ludwitch lud fernandes

No ano de 536 D.C., as trevas tomaram conta do mundo, trazendo o caos e fazendo com que monstros, que sempre se esconderam da humanidade, saíssem de seus esconderijos e atacassem a humanidade. Um monge que viveu todo durante esse inferno, narra como foi sobreviver ao apocalipse.


Короткий рассказ 13+.

#terror #vampiro #conto #medo #trevas #sobrevivente
Короткий рассказ
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Acredito que todos vocês conheçam as trevas infernais que se passaram nos últimos meses, começando em 536 D.C. Fui um dos poucos sobreviventes e decidi narrar aqui tudo o que passei, para que as próximas gerações estejam preparadas, quando e se as trevas voltarem.

Há 18 meses, o monge entrou em meu quarto escancarando a porta, e começou a me chacoalhar e gritar para que eu acordasse. Me levantei, ainda confuso e sonolento, enquanto ele me levava até a janela no corredor.

Tudo estava escuro, no começo não entendi, mas, após alguns segundos, me dei conta de que já eram 11 da manhã.

Sei que é estranho estar escuro a essa hora, no entanto, não me parecia necessário fazer tanto alarde.

Como já havia me levantado, fui me arrumar e, poucos minutos depois, me chamaram para uma reunião de emergência na torre oeste. Meu quarto ficava do outro lado do mosteiro, então, precisei atravessar todos aqueles corredores de pedra fria para chegar ao local.

Lá, os monges e freiras estavam em pé, inquietos, aguardando o monge Vicente, que passaria as instruções.

Assim que ele entrou na sala, todos ficaram em silêncio, aguardando seu pronunciamento.

— O que estamos vivendo agora é um castigo! Está muito claro que Deus está descontente conosco, e, enquanto não mudarmos isso, viveremos em escuridão!

Todos ficaram em choque com esse pronunciamento, eu não sei como ele chegou àquela conclusão.

— Temos que avisar a toda a população, para que se arrependam de seus pecados, e lutem contra os pagãos, só assim poderemos viver na luz novamente.

Um tumulto começou, todos tinham sugestões de como resolver o problema, e muitos estavam desesperados com a situação.

Assisti tudo em silêncio. Achei completamente desnecessário aquele pronunciamento repentino. A escuridão surgira há poucas horas, e já queriam causar uma histeria coletiva sem nem investigar o que estava de fato acontecendo.

Sou monge e sempre servirei a Deus, mas odeio essa mania da igreja de não procurar explicações para os fatos antes de saírem pregando que Deus está nos punindo.

Também sou cientista, e decidi investigar por conta própria o que estava havendo. Sai do mosteiro, fui até a aldeia mais próxima e perguntei para todos os que encontrei se acontecera algo na noite anterior.

Após algumas horas de investigação, soube que houve um tremor, como um pequeno terremoto durante a noite, e que, de manhã, cinzas começaram a cair do céu. Unindo todas as informações, cheguei a uma conclusão óbvia: o tremor deve ter causado a erupção de um vulcão, e isso explicava as cinzas e a escuridão.

Voltei para o monastério e tentei contar isso para os monges, mas, assim que Vicente ouviu minha explicação, me acusou de colocar a ciência acima de Deus.

Alguns dias se passaram e tudo continuava escuro. O sol se reduzira a um pequeno círculo vermelho, quase invisível, e a lua nem aparecia mais. A escuridão tomara conta de toda a cidade, não sei dizer se o resto do país ou do mundo estava daquele jeito também, e também não tinha ideia de quanto tempo teríamos que viver naquele breu.

A igreja insistia em espalhar que Deus estava nos punindo. Tentei convencer as pessoas com a minha teoria, até que os monges perderam a paciência e me expulsaram do monastério.

Fui morar em uma cabana na aldeia, e fiz amizade com os aldeões. Todos estavam assustados, mas consegui acalmá-los, convencendo-os de que aquilo logo acabaria. No entanto, eu não poderia estar mais enganado.

No dia seguinte, ouvi gritos vindo da rua e corri para ver do que se tratava. Assim que cheguei lá, apesar da escuridão, consegui ver vultos correndo para todos os lados. Acendi uma tocha, e então, me deparei com a pior cena que já vi em toda minha vida: seres altos, brancos e muito magros, mordendo os aldeões com seus dentes enormes e sugando seu sangue, até que secassem completamente, e, então, os monstros partiam para a próxima vítima.

Fiquei atônito, queria fugir, ao mesmo tempo que queria ajudar aquelas pessoas, mas tudo o que conseguia fazer era tremer e encarar aquela cena apavorante, torcendo para que fosse um pesadelo.

Quando finalmente consegui me mover, percebi que não estava sendo atacado. No começo, agradeci a Deus, pois só ele poderia estar me protegendo, certo? Porém, logo após me dei conta, por que ele protegeria a mim e não aos outros? Por que eu mereço ser salvo mais do que qualquer um?

Essa dúvida me fez pensar por alguns segundos e enfim percebi que o que estava me protegendo, na verdade, era a tocha. De alguma forma esses bichos pareciam ter medo da luz. Faz sentido, pensei. Afinal, os monstros só apareceram depois que a escuridão começou.

Não sei de onde tirei coragem para fazer isso, mas comecei a me aproximar dos seres e colocar a tocha no rosto deles. Assim que o fiz, eles começaram a soltar um grito agudo e estridente, e logo em seguida corriam para longe da luz.

Dessa forma, consegui salvar alguns aldeões, fiz tochas para eles, os levei para minha casa e lá ficamos por algumas horas.

Os dias passaram e a escuridão continuava. Sempre que ouvia alguém gritar, os aldeões e eu corríamos para socorrer e trazíamos a pessoa para minha casa.

Meses depois, minha casa já estava lotada, mal tínhamos espaço para dormir e a comida estava acabando.

Decidimos sair para procurar comida e um lugar maior para ficar, e assim fizemos. Encontramos uma casa maior, com alimentos e ali nos estabelecemos, até que nosso grupo ficou muito grande e tivemos que procurar outro lugar.

Os meses seguiram e nós passamos boa parte do tempo em alguma casa, jogando, conversando e rezando. Sempre que ouvíamos alguém gritar, tentávamos ajudar, e quando a comida ou o espaço acabavam, nos mudávamos para outro lugar.

Infelizmente, tivemos muitas perdas, pois, apesar de tentarmos, não conseguimos salvar todos. Muitas vezes, quando tentávamos ajudar alguém, chegávamos tarde demais. E, durante nossas buscas por alimento e abrigo, algumas tochas se apagavam e a pessoa era atacada.

Dezoito meses se passaram e, finalmente, a luz do sol voltou a brilhar. Foi um alívio acordar e ver a luz entrando pela janela. Todos estavam tão felizes que saíram cantando e dançando pela rua. Apesar de todas as perdas, o nosso grupo havia sobrevivido e no fim, havíamos salvo centenas de pessoas.

Após comemorar com meus novos amigos, fui até o monastério, e, assim que entrei, senti o cheiro putrefato que tomava conta do lugar. Infelizmente todos os monges e freiras que ali residiam estavam mortos, com seus cadáveres espalhados pelo chão.

Nas ruas as coisas não estavam muito melhores. Corpos por todos os lados e o mesmo cheiro de cadáveres em decomposição.

Ver tudo aquilo foi assustador, sempre me lembrarei de tudo, desde o primeiro ataque que presenciei, cada um dos integrantes do meu grupo que perdi, e aquela visão infernal que tive, de todos os corpos deixados pelos monstros.

Porém, acabou. Agora só nos resta limpar tudo, dar um funeral digno para cada uma dessas pessoas, e voltar a viver nossa vida, reconstruindo a civilização.

23 февраля 2024 г. 15:46 2 Отчет Добавить Подписаться
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Об авторе

lud fernandes Sempre gostei muito de ler e quando tinha 12 anos decidi começar a criar minhas próprias histórias. Sou apaixonada por terror e fantasia, e adoro juntar um pouco dos dois gêneros em tudo o que escrevo.

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Jéssica Alvarenga Jéssica Alvarenga
Como sempre, a igreja nos fazendo sentir medo de Deus em vez de entende-lo como amor. Ainda bem que muitos estão abrindo os olhos e enxergando alem. Parabéns! Ótima história!

~
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Bem-vindos ao universo do medo! O lugar onde todas as histórias de terror se passam. Fique a vontade, entre, pegue uma pipoca e aproveite a leitura! Vai ser divertido, a não ser que você esteja dentro desse universo, nesse caso, boa sorte! Узнайте больше о universo do medo.