leh_castruh Leticia Castro

Ela só queria sobreviver a mais esse inverno, mas ao sair para caçar, as circunstâncias a forçaram a mudar seus planos.


Приключения Всех возростов.
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Capítulo 1

Era inverno, a neve por toda a parte e a comida escassa, comemos o restante da carne seca na semana passada. Nossas barrigas doíam, meu estômago e minhas irmãs faziam questão de me lembrar que eu fracassei na caça. Meu pai trabalhava em uma construção de uma estátua do Rei do Norte um cretino egoísta, o único capaz de ser chamado de rico. O norte é a terra dos Feéricos, criaturas híbridas e impiedosas, como eu sei? Bem, já estive perto de um deles.

Em breve nosso reino entraria em guerra com eles, e era óbvio que não tínhamos chance, contávamos com um pequeno exército aposentado, um rei que morava em uma casa cheia de buracos no chão e nas paredes e vizinhos ignorantes que assim como nós se preocupavam em sobreviver a mais esse inverno. Já faziam alguns dias que meu pai me suspendeu da caça, ele achava muito perigoso, depois de dois meses trabalhando ele finalmente havia juntado dinheiro suficiente para comprar um quilo que arroz, mas isso não era suficiente para sustentar quatro pessoas por mais do que um dia.

Como de costume meu pai se levantou antes do Sol nascer e foi até a cozinha, porém ficou frustrado ao perceber que teria que trabalhar de estômago vazio por mais um dia, esperei ele sair, coloquei minhas botas furadas, um casaco quente e o arco-e-flecha nas costas. Fui para o bosque onde eu sempre caçava, fiquei lá até o meio-dia, mas não encontrei nem um lebre sequer. Sabia que era errado mas teria que sair do pequeno bosque e encarar a floresta de verdade, haviam histórias que nesta floresta tinham muitos animais para caçarmos, como cervos, corças, mas quanto maior a presa maio seu predador, diziam que haviam lobos gigantes, com olhos brilhantes e pegadas do tamanho de uma pata de cavalo, claro que eu não acreditava, isso não passava de histórias para as crianças não terem vontade de se aventurarem lá.

Eu estava quase desistindo, mas ouvi algum barulho em uma clareira próxima de onde eu estava, preparei o arco-e-flecha e fui devagar, era uma corça ferida na coxa, uma presa fácil, mas o que me preocupava não era a possibilidade de ela fugir, mas sim quem havia lhe ferido. Apontei e soltei, a flecha perfurou suas costas não foi um golpe fatal mas foi o suficiente para derruba-la, corri em sua direção e retirei a flecha, olhei nos seus olhos e disse:

—Desculpa, não queria que fosse assim, mas é você ou minha família.

Segurei a flecha e finquei no seu pescoço, pude ouvir seu último suspiro, eu caçava por necessidade, era a única forma de conseguir alimento. Cobri o sangue do chão e os ferimentos da corça com neve para que predadores não fossem atraídos pelo cheiro, equilibrei-a em meus ombros e comecei a caminhar em direção a minha casa.

Meus passos eram cada vez menores, já estava sentindo o cheiro da fumaça de nossa lareira, lutava para chegar, mas o cansaço, a fome e a dor me venceram, caí sobre a neve que cobria nosso quinal, naquele momento percebi algo, a neve não é tão fofa assim. Algum tempo depois ouvi a voz de meu pai me chamando, tentei responder mas não consegui, estava cansada de mais para isso. A corça caiu sobre meus pés, e por esse e outro motivo não o sentia mais. Para minha alegria meu pai e minhas irmãs apareceram, levaram a mim e a corça para dentro de nosso chalé

Tomei um banho quente e me sentei no sofá para descansar, mas meu pai não ficou contente com meu "passeio no bosque":

Pai — Você me desobedeceu.

Fayre — Eu trouxe comida.

Nestha — Realmente trouxe, agora tire esse animal fedido da minha cozinha.

Fayre — Quando realmente precisa o senhor não fala nada?

Nestha — Estamos com fome, e essa corça não vai se fazer sozinha.

Fayre — Realmente não vai, já pensou em ajudar?

Nestha — Não sei preparar essa sua comida barata.

Fayre — Barata?!

Nestha — Claro, você não paga nada.

Fayre — Pagamos uma vida para saciar sua fome!

Nestha — Ei, sem drama ta!

Fayre — Vá buscar lenha para fazer o fogo.

Nestha — Não vou sair nesse frio!

Fayre — Então retire os órgãos e corte a carne em tiras, já volto.

Ela com certeza me odiou naquele momento, mas saiu para cortar lenha. Separei a pele, os órgãos, os ossos e a gordura da corça, deixando apenas o que iriamos comer, Nestha voltou emburrada, ascendi o fogo e comecei a assar a carne, cozinhei um pouco do arroz junto com a gordura que acabara de retirar, Lin, minha irmã mais nova me ajudou e preparou algumas ervas amargas que achou no campo mais cedo. Um tempo depois, já estava tudo pronto, Nestha colocou alguns pratos e talheres de uma coleção cara de nossa falecida mãe, os pratos estavam com alguns quebrados nas bordas, os talheres tortos ou enferrujados, mas jantamos em silêncio:

Fayre — Já chega, temos que poupar alimento, Lin, limpe esta louça amanhã.

No dia seguinte acordamos cedo, fomos até a vila para vender as peles e órgãos na feira:

Fayre — Fiquem aqui, eu já volto.

Nestha — De modo algum! Sou a mais velha e vamos com você.

Fayre — Certo, se não se importa em ver uma negociação de peles e órgãos venha comigo.

Nestha — Ah, acho que vi uns vestidos com bordados irlandeses ali atrás.

Lin — Não demore Fayre.

Fayre — Não vou.

Fui até uma cabana na orla, onde haviam pessoas loucas o bastante para caçar Feéricos:

Heitor — O que tem para mim hoje Fayre?

Fayre — Órgãos, cabeça e patas de corça.

Heitor — Perfeito!

Estava distraída observando alguns homens escolhendo armas afiadas e pontiagudas.

Heitor — Algum problema?

Fayre — O que está acontecendo ali?

Heitor — Estamos nos preparando para uma caçada.

Fayre — Quando?

Heitor — Domingo.

Fayre — É permitido mulheres?

Heitor — Só se for capaz de matar um Feérico.

Fayre — Mataram minha mãe, motivação eu tenho.

Peguei meu dinheiro e fui até as armas, escolhi um arco-e-flechas com ponta de bronze, era metade do dinheiro que acabara de receber, mas era minha chance de matar um deles, voltei para minhas irmãs:

Nestha — Cadê o dinheiro?

Fayre — A pele desvalorizou muito.

Lin — Estava querendo tintas novas, mas com esse dinheiro não consigo comprar nem um pincel.

Fayre — Não é pelos seus desenhos ou seus caprichos que nós temos comida na mesa.

Nestha — E os órgão, por quanto vendeu?

Fayre — Fizemos uma troca.




17 января 2020 г. 0:00:48 0 Отчет Добавить 2
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