atherabeckman Ruana Aretha Beckman

Lendas assombrosas para pequenas crianças e grandes crianças que apreciam mistérios.O espanto é apenas do personagem, eu garanto.


Короткий рассказ Всех возростов.
2
3.8k ПРОСМОТРОВ
В процессе - Новая глава Каждые 10 дней
reading time
AA Поделиться

Aquela Matinta...

Era final de tarde, depois que brincávamos, tomávamos banho e íamos jantar cedo, porquê no interior tudo é cedo,café da manhã às 7 horas, almoço 11 horas, lanche lá pelas 15 horas e o jantar as 18 horas ou 19 horas,não tem dessa de cardápio e seguindo ordens nutricionais,é o que a natureza nos oferece,seja peixe ou carne de caça.

Estávamos todos reunidos para jantar naquele final de tarde, era peixe frito e açaí com bastante farinha, até virar um pirão.Minha mãe sempre fazia "soldadinhos" de peixe, era pedacinhos de peixe com farinha.Aquilo me tornava farto e bem cheio, e com o açaí então,me deixava mais feliz com aquele simples prato.

Naquele dia, choveu bastante, a nossa casa era rodeada por areia, mas quando úmida em alguns pontos no terreno, se tornava um lamaçal,os cachorros chegaram com as patas sujas de lama,mas o sorriso estampado no rosto por brincarem tanto na lama.Juntaram-se ao jantar nas suas telhas onde tinham restos de comida,mas era bastante, por isso eram gordos.

-Lúcio!!Come e deixa os cachorros comerem também!!Dizia minha mamãe Diodora.

-Eu sei mãe,vou comer,mas é que o Dido e Dedé estão muito engraçados com suas botas!.Digo rindo olhando para eles.

-Depois tu te suja e vais ter que tomar banho lá na caixa perto do igarapé, e tens medo de lá,porque ante ontem encontraram cobra por lá!Eu, tarde da noite não vou te acompanhar!Vais tu e a lamparina!.Mamãe brigava comigo.

-Tá bom mãe,vou terminar de comer.Disse com boca cheia.

-Ainda é mal educado!Come direito!.Mamãe gritava mais uma vez comigo.

Confundem a educação do povo do interior,a maioria fala bastante alto ou gritando.Mas a mamãe diz que é porque como vivem no mato e sozinhos, o alto tom ajuda a ouvirem e a não se sentirem sós,embora acho que somos surdos e meio por isso,só sabem falar alto e gritar.

Sou o "diferentão" de casa,filho único e gosto de reconhecer sempre a natureza,porque desde que me reconheço por gente,apanho açaí e pesco com o meu avô Pablo.Sempre tive muito medo nessas pescarias de ser ferrado por arraia,pois o meu primo já foi ferrado tantas vezes que nem sente quase nada de dor depois das últimas,o que pra mim não faz diferença, digo,não quero sentir nada,quero apenas pescar e voltar com o peixe para casa.

-Lúcio,ainda estás na mesa? Perguntava o vovô Pablo.

-Sim vovô, como devagar para degustar mais o meu peixe com muito limão!Dizia feliz.

-Tu sabes o histórico da nossa família com limão?não sabes?Temos histórico de gastrite, Lúcio não exagere!Dizia o vovô sendo chato.

-Mas vocês são chatos viu...Disse querendo finalizar o meu prato.

-Te apressa senão tu fica sozinho com as visagens do lado de fora da casa.Disse o vovô se despedindo e indo dormir.

A mesa ficava do lado de fora de casa, já estava anoitecendo e ficando escuro,só estava eu e os cachorros.Fico enrolando para terminar de comer,porque gosto de sentir os ventos do final da tarde e ver as árvores dançarem,mas naquele dia parecia que tinha algo tenebroso na floresta,sabe quando tu sente algo te olhando?!Pois eu olhava sério para uma certa árvore e até levantei e coloquei as mãos em formato de binóculos para ver se tinha algo ali,mas não era nada,apenas a minha imaginação.

-Mamãee! Terminei!Gritava satisfeito.

-Jesus é mais, terminou oh abençoado!Dizia a minha mãe com um ar de riso.

-Agora vá se aprecatar e esperar o seu avô para ler algo com ele e depois ir dormir.Dizia mamãe sempre aproveitando os momentos para aconselhar.

Estava arrumando a minha rede para dormir, colocando o meu lençol velho que sempre gostava e um mosqueteiro para não ter zumbido no meu ouvido,falam muito esses mosquitos,fico pensando "o que será que dizem pra gente?!", deve ser "vou lhe sugar ,hahaha",só pode ser,tanto barulho no ouvido para dizer poucas palavras,ou podem contar uma história para gente doar sangue a eles.Fui interrompido por pensamentos bobos.

-Lúcio, venha cá, para eu lhe contar uns casos de visagem...Dizia o vovô entusiasmado.

Fui sentando na rede do vovô,ele gostava de dormir na sala , perto dos sofás,próximo dos livros dele e da bíblia,sempre foi muito religioso, mesmo testemunhando coisas incomuns acontecerem no nosso terreno.Mas isso eu conto outra hora.

-Nos arredores da floresta que habitamos, há um caso de visagem...Uma mulher com vestes negras e muito feia , habita as margens do rio e pede tabaco durante as luas cheias..dizia o vovô muito atento a história.

-Ah vovô, deve ser a Tia Matilde então, fuma, é feia e mora perto de rio.Disse rindo.

-Ri mesmo, se ela aparecer na frente da tua rede, tu ri na frente dela.Dizia o vovô em tom sério.

-Credo vovô!Vou até me benzer, não quero velha feia aparecendo na minha frente!Disse com medo.

Nesse meio tempo de conversa e brincando com o vovô sobre a Tia Matilde, ia escurecendo e apenas se ouvia o som dos sapos e cigarras, a luz naquele ambiente era apenas das lamparinas acesas,eu gostava de brincar com as sombras,mesmo mamãe me alertando sobre as sombras, que alguns espíritos se aproveitam e te assombram a noite se brincar tanto.

Algumas histórias me deixam enfurecido, parecem que querem que eu durma cedo.Mas eu durmo um pouco tarde para uma criança, as 10 ou 11 horas ainda brinco sozinho pela casa, mesmo o vovô dando uns berros no meu ouvido dizendo que queria dormir e eu fazendo barulho de "vrum vrum" de carrinho,mas o sono dele é tão grande que depois de tanto "vrum vrum", quem ganha o barulho do motor do meu carro, são os roncos dele.

Todos já dormiam, mamãe e vovô,era uma casa grande,estilo barracão,era de madeira,com janelas grandes de madeira e uma porta fina de restos tronco, mamãe estava no segundo andar de casa,e o vovô no primeiro,na sala,roncando parece um boi.

Enquanto fazia o meu "vrum vrum", parei, porque ouvi um barulho fora de casa, pareciam passos na lama,mas pensei, os cachorros já estão nas suas casas dormindo,e do nada , os cachorros começam a latir, latiam tanto que não sei como ninguém acordava,eu fiquei na minha, no cantinho,o único problema é que haviam frestas em alguns lados,se eu me movesse ali, a visagem possivelmente iria me ouvir.

Vou engatinhando para próximo do vovô,pois eu brincava na cozinha e a porta ficava próxima da cozinha.Quando tento me levantar, ouço alguém bater na porta e há uma fresta na porta da cozinha.Bate três vezes na porta e dá uma olhadela na fresta de baixo.

Penso "minha hora chegou mamãe e vovô,deixo apenas os meus peixes frescos para vocês no isopor".O olhar erra horripilante, olhos negros,totalmente negros e sombrios, cabelo cadavérico, acredito que deveria ser uma múmia de tão velha,pelo pouco que pude ver, era tenebrosa.

-Meu menino,lhe vejo, não tenha medo, só vim lhe ver,abra a porta pra mim.Dizia a velha feia.

-Esnobou a história do seu avô,mas não vim por isso, já lhe avistei ao longe desde o seu jantar.Parece um bom menino e preciso da sua ajuda para o meu café de amanhã.Dizia a velha feia em tom de vovô meiga.

-Abra a porta e me deixe entrar,só preciso de um pouco de pó de café.Dizia a velha feia.

Meus amigos, quem vem 11 horas da noite atrás de pó de café ?! Ainda mais na casa de quem nem conhece,não movimentei um passo,porque eu realmente não conseguia, meus pés estavam presos no chão,e meus cabelos do corpo todos em pé.

Eu sentia um ar frio no meu corpo,parecia que a cozinha ia congelar, o medo ecoava em mim.Não conseguia falar, não conseguia gritar e nem me movimentar, parecia que aqueles minutos tiram virado horas,como pode algo como isso acontecer,pensei em várias formas físicas de tentar evitar aquele ataque caso ela fosse fazer,pensei nas orações para deuses inimagináveis.

-Meu menino, não vou mais lhe assustar, mas como não posso entrar sem ser convidada,peço que amanhã deixe um copo de pó de café na porta exatamente às 6 horas da manhã que virei buscar.Dizia a velha feia se despedindo.

Quando a aura tenebrosa dela foi distanciando o meu ser voltava ao normal,e quando retornei ao meu "eu" mesmo, comecei a correr pela casa feito um louco e dizendo que o que o vovô havia contado mais cedo foi algo que realmente aconteceu comigo e que eu nem deixei a mamãe ou o vovô acordarem direito pela minha verdadeira aflição com o ocorrido.

A mamãe quase me bate.

-Menino, tu deveria tá dormindo!Bem feito, agora aprende a dormir cedo!Dizia a mamãe.

-Eu vou é dormir, eu te avisei Lúcio, mas ficastes brincando.Vovô mal tinha falado e já tava despencando de sono.

Chamei a minha mãe para colocar logo o pó de café na porta em um copo,para deixar lá ,para que eu não me esquecesse.Vai que a visagem ia atrás de mim depois se eu não lembrasse.Deixamos um copo com o pó de café e um pires em cima para não entrar nada e então fomos dormir.

Estava aflito na minha rede,pensando sem parar no que aconteceu.Era mesmo a famosa matinta pereira?!Ou fruto da minha imaginação?! Pensei em várias hipóteses,mas nada servia a aquele acontecimento inesperado.Mas que serviu de lição para ouvir mais o vovô.

Em um pensamento e outro,fui adormecendo e um pouco de tempo depois despertei,era 6:30 da manhã,despertei junto com a mamãe e com o vovô,ansioso para ver o copo.Corri para a porta de casa e quando me deparei.

-Cadê o copo vovô?Gritei pasmo.

-Tu prometeu a ela, e ela veio buscar.Dizia o vovô nada assustado.

Aquele dia já iniciava com um tom de pergunta intermitente.

7 мая 2019 г. 18:21:08 2 Отчет Добавить Подписаться
120
Прочтите следующую главу Era uma cabeça de fogo!

Прокомментируйте

Отправить!
Rafael Lopes Rafael Lopes
Adorei a história! A lenda da Matinta sempre me fascinou! Parabéns
Donna Dan Donna Dan
Olá, Ruana! Sou da equipe de Verificação do Inkspired. Verificar suas histórias serve para que os leitores as encontrem entre as melhores histórias no quesito ortografia e gramática. A verificação não é necessária ou obrigatória, apenas ajuda a dar destaque dentro do site. Portanto, se não tiver interesse em modificá-la, fique à vontade. Caso queira verificar outras histórias de sua autoria, basta contratar o serviço na aba “Serviços de Autopublicação”. Seu texto foi colocado em revisão pelos seguintes pontos: 1) Falta de espaço depois da pontuação: a pontuação deve vir junto da palavra anterior e separada da palavra posterior por um espaço simples. Uso de vírgula no lugar de ponto final, exemplo: “Era final de tarde, depois que brincávamos (...)” em vez de “Era final de tarde. Depois que brincávamos (...)”, ou em “se tornava um lamaçal,os cachorros chegaram” em vez de “se tornava um lamaçal. Os cachorros chegaram”. Uso desnecessário de vírgulas, como “Lúcio, venha cá, para eu lhe contar” em vez de “Lúcio, venha cá para eu lhe contar”. Vírgula para separar o vocativo, como em “ “Temos histórico de gastrite, Lúcia não exagere!” em vez de “Temos histórico de Gastrite, Lúcio, não exagere!” Ou ainda “Temos histórico de gastrite, Lúcio. Não exagere!” 2) Porquês: “Porquê no interior (...)” em vez de “Porque”, junto sem acento. 3) Verbo: Uso de dois tempos verbais na narrativa, como em "Era" e "tomávamos" - no pretérito - e "tudo é cedo" e "não tem" - no presente. A mistura de tempos verbais torna o texto confuso, sugiro que escolha apenas um tempo verbal para a narrativa. Concordância verbal: "era pedacinhos" em vez de "eram pedacinhos". 4) Trecho confuso: “restos tronco” em vez de “restos de tronco”, ou “em tom de vovô meiga” em vez de “vovó meiga”; ou em “aqueles minutos tiram virado” em vez de “aqueles minutos tinham virado”. 5) Crase: “as 18 horas” em vez de “às 18 horas” e “ a aquele acontecimento” em vez de “àquele acontecimento”. Observação: Estes são alguns exemplos, mas existem outros que precisam de atenção. Ter alguém que leia seus textos e ajude na revisão é muito positivo. Caso não tenha uma pessoa para isso, você pode contar com o trabalho de nossos “Betas Readers”; também presente na parte de “Serviços de Autopublicação”. O Inkspired também conta com blogs como “O esquadrão da revisão” e “Tecendo histórias” que ajudam na revisão, dicas de português e construção de narrativas. Se tiver interesse em continuar a verificação, responda este comentário quando fizer as modificações em sua história e farei uma nova verificação.
~

Вы наслаждаетесь чтением?

У вас все ещё остались 2 главы в этой истории.
Чтобы продолжить, пожалуйста, зарегистрируйтесь или войдите. Бесплатно!

Войти через Facebook Войти через Twitter

или используйте обычную регистрационную форму

Больше историй

Petrichor Petrichor
When the trees bled and other dark micro-fictions © When the trees bled ...
220 Queen Street Starbucks 220 Queen Street Sta...