thekatsukishiro Theka Tsukishiro

Duas pessoas unidas por um medalhão. Um amor sem limites, fronteiras ou mesmo barreiras entre o passado e o futuro. Uma Chama Eterna. O que você faria por um grande amor?


Фанфик Аниме/Манга 21+.

#ua #shion #Dohko #saint-seiya
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Capítulo I - A whole life so lonely - Parte 1

Fic originalmente postada em dezembro de 2008 no Fórum Saint Seiya Dreams (Cantinho Azul) e em seguinda no FFnet e no Fórum Need for Fic, todos sobre o mesmo nick que uso para assinar minhas fanfics.


Presente de Amigo Secreto para Sinistra Negra


Disclaimer: Saint Seiya não me pertence... Pertence sim ao tio Kurumada e etc, etc e etceteraetal. Se você não gosta de Yaoi e Lemon (cenas de sexo entre homens) não comece a ler essa fic. Pode fechar ali em cima no xizinho, ou mesmo clicar em voltar, pois não vou aceitar nenhum tipo de reclamação ou comentário maldoso. Essa fic é sem fins lucrativos, e apenas para diversão. Gostaram? Já sabem... Reviews... Krikrikrikri...

Agradecimentos: Quero agradecer primeiramente a minha irmã Tay-chan por ter agüentado meu mal humor sempre que essa fic ficou empacada devido aos brancos federais pelos quais eu passei. Valeu si, pela força, idéias e as vezes puxões de orelha. Obrigado A Athenas de Áries por ter dado pitacos e ter betado a fic, mesmo que sem saber em conjunto com a minha querida amiga Eliz (Shiryuforever). Meninas meu carinho e respeito por vocês duas. E por último, mas não esquecida, Adne... Escorpiana brava que apesar de tudo ajudou-me no último capítulo betando também. Meninas, sem vocês não conseguiria enxergar meus erros.

Explicações: Os sobrenomes Shinyang, Leiyllian foram a Eliz que me ajudou e deu a idéia. Agradeço a ela. O sobrenome Moyano é de minha autoria, plágios serão punidos com um belo Execução Aurora no meio das fuças. Se quiser usar, peça, por favor.

Sini:

Não é novidade que aprendi a gostar de Dohko e Shion ao ler suas fics. Nesse amigo secreto fiquei abismada ao ter tido o prazer de cair como sua amiga secreta e poder fazer essa fic enorme. Espero que não tenha ficado a desejar. Quando vi que você também tem uma fic que começa com Eternal, pensei: "Tenho mesmo de escrever assim!"
Amiga querida... Feliz Ano Novo! Não quero me demorar.
Beijos


Theka


oOoOoOo


A whole life so lonely


Segurando fortemente o cabo do guarda-chuva com a mão direita, o jovem de estatura média, cabelos castanhos avermelhados e expressivos olhos castanhos escuros, desviava dos transeuntes que assim com ele pareciam não se importarem com a chuva fina e fria daquele final de tarde.

Tão logo dobrou uma esquina, pôde avistar a fachada iluminada da galeria de arte da qual ele e seus colegas do curso de Arte Moderna acabaram por se tornar freqüentadores assíduos.

Ao passar pelo arco trabalhado da entrada, deixou seu guarda-chuva dentro de um cesto ao lado. Saudou a senhora de meia idade que administrava o local e seguiu para um dos diversos corredores repletos de obras já conhecidas. Pelo caminho encontrou os colegas e quando finalmente chegaram ao segundo andar, local destinado às novas mostras e exposições, o grupo já estava todo completo.

Logo na entrada um cartaz com os nomes dos artistas plásticos chamava a atenção dos visitantes para o que lhes esperava.

Caminhando devagar e parando a todo o momento, o jovem virou-se lentamente assim que ouviu seu nome.

- Dohko! Que surpresa vê-lo aqui.

- Ora Afrodite, bem sabes que não perderia essa exposição por nada nesse mundo. – Respondeu sorridente. Alargou mais o sorriso ao ver que o jovem formando de Engenharia estava ali também e, se aproximava com cara de poucos amigos. – Vejo que finalmente conseguiu tirar Mask de casa. – Ao ouvir o grunhido do recém-chegado, o chinês teve de se controlar para não rir alto.

- Não foi fácil Dohko, meu querido não gosta muito de vernissages ou mesmo exposições. Na verdade não gosta de nada que seja muito monótono. – Afrodite sorriu e dirigiu um olhar apaixonado para o namorado. – Mas ele sabe como eu queria ver todos esses lindos quadros. Vou fazer minha tese em cima dessa vernissage. Tenho certeza que posso me sair muito bem.

- E vai mia Flor, pode ter certeza. – A voz grossa e máscula fez com que o ser andrógeno se arrepiasse todo, sem pudor algum, à frente do amigo.

Sorrindo, Dohko acabou por ficar na companhia dos dois. Gostava por demais deles. Quando chegara a Atenas transferido da Universidade da China para cursar Arte Moderna, foram Afrodite e Mask que o receberam bem, ajudando-o a se locomover pelo local e também com a língua nativa. Agora todos eles estavam se formando e aquela ida a galeria era a última ainda como estudantes. Mais duas semanas e todos estariam formados, seguindo seus caminhos.

Distanciando-se um pouco dos amigos, Dohko parou à frente de uma tela que o fez pensar no Mito de Platão: "O Andrógino". Seres com todos os órgãos em duplicata guerreavam com os deuses, mas os raios de Zeus os separavam. Tão compenetrado estava o chinês que não percebeu a aproximação de Afrodite e Mask.

- Hmm... O Andrógeno... – Mask se pronunciou tirando Dohko de seus pensamentos.

- Você também conhece o mito, amore? – Afrodite perguntou, sorrindo. Estava surpreso, a cada dia descobria uma faceta nova a respeito de seu italiano.

- Sim, Io conheço, amore mio. Conta que num tempo longínquo existiam três seres, o homem, a mulher e o andrógeno sendo que o último era um ser com todos os órgãos em duplicidade. Um único tronco, mas com quatro braços, quatro pernas e uma cabeça com duas faces situadas em lados opostos como essa tela está representando. Eles podiam ser do mesmo sexo – dois homens, duas mulheres -, ou um homem e uma mulher fundidos.

- Isso mesmo... – Afrodite concordou. – Eles eram ágeis, fortes e extremamente orgulhosos. Por saberem de sua força começaram a desafiar os deuses. Zeus, deus dos deuses, ao constatar isso e temendo que um confronto tivesse início e assim pudesse perder as honras e oferendas, resolveu separá-los para enfraquecê-los. Uma guerra principiou com uma forte chuva. Raios separavam os seres e as águas contribuíam para deixá-los separados. A deusa Afrodite e Eros tentaram contornar a situação pedindo para que aquilo não acontecesse, mas nada conseguiram. Desde então, tornaram-se desorientados buscando pela parte que lhes faltava.

- Muitos se baseiam nessa história para explicarem a busca da alma gêmea. – Dohko arqueou a sobrancelha e sorriu irônico.

- Você não acredita nisso? – Afrodite perguntou surpreso.

- Não é que não acredite, Afrodite, eu apenas acho que não importa esse papo de alma gêmea. Acho que o que importa é você estar com a pessoa sem se importar com o sexo - se é homem ou mulher - ou com a beleza dela... Sem ter afinidade, sentir-se bem estando ao lado de alguém, não vale a pena se apaixonar... Não há necessidade de ser alma gêmea para estar com alguém... – Dohko respondeu e saiu de perto dos amigos. Parou à frente do próximo quadro, novamente ficando perdido em pensamentos sem perceber que os amigos chegavam mais perto.

- Nossa Dohko... – Afrodite parou ao lado dele de olhos arregalados. – Essa pessoa no quadro lembra você!

- Vero chinesinho... – Mask arqueou uma sobrancelha e analisou melhor o quadro. – No é parente seu?

- Não Mask, eu sou o primeiro a sair de Rozan para estudar em outro país. Esse quadro é datado de 1919.

- Mas ele parece com você. Só que está usando roupas engraçadas.

- É uma vestimenta típica chinesa, Afrodite. Não vejo nada de estranho ou engraçado. – Dohko sorriu e virou-se devagar. Naquele momento seus olhos cruzaram com os de um senhor de longos cabelos brancos e expressivos olhos violáceos.

Como que hipnotizado por aquele olhar, Dohko esperou que o senhor se aproximasse. O terno impecável, os sapatos lustrosos e a discreta bengala só faziam com que tivesse maior destaque.

O homem desconhecido parou à frente do chinês, estendendo-lhe a mão, enquanto equilibrava sua bengala. Quando o chinês foi cumprimentá-lo em seguida, o homem de olhos diferentes depositou em sua palma uma grossa corrente de ouro com um relicário em forma de dragão, olhos de jade e, ao mesmo tempo proferiu as palavras que naquele exato momento não pareciam ter sentido.

- Volte para mim! – E sem dizer mais nada, assim como chegou, saiu, deixando para trás três jovens sem conseguirem entender nada.

- Dohko... Você conhece?

- Não faço a mínima idéia, Afrodite. Não o conheço. – Deu de ombros e observou novamente a corrente e o pingente na palma de sua mão.

- Hmm... Vai ver gostou de você, chinesinho! – Mask sorriu irônico saindo de perto.

Olhando mais uma vez para o dragão em sua palma, o jovem guardou-o no bolso de seu casaco e continuou mais um pouco na vernissage.

oOoOoOo

Calmamente o pincel percorria a tela. As mãos fortes e ao mesmo tempo com toques leves e extremamente delicados faziam com que a tinta à óleo deslizasse uniformemente pela superfície branca. Estava concentrado... Fazia tempos que não conseguia produzir um único quadro, uma única escultura. Parecia que sua inspiração o havia abandonado. Sob pressão estava ali em seu atelier com vista para um jardim florido e estrategicamente montado no sótão, tendo uma porta balcão como ponto chave, forçando-se a pintar.

Ao longe um pássaro cantou chamando-lhe a atenção. Sorriu e olhou na direção em que julgava estar o ser alado. A manhã estava propícia para se aventurar e ir até a praia, tomar um bom banho de mar... O sol forte a tudo aquecia. Mas ele não poderia se dar àquele luxo. Voltou seus olhos para a paleta, abandonou o pincel. Escolheu um tubo de tinta verde clara, misturando-o minuciosamente ao verde escuro e ao preto. Escolheu outro pincel mais adequado para dar o efeito especial desejado à mistura. Concentrou-se na tela analisando melhor o desenho inacabado.

Inconscientemente ele tocou o pingente da corrente em um tique nervoso. Alisou carinhosamente o dragão dourado e finalmente voltou a pintar. Quando isso acontecia era raro sua concentração se quebrar.

Embalado pelo chilrear do pequeno pássaro que agora parecia cantar-lhe sobre a cabeça, o pincel parecia ter adquirido vida e ele conduzia a mão de seu dono. Aquilo o deixava em paz e satisfeito como há muito tempo não acontecia.

De repente o susto... Um risco enorme em tons de verde claro, escuro e preto surgiu a um canto da tela. O barulho estridente do telefone sem fio esquecido sobre a bancada às suas costas não parava de tocar.

Jogando a paleta, o pincel e a estopa usada para limpar as mãos sobre a mesinha ao lado do cavalete, finalmente ele pegou o telefone nas mãos. Desejava que não fosse engano, algum idiota vendendo títulos de clubes, pois se assim o fosse iria escutar alguns bons desaforos. Nem bem encostou o fone no ouvido precisou puxá-lo para longe e arregalar os olhos.

- Dohko! – A voz divertida e sorridente quase o ensurdeceu. – Por que está sumido? Por que demorou a atender?

- Mon amour... Deixe-o responder uma pergunta de cada vez.

Dohko bufou impacientemente. – A que devo a honra dos dois estarem me ligando e, no viva voz? – Perguntou contando até dez tentando parecer paciente. – E deverias ter-me desejado 'bom dia' primeiro, não é Milo? – Não tinha jeito, o chinês não conseguia se alterar com aquele grego falante e brincalhão.

- Ora, você estar sumido é uma razão muito boa e, a honra é sua por estar ouvindo minha voz...

- Milo... – A voz séria e modulada do francês lhe chamando atenção fez com que Dohko abrisse um leve sorriso. – Dohko, sabemos que está com seu tempo todo tomado devido a vernissage e suas encomendas, mas sumir mais de um mês... Isso preocupa os amigos.

- Sei que tenho preocupado à todos, não tenho desculpas, mas tenho um agente querendo meu sangue e não consigo produzir nada especial para a vernissage. Perdoem-me, mas creio que terei de me ausentar mais... – Dohko deixou que um suspiro escapasse por seus lábios.

- Deixe tudo para lá, o que não pode acontecer é você ficar doente e mofando dentro de casa. A vida é muito curta, Dohko. – Milo como sempre não conseguia se conter e tentava dar pitaco na vida alheia.

- Não posso...

- Dohko, talvez desta vez Milo tenha razão. Deveria pensar em sair de férias, você precisa. – Camus falava pausadamente. – Desde que nos formamos você mergulhou de cabeça em seus projetos, vernissages e exposições... Está na hora de cancelar algumas coisas e pensar um pouco em você.

- É talvez vocês tenham razão.

- Se quiser, vamos nos reunir esta noite naquela boate de costume... Vamos juntos Dohko.

- Vou pensar Milo, mas não prometo ir.

- Você vai sim, Camy e eu passaremos para te pegar.

- Mon ami, desta vez non terá desculpas... Oito em ponto estaremos passando por aí.

O chinês conhecia muito bem aquele grego e, se até Camus estava no meio, não teria escapatória.

oOoOoOo

- Nem vou reclamar com você, Dohko! – Afrodite ficara em pé e com as mãos na cintura mostrava toda sua indignação. – Virou ermitão agora? Precisa se divertir, a vida passa e não espera ninguém. Você só tem 25 anos... Estamos em 1990!

- Afrodite...

- Não, não me venha com Afrodite. Milo concorda comigo, não concorda? – Os olhos azuis faiscavam.

- Sim, eu concordo... E também já falei muito com ele, mas Dohko sequer me dá ouvidos.

- Milo! – Camus revirou os olhos e olhou para Dohko e Mask. Os dois pareciam alheios à conversa, entretanto apenas pareciam.

- Mia Flor, estão tocando a nossa canção! – Mask suspirou ao perceber que seu namorado não pararia de falar e reclamar.

- Mas essa não é nossa canção. – Afrodite arqueou a sobrancelha e mordiscou o lábio inferior.

- Cazzo... Mia Flor, passa a ser agora e andiamo a bailar. – Sutil, Mask levantou-se da cadeira e arrastou um bonito e emburrado homem para a pista de dança não se importando com o risinho debochado do escorpiano.

Dohko suspirou aliviado, mas não por muito tempo, pois Milo ainda parecia não ter desistido de continuar a falar.

- Dohko, você precisa arrumar uma pessoa para ter ao seu lado... Uma namorada, ou namorado, não sei... – Milo o encarou tentando descobrir qual era a preferência do sempre tão centrado amigo. – Você não pode ficar sozinho... Ninguém quer ficar sozinho...

- Sim, ninguém quer, mas eu não achei aquela pessoa que me fizesse perder o ar e me apaixonar. Você sabe que alma gêm...

Milo levantou rapidamente sua mão direita como que pedindo para o amigo parar e fez uma careta. – Não... Não me venha novamente com a história de que não acredita no amor e em alma gêmea, Dohko. O amor existe e alma gêmea também. Veja eu sou a prova viva... Tenho o meu francês aqui do meu lado e o amo muito... – Sem esperar virou rapidamente o rosto do ruivo para si e o beijou languidamente. Quando interrompeu o beijo olhou malicioso para o amigo e sorriu maroto. – Não é gostoso?

- Milo... – Camus estava rubro.

- Não sei... Nunca experimentei... Você me deixa experimentar um pouquinho, só um selinho. – Dohko entrou na brincadeira e olhou sedutoramente para o ruivo.

- Heii... Esse tem dono, procure outro para fazer test-drive... – Milo abraçou o namorado possessivamente.

- Milo, você provocou! – Camus sorriu de lado ao ver o bico que o namorado fazia.

- Sinceramente, Camus... Milo não veio com um daqueles botões de liga e desliga?

- Non... Veio com defeito de fabricação.

- Camus, você não é bom em fazer gracinhas. Dohko está sendo muito má influência para você. – Ralhou Milo fazendo bico.

- Agora a culpa é minha? Vou voltar para minha reclusão se é assim...

- Ah, mas não vai mesmo! – Afrodite que voltava arrastando Mask com cara de poucos amigos, parou ao lado do chinês bem naquele momento e ouviu o final da conversa. Sentou-se ao lado do amigo e apenas respondeu aos olhares surpresos a eles direcionados. – O encrenqueiro aqui não gostou do jeito que eu era cobiçado com os olhos ao dançar. Tive de tirá-lo de lá a força antes que cabeças rolassem. – E sorriu.

- Hmm... – Rosnou Mask. Seus olhos brilhando incontidamente.

- E você bem que gosta desse jeito encrenqueiro, não é Dite? – Milo perguntou, a voz levemente rouca e carregada de malícia.

- Se não gostasse, não estaria junto com mio italiano, no é? – Afrodite respondeu antes de dar um leve beijo nos lábios do enfezado canceriano.

- E vocês ainda querem que eu me apaixone? Prefiro minhas pinturas. Meus pincéis e tintas não reclamam de nada. – Dohko gracejou.

- Caspita chinês, seja mais sociável. – Mask olhou para os demais. – Por que não viaja um pouco? Você precisa, só não se deu conta disso. Io conheço uma pousada...

- Já sei qual é. Por acaso é a mesma em que ocorreu nossa formatura? – O libriano parecia ler pensamentos. Lembrava-se bem. O local tinha ótimos lugares à beira mar para se ter idéias, ou inspirar alguém para pintar.

- Sim, lá mesmo. Por que no vai para lá e fica alguns dias?

- Está na baixa temporada, Dohko, ninguém irá te atrapalhar. – Afrodite completou.

- Não prometo nada, preciso pensar um pouco. – Dohko ficou pensativo.

- Não pense, vá! – Ordenou Milo com um sorriso nos lábios.

- Definitivamente Camus, não sei como o agüenta. – O chinês sorriu ao encarar o escorpiano sustentando-lhe o olhar.

Dando de ombros o francês sorriu envergonhado. – Dohko, l'amour est inexplicable (o amor é inexplicável). – E abraçou Milo aconchegando-o em seus braços.

"Sinceramente preciso tomar cuidado, ou esse negócio de amor ainda vai me pegar." – Pensou o libriano ao balançar a cabeça e levantar para ir dar uma volta pelo local.

oOoOoOo

- Pense, você não é uma ameba... O que mais precisa para uma semana? – Murmurou para si ao olhar novamente para a mala aberta, onde já havia algumas peças de roupa. Voltou seus olhos para o closet e coçou o queixo.

De um estalo, colocou mais algumas poucas peças de roupa na mala e a fechou. Precisava arrumar sua maleta de trabalho, as telas inacabadas... Quem sabe não tivesse alguma inspiração para continuar os quadros parados.

Colocou tudo com cuidado no porta-malas de seu carro, já estava pronto para partir. Recordou-se da conversa nada agradável com seu agente, mas fez questão de tornar a esquecer e deixar o seu celular desligado. Ele era jovem, no alto de seus 25 anos e eram épocas diferentes... Início dos anos 90 e seu agente não era seu dono. Poderia tomar suas decisões sozinho. Precisava mesmo de um bom descanso e em hipótese alguma queria ser incomodado.

Ao sair da cidade sorriu recordando a amistosa conversa com os amigos um dia antes em um barzinho sossegado onde haviam marcado de se encontrar para conversar e onde ele anunciara que já estava de partida. A surpresa vista nos rostos deles só não o fizera rir mais porque Mask o havia ameaçado de morte caso não se calasse. Voltou seus olhos para a auto-estrada assim que conseguiu sintonizar algo digno de se ouvir e não aquelas músicas estranhas com letras por vezes sem sentido.

Tamborilando os dedos no volante ao ritmo da melodia, Dohko nem percebeu o quanto já tinha percorrido da distância que o separava de seu destino. A brisa soprada do mar que refrescava o calor abrasador e o cheiro marinho fizeram com que percebesse que finalmente chegava ao seu destino. A construção antiga e imponente lembrando tempos antigos. As grossas colunas de pedra...

Apesar de ser uma construção antiga, todo o local fora reformado e contava com todos os luxos que o século XX poderia proporcionar. Dada a gorjeta ao contínuo viu-se sozinho no espaçoso quarto. A primeira coisa que fez foi checar a paisagem pela janela. A praia deserta o convidava para um passeio, mas estava cansado da viagem e teria tempo para uma volta mais tarde.

oOoOoOo

Logo após o almoço, Dohko voltou para o quarto e arrumou-se, não esquecendo do protetor solar. Observador, logo descobriu bons lugares para sentar e passar horas pintando ou apenas para esquecer os problemas do cotidiano.

Ao voltar para o hotel um cartaz na recepção chamou-lhe a atenção.

"Exposição de antiguidades e obras de arte."

"Perfeito... Se tivesse sido planejado não daria tão certo!" – Pensou Dohko sorridente.

Informou-se com o recepcionista e descobriu como chegar até o local da exposição.

oOoOoOo

A pequena galeria onde estava acontecendo a exposição já estava praticamente cheia quando Dohko finalmente chegou. Impecavelmente vestido, passou pela recepção, onde assinou o livro de presenças e seguiu para as salas e saletas.

Entre quadros, esculturas e antiguidades, o chinês agradecia mentalmente aos amigos por terem insistido muito naquela viagem. A exposição era maravilhosa e muitos dos artefatos ali encontrados eram originários de diversas partes da Grécia, incluindo algumas antiguidades que pertenciam ao acervo da pousada onde estava hospedado.

Entre essas antiguidades, uma delas lhe chamou a atenção. Um quadro... Na verdade um nu artístico. Os longos cabelos meio esverdeados, os olhos em um tom diferente e ao mesmo tempo fascinante... Violáceos... Completavam a beleza exótica. O peito nu, o baixo ventre envolto em um lençol branco de linho. As longas pernas bem torneadas... Dohko segurou a respiração.

Os olhos atentos do chinês percorreram toda a pintura... Não havia assinatura, não havia um nome sequer. Nem a identificação de quem seria o modelo. Apenas uma plaquinha de identificação abaixo da tela emoldurada informava quem era o proprietário.

Tão distraído estava que não percebeu a aproximação de um senhor que aparentava bem mais de setenta anos. Ele tinha as mesmas pintinhas na testa que o modelo no quadro.

- Vejo que gostou do meu quadro. – O sorriso que lhe iluminou os lábios ao ver o espanto nos olhos do moço que parecia chinês fora automático. – Não, não sou eu... O modelo é meu tio.

- A semelhança se acentua pelas pintinhas idênticas. Seu tio devia ser um ótimo modelo... – Dohko comentou ao acaso.

- Foi a primeira vez que ele posou... – O sorriso traquina a lhe iluminar a face levemente marcada pelo tempo. – Ele não posava para ninguém. Ele era pintor, um artista plástico de mão cheia. A maioria dos quadros da pousada de nossa família são dele, S. Leiyllian.

- S. Leiyllian? – A curiosidade fazendo-o repetir o nome.

- Shion Leiyllian... Conhecemo-nos, senhor? – A testa levemente enrugada. Agora havia notado alguma semelhança com alguém do passado, mas não poderia ser, por isso mesmo fez questão de não deixar que o pensamento o atormentasse.

- Não, eu creio que não. – Dohko respondeu encarando-o. - Apesar de já ter estado na pousada em outra ocasião.

- Pode ser, talvez eu o tenha visto da última vez que por lá esteve. – E dando um leve tapa na testa, arregalou os olhos. – Como sou mal educado... Meu nome é Kingsdon, mas pode me chamar de Kiki.

- Dohko Shinyang. – Estendeu-lhe a mão trocando um aperto forte e rápido.

- Nos vemos na pousada. Venha tomar um café comigo, é só perguntar por mim na recepção. Se me dá licença, senhor Shingyang, preciso voltar. Já não sou mais um jovenzinho para ficar até muito tarde fora de casa. – Sorriu e se afastou devagar.

Assim que se viu sozinho novamente, Dohko olhou outra vez para o quadro e, dando as costas, saiu decidido. Iria fazer uma pesquisa para saber um pouco mais sobre o que o tal Shion fazia ou era.

oOoOoOo

"Artista plástico... Artista plástico..." – Os olhos castanhos percorriam a fileira de livros com a ajuda dos dedos que levemente tocavam as lombadas dos exemplares. – "Não... Van Gogh não... Onde está? A bibliotecária disse que o exemplar está aqui." – Dohko pensou ao recordar-se da pequena conversa que tivera com a senhora de idade quando chegara à biblioteca. Já estava chegando na letra "Z" quando recostou-se na estante para descansar a vista um pouco. Um carrinho cheio de livros estava logo ali e, bem acima de um monte, o tal livro que tanto procurara. Arregalou os olhos e pegou-o com ambas as mãos. Querendo um pouco de sossego, procurou por um lugar mais calmo e acabou por sentar-se em uma das mesas mais distantes da movimentação.

Já acomodado, pôde finalmente reparar na capa do livro. Era um material resistente e tinha a imagem de Shion em uma pose como se estivesse pintando algo em uma tela imaginária. Virando o livro para observar a parte de trás, encontrou ali uma foto do escritor. Ficou surpreso ao constatar que o escritor por trás do pseudônimo de K. Done, na verdade era o sobrinho do artista que conhecera um dia atrás. Voltou sua atenção para o conteúdo do livro, havia fotos pessoais, das primeiras pinturas e esculturas, mas foi no final do livro que Dohko levou um tremendo susto que o fez derrubar o livro na mesa. A última foto era de 1984, e a primeira coisa que o deixou em choque foi a corrente grossa com o medalhão do dragão.

"Pelos céus, é o senhor que me deu a corrente!" – Pensou Dohko estupefato e tocando inconscientemente o medalhão escondido entre suas vestes.

oOoOoOo

- Achei que não iria aceitar tomar café com um velho como eu. Afinal o que eu poderia conversar com você? Sobre dores e doenças? – Gracejou.

- Não... Nunca pensei isso... – Dohko arregalou os olhos. – Eu estava tentando terminar de ler um livro. – E sem rodeios estendeu-lhe um exemplar que comprara na livraria no centro da cidade.

- Ah! Você se interessou pela vida de meu tio? – Kiki perguntou surpreso e, ao ver o jovem sentado a sua frente concordar com um aceno de cabeça, sorriu antes de muito lentamente ficar de pé. – Eu tinha 5 anos quando minha mãe voltou da Inglaterra para ficar com meu tio no controle da pousada. Meu pai faleceu em um acidente e a segurança que meu tio oferecia era muito tentadora. – Fez uma pequena pausa e bebericou um pouco do café. – Adorava vê-lo pintar e sempre que possível eu pegava sua caixa de tintas e pincéis para pintar também. – Ao notar que o jovem movia os lábios, fez-lhe um sinal para esperar. – Não, eu não pinto, muito mal eu consigo pintar o arco-íris corretamente.

Dohko sorriu e tomou mais um gole do líquido forte e fumegante. Pousou a xícara vazia sobre o pires na mesinha de centro e mirou o ancião nos olhos.

- Seu tio e eu temos algumas coisas em comum. – Começou pensativo e levantou-se andando um pouco pela sala e se aproximou de um quadro que somente naquele momento lhe chamara a atenção. Ele já o tinha visto... Sim, ele o tinha visto no dia em que ganhara o cordão.

- Por favor, prossiga. No que você e meu tio são parecidos? – Kiki insistiu para que continuasse.

- Nossos gostos são parecidos... – E andou mais um pouco parando ao lado de uma poltrona confortável. Na mesinha ao lado um livro que parecia estar ali há já algum tempo. Pegou-o nas mãos e leu o título: 'Regressão e Auto-Hipnose – A realidade'. – Eu já tive de ler esse livro por exemplo. Seu autor, sir Radamanthys de Wyvern foi meu professor de psicologia na universidade de Atenas.

- Esse livro era o preferido de meu tio. – Kiki informou ao se aproximar e tomar gentilmente o livro das mãos do chinês e colocá-lo no mesmo lugar. – Eu o deixo da mesma maneira que meu tio o deixou.

Enquanto Kiki recolocava o livro no lugar, Dohko pegou o medalhão e o retirou de dentro de sua blusa. Segurou-o pela corrente grossa e mostrou-o.

- Como conseguiu isso? – Kiki perguntou cambaleando um pouco.

Deixando o medalhão cair sobre o peito, Dohko segurou no braço do ancião e o ajudou a sentar. – Está melhor? – Perguntou preocupado.

- Sim, obrigado! – Kiki suspirou e puxou o ar com força em seguida. – Como o conseguiu? Esse medalhão sumiu no dia em que meu tio faleceu.

Agora era a vez de Dohko sentar-se. – Como disse? – Perguntou temeroso.

- Meu tio estava com 91 anos... Lúcido, mas já com alguns problemas de saúde. No começo de junho de 1985 ele deixou a pousada com um dos contínuos e só voltou perto das oito ou nove da noite. Esse medalhão o qual não tirava por nada do pescoço havia sumido.

- Pois seu tio me procurou em uma vernissage, no centro de Atenas, onde suas obras estavam sendo expostas e me entregou isso. – Dohko estava muito sério.

- Se meu tio te deu, é sinal de que era para ser assim. Talvez tenha visto em você o amor que ele perdeu... Sim, ele nunca mais foi o mesmo depois do sumiço de seu amado. – E sorriu ao ver a surpresa do jovem. – Como sei? – Meu tio meio que me contou tudo quando eu já estava com 18 anos e ele foi assolado por uma virose que o deixou entre a vida e a morte. E até no primeiro nome vocês são parecidos.

- Mas seu tio nunca havia me visto... Como saberia onde me achar? – Dohko parecia confuso.

- Talvez o destino, meu jovem... – E sorriu enigmático. – Aceita mais uma xícara de café?

oOoOoOo

Ao adentrar a universidade de Atenas, Dohko já não tinha mais certeza se encontraria o antigo mestre ainda lecionando ali. Quando ele tivera aulas com ele, o professor Wyvern já estava na casa dos 27 ou 28 anos. Era novo, mas muito experiente e mais ou menos nessa mesma época havia escrito seu livro. Agora talvez ele pudesse ter seguido para outra universidade, mas o jovem pôde suspirar aliviado ao informar-se e descobrir que o mestre estava em aula naquele momento.

Sentado na última fileira próximo à entrada do auditório, ele esperou até que a aula terminasse. Quando todos se colocaram de pé, Dohko desceu os poucos degraus que o separavam do antigo professor e parou ao lado dele.

- Bom dia! Em que posso ajudá-lo?

- Professor Wyvern, não se recorda de mim?

O homem alto, loiro, de olhos castanhos bem claros quase dourados o encarou. O semblante sério e como sempre fechado. Arqueando a sobrancelha, suavizou um pouco o semblante.

- Claro... Turma de 1985... Uma de minhas melhores! Em que posso ajudá-lo? – tornou a fazer-lhe a pergunta.

Dohko pegou o livro de sua bolsa de couro e abriu-o. – Gostaria de tirar algumas dúvidas sobre seu livro.

- Pois não? Pode perguntar. – Um leve sorriso surgiu-lhe nos lábios.

- O senhor diz aqui...

- Por favor, meu caro. – Interrompeu-o. – Vamos deixar bem clara uma coisa, já não és mais meu aluno, não precisa usar toda essa formalidade. Tenho 33 anos ainda, me falta muito para ser senhor. – Ao ver o espanto nos olhos do ex-aluno sorriu abertamente. – Por favor, continue.

Suspirando e tentando relaxar, Dohko baixou os olhos para o livro e leu silenciosamente a parte grifada. – Não consegui entender porque sua regressão foi descrita como uma tentativa falha. Ficou só nessas tentativas que não deram certo? Ou você tentou mais alguma vez?

- Bem... Após terminar o livro e de já o ter lançado, consegui descobrir onde estava errando. – Ponderou um pouco. – Eu ficava pouco tempo nas regressões por não me desligar completamente do presente. A dica é esquecer-se de tudo e retirar tudo o que é do tempo presente do local escolhido para a regressão. Eu tenho absoluta certeza que fiquei bem mais de 9 horas no ano de 1943 e quando voltei ao presente, havia se passado apenas uma hora.

- Então você está querendo me dizer que o tempo pára? – Dohko queria ter certeza.

- Não, ele não pára, apenas vai mais lentamente como se estivesse em câmera lenta.

- Entendo... Muito obrigado professor Wyvern, me ajudou muito. Eu preciso ir... – E acenando para o mestre saiu rapidamente.

- Mas espere... – Radamanthys o chamou, sem obter sucesso. Coçando os cabelos espetados, murmurou para si mesmo. – O que um formando de Artes quer com regressão e auto-hipnose? – Deu de ombros. – Os jovens de hoje são estranhos. – Sorriu de lado.

oOoOoOo

Durante todo o caminho de retorno da faculdade, Dohko pensara em como abordar Kiki e perguntar algumas coisas que necessitava saber. Agora, parado à frente da porta do escritório sentia-se um tolo, já tendo levantado a mão diversas vezes para bater sem, no entanto, conseguir executar esse simples ato.

Quando já estava dando as costas para voltar em outra hora, a porta se escancarou dando passagem para o senhor sorridente e com ares ainda de uma criança peralta.

- Olá, senhor Shinyang... Eu estava mesmo pensando no senhor. – Fez uma pausa. – Queria alguma coisa? – A curiosidade estampada em seus olhos.

- Na verdade sim. – Entrou no escritório ao ser convidado com o simples gesto de afastar o corpo. Passou por ele e pôde ouvir o barulho da porta ao ser fechada e aguardou até que Kiki estivesse atrás da mesa de mogno para sentar-se na poltrona confortável. Ao repara no movimento de mãos o instigando a contar por que estava ali, ajeitou-se melhor e começou. – Eu soube que na ala leste da pousada ficam os quadros mais bonitos de seu tio.

- Sim, lá é a ala destinada a minha família.

- Bem, eu gostaria de saber se me permite visitá-la. Sou artista plástico também e gostei do que vi na exposição. Seu tio era muito bom.

- Sim, ele era. – Kiki ficou alguns minutos em silêncio, depois de muito pensar abriu um sorriso de lado e respondeu. – Claro que pode e se quiser amanhã logo após o café pedirei para que um dos contínuos o procure.

- Perfeito! – Dohko sorriu. – O senhor me disse que seu tio esteve mais presente em 1919 por aqui, não foi?

- Sim... Nas férias de julho. Fazia exatos quatro meses que mamãe e eu estávamos aqui. – Kiki respondeu pensativo. Seu olhar distante.

- Hmm... E os registros antigos ainda existem? – Era por causa daquela informação que estava ali. Precisava muito dela.

- Com toda certeza, os registros antigos ficam arquivados no depósito atrás das cocheiras. Mas por que tanto interesse? – Arqueou a sobrancelha.

- Apenas curiosidade. Obrigado! Aguardarei no salão por um de seus funcionários. – E já foi levantando-se da poltrona.

- Jovem... Você joga xadrez? – Perguntou e ao vê-lo balançar a cabeça positivamente, Kiki deixou que um largo sorriso lhe iluminasse a face. – Então se não tiver nada de bom para fazer essa noite, me encontre na varanda frontal para uma partida.

- Logo após o jantar?

- Pode ser.

- Feito... – Sem mais delongas o chinês saiu apressado da sala. Talvez conseguisse descobrir mais coisas estando com Kiki naquela noite. Seria muito bom.

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O longo corredor da ala leste que levava para os quartos e uma sala de estar ampla e privativa era repleto de quadros e mais quadros. A maioria deles, pintados por Shion. Dohko seguia o contínuo, que o procurara como havia combinado com Kiki, em silêncio. Ele estava admirado! Na sala ricamente decorada, um quadro retratava uma mulher com um vestido verde água esfuziante. Seu sorriso era perfeito e pela aparência deduziu que era mãe de Kiki.

Nos outros cômodos a que teve acesso, também encontrou vários outros quadros. Ao passar direto por uma porta fechada parou e olhou intrigado.

- E esse quarto? Você não vai me mostrar? – Questionou.

- Esse é o quarto do senhor Shion. Não temos autorização para entrar nele. – E sem maiores delongas o contínuo prosseguiu pelo corredor, deixando o chinês no hall da pousada minutos depois.

- Muito obrigado Nikos. Agradeça ao senhor Kingsdon pela gentileza. – Dohko solicitou antes de sair em busca de seu carro. Ele teria tempo de sobra até o almoço para conseguir visitar algumas lojas na cidade.

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Ao sair da loja de roupas antigas, Dohko recordou-se da conversa animada que tivera com Kiki enquanto jogavam xadrez. O velhote era um enxadrista espetacular e fora difícil ganhar pelo menos uma vez dele.

Enquanto jogavam puderam conversar sobre vários assuntos e o mais jovem acabou por descobrir mais algumas coisas sobre Shion e sobre o ano de 1919.

Com o terno, chapéu e sapatos daquela época, passou por um antiquário e comprou moedas e dinheiro do ano respectivo.

"Perfeito... Agora só faltam duas coisas." – Pensou ao entrar no carro e tomar o caminho de volta para a pousada.

oOoOoOo

Sem poder acender a luz do quarto que estava invadindo, Dohko acendeu apenas a pequena lanterna que tinha tirado do carro naquela tarde junto com as sacolas. O diminuto facho de luz iluminou o quarto por alguns minutos até que ele pudesse constatar que poderia acender a luz do local. Piscando os olhos algumas vezes para se acostumar com a claridade, ele olhou para todos os lados observando cada canto. A grande cama, os móveis bem distribuídos e antigos. Alguns pertences... Sobre a cômoda algumas fotos antigas, mas o que o deixou surpreso foi o quadro pendurado naquela parede.

"Não pode ser... O mesmo quadro da exposição onde ganhei essa corrente com o medalhão." – Pensou Dohko ao tocar o dragão de olhos de jade. Observando melhor o quadro, notou algumas coisas que não havia percebido. No pescoço do rapaz na tela, o medalhão, no caso seu medalhão, estava pendurado. Olhando pelo resto do quarto se aproximou do guarda-roupa e o abriu. As roupas impecavelmente separadas por estilo e cor... Correu as mãos pelos cabides sentindo a textura dos casacos, blazers e camisas. No último cabide ele parou sua mão. O tecido era diferente, vermelho com preto... Ao tirá-lo do local e observá-lo melhor, voltou seus olhos para o quarto e arregalou os bem... – "A roupa chinesa que Afrodite achou gozada!" – Sem pensar muito, pegou a roupa deixando apenas o cabide no lugar. Na parte debaixo, num local onde havia vários pares de sapatos, encontrou a sapatilha negra e também a pegou.

- Não pode ser possível! – Murmurou para si mesmo. Ele precisava tirar aquela dúvida de seus ombros. Antes de sair do quarto, Dohko checou se não havia esquecido nada fora do lugar, apagou a luz e saiu sorrateiramente. Deixou a camisa, calça e sapatilhas escondidos no fundo de seu guarda-roupa e saiu novamente.

Usando a escada de emergência, saiu pelos fundos da pousada e com o auxílio da noite sem luar e das vestes escuras, conseguiu chegar ao depósito atrás das cocheiras. Ao testar a porta encontrou-a destrancada. Após conseguir passar pelo amontoado de coisas velhas, encontrou a entrada para uma pequena sala. Acendeu a luz e arregalou os olhos surpreso. Arrumados em estantes de madeira, todos os livros de registro se encontravam em ordem desde quando a pousada fora inaugurada. Em letras e números dourados, os livros tinham suas lombadas marcadas.

- 1915, 1916, 1917, 1918... 1919. Bingo! – Dohko murmurou contente ao puxar o livro de seu lugar. Sentando-se no chão, começou a folhear as primeiras páginas. Não estava ali o que ele procurava. Não nos primeiros meses. Folheou mais um pouco e insistentemente encontrou nas folhas amareladas pelo tempo o que queria. O início do mês de julho. Até o dia 19 não tinha encontrado nada, mas no dia 20 às 08:15 horas encontrou. – Eu estive lá... – suspirou aliviado. Estava surpreso e assustado. – No quadro... Então sou eu! – Voltou seus olhos novamente para o registro de entrada e no quarto ao qual havia ficado. – Dia 20, às 08:15 horas, quarto 41 A. – Anotou em um pedaço de papel e recolocou o livro no lugar.

Voltar para seu quarto foi mais fácil ainda. As idéias fervilhavam em sua cabeça. Precisava se preparar para a regressão, mas antes teria de tomar certas decisões.

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31 марта 2018 г. 22:03:49 0 Отчет Добавить Подписаться
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