magicsvante Ari Lima

Taehyung desejava uma realidade onde Jeongguk lhe levasse a encontros, beijasse os seus lábios e lhe dissesse que o amava com a mesma frequência com a qual o oxigênio adentrava os seus pulmões e percorria a sua corrente sanguínea. E, talvez, ele devesse culpar a euforia do Dia dos Namorados por fazê-lo desejar o amor de Jeongguk com uma assiduidade mais intensa e descabida do que a necessidade de seus pulmões por oxigênio, ou, ainda, por a data tê-lo levado a preparar um cupcake enfeitiçado com uma porção do amor para presentear o mais jovem. {especial de dia dos namorados} {taekook} {taehyung é um cupido} {design de capa por @cotton_cookie}


Фанфик Группы / Singers 13+.

#os #one-shot #kooktae #kookv #valentine'sday #diadosnamorados #poçãodoamor #cupido #flashfiction #taekook
Короткий рассказ
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Capítulo Único

A crença na existência em um deus do amor, Eros, e em seus pequenos subordinados — mais conhecidos como cupidos —, foi há muito abandonada pelos seres humanos, sendo tais entidades reduzidas a mitos e lendas empoeirados no imaginário popular. Trazidos de volta a memória somente em seletas datas comemorativas ou em filmes sem jamais serem levados a sério de fato. Pura ficção e entretenimento.


Mas ao contrário do que todos imaginam cupidos existem sim e, não, eles não usam fraldas vergonhosas e muito menos atentam contra a integridade emocional dos humanos com suas flechinhas – ao menos não atualmente.


A nova moda entre os seres celestiais é defender os direitos e o livre arbítrio humano. A ideia de flechar pessoas e forçar arqui-inimigos naturais a caírem de amores um pelo outro – como em Romeu e Julieta, por exemplo – tornou-se há muito impopular.


Gradativamente, a política de atuação dos cupidos modernizou-se e adequou-se a esses novos valores de modo que, o seu trabalho outrora simples e fácil de flechar pessoas e deixá-las se virarem com suas palpitações cardíacas e borboletas no estômago, transformou-se na dificultosa missão de infiltrar-se em meio aos humanos a fim de compreendê-los melhor e, assim, serem capazes de encontrar para cada indivíduo a tampa de sua panela, a metade de sua laranja, o seu par perfeito, a sua alma gêmea – como você preferir chamar.


A adaptação a essa nova vida foi dolorosa para Taehyung que teve de aposentar a sua aljava de flechas e arco e abrir mão de suas belas asas para assemelhar-se aos humanos. Inicialmente, parecia-lhe absurdo que ele tivesse que fazer tantos sacrifícios quando Eros, em seus anos dourados, ficou famoso pelas maliciosas combinações de casais que realizava orientado por sua mãe, Afrodite. Porém, ele não tardou a perceber que resistir ao fluxo era mais cansativo do que conformar-se com as mudanças. Aceitando, mesmo contrariado, sua condição como “humano”. E, a contragosto, a área a qual o chefe de sua divisão havia lhe designado: Yoonsei High School.


Para Taehyung, não existe lugar pior do que o ensino médio e ser mandado para a Yoonsei parecia-lhe mais um castigo do que uma nobre missão em nome do amor. Ele sempre viu o ensino médio como um campo minado onde a única e principal lei é a da sobrevivência. A regra é a mesma para todos: vence quem melhor se adapta. Não importa se você é o capitão do time de basquete, a garota mais bonita e popular do campus, o figurante não mencionado na história ou um cupido entender as regras de conduta e sobrevivência é vital para todos. E Taehyung as absorveu rapidamente enquanto observava os jovens adolescentes lutando em suas rotinas diárias lá de cima.


À primeira vista, era tudo muito exótico e estranho para ele. Taehyung não entendia muito sobre a tecnologia moderna ou como as engrenagens das mentes dos adolescentes funcionam, afinal, o loiro era uma entidade que viveu por séculos e não por míseros dezesseis anos como a maioria dos alunos de sua turma. Entretanto, após ser acolhido por um caloroso grupo de amigos — composto por Namjoon, Jin, Jimin, Yoongi e Hoseok — o Kim foi capaz de adequar-se aquele meio e, em pouco tempo, ele era tão comum quanto qualquer jovem normal.


Logo Taehyung percebeu que a melhor forma de fazer o seu trabalho como cupido era fazendo-se ser reconhecido como um cupido pelos estudantes. Tudo começou com ele ouvindo alguns desabafos de pessoas apaixonadas ali, dando conselhos para um casal em conflito aqui e consolando um coração partido acolá. E assim, não tardou para que as pessoas o procurassem por conta própria e para que histórias sobre Taehyung ser capaz de tornar amores platônicos recíprocos, salvar relacionamentos em crise e curar corações partidos se construísse de boca em boca pelos corredores da escola.


Como uma manifestação da existência de Eros, Taehyung sempre se considerou PhD quando o assunto era amor, afinal, ele havia plantado tal sentimento em terras áridas e unido dezenas de corações apaixonados. Contudo, a sua relação com o amor era comparável à de um visitante em uma exposição de arte que contempla as belas telas com devoção, procurando compreender os mais íntimos e ocultos sentimentos do artista expressos em cada pincelada, tentando inferir a partir das técnicas utilizadas por ele qual a sua intencionalidade, apreciando cada detalhe com cuidado sem, no entanto, sentir-se capaz de tomar o lugar do artista. Da mesma forma, Taehyung somente contemplava os casais felizes e apaixonados andarem de mãos dadas e trocarem sorrisos doces pelos corredores da Yoonsei sem sentir-se apto a amar.


O Kim se achava imune ao amor e sequer se importava de ser somente um orquestrador e espectador de romances alheios. Se sentia feliz com a felicidade dos casais que unia e isso lhe bastava.


Ou pelo menos lhe bastou até que Jeon Jeongguk adentrar sua vida e desestabilizar todas as suas convicções com seu rosto bonito, olhos brilhantes, sorriso fofo de coelhinho e um pacote completo de bíceps, abs e coxas torneadas – além, é claro, da personalidade mais doce e contagiante que um ser humano poderia ter.


Tudo começou no início de seu terceiro e último ano no ensino médio, quando a Yoonsei abriu suas portas para os calouros primeiranistas e o campus tornou-se uma bagunça eufórica com os rostos novos. Naquele dia, a mesa que comumente acomodava os corpos de seus cinco amigos durante o horário de almoço, cedeu espaço para mais um integrante que dentro de meia-hora faria de Taehyung alguém suscetível ao amor.


Se alguém questionasse a Taehyung o que havia de tão especial em Jeongguk para que lhe fizesse cair de amor tão facilmente, ele provavelmente não saberia responder. Havia algo no moreno que simplesmente desencadeou os pequenos ataques cardíacos e as cambalhotas em seu estômago, assim, sem mais nem menos. E esse mesmo “algo” o impedia de resumir em palavras o quão precioso um mero sorriso do Jeon era para si.


Agora, se questionasse a Taehyung sobre as coisas que ele mais adorava em Jeongguk, então ele poderia falar por horas a fio, listando uma enorme lista de qualidades e manias, à medida que encontrava beleza até mesmo nos defeitos alheios e insistia, por exemplo, que o nariz preponderante do Jeon era mais do que perfeito: uma obra de arte esculpida pela própria Afrodite.


Taehyung sentia que poderia escrever poesias inspiradas nas sensações que o sorriso fofo alheio lhe infringiam, que poderia fazer música com o tom macio de sua voz e a melodia alta – por vezes escandalosa – de sua risada e que poderia até mesmo pintar um quadro baseado na forma como as pequenas pintinhas marcavam a pele suave e parda do outro, traçando constelações em sua tez.


Ele cogitava estar ficando doente de amor por Jeongguk a cada cinco segundos que se expunha a atmosfera altamente contagiosa alheia e o irônico de tudo isso é que o loiro sequer precisou acertar uma flecha em seu próprio peito para cair em um precipício de sentimentos pelo Jeon.


Entretanto, como um especialista em amor, Taehyung sabia que esses sentimentos intensos e ao mesmo tempo mansos não eram incondicionais e muito menos desinteressados. O amor possui uma lei básica de subsistência que diz que quem ama deseja ser também amado.


E Taehyung não era nem de longe uma exceção à regra. O Kim desejava o amor do Jeon e o buscava todos os dias nos mais singelos gestos alheios.


A necessidade de libertar todo o afeto aprisionado em seu peito e dar-lhe a forma de palavras e ações constantemente o assombrava e, quando ele se dava conta, seus dedos já haviam se intrometido em meio as madeixas macias e negrumes alheias e um sorriso bobo brincava em seu rosto enquanto delegava ao moreno o seu olhar mais devoto.


Da mesma forma que ansiava dar amor ao Jeon, também sonhava com o momento em que Jeongguk selaria os seus lábios pequenos e delineados aos dele, levando-o ao paraíso com o singelo contato. Por isso, não era raro encontrar Taehyung devaneando acordado enquanto encarava os lábios rosados e convidativos alheios.


Taehyung desejava uma realidade onde Jeongguk lhe levasse a encontros, beijasse seus lábios e lhe dissesse que o amava com a mesma frequência em que o oxigênio adentrava os seus pulmões e percorria sua corrente sanguínea. E, talvez, ele devesse culpar a euforia do Dia dos Namorados por fazê-lo desejar o amor de Jeongguk com uma assiduidade mais descabida do que a necessidade de seus pulmões por oxigênio.


O dia dos namorados era tratado como um grande evento pelos alunos da Yoonsei. O êxtase da data atingia a todos e os colocava em uma verdadeira corrida contra o tempo a fim de encontrarem o amor de suas vidas e não passarem aquele fatídico dia desacompanhados. Nessa época, Taehyung sempre se tornava incrivelmente popular e altamente requisitado.


Era de praxe que as garotas fabricassem chocolates e os entregassem aos garotos de quem gostavam junto a uma bela declaração de seus sentimentos. Ao passo que aqueles que já estavam em um relacionamento amoroso trocavam doces e planejavam encontros bem elaborados para a data. E Taehyung continuamente serviu de auxílio tanto para as garotas apaixonadas e ansiosas por uma resposta aos seus sentimentos quanto para os casais apreensivos com os seus encontros românticos.


Porém, naquele ano em particular, tudo no que Taehyung pensava nas vésperas do grande dia era em como ele não suportaria assistir o seu amado Jeongguk sendo cercado por garotas, com seus chocolates caseiros e suas declarações de amor. O mais novo, apesar de tímido, era ridiculamente popular entre as meninas – o que dava corriqueiras dores de cabeça para um Taehyung enciumado.


Foi com esses pensamentos em mente que Taehyung acabou com um livro de receitas, fôrmas de cupcake e uma vasilha com massa pronta em mãos. O louro repetia para si mesmo enquanto preparava os bolinhos que eles eram somente um agrado para os seus amigos solteirões e carentes. Contudo, Taehyung não poderia negar que o cupcake de Jeongguk havia sido feito de uma maneira toda especial e até antiética.


Acontece que a guloseima preparada para o mais novo não era somente maior e mais decorada que o restante como também possuía, em meio ao recheio cremoso de baunilha, uma generosa quantidade de poção do amor.


Taehyung havia tido inúmeras crises existenciais e feito diversas autocríticas antes de cair em tentação e encantar a sobremesa. Ele sabia que estava sendo egoísta e nenhum pouco ético ao derramar as lágrimas de um cupido apaixonado em meio aos ingredientes do doce. Tentava convencer-se que não havia mal algum em ser amado e feliz por um único dia.


O cupido rezava para que Zeus o perdoasse por ser tão ambicioso e estar quebrando algumas regras de conduta à medida em que embalava o cupcake de Jeongguk em uma caixinha vermelha e fazia um laço caprichado em sua superfície.


Ele só desejava um dia. Um dia em que ele pudesse ficar com o Jeon. Um dia em que ele pudesse segurar sua mão e entrelaçar seus dedos aos alheios. Um dia em que ele pudesse ser sincero sobre os seus sentimentos e demonstrá-los sem medo de uma possível rejeição. Um dia em que ele pudesse conhecer algo completamente novo sobre o outro enquanto tinham um encontro romântico extremamente cliché. Um dia. Apenas 24 horas para que ele provasse dos lábios rosados e intoxicar-se com a ilusão de ter o seu amor correspondido como em seus mais belos sonhos para, logo depois, acordar e esquecer de tudo.


E o coração apaixonado que nunca desejou passar ao menos um dia ao lado da pessoa amada que ousasse lhe atirar a primeira pedra.


Embora Taehyung tivesse tido todo o trabalho de preparar os cupcakes bem decorados e de convencer-se a dar uma chance para si mesmo, pensamentos negativos e diversas paranoias nublaram a sua mente durante os primeiros horários de aula. Enquanto ele se dirigia para o refeitório, onde sempre almoçava com seus amigos, Taehyung cogitou desistir – ainda em frente à entrada do grande refeitório –, regressar pelos corredores e devorar os bolinhos sozinho enquanto se afogaria em auto-piedade no terraço da escola.


Ainda havia tempo para fugir e agir como se nunca tivesse preparado bolos e se corroído com suas expectativas bobas e românticas. Ainda havia tempo para dar meia-volta e fingir que tinha esquecido algo em sua sala antes que seus amigos o notassem. E ainda haveria tempo e sua covardia ainda iria retumbar alto em sua mente se ao dar meia-volta ele não houvesse se deparado com a imagem de seu Jeongguk caminhando em sua direção à medida que acenava e sorria animadamente. A voz doce e melodiosa do garoto entonoou um “Hyung!” carinhoso que nunca falhou em derretê-lo completamente.


O Jeon era absolutamente fofo e o Kim absolutamente apaixonado por ele. Por isso, sem sequer dar-se conta, Taehyung já havia deixado que o moreno envolvesse seus ombros em um abraço de lado e o arrastasse dessa forma até a mesa onde seus amigos residiam. Os seus planos anteriores de fuga tornando-se completamente esquecidos em um canto qualquer de sua mente, que se focou unicamente na tarefa solene de admirar o rosto bonito alheio e devanear sobre o quanto Jeongguk parecia adorável e fodidamente atraente sem qualquer esforço.


Taehyung mal registrava as palavras ditas pelo outro – que comentava algo sobre a aula de sociologia ter sido um inferno tedioso –, devido à enorme distração que os lábios cor-de-pêssego se movendo para reproduzir o som melodioso da voz alheia representava para si.


Ao cruzarem o curto caminho até seus amigos, Taehyung encontrou a mesa repleta por pequenos montes de chocolate, os quais se acumulavam cada qual na frente de um dos seus hyungs que, por sua vez, pareciam compenetrados demais em uma discussão acirrada para ver quem havia ganho mais chocolates aquele ano e portanto sido o mais cortejado. Eles só se deram conta da aproximação de ambos quando Taehyung e Jeongguk sentaram-se lado a lado no banco e acomodaram-se à mesa.


— Eu não posso aceitar que Jin hyung irá vencer pelo terceiro ano consecutivo! — disparou Hoseok, batendo com sua mão em cima da superfície de madeira e fazendo os chocolates deslizarem de seus montes devido ao baque.


Ao passo que Jin gargalhou na ponta da mesa, adquirindo uma postura prepotente ao que o provocou: — Aceita que dói menos, Hobi — ditou presunçoso. — Não há limites para a popularidade de alguém com um rosto tão bonito quanto o meu — deu uma piscadela, agindo completamente convencido e esbanjando de sua exagerada autoestima como de costume.


Quando Hoseok bufou e cruzou os braços sobre o peito em resposta, todos riram de sua discussão boba.


Aquela pequena competição havia se tornado uma espécie de tradição para o grupo de rapazes no dia dos namorados. Todos os anos era a mesma coisa: Jin sempre acabava vencendo no final e Hoseok reclamava sobre ser injusto que ele participasse. Enquanto Namjoon se divertia assistindo a infantilidade dos dois, e Yoongi e Jimin sequer davam bola para a coisa toda, presos em seus próprios mundinhos particulares, paparicando um ao outro. E Taehyung, em contrapartida, mantinha-se neutro à medida que devorava sorrateiramente os chocolates e fazia-se de desentendido quando, ao contarem os doces novamente, o resultado da soma era significativamente inferior.


— Pelo visto vocês ganharam chocolates demais esse ano — Taehyung disse, observando a mesa. — Imagino que não estejam nenhum pouquinho interessados nessas belezinhas que fiz com todo o amor e carinho do mundo para os meus amigos encalhados... — dizia em um tom sugestivo, colocando a vasilha de plástico sobre a mesa e abrindo-a lentamente a fim de revelar os cupcakes bem decorados em seu interior.


Apenas um vislumbre do conteúdo da vasilha foi necessário para que um Hoseok outrora mal-humorado descruzasse os seus braços e se debruçasse sobre a mesa com os olhinhos brilhantes em direção aos bolinhos. E com o restante dos meninos não foi muito diferente, pois todos desviaram suas atenções do que quer que estivessem fazendo antes para agirem como crianças famintas e ansiosas, aproximando-se rapidamente do loiro – ou melhor, dos cupcakes.


— Que isso, Taehyungie, nós nunca recusaremos bolinhos feitos com tanto carinho por nosso ‘saeng, não é? — disse Hoseok, ao que todos assentiram. — Sem falar que doce nunca é demais — falou, alcançando um dos cupcakes e tendo a sua mão prontamente estapeada pelo loiro.


— Um de cada vez — Taehyung ditou, lançando um olhar repressor para Hoseok que alisava o torço de sua mão. — Eu preparei cupcakes com sabores diferentes para cada um de vocês porque estava inspirado — falou orgulhoso, escolhendo dentre os bolinhos de cores diferentes aquele que pertencia a cada um.


Havia preparado cupcake de nozes para Namjoon, de limão para Yoongi, de doce de leite para Jimin, de nutella para Hoseok e de leite ninho com nutella para Jin.Ao fim, restava somente um cupcake de morango com gotas de chocolate dentro da vasilha, o qual Jeongguk encarava cheio de ansiedade, como se estivesse se segurando para não apressar sua mão até o bolo e pegá-lo para si.


— E esse é meu — Taehyung disse, pegando o último bolinho para si mesmo e fazendo Jeongguk praticamente murchar ao seu lado.


— Você não fez nenhum para mim, hyung? — O mais novo questionou, em um tom quase magoado, dedicando um olhar digno de um cachorrinho abandonado ao loiro, que sentiu o seu coração doer apenas por encontrar aqueles olhinhos negros sem o seu corriqueiro brilho de alegria.


— Claro que fiz, Gukie — disse, virando-se para recolher sua mochila em busca da caixa vermelha que guardara em seu interior, a qual encontrou rapidamente e colocou sobre a mesa, entregando-a para o moreno. — Não é nada muito especial e talvez esteja muito doce já que me empolguei e misturei morangos e baunilha, mas eu espero que você goste — falava rápido, atropelando-se em suas palavras à medida que encarava a mesa e sentia suas bochechas esquentarem, adquirindo um tom rosado.


Um sorriso enorme tomou o rosto de Jeongguk, trazendo o brilho de volta aos seus olhinhos escuros, ao passo que ele pegou a caixa vermelha em suas mãos e se colocou a desfazer o laço que feito sobre ela, abrindo-a e revelando o cupcake em seu interior.


O bolinho era visivelmente maior que os outros e possuía uma quantidade generosa de chantilly em sua superfície, decorado por pedacinhos picados de morango, ao que a geleia vermelha do mesmo sabor da fruta salpicava a cobertura branca.


Jeongguk ficou tão feliz quanto aliviado ao constatar que o seu hyung favorito não havia somente lembrado de si como também lhe feito um cupcake todo especial. Ele estava mais do que acostumado a ser mimado por Taehyung e ser o dono de sua atenção de modo que a ideia de ter sido o único esquecido por ele lhe infringiu uma sensação ruim. O deixava triste e, quem sabe, até enciumado.


Foi preciso apenas que Jeongguk retirasse o cupcake cuidadosamente de dentro da caixa para que os protestos de seus hyungs se fizessem ouvir. — Porque o cupcake do Jeongguk é maior que o nosso? — Hoseok foi o primeiro a questionar com a boca cheia e os lábios melecados de cobertura. — Zeus está vendo você fazer segregação de pessoas viu, Taehyungie.


— Isso não é justo — Jin concordou. — Eu vi o Jeongguk ganhar vários chocolates das garotas hoje cedo e agora mais essa! — reclamou, apontando acusadoramente para o menino mais novo, com as sobrancelhas grossas franzidas, lábios melecados pela cobertura e as boca cheia de bolo, expressando um “hmm” em apreciação ao sabor da guloseima.


O mais novo chutou o tornozelo de Jin por baixo da mesa, fazendo-a sofrer um breve sobressalto, ao que se remexeu desconfortável em seu lugar, ditando um murmurado “cale a boca!” para o mais velho.


— Então você também deve ter visto que recusei todos eles, não viu? — Jeongguk acrescentou olhando para Jin com os seus olhos estreitos e quase ameaçadores. Jin assentiu afirmativamente, abaixando-se para acariciar o seu tornozelo dolorido. O moreno logo virou-se para Taehyung com um sorriso doce nos lábios, mudando do vinho para a água e equiparando-se a um anjinho, para então completar: — Sem contar que qualquer coisa que o hyung faça para mim é infinitamente mais especial.


Era por essas e outras que Taehyung não via salvação para o mar de sentimentos que se apossava de si quando estava com Jeongguk, pois sempre que tentava agir racionalmente e desapaixonar-se, o moreno agia de forma fofa e lhe dizia coisas adoráveis que faziam o seu coração quase parar em seu peito e as borboletas fazerem um fuzuê em seu estômago.


Foi preciso que Taehyung respirasse fundo, tentando acalmar as batidas erráticas de seu coração, e pigarreasse a fim de recuperar a sua voz e, principalmente, sua dignidade, para então se pronunciar: — O Gukie é o maknae do grupo, nada mais natural do que ser o mais mimado — mostrou o seu sorriu em formato de coração para Jeongguk e bagunçou os cabelos lisos e pretinhos do mais jovem.


Jeongguk dedicou um olhar atrevido e presunçoso para os seus outros hyungs, pegando o cupcake e finalmente o levando até os lábios para então deferir uma mordida generosa. Taehyung o assistia mastigar o doce ansiosa e apreensivamente. Mal conseguindo conter as suas expectativas quanto a opinião de Jeongguk sobre a guloseima e, principalmente, em relação aos efeitos da poção do amor presente no recheio.


As expressões faciais do moreno e o modo como ele deu duas mordidas seguidas no cupcake — ficando com suas bochechas gordinhas à medida que se deliciava com o doce —, revelaram que ele havia aprovado o seu sabor. E Taehyung suspirou aliviado com essa constatação, sem ainda desgrudar seus olhos de Jeongguk, atento a menor mudança que fosse em seu semblante.


— Isso está maravilhoso, hyung! — O Jeon elogiou, dando uma quarta mordida no bolo. — Esse recheio de baunilha é definitivamente a melhor coisa que já provei na minha vida! — disse de boca cheia, parecendo extremamente fofo mesmo com os lábios sujos de chantilly.


Taehyung havia lido em algum lugar que poções do amor além de gerarem sentimentos de paixão também desencadeiam sensações prazerosas em quem as ingere, pois possuem um sabor todo especial. Tal constatação o deixou eufórico e ainda mais ansioso, fazendo-o procurar por respostas.


— Sério? — O Kim questionou, movendo-se para mais perto do outro e aproximando seu rosto do alheio, encarando profundamente as írises escuras como se pudesse estudá-las. — Você não sente algo de diferente? Tipo, alguma coisa se revirando no estômago ou uma sensação estranha no peito? — falava, aproximando-se ainda mais do Jeon.


Jeongguk, em contrapartida, sentiu suas bochechas esquentarem e prendeu sua respiração com a aproximação abrupta e inesperada de Taehyung. Esquecendo-se até como se falava ao estar diante do castanho hipnotizante dos olhos do loiro. Ele queria ser capaz de lhe dar uma resposta coerente ou quem sabe pedir socorro antes de afogar-se nas retinas líquidas alheias, mas ele não conseguia sequer respirar devidamente. Assim, o seu único e primeiro impulso foi segurar os ombros do Kim e o afastar de si, para que enfim pudesse inspirar e expirar oxigênio devidamente.


— Não, hyung, eu estou bem. O cupcake está delicioso — Jeongguk disse, acreditando que o loiro estava preocupado com a possibilidade de o doce ter lhe feito algum mal.


Taehyung sentiu-se decepcionado por a porção do amor não ter mostrado efeito imediato. Sabia que o sabor maravilhoso que Jeongguk alegou provar no bolo era característico do feitiço. Então, não se deixou desanimar e continuou com suas retinas focadas num Jeongguk que terminava de devorar o cupcake com uma última mordida. Ele procurava por qualquer sinal de mudança no comportamento do Jeon à medida que o mais novo conversava com os seus outros amigos à mesa sem, no entanto, encontrar qualquer indício de que a porção havia surtido efeito. O moreno agia conforme os seus padrões de normalidade e naturalidade: falando pouco e ouvindo muito, rindo das situações narradas por Jin e fazendo uma palhaçada vez ou outra. A atenção do loiro manteve-se focada em cada movimento de Jeongguk até que o assunto em pauta fosse de seu interesse.


— Quais são os planos de vocês para hoje? — Namjoon questionou, chamando a atenção do loiro. — Tantos chocolates e declarações devem ter rendido ao menos um encontro.


— Bom, eu finalmente aceitei sair com a Sunhee depois de anos trocando mensagens com ela — Jin revelou. — Acho que vamos a um parque de diversões ou algo parecido.


— E eu tenho um jantar marcado para às oito horas com a Yumi — disse Hoseok.


— Eu e Yoongi vamos fazer um piquenique no parque, não é amor? — Jimin respondeu, com um sorriso doce nos lábios e virou-se para Yoongi, pedindo-lhe uma confirmação.


— Vamos? — Yoongi questionou, confuso, sendo preciso somente um estreitar de olhos de Jimin para que ele rapidamente se corrigisse. — Vamos! Sim, é claro que... Espera, em qual parque nós vamos mesmo, Chim? — E assim eles começaram uma breve discussão aos sussurros por Yoongi ter se esquecido que tinham um encontro.


— E quanto a vocês dois? — Namjoon questionou, apontando para Taehyung e Jeongguk.


— Você sabe que eu não tenho planos — Taehyung respondeu em um tom entediado, afinal, ele nunca havia saído para encontros com ninguém e a única pessoa em que ele estava interessado não colaborava consigo – nem mesmo sob o suposto efeito de uma porção do amor.


— O mesmo para mim — disse o Jeon.


— Ótimo! — Namjoon comemorou na cara limpa. — Então, acredito que meus dois ‘saengs fofos não se incomodariam em fazer companhia para um hyung solitário, hm? — Exibiu suas covinhas em uma chantagem emocional barata, ao que Taehyung e Jeongguk trocaram olhares cúmplices, um tanto quanto coagidos. — Eu tenho tickets para DeadPool 2 — disse, exibindo três ingressos e os abanando no ar enquanto um sorriso presunçoso adornava os lábios volumosos. Ele sabia que havia ganho.


— Nós topamos! — Taehyung e Jeongguk exclamaram em uníssono, dando um pulo em seus lugares, tamanha era a animação dos dois.


E bom, talvez Taehyung não tivesse seu tão sonhado e perfeito dia dos namorados ao lado de seu príncipe encantado — aka Jeon Jeongguk —, mas ao menos assistiria ao filme do seu anti-herói preferido, com o seu hyung preferido e com a sua pessoa preferida no mundo.


Por isso, o Kim permitiu que a animação se alastrasse por seu espírito e lavasse sua mente das diversas indagação quanto a inutilidade da porção que dera a Jeongguk enquanto assistia as últimas aulas e depois de voltar para casa afim de arrumar-se para encontrar com seus amigos no cinema.


O loiro sabia que as possibilidades de um feitiço como aquele falhar eram de uma em um milhão e, sempre que acontecia, o erro pertencia a quem encantou o objeto e não a porção de fato. Mas Taehyung não havia se dado ao privilégio de cometer qualquer gafe. Muito pelo contrário, jamais havia tomado tanto cuidado ou revisado tantas vezes os seus passos ao preparar uma poção do amor como naquela vez. Cada milímetro das gotas agridoces de lágrimas havia sido devidamente medido, computado, e comparado com a quantidade de ingredientes da receita, para que tivesse o balanceamento perfeito. Tomando o cuidado, claro, de verificar o IMC do Jeon, para não acrescentar um milímetro sequer a mais que o necessário. Afinal, era um feitiço para Jeongguk. E ele jamais se perdoaria caso fizesse algo errado e o mais novo acabasse por ficar sob o efeito do encantamento por mais de 24 horas.


Fora isso, só havia uma única razão capaz de justificar a falta de efeito da poção: o alvo do feitiço já nutrir tais sentimentos de paixão. Mas essa possibilidade parecia tão louca quanto inacreditável para o Kim que sequer cogitou-a de fato, balançando a cabeça e espantando os pensamentos em negação antes que eles tivessem a oportunidade de o iludirem.


Assim, Taehyung tratou de arrumar-se com cuidado, vestindo uma camisa com mangas longas e listras nas cores cinza, branco e azul, uma calça jeans preta e all-star de cano médio também pretos. Sua roupa era bonita e casual, deixando-o satisfeito com o seu visual ao concluí-lo adornando suas orelhas com pequenos e discretos piercings.


Não tardou para que ele chamasse um táxi e se dirigisse até o cinema mais próximo, tendo que aguardar pouco mais de cinco minutos em frente à entrada da sala três até que Jeongguk surgisse em seu campo de visão, esbanjando charme em sua jaqueta de couro preta, camisa branca, jeans surrados e botas mostarda. Taehyung sentiu-se automaticamente nervoso ao vê-lo, pois Jeongguk fazia jus ao conceito de boyfriend material à medida que andava em sua direção com um sorriso encantador nos lábios. O pensamento de que aquilo se parecia exatamente com um encontro fez algo revirar-se no estômago do Kim ao que ele mordiscou seu lábio inferior devido a ansiedade.


E tudo pareceu ficar mais estranho depois de Jeongguk envolvê-lo em seu característico abraço de urso, entonando um “Hyung!” que nunca falhava em desestabilizá-lo. Após se afastarem, os dois tiveram uma conversa curta e estranha, em um clima estranho, enquanto sensações estranhas apossaram-se de ambos. Taehyung achou por bem recolher o celular de seu bolso e questionar a Namjoon quanto ao motivo de sua demora, ao passo que Jeongguk tratou de ir em busca de pipoca e refrigerante para os dois.


Tae:

Hyung, cadê você?

Eu e o Gukie já estamos te esperando aqui

Me diz que você já está chegando


Joonie Hyung:

Sabe a minha gata?

Então, ela apareceu rs.

Se divirtam sem mim, porque eu me divertirei sem vocês


Tae:

Você é mesmo um tirano

Me faz vir até aqui para depois me trocar por uma garota

Só vou te perdoar porque você me deu os tickets de graça


Após responder as mensagens, Taehyung suspirou e guardou o aparelho em seu bolso, voltando sua atenção para Jeongguk – que já possuía o suporte com refrigerante e pipoca em mãos – logo em seguida.


— Parece que o hyung encontrou alguém mais interessante e com peitos para passar o dia dos namorados — Taehyung anunciou.


— Então ele não vem mesmo? — quis saber, ao passo que o loiro maneou a cabeça em afirmativa. — Que cretino! — xingou, descrente.


— Eu não julgo ele. Qualquer um escolheria passar esse dia com uma garota bonita do que com dois pirralhos — deu de ombros, conformado.


— Não, eu com certeza prefiro passar esse dia com você do que com qualquer garota bonita — Jeongguk deixou escapar, com naturalidade, pegando Taehyung de surpresa e logo tendo as bochechas do loiro em um tom rosado ao mesmo tempo que ele adquiriu uma atitude tímida.


— Eu também... — Taehyung acrescentou baixinho e, dessa vez, foi Jeongguk quem se viu tímido e de bochechas coradas.


— Vamos logo para a sala de cinema ou perderemos os trailers — O moreno disse, pegando a mão de Taehyung de forma afobada e o conduzindo até a sala, buscando assim quebrar a iminente tensão que se instalara entre eles.


Talvez, fosse obra do destino o fato de que graças a Namjoon, Taehyung finalmente teria o seu tão ambicionado encontro com Jeongguk. E ele não poderia estar mais satisfeito com a coisa toda, pois durante as duas horas seguidas de filme em que ficou sentado ao ladinho do moreno, teve os seus ombros envolvidos pelo outro quando ele suspeitosamente resolveu espreguiçar-se e deixar o seu braço por ali mesmo. Os seus dedos e os alheios vez ou outra encontravam-se quando buscavam por pipoca dentro do grande balde acomodado entre os dois e, quando a pipoca finalmente acabou e o balde foi posto de lado, Taehyung sentiu-se livre para aproximar-se ainda mais de Jeongguk e acomodar sua cabeça de cabeleira loira sobre o ombro alheio à medida que o moreno simplesmente o puxou para mais perto, aconchegando-o melhor ao seu corpo e passando a deixar singelos afagos nas costas do Kim.


Houveram vezes em que Jeongguk deu breves saltos em sua cadeira, empolgado demais com o filme para conter o seu próprio corpo e palpável animação com as cenas de ação, mas ele logo voltava a encostar suas costas contra o assento confortável e a aconchegar Taehyung contra o seu peito quando a comoção inicial se dissipava. Ao passo que o loiro, mesmo que igualmente vidrado na grande tela à sua frente, acabava por se pegar corriqueiramente dando mais atenção às expressões faciais e aos olhinhos brilhantes do mais jovem. Mas ninguém poderia julgá-lo por isso, afinal, estava com o seu Jeongguk, aconchegado ao seu corpo quente enquanto sentia o seu cheirinho gostoso tão próximo ao seu nariz.


Quando o filme acabou e os dois deixaram o cinema, passando a caminhar pelas ruas movimentadas de Isandong, em uma clara tentativa de prolongar o seu tempo juntos bem como o diálogo animado que tinham sobre o enredo do filme, acabaram por alcançar a famosa “Parede do Amor”, que consistia em um estreito corredor, no qual as paredes que o cercavam eram repletas de mensagens de amor penduradas em suas grades por casais. Ao se deparar com aquele local, Jeongguk agarrou a mão de Taehyung e o arrastou em uma curta corrida até lá.


— O que viemos fazer aqui? — Taehyung questionou, com sua respiração levemente falha.


— Hoje é o dia dos namorados, não é? — O loiro acenou. — Então deveríamos aproveitar para deixar mensagens de amor amarradas a essas paredes também. Dizem por aí que se você prender uma declaração aqui, os seus sentimentos serão capazes de alcançar a pessoa que ama.


Taehyung não costumava acreditar em tais superstições desde que ele mesmo era uma manifestação da existência de Eros e conhecia muito bem as forças que regiam o amor. Entretanto, com Jeongguk lhe olhando com suas írises brilhantes – que assemelhavam-se muito ao céu estrelado noturno – e com aquele adorável sorriso de coelhinho, ele se sentia bem mais que tentado a entrar em sua brincadeira e apelar para outras forças do amor que não estivessem em sua jurisdição.


— Você tem uma dessas coisas? — Taehyung apontou para os bilhetes feitos em um papel especial de formato arredondado e cor-de-rosa presos nas grades.


— Isso é o de menos — Jeongguk disse, saindo de seu campo de visão para ir até uma banquinha há alguns metros dali e voltando com canetas e dois papeis em mãos. — Pronto — disse, entregando um papelzinho para Taehyung. — Agora coloque todos os seus sentimentos em palavras — ditou em um tom brincalhão.


Em resposta, um sorriso diminuto surgiu no rosto de Taehyung, este que se virou, ficando de costas para o moreno, e procurou algo no qual apoiar o papel, balbuciando um “não vale espiar” que fora seguido da risadinha gostosa e travessa do Jeon. Ambos se ocuparam de escrever os seus respectivos bilhetes, tomando o cuidado de não deixar que o outro vislumbrasse o conteúdo confidenciado.


Taehyung não era realmente bom com palavras, pois mesmo tendo passado longos minutos pensando em como expressar os seus sentimentos pelo mais novo naquele pedacinho minúsculo de papel, ele não conseguiu escrever nada além de “Eu amo Jeon Jeongguk”. Acontece que só de parar para refletir sobre seus sentimentos pelo outro, Taehyung sentia-se sufocar. Era como se uma enorme onda tomasse forma dentro de si e o afogasse em densos sentimentos e emoções que com certeza não caberiam no pequeno papel arredondado em sua mão.


Assim, o Kim deu-se por satisfeito com sua curta e simples confissão, prendendo o bilhete junto a outros milhares de papeizinhos cor-de-rosa e rezando para que os seus sentimentos alcançassem o garoto mais jovem, que por acaso encontrava-se a apenas alguns passos de distância. Taehyung virou-se a tempo de encontrar Jeongguk terminando de prender o seu próprio bilhete.


— E então, você quer contar para o hyung sobre os seus sentimentos? — Taehyung pediu, não conseguindo conter a curiosidade e ciúmes que tentara inutilmente ignorar. — Você sabe o que dizem por aí sobre mim. Aparentemente eu tenho o dom de fazer amores platônicos tornarem-se recíprocos... — disse, sorrindo nervosamente.


Sempre que Taehyung pensava sobre sua fama como cupido não conseguia deixar de julgar irônico que ele de fato pudesse fazer amores platônicos recíprocos para todos a sua volta, exceto para si mesmo.


— Sabe, Sr. Cupido, eu não acho que você possa realmente fazer algo por mim — falou, aproximando-se com passos lentos de Taehyung. — Porque esse hyung de quem eu gosto é realmente bobo e muito lerdo. Ele está sempre cuidando das pessoas a sua volta, com um jeitinho doce e todo atencioso, ele ajuda todos com os seus problemas amorosos. Ele é o tipo de pessoa que parece saber tudo sobre amor e romance. Mas não importa quantas vezes por dia eu o diga que ele é especial para mim e repita o quanto adoro tudo sobre ele, esse hyung parece não perceber que eu o amo. Ele literalmente não me nota.


— Ele parece realmente tonto — Taehyung riu sem graça, sentindo as suas bochechas esquentarem e encarando os próprios pés, ao que Jeongguk retesou os seus passos ao ter seu corpo logo à frente do loiro.


— E ele é — concordou, vendo um biquinho adorável se formar nos lábios do Kim, fazendo-o sorrir soprado e levar a sua mão até o queixo alheio, levantando o seu rosto com delicadeza. — Só que um tonto realmente fofo, com direito a bochechas gordinhas coradas e biquinho — aproximou seu rosto do outro, deixando que a sua respiração quente batesse contra a bochecha corada alheia à medida que encarava os olhos castanhos em um pedido mudo por permissão, o qual foi respondido silenciosamente pelas pálpebras contornadas por longos cílios se fechando e o seu rosto inclinando-se em direção ao de Jeongguk, este que não demorou a selar os lábios rosados de Taehyung lenta e carinhosamente.


Taehyung havia sonhado acordado com aquele momento incontáveis vezes. Sempre devaneava sobre qual seria a sensação de ter os lábios pequenos e cheinhos do Jeon colados aos dele, mas nenhum de seus sonhos e devaneios fazia jus a coisa real. Os lábios do outro eram suaves e gentis ao plantar breves e úmidos selares sobre os dele. E o Kim podia jurar que um show de fogos de artifício ocorria atrás de suas pálpebras a cada vez que os lábios macios alheios encontravam com os seus.


— Eu te amo, hyung — Jeongguk disse as três palavrinhas mágicas que Taehyung sempre ansiou ouvir contra os seus lábios, ao que o loiro não hesitou em selá-los e aprofundar aquele contato, sorrindo entre o beijo tamanha era a sua felicidade. Jeongguk deslizou sua mão pela bochecha do Kim até alcançar a sua nuca, embrenhando seus dedos em meio aos fios descoloridos ao passo que a sua mão livre se ocupou de segurar a cintura alheia e trazê-lo para mais perto.


Ao findar aquele contato, Taehyung envolveu Jeongguk em um abraço apertado, afundando o seu rosto no vão entre o pescoço e ombro alheio e inspirando o cheirinho de bebê provindo da pele quente do moreno. Ele aproveitou a sensação gostosa de ser abraçado de volta pelos braços fortes do rapaz, enquanto tomava coragem para sussurrar ao seu ouvido que também o amava.


E foi assim que, sem a ajuda de flechas encantadas ou poções do amor, Taehyung teve o seu amor correspondido por bem mais do que breves 24 horas. Ele desejou apenas um dia ao lado daquele que amava e esse um dia acabou por tornar-se dois, cinco, dez, quinze, e outros tantos inumeráveis dias que ele até perdeu as contas.

15 февраля 2020 г. 0:56:12 0 Отчет Добавить Подписаться
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Об авторе

Ari Lima Alguém que encontrou na escrita uma paixão e sonha em tornar-se uma escritora publicada, mas, enquanto esse sonho não se torna realidade, faço da escrita um hobby. Todas as minhas histórias são do gênero #yaoi e do shipp #kookv. Também conhecida como autora de "Karma" e, agora, de "O preço do do amor".

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