há alguns meses atrás — esclareceu, sendo incapaz de evitar que um sorriso brincasse em seus lábios ao ter o seu adorado café elogiado de maneira tão espontânea e sincera.


— Uau! Então você é o dono de um pedaço do paraíso! — deixou o elogio escapar, impressionado.


— Se você diz... — sorriu do comportamento alheio.


— Estou falando sério, cara. Esse lugar é incrível, sempre quis encontrar um café como esse, calmo e acolhedor, onde pudesse ler um bom livro.


— Então encontramos algo em comum. Também sempre quis ter um local como esse, cheirando a café e com prateleiras repletas por livros espalhadas pelo salão. Por isso acabei unindo minha paixão por culinária e leitura, o que resultou nisso: uma cafeoteca.


— Não há coisa melhor do que trabalhar com algo que você goste e quando isso envolve um ambiente tão calmo e acolhedor é ainda melhor — sorriu docemente ao lembrar-se de seu próprio emprego. — Já que você é o dono quero que me recomende alguma especialidade da casa — solicitou, oferecendo o cardápio ao moreno.


— Todos dizem que a nossa torta de chocolate com nozes é a melhor e se for combinada com o sabor intenso do expresso Macchiato que contrasta com o gosto doce da sobremesa, então temos a combinação perfeita — sugeriu sem ao menos olhar para o cardápio. — Tenho certeza que você irá adorar.


— Não faço ideia do que é um expresso de Macchiato mas confiarei em você.


Jeongguk lhe ofereceu mais um de seus sorrisos fofos e matadores aos olhos do Kim, ao passo que levantou a sua mão e chamou por um dos garçons, este que atendeu prontamente ao chamado de seu patrão, anotando o pedido de Taehyung assim como o de um cappuccino para o moreno.


— E quanto a você? O que faz da vida? — questionou Jeongguk, pouco depois do garçom deixá-los a sós novamente.


— Trabalho como editor de livros para a Sea Publisher — respondeu, sorrindo orgulhoso de si mesmo.


— Não é essa a editora responsável pela publicação dos livros do Min Yoongi?


— Espera, você conhece o Min... Digo, os livros dele?


— Isso responde a sua pergunta? — indagou presunçoso, erguendo o livro que descansava ao seu lado e revelando a capa para que o Kim pudesse vê-lo.


Os olhos de Taehyung brilharam ao ler o nome “Click” na capa. Era o seu livro. A obra na qual tinha trabalhado por tanto tempo, para a qual tinha se entregado por completo, embarcando naquele bote junto ao autor e mergulhando de cabeça. E se para o Kim era gratificante ver o livro pelo qual tinha se esforçado tanto ocupando as prateleiras de uma livraria, vê-lo sendo devorado por um leitor voraz era quase surreal.


— Acredite ou não, fui eu quem editei esse livro. Yoongi hyung até mesmo mencionou meu nome nos agradecimentos. — revelou cheio de orgulho, um sorriso bobo brincava em seus lábios e não era possível esconder a sua animação, que parecia ser espelhada pelo moreno na sua frente, que arregalou os seus olhinhos negros ao ouvir suas palavras.


— Isso sim é algo incrível! — exclamou Jeongguk. — Estou apenas na metade do livro e já posso dizer que é com certeza um dos melhores trabalhos do Min. Não que todos os outros livros dele não sejam incríveis, mas este me deixou realmente curioso e intrigado para descobrir quem é o tal Rabbit e o porquê ele acredita tão veementemente que tem um relacionamento com o protagonista mesmo que sequer o conheça...


E aquele foi o gatilho para que Jeongguk começasse a tagarelar animadamente sobre o enredo do livro enquanto Taehyung tentava se conter e não soltar nenhum spoiler à medida que falavam. O Kim até mesmo esqueceu-se das barreiras que fez questão de erguer entre ambos e abandonou a sua atitude defensiva, deixando-se levar pelos olhos negros brilhantes como uma noite estrelada e pelo sorriso infantil de coelhinho que insistentemente contornava os lábios alheios enquanto Jeongguk discorria com excesso de empolgação sobre suas obras prediletas do Min.


O assunto entre ambos fluiu com facilidade e acabaram por descobrir vários gostos em comum além de café, livros e Min Yoongi. Aos poucos, não eram mais dois desconhecidos que vivenciaram uma tentativa falha e frustrada de terem sexo no banheiro de uma boate qualquer. Eram apenas Kim Taehyung e Jeon Jeongguk, conversando como se fossem amigos de longa data, com enormes sorrisos em seus rostos enquanto trocavam experiências e revelavam suas opiniões, falando sobre tudo e ao mesmo tempo sobre nada relevante, discutindo sobre o futuro de suas séries preferidas como se fosse algo tão importante e sério quanto alcançar a paz mundial.


Mal notaram quando o céu claro deu espaço para a escuridão noturna e as nuvens de algodão se esconderam do lado de fora, concentrados demais no sabor doce da sobremesa em seus pratos mesclado ao aroma e gosto intenso do café em suas xícaras, ou quando o local foi ficando mais vazio, restando somente os dois e um ou outro cliente escondido atrás das estantes de livros, perdidos demais nas palavras um do outro para darem atenção a qualquer outro fator externo.


Só se deram conta de que já estava tarde demais quando o Jeon se atentou ao relógio em seu pulso, percebendo que a hora de fechar a cafeteria se aproximava ao que ofereceu uma carona ao Kim — que havia ido até ali de metrô –, o qual aceitou a sua oferta após uma falsa dose de relutância. Não demorou muito para que o carro do moreno estacionasse em frente ao prédio de Taehyung, o percurso parecia ter sido feito rápido demais para os dois, que apenas desejavam ter mais tempo para conversarem.


Taehyung virou-se para o moreno, suspirando levemente frustrado por já ter que se despedir mesmo querendo ouvir o outro tentar acompanhar o rap rápido que tocava no som do carro, com a sua voz fininha e doce soando fofa ao interpretar aquela batida repleta de swag. Acabando por sorrirem escandalosamente da performance alheia. O Kim secava teatralmente as lágrimas dos cantos de seus olhos devido a risada exagerada, tentando recompor-se para finalmente se despedir do Jeon.


— Então esse encontro foi o suficiente para sanar a sua curiosidade e interesse em mim? — indagou divertido.


— Para ser sincero, acho que precisarei de mais alguns encontros como esse até que consiga encontrar algum defeito em você que o seu sorriso não compense — virou-se no banco, ficando de frente para o Kim ao que encostou sua cabeça no apoio do estofado, analisando o rosto alheio com um quê de encanto.


— Eu ser ativo e já ter pensando em te foder milhares de vezes desde que nos conhecemos não é um defeito suficientemente grande para você? — perguntou Taehyung, ciente de que aquele fator poderia limitar a relação dos dois.


— Não é como se você pudesse fazer isso apenas com a força dos seus pensamentos, de qualquer forma — deu de ombros. — E não é como se eu também não tivesse pensado nisso, ou em coisas piores... — revelou, sorrindo maliciosamente ao descer seus olhos pelo corpo alheio.


— Credo, não fique pensando em fazer safadezas com o meu corpinho enquanto me come com os olhos, seu pervertido! — reclamou, sentindo um arrepio percorrer a sua tez sob o olhar penetrante do moreno.


— Tenho direito de fazer isso ao menos com os olhos já que não posso devorá-lo de verdade, não é mesmo? — disse, com um sorriso e um tom divertido.


— E pensar que você tinha subido alguns vários degraus no meu conceito...


— Mas falando sério agora, você deveria vir testar meus dotes culinários qualquer dia desses — sugeriu, admitindo uma postura mais séria.


— Se a sua comida for tão boa quanto a sua torta de nozes, já estou aceitando.


Um sorriso enorme contornou o rosto de traços juvenis ao obter uma resposta tão positiva, fazendo o coração do Kim falhar algumas batidas. Jeongguk lhe parecia ainda mais bonito enquanto sorria.


— Então irei te telefonar para combinarmos tudo depois — avisou satisfeito.


Taehyung maneou a cabeça positivamente, sentindo que aquele era o momento de se despedirem de fato. Viu-se confuso, sem saber se deveria abraçar o outro, apertar a sua mão ou simplesmente dizer “tchau” e deixar o seu carro. Mas ao contrário de si, Jeongguk parecia saber exatamente o que fazer quando levou a mão ao seu rosto e segurou o seu queixo com delicadeza, inclinando o corpo em sua direção e plantando um selar demorado no canto de sua boca, fazendo Taehyung desejar beijar os lábios rosados como fizera na noite anterior.


— Boa noite, hyung. — disse Jeongguk, fitando os seus olhos intensamente, a voz alheia soando doce e macia demais ao usar aquele pronome de tratamento. Taehyung se perdeu em meio a escuridão dos orbes do Jeon por um momento, demorando para voltar a si.


— Boa noite — respondeu rapidamente saindo do carro, aturdido demais pela atmosfera alheia para permanecer mais um segundo sob sua influência.


E no fundo, Jeongguk sabia que nem todos os encontros do mundo seriam o suficiente para pôr um fim no encanto que Kim Taehyung havia lançado sobre ele naquela tarde. Não quando o acastanhado era dono de uma beleza descomunal, quando até mesmo suas falas rudes eram humoradas, quando possuíam tanto em comum e quando conversar com ele lhe parecia tão fácil e fluía tão naturalmente quanto o oxigênio adentrando seus pulmões ao inspirar o ar.


A ansiedade não permitiu que o Jeon adiasse mais o telefonema que prometeu ao Kim e, assim que adentrou seu modesto apartamento — que ficava logo acima de sua cafeteria -, tirou o aparelho do bolso e discou o número do acastanhado, combinando consigo quando seria realizado o tal jantar e engatando uma longa conversa com ele, que o fez passar horas e horas com o celular grudado em sua orelha, encantado com o timbre rouco de Taehyung soando tão próximo ao seu ouvido.


Como pensou, aquele foi o primeiro dentre muitos encontros que teriam. Foi inevitável para ambos não se entregarem a atração latente e aos sentimentos que cresceram dentro dos dois à medida que se conheciam. E quando se deram conta, já estavam completamente apaixonados um pelo outro. Envolvidos demais na maneira perfeita com a qual se completavam, compartilhando muito mais do que gostos em comum assim como uma agradável rotina juntos.


Já não eram capazes de abrir mão do encaixe sublime de suas bocas, de como seus dedos pareciam ter sido feitos apenas para se entrelaçarem aos alheios, das tardes regadas pelo cheiro de café, de suas conversas animadas e do calor dos braços um do outro. Jeongguk sequer pensou duas vezes antes de aceitar ao inusitado pedido de namoro que fora escrito a giz, com letras gigantes e cursivas, em uma das paredes negras de seu café, e tamanho não foi o seu sorriso ao seguir as coordenadas logo abaixo do pedido e encontrar na prateleira dedicada às obras de Min Yoongi, uma caixinha aveludada azul, com duas alianças de prata dentro.


O casal estava ciente da enorme probabilidade que o seu romance possuía de dar errado. Principalmente quando adicionado à equação o conflito entre seus posicionamentos sexuais. Haviam lido blogs gays o suficiente para descobrirem que um relacionamento como o deles, na maior parte das vezes, estava fadado ao fracasso visto que para terem uma vida sexual ativa, um dos dois precisaria ser ou passivo ou versátil, e ambos alegavam serem ativos convictos. Mesmo que no fim das contas os resultados obtidos não fossem animadores, ambos se sentiam certos demais um para o outro para desistirem devido a essa pequena incompatibilidade até porque, quando colocavam na balança sexo e o amor que nutriam, ambos sabiam, sem sequer olhar os números, aquele com mais peso e então seguiam em frente.


No entanto, mesmo com as suas claras preferências de posicionamento sexual estabelecidas, ambos não podiam de fato abster-se do contato sexual por isso buscaram na internet por soluções criativas para o caso de ambos, descobrindo uma tendência entre casais gays conhecida como gouinage. Ou ainda, para os mais desinformados como ambos, denominado como sexo sem penetração ou sexo preliminar. Não era como se fossem completos ignorantes perante o assunto, sabiam muito bem como agradar um ao outro sem precisarem chegar aos finalmentes. Mas o que realmente prendeu a atenção do casal foi o fato de que na gouinage, não existem passivos ou ativos, apenas humanos de carne e osso querendo explorar ainda mais os seus sentidos durante o ato sexual. Tudo o que importava eram os olhos conectados, o toque dos dígitos alheios em si, o gosto da pele do outro em sua boca e os seus corações batendo no mesmo ritmo e velocidade.


E tudo o que Jeongguk queria era que aquilo continuasse sendo o suficiente para si, como foi durante os intensos cinco primeiros meses de relacionamento. No entanto, a nova moda de Taehyung, que consistia em usar shorts curtos e vestir apenas cueca boxer enquanto desfilava pela casa, fazendo o moreno sentir-se propenso a ter um infarto a cada vez que o homem de pele acobreada se abaixava para pegar alguma coisa ou se inclinava sobre os móveis, lhe conferindo uma visão imoral de sua bunda empinada que o fazia retornar a adolescência, quando qualquer estímulo visual fazia seus hormônios fervilharem e o levava a ter uma ereção, ou quando tinha de foder a sua mão compulsoriamente dentro de um banheiro com pensamentos nada castos em mente.


Jeongguk chegou a cogitar, em uma de suas paranoias, que aquilo tudo era proposital e não tinha nada a ver com o calor insuportável do verão – como Taehyung alegava. Perguntava-se se sua sanidade continuaria intacta até o fim da estação, porque o seu pobre coração com certeza não resistiria a tudo aquilo. Rogava para que os deuses tivessem piedade de si, já que seu namorado não tinha nenhum pouquinho.


E foi justamente a sua questionável estabilidade mental que o levou a procurar por ajuda.


— Eu não consigo mais deter esse sentimento, hyung. Quero dizer, a pele dela é tão macia e bronzeadinha que não consigo mais controlar a minha vontade de tocar nela e sentir a sua firmeza e consistência em minhas mãos, além de ter o formato perfeito, sabe? Bem redondinha e empinadinha. As costas dele até mesmo formam uma S-line incrível para abrigarem aquelas curvas fodidamente atraentes. Às vezes sinto que não vou conseguir resistir à tentação e acabarei invadindo o espaço pessoal dele... Mas porra, o Taehyung também não colabora com o meu autocontrole! Além de usar aquelas roupas curtas, isso é quando usa alguma coisa além de suas cuecas boxer, ainda faz questão de ficar se exibindo e me provocando. Acredita que até mesmo tenho tido sonhos eróticos com ele agora? Quando acordo estou pior que um maldito adolescente, todo melecado. E pior que isso é abrir os olhos e dar de cara com aquele corpo escultural ao meu lado, dormindo tranquilamente, com a expressão mais serena e inocente do mundo. Devo ser o único cara existente que mesmo tendo um homem absurdamente lindo e sexy ao lado continua frustrado sexualmente. E isso faz com que me sinta culpado, porque o Taehyung tem dado tudo de si para que o nosso relacionamento funcione, até mesmo parou de fazer horas extras e de levar trabalho para casa só para termos mais tempo juntos, além de nunca desrespeitar o meu posicionamento. Ele inclusive deixou de me jogar cantadas e indiretas insinuativas, enquanto tudo o que consigo pensar é em como quero foder aquela bunda gostosa vinte e quatro horas por segundo. E então, Dr. Park, você acha que minha situação é muito grave? Existe algum tratamento capaz de salvar o meu namoro? — questionou o moreno, os seus olhinhos negros fitando o baixinho sentado logo a sua frente, cheios de expectativa após dar um fim ao seu curto monólogo.


— Fui capaz de diagnosticar claros sintomas de abstinência sexual aguda além de uma preocupante obsessão por glúteos — respondeu sucinto, fazendo o mesmo jogo que o rapaz estirado no sofá de sua sala, este que soltou uma densa lufada de ar diante de seu diagnóstico. — Agora, deixando todo esse seu teatrinho dramático de lado, tenho o dever de telefonar para o meu ‘saeng e avisá-lo que o namorado dele é na verdade um maníaco pervertido obcecado por bundas ou, mais especificamente, pela bunda dele.


— Não é como se ele já não soubesse disso... — Deu de ombros, demonstrando toda a sua indiferença perante a ameaça alheia, afinal, os seus olhos encarando fixamente a bunda do outro somado a todas as vezes em que balbuciou sacanagens ao ouvido de Taehyung – falando abertamente sobre a sua paixão pela bunda dele – haviam sido mais do que suficientes para fazê-lo ciente do quanto Jeongguk venerava aquela parte em particular de seu corpo.


— Vocês são dois pervertidos no final das contas — acusou, abandonando o seu celular sobre a mesa de centro assim como a ideia de alertar o mais novo sobre o perigo iminente que ele abrigava em sua cama.


— Só precisamos foder de verdade para completar o pacote — concordou com Jimin, bufando logo em seguida, frustrado com o quão distante aquilo parecia de sua realidade.


— Talvez você só precise ser sutil com ele, demonstrando seus desejos aos poucos e preparando o terreno — sugeriu.


— E você acha que eu já não tentei isso? Tudo o que consegui foi uma bela ameaça de morte — revelou, lembrando-se de sua perigosa tentativa de oferecer um beijo grego ao Kim, que resultou em palavras ameaçadoras lhe alertando que, caso ele enfiasse qualquer outra coisa em si que não fosse sua língua, não veria mais a luz do dia. No final das contas, mesmo sob ameaça, não desperdiçou a oportunidade de cair de boca.


— Não acredito que um homem do seu tamanho consegue se sentir ameaçado pelo Tae — disse Jimin, rindo do medo infundado do amigo.


— O Tae pode ter carinha de neném mas consegue ser bem medonho quando quer. Ele me tem na palma da mão com uma simples ameaça de greve.


— Você o conhece tão bem e ainda não se deu conta de que o Taehyung paga uma de durão, mas no final das contas é uma manteiga derretida. Ele pode te dizer um “não” quando no fundo tudo o que quer realmente dizer é um “sim”.


— O que você quer dizer com isso? — questionou, com os olhos e seu interesse voltados completamente para o seu hyung.


— Quero dizer que talvez você só precise tomar uma atitude, ser direto e dizer a ele que não está mais tudo bem para você essa moda de gouinage.


— Não posso fazer isso, hyung. Você sabe que quando começamos a namorar conversamos direitinho e prometemos respeitar o espaço um do outro. Não quero que o Tae se sinta pressionado, inseguro ou desconfortável apenas porque tenho pensado mais com a cabeça de baixo ultimamente. Eu o amo demais para colocá-lo contra a parede e arriscar o nosso relacionamento. O Tae é o homem da minha vida, sabe? Sinto que poderia pedi-lo em casamento e gastar todo o dinheiro que tenho guardado no banco apenas para comprar um apartamento maior para nós dois hoje mesmo. Aceitaria até mesmo ser passivo para salvar nosso namoro. Mas acho que o Tae merece muito mais de mim do que me ter assim, por obrigação. Não quero que nossa primeira vez juntos seja algo desconfortável para nenhum de nós dois. Não esperei por tanto tempo e estou subindo pelas paredes de abstinência para tê-lo de qualquer jeito.


— Entendo o seu ponto de vista, Gukie. Mas vocês dois não são mais o mesmo casal de cinco meses atrás que tinham acabado de se conhecer e morriam de receio de tocarem um no outro e alguém acabar de quatro no processo — contra-argumentou. — Existem basicamente três tipos de ativos, aqueles que são versáteis; os experimentados, para os quais as suas experiências como passivos serviram apenas para comprovar que aquela não era a sua praia, que é o seu caso; e os de “masculinidade frágil” que ou acreditam que ser passivo os faz menos homem, ou acabaram nessa posição por puro comodismo. Alguns ativos são passivos enrustidos que só atuam como ativos por morrerem de medo da “tão dolorosa primeira vez”. Não quero dizer que isso seja uma regra, mas é assim na maioria dos casos. E em meio a essas três categorias, fica muito claro que o Taehyung pertence a última entre elas. Você entende o que isso significa, Jeon? — perguntou retoricamente, obtendo ainda um manear negativo do outro — Significa que dentre vocês dois, aquele com mais probabilidade de se sentir bem como passivo é o Tae.


— E por isso você acha que eu devo, sei lá, atacá-lo como um animal selvagem do nada? — Jeongguk indagou, com as sobrancelhas franzidas.


— Não, seu babaca, acho que o Taehyung confia o bastante em você para ser persuadido a tentar. Tudo o que você precisa fazer é libertar o passivo que há dentro dele, escondido em algum lugar no meio daquela marra toda de ativo.


— Ainda não estou tão certo sobre isso, mas acho que irei conversar com ele depois, quando encontrar o meio certo de abordar o assunto — ponderou — E obrigada, hyung, você conseguiu me deixar mais leve e esperançoso com essa coisa de tipos de ativos. — agradeceu, sorrindo largo para o baixinho, sentindo uma fagulha de esperança em seu peito.


— Se o Joonie conseguiu despertar meu lado passivo, você também deve conseguir libertar o do Tae. Essa coisa de posicionamento no fim é uma dinâmica que vocês dois podem construir juntos, como eu e o Joonie fizemos — assegurou, devolvendo o sorriso do mais jovem e bagunçando os seus cabelos negros.


Jeongguk sentia sua mente e peito esquentarem com a possibilidade levantada pelo outro, havia se preocupado tanto em fazer Taehyung se sentir confortável consigo que sequer cogitou a possibilidade de fazê-lo mudar seu posicionamento de fato. Confessava que havia jogado uma indireta ou outra e até mesmo o provocado – como quando lhe ofereceu um beijo grego –, mas nunca havia tentado algo que pudesse invadir o seu espaço pessoal mais do que isso.


Depois de conversar mais um pouco com seu hyung e de ouvi-lo tagarelar sobre Namjoon, Jeongguk deixou a casa dele, sentindo-se mais leve e pronto para encontrar-se com Taehyung. Todos os dias ia a casa do namorado a fim de vê-lo após o trabalho e ouvi-lo falar sobre como havia sido seu dia dentre outras banalidades. Adorava o tom rouco da voz do Kim tanto quanto adorava ficar agarradinho ao seu corpo no sofá, provando dos lábios volumosos e macios sempre que desejasse.


Jeongguk só não esperava ver toda a sua serenidade se esvair ao abrir a porta do apartamento alheio e dar de cara com um Kim Taehyung, deitado de bruços no sofá logo a sua frente, usando apenas uma de suas adoradas camisetas brancas e uma cueca boxer vermelha, enquanto lia distraidamente o manuscrito de algum livro no qual estava trabalhando.


O moreno ficou paralisado no curto corredor que dava para a sala, com os olhos fixos naquele tecido vermelho e chamativo, hipnotizado demais para sair do lugar. Mal notou quando o seu namorado o olhou por cima do ombro e lhe ofereceu um de seus sorrisos retangulares, lhe dizendo que estava com saudades e colocando o livro fechado sobre a mesinha de centro. A sua única reação foi caminhar a passos lentos até o Kim e deitar-se sobre o corpo esbelto, depositando um aperto nos quadris alheios e afundando seu nariz nos fios castanhos de sua nuca, inspirando o aroma delicioso de morango de seu shampoo mesclado ao seu perfume amadeirado. O efeito que o cheirinho gostoso de Taehyung desencadeava em si era quase surreal, pois lhe trazia a sensação de que estava finalmente em casa ao mesmo tempo que tinha a capacidade de lhe excitar em uma velocidade ímpar.


— Você vai acabar me enlouquecendo qualquer dia desses — balbuciou baixinho, provando da pele acobreada do pescoço do Kim ao depositar beijinhos molhados em sua nuca.


— Essa é a intenção — disse o Kim, com seus olhos fechados e um sorriso travesso no rosto à medida que se deliciava com os beijos estalados que o moreno distribuía em si, os dentinhos salientes revelavam-se vez ou outra deixando mordidinhas gostosas em sua tez e as mãos firmes seguravam seus quadris contra os dele. — Você tem me deixado impaciente com todo esse seu autocontrole, estava até mesmo me questionando se minhas provocações surtiram algum efeito em você.


— Então eu não estava sendo um louco paranóico por pensar que tudo isso era proposital? — perguntou, apoiando-se sobre seus braços no sofá para poder encarar o rosto de seu namorado. Queria ter certeza de qual era o significado por trás das palavras de Taehyung antes de levantar falsas suposições e agir por impulso.


— Você com certeza não é um louco paranóico — assegurou, rindo da expressão confusa no rosto do moreno e aproveitando o espaço entre seus corpos para virar-se no sofá, ficando de frente para o outro. — Eu queria que você tomasse alguma atitude sem que precisasse te pedir e dar o braço a torcer, mas no fim você é tão lerdo que me obriga a isso — explicou, levando sua mão ao rosto alheio e o segurando ao passo que acariciava as bochechas alvas carinhosamente. — Eu quero tentar... bom, você sabe... — admitiu por fim, sentindo-se constrangido pela maneira intensa com a qual os olhos escuros lhe fitavam e vendo um enorme sorriso tomar a face alheia. Jeongguk parecia tão contente quanto uma criança que acabara de ganhar um doce.


Ao ouvir as palavras do Kim a primeira reação do moreno foi tomar os lábios atraentes alheios de forma completamente eufórica, pedindo passagem imediatamente para adentrar sua a boca e deslizar a língua sobre a do outro, apreciando a maneira como suas línguas pareciam se conhecerem perfeitamente bem, movimentando-se em sincronia uma com a outra, enroscando-se em um ritmo viciante que logo os deixou sem ar, ao que Jeongguk plantou vários selares carinhosos sobre os lábios do namorado, sorrindo entre os encontros de seus lábios.


— Prometo que serei gentil com você, hyung — assegurou, ainda distribuindo beijos sobre os lábios alheios.


— Não ouse me tratar como uma garotinha virgem, Jeon Jeongguk — ditou, estreitando seus olhos ao encarar o outro, tentando soar ameaçador mesmo que no fundo considerasse a promessa do moreno completamente adorável.


— Nem sequer cogitei isso — afirmou sorridente. — Vou tratá-lo como o homem que eu amo merece ser tratado: com muito amor e carinho — beijou os lábios alheios. — Afinal, tenho que fazer você gostar disso se quiser repetir a dose, não é?


— Me faça amar ser fodido por você, Jeon — pediu, fitando os orbes alheios ao que o moreno lhe ofereceu um sorriso malicioso, atacando seus lábios novamente.


Ambos se beijavam voluptuosamente sobre o sofá estreito, suas cabeças se moviam em busca do melhor ângulo para explorarem a boca um do outro à medida que suas línguas dançavam juntas dentro de suas bocas, os dedos de Taehyung se emaranhavam nos fios negros de Jeongguk, puxando-os e arranhando seu couro cabeludo com as unhas curtas enquanto o moreno deixava as mãos bobas passearem pelas curvas do corpo do seu namorado.


O Kim estava tão imerso nas sensações que a língua morna e as mãos de Jeongguk despertavam em si que mal notou quando ele segurou suas coxas com firmeza e impulsionou seu corpo para levantarem-se do sofá, fazendo-o sentir falta da maciez do estofado contra suas costas. Adorava ser carregado para lá e para cá pelos braços fortes de Jeongguk, sendo essa uma das maiores vantagens de se ter um namorado tão rato de academia quanto o Jeon, perdendo apenas para o tanquinho definido e cheio de gominhos que ele tanto amava marcar com mordidas e chupões.


Logo Jeongguk já havia cruzado os cômodos entre a sala e o quarto de Taehyung, depositando o corpo do namorado com cuidado sobre a cama de casal e se acomodando entre as pernas do Kim, enquanto se apoiava sobre seus braços. Passou alguns segundos apenas observando os fios castanhos e bagunçados espalhados sobre o travesseiro, os olhinhos atentos do outro que o fitavam em expectativa, as bochechas adoravelmente rubras, os lábios avermelhados e inchados devido aos beijos vorazes que trocaram há pouco e a respiração falha que fazia o peito de Taehyung subir e descer rapidamente. A beleza do outro sempre o entorpecia fazendo-o se perder ao observar as pintinhas distribuídas em locais estratégicos do rosto do Kim. Gostava de pensar que possuía o namorado mais lindo do mundo e sempre constatava essa possibilidade ao estudar por alguns segundos os traços simétricos alheios.


Jeongguk poderia ter passado longos minutos apenas encarando o rosto belo demais de seu namorado se Taehyung não tivesse lhe oferecido um sorriso doce e levado as mãos ao seu rosto, o trazendo para si e beijando-lhe os lábios com uma ternura e calma que não regaram seus beijos anteriores. As mãos do Kim deslizaram por suas costas até alcançarem a barra de sua camisa para então subi-la lentamente, separando suas bocas e recebendo ajuda do Jeon para se desfazer de vez daquela peça, removendo a sua própria logo em seguida, sem jamais desviar seus olhos dos alheios.


— Você é lindo, baby — disse o moreno, se inclinando para beijá-lo novamente. — Fodidamente lindo e gostoso — declarou contra o lábios alheios, arrancando uma risadinha do outro.


— Você é ainda mais bonito, Gukie — assegurou, beijando os lábios pequenos do namorado e envolvendo a cintura fina com suas pernas.


Não demorou muito para que o beijo dos dois ganhasse intensidade e os quadris de Jeongguk ondulassem contra os de Taehyung, ocasionando um atrito prazeroso entre seus membros eretos. O moreno passou a plantar selares molhados no maxilar oval do acastanhado, direcionando suas carícias para o pescoço dele ao que contornou com sua língua o pomo de Adão do Kim, que deixou um suspiro deleitoso escapar de seus lábios ao ter chupões sendo distribuídos pela pele sensível de seu pescoço. Enquanto Jeongguk se aproveitava de seu pescoço, Taehyung passeava com suas mãos pelas costas definidas do moreno, sentindo a rigidez e maciez alheia sob seus dedos e contornando vez ou outra os bíceps bem trabalhados do Jeon.


Ambos já sentiam o sangue correndo quente em suas veias, os corações batendo acelerados e o torpor da excitação inebriando suas mentes. O moreno deslizava seu corpo sobre o de Taehyung à medida que ia descendo seus beijos e mordidas pelo peito e abdômen dele, aproveitando-se de cada centímetro daquela pele macia e perfumada, passeando com sua língua pelas clavículas salientes do outro, mordendo os ossinhos em evidência antes de voltar sua atenção aos mamilos do Kim e brincar com aquele ponto sensível e com a sanidade alheia, chupando-os sem nenhuma delicadeza enquanto os contornava com sua língua e prendia o bico entre seus dentes, ao que se deleitava com os gemidos graves e roucos do namorado, distribuindo mais beijos e chupões pela sua barriga lisinha e esguia.


Ao finalmente alcançar os quadris de Taehyung, o moreno prendeu o cós da cueca do outro entre seus dentes, soltando-a em seguida e fazendo o estalo do elástico batendo contra pele acobreada soar pelo ambiente, antes de comprimir os lábios sobre o volume demarcado no tecido vermelho, provocando o Kim com sua língua e recebendo um muxoxo e um olhar reprovador dele, para então cravar seus dedos no cós daquela peça e desliza-la pelas pernas bonitas do outro.


Jeongguk engatinhou sobre a cama até o criado-mudo ao lado, abrindo a já conhecida gaveta onde guardava lubrificante e camisinhas, voltando a se abrigar entre as pernas do Kim logo depois. O moreno correu seus olhos pelo corpo agora nu de Taehyung, apreciando as marquinhas feitas por si por toda a extensão do tronco alheio e mordendo os lábios ao encarar o membro teso e molhado por pré-gozo descansando sobre seu abdômen.


— Gukie, eu também quero chupar você — Taehyung se pronunciou, infringindo as intenções que o olhar pesado de Jeongguk sobre seu pênis denunciavam e sentando-se sobre a cama, levando suas mãos até o cinto do outro.


— Talvez possamos dar um jeito nisso — disse sugestivo, sorrindo travesso para o acastanhado, que desafivelava o seu cinto apressado para livrá-lo dos jeans apertados.


— 69? — questionou, arqueando uma de suas sobrancelhas e espelhando o sorriso safado que contornava o rosto alheio, antes de cravar os dedos no cós de sua calça e puxá-la juntamente com sua cueca boxer para baixo, recebendo a ajuda de Jeongguk para tirá-la de vez.


— Isso é algum tipo de telepatia? — perguntou divertido, roubando um beijo dos lábios volumosos ao que o outro assentiu afirmativamente com a cabeça, enquanto se deitavam lentamente sobre a cama novamente.


O beijo que compartilhavam logo se tornou quente, equiparando-se a temperatura de seus corpos, suas bocas moviam-se voluptuosamente uma contra a outra e Taehyung aproveitou aquele momento para inverter suas posições, ficando por cima do moreno e apoiando seus joelhos sobre a cama.


— Agora use essa boquinha deliciosa para me fazer gemer, sim? — pediu Taehyung, com sua voz rouca soando sensual e levemente autoritária, plantando um último selar sobre os lábios do moreno para depois virar de costas para si, ficando de quatro, com sua intimidade acessível para o outro.


Se Jeongguk quase tinha um infarto apenas por ver Taehyung se abaixando na sua frente usando roupas curtas, não sabia definir o que diabos acontecia com o seu coração ao ter a bunda do Kim completamente despida e empinadinha logo à frente de seu rosto. Não hesitou nem por um segundo antes de agarrar as duas bandas das nádegas do outro e apertar a carne farta e macia sob sua mão, separando-as e deixando a entrada rosada exposta para si. Ele serpenteou a língua pela circunferência, sentindo o já conhecido gosto doce e fresco do lubrificante de menta em seu paladar. Um sorriso malicioso e satisfeito contornou os seus lábios ao realizar o que aquilo significava.


— Você já tinha se preparado, baby? — questionou fazendo uso de seu tom mais safado.


— Eu... hm.... — interrompeu a própria fala ao ter a língua de Jeongguk o provocando novamente. — Aff, só pensei que deveria tomar uma atitude hoje.


O sorriso nos lábios do moreno cresceu ao ouvir a resposta do outro, ao que segurou os quadris do Kim, fazendo-o praticamente sentar sobre o seu rosto, comprimindo seus lábios em torno de sua entrada e a contornando com sua língua, alternando entre movimentos de sobe e desce ou circulares, molhando o ânus do outro com sua saliva. Taehyung remexia seus quadris e rebolava em busca de mais contato com o músculo morno e úmido que o estimulava, tendo seus gemidos manhosos e satisfeitos abafados pelo pênis de Jeongguk em sua boca. A sua cabeça subia e descia empurrando o membro para dentro e fora de sua boca, enquanto o segurava pela base com sua destra e passeava com sua língua pela sua extensão, saboreando o gosto amargo do líquido pré-seminal à medida que o chupava com gosto. As suas bocas produziam sons imorais e eróticos enquanto se dedicavam a dar prazer um ao outro ao mesmo tempo que se embebedavam nos estímulos proporcionados por elas.


A boca de Taehyung abandonou o pênis de Jeongguk produzindo um gemido alto e rouco ao ter finalmente a língua dele o penetrando em um entra e sai gostoso que o fez rebolar com mais veemência contra o rosto alheio, enquanto a sua mão ocupava-se de masturbar o moreno, atingindo o orgasmo pouco depois. Sendo os deliciosos gemidos e a destra do namorado subindo e descendo com firmeza sobre seu membro o suficiente para que o Jeon se desfizesse nos dedos finos do Kim logo em seguida.


O corpo entorpecido de prazer do acastanhado buscou por descanso, pendendo ao lado do moreno na cama, com sua respiração rarefeita e a mente vazia. Sentiu quando o Jeon passou a plantar vários selares carinhosos pelo seu corpo, desde seu pé – que antes descansava ao lado da cabeça do outro – até sua bochecha, ficando com um sorriso bobo tatuado no rosto devido as ações alheias.


— Vira de ladinho para mim, hm? — pediu, sussurrando ao pé do ouvido do Kim enquanto segurava a sua cintura, o incentivando a obedecê-lo e envolvendo o lóbulo da orelha alheia com seus lábios.


Taehyung prontamente fez o que Jeongguk lhe pediu, virando-se de lado e vendo por cima de seu ombro quando o moreno abriu o pacote da camisinha, envolvendo seu membro com a proteção de látex logo em seguida despejando uma quantidade generosa de lubrificante sobre sua ereção, espalhando o líquido viscoso por sua extensão.


O Kim não pôde evitar sentir-se nervoso e com medo do que viria a seguir, tentou enfiar várias vezes em sua cabeça que aquilo seria prazeroso, mas tudo o que conseguia pensar naquele instante era no quão doloroso uma primeira vez poderia ser. Mordeu seus lábios e desviou o olhar do Jeon, tentando esconder do outro o repentino medo que lhe afligiu ao ter o moreno acomodando-se logo atrás de si, colando seu peito contra suas costas e levantando sua perna.


— Hyung, olhe para mim — pediu, segurando o rosto do namorado com sua mão livre, tentando passar confiança ao outro. — Eu prometi que seria gentil, lembra? Confie em mim. — disse, tentando confortar os olhos temerosos de Taehyung.


Jeongguk beijou os lábios do namorado carinhosamente, afagando a sua bochecha macia e tentando distraí-lo enquanto encaixava-se em sua entrada, a sua língua deslizando sobre a do Kim abafou o gemido alto que ameaçou escapar de sua garganta ao impulsionar seus quadris e adentrar lentamente o orifício apertado do outro, sentindo as paredes internas dele o comprimirem deliciosamente e o envolverem naquele calor insano.


— Você está bem? — questionou preocupado, analisando a carinha de dor e os olhos marejados do namorado. Queria poder fazer daquele momento o mais confortável e prazeroso possível para ele, no entanto, não poderiam evitar aquela dor inicial.


— Unhum — balbuciou, assentindo com a cabeça afirmativamente em resposta mesmo que na verdade estivesse sentindo uma dor incômoda.


— Vou fazê-lo se sentir bem, hyung — declarou, selando seus lábios rapidamente para então distribuir beijos pelo seu rosto em direção ao seu pescoço, enquanto saia lentamente de dentro de Taehyung, gemendo rouco em seu ouvido ao impulsionar-se para seu interior novamente. — Você é tão gostoso, hyung — disse ao ouvido do outro, para então se retirar e voltar para dentro dele com força, tomando o cuidado de manter a mesma lentidão de antes. — Tão apertadinho... — saiu de dentro de si — e quente! — completou, arremetendo-se com rapidez e força em seu interior.


O Kim deixou um gemido alto e deleitoso escapar de sua garganta com a última estocada do Jeon, o sentindo atingir algo em seu interior desconhecido por si até então, que o fizera se embebedar em uma sensação prazerosa, revirando os olhos de prazer e sentindo seus pelos se eriçarem.


Jeongguk sorriu satisfeito com a reação alheia, repetindo aquele mesmo movimento, saindo e voltando para dentro de Taehyung com agilidade e força, recebendo um gemido tão alto e prazeroso quanto o primeiro.


— Isso! — disse Taehyung em meio a um gemido alto, incentivando o Jeon a continuar o atingindo naquele ponto doce.


O moreno obedeceu ao seu pedido, investindo dentro de si naquele ritmo que era prazeroso para ambos e tomando os lábios do outro em um beijo bagunçado, cheio de língua e dentes, gemendo sobre os lábios de seu namorado a cada nova estocada. Taehyung contornou o pescoço de Jeongguk com seu braço, emaranhando seus dedos entre os fios escuros conforme puxava o moreno para si a fim de beijar sua boca com mais precisão.


— Mais, Gukie... Mais fundo! — pedia Taehyung manhoso, entre um gemido e outro contra os lábios rosados, fitando as orbes negras nubladas por prazer do moreno.


Jeongguk retirou-se de dentro do namorado, recebendo um muxoxo insatisfeito e um olhar confuso em resposta, ao que virou Taehyung de costas para si, segurando os quadris dele com firmeza e os puxando para cima, o deixando com a bunda empinada enquanto apoiava-se sobre seus joelhos. Não demorou muito para que o moreno preenchesse o Kim novamente, estocando com ainda mais força e rapidez nessa nova posição, ouvindo os gemidos altos e roucos de Taehyung misturado aos seus ressoarem pelo quarto, se deleitando com a visão de seu pênis entrando e saindo daquela entrada apertada e com aquela bunda redondinha o engolindo.


— Hmm... você faz isso tão bem! — exclamou o Kim, impulsionando seus quadris de encontro aos de Jeongguk e rebolando para si.


— O quê? — questionou Jeongguk, depois de puxar Taehyung pelo braço, ajoelhando-se sobre a cama, tendo o Kim sentado sobre suas pernas, com suas costas suadas grudadas em seu peito, os fios úmidos com cheiro de morango da nuca alheia rente ao seu nariz, o inebriando com o aroma delicioso do outro.


— Foder — respondeu com a voz falha.


— Ah, é? — inquiriu em um tom malicioso. — Então rebola gostoso pra mim, hm? — pediu, segurando a cintura esbelta do outro e impulsionando seus quadris de encontro aos dele, ouvindo um gemido manhoso em resposta, ao passo que Taehyung começou a fazer movimentos sinuosos e circulares com sua bunda, rebolando em seu colo como ele havia pedido, jogando sua cabeça para trás e buscando apoiá-la em seu ombro enquanto se deleitava com o pênis do Jeon o preenchendo.


Logo o Kim subia e descia no colo do outro, quicando e rebolando para o namorado à medida que sentia seu orgasmo cada vez mais próximo, assim como seus gemidos aumentavam algumas oitavas e os espasmos faziam-se presentes, seus pêlos eriçaram e seus olhos reviraram de prazer mais uma vez, ao que os jatos quentes de seu sêmen eram liberados. O seu corpo mole e inebriado de prazer buscou apoio no de Jeongguk, que se impulsionou mais uma vez no interior do outro, se derramando dentro da camisinha e deixando um gemido rouco e arrastado escapar de seus lábios.


Os dois passaram mais alguns segundos ali, com suas respirações rarefeitas e suor se misturando, até que Jeongguk reuniu forças para retirar-se de dentro de Taehyung e depositar o corpo cansado do namorado sobre a cama. Precisou ainda se desfazer da camisinha, fazendo um nó em sua ponta e a jogando na lixeira do banheiro, para então descansar seu corpo ao lado do outro, o trazendo para o seu peito e o fitando com um sorriso bobo e satisfeito nos lábios.


— Você realmente gostou? — quis saber, afagando os cabelos bagunçados e úmidos alheios.


— Não acredito que você está mesmo me perguntando isso — replicou Taehyung, virando-se para encarar o rosto do outro e apoiando seu queixo sobre o peito definido.


— É só que se você não tiver se sentido realmente confortável com isso nós podemos parar por aqui e voltar a tal da gouinage — explicou, fazendo o Kim bufar e revirar os olhos diante de suas palavras.


— Eu adorei, ‘tá bom? — falou impaciente. — E você nem ouse me deixar sem sexo depois disso! — estreitou seus olhos para o outro, ouvindo sua risada divertida e melodiosa em resposta.


— Sabe, hyung, você tem realmente talento para sentar — afirmou, recebendo um olhar incrédulo do homem de fios castanhos desgrenhados. — Acho que você estava no ramo errado — gargalhou.


— Mas é um moleque muito abusado mesmo! — acusou. — Não é porque tenho um dom nato pra coisa que deixei de ser o macho alfa de sempre, ‘tá entendendo? — esclareceu, fazendo o moreno cair na risada com suas palavras. — Eu estou falando sério! — exigiu, apoiando-se sobre seus cotovelos e vendo o outro enxugar as lágrimas teatralmente e tentar conter seu riso.


— Eu não duvido disso, hyung. Você é um homem incrível e eu te amo demais, principalmente agora que descobrimos essa sua nova vocação — garantiu, segurando o rosto de seu namorado e plantando um selar demorado sobre seus lábios.


— Eu também te amo — declarou Taehyung contra os lábios rosados. — E só por isso vou deixar você se aproveitar desse meu “talento” — fez aspas com os dedos, rindo junto ao moreno.


E eles teriam muito tempo para explorar o talento nato de Taehyung para sentar assim como para desenvolver essa nova dinâmica “Ativo vs. Passivo”.

1 марта 2020 г. 1:00:31 2 Отчет Добавить Подписаться
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Об авторе

Ari Lima Alguém que encontrou na escrita uma paixão e sonha em tornar-se uma escritora publicada, mas, enquanto esse sonho não se torna realidade, faço da escrita um hobby. Todas as minhas histórias são do gênero #yaoi e do shipp #kookv. Também conhecida como autora de "Karma" e, agora, de "O preço do do amor".

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Nora Grey Nora Grey
Relendo essa maravilha.Amo taekook. Lindos demais 💜💜💜suas fica sempre perfeitas 😭🥰
AL Alan Luca
Que lindeza de fanfic bro
~