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noveluas Tata C

Quem era aquele homem e por que estava no mar daquele jeito? Foram perguntas não respondidas por Seokjin, que pouco falava. Apenas pediu que o deixasse ficar, que o deixasse ali por alguns dias. E contrariando todas as suas crenças numa vida regida pela lógica factual, Taehyung não negou o pedido. Não por altruísmo, mas porque queria mais daquela sensação estranha que ele causava em si. [taejin; bts]


Фанфик Группы / Singers 13+.

#seokjin #taehyung #lgbt #boyxboy #vjin #taejin
Короткий рассказ
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Inevitavelmente Real

O vento frio daquela manhã nublada batia no rosto delicado de Seokjin, que sussurrava uma melodia desconhecida, como vinha fazendo todos os dias desde que foi parar naquele barco de pesca. Do outro lado estava Taehyung, o observando com a mesma expressão confusa do primeiro dia; fora a rede de pesca dele que levou Jin até ali.

Encontrar um homem seminu em sua rede não estava em seus planos. Ao ajudá-lo a sair daquele emaranhado, não pôde acreditar no que seus olhos viam, nunca na vida havia visto alguém como ele. E de repente o ar parecia entrar nos pulmões bem mais lentamente que o comum.

Quem era aquele homem e por que estava no mar daquele jeito?

Foram perguntas não respondidas por Seokjin, que pouco falava. Apenas pediu que o deixasse ficar, que o deixasse ali por alguns dias. E contrariando todas as suas crenças numa vida regida pela lógica factual, Taehyung não negou o pedido. Não por altruísmo, mas porque queria mais daquela sensação estranha que ele causava em si. Há muito que nada acontecia por ali, há muito que sua vida era puro marasmo.

Os dias com ele eram calmos e regados à uma cantoria sussurrada, daquele tipo que te faz fechar os olhos e não se importar com mais nada. Taehyung o observava como alguém que assiste um filme, ansioso pela próxima cena. O levava para o barco todos os dias, e lá, Jin cantava mais. E por algum motivo, as redes pareciam se encher com peixes e mais peixes; coisa que não acontecia fora da alta temporada.

Seokjin gostava do brilho nos olhos e do sorriso de Taehyung quando a rede surgia cheia. E por isso ele cantava, todos os dias, durante toda a manhã. E os dias passaram, não dois ou três, mas quase vinte. O pescador não o questionava, mesmo que a dúvida parecesse querer corroê-lo.

"Quem é você, Seokjin?"

Mas ele não respondia, sua expressão murchava e disso, Taehyung não gostava.

-

Depois da pescaria daquela manhã, Taehyung vendeu os peixes para os feirantes e então voltou para casa com Seokjin. O clima chuvoso parecia deixar os dois melancólicos, que se olhavam com bem mais receio que o normal. Talvez fosse o clima mesmo, talvez fossem os motivos ocultos por ambos. Na casa pequena do pescador, não havia como fugir de uma proximidade, acabavam ficando juntos o dia todo, vez ou outra assistiam tv, o que Jin parecia gostar bastante; em outras preparavam algo na cozinha, e nisso Tae era muito bom.

Eram pequenos detalhes quase em câmera lenta, Taehyung poderia olhar para ele por horas a fio sem se cansar; mas no meio de seus devaneios sobre tudo que permeava a beleza dele, acabava caindo no mesmo questionamento: de onde ele veio? por que veio? e quando vai? Não era uma vontade dele que o garoto fosse embora, muito pelo contrário, essa era uma questão frequente já que seu medo era exatamente esse, que Seokjin fosse embora assim como apareceu, sem mais, nem menos.

O restante do dia passou numa calmaria bem conhecida, os sons do mar, das aves e vez ou outra da cidade, envolviam aqueles dois que parecia ritmados. Seokjin sabia que logo as coisas mudariam de novo, e ele, muito provavelmente, teria a insana vontade de voltar para o mar. E isso só poderia ser evitado caso contasse a verdade para o pescador e o deixasse tomar sua decisão. Mas, baseado no pouco que conseguira descobrir sobre ele naqueles dias, sabia que Taehyung teria uma dificuldade imensa em apenas acreditar no que ele diria.

Ainda pensando e considerando, foi naquela noite que o pescador deu o motivo que faltava à Seokjin.

Antes de se arrastar para o sofá e demorar horas para dormir, Taehyung percebeu o estômago revirar em angústia, e finalmente se deixou levar pela emoção. Seokjin parecia sonolento ao sair do banheiro, e sem considerar nem a, nem b, o pescador o tomou nos braços e fez o que talvez Jin tenha esperado desde o primeiro momento: uniu seus lábios ao deles e o fez seu naquela cama macia onde, por tantas noite, seus sonhos foram doces. Ambos sabiam o que queria, e sabiam como queriam; tê-lo por toda aquela noite fez com que o loiro reconsiderasse tudo o que sabia sobre a vida, sobre o amor, e sobre o mundo.

Não sabia nada, nunca havia sentido nada até aquele exato momento em que teve Seokjin apenas para si.

-

As gaivotas pareciam agitadas assim como as ondas do mar. Taehyung despertou e tateou o lado direito da cama em busca de um corpo quente. Ele não estava ali. Seu corpo cansado levantou rápido e sua mente trabalhava contra si; era tudo que ele mais temia. Seokjin lhe dava tudo, lhe mostrava a vida e o deixava ali, para apodrecer em meio aos dias cinzentos no litoral de uma Irlanda triste. Caminhou por toda a casa, e chamou pelo nome dele com a voz grave, incessantemente.

Saiu da casa ainda mal vestido, e só depois de chegar até o píer conseguiu respirar. Ele estava ali, agachado sobre algo, e parecia tremer, chorar.

— Seokjin? — perguntou, com medo de se aproximar.

O rosto impecável se virou para ele, e tudo que se via era tristeza e lágrimas.

— Tae…

Ele se moveu, e Taehyung pôde ver algo com ele, uma pele de aparência macia e amarronzada.

— O que é isso? O que aconteceu?

— Vai acreditar em mim, Taehyung-ssi? — perguntou, ainda de onde estava.

— No que, o que tem pra me dizer? — Foi até ele e se abaixou, precisava senti-lo, saber que era real.

— Sei que se pergunta o que eu sou, de onde eu vim, por que eu vim — O olhou nos olhos como se pudesse ler cada frase em sua mente. —, e depois de tudo, eu preciso te dizer…

Taehyung estava ansioso e não sabia mais o que pensar. Precisava saber, sabia que sim, mas naquele momento estava com medo. Medo de que a verdade viesse entrelaçada, inevitavelmente, à despedida de Seokjin.

— Me fale, eu vou te ouvir.

— Essa pele, é a minha verdadeira identidade. Ao menos quando eu estou no mar. — O pescador estava confuso, não conseguia assimilar as palavras. — Eu sou um Selkie, Taehyung, um Selkie que se apaixonou por você muito antes de aparecer na sua rede.

Selkie.

A criatura mitológica que no mar é uma foca, e na terra é algo deslumbrante. Taehyung sabia. Já ouvira uma garotinha na cidade contando tudo sobre as mais belas Selkies já vistas na Irlanda. E lembrava também, que elas não ficavam, não se tivessem acesso às suas peles, que as chamariam de volta ao mar, uma hora ou outra. Elas pertenciam ao mar, mesmo que seu amor pertencesse à terra. Então aquele era o fim, Seokjin estava com a pele e partiria de volta para casa.

— Isso quer dizer que você vai embora, não é? — o questionou.

— Sabe da história toda, sabe de tudo?

— A-acho que sei.

— Você me ama? Me amou ontem e continua me amando hoje?

— Te amei desde que cantou pra mim pela primeira vez, e acho que jamais deixarei de amar.

Seokjin fechou os olhos, e sorriu.

— Então acredita em mim? E quer que eu fique?

— Pode ficar?

— Se você realmente me quiser, esconda a minha pele o melhor que conseguir, assim jamais acharei e o mar não mais me chamará. Quer fazer isso?

Taehyung beijou os lábios vermelhos pelo frio e não disse mais nada. Pegou a pele e saiu. Seokjin o esperou o dia todo, sem notícias, sem certezas; apenas com a esperança de que à partir dali eles estariam juntos, e aquela noite se repetiria, fosse dia, fosse noite. O mar ainda o chamava, as lágrimas seguiram caindo, o píer ficou escuro pouco antes das cinco, e só então ele ouviu os passos de seu amor.

— Está feito, meu amor. Está feito.

Os olhos brilhantes de Seokjin o deixavam sem qualquer tipo de proteção. Era tudo dele, tudo para ele. E nenhum iria mais sair dali. O litoral não era triste se tivesse a voz dele todas as manhãs, e sua pele quente junto à sua. Não havia razão, não havia lógica ou uma explicação plausível. Mas era real, Jin em seus braços era real, e seus lábios nos seus, eram reais.

Seu amor por ele, era, inevitavelmente, real.

30 января 2020 г. 12:29:22 1 Отчет Добавить 5
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Tata C Tata, 25y

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Origami Black Origami Black
Capítulo único?! Vim cheia das expectativas, hahahaha. Mas possivelmente não ia continuar quando entrasse nos amores. Adorei. E eu colocava era fogo na pele...
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