Короткий рассказ
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Eu sinto tua ausência.
Eu sinto teu silêncio.
Ando por essas paredes que muito viram de nós dois.
Testemunhas oculares de um amor e de nosso fim.
As toco, será melhor reviver nossa história através delas?
Sem a mancha de nossos pormenores.
Pormenores que cresceram tal nossos frutos.
A tua risada estranha e escandalosa que me foi motivo de vida.
Esta mesma risada ao qual um dia gritei para que calasse.
Eu não fui fácil. Tão pouco tu.
Que andar errado dei?
Que desvio tomaste ?
O que nos fizemos por estes anos?
O que irá ser de nós sem nós?
Eu queria teu abraço.
Mas não quero tua presença.
O sofá com a marca de algum momento lúdico.
Então começo a me despedir de tudo o que há aqui.
Eles também irão me deixar.
É uma separação não de bens.
Mas sim de memórias.
Eu fico com as panelas que um dia queimaram o almoço.
Tu ficas com o fogão que testemunhou nossas batalhas

e vitórias em cozinhar algo comestível.
Apenas pela diversão.
Que a muito nos deixou.
Eu fico com a primeira manta de nosso filho.
Tu com o primeiro sapatinho.
Os primeiros passos vão com quem?
Quem deu?
Quem dará?
Nosso quarto.
Há um adeus que grita ali.
Eu não quero escuta-lo.
Eu aceitei as nossas diferenças insolúveis.
Mas este quarto me quebra.
Há tanto amor.
Tesão.
Mau humor.
Lágrimas.
Dói sentir um cheiro a menos.
Um corpo a menos.
Menos dois que não zero sobra quanto?
Vejo complicações no espelho que observou nossas arrumações.
Complicações que irão nos diminuir ainda mais.
Não quero essa casa.
Quero o nosso lar.
Que não está mais em nossos corações.
Aonde foi parar?
Onde estamos?
Fecho a porta.
Não vou lidar com o que não posso.
Não consigo.
A ideia de ficar só é um acalento.
Tão frio que eu o o afasto.
Eu sinto muito pelas mágoas.
Pelas vezes que não ouvi.
Por todas as vezes que me fechei para ti.
É tarde demais?
Não te quero mais.
Poderias vir outra vez.
Quero que sejas feliz.
Mesmo sem mim.
Porém podes não me dar este último olhar de amor?
Olha para mim.
Desvia teu olhar.
Não há volta ao que já partiu.
Eu sei.
Eu fiz.
Podemos nos encontrar na outra esquina a frente?
Eu comemorei tua ausência.
Mas estou tão quebrada.
Eu brindei ao teu silêncio.
Mas o vazio vai me ensurdecer.
Sento na sala,
no chão que testemunhou
brincadeiras inocentes a três.
Agora ele vê a derrota de um ser humano.
A quem contar meu dia?
Minhas loucuras?
Elas aqui dentro,
somente na minha companhia vão me destruir.
Mas é isso.
Não estás mais aqui.
Apesar de estar aqui.
O sofrimento é por quanto tempo.
Até quando?
Quando irei aprender a não ligar com uma novidade?
Quando abrir a porta vai ser somente abrir a porta?
Quando adentrar um espaço vai ser sem peso, sem ver a bagunça que não é minha.
Me deito.
Fecho os olhos.
O coração se apertou só.
Mas não sofre sozinho.
A mente não para.
O término em todo lugar.
E eu só queria dormir.
A solidão não ocupa todos os lugares.
Mas está aqui.
E é quase tudo o que eu tenho nessa noite.
O que mais?
O eterno questionamento.
O que fizemos a nós que não nos existe mais?

1 июля 2019 г. 15:26:26 0 Отчет Добавить 0
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Об авторе

Raissa Christina Na vida, onde todxs me encaram eu sou desprovida de timidez. É fácil, ninguém me observa por dentro. Quando mostro minha escrita, fico introspectiva que dói. Minha carne, veias, essência, estão a mostra. Escrevo o que eu sinto com muita intensidade, ainda que não seja "eu" no que está no texto, tudo foi vivido. Para mim, no processo entre a leitura e o leitor, há um grande movimento de troca de emoções. Espero que o mesmo ocorra com vocês.

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