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Min Yoongi tem 20 anos e uma certeza absoluta: não ama nada, nadinha, no mundo todo, mais do que ama Física. Cursando o primeiro ano da faculdade, é considerado um aluno prodígio e um dos melhores por seus professores. Pelo menos, pela maioria deles. Para Kim Namjoon, seu professor de Introdução ao Estudo dos Fenômenos Físicos, ele é como uma criança imaginativa. Tudo porque eles discordam totalmente sobre Viagem no Tempo... e também porque talvez tenham tido tantas discussões sobre isso, que ele nem aguenta mais o ver na sala de aula. Depois de mais uma delas — a qual os dois decidem que vai ser a última —, Yoongi decide provar de uma vez que é sim possível acontecer. Eles então dão uma festa em uma das salas vazias da faculdade, e além deles dois, os únicos convidados são viajantes do tempo. As horas se passam, a comida vai acabando, e nada de algum convidado chegar. Yoongi nunca se sentiu tão derrotado. Ele realmente esperava que alguém chegasse. Mas mais do que isso, agora ele teria que aguentar seu professor debochando dele o resto do ano. Cabisbaixo, guardava o resto das comidas, quando a porta da sala se abriu de supetão e um homem baixinho, loiro, de olhos puxados e usando um smoking azul entrou apressado. "— Desculpem o atraso, tive uns problemas com o buraco de minhoca. A festa já acabou?".



Фанфик Группы / Singers 13+.

#time-travel #viagem-no-tempo #minyoon #jimsu #sujim #suji #yoonmin #bangtan #bts #minie #jimin #jimi #suga #yoongi #minmin #minimini #2minproject #minimin #2minpjct
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Te Vejo Em Cem Anos

Escrito por @lua_marchi/@bbmoonie.

Capa por: @Tmessi/ @Thaliemessi

Notas Iniciais:


Oie :)

Essa é a minha primeira história pro 2Min Project, e eu espero que vocês gostem :D.


Pra quem gosta de ler ouvindo música, recomendo essas:

Lady Gaga - You and I

One Republic - Counting Stars

Lady Gaga - The Edge of Glory

Milky Chance - Stolen Dance

Arctic Monkeys - 505


Boa leitura!

~~~~


15 minutos. Ele não precisa se preocupar, não precisa nem pensar nisso. Ainda tem quinze minutos, a professora ainda está falando. Ele tem que se concentrar nela.

10 minutos. Droga, o tempo está passando rápido demais, rápido demais.

7 minutos. Será que a professora não pode pegar mais alguns minutinhos extras além do horário? Ele tem certeza que ela tem matéria demais para explicar, não ia fazer mal passar alguns minutos a mais na sala.

5 minutos. Ela está perguntando se alguém tem dúvidas. Ah não, isso significa que agora ele não tem mais para onde fugir.

3 minutos. É inevitável. Seu destino de dor e tristeza é puramente inevitável.

1 minuto. Pelo amor, não.

0 minutos. Ele está em profundo sofrimento.

Enquanto os alunos arrumavam rápido os materiais, guardavam os computadores e saíam da sala da forma mais ligeira possível para não se atrasarem para a próxima aula, ele fazia tudo bem devagar, com calma. Sem correr. Para que correr, não é mesmo? Talvez ele se atrasasse e, nossa, como seria uma pena.

A cadeira dura em que estava sentado nunca parecia ter sido tão confortável e as paredes brancas da sala haviam subitamente se tornado muito aconchegantes.

Não que ele não gostasse do ambiente escolar, no qual passava pelo menos oito horas dos seus dias, cinco vezes por semana. As salas apertadas, mas lotadas de gente, eram como uma casa para ele. As paredes brancas não o incomodavam tanto, porque sabia que os professores iam conseguir pintar tudo com seus detalhes, ensinamentos, teorias... com a sua Física.

As cadeiras eram ruins, mesmo. E faziam sua bunda doer.

— Yoongi? — Sua professora o chamou. — Querido, você sabe que não tem como fugir. Toda terça-feira é a mesma coisa.

Seu tom era de repreensão, mas o sorriso em seus lábios era o suficiente para saber que ela estava se divertindo com a situação.

Para Yoongi, Munhee era simplesmente a melhor professora de todas, e uma das pessoas mais legais também. A senhorinha sabia muito de Física, e sempre estava disposta a ajudar os alunos, mesmo que não fosse em algo da sua matéria, sempre tratando todos com simpatia. Era confortável conversar com ela.

— Professora... — resmungou. — É que eu acho que não entendi muito bem algumas coisas da aula de hoje. Posso assistir ela de novo agora? Eu me sento lá no fundo, nem vou atrapalhar.

— Yoongi. — Riu, sentando-se na carteira ao seu lado. — É melhor você ir logo. Já está atrasado. Pense que não vai ser tão ruim assim. Tente ficar quietinho a aula toda e saia no meio de todo mundo. Nem vai dar tempo de vocês discutirem.

Derrotado, levantou-se com a bolsa nas costas.

— Boa aula, querido. Nós nos vemos na quinta-feira.

Acenou para ela enquanto saía da sala.

Droga, toda terça-feira era a mesma coisa, e ele nunca conseguia fugir. Ruminava os pensamentos de raiva e desconforto enquanto cruzava os corredores até a outra ponta do andar.

O problema é que agora teria aula de Introdução ao Estudo dos Fenômenos Físicos. Não que a matéria fosse ruim, porque na verdade até que era bem legal. O pesadelo era o professor.

Kim Namjoon, 30 anos e uma bagagem científica imensa. Ou, em outras palavras, seu maior inimigo naquela universidade.

Desde o primeiro dia de aula, ele e o professor haviam declarado uma guerra interna, cheia de alfinetadas e comentários durante as aulas, e até mesmo discussões, onde se perdiam em argumentos rápidos e deixavam os outros alunos perdidos.


Tudo havia começado com uma pergunta sobre viagem no tempo.

Para iniciar o ano, o professor havia permitido que os alunos fizessem suas perguntas curiosas sobre os mais diversos assuntos, até que alguém o perguntou sobre viagem no tempo. Ele respondeu, então, que, teoricamente, ela só seria possível se realizada do espaço e direcionada para o futuro.

Explicou que o tempo no espaço passava de forma diferente, como por exemplo, no filme Interestelar — nesse momento alguns alunos passaram a se interessar mais, afinal, referências da cultura pop atingiam todos. Se uma pessoa estivesse em uma nave no espaço, onde o tempo passasse em uma velocidade diferente, ela poderia passar alguns minutos ou segundos num lugar, enquanto anos ou séculos se passavam na Terra, e então, com um mecanismo que as permitisse se locomoverem mais rápido do que a velocidade da luz, poderiam retornar a Terra envelhecida em anos, com seus corpos envelhecidos em minutos.

Os alunos concordavam, animados com a explicação. Menos Yoongi. Para ele, isso era uma baboseira.

Levantou a mão, e o professor apontou para si, imaginando que faria alguma pergunta.

— Eu não acho que essa seja a única alternativa, afinal, a ciência avança a cada instante. E se a pessoa fizesse o caminho inverso na velocidade da luz? E se potencializássemos prótons e elétrons e criássemos um miniburaco de minhoca para irmos para o passado aqui da Terra mesmo?

O professor se divertia com o entusiasmo do novo estudante.

— Essas todas são teorias muito pouco possíveis de acontecer, por isso nem são consideradas.

— São tão reais quanto a sua.

— Perdão? — O professor havia se espantado com a resposta grosseira.

— Alguém já viajou na velocidade da luz e foi para o futuro?

— É claro que não, se tivesse acontecido, toda a história da ciência seria diferente.

— Então pronto. A minha não aconteceu, a sua também não. São igualmente improváveis e prováveis.

A partir desse dia, a guerrinha estava travada.


E agora, sentado na sala ouvindo o professor falar sobre aceleração e cinética, pensava em como queria estar em qualquer outro lugar, a não ser ali. Anotava as coisas com má vontade no caderno, enchendo as laterais de rabiscos com desenhos de minhocas e emojis irritados.

O tempo na aula de Física Quântica passou voando. Por que aqui estava demorando tanto, então?

— Não é mesmo, Yoongi?

Levantou os olhos do caderno, encarando o professor que aparentemente esperava uma resposta sua.

— Eu disse que a aceleração é constate e sempre para um tempo adiante, e que, portanto, qualquer conta que exija divisão por tempo não pode ter valores negativos no divisor. Está correto?

Alguns colegas de classe olhavam para ele com expectativa, outros, com tédio. A briguinha dos dois já era conhecida por todos, e ninguém mais se surpreendia com as alfinetadas constantes.

— Está correto, professor.

Coçou a ponta do nariz com o dedo médio levantado, esperando passar a sua mensagem.

Para sua própria surpresa — e de certa forma, alívio —, não houve mais implicações durante a aula. Talvez fosse porque havia muita matéria a ser dada, ou porque nenhum deles estava disposto a brigar hoje.

Quando a sala foi liberada, Yoongi sentiu um alívio imediato. Enfim, livre.

Diferente da última aula, dessa vez ele juntou seus materiais o mais rápido que pôde e se direcionou à porta, à sua liberdade.

Enquanto passava pela mesa do professor, torcia para ele não falar nada.

“Fica quieto, por favor, por favor. Eu já segurei minha língua até demais. Fica quieto, fica quieto.”

— Yoongi?

Seu corpo endureceu, ele virou devagar, os pés fincados no chão.

— Sim, professor?

— Você ficou quieto hoje, mal me interrompeu. Está bem? — Sorriu debochado.

Ambos sabiam o que aquilo significava.

— Estou sim. Só não estava a fim de ter que ouvir seus argumentos fracos hoje. — Deu as costas e saiu correndo da sala, antes de ouvir qualquer resposta que o professor pudesse dar.

Os corredores estavam lotados, alunos de todos os anos e todos os cursos se misturavam. Uns iam para outras salas, outros para casa e outros para a lanchonete, como Yoongi. Ele se espremia entre os corpos, correndo para o primeiro andar, na esperança de não pegar uma fila muito grande.

Todas aquelas pessoas não o sufocavam, não o intimidavam. Cada um estava ali para concretizar uma fase da própria vida. Cresciam como ele, aprendiam como ele e quebravam a cara como ele.

Elas não o incomodavam, mas o fato de haver tantas e tantas delas, e ele não conseguir se conectar com praticamente nenhuma, o deixava meio mal às vezes.

Almoçar sozinho não era um problema, nem fazer os trabalhos sem grupo. Ele estava bem com sua própria companhia. Mas isso não queria dizer que ele não tivesse interesse em conversar com elas de vez em quando, mesmo que não conseguisse. Imaginava quantas pessoas interessantes não poderia conhecer naquele lugar imenso, porém as palavras eram escassas e pareciam sumir completamente quando precisava falar com alguém. Ele estava sozinho, e de qualquer forma, estava tudo bem.

E é por isso que almoçou sem companhia, sentado numa mesa de dois lugares, onde ele ocupava um e sua bolsa ocupava outro, com os fones conectados e um episódio aleatório de Doctor Who passando no celular enquanto comia rápido seu hambúrguer gorduroso.

Terminou o mais rápido o possível e logo em seguida rumou para a enorme biblioteca da universidade. Ele tinha livros para ler, livros para devolver e um projeto para desenvolver.

Toda vez que visitava o lugar, perdia-se entre as estantes por horas a fio, maravilhado com a quantidade absurda de conteúdo espalhado por tantos corredores. E após devolver todos os cinco livros que havia pego no outro mês, acabou levando mais alguns. Obviamente, todos sobre Física.

— E aí, garoto? — cumprimentou o bibliotecário que quase sempre o atendia. — Livros novos para o seu TCC?

Seokjin não perdia a chance de tirar uma com a sua cara toda vez que o via levar livros sobre Física Quântica, Física Experimental e Química. O homem era recém-formado de Biblioteconomia e havia arranjado um emprego ali mesmo dentro do campus.

— Isso aí...

— Cara, eu acho que você é um dos alunos mais dedicados daqui. Mal entrou no primeiro ano e já tá trabalhando no TCC... Você, por acaso, é uma daquelas pessoas prodígio, que inventam uma teoria absurda para definir não sei o quê, de estrela tal e galáxia tal?

— Hã... — Ele não sabia o que responder.

É claro que não era um prodígio nem nada assim, só curtia o que fazia e queria aproveitar o tempo estudando sobre isso.

— Não. — Foi o que saiu.

Seokjin sorriu para ele como se entendesse. Ele sempre parecia entender Yoongi, e sempre conversava com ele de maneira divertida, mesmo que não fosse receber uma resposta exatamente a altura.

— Bom... Bom estudo, então. Não esquece de trazer eles no final do mês, e se sujar algum eu vou te cobrar uma taxa de multa enorme, então toma cuidado.

É claro que o faria. Toda vez era o mesmo papo. Aqueles livros pareciam ser como filhos para ele, mas o Min entendia, afinal, era da mesma forma com as coisas que gostava.

Com os livros bem guardados na bolsa, voltou para o segundo andar para assistir as aulas da tarde, que acabaram passando bem rápido.

Quando a noite começou a cair, chegou em casa e finalmente se deixou descansar.

Banho tomado, miojo no potinho e o próximo episódio de Doctor Who passando na TV. Ele não precisava se preocupar com horários, bagunça e refeições agora que morava sozinho. Seu único compromisso seria acordar de manhã para ir para faculdade e avançar no seu projeto.

E era nisso que se apegava todo santo dia.

Sua manhã seguinte começou bem, com sua matéria preferida: Estrutura da Matéria Avançada; mas acabou bem mal.

No final da aula, foi conversar com o professor sobre sua teoria de aceleração de partículas e como seria possível realizá-la. Esse era um dos passos para seu projeto, e definitivamente não esperava ouvir de seu próprio professor o quão improvável seria ele conseguir fazer isso.

— Yoongi, por favor. Entendo que você esteja pesquisando bastante e indo atrás dessas coisas, mas sejamos realistas. Não é provável que você consiga mexer com qualquer coisa assim para o seu projeto. Essas coisas são pura teoria, é muito difícil realizá-las, ainda mais aqui, sem experiência nenhuma.

Olhou nos olhos de seu aluno abatido e se sentiu um pouco culpado por desmotivá-lo, mas sabia que era necessário. Se continuasse alimentando as ideias sem fundamento dele, só o ajudaria a dar de cara com um muro que o separaria de todas as possibilidades que tivesse de desenvolver algo realmente significativo.

— Olha... pense pelo lado bom. Você ainda está no primeiro ano, tem tempo de sobra para mudar esse projeto de TCC. Tente outras coisas, certo? Elas vão te dar algum resultado de verdade.

E foi assim que seu dia começou, com um grande choque de realidade. Uma realidade que ele não queria aceitar. Para Yoongi, as palavras do professor eram como um banho de água fria no inverno. Doíam, incomodavam.

Se nem seus professores tinham fé em seu projeto, quem mais teria?

Metade de si queria parar, desistir da ideia, tentar algo novo ou só esquecê-la e voltar a pensar nisso no seu último ano, mesmo. A outra metade o fazia querer se movimentar, estudar com mais afinco, explorar, testar, provar para todos que eles estavam errados em duvidar.

Afinal, se hoje eles estavam ali, estudando todas aquelas leis, utilizando-as para prendê-lo na mesmice, era porque antes alguém havia tentado, arriscado, acreditado.

Se sentia mal, mas sua fé na Física era maior do que o julgamento alheio. E ele conseguiria. Os faria engolir as próprias palavras.

E foi nessas oscilações de descrença e confiança em si mesmo que chegou até sexta-feira, já acabado e totalmente sem vontade de aparecer pela universidade. Ele só queria ir para casa, ler, assistir Doctor Who e ficar sozinho.

Mas é claro que para encerrar a semana com chave-de-ouro, sua última aula do dia tinha que ser Introdução ao Estudo dos Fenômenos Físicos. Com Namjoon.

O processo para chegar na sala foi lento e doloroso, como eram todas as terças e sextas. O jovem se arrastava sofrido pelos corredores cheios, até entrar na sala que parecia mais branca e fria do que o normal e se sentar na cadeira horrivelmente dura.

Que delícia seria terminar sua péssima semana com um pouco mais de sofrimento.

Namjoon entrou na sala e o Min sentiu o estômago revirar. Se ele o irritasse hoje, acabaria sendo colocado para fora, pois seu estresse da semana misturado à raiva pelo professor certamente o faria responder algo bastante mal-educado.

Mas para a sua sorte, assim como na terça, a aula correu bem e o professor não o provocou nem uma vez.

Ele sabia que isso só poderia significar duas coisas: ou Namjoon não estava em um dia bom e não queria discutir com ele hoje, ou estava guardando o que quer que quisesse dizer para o final da aula, quando poderia ser duro o bastante sem envolver os outros alunos.

E foi exatamente isso que aconteceu.

Enquanto passava pela sua mesa o mais rápido possível, o professor o chamou:

— Yoongi! Soube que você está tendo dificuldades com o seu projeto. — Deu um sorrisinho de canto, claramente debochando do mais novo. — Se precisar de ajuda, pode falar comigo.

Yoongi sentiu a raiva lhe subir à cabeça. Droga, ele sabia que não deveria responder nada, não deveria se deixar levar pelas provocações, mas não aguentaria.

— Eu acho que você não está capacitado o suficiente nos quesitos que preciso para desenvolver esse projeto, professor.

O mais velho tensionou, levantando-se da mesa. Se tinha algo que odiava, era quando duvidavam da sua capacidade como profissional. Ele sabia que o aluno só estava provocando, mas mesmo assim, não conseguia ouvir ninguém rebaixando seu conhecimento.

Os poucos alunos que ainda estavam na sala, percebendo a situação e entendendo que os dois teriam mais uma daquelas discussões, saíram o mais rápido possível, e logo eles eram os únicos ali.

— Você deveria aceitar mais a opinião de quem entende, Min. Seus professores só estão tentando te ajudar. Eles não querem que você gaste todos esses anos trabalhando em algo que não vai te dar retorno. — Seu tom era duro, sério.

— Como você pode saber? Como qualquer um de vocês pode saber? Eu não quero fazer algo simples, não quero reaproveitar uma ideia qualquer só para passar. Eu amo isso, professor Kim. Eu amo a Física, eu amo as teorias, eu amo o Universo, eu amo as possibilidades, e se eu quero acreditar em uma delas, qual é o problema? Se eu quiser torná-la real, por que não?

— Porque não é possível, Yoongi. Você tem noção da quantidade de cientistas, físicos, filósofos e experimentalistas que tentaram provar isso? Tentaram e tentam todo dia fazer isso acontecer? Por que é que você, e justo você, conseguiria? Você não acha que confia demais em si mesmo, não?

Yoongi sentia as lágrimas nos olhos, mas ele não ia chorar. De jeito nenhum. Ele nunca choraria na frente do Kim. Nunca. Principalmente se fosse de raiva, por uma dor que ele estava lhe causando.

— Se eu não confiar, quem vai? Quem vai acreditar em mim? Eu sei que é possível, porque simplesmente tem que ser. E se não der certo esse ano, ou ano que vem, ou em qualquer um desses anos da faculdade, eu vou continuar tentando, entendeu?

O professor sentou-se de novo, suspirando e passando a mão no rosto. Apesar de ele não suportar o mais novo, não queria desmotivá-lo mais ainda, não queria tirar dele a única coisa que parecia amar. Mas era necessário. Querendo ou não, Yoongi era um aluno bom demais para ficar perdido em algo que nunca daria certo.

— Você está jogando todo o seu potencial fora. E vai continuar fazendo isso enquanto não desistir dessa ideia. — Seu tom era calmo, para a surpresa do estudante. Ele não esperava aquela calmaria.

— Por quê...? Por que vocês não conseguem ver futuro nisso? Por que não conseguem me deixar ver futuro nisso?

— Porque esse projeto nunca vai dar certo. Pelo simples fato de viajar no tempo não ser possível. Pelo menos não até agora. E você nunca vai conseguir provar isso aqui. Você não tem material, não tem apoio, não tem patrocínio, não tem meios. Seu projeto de TCC de viagem no tempo é totalmente inviável.

Yoongi sentia que ia explodir. E ele lá queria essas coisas, e ele lá precisava dessas coisas agora? Ele só precisava de apoio. Só precisava de alguém que acreditasse nele.

— É possível! É possível sim! Viagem no tempo é possível! É real! E eu vou provar. Eu vou provar para você, professor! — Ele já gritava, sem conseguir se conter.

— Quando? Quando, Yoongi?

— Uma semana. Eu preciso de uma semana.

O professor se recostou na cadeira, rindo de leve em descrença.

— Você vai me provar em uma semana que viagem no tempo é real? Céus, garoto, acorde! Isso é a vida real, entende? Como diabos você faria isso?

— Eu não sei, eu não faço a mínima ideia — falava apressado, as palavras se embolando.

Namjoon suspirou de novo, decidindo entrar na do aluno.

— Certo. Se você fizer isso, acho que nem preciso dizer que vai ser algo tão grande que eu não posso nem oferecer nada em troca... mas, se você por um acaso, conseguir me provar, mesmo que seja em teoria, uma teoria real, possível, eu te ajudo com o que precisar para seu TCC.

Yoongi congelou. Como assim, o professor que mais odiava estava se comprometendo a lhe dar o apoio que precisava? Por que é que ele não estava lhe mandando dar o fora da sala, e nunca mais aparecer em sua aula?

Então a ficha caiu.

Era absurdo. O que ele estava propondo era simplesmente absurdo. Como ele faria isso? Como provaria algo que ninguém tinha conseguido fazer em séculos de pesquisa em uma semana?

Como era burro. Burro e orgulhoso.

— E se eu não conseguir?

O professor sorriu de canto, debochado.

— Se você não conseguir, nunca mais vai implicar comigo ou com as minhas aulas.

Droga. Isso ia ser difícil.

— E... vai mudar o seu projeto.

Ah não. Ah não.

Não o projeto em que ele estava trabalhando há tanto tempo. Não o projeto que o tinha feito entrar para a faculdade de Física.

Não. Ele teria que dar um jeito de fazer acontecer.

— Feito — falou, decidido.

— Terça-feira você me diz o que vai fazer. Sexta, tenha tudo pronto.

E assim, ele teve a certeza de que estava ferrado. Céus, como faria aquilo?

Impulso era uma merda.


Foi o desespero de perder o tão amado projeto e de ter que se humilhar para a pessoa que mais odiava no campus todinho — e agora, talvez no mundo todinho — que o fez trabalhar como um louco o final de semana inteiro.

Conta atrás de conta, ideia atrás de ideia, teoria atrás de teoria.

Ele nem sabia mais o que estava dando certo ou não. Estava doidinho, mais do que já era. Estava perdendo a cabeça.

E quando a segunda-feira chegou, não tinha nada pronto. Nada. Nadinha.

Passou o dia indo de sala em sala, assistindo aula a aula, mas totalmente desmotivado. Totalmente desacreditado.

E se eles estivessem certos?

Depois das aulas, foi devolver os livros que tinha lido na biblioteca, sem muito saco para conversar, o que foi percebido por Seokjin, que gostava do mais novo e queria ajudá-lo de alguma forma.

— O que foi, Yoongi? Não gostou dos livros?

— Eles não tinham o que eu preciso.

— E do que você precisa? Tenho certeza de que há algum livro aqui para você. — O mais velho o olhava com atenção, tentando entender o problema.

— Não tem. Não tem nenhum livro nesse mundo que possa me ajudar.

Que besteira. Aquilo soava como uma piada para o bibliotecário. É claro que havia algum livro para ele. Havia livros para tudo, sobre tudo, para todos e sobre todos. E ele acharia o que o garoto precisava, afinal, era para isso que estava ali.

— Me diz o que você procura, Yoongi. Eu vou te ajudar a achar.

O mais novo suspirou. Ele não queria bater papo. Ele não conseguia bater papo.

— Escuta, Seokjin, acho melhor eu ir e...

— Me diz do que você precisa. — Seu tom era duro. Yoongi engoliu em seco.

— Eu preciso... preciso provar que viagem no tempo é real. Em uma semana. E não faço a mínima ideia do que fazer.

Seokjin ficou encarando-o, pensando, até que saiu de trás do balcão e se dirigiu a uma das prateleiras de Física que Yoongi conhecia tão bem.

— Tem um único livro de Física que eu li na minha vida... — Parou na frente da prateleira e puxou um livro do alto. — “Breves respostas para grandes questões”, Stephen Hawking. Nesse livro ele fala sobre viagem no tempo. Não é nada totalmente físico e teórico, graças a Deus. É criativo, é divertido. Sabe o que ele fez, Yoongi?

O garoto só negou com a cabeça.

— Ele deu uma festa. Uma festa para viajantes no tempo.

— E alguém apareceu?

— Claro que não. Você é idiota? Se tivesse aparecido o mundo tinha mudado, a ciência tinha se revolucionado, todo mundo ia saber.

Yoongi sentiu a raiva se aflorar.

— Qual é, Seokjin? Tá brincando comigo? Eu te peço ajuda e você me manda dar uma festa? — falou alto, irritado.

— Eu tô tentando, ok? E não acho que você tenha muita opção agora. E pensa bem, se não der certo, pelo menos você vai comer umas coisas gostosas.

Que inferno de ideia mirabolante. Nunca daria certo. Se não deu para o Stephen Hawking, um dos maiores gênios da História, ia dar para si? Ele tinha que estar muito desesperado para tentar uma coisa assim.

E ele realmente estava.

É por isso que no mesmo dia alugou uma sala vazia no segundo andar para dar a sua festinha.


Na terça-feira, sentia-se mais nervoso do que nunca.

Quando a aula de Física Quântica acabou, começou a guardar as coisas bem devagar, como sempre fazia. Mas dessa vez não queria evitar a aula por birra, e sim porque sabia o que ia ter que ouvir do professor.

— Querido? — Munhee se aproximou de sua carteira. — Você não parece irritado com a aula hoje. Acho que você está fugindo de outra coisa, estou certa?

O garoto suspirou. Ele não queria falar daquilo com ela. Não porque achava que a mais velha seria uma má ouvinte, e sim porque não aguentaria desmotivação vindo dela. Não dela.

Mas seu tom era tão doce, e Yoongi amava quando ela falava assim.

Então ele apoiou o queixo na mão e fez um bico, sentindo-se mal pelo o que ia falar.

— Eu acho que fiz besteira, senhora Munhee... E vou ter que desistir do meu projeto, e... — Fechou os olhos, agoniando-se só de imaginar a cena. — E... vou ter que concordar com o professor Kim.

— E por que faria isso? — Ela parecia realmente preocupada.

— Porque eu preciso provar uma coisa que não consigo provar. E vou fazer isso do jeito mais bobo possível.

Ela sentou-se ao seu lado e fez um curto e leve afago em seus cabelos.

— E o que você vai fazer?

— Uma festa... para convidados que não podem aparecer.

— E como você sabe que eles não podem aparecer?

— Porque é fisicamente impossível.

— Oras... Apenas anuncie no lugar certo, da forma certa. Deixe-os interessados.

— Acho que, mesmo que eles se interessem, não vão poder vir.

— Querido, você nunca vai saber até tentar. Quem sabe algum deles venha? Convide-os, e dê a melhor festa que você poderia dar.

E assim, ele se sentiu um milhão de vezes melhor. Como aquela mulher era incrível.

Tomou coragem, segurou a mão dela e, olhando nos seus olhos, disse:

— Obrigado.

Foi com esse pingo de motivação que conseguiu contar a ideia para o Kim, aguentar suas risadas e seu deboche extremo e fazê-lo pagar pelas comidas.

— Certo, sexta-feira à noite, sala nove. Você leva as comidas — anunciou, ignorando os risos do professor.

— O quê? Por que eu levo a comida?

— Porque eu vou literalmente usar todo o dinheiro que sobrou essa semana para pagar os refris.

E antes que o mais velho pudesse retrucar, ele correu para porta, gritando:

— Te vejo sexta, traz alguma coisa decente.

Naquela noite ele anunciou em todas as redes sociais, no fórum da faculdade e na manhã seguinte chegou mais cedo para colocar no painel de avisos o seguinte anúncio:

“Sexta-feira, dia nove de abril, das dez à meia-noite, ocorrerá uma festa na sala nove do segundo andar.

Será simplesmente a festa mais revolucionária de todas.

Entrada permitida apenas para viajantes no tempo.

Favor, usar vestimentas formais.”


21:55. Os dois únicos convidados presentes estavam sentados um de frente para o outro, dividindo uma pizza e uma Coca-Cola.

Namjoon vestia um terno preto liso, e complementava as vestimentas com uma linda gravata borboleta.

Yoongi vestia um terno marrom antigo, que pediu emprestado para o vizinho velhinho, ignorando que as mangas eram mais longas do que seu braço.

Nos dez minutos que haviam passado juntos, tinham trocado pouquíssimas palavras. E nenhum deles achava que ia aguentar nem mais cinco minutos assim.

Então os assuntos começaram a rolar.

Naquela noite, os dois se permitiram conversar sem brigar, sem se provocar. Apenas trocaram informações, indicações de livros e descobriram o amor em comum por Doctor Who.

Isso realmente os espantava — especialmente Yoongi, que tinha tanta dificuldade de conversar — mas ambos estavam gostando de bater papo daquele jeito.

A conversa parou no meio quando a porta se abriu e um garoto colocou a cabeça para dentro.

— E aí? A festa tá rolando?

— De quando você é? — perguntou Yoongi.

— Hã... Ano 3000...?

— Vaza daqui.

Essa cena se repetiu mais algumas vezes durante as horas seguintes. Vezes o suficiente para os dois se cansarem a ponto de mandarem quem quer que batesse na porta vazar antes mesmo de entrar.

Durante a conversa, não tocaram em nenhum momento no assunto de como aquilo havia falhado, ou de como Yoongi teria que desistir de seu projeto e de tudo o que queria alcançar.

Pelo menos, não até agora.

00:00. Seu tempo havia acabado.

— Yoongi — começou o professor —, eu realmente sinto muito. Mas todos nós te avisamos. Isso nunca daria certo, e você sabe disso. Se viagem no tempo for algo possível, não é agora que nós vamos descobrir.

Suspirou, torcendo os próprios dedos.

— Não pense que eu faço isso por mal, ok? Nós brigamos muito sim, mas não posso negar que você é um cara muito inteligente. Só acho que tem que usar essa inteligência para algo que realmente valha a pena.

Yoongi não sabia o que responder. Não queria responder.

Droga. Ele queria tanto que fosse real. Tanto.

Não estava tão triste pelo fato de ter perdido para o professor, nem por ter que parar de confrontá-lo. Ele só queria que desse certo. Queria que fosse real.

Não que ele acreditasse de fato que aquela festa seria um sucesso, mas ele se agarrava àquele momento como sua última esperança de que um dia poderia fazer aquilo se tornar real.

— Minha proposta de ajuda com o TCC ainda está de pé — falou, surpreendendo o aluno que o olhou com os olhos arregalados. — Não para o mesmo projeto, mas eu vou te ajudar com alguma outra coisa, se precisar.

O professor se levantou, ajeitando o terno e esticando as pernas.

Yoongi tinha lágrimas nos olhos. Tinha acabado. A sua chance de fazer história naquela faculdade estava morrendo ali, naquele instante.

Começou a fechar as duas caixas de pizza abertas e jogar os copos e pratinhos no lixo, piscando para afastar as lágrimas.

Nunca tinha se sentindo tão mal em toda a sua vida.

Virou-se de costas para tomar coragem. Ele não conseguiria dizer aquilo para seu professor se estivesse o olhando.

— Professor Kim... eu... na verdade, obrigado. Eu também não te odeio. Você é um profissional incrível.

Seu rosto pegava fogo. Onde é que havia arranjado coragem para falar aquilo?

— Ah, Yoongi, eu...

A porta da sala abriu-se de supetão, fazendo os dois se virarem para olhar, e um homem baixinho, loiro, de olhos puxados e usando um smoking azul entrou apressado.

— Desculpem o atraso, tive uns problemas com o buraco de minhoca. A festa já acabou?


Yoongi se sentia irritado. Sua noite já estava ruim o bastante. Para terminar, precisava lidar com mais um garoto engraçadinho?

— Olha, cara, acabou. Se você veio tirar sarro ou algo assim, tá atrasado, pode ir embora — falou.

— Poxa... — O loiro olhou para baixo, trocando o peso de uma perna para a outra. — Eu sei que passou um pouquinho do tempo, mas foi realmente um problema para vir! Não tem como a gente ficar só mais um tempo? Eu vim de muito longe pra cá, sabe?

— Ah é, e de quando você é?

— 2119. Exatamente cem anos no futuro. Sem tirar nem pôr um dia.

— E como você garante isso? — perguntou o professor, cansado do que achou ser uma brincadeira.

— Eu tenho provas! Esperem um pouco... Posso me sentar?

— Hum... Pode.

O estranho sorriu, parecendo aliviado, e encostou a porta antes de se sentar numa cadeira, logo sendo acompanhado do universitário.

— Ok, eu achei que a gente fosse aproveitar a festa antes e tal... mas já que insistem, eu mostro pra vocês.

Abaixou a cabeça e mexeu no olho, como se estivesse tirando um cisco, até que o levantou de novo, piscando incomodado. Em seu dedo, segurava algo fino e curvado como uma lente.

— Parece meio nojento, mas eu juro que é bem limpinho. Coloca. — Estendeu para Yoongi.

Antes que pudesse falar mais alguma coisa, Namjoon começou a rir alto. Ele parecia se divertir tanto com a cena que teve que se sentar de novo.

— Ah, céus... Não acredito nisso, Yoongi. Você pagou esse garoto para vir até aqui? Olha, isso é meio absurdo, mas eu admito que estou surpreso por você ter ido atrás de alguém para fazer isso.

O rosto do Min pegou fogo e ele logo tratou de se defender.

— E-eu... Eu não paguei nada! Eu nem conheço esse garoto! Nunca vi ele, nem sei o nome! — falava ele rápido e embolado, tentando se justificar.

— É claro que eu acredito, Yoongi. É claro. — Suspirou, limpando as lágrimas dos olhos. — Estou imaginando a cena, você explicando para ele como chegar, falar que é do futuro... — Voltou a rir.

— Escuta, Kim, eu não sei do que você tá falando. Eu juro que nunca vi esse cara na minha vida.

Jimin só observava os dois, o dedo ainda estendido e a paciência acabando.

— Olha, você... — Namjoon foi cortado pela voz doce soando irritada.

— Coloca isso. Coloca essa lente agora.

— Você está doido, garoto? Isso é totalmente anti-higiênico!

— Não, essas lentes, não. Elas são desenvolvidas exatamente para isso. — Estendeu a mão de novo. — Você queria uma prova, ela está aqui.

— Eu não vou pôr isso!

Yoongi estendeu a mão e pegou a lente com o dedo. Estava totalmente irritado. Se o loiro tinha ido até ali, enchido o saco dos dois e feito o professor achar que estava tirando uma com a sua cara, então ele deveria ter uma desculpa muito convincente.

— Eu coloco. — Ajeitou a lente no olho, piscando algumas vezes para afastar o incômodo.

— Agora pense em ligar.

— Hã?

— Só pense em ligar, como se estivesse ligando uma tela de celular.

Quando fez isso, não pode contar um arfar surpreso.

Em sua frente se abria uma tela, como se fosse uma projeção. Algumas opções em ícones apareciam nela. Uma câmera, uma filmadora, um ticket de cinema.

— Que porra é essa? — Estendeu a mão e se desequilibrou ao tentar tocar a tela.

— Ela não está aqui de verdade, seu tapado. Está na lente.

— Yoongi? — perguntou Namjoon um pouco assustado.

— A câmera é para tirar fotos, a filmadora é para gravar vídeos, o ticket é para assistir filmes e vídeos.

— Como eu...?

— Foca no ícone que você quer. Tenta na câmera. — Esperou-o fazer para continuar as instruções. — Agora é só olhar e piscar, você vai tirar uma foto. Ela vai para a memória do meu minicomputador.

— Minicomputador? — perguntou.

— Eles têm um nome, mas você não ia entender. Só me deixa usar esse termo mesmo.

Yoongi tirou a lente com o dedo, e entregou para Namjoon.

— Coloca.

Quando o fez, seguindo as instruções do estranho para ligar, não pôde conter um suspiro surpreso.

— Puta merda... — Tirou a lente, devolvendo-a para o loiro. — Como você fez isso?

— Vai ficar bem popular lá para os anos 2100 e tal, depois vão ter algumas mudanças. Esse modelo é mais antigo mesmo, não tem jogos nem nada, só filmes.

Yoongi e Namjoon trocaram um olhar surpreso. Como prosseguir? Nenhum deles estava esperando aquilo.

— Já é o suficiente pra vocês ou querem mais provas?

— Você tem mais? — Namjoon parecia estar surpreso e assustado ao mesmo tempo.

Ao invés de responder, o garoto começou a mexer no pulso, como se estivesse procurando algo, até que puxou um fio fino, tão fino quanto um fio de cabelo.

— Estende o braço. — Virou-se para Yoongi.

Ele o fez sem falar nada, atordoado com tanta informação. ­

Em seu pulso, o estranho colocou o fiozinho e, com o dedo, desenhou um leve ziguezague no braço do outro.

— É a senha — explicou.

Assim como a projeção da lente, em seu braço parecia haver uma tela de celular, porém não-física.

— Esses são os aplicativos. Você pode entrar em qualquer um, ok? Menos o SS.

— SS? — perguntou Namjoon, aproximando-se para olhar no braço do aluno.

— É... É uma abreviação para Social Self... Não julguem, ok? Os nomes das redes sociais continuam sendo péssimos em 2119. Igual “Facebook”. É péssimo.

— Você conhece o Facebook? — perguntou Namjoon novamente.

Yoongi parecia estar perdido. Não abria a boca para comentar nada, tentando processar aquelas informações da forma mais sã possível.

O loiro tirou o fio de seu braço e voltou para o próprio.

— Olha, eu sei que vocês estão animados e tal, mas nós podemos comer? Eu estou doidinho para provar a pizza dos anos 2000 — comentou, olhando para a caixa esquecida em uma das mesas. — Ah, e me desculpem minha falta de educação! Eu sou Park Jimin.

Sorriu, fechando os olhinhos.

— Eu sou Namjoon e... — Olhou para o aluno, que encarava Jimin como se estivesse hipnotizado, percebendo que ele não ia responder. — Esse é o Yoongi.

— Eu estou louco? – perguntou Yoongi de repente.

— Claro que não. — Riu o outro, servindo-se de uma fatia da pizza de muçarela. — Só é muita informação, eu imagino. Mas você está bem.

— O que você está fazendo aqui? É... Quer dizer... por que aqui? Agora? 2119, essa festa?

— Oras, você me chamou — fez uma pausa, fechando os olhos. — Aliás, essa pizza é uma delícia!

— E-eu sei que chamei! Mas... mas Stephen Hawking também chamou! Por que aqui, nessa festinha numa sala vazia da faculdade, e não com um dos maiores cientistas da história?

Jimin deu um sorrisinho de canto e soltou uma risadinha nasalada antes de responder:

— É que você é bem mais bonitinho.

— Hã? — O garoto parecia ter entrado em choque.

— É... Jimin! — Namjoon tentou chamar a atenção do loiro. — Afinal, o que você está fazendo aqui? Sem querer ser rude, mas... você não tem um propósito maior do que esta festa ou algo do gênero?

— Hum, tenho sim — pausou para morder a pizza de novo. — Estou fazendo o TCC da faculdade.

— Espera, é sério? Em 2119 as pessoas vão viajar no tempo para fazer trabalho de faculdade? — perguntou Yoongi perplexo.

— Vão, mas só para o futuro. — Sorriu, parecendo orgulhoso. — Eu fui o primeiro a viajar para o passado! E se eu fotografar tudo bonitinho, com certeza eu e o grupo vamos fechar com dez!

— Como assim o primeiro a viajar para o passado? — perguntou novamente.

— No meu ano, viajar para o futuro já vai ser algo possível e alguns cientistas e pesquisadores conseguem fazer... Tem todo um processo do governo para documentar e fiscalizar e tal, mas já acontece. Só que para o passado só existe em teoria... ou existia, porque agora estou aqui!

— E como é que você, um estudante, conseguiu fazer isso antes de um monte de cientistas? — perguntou Namjoon.

— Nós também somos cientistas, ok? — Fez um bico irritado e deu a última mordida na pizza que estava em sua mão. — A gente tá trabalhando nesse projeto desde antes de entrar na faculdade. A gente, eu e mais dois amigos, quero dizer. Nós tínhamos um objetivo muito importante. Entende?

Seu olhar estava focado em Yoongi, como se a pergunta fosse feita diretamente para ele, que respondeu, baixinho:

— Sim... e como.

— E quanto tempo você vai passar aqui?

— Eu tenho exatos 20 dias para documentar tudo o quanto eu conseguir. E com isso eu quero dizer, comidas, pessoas e música.

O professor sorriu, divertindo-se.

— Eu não sei nem o que dizer. Essa situação é muito absurda e eu ainda não sei se acredito nessa história, mas se você for mesmo um viajante do tempo, deve querer ver muitas coisas.

— Pode apostar!

— Isso quer dizer que... nós vamos virar história? — perguntou Yoongi, parecendo pensativo.

Jimin olhou sério para ele, o ar divertindo se perdendo com a pergunta.

— Vocês já são.

— Como assim?

Antes que o loiro pudesse responder, o celular de Namjoon tocou e ele foi até o outro lado da sala para atender.

Yoongi queria tentar puxar conversa com o estranho. Apesar de ser um pouco difícil, ele realmente estava curioso demais para se manter quieto.

— Como seria possível vocês viajarem para o futuro?

— Nós, no caso — corrigiu simpático. — Aceleração de partículas, juntando matéria e antimatéria. Eu realmente não posso dizer mais do que isso, desculpa. Tem todo aquele negócio de alterar o passado e tudo mais.

O Min apenas assentiu com a cabeça, observando seu professor se aproximar deles novamente.

— Eu vou precisar ir para casa, minha esposa está me esperando e não posso ficar muito mais. Eu posso dar uma carona para vocês, se desejarem.

— Por mim tudo bem!

— Ok, mas onde ele vai ficar? — Yoongi apontou para Jimin.

— Com você.

— O que? Por que comigo?

— Você chamou, você cuida.

— Você está me dizendo que vou ter que tomar conta dele em todos esses vinte dias que ele estiver aqui?

— Vai te incomodar? — perguntou o outro, parecendo um pouco chateado. — Se for, eu posso arranjar outro lugar para ficar.

— Não, não. Tenho certeza que o Yoongi não se incomoda, não é? — Olhou para o aluno, arregalando os olhos, como se tentasse fazer com que concordasse.

— Mas eu nem sei se ele é um maluco! E se ele tentar me matar a noite? E se ele não foi de 2119 coisa nenhuma? Você quer pôr a vida do seu aluno em risco? — rebateu o mais novo.

— Aquelas provas não foram suficientes para vocês? E não, eu não sou um maluco.

O tom de Jimin era mais irritado, conforme ia observando aquela conversa sobre ele, em que os outros dois o excluíam totalmente.

— Eu não sei se posso confiar! Eu não te conheço, e se for?

— Yoongi — começou Namjoon —, é mais perigoso ele solto do que com você.

— E se você ficar comigo eu te conto um monte de coisas de 2119!

— Por que é que vocês estão concordando? — exclamou o universitário.

— Porque eu quero ficar com você! — disse Jimin.

— Porque eu quero que você fique com ele! — disse Namjoon. — Eu não sei de onde esse garoto é, mas se ele está aqui é por culpa dessa sua ideia engraçadinha de festa. O mínimo que você pode fazer agora é cuidar dele.

Yoongi suspirou cansado e derrotado. Afinal, se Jimin estava ali era de certa forma culpa sua.

— Ok... Mas se alguma coisa acontecer, qualquer coisa, eu vou te ligar, professor Kim. E é melhor você me atender!

— Feito. — Namjoon se levantou, juntando suas coisas e jogando a sujeira de cima da mesa no lixo. — Agora vamos.


O caminho até o apartamento de Yoongi foi tenso.

Namjoon e Yoongi se sentaram na frente no carro, e Jimin ficou no banco de trás, observando maravilhado a paisagem pela janela.

— Tem tanta coisa diferente! Uau!

— Jura? O quê? — perguntou Yoongi, curioso e tentando começar uma conversa.

Se iam passar tantos dias juntos, era melhor ele tentar deixar a falta de tato para conversas de lado, senão aquilo seria um caos total.

— A gente quase não tem mais casas lá, são todos apartamentos bem apertadinhos, e muitos deles são só de lojas. É difícil ver lojas grandes como essas no meio da rua.

— Que pena, eu acho... — falou.

— Por quê? — Jimin não o olhou, mas seu tom era de real dúvida.

— Deve ser uma visão meio triste, não? Tudo igual, reto, para cima.

— Hum... até que é um pouco, mas para mim era normal. Nunca tinha visto a cidade assim na vida real. Só em fotos.

O resto do caminho foi silencioso. As cabeças do professor e do aluno trabalhando a mil, e Jimin observando as ruas pela janela.

Em poucos minutos, os dois já desciam na frente do apartamento do Min.

— Qualquer coisa, me liguem — avisou Namjoon antes de destrancar as portas para os dois saírem. — Vejo vocês na terça, espero.

Quando ambos já estavam fora do carro, abaixou a janela e pediu para Yoongi se aproximar, enquanto Jimin observava os prédios e as ruas.

— Amanhã cedo vou te ligar e nós vamos levá-lo para a delegacia — sussurrou. — Temos que descobrir se ele é algum fugitivo ou está desaparecido... ou algo assim. Me passa seu telefone.

O mais novo o fez e logo em seguida, os dois jovens subiam as escadas até o sexto andar, onde morava. O prédio não tinha elevador, então teriam que utilizar o caminho mais cansativo, mesmo.

— Quantos anos você tem? — perguntou Yoongi, tentando quebrar o gelo.

— Vinte e dois. E você?

— Vinte...

Droga, ele tinha muitas coisas para perguntar, mas por onde começar?

— Sabe, isso é muito legal. Todo esse lance de escadas e tal. No meu tempo tudo é elevador, escadas rolantes ou rampas de levitação, é bem difícil precisar usar escadas assim.

— Uau... eu queria viver em um tempo onde não preciso subir seis lances de escada todos os dias.

O loiro riu divertido, enquanto terminavam de subir os últimos degraus.

— Esse aqui é o meu apartamento. É bem apertadinho, mas é confortável. Fica à vontade — comentou assim que a abriu a porta, deixando o outro entrar na frente.

— Obrigado... Uau!

Jimin deixou os sapatos na porta, apressado, e começou a andar pelo apartamento, resmungando para si mesmo.

Em alguns momentos, parecia surpreso, em outros animado, dando risadinhas. Ele parecia estar em outro mundo enquanto explorava o apartamento.

— Muitas coisas diferentes? — perguntou Yoongi, divertindo-se.

— Pode apostar!

Enquanto o loiro continuava sua expedição, Yoongi aproveitou para separar algumas roupas para ele.

— Jimin... Você quer tomar um banho? Eu separei algumas roupas pra você... eu acho que cabem.

— Ah, obrigado, Yoongi. Quero sim. Me explica como funciona o chuveiro?

Depois de explicar como Jimin deveria usar o chuveiro pequeno com cuidado para não molhar todo o banheiro, e acabar se encharcando quando ele ligou sem querer, Yoongi colocou seu pijama e o esperou sentado na sala.

Sua cabeça parecia não processar mais nada. Ele não queria saber se tudo aquilo era real ou não. Mas, se fosse de verdade, isso significava que ele estava certo, e que viagem no tempo era possível, real, e estava muito próximo de acontecer. Apenas cem aninhos no futuro.

E significava também que ele não precisaria desistir de seu projeto!

Céus, ele não desistiria de seu TCC!

— Yoongi? Onde vamos dormir? — A voz calma de Jimin interrompeu seus pensamentos.

— Você... você pode ficar com a minha cama. Eu fico aqui no sofá.

— O quê? Não, de jeito nenhum!

— Fica tranquilo, Jimin, eu vivo virando noites aqui.

— Não é isso... — O rosto do loiro ficou um pouquinho vermelho. — É que eu não quero dormir sozinho... Não que a gente precise dormir na mesma cama! Não é disso que eu estou falando, não entende errado, por favor! Só... você tem algum colchão extra ou algo do tipo, pra eu dormir? É que realmente estou com um pouco de medo... Eu não gosto de ficar sozinho. Principalmente em lugares novos. Desculpe por isso.

Yoongi não conseguiu se conter em achar fofo, mas também compreendeu. Poxa, aquele garoto estava mais longe de casa do que qualquer outra pessoa havia estado.

E foi assim que terminaram os dois na cama de solteiro. Um de cabeça para cima, outro de cabeça para baixo. Os pés de um do lado do rosto do outro.

Nenhum deles havia compartilhado uma palavra, até que Jimin perguntou:

— Yoongi... Amanhã a gente pode ouvir música?

— Hum? É claro... — respondeu meio grogue.

— Que tipo de música você escuta?

— Rock, eletrônica... E você?

— Eu gosto de POP.

— Dos anos 2119 ou 2019?

— De 2010, por aí, na verdade.

— Você só pode estar de brincadeira. — Yoongi riu baixinho.

— Não me julgue. Lady Gaga para mim é o The Beatles de vocês.

Depois disso, ficaram quietos de novo e o mais novo quase dormia quando ouviu o loiro o chamando de novo:

— Yoongi...

— Oi?

— E nós podemos comer?

— Podemos... — Sentiu-se um pouco mal em simplesmente acabar a conversa, então decidiu tentar puxar assunto. — Você realmente gosta de culinária, né?

— Eu amo... Era a coisa que eu mais queria conhecer aqui.

Yoongi quase dormia de novo quando Jimin o chamou pela terceira vez:

— Yoongi?

— Hum? — perguntou sonolento e em um tom irritado.

— Vocês... — parou, considerando se realmente iria perguntar aquilo. — Vocês ainda usam “supimpa”?

— O quê...? Claro que não, isso é mais velho que eu — resmungou enrolado.

— Que pena... Eu amava essa gíria. Sabe... eu estudei muito o vocabulário dessa época. Estou conseguindo me expressar direito?

— Tá sim, eu acho. Contanto que você não diga “supimpa” ou me chame de “tapado” de novo, vai estar indo muito bem.

E dessa vez, dormiram para valer.


Na manhã seguinte, Yoongi acordou como em todas a outras. Esticou os braços, depois as pernas e... chutou algo. Seus olhos se abriram de uma só vez e ele levantou o tronco rapidamente.

O loiro dormia abraçado a uma de suas pernas, com a bochecha apoiada em sua canela. Era como se Yoongi fosse um ursinho de pelúcia. Ele imaginava como ia escapar quando seu celular tocou, o som alto ressoando pelo quarto.

Jimin resmungou, virando-se para o outro lado e enfiando a cabeça no travesseiro. O Min aproveitou para se levantar e pegar o celular, indo atender na sala para não acordar o mais velho.

“Alô.”

“Alô. Yoongi?”

“Sou eu.”

“É o Namjoon. Estou te ligando para saber se está tudo bem e para saber quando vamos levar Jimin na delegacia.”

“É... eu não sei... Está tudo ok por aqui, ele ainda tá dormindo. Mas, professor, acho que a gente não vai conseguir levar ele para a delegacia se dissermos o que vamos fazer.”

“Eu sei. É por isso que você vai levá-lo para ir comer fora e pesquisar sobre o que quer que ele queira sobre o... ‘nosso tempo’. Quando chegar no centro, me liga, que logo eu te encontro por lá.”

“Hum? Ok... Que horas a gente faz isso?”

“Vá umas onze horas. Não posso sair muito tarde hoje, tenho que resolver algumas coisas da faculdade quando terminar com vocês. Não demorem, sim?”

“Ok, relaxa. Eu te ligo de lá.”

Jogou o celular no sofá e passou a mão pelos cabelos. Mal havia acordado e já tinha que lidar com todo esse problema.

— Yoongi?

— Jimin? — Virou-se para ver o garoto parado na porta do quarto, coçando os olhinhos ainda cansados.

— Achei que você tinha saído. Acordei sozinho, fiquei assustado. Você se levantou agora ou ficou muito desconfortável de noite?

— Ah, fica tranquilo. Acabei de levantar. Quer tomar café?

— Uhum.

O loiro ainda parecia meio lento enquanto iam para a cozinha. O garoto se sentou na mesinha de dois lugares que cabia ali e ficou olhando Yoongi abrir os armários.

— A gente tem cereal e... cereal. É. Só isso. Pode ser?

O garoto sorriu, assentindo. Ele parecia animado em experimentar algo diferente, mesmo que parecesse tão simples. E no final, acabou gostando mais do que o esperado. A comida industrializada era muito mais doce do que a de sua época.

Mas sua animação com o café da manhã nem era comparada a de quando Yoongi disse que iriam sair para almoçar fora e que ele poderia tirar fotos e experimentar coisas para seu trabalho.

O caminho no ônibus foi bastante divertido. Como era um sábado de manhã, estava praticamente vazio, então o loiro passou o caminho inteiro alternando entre ficar de pé e se sentar ao lado do mais novo que o observava, achando engraçado sua animação com algo tão simples.

Se ônibus no futuro fossem coisas tão incomuns assim, Yoongi definitivamente queria conhecer o que estava no lugar.

Mal desceram no centro quando Jimin começou a pedir para parar várias vezes para que pudesse fotografar as coisas mais interessantes que via — que pareciam ser muitas. O Min o observava encarar as coisas a sua volta, conforme as fotografava com sua lente.

Jimin era indiscutivelmente bonito. Seu cabelo loiro parecia ser bastante sedoso, seus olhos eram lindos, seus lábios eram tão belos e chamativos que ele tinha medo de passar muito tempo os encarando e parecer maluco, e suas mãozinhas eram simplesmente a coisa mais fofinha do mundo.

— Yoongi! Vamos parar de novo? Você me deixa tirar foto naquela loja, por favor?

E é claro que ele deixava.

Conforme a manhã foi passando, Yoongi se via mais e mais animado em estar andando com Jimin. As conversas não eram longas, mas eram bastante naturais. As observações do loiro eram superinteressantes e até mesmo o surpreendiam.

O tempo passava rápido e a companhia de Jimin era cada vez mais confortável.

— Jimin, eu vou fazer uma ligação rapidinho, não se afasta muito — avisou para o outro, que tirava mais fotos.

“Alô, professor Kim?”

“Oi Yoongi. Tudo bem aí? Já estão no centro?”

“Já... mas, sabe professor, não precisa vir. Você disse que ia estar ocupado mais tarde. Pode ir fazer o que precisava fazer. Não se preocupa. Eu ainda vou levar ele para almoçar antes de ir para a delegacia, não sei o quanto vai demorar lá. Se precisar de ajuda, eu te ligo, ok?”

“Você tem certeza? Eu não sei se é uma boa ideia.”

“Eu tenho vinte anos, professor. Posso cuidar disso. Qualquer coisa eu te ligo. Deixe, que eu o levo para a delegacia.”

“Ok, não hesite em me ligar se houver algum problema.”

Na verdade, Yoongi não o levaria para lugar nenhum.

O garoto parecia tão animado em estar em contato com sua realidade que, se não fosse do futuro, realmente deveria ser de algum lugar muito longe dali, então decidiu que, se ele só tivesse vinte dias para aproveitar, então que o fizesse.

— Está gostando do seu tteokbokki?

— É uma delícia! Por que não temos mais coisas assim lá? — reclamou, terminando o seu espetinho.

Yoongi se limitou a rir. Até agora já haviam parado em três barraquinhas, e Jimin parecia gostar igualmente de todas.

— Posso provar o seu?

— Hã... Pode...

Jimin se inclinou para perto do outro e mordeu seu espetinho. Sua mão acabou segurando a de Yoongi sobre o palito para ganhar equilíbrio.

O mais novo sentiu o rosto esquentar e olhou abismado para o loiro quando ele se afastou, que, percebendo os olhos arregalados que se desviaram para as mãos juntas, sorriu sem tirar a sua.

Yoongi era uma fofura.

Soltou sua mão da dele só para estendê-la em sua direção.

— No caminho para cá vi um moço arrumando o violão. A gente pode ir ver se ele vai se apresentar?

O outro olhava para a mão estendida e apenas assentiu com a cabeça quando colocou sua própria sobre a dele. De mãos dadas, foram até a pracinha onde o homem já tocava algumas músicas.

E se tinha uma coisa que o loiro parecia gostar quase tanto quanto comidas, era música. Ele pulava e remexia no ritmo do violão e assim que o músico fez uma pausa, foi cumprimentá-lo.

O sorriso que não saía de seu rosto enquanto fazia isso parecia ser a coisa mais linda que Yoongi vira o dia todo.

O resto do final de semana acabou passando bem rápido. Jimin e Yoongi saíram os dois dias para que o mais velho conhecesse, provasse, fotografasse.

Quando Namjoon o ligou de novo, no sábado de noite, Yoongi apenas inventou que a polícia estaria investigando para saber se havia algum dado de procura de desaparecidos sobre ele. E agora, estavam jogados no sofá, assistindo Doctor Who.

O mais novo insistiu em apresentar sua amada série para o loiro, que disse haver se apaixonado pela “TV antiga”.

— Os efeitos são tão ruins. — Riu divertido. — Não acredito que você acha isso realmente bem feito.

— Nunca disse que achava bem feito. Disse que achava legal.

O loiro riu, fechando os olhinhos do jeito que Yoongi parecia adorar cada vez mais.

O episódio corria quando tomou coragem para falar:

— Jimin, amanhã eu preciso ir para a faculdade...

— Você vai me deixar sozinho? — O tom alarmado e os olhinhos arregalados o fizeram se sentir mal.

— Não, não... Eu quero saber se você pode ficar em um lugar enquanto eu tenho aulas... É por lá mesmo, e depois nós voltamos juntos para casa.

— Que lugar?

— A biblioteca. Tem um... — Ok, amigo não era a palavra certa para descrever Seokjin, mas Yoongi não queria deixar Jimin ainda mais assustado. — Um amigo meu trabalhando lá. Você pode fazer um monte de perguntas para o seu trabalho enquanto fica por lá... pode ser?

O loiro passou um tempo olhando para a televisão, antes de responder baixinho:

— Uhum... Mas depois você vai me buscar, não é?

— Vou.

Ficaram em silêncio por mais um tempo, até Jimin se aproximar e encostar a cabeça no seu ombro.

— Eu... posso?

Yoongi sentiu o corpo tensionar com a aproximação inesperada e teve que forçar as palavras para que saíssem.

— Pode...

— Tudo bem mesmo?

— Uhum.

Passaram mais alguns episódios daquele jeito. Jimin foi se aproximando mais, as mãos segurando os braços de Yoongi, que encostou sua cabeça na dele.

Quando sentiu seus olhos pesarem, decidiu que era hora de perguntar o que estava o deixando tão curioso, antes que dormisse de vez.

— Por que você tem tanto medo de ficar sozinho?

Jimin respirou fundo algumas vezes antes de responder:

— Porque eu demorei demais para te encontrar, e a ideia de te ter longe de novo é assustador. Quero que fique do meu lado dessa vez.

— O quê? Do que está falando?

Mas o outro não respondeu, e mesmo que estivesse surpreso e assustado, Yoongi não conseguiu se conter, e logo caiu no sono.

Na manhã seguinte, Yoongi tinha certeza que nunca tinha sentido tanta dor em toda a sua vida. Suas costas doíam absurdamente e mal conseguia mexer seu braço, no qual Jimin dormira. O loirinho não estava muito diferente. Tudo doía.

Dormir no sofá tinha sido uma péssima escolha, considerando que agora teriam que levantar e se arrumar correndo, porque, além de doloridos, estavam muito atrasados.

O caminho, que normalmente era muito cansativo para o mais novo, tinha sido muito divertido. Se Jimin havia se animado no ônibus, céus, no metrô nem se fala.

— Yoongi, você tem certeza que está tudo bem eu ficar aqui com o Seokjin? Não vou atrapalhar o trabalho dele? Ele não vai me achar doido se eu contar que sou do futuro?

— Primeiro, se acalma. — Riu, divertindo-se com a animação do loiro. — Não, o Seokjin não vai se importar... eu acho... E você não pode contar nadinha pra ele sobre vir do futuro. Diz que é meu primo ou algo assim, ok?

— Hum... ok. Se eu precisar falar com você, o que tenho que fazer mesmo?

— Pede pra ele me ligar. — Tirou um papelzinho rasgado com seu número anotado do bolso. — É esse número aqui.

Pararam na frente da porta da biblioteca, Jimin torcendo os dedinhos de nervoso.

— Fica tranquilo, vai dar tudo certo. — Só que nem ele sabia se ia realmente dar.


No final, realmente deu. Jimin e Seokjin pareceram se adorar, a manhã e a tarde passaram muito rápido para eles, cheias de conversas, piadas e comentários sobre as mais diversas coisas.

Jimin adorou conhecer Seokjin — ou, como o chamava agora, Jin — e conhecer mais sobre os anos 2000. Seokjin adorou conversar com Jimin e conhecer mais sobre os amigos — ou, como acreditava, primo — de Yoongi.

Já para este, o dia foi um enorme tormento. Sua cabeça não parou nem um segundo sequer. Ele não conseguia parar de pensar no que Jimin havia dito na noite anterior e no final de semana que havia passado com ele.

Sua companhia era estranhamente agradável e o tempo correu super-rápido nos dois dias anteriores. Ele nunca havia imaginado que gostaria tanto de passar o tempo com alguém, ou que o simples fato de conviver com outra pessoa fosse tão agradável.

Por algum motivo que ele definitivamente não entendia, estar com Jimin era bom. Era diferente de estar entre todas as outras pessoas.

Quando estava na companhia de alguém, ele se sentia nervoso, inconstante, confuso sobre o que dizer e não dizer, mas com o loiro tudo parecia fluir mais levemente. As conversas eram legais e o tempo que ficavam em silêncio não o fazia querer dizer algo só para evitá-lo.

E, que droga, por que é que ele ficava tão tímido quando o loiro o tocava?

Foi com esses pensamentos que ele saiu da sua última aula do dia. Cansado e com dor de cabeça por tanto refletir e se questionar.

Quando chegou na biblioteca, se deparou com os dois recém-amigos conversando perto do balcão, e logo se viraram para o cumprimentar.

— Yoongi! — Jimin acenou, sorrindo com os olhinhos.

— E aí, garoto? Seu primo é um cara superlegal, conversou comigo o tempo todo, ao contrário de você.

— Dá um tempo, Seokjin. — Ajeitou a mochila nos ombros. — Vamos, Jimin?

— Uhum. — O garoto correu para seu lado, acenando para Jin enquanto saíam. — Como foram suas aulas, Yoongi?

— Hum? — A pergunta o pegou de surpresa. — Foram legais... Eu curto muito essas coisas, sabe? Física, Química, todas essas teorias.

— Eu também gosto muito disso. Eu preferia Química, mas uma coisa me fez me interessar por Física e, desde então, me apaixonei.

— O que aconteceu?

Jimin tentou conter um sorriso, mas falhou, deixando os cantos da boca se levantarem.

— Uma pessoa me disse uma vez que a Física estava me esperando.

— O quê? — perguntou surpreso. — Foi isso?

— Ei! — reclamou o loiro. — Foi importante pra mim, ok?

— Ok...

Os dois continuaram andando lado a lado pelas calçadas, observando a cidade, os carros, as pessoas correndo naquele fim de tarde.

— Para onde estamos indo? A entrada do metrô não era aquela ali atrás?

— Vou te levar para jantar hoje, Jimin.

— O quê? Sério? Onde nós vamos?

— Simplesmente no melhor restaurante de todos. O lugar onde todo universitário frequenta. Todo trabalhador cansado entra. Todo festeiro compra bebida.

O loiro o olhava atento, agarrando seu braço com animação.

— Nós vamos na loja de conveniência — concluiu.


Naquele momento a risada alta de Jimin parecia ser o som mais lindo naquela cidade.

— Você parece animado demais, Yoongi. É muito incomum te ver assim. Principalmente antes de uma aula do professor Kim — comentou Munhee se aproximando do aluno. — Aconteceu alguma coisa?

Yoongi não pôde conter um sorriso ao olhar para ela.

— Sabe, professora... Apareceu um convidado para a minha festa, semana passada.

— É mesmo, querido? É isso que está te deixando tão animado?

Yoongi não soube o que responder. Travou. Era o fato de alguém ter aparecido que o havia animado, ou é porque esse alguém era Jimin?

— Eu... eu acho que sim... — Desviou os olhos para baixo, sentindo o rosto ficar quente.

— E essa pessoa parece ser bem legal, não?

— Ele... ele realmente é. E ele meio que me ajuda no meu projeto...

A mais velha olhou para ele, sorrindo doce.

— Que bom que ele pôde vir, então.

Yoongi sorriu de volta.

— Agora vá para a sua aula, senão você vai se atrasar de novo. Logo hoje que arrumou tudo rapidinho.

Despediu-se da professora e seguiu para a aula de Namjoon, que havia sido uma completa paz. O professor nem sequer olhou para ele ou fez qualquer comentário o alfinetando.

Se essa fosse sua nova realidade naquela aula, o Min estava realizado.

Quando estava saindo, o professor o chamou:

— Yoongi? Como estão indo as coisas com Jimin?

— Hã... Está tudo bem... Ele é bem tranquilo e tal. — Engoliu em seco. — Parece que está gostando de conhecer mais os anos 2000.

— Você realmente acredita nisso? Acredita que ele veio do futuro?

— Eu... — Parou para pensar.

Ele acreditava? Será que era humanamente possível aquilo estar acontecendo? Mas quem se importa? Ele queria que fosse real. Parecia real. Não era normal alguém se animar com coisas tão comuns e simples como andar de ônibus, comer comida de rua ou usar um chuveiro. Tinha que ser real.

— Sim. Eu acredito. E você?

— Sinceramente, Yoongi? — O professor respirou fundo. — Não. Eu não acredito. Mas eu vi as provas do garoto e não tenho como contestá-las, assim como você ou ele não têm como me garantir que a história é real. Mas, como não posso afirmar nada e vi a tecnologia dele, vou manter minha parte do acordo.

Yoongi não podia negar que estava um pouco surpreso pelo professor manter sua palavra mesmo em uma situação meio absurda como aquela.

— Obrigado, professor Kim.

Não conseguia tirar o sorriso do rosto enquanto saía da sala de aula.


Era sexta-feira à noite. Jimin e Yoongi estavam jogados no sofá, os ombros se tocando, os pés enlaçados na mesinha pequena de centro e os olhos focados no episódio de Doctor Who que passava na televisão.

Aquela semana havia sido cheia. O Min se sentia completamente cansado. As aulas na faculdade duravam quase o dia inteiro, e logo depois, levava Jimin para conhecer algum lugar ou provar alguma comida nova.

Todo o seu dinheiro era gasto com almoços, jantares ou comidas que Jimin via na rua e com passagens de metrô para os dois.

Mas ele não estava reclamando. Céus, de jeito nenhum.

Apesar de cansado, aqueles dias haviam sido os melhores que tivera em muito, muito tempo. Os passeios eram divertidos, as comidas pareciam mais gostosas e o que ele não estava conhecendo pela primeira vez naquela cidade, era tão legal como se fosse. A companhia de Jimin parecia melhorar tudo.

A mão que se agarrava a sua quando tinha medo de se perder na multidão, os braços que rodeavam um dos seus próprios quando estava animado demais. A fala rápida e as diversas perguntas sobre todas as coisas que via. Até mesmo a forma como ele sempre agarrava seus pés enquanto dormia — porque os dois haviam concordado que não fazia nenhum mal dividir a cama por algumas noites.

E a risada. Ah, a risada de Jimin era tudo.

Os olhinhos se apertavam, os dentinhos apareciam e mesmo que muitas vezes ele acabasse no chão ou envergado de tanto rir, era a visão mais bonita de todas para Yoongi.

E isso o dava um pouco de medo.

Ele sabia o que estava sentindo. Sabia o que era aquilo, como funcionava. Ele só não esperava que ele próprio fosse um dia sentir, experimentar.

Ele nunca havia sentido esse tipo de paixão antes. E não sabia como lidar com o fato de estar sentindo isso por Jimin, um homem de 22 anos que vivia no futuro e logo ia voltar para lá.

— Por que é que ele nunca fica em um lugar só? — perguntou Jimin com um bico, tirando-o de seus pensamentos.

— O Doutor?

— É, oras. Todo episódio ele vai para um lugar diferente, praticamente.

— Você não faria o mesmo? Se você tivesse uma TARDIS como a dele, não viajaria por todos os lugares? Conhecendo as pessoas, os países, os planetas, as espécies diferentes?

— Não. Eu ficaria em um lugar só.

— O quê? Por quê? — Yoongi estava realmente surpreso, afinal, se ele tivesse a oportunidade, conheceria tantos mundos e realidades o quanto fosse possível.

— Quando se tem algo forte o suficiente para fazê-lo querer ficar, nenhum lugar no universo parecerá tão interessante quando ao lado disso.

Os olhares se conectaram, conversando muito mais do que qualquer palavra faria. Os olhos estudavam os rostos um do outro com cuidado.

— Você faria isso como Doutor? Encontraria algo especial em algum lugar e ficaria ali para sempre?

— Sim.

— E como Jimin? O que você faria?

— Exatamente o que estou fazendo agora. Eu acho que já encontrei esse “algo”.

Os dois se encaravam, os rostos se aproximando lentamente. Os narizes quase se encostando quando Jimin sussurrou:

— “Tem alguma coisa, alguma coisa nesse lugar...”

— Você tá citando Lady Gaga? — sussurrou de volta.

— É, eu estou sim.

E o beijou.


Pela primeira vez em todos os seus meses de faculdade, Yoongi estava matando aula. Ele achou que nunca faria algo assim, mas quando um Jimin fofinho o pediu com toda a manha do mundo, ele não pôde dizer não.

Agora estavam no parque, acomodados na grama aparada, enquanto o loiro mexia em algumas florzinhas que havia pegado no meio do caminho. Yoongi apenas o observava, admirando seus dedinhos pequenos remexendo nos caules fininhos.

Desviou os olhos para o céu azul, enfeitado com poucas nuvens, contente por estar ali. Se um mês atrás tivessem dito que ele mataria aula para ir sentar na grama, ele definitivamente não acreditaria. Mas desde que Jimin chegou, muitas coisas haviam mudado.

— Yoongi. — Virou o rosto para encarar o outro. — Coloca?

Em suas mãos segurava a coroa de flores recém-feita. Os dedinhos delicados se aprontando em equilibrá-la na cabeça do mais novo antes mesmo de ele responder. Um sorriso se abriu em seu rosto e seus olhinhos de fecharam apertadinhos.

— Você ficou tão fofinho! Me deixa tirar uma foto?

— O quê? Não! Eu odeio fotos, Jimin. Não quero!

— Por favor, Yoongi!

— Não, não. Aí você vai me mostrar no seu trabalho assim, todo descabelado e com flores na cabeça!

— É que eu quero muito guardar essa imagem. Uma imagem de você, sabe? Para quando eu for... — Desviou os olhos para árvore mais próxima. — Pra quando eu for embora.

Yoongi engoliu em seco e assentiu, ficando parado para Jimin poder fotografá-lo com sua lente.

Ouvi-lo falar assim do futuro imutável tinha sido um choque. Ele iria embora. Era um convidado que, no final, iria realmente embora.

Na maior parte do tempo ele conseguia ignorar essa parte da história, apenas se focando nos bons momentos do agora, mas isso não significava que ela não iria acontecer, afinal.

— Você está lindo. — O loiro sorriu, ficando um pouco vermelho. — É lindo, quer dizer...

— Você também é. — Desviou o olhar. — Também é muito lindo.

Volta a olhar para o belo céu da manhã, pensando no quanto Jimin ficava fofo com as bochechas vermelhinhas.


Era a penúltima sexta-feira de Jimin em 2019 e a semana de Yoongi acabava do jeito mais inesperado o possível: em uma balada.

Ele só havia ido em um lugar assim uma vez na vida, logo que entrou na faculdade, para então, nunca mais voltar. Não é que ele as abominasse ou algo assim, ele apenas não gostava do clima do lugar. Mas Jimin havia batido o pé no chão e decidido que não podia voltar para seu tempo “sem conhecer uma balada dos anos 2000”.

E é por isso que agora estava ali, sentado em um banquinho perto do barzinho enquanto Jimin dançava cada música que passava pela playlist do DJ. O loiro sorria, pulava, cantava. Parecia ser um simples jovem da época, curtindo uma noite.

Seus cabelos colavam no rosto delicado por causa do suor, os olhos não mais se viam de tanto que sorria, e os olhares animados que lançava para Yoongi da pista de dança o faziam se sentir feliz em estar ali de novo, depois de tanto tempo.

Foi enquanto o observava dançar, que teve a ideia de melhorar ainda mais a noite de Jimin.

Reuniu toda a coragem que lhe restava e correu até a mesa do DJ que, por sorte, ficava perto do lugar onde estava sentado.

— Hey, cara, pode me fazer um favor? — perguntou.

O DJ suspirou, olhando entediado para ele.

— O que foi?

— Você pode tocar uma música para mim?

— Ah, você é o milésimo que me vem pedir isso só hoje. Eu não posso, não. — Virou irritado para o outro lado, ignorando o Min.

— Por favor. É muito importante. É para uma pessoa que só vai poder vir aqui uma vez. É muito especial... — Olhou para baixo, envergonhado pela situação.

— E o que eu ganho com isso?

— Hã? — Tentou pensar em qualquer coisa que pudesse dar para o homem, para que ele pudesse conceder seu desejo. — Uma bebida?

O DJ suspirou, puxando o celular para procurar a música.

— Quero uma Dark Tonic. Fala o nome da música aí...

— Hum... — Coçou a nuca, olhando para o lado — Poker Face, da Lady Gaga.

O homem começou a rir, desacreditado.

— Você tá brincando comigo, né?

— Eu já volto com a sua bebida.

Yoongi virou-se, ignorando o olhar debochado do moço, sabendo que ganharia um bem melhor de uma pessoa com a qual realmente deveria se importar.

E realmente, tinha certeza que havia valido a pena quando viu os olhinhos de Jimin se arregalarem e ele vir correndo em sua direção quando a música começou.

— Yoongi! Eu não acredito! Tá tocando Lady Gaga! Vem dançar, comigo!

O outro sorriu tímido, negando com a mão, mas Jimin ignorou e apenas o puxou para a pista.

— Jimin! Eu não sei dançar!

— Não importa — riu alto —, só curte comigo.

E mesmo após a música acabar, os dois continuaram dançando juntos por minutos a fio, até Yoongi decidir que precisava ir ao banheiro, avisando rápido no ouvido do loiro antes de sair da pista.

O que não esperava era que, ao voltar, não conseguiria encontrar Jimin em lugar nenhum. Andou pela pista inteira, procurando-o por todos os lados, sem sucesso. Sua respiração já se acelerava e seu desespero aumentava a cada segundo, quando ouviu o DJ anunciar no microfone:

— Min Yoongi, Min Yoongi, Park Jimin está esperando no bar.

Sem pensar duas vezes, correu até lá, vendo o loiro com o rosto molhado por lágrimas. Não conseguiu se conter e o segurou em seus braços, ajeitado a cabeça do outro em seu pescoço.

Jimin agarrou a blusa do mais novo com força, os soluços sendo abafados pelo pescoço do Min.

— O que aconteceu, Jimin? — Mil coisas se passavam em sua cabeça, uma pior do que a outra, e quase não conseguiu perguntar, mas sabia que precisava saber para poder ajudá-lo.

— Você... — Soluçou. — Você...

— Se acalme, sim? Respira fundo, você pode me dizer depois, está tudo bem.

Sentiu o loiro negar com a cabeça em seu pescoço e o aguardou fungar algumas vezes antes de ele falar:

— Você sumiu... A gente estava dançando, aí você sumiu. Eu te procurei por todo canto, Yoongi. E-eu... eu fiquei com medo... — Respirou fundo. — Fiquei com medo de ficar sozinho, de te perder de novo.

Suas mãos apertaram a camisa de novo e ele voltou a chorar alto.

— Jimin... eu disse que estava indo no banheiro, eu te avisei antes de ir...

— O quê...? Eu não ouvi. Eu não ouvi nada. Quando olhei para trás, você não estava mais lá.

— Eu não ia sumir assim no nada, ok? Fica tranquilo, por favor. Está tudo bem agora.

O mais velho apenas assentiu, ainda sem soltá-lo. Yoongi o apertou nos braços, dividido entre sentir alívio por estar tudo bem ou confusão pelo que tinha acabado de ouvir.

— Como assim me perder de novo, Jimin?

O loiro apenas tossiu de leve, afastando-se e limpando o nariz molhado na manga da blusa.

— Como assim, Yoongi?

— Jimin, por favor. — Segurou as mãos dele, olhando bem em seus olhos. — Não é a primeira vez que você fala isso. Como assim me perder... de novo?

— Vamos conversar em casa, sim?

Puxou levemente suas mãos das que as seguravam e fungou mais algumas vezes antes de virar de costas e seguir para a porta.

— Jimin! — O loiro não parou. — Jimin!

Quando os dois irromperam da porta da balada, o ar gelado da noite atingiu-os com força.

— Eu não quero ir para casa. Não quero deixar pra falar disso depois. Me conta agora, Jimin. Que história é essa? Você me conhecia antes para ter me perdido? A gente nunca se viu, eu não sabia nem quem você era antes daquela sexta-feira.

— Yoongi, por favor...

— Por favor, Jimin. — Seu tom era urgente. — Eu quero entender o que está acontecendo. Não vou deixar passar dessa vez.

O loiro fechou os olhos com força, bufando conforme puxava os cabelos para trás.

— Vem aqui. — Segurou a mão de Yoongi, levando-os para uma área vazia da frente da balada.

Os dois sentaram-se no meio-fio. Jimin fitando os dedos, sem coragem de olhar para o outro, e o Min estudando cada movimento do homem sentado ao seu lado.

— Lembra quando você me perguntou por que eu havia vindo para a sua festa, em específico? — O mais novo assentiu, sem conseguir usar as palavras. — Na verdade, tem um motivo. Não foi por acaso, Yoongi. Você... você me chamou.

— Pelo anúncio? Eu chamei qualquer um que pudesse vir, Jimin...

— Não, Yoongi... Você me chamou de verdade, pessoalmente.

— Quando?

— 20 de setembro de 2115.

Yoongi sentiu seus olhos arregalarem. Sua respiração se acelerava a cada segundo, e sua cabeça não podia estar mais bagunçada.

— Você... você apareceu em 2115, no meio da feira de apresentações da minha faculdade. Eu estava apresentando um projeto no estande de Química. Você apareceu do nada, no meio da apresentação. Todos viram, Yoongi, todos. Foi o maior caos. — Sorriu, como se a lembrança o deixasse feliz. — Daí você virou, olhou em volta, e começou a chorar. Olhou para mim e disse que estaria me esperando dia 20 de setembro de 2019, para sua festa. Disse que não era pra eu me atrasar, porque a Física estaria me esperando.

— Você está brincando comigo, não está?

— Não, Yoongi. Depois um monte de guardas e professores chegaram, e você sumiu por alguns dias. Mais ou menos uma semana depois, apareceu na frente da faculdade e me chamou quando eu estava saindo. — Olhou para o rosto atordoado do Min. — Ah, Yoongi... nós conversamos tanto, tanto.

— Foi assim que você me conheceu? Assim que tudo isso começou?

— Para mim, sim. Você disse que havia passado anos e anos estudando e pesquisando para viajar no tempo, que sabia que era possível, mas não sabia como, e que agora estava ali, comigo. Eu fiquei tão confuso no começo... mas você passou vinte dias lá, morando comigo, sabe? E a gente se conheceu e... e... e a gente se... gostou.

Seus olhos passaram a se focar nos seus pés, sem coragem de fitar o Min, que encarava o chão, tentando organizar os pensamentos.

— Nós conversamos muito, nos conhecemos, você conheceu 2115 e me contou tudo sobre aqui, sobre 2019. Eu não conseguia acreditar. Mas... mas agora eu estou aqui. Estou com você. — Sua mão agarrou a do mais novo, que olhava as duas entrelaçadas sem reação. — Doeu tanto quando você voltou, quando você teve que partir, porque... porque eu não sabia se ia conseguir voltar, se ia conseguir te ver de novo.

Jimin não conseguiu conter as lágrimas que rolavam pelo seu rosto, chorando sofrido ao se lembrar do sentimento de saudade que era inconsolável.

— Não era como dizer tchau para alguém que mora do outro lado do mundo... Era dizer adeus a alguém que morava do outro lado do tempo. E eu não sabia, céus, Yoongi, eu não sabia se ia conseguir voltar a te ver, porque dependia só de mim, e eu não acreditava que conseguiria.

Usou sua outra mão para limpar as lágrimas e o nariz na blusa, antes de continuar:

— Mas eu tentei... como tentei. Larguei a Química e fui estudar Física. — Riu, fechando os olhinhos. — Você conseguiu me passar um pouco desse amor maluco por ela, por você.

Yoongi apertou a mão que segurava de leve, desviando os olhos para o rosto de Jimin, ainda sem conseguir dizer nada.

— Eu tentei por quatro anos seguidos, sem parar, sem descansar. Meus amigos me ajudaram o tempo todo. Ou a conseguir chegar aqui, ou quando eu tinha certeza que não conseguiria.

— Como... como você fez? Como você fez para conseguir voltar?

— Você tornou viagem no tempo algo real, Yoongi. Nos dias que passou lá, diversos cientistas, pessoas do governo, entrevistadores falaram com você, e as pesquisas começaram, mas quando eles conseguiram fazer acontecer, você já não estava mais lá. Depois disso só cresceu. Os governos passaram a adotar isso, fiscalizando cada viagem. Os cientistas desenvolvendo o processo cada vez mais... mas eles só conseguiam para o futuro, como você tinha ensinado. Ninguém conseguia voltar. E eu precisava descobrir como fazer isso, porque você não estava no futuro. Estava aqui. Está aqui. No passado.

Encostou a cabeça no ombro de Yoongi, parecendo cansado, mas só querendo um pouco de segurança para continuar. Precisava sentir um pouco mais que era real.

— Foi tão difícil... mas valeu a pena, porque agora estou aqui. — Olhou para o Min, que já o encarava com as lágrimas escorrendo pelo rosto. — Estou aqui com você. Eu consegui voltar.

Limpou as lágrimas do rosto do mais novo, inutilmente, pois novas não paravam de cair.

— E você também conseguiu. Você tornou real, Yoongi. Tornou viagem no tempo algo real. Nos tornou real.

Os dois choravam livremente, os soluços os impedindo de continuar falando. Yoongi empurrou de leve o corpo que se apoiava no seu, só para poder abraçá-lo com mais facilidade, com uma mão subindo e descendo nas costas de Jimin, como que para garantir que ele era real e estava ali, enquanto a outra fazia um carinho desajeitado em seus cabelos.

— Jimin... — Não conseguia falar nada, e nem sabia se realmente tinha algo a dizer. Apenas precisava dizer o nome do loiro, para ter certeza que ele também era real, que também estava ali.

O loiro apertou os braços na cintura de Yoongi, beijando de leve os cabelos deste.

— Vamos para casa. Nós conversamos mais lá.


Mais tarde, já mais calmos, os dois dividiam o sofá — e um abraço — enquanto assistiam Doctor Who.

— E a gente se apaixonou naqueles vinte dias? — perguntou Yoongi.

— Sim... E, de verdade, acho que me apaixonei aqui de novo, nesses vinte dias de 2019.

— Eu também, Jimin. — Sentiu o rosto corar. — Eu acho que eu também.

Os dois trocaram um olhar de poucos segundos antes de se beijarem.

Os lábios se tocavam com leveza, e então com urgência, como se tentassem matar a saudade já sentida e a que ainda sentiriam.

— Eu senti sua falta, Yoongi. Tanto.

— Eu não posso dizer que também senti, porque essa é a primeira vez que estou com você, mas... — sussurrou. — Mas eu já estou com saudade.

Jimin riu baixinho, esfregando os narizes.

— “Não há motivo algum para ficarmos sozinhos essa noite, amor” — cantou.

— Por que você sempre canta alguma música da Lady Gaga antes de me beijar?

Jimin não se deu o trabalho de responder e apenas selou seus lábios de novo.


— Foi muito bom te conhecer, Seokjin! Você é realmente muito legal! Obrigado por me fazer companhia todos esses dias.

— Ah, Jimin. — Abraçou-o de lado. — Você também é muito legal. Vou sentir sua falta! Tome cuidado para voltar, ok?

— Ok. — Sorriu. — E cuide do Yoongi para mim, sim?

— Pode deixar, esse garoto irritante.

Os dois riram cúmplices e trocaram um abraço.

— Vou voltar a te ver?

— Eu espero que sim. — Sorriu. — Agora realmente preciso ir.

Enquanto saíam da biblioteca, Yoongi pôde jurar que viu Jimin limpar algumas lágrimas teimosas e apertou sua mão, como um questionamento mudo para saber se estava tudo bem.

— Ele é muito legal, Gi. Continuem sendo amigos, ok?

— Ok, Chim. — Riu.

Na semana que se passou, os dois se aproximaram ainda mais, trocando além de carícias, muitos apelidos carinhosos.

— Agora vamos nos despedir de Namjoon, pode ser? Ele estava aqui quando cheguei. Quero dizer tchau antes de ir embora.

Em poucos minutos já estavam na sala de Namjoon que, por ser muito cedo, não estava em aula.

— Então você realmente vai embora, Jimin?

— Sim, Namjoon. Meu tempo aqui já acabou, mas foram vinte dias realmente incríveis! — Sorriu, animado.

— Eu fico contente que tenha gostado... — Olhou de soslaio para Yoongi. — Desses dias aqui em 2019.

Jimin riu, segurando a mão de Namjoon.

— Eu sei que você não acredita nessa história, Namjoon, mas você é importante para ela acontecer. Ajude Yoongi no projeto dele, por favor.

O professor parecia desconcertado. Coçou a nuca antes de assentir.

— Certo. Bom... se for real mesmo, boa sorte com seu trabalho.

— Obrigado! Foi bom te conhecer.

Quando saíam da sala, acabaram trombando com Munhee no corredor.

— Yoongi, querido! — cumprimentou-o. — Esse deve ser seu convidado, não?

Jimin e a senhora trocaram um sorriso carinhoso.

— Gostou da festa, mocinho?

— Gostei sim. Yoongi é um ótimo anfitrião.

— Eu sei, eu sei. — Olhou com ternura para os dois.

— Temos que ir agora, vou embora em algumas horas. — Sorriu, num pedido mudo de desculpas pela conversa curta. — Mas foi um prazer conhecer a senhora.

Munhee segurou o pulso de Jimin com leveza antes que esse voltasse a andar e, olhando em seus olhos, disse:

— Espero que volte logo.

— E-eu... eu também.


15 minutos. Yoongi tinha certeza que aquela era a noite mais dolorida de sua vida.

Ele não conseguia aceitar que estava acabando. Que seu tempo estava no fim e ele não podia fazer nada sobre isso. Jimin iria embora em quinze minutos, e ele já não aguentava de saudade.

Para o loiro, era como se seu mundo estivesse acabando de novo. Ele estava deixando Yoongi. Estava perdendo aquele que tanto queria ver de novo para o passado. Para o tempo que tanto amava e odiava.

Os dois se apertavam em um abraço no meio da sala, com medo de se afrouxarem demais e escaparem um dos braços do outro.

— Eu não quero te deixar, Yoongi. Não de novo.

O Min beijou sua testa e seus lábios, sabendo que palavra alguma o confortaria agora. Palavra alguma diminuiria a dor deles.

Segurou o rosto de Jimin com as mãos, os polegares acariciando suas bochechas, numa tentativa falha de secar as lágrimas que escorriam.

O loiro se aproximou de novo para colar seus lábios, tentando aproveitar a sensação um pouco mais antes de não poder tocá-los de novo.

— Eu quero mais... — sussurrou Yoongi, encostando a cabeça em seu ombro, as lágrimas escorrendo. — Eu quero mais de você Jimin, mais toques, mais momentos, mais tempo. Eu quero o tempo todo. Isso é tão injusto.

10 minutos. O loiro não conseguiu conter os soluços sofridos.

— Sabe, Yoongi. Uma vez você me disse que achava que nunca poderia amar nada mais do que a Física, mas que tinha se enganado, porque me amava tanto quanto. E eu ri, porque entendia totalmente o sentimento. E agora entendo ainda mais. Eu amo a Física, e amo o fato dela me deixar estar aqui hoje, mas eu te amo muito, muito mais.

— É porque nós somos ela. Nós somos Física, Chim.

Aproximaram os rostos, encostando os narizes e sentindo a respiração um do outro, como uma garantia de que ainda estavam ali.

Os braços de Yoongi seguravam Jimin contra seu corpo, como se protegessem a coisa mais preciosa do mundo.

5 minutos. Os dois se apertavam, tentando guardar os detalhes dos rostos por entre a visão embaçada de lágrimas.

— “Já faz um bom tempo desde que eu cheguei, já faz um bom tempo, mas agora eu voltei e dessa vez não vou embora sem você” — cantou baixinho. — Eu vou sentir muito a sua falta, Gi.

— Eu também, Chim. Eu também.

Beijaram-se mais uma vez.

2 minutos.

— Te vejo em cem anos?

— Não sei. — Jimin sorriu de canto, fungando. — Deixe o tempo nos dizer.

— Nós somos o tempo, Chim.

— Então, te vejo em cem anos. — Sorriu por uma última vez.

E agora os braços de Yoongi não seguravam mais nada.

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Notas Finais:

Espero que vocês tenham gostado! <3

10 июля 2021 г. 21:34:12 0 Отчет Добавить Подписаться
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2Min Pjct Projeto de fanfics do shipp Yoonmin (Yoongi & Jimin) do grupo sul coreano BTS. Nos encontre também no Wattpad (https://www.wattpad.com/user/2MinPjct), Spirit (https://www.spiritfanfiction.com/perfil/suji05), ao3 (https://archiveofourown.org/users/2minpjct) e twitter.

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