thaistardust Thaís Maria

Olivia foge para terras distantes em busca de encontrar um novo começo. Ela só não esperava que tal mudança exigiria tanto dela quanto o passado que a fizera fugir.


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Os ventos da mudança.

O latejar em sua cabeça era quase insuportável e piorou quando ousou abrir os olhos, se deparando com o teto branco já conhecido. Aquela era sua terceira vez naquela situação, mas na noite passada, por um momento, acreditou que seria a última. Agora não havia escolha, teria que lidar com a frustração e a vergonha novamente. Os olhos encheram de lágrimas e sua boca amargou assim que sentiu o cheiro dos crisântemos que não teve coragem de encarar, não estava preparada para lidar com toda aquela situação, não queria ter que lidar.

– Não achei que fosse acordar tão cedo – ouviu a voz que lhe era pior do que os crisântemos, afiada e fria como sempre mas nunca merecedora do sofrimento que ela a havia colocado. – Não vai conseguir se mexer nem falar totalmente ainda, pedi para te darem um sedativo que fosse eficiente – só então parou para prestar atenção nas sensações e em seu corpo, era como se estivesse coberta de concreto e de relance conseguiu ver que os braços e os pés se encontravam amarrados na maca.

– Ophelia… – buscou um resquício de voz no fundo de sua garganta, se preparando para um pedido sincero de desculpas para a figura morena que agora encarava os três vasos de flores amarelas e um com flores vermelhas.

– Pedro mandou os crisântemos, disse que seria bom para você estar cercada de verde e amarelo. Comprei os vermelhos porque achei que também gostaria de estar com sua cor favorita.

– Obrigada – disse fechando os olhos novamente e suspirando, havia falhado, de novo.

– É a terceira vez nesse ano, Liv – Ophelia disse passando a mão pelos cabelos cacheados enquanto se sentava na poltrona, sua voz fraquejou, estava exausta. – Eu não sei mais o que fazer por você.

– Acho que está na hora de você ir, O – respondeu encarando a amiga.

Realmente, talvez fosse a hora de deixar Ophelia ir, seguir sua vida ao lado do marido e dos gêmeos. Ela era um anjo em sua vida. Havia conhecido a moça em uma noite de boliche e, por um acaso, descobriu que ela era dona de uma das editoras mais famosas da Califórnia. Eram uma dupla e tanto, os livros que escrevera foram um sucesso e a editora cresceu ainda mais, com a fama, Ophelia acabou se tornando sua agente, marcava eventos e reuniões, palestras e jantares; mas tudo isso era irrelevante quando comparado ao laço que haviam formado. A questão era que, naquele momento ela podia ver que não era mais saudável para O estar perto dela.

– Não vou te deixar sozinha aqui, nem tente – disse arisca.

– Como estão as crianças?

– Estão com Tom, eu disse à eles que ia dormir na sua casa para editarmos um livro.

E então era isso, havia roubado, mais uma vez, uma noite de O com sua família. Nada tiraria de sua cabeça que aquela era a hora de deixar Ophelia ir.

As duas saíram do hospital horas depois, suas mãos formigavam devido aos curativos que iam de seus pulsos até os cotovelos e os braços coçavam junto com o pescoço que também possuía faixas, mas não iria reclamar, apenas queria agradecer a presença da amiga naquele momento. Mais tarde, naquela noite, a morena capotou no sofá enquanto lia um romance qualquer e aquela foi a deixa para que tomasse uma atitude, para que finalmente libertasse Ophelia da prisão em que a havia colocado. Como uma gata cuidadosa, pegou as chaves do carro e foi até o supermercado 24 horas mais próximo, chegando em casa com um belo vaso de rosas brancas que colocou na mesa de centro ao lado do livro que antes era lido pela amiga.

Decidiu que a melhor despedida seria feita com o que as uniu: palavras escritas. Pegou seu pequeno caderno vermelho, onde escrevia todas as suas “Poesias de Calçada” – como preferia chamar – e começou a escrever com a bela caligrafia sentindo novamente as lágrimas virem até seu rosto e dando um pequeno sorriso de alívio por, finalmente, entender a situação e conseguir ter forças para dar um fim sem que fosse extremamente prejudicial para os que amava.

Retirou a folha de seu caderno com o máximo de cuidado e colocou o papel entre as flores, andando em direção ao seu quarto e puxando a mala de mão que guardava em cima de seu guarda roupas. Colocou as peças que mais amava dentro dela, sem se esquecer das botas que acreditava ser parte de sua personalidade. Seu celular não parava por um minuto sequer, ao desbloquear a tela podia ver as incontáveis mensagens e marcações, manchetes com títulos apelativos e pessoas lamentando. Poetiza e atriz Olívia Hernández é internada em estado grave após tentativa de suicídio. Aquilo provavelmente ecoaria em sua cabeça por vários dias, mas já estava cansada.

Não queria lamentações, não mais. Escreveu longos textos para pessoas próximas, deixou tudo explicado para que não houvesse questionamentos, abriu seu twitter e rapidamente postou uma frase qualquer dizendo que estava bem, para então desligar o aparelho e colocá-lo no fundo da mala. Deu um beijo na testa de Ophelia e saiu porta a fora. Em busca de uma nova Olívia.

21 марта 2021 г. 18:21:22 0 Отчет Добавить Подписаться
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Thaís Maria escritora, artista amadora e tentativa de asmrtist | ela/dela

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