Ironia do Destino Подписаться

bananna Anna Carolina

O Destino e o Acaso são entidades poderosas, nunca se pode dizer com certeza o que virá a seguir quando eles estão envolvidos... Ironicamente ambos se uniram e manifestaram-se na vida de Kevin e Diana fazendo com que os caminhos dos dois, mesmo sendo completamente diferentes, se cruzassem em uma situação incomum e inesperada.


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Короткий рассказ
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Por Acaso

Diana e Kevin eram pessoas completamente diferentes. Ela gostava de viver a vida intensamente, aproveitar as oportunidades ao máximo sem se preocupar muito com as consequências, era uma mulher de opiniões fortes. Enquanto ele levava uma vida mais reservada, pensava muito antes de tomar qualquer decisão cogitando todas as hipóteses, vivia com cuidado e se sentia seguro ao ficar sempre em sua zona de conforto. Eles eram tudo que o outro repudiava, pessoas que tinham tudo para se odiarem, porém a vida sempre pode surpreender.
Em um belo dia nublado, os dois se encontraram ocasionalmente na fila de um dos únicos dois bancos daquela cidade pacata. Ele, um rapaz de aparência comum que poderia passar facilmente despercebido em qualquer lugar da cidade, era apenas um mero bibliotecário que estava ali apenas para depositar a maior parte de seu salário aleatoriamente em alguma das três contas que possuía apenas para o caso de alguma emergência.
Já ela era impossível de não se notar, não só por sua beleza incomum naquela cidade que era nublada a maior parte do ano, não, a pele bronzeada e os cabelos cor de mel acabavam sendo coisas secundárias naquela mulher; talvez fosse a forma como a maquiagem destacava seus olhos e lhe dava um olhar marcante, ou talvez a confiança e determinação que ela colocava em cada movimento e parecia mudar completamente o clima do ambiente. Ela estava ali para sacar um quantia considerável de dinheiro para seguir sua viagem e sair o mais rápido possível daquela cidade entediante.
Quatro, não, cinco pessoas a sua frente, Diana já estava começando a ficar impaciente. A forma como cada pessoa da fila levava muito mais tempo do que o necessário em uma operação tão simples fofocando sobre a vida alheia com as atendentes irritava Diana absurdamente. Já Kevin não se importava com aquilo, para ele aquela rotina era comum, o que o perturbava era a impaciência da moça atrás dele. Ele não havia visto o rosto dela, mas a forma como ela era incapaz de ficar parada estava aborrecendo-o. Ele sentia como se a mulher fosse uma bomba relógio em contagem regressiva, se ficasse muito tempo naquela fila certamente ia explodir.
Tinha apenas uma pessoa na frente de Kevin agora, duas pessoas na frente de Diana. Ela finalmente iria conseguir sair dali e seguir seu rumo para qualquer lugar mais interessante, e ele poderia voltar para seus livros e seu isolamento diário. Os dois estavam tão ansiosos que sequer notaram os quatro sujeitos vestidos completamente de preto com máscaras cobrindo o rosto e portando armamento pesado, não notaram até um dos sujeitos dar um tiro para o alto e anunciar o assalto.
Naquele momento o coração de Kevin parou, ele nunca imaginou que ouviria um tiro pessoalmente na vida, nem que estaria na posição de um dos personagens dos livros de mistério e suspense que ele tanto amava. Ele até imaginou que aquilo era uma pegadinha e quase começou a rir, porém seu corpo estava paralisado pelo medo, ele não conseguia se mexer, não conseguia falar, não conseguia nem respirar direito, o pânico era tão grande que chegou a ver pontos pretos ocultando os cantos de sua visão. Isso até aquela mulher impaciente puxar seu braço bruscamente o tirando daquele transe e arrastando-o para trás do balcão.
O pai de Diana fora policial quando ela era criança. O som daquele tiro ativou algumas memórias que ela gostaria de esquecer, porém também aguçou seus reflexos, ela sentia a adrenalina correndo por suas veias e sua mente trabalhando em todas as possibilidades, enquanto analisava rapidamente o ambiente com os olhos. Observou o rapaz a sua frente e notou o pânico expresso em cada detalhe da postura dele, ela conhecia bem aquela reação e nem pensou enquanto puxava o rapaz para um ponto estratégico atrás do balcão onde ela teria plena visão dos assaltantes e não estaria na linha de tiro.
Ela reparou que alguns outros clientes e funcionários do banco haviam tomado a mesma atitude, mas ficou mais tranquila ao perceber que a maioria das pessoas estavam espalhadas pelo espaço e à vista dos assaltantes. Talvez essa não fosse a forma mais humana de se pensar, mas seria mais fácil fugir sem ser percebida se os indivíduos estivessem preocupados com outras pessoas fazendo escândalo.

Kevin estava aos poucos se recuperando do choque e começando a pensar com mais clareza. É provável que se ele só ficasse abaixado ali sem fazer nenhum barulho, os assaltantes não perceberiam sua presença e sairiam sem incomodá-lo. Seria muito mais fácil se as coisas seguissem por esse caminho, porém a postura da mulher ao seu lado dizia exatamente o contrário. Ele quase conseguia ouvir o barulho da mente dela trabalhando em algum plano maluco de fuga, e isso o assustava, se ela tentasse alguma coisa estúpida e falhasse, o esconderijo dele seria automaticamente descoberto.

Mais um tiro, dessa vez seguido de gritos e barulho de algo caindo no chão, Diana não conseguiu ver a cena. Porém o corpo do segurança caído aparentemente sem vida indicava uma tentativa clara de impedir o roubo. A situação estava ficando cada vez mais tensa, dois dos sujeitos circulavam entre os reféns apontando as armas na direção de cada um; um vigiava a saída enquanto o último estava focado em abrir o cofre.

O plano de Diana havia falhado, seria impossível sair dali sem ser notada e logo os assaltantes perceberiam a presença deles atrás do balcão, até porque o homem que Diana havia ajudado voltou ao estado de pânico com o segundo tiro, e o barulho da respiração dele chegava até a incomodar o raciocínio dela. Ela precisava fazer algo para acalmá-lo ou os dois não sairiam com vida dali.

- Ei! Meu nome é Diana, nós vamos conseguir sair daqui, mas para isso você precisa se acalmar. – A moça sussurrava parada à frente dele. – Como você se chama? – A voz dela soava muito mais doce e tranquila agora e seu sorriso gentil parecia ter algum efeito sobre o rapaz.

- E... Eu me chamo Kevin. – Ele gagueja um pouco e tira uma bombinha para asma do bolso inalando rapidamente um pouco do medicamento. – Como você espera que nós consigamos sair daqui sem sermos mortos? – Ele questiona falando baixo e com o pânico ainda expresso em sua voz, mas com um pouco mais de calma.

- Você sabe atirar? – Ela pergunta com um sorriso de lado, indicando a arma do guarda caída convenientemente ao lado do balcão.

- Não, meu Deus, por que eu saberia? Você é louca? – Kevin havia entendido exatamente o que a moça planejava e só conseguia pensar no quanto aquilo podia dar errado. – É muito mais simples e seguro ficarmos aqui e esperarmos eles saírem.

- Mas e se eles não saírem? E se eles nos descobrirem? Eu poderia distrai-los e você atira no sujeito que está na porta, aí nós vamos ter a oportunidade perfeita para fugir. – Ela diz de forma simples e objetiva.

- Mas eles podem atirar antes em você e depois em mim, e nós teremos feito esse esforço todo para nada. – Ele diz tentando desesperadamente convencê-la a mudar de ideia.

Entretanto Diana já havia se decidido e estava disposta a arriscar sua vida para sair dali e poupar a vida dos outros reféns. Por outro lado, Kevin tinha certa razão em estar preocupado, o plano possuía muitas brechas e era movido principalmente pela impulsividade de Diana. Ela viu a arma e pensou que talvez poderia abaixar a guarda dos assaltantes por tempo suficiente para conseguir tomar alguma atitude. A moça sabia atirar bem, porém estava preferindo não pedir para aquele homem que ela mal conhecia se arriscar tentando servir de isca.

- Acho que eu consigo fazer isso sozinha. – Ela diz fazendo menção de se afastar do rapaz e se levantar, porém ele segura o braço dela com talvez um pouco mais de força do que o necessário a impedindo.

- Se você fizer isso você pode morrer e acabar matando todos nós. – Kevin diz sério e nitidamente preocupado. - Além do mais você vai fazer o que com essa arma? Vai atirar nos caras e correr o risco de ir para a cadeia e conviver para sempre com a culpa de ter matado uma pessoa?

- Talvez, eu duvido que eles pensaram dessa forma quando atiraram naquele pobre policial que só estava ali tentando fazer o trabalho dele. – Ela diz tentando apelar para o lado sentimental do rapaz. – Eu não moro aqui, estou nessa cidade há pouquíssimo tempo, mas aposto que ele tinha uma família, talvez até filhos. Como você se sentiria na posição da família desse homem? – Diana pergunta se emocionando momentaneamente, mas sem deixar isso transparecer em suas palavras e nem em suas ações.

Tudo que a mulher falava era olhando diretamente nos olhos do rapaz, ela chegou até a se perder por alguns segundos se questionando qual era a cor daqueles olhos incrivelmente fascinantes. Ela estava em dúvida entre o azul e o verde, porém conforme ele desviava o olhar a cor parecia mudar assumindo diferentes tons de mel e um verde mais vivo. “Não! Foco, você está em uma situação de vida ou morte Diana, você não pode se distrair com um rapaz bonito.” Ela pensa se repreendendo mentalmente pela atitude.

- Ele é, era meu vizinho, tinha um marido e uma filha de cinco anos, os dois vão ficar muito tristes, porém vão saber que ele foi um herói. – Kevin claramente havia sido afetado pelas palavras da moça, ele se sentia triste com isso, ainda mais pela injustiça da situação, mas não era o suficiente para deixar Diana colocar a própria vida em risco.

- De qualquer forma ainda é injusto com ele ficarmos aqui e deixarmos esse maldito roubo ser bem sucedido. – Diana fala já começando a ficar um tanto irritada.

Ela se estica para pegar a arma na lateral do balcão, porém o objeto já não estava mais ali. A moça viu mais um plano seu se desfazendo diante de seus olhos e se afastou bruscamente do rapaz para conseguir observar o ambiente por completo.

O indivíduo encarregado de abrir o cofre já estava no penúltimo dígito daquela trava extremamente complexa, Diana percebeu que um dos homens não estava mais ali e agora apenas um vigiava os reféns. Mas onde estava a arma? Ela não sabia, procurava em toda parte, mas não estava conseguindo encontrar. Isso até um rapaz cutucá-la, ela se vira um tanto assustada e ao contrário do que esperava não era Kevin e sim um outro refém que ela não havia notado até então.

- O que foi? – Diana diz um pouco rude, ela estava frustrada por ter perdido a arma e ao olhar para Kevin e notar o sorriso de alívio dele ela só ficou mais irritada ainda.

- Desculpe, não tive como não reparar na discussão de vocês e fiquei pensando. – O rapaz diz falando baixo igual todos ali, porém com uma voz suave. – De que adianta seguir princípios morais como não matar ou machucar outras pessoas e conhecimentos básicos com o não reagir a assaltos se isso custará sua liberdade e ameaçará sua vida? De que adianta se preocupar com o que a polícia vai pensar quando chegar aqui? A moça mesma disse que ela não mora aqui e ela aparentemente tem dinheiro, não vai ser um problema para ela conseguir responder a um processo em liberdade.

- “As coisas nos parecem absurdas ou más porque delas só temos um conhecimento parcial e estamos na completa ignorância da ordem e da coerência da natureza como um todo.” – Diana cita com um sorriso discreto.

- Baruch Espinoza. – Kevin diz nitidamente surpreso. – Não imaginei que você entendesse sobre filosofia.

- Só porque eu quero dar um jeito de sair daqui, eu não posso ter o hábito de ler? – Ela diz um tanto ofendida.

- Desculpe, eu trabalho na única biblioteca da cidade, não estou acostumado com pessoas interessadas por temas como filosofia. – Ele diz se sentindo um pouco mal por ter ofendido a moça. – Mas ainda assim não apoio essa atitude, pode dar certo e eu vou ajudar, mas não concordo com isso.

Diana abre um sorriso radiante, porém logo fica seria novamente ao ouvir o som de gritos e batidas.

- Ainda precisamos de uma arma ou de um plano melhor. – Diana diz um pouco decepcionada.

- Uhm, eu peguei a arma enquanto vocês conversavam. – O outro refém que havia se juntado à conversa murmura um pouco envergonhado entregando a arma para Diana.

- Obrigada. – Ela agradece com um sorriso e volta a olhar para Kevin. – Um dos sujeitos está brigando com um refém e está desarmado, o outro está tentando abrir o cofre também sem nenhuma arma ao alcance. Só precisamos nos preocupar com o cara da porta e eu garanto que minha mira é boa. – Diana diz novamente séria. – Eu vou me levantar e quando eu falar vocês correm até a saída.

A moça dá um último sorriso na direção do rapaz e se levanta, ela observa o ambiente tendo certeza que ninguém percebeu sua movimentação e checa rapidamente o pente da arma, era uma Sig Sauer 9mm e estava carregada. Diana olha para o criminoso que estava à porta e aponta a arma para ele dando um tiro preciso na mão para derrubar a arma que ele segurava.

Foi assim que Diana conseguiu a atenção de todos com trilha sonora especial dos gritos do sujeito. A mão dele sangrava e ele provavelmente não conseguiria mais segurar uma arma, mas pelo menos a moça havia poupado a vida dele.

- Er... Olá, meu nome é Diana Parker e eu acho que esse dinheiro que vocês estão tentando pegar não lhes pertence. – Ela diz com um sorriso um tanto irônico no rosto.

- O que? Quem você pensa que é? – O sujeito que estava batendo em um refém grita tentando correr na direção de Diana, porém ela consegue ser mais rápida e atira na perna dele.

O assaltante que estava tentando abrir o cofre se desespera e corre para fora do banco, ela não consegue impedir a tempo e grita para os reféns saírem e Kevin ajuda a guiá-los para fora.

Estava tudo correndo bem, até o último dos assaltantes passar com um carro do lado de fora do banco e atirar no vidro na direção de Diana. O vidro estilhaça e uma esquadria de aço se solta derrubando a moça.

Kevin volta correndo para dentro do banco e encontra Diana desmaiada com a cabeça sangrando, ele se apressa em pegá-la no colo e levá-la para a emergência do único hospital da cidade. Algum dos reféns aparentemente havia chamado a polícia porque quando Kevin saiu se deparou com três viaturas e uma equipe de reportagem do jornal local.

A moça acorda desorientada sem conseguir enxergar direito o ambiente ao seu redor, tudo parecia ser muito claro e muito branco, os olhos dela se adaptam vagarosamente à claridade e ela começa a ouvir os famosos bipes do monitor cardíaco percebendo finalmente que estava em um hospital. “Como eu vim parar aqui? Quanto tempo eu fiquei apagada?” eram as principais perguntas que passavam pela cabeça da moça.

Ela começa a pensar com mais clareza e se levanta alarmada ao lembrar do ocorrido.

- Kevin! – Diana exclama, ela não sabia o motivo exato que a levou a pensar naquele homem antes de qualquer outra coisa, mas um leve riso vindo do canto do quarto a fez sair de seus pensamentos.

- Estou bem aqui. – Ele diz com um sorriso suave no rosto desviando o olhar do livro que tinha em mãos para olhar para o rosto da moça. – Antes que pergunte você dormiu por aproximadamente 12 horas, teve uma leve concussão, nada grave, apenas precisa de observação e mais alguns exames agora que acordou.

- Você está bem? Deu tudo certo? A última coisa que me lembro são dois dos bandidos fugindo. – Ela diz um tanto pensativa forçando sua mente em busca de mais informações.

- A Polícia os prendeu pouco tempo depois e os sujeitos nos quais você atirou passam bem e serão presos assim que receberem alta. – Ele diz com tranquilidade se levantando e parando ao lado dela. – Você se tornou uma heroína aqui na cidade, até o prefeito pediu para marcar um jantar com você, não duvido nada que você ganhe a chave da cidade, aparentemente estavam procurando esses homens há um bom tempo. – Ele diz um tanto animado, mas para ao notar o silêncio da moça. – Eu sei que você estava aqui só de passagem, deu pra perceber pela sua inquietação, mas talvez agora... Se mudar de ideia talvez possamos tomar um café qualquer dia, eu gostaria de saber mais sobre seus interesses literários.

Diana sorri assim como Kevin, talvez a tranquilidade daquela cidade não fosse tão ruim assim.

O desfecho daquela história que se originou em um simples dia em um banco ainda estava bem longe de acontecer, agora estava tudo nas mãos do destino. Se eles vão ficar juntos? Ninguém sabe, talvez eles se adaptem ao estilo de vida um do outro e criem uma coisa própria, ou talvez Diana fique realmente entediada e volte a explorar o mundo, ou ainda pode ser que eles saiam desbravando o mundo juntos. Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer, tem histórias que apenas o tempo pode contar.

27 февраля 2018 г. 22:08:52 0 Отчет Добавить 0
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