teffychan Lilith Uchiha

Em uma noite de tempestade Sasuke ficou preso na estrada devido a um problema em seu carro e acabou precisando passar a noite em uma pensão. O problema é que só havia um quarto disponível e ele não era o único que teve sua viagem interrompida pela chuva forte. Para não passar a noite ao relento, Sasuke tinha a difícil missão de dividir o quarto com alguém que acabara de conhecer. Embora não tivesse tanta certeza disso.


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Capítulo Único - O Cara que Eu não Queria (Re)encontrar

Sasuke costumava gostar da chuva. Era bom colocar os pensamentos em ordem enquanto a observava bebendo um bom chá quente. Ou dormir ouvindo o barulho da chuva batendo na janela. Mas ele definitivamente odiava viajar com o tempo chuvoso.

Teria adiado se pudesse, mas tinha uma reunião importante no trabalho que, para seu azar, aconteceria na filial da empresa que ficava do outro lado da cidade. Francamente, sua família tinha dezenas de filiais, não custava nada terem escolhido uma mais perto.

Já tinha anoitecido e a tempestade só piorava. Sasuke estava cansado, com fome e torcia para que a gasolina não acabasse antes de chegar ao seu destino, até que se deparou com um problema inesperado. Sentiu seu corpo ser jogado para frente com um sobressalto quando sentiu algo bater contra a traseira do seu carro.

Respirou fundo várias vezes, tentando se acalmar. Felizmente não tinha se machucado, foi só um susto. Que logo se transformou em irritação. Olhou pelo retrovisor e viu o carro que havia se chocado contra o dele. Ignorando a chuva forte, abriu a janela, colocou a cabeça para fora e gritou:

— Ei, imbecil! Olhe por onde anda!

— Desculpa, eu perdi o controle do carro — mesmo sem abrir a janela, ele conseguiu ouvir a voz abafada do motorista.

— “Desculpa” uma ova. Você bateu no meu carro! — ele exclamou — Podia ter causado um acidente, sabia?

— Eu já pedi desculpas! Qual é o seu problema? — o outro motorista exclamou — Meu carro tem seguro, vou pagar o conserto, seu estressadinho.

— Você diz isso porque não foi no seu carro que bateram — Sasuke resmungou. Não se importava muito com o seguro realmente, podia pagar o conserto ele mesmo. Não podia ficar ali perdendo tempo discutindo com um estranho. Voltou a fechar a janela do carro e deu a partida outra vez, mas o carro não saiu do lugar — Essa não… era só o que me faltava! — ele tentou uma, duas, três vezes, mas o resultado era sempre o mesmo. Até que saiu do carro e foi examinar a parte que havia colidido com o outro veículo. O pneu tinha furado — Droga… mas que droga! — ele chutou o pneu para descarregar a raiva, mas tudo o que conseguiu foi uma dor no dedão do pé — É tudo culpa sua, seu imbecil desastrado! Como pode perder o controle do carro assim? — virou-se para o motorista desajeitado e notou que ele também tinha saído do próprio carro.

— A estrada está enlameada — ele respondeu enquanto examinava o próprio carro — Eu tentei desviar das poças, mas o carro acabou derrapando, e… droga, acho que atolou — falou para si mesmo ao examinar o pneu da frente.

— Que ótimo. Então quer dizer que estou preso no meio do nada nesse temporal. Maravilha! — Sasuke jogou os braços para o alto.

— Na verdade acho que tinha uma pensão por aqui — o outro homem falou antes de sair andando pela estrada. Após alguns segundos de hesitação Sasuke o seguiu.

Caminharam cerca de dez minutos em silêncio e, ao virar uma curva, encontraram a tal pensão. Era pequena e modesta, porém muito acolhedora em uma noite chuvosa como aquela.

— Boa noite! Tem alguém aí? — o homem bateu na campainha do balcão enquanto Sasuke observava um pouco mais atrás. Segundos depois uma senhora idosa surgiu de um cômodo dos fundos.

— Boa noite, rapazes. Em que posso ajudar? — ela perguntou sorridente.

— Aqui é um bar? — Sasuke adiantou-se, notando que havia muitas mesas ao redor onde a maioria das pessoas bebiam. Apenas algumas poucas pareciam estar jantando.

— Um bar e pensão, meu querido — ela explicou.

— Ótimo. Então me dê um uísque duplo. Sem gelo — Sasuke pediu.

— Meu carro quebrou na estrada. Por acaso a senhora sabe se alguém aqui entende de carros? — o outro rapaz perguntou enquanto ela preparava a bebida de Sasuke.

— Meu marido é mecânico, ele pode dar uma olhada no carro de vocês — ela respondeu, entregando a bebida de Sasuke.

— Não estamos viajando juntos — responderam ao mesmo tempo.

— Esse idiota bateu no meu carro — Sasuke contou, bebendo tudo de uma vez só.

— Isso porque o meu carro atolou — ele defendeu-se.

— Certo, certo, entendi — ela parecia estar se segurando para não rir — Vou pedir para meu marido dar uma olhada nos carros de vocês.

Sasuke pediu outro copo de uísque e o outro rapaz acabou se juntando a ele enquanto esperavam para saber o tamanho do estrago dos carros. Cerca de meia hora depois o homem idoso que examinou os veículos retornou com uma expressão nada positiva.

— Tenho más notícias, rapazes. Um está com um pneu furado e a traseira arranhada devido à batida…

— Eu sabia! — Sasuke interrompeu — Você destruiu meu carro, seu idiota desastrado!

— Já disse que foi um acidente! — ele rebateu — E eu duvido muito que aquilo possa ter furado o pneu do seu carro!

— Como eu dizia — o idoso se sobrepôs às vozes deles — Tenho alguns estepes guardados nos fundos da pensão, então é possível trocar o pneu agora, mas não aconselho fazer isso. Prefiro trabalhar com calma e o tempo lá fora está horrível. Também seria perigoso seguir viagem com essa chuva.

— E o meu carro?

— Está completamente atolado na lama — o idoso informou — Na verdade não é difícil retirá-lo de lá, e sim trabalhoso. Mas será impossível fazer isso com essa tempestade. Aconselho que espere até a chuva ir embora e a estrada ficar seca outra vez.

— Resumindo, é tudo culpa dessa maldita tempestade — Sasuke terminou seu terceiro copo de uísque — Droga, o que eu faço agora?

— Você eu não sei, mas eu vou passar a noite aqui e esperar a tempestade passar — o outro respondeu — Vocês ainda têm quartos vagos?

— Sim, temos um quarto — a mulher respondeu.

— Eu fico com ele — os dois falaram ao mesmo tempo. Em seguida se encararam de cara feia — Eu falei primeiro! O quarto é meu! — continuaram falando juntos mesmo sem intenção, o que só lhes deixava mais irritados.

— Acalmem-se, queridos. O quarto é bem grande, vocês podem dividir — a mulher nem conseguia mais segurar o riso.

— Eu? Dividir o quarto com esse idiota arrogante? — apontou para Sasuke — Nem pensar!

— Ótimo, então o quarto é meu — Sasuke declarou.

— Nada disso, eu falei primeiro!

— Na verdade vocês falaram juntos — o idoso lembrou — Escutem, está tarde e chovendo lá fora, vocês devem estar cansados. É melhor pararem de discutir e dividir o quarto, rapazes.

— Essa deve ser a pior noite da minha vida — Sasuke bufou, dando-se por vencido.

Após pagarem pela bebida e preencherem a ficha na recepção, pegaram as chaves e chegaram até o quarto que seriam obrigados a dividir.

E tiveram outra terrível surpresa naquela noite.

— Por que o quarto tem uma cama de casal? — Sasuke falou alto demais ao ver a cama com colcha vermelha e travesseiros com formato de coração.

— A mulher da recepção disse que o quarto era grande o suficiente para os dois… ela devia estar se referindo a uma suíte presidencial ou algo assim…

— Mas nem que me paguem que eu vou dividir uma cama com você! — Sasuke exclamou.

— Ótimo. Então você dorme no chão.

— Se alguém aqui vai dormir no chão vai ser você — ele rebateu.

— Essa discussão não vai levar a lugar nenhum e você sabe — suspirou — Olhe, eu estou cansado, com frio e encharcado até os ossos por causa da chuva. Vamos ter que dividir esse quarto querendo ou não, então que tal uma trégua?

— Está bem — Sasuke cedeu. Na verdade estava longe de querer uma trégua com o cara que bateu no seu carro, mas também estava exausto demais para desperdiçar energia discutindo com ele.

— Ótimo! Então, qual é o seu nome? — perguntou — Se vamos dividir o quarto preciso saber como te chamar.

— Uchiha — respondeu apenas. Não iria se dar ao trabalho de dizer seu primeiro nome para um estranho que esperava nunca mais ver na vida, muito menos seu nome completo — E o seu?

— Só Uchiha, é? — repetiu, parecendo insatisfeito com a pouca informação — Me chamo Uzumaki — decidiu dizer apenas seu sobrenome também — Que engraçado… o nome Uchiha não me é estranho.

— Minha família tem uma grande empresa de advocacia no país, talvez já tenha ouvido falar.

— Não, não é isso — ele respondeu — Já conheci alguém que se chamava Uchiha, mas ele não se parecia em nada com você. Era um cara muito mais educado e gentil. Ah, e tinha cabelos compridos… era muito sorridente também.

— Você deve estar falando do meu irmão — Sasuke esclareceu — Ele mantem os cabelos longos desde a adolescência.

— Ah. Deve ser ele então — o Uzumaki assentiu, embora não parecesse totalmente convencido — Bem, eu vou tomar um banho. Preciso urgentemente tirar essa roupa molhada.

O Uzumaki dirigiu-se até o pequeno banheiro que havia no quarto e se trancou lá. Quando ouviu-se o barulho do chuveiro sendo ligado, Sasuke suspirou pesadamente, tentando se conformar com a situação. Estava preso naquele lugar e, querendo ou não, teria que dividir o quarto com um estranho. Não adiantava ficar reclamando, só iria desperdiçar energia. Era isso ou voltar para a chuva e dormir dentro de seu carro quebrado e, sinceramente, ele não queria fazer isso.

Não é que se incomodasse em compartilhar um quarto. O problema é que ele não conhecia aquele cara. E se fosse algum psicopata? E se o atacasse no meio da noite? Ele não tinha nenhuma arma, Sasuke prestou atenção nisso, mas sabia que bandidos eram bastante criativos. E como se não bastasse, ainda teria que dividir a cama com ele… não queria dormir no chão, e sabia que o Uzumaki também não iria ceder. Se é que esse era mesmo o nome dele.

A porta do banheiro se abriu, trazendo-o de volta a realidade. Sasuke sentiu o queixo cair ao notar que o companheiro de quarto carregava as roupas molhadas em uma das mãos e tinha saído usando apenas uma cueca boxer preta.

— Por que você está só de cueca? — Sasuke quase se engasgou com a pergunta — Vista alguma coisa!

— Eu vestiria se pudesse, mas minhas roupas ficaram no meu carro, há uns cinquenta metros daqui — o Uzumaki explicou enquanto montava um varal improvisado no meio do quarto usando o próprio cinto.

— E pretende dormir assim? — gesticulou freneticamente com as mãos.

— A ideia também não me agrada, mas não tem outro jeito… que cara é essa? — ele interrompeu ao notar a preocupação de Sasuke — Não me diga que está com vergonha? — acabou dando risada, o que deixou Sasuke ainda mais preocupado. Ele estava mais para molestador do que para psicopata.

— É minha vez de usar o banheiro — respondeu apenas, trancando-se no pequeno cômodo. Estava mesmo precisando de um banho quente depois da noite horrível que teve.

Logo compreendeu o motivo do Uzumaki ter saído só de cueca. Ele também havia deixado suas roupas extras no carro, e as que usava agora estavam encharcadas por causa da chuva. Se tomasse banho e colocasse as mesmas roupas acabaria adoecendo. Céus, essa noite só piorava… não queria sair dali praticamente nu para que o outro o observasse, vai que isso lhe desse ideias estranhas? Mas também não podia vestir as mesmas roupas. Amaldiçoando a chuva lá fora, Sasuke vestiu de volta a cueca e a camiseta branca, mesmo estando úmida, e deixou o banheiro.

— Há! Entendeu agora por que eu saí de cueca? — o Uzumaki riu quando ele retornou para o quarto.

— Cala a boca — mandou enquanto tentava improvisar um varal usando a gravata — Escute, eu estava pensando… de onde exatamente você conhece o meu irmão? Ele nunca me falou de ninguém chamado Uzumaki — perguntou só para mudar de assunto.

— Ah, isso foi há muito tempo — ele contou, sentando-se na cama e balançando os pés enquanto recordava a ocasião — Eu namorei um cara chamado Uchiha uma vez… foi na época da escola.

— Espera… tem certeza que o nome dele era Uchiha? Não era só um nome parecido? — Sasuke virou-se para encará-lo melhor, repentinamente interessado no assunto.

— Claro que tenho! Acha que eu iria esquecer o nome do meu primeiro namorado? — o Uzumaki perguntou ofendido.

— Suponho que não — Sasuke respondeu pensativo. Aquilo era estranho. Seu irmão era hétero, não tinha como aquele cara estar falando dele. Nesse caso…

— Eu estou viajando para reencontrar meus antigos colegas de classe — o Uzumaki continuava falando, alheio aos pensamentos dele — Aquela reunião que as pessoas fazem dez anos após terem se formado, sabe?

— Sei sim.

— Vai ser amanhã à tarde. Espero que consiga chegar a tempo… até saí de casa com antecedência, mas essa chuva acabou com meus planos — comentou frustrado — Fico imaginando se o Uchiha estará lá. As coisas não terminaram muito bem entre a gente.

— Se você está mesmo falando do meu irmão, lamento informar, mas ele está na Inglaterra agora. Viagem de negócios.

— Ah… entendo — respondeu apenas. Ele pareceu tão desanimado que Sasuke quase se arrependeu de ter dito isso.

— Bem, você pode estar enganado, é claro.

— Como assim?

— Meu irmão é hétero, então duvido que ele seja esse seu ex-namorado — Sasuke explicou.

— Tem razão — concordou — Ah! Será que…

— Eu me lembraria de ter namorado um idiota hiperativo como você, então não comece a ter ideias — Sasuke cruzou os braços, fazendo o outro baixar a cabeça outra vez. E novamente se sentiu culpado. Céus, por que tinha que se sentir responsável pelos problemas dos outros? Ele nem tinha nada a ver com isso!

— Então, o que aconteceu exatamente? — perguntou, sentando-se ao lado do rapaz — Por que terminaram o namoro?

— Eu também gostaria de saber — o Uzumaki deu uma risada fraca — Nós éramos inseparáveis, sabe? Tudo bem que estávamos passando por uma fase de rebeldia… brigar com os pais, fazer tatuagens, usar piercings, essas coisas… mas sempre fomos muito próximos. Até que um dia ele simplesmente terminou tudo comigo. Me acusou de o estar usando e brincando com os sentimentos dele… disse que a família dele tinha razão sobre eu ser uma má influência… e então ele mudou de escola e eu nunca mais o vi.

— Isso parece horrível. Lamento pelo que aconteceu — Sasuke falou, analisando a história com cuidado. Seu irmão teve poucos relacionamentos, mas ele acompanhou todos de perto e nenhum deles havia terminado assim. Mas essa história era muito familiar.

— Pois é. Acho que nunca vou saber o que aconteceu — o Uzumaki deu de ombros, conformado — Mas e você?

— Eu o que?

— Como assim “o que”? Eu te contei o motivo da minha viagem e acabei ressuscitando essa história patética não sei porque… podia ao menos me contar porque está viajando.

— Estou viajando a negócios — respondeu simplesmente. Notou que o Uzumaki não ficou satisfeito com tão pouca informação e acrescentou — Tenho uma reunião amanhã com um cliente importante, preciso discutir os termos do divórcio dele.

— Ah, então você é advogado? Agora sim está explicado esse seu jeito arrogante — o Uzumaki riu.

— Muito engraçado — Sasuke revirou os olhos — Vou dormir. Preciso estar descansado para amanhã. Durma no tapete se quiser — acrescentou, enfiando-se embaixo das cobertas.

— De jeito nenhum! Eu paguei para usar essa cama também! — o Uzumaki apagou a luz às pressas e deitou do outro lado antes que Sasuke ocupasse a cama inteira.

Era muito estranho dividir não só o quarto, mas também a cama com alguém que você tinha acabado de conhecer. Estavam deitados um de costas para o outro, mas isso não fazia o sentimento de preocupação ir embora. Sasuke sabia que a história que o Uzumaki contou não era sobre seu irmão. Ele conhecia aquela história porque já tinha passado por algo assim, mas algumas coisas não batiam. Talvez fosse só uma história parecida. Muitos adolescentes se rebelavam por volta dos quinze anos. E, francamente, quais as chances de ele ser aquele mesmo garoto? Eles nem eram parecidos! Bom, talvez um pouco. Aquele cara também sorria por qualquer coisa, parecia ser hiperativo, era bastante bonito, e… espera! Mas no que raios estava pensando? Não é hora de ficar pensando nisso, ele mal o conhecia! Era melhor deixar essa história de lado e dormir de uma vez.

Era o que gostaria de ter feito, mas sentir o Uzumaki virando de lado na cama, colar o peito nu contra suas costas e apoiar a mão em seu braço não ajudava.

— Sasuke… — sussurrou com a voz rouca.

— O que disse? — Sasuke sentou-se bruscamente. Não havia dito seu primeiro nome a ele, como poderia saber? E, mais importante que isso, por que o estava abraçando no meio da noite? Sem falar no volume que ele sentiu encostando em seu traseiro… ah céus, aquele cara era mesmo um pervertido!

— O que? — o Uzumaki piscou os olhos — Por que me acordou? Já é de manhã?

— Não, mas “alguém” parece estar bem acordado — Sasuke respondeu em tom acusador — Como raios você ficou duro de repente?

— Hein? — ele sentou-se e olhou para si mesmo. E então cruzou as pernas, embaraçado — Ah… desculpa. É que eu estava sonhando com um ex-namorado… aquele que eu te contei antes, lembra? Então, bem… é claro que já saí com outros caras depois disso, mas de vez em quando acabo lembrando dele,então…

— Se está tentando me enrolar com essa história só para disfarçar que ficou duro, esqueça — Sasuke interrompeu — Não me interessa o motivo, apenas resolva isso de uma vez. Você não vai dormir aqui enquanto estiver desse jeito.

— Certo… eu entendo o que você quer dizer, mas… — o Uzumaki torceu as mãos nervosamente — Não é tão simples assim. Você me lembra ele demais… o cheiro, esse jeito orgulhoso, e… ei, que tatuagem é essa? — interrompeu-se ao notar a marca semi-escondida pela camiseta que o outro usava — Posso ver?

Após alguns segundos de hesitação, Sasuke abaixou a alça da camiseta, revelando uma tatuagem semelhante a três meias-luas envolvidas por um círculo na região entre o pescoço e o ombro.

— É muito bonita. Não pensei que alguém certinho como você tinha tatuagem — o Uzumaki comentou.

— É um só resquício da minha fase de rebeldia juvenil.

— Que estranho. Ele tinha uma tatuagem igual a essa. Exatamente no mesmo lugar… — sem pensar no que fazia, apoiou os dedos sobre a tatuagem e acariciou o local de leve.

— Essa tatuagem era muito popular alguns anos atrás, muita gente fazia. Eu não sou seu ex-namorado, se é o que está pensando — Sasuke o segurou pelo pulso e o afastou de si, mas já não tinha tanta certeza do que dizia.

Era verdade que aquela tatuagem era comum na época, mas tatuar o mesmo lugar era coincidência demais. Ainda assim, ele torcia para que fosse outra pessoa. Não saberia o que fazer se o homem diante de si fosse o seu primeiro namorado e a única pessoa que amou de verdade.

— Então me diga, se você não é a pessoa que estou pensando, o que exatamente aconteceu durante essa sua fase rebelde?

— Nada de muito especial. Brigas idiotas com meus pais porque eu não queria trabalhar na empresa da família… queria montar uma banda — riu com a lembrança — Eu namorava um cara na época que ensaiava junto comigo… ele tocava guitarra. O típico adolescente que quer se tornar um astro do rock, sabe? Tinha um cabelo vermelho chamativo, tatuagens, usava maquiagem nos olhos… minha família odiava ele.

— E o que aconteceu com ele? — o Uzumaki perguntou, completamente entretido com a história.

— Um dia ele me traiu e nós terminamos. Simples assim.

— O que? Que final horrível!

— Nem me fale — Sasuke concordou — O que foi agora? — acrescentou ao notar que o rapaz ainda encarava sua tatuagem fixamente.

— É que… eu podia jurar que você é o garoto que eu namorei anos atrás, mas… que droga, pelo jeito eu estava enganado — suspirou frustrado e deixou sua cabeça pender até apoiá-la no ombro de Sasuke, que ficou sem ação por um momento. Não sabia se ele estava se aproveitando da situação ou se estava mesmo triste por ter se confundido.

— Droga… até o seu cheiro é parecido — o Uzumaki murmurou de repente, causando um arrepio involuntário em Sasuke. Certo, independente das intenções dele, precisava dar um basta nisso antes que fosse tarde.

— Não fique sussurrando no meu ouvido — Sasuke fez menção de afastá-lo, mas ele apoiou as mãos em seus ombros, aumentando o contato físico ao invés de diminuir.

— Por que? Isso te incomoda? — apoiou a boca sob a tatuagem em seu pescoço e beijou de leve — Ou é uma tentação?

— É sério, não me provoque Uzumaki, ou eu juro que…

— O que?

Sasuke afastou-se alguns centímetros apenas para encará-lo nos olhos. Era um jogo de provocação, ele sabia disso. Assim como sabia quem era o homem diante de si. Mudou tão pouco por dentro e tanto por fora… mas ainda o conhecia bem o suficiente para seguir com isso.

— Ou eu juro que não respondo por mim — Sasuke o segurou pelo queixo e uniu seus lábios sem avisar. Teve uma estranha sensação de nostalgia. Talvez porque não ficava com ninguém já tinha algum tempo, ou talvez por ter cada vez mais certeza de quem era o homem que estava beijando. Era como se tivessem voltado no tempo e fossem apenas dois adolescentes apaixonados com os hormônios a flor da pele.

Talvez a palavra apaixonados não fosse a mais adequada, mas que os dois estavam com os hormônios a flor da pele, isso estavam. Principalmente o Uzumaki. Enquanto Sasuke aprofundava cada vez mais o beijo, suas mãos exploravam o corpo dele, acariciando o tórax, abdômen e tudo que conseguisse alcançar. Quando precisaram se afastar para repor o oxigênio, o Uzumaki aproveitou para arrancar a camiseta que o Uchiha usava e cravou os lábios no pescoço dele, passando a chupar a região e arrancando um resmungo do outro.

— O que foi? Não me diga que doeu? — ele preocupou-se por um momento. Já aconteceu uma ou duas vezes de algum ex-namorado reclamar que ele se empolgava demais às vezes.

— Claro que não, idiota — Sasuke resmungou — Aí não… já tem marcas suficientes.

O Uzumaki piscou e sorriu ao compreender do que ele falava. Estava chupando a região da pele que estava tatuada. Tinha o péssimo hábito de fazer isso durante a adolescência também e seu ex sempre reclamava… como é possível duas pessoas serem tão parecidas?

— Desculpe — ele deu um beijo de leve em cima da tatuagem e passou a sugar sua clavícula, do outro lado. Sentiu as costas serem arranhadas, mas isso só o impulsionava a continuar. As mãos acariciavam o corpo esguio, apertando nas laterais ocasionalmente, até chegar nas nádegas.

A primeira coisa que o Uzumaki constatou foi que Sasuke tinha um traseiro deveras avantajado. A segunda coisa foi que talvez ele tivesse ido longe demais. Subitamente, Sasuke afastou as mãos dele do próprio corpo e o empurrou, fazendo com que caísse deitado na cama.

— É a minha vez de brincar — Sasuke exibiu um sorriso torto. Posicionou-se em cima dele e tornou a beijá-lo voluptuosamente até ir descendo de forma lenta e torturante. Beijou e chupou seu pescoço, clavícula, demorou-se um pouco nos mamilos, abdômen… até que teve uma surpresa quando chegou ao umbigo.

— Bela tatuagem — comentou ao reparar na tatuagem em forma de espiral que começava ao redor do umbigo e que se espalhava por parte do abdômen. Ao redor dela havia algo escrito por todos os lados em um idioma que ele desconhecia mas, pelo formato, lembrava a ilustração de um sol.

Era como haviam escolhido anos atrás quando decidido fazer tatuagens. Ele faria algo que representasse o sol e Sasuke completaria a outra metade, tatuando algo que lembrasse a lua. Acreditavam que sempre completariam um ao outro e que ficariam juntos para sempre… e veja só como as coisas terminaram.

— Não é discreta como a sua — o Uzumaki riu, despertando-o de seus pensamentos.

— Mas parece legal de brincar — Sasuke passou a língua ao redor do umbigo dele, fazendo-o gemer descontroladamente. Como imaginou, ele ainda era sensível naquela região.

— Não me provoca, Uchiha… assim não vou conseguir me controlar — falou com esforço enquanto se contorcia na cama.

— Então você é mesmo sensível aqui — Sasuke comentou como quem fala do tempo — Ficou mais sensível depois que fez a tatuagem? Ou você sempre foi assim? — perguntou enquanto passava o dedo indicador pelo umbigo dele. Até que o deslizou até a barra da cueca do rapaz, ameaçando tirar por um momento, mas mudou de ideia e passou a acariciar seu membro que latejava de dor por cima do tecido — Ou será que é por que você está nesse estado?

Ao invés de responder a pergunta, o Uzumaki o segurou pelo quadril e o girou na cama, ficando por cima dele.

— Eu avisei para não me provocar — ele lembrou. Respirou fundo várias vezes, tentando recuperar o controle — Escute… pode até não parecer, considerando tudo o que aconteceu hoje, mas eu não sou um cafajeste, sabe…

— Realmente não parece — Sasuke concordou.

— O caso é que eu preciso dar um jeito nisso, como você mesmo reparou — ignorou o comentário dele — Não vou te forçar a fazer nada que você não queira, é claro. Por isso preciso saber… se você quer, sabe… continuar com isso.

Sasuke ficou em silêncio por um longo tempo. Jamais imaginou que o encontraria novamente, ainda mais naquelas circunstâncias. Independente do que aconteceu no passado, precisava admitir que ainda pensava nele de vez em quando. E o Uzumaki não sabia quem ele era. Poderia fingir que era apenas uma noite de sexo casual. Não era do seu feitio fazer esse tipo de coisa, mas existe uma primeira vez para tudo, não é? E ninguém ficaria sabendo. Já tinham chegado até ali, então por que não acabar com isso?

Até porque, ele também estava precisando.

— Eu devo ter bebido muito uísque para estar concordando com isso — Sasuke respondeu por fim.

— Ora, admita que você me acha gostoso — o Uzumaki sorriu.

— Não. Definitivamente foi o uísque — Sasuke jamais admitiria isso — Escute, eu não costumo fazer sexo casual, então… meio que estou desprevenido. Portanto, a menos que você possa dar um jeito, não vai rolar.

— Ah! Sim, é claro. Acho que eu tinha uma aqui, só um minuto… — o Uzumaki saltou da cama e começou a revirar os bolsos de sua calça no varal improvisado. Não levou nem quinze segundos para retornar com uma camisinha nas mãos.

— Você pretendia levar uma camisinha para o seu reencontro com antigos colegas de classe? — Sasuke ergueu uma sobrancelha.

— Eu esperava encontrar uma pessoa em especial. Nunca se sabe o que pode acontecer, então… deixa pra lá — Naruto deu de ombros.

— Pelo menos você vai usar isso — Sasuke riu — Por que não me mostra o resto dessa tatuagem?

O Uzumaki livrou-se da única peça de roupa que usava, revelando a tatuagem por inteiro, que ia até parte da virilha, bem como seu membro ereto. Ele precisava cuidar disso, e com urgência.

Adiantou-se para despir Sasuke também. Segurou a barra da cueca que ele usava e esperou um momento, se perguntando se ele mesmo iria querer fazer isso ou se iria mudar de ideia no último instante, mas, como não houve resistência, retirou a peça de roupa com um puxão rápido. Ficou estranhamente aliviado ao notar que Sasuke também estava excitado. Poderia retribuir o prazer do qual ele tanto precisava.

Não importa como veja a situação, parecia estranho para Sasuke. Ele conheceu aquele rapaz há muito tempo, mas perderam o contato por anos, e agora lá estavam eles, juntos na cama após se reencontrarem em apenas uma noite. Claro que sabia que muitas pessoas faziam sexo casual, mas era difícil para ele dividir momentos tão íntimos com alguém que mal conhecia, apenas para satisfazer os desejos do corpo.

Embora conhecesse muito bem aquele rapaz.

— Está tudo bem. Se doer me diz que eu paro — o Uzumaki o beijou de leve. Pareceu interpretar seu silêncio como preocupação pelo que estava por vir. Em seguida mordiscou sua orelha, apenas para provocá-lo e encontrou outra surpresa — Ei, isso é uma cicatriz?

— Eu tinha um piercing nessa orelha quando era mais jovem — Sasuke contou — Deixei o buraco fechar, mas acho que vai ficar assim para sempre.

— Você é cheio de surpresas — comentou enquanto acariciava os cabelos negros. Ele tinha um furo na mesma orelha que o seu ex. Por mais que continuasse negando, tudo indicava que o Uchiha era o garoto que ele namorou anos atrás. Não era possível que existissem tantas coincidências assim.

Sacudiu a cabeça, decidindo deixar esse assunto de lado por enquanto. Tinha algo mais urgente para resolver no momento.

— Lamento, mas não tenho lubrificante, então se prepare — o Uzumaki avisou após colocar o preservativo.

— Eu devia ter imaginado que acabaria nisso quando senti você me encoxando — Sasuke suspirou de forma teatral.

— Ei! Eu não estava…

— Eu só espero que você seja bom de cama. Não é fácil me satisfazer — Sasuke avisou, e o Uzumaki não sabia se ele estava falando sério ou apenas provocando-o.

— Não se preocupe, vou garantir que essa noite seja inesquecível — ele sorriu convencido.

O Uzumaki se curvou sobre ele e afastou suas pernas. Beijou de leve os testículos do rapaz, alternando por lambidas, que iam até sua entrada. Não havia nada que pudesse usar como lubrificante, então teriam que improvisar. Segurou as duas bandas do traseiro farto do Uchiha e as afastou ainda mais, começando a passar a língua ao redor do pequeno orifício. Ouvir os gemidos dele o excitava cada vez mais, estava difícil se controlar. Aquele homem era tão lindo… tinha um humor meio ácido e podia até ser um pouco arrogante, mas, pensando bem, isso só aumentava sua vontade de possuí-lo. E, céus, que traseiro farto ele tinha! É sério, como alguém podia ser tão gostoso? Devia ser uma delícia foder aquele traseiro… não conseguia mais esperar.

Inseriu um dedo na entrada do Uchiha, torcendo para que já o tivesse lubrificado o suficiente. Ouviu o outro soltar um resmungo, mas era natural. Não havia pedido para parar, então prosseguiu e logo o segundo dedo se juntou a ele, realizando movimentos de vai e vem. Escutou o Uchiha soltar um gemido e não sabia se era de dor ou prazer, até notar o pré-gozo que começava a se formar no membro dele.

— Ei, Uzumaki… anda logo com isso — ele lutou para manter o tom de voz normal.

Não precisou pedir duas vezes. O Uzumaki retirou os dedos, que foram substituídos por algo consideravelmente maior. Esforçou-se para ficar parado quando ouviu o gemido arrastado que o Uchiha deixou escapar e esperou que ele se acostumasse. Sasuke arquejava e cravou as unhas nos ombros do Uzumaki, buscando algum controle, qualquer coisa que o distraísse da dor de ser invadido. Não funcionou, mas os movimentos de vai e vem que o Uzumaki começou a fazer enquanto acariciava seu membro sim. Estava tão perdido em seus pensamentos sobre quem era aquele homem que mal percebeu o quanto estava excitado e agora que notou isso, parecia que a sensação veio toda de uma só vez, como uma explosão de calor dentro de si. Gemeu alto novamente, dessa vez de prazer e começou a movimentar o quadril, indicando que estava pronto.

O Uzumaki não perdeu tempo em começar a estocá-lo. Devagar no começo, mas acabou acelerando antes do que pretendia. Estava se segurando há tempo demais, seu membro pulsava de dor e só aquele homem poderia aliviá-la. Não se importava mais com o fato de conhecê-lo há tão pouco tempo, ou por ele ser tão parecido e até possivelmente ser o seu ex. Só o que importava agora é que finalmente tinha o Uchiha só para si. Os arranhões em suas costas o impulsionava a ir mais rápido, o suor começava a escorrer por seu corpo, que parecia queimar de dentro para fora. Às vezes tinha um pequeno lapso de sanidade que o lembrava de ir com mais calma para não acabar machucando o Uchiha sem querer, mas era praticamente impossível se controlar diante de um homem daqueles. Principalmente quando enfim podia colocar as mãos livremente naquele traseiro avantajado. Apertava as nádegas sem dó, que certamente ficariam tão marcadas quanto suas costas. Foder aquele homem era muito melhor do que imaginou. Não importa o quão forte ele investisse, parecia que sempre dava para ir mais fundo.

— Ei, Uzumaki — Sasuke chamou com a voz rouca — Por acaso está se controlando porque está com medo de me machucar? Ou é só isso que consegue fazer?

— Como é? — perguntou entre irritado e confuso.

— Eu avisei que não é fácil me satisfazer — Sasuke lembrou — Se está tentando não me machucar, agradeço a preocupação, mas não precisa… dá pra ir muito mais fundo, como você deve ter notado — deu uma risada maldosa — A ideia de fazer isso foi sua, então trate de fazer direito.

O Uzumaki retribuiu o sorriso maldoso e passou a investir com mais força. É verdade, às vezes tinha um pequeno momento de clareza que o lembrava de fazer o possível para não machucá-lo. Mas, se o próprio Uchiha estava pedindo por mais, não era ele quem iria negar. Aumentou a velocidade das estocadas, bem como os movimentos de fricção ao redor do membro dele. Ouviu o Uchiha balbuciar algo incoerente e segundos depois acabou gozando, sujando sua mão e parte do lençol.

Ver a expressão de prazer no rosto dele o excitou ainda mais, se é que era possível. Se arremeteu mais fundo contra ele, e tudo que se ouvia naquele quarto eram os gemidos de ambos misturados ao rangido do colchão.

— Mais… preciso que vá mais fundo… — o Uchiha balbuciou com dificuldade — Não se contenha, ou eu juro que acabo com você.

E então o Uzumaki percebeu uma coisa: Ter aquele traseiro abundante era algo maravilhoso para quem estava com ele, mas parecia ser um problema pra o Uchiha. Talvez significasse que ele tinha um canal largo também, ou muito fundo… ele não era muito bom em anatomia para saber ao certo. Mas finalmente entendeu porque era tão difícil satisfazê-lo.

Precisava arriscar. A ideia foi dele afinal, então o mínimo que devia fazer era saciar o desejo dele. Deixou qualquer resquício de preocupação que ainda pudesse sentir de lado e se arremeteu contra ele sem dó. Afastou ainda mais as pernas do Uchiha para que pudesse ir mais fundo, até que o ouviu gemer alto, indicando que finalmente havia encontrado seu ponto sensível.

— Aí! — Sasuke praticamente gritou — Faz de novo… com força.

O Uzumaki se jogou contra ele com uma velocidade absurda, acertando o mesmo local repetidas vezes. Até que sentiu Sasuke comprimir o canal, deixando a penetração inimaginavelmente mais deliciosa. Uma estocada particularmente feroz enfim fez o Uchiha atingir o ápice, praticamente gritando de prazer. O Uzumaki não aguentou ver aquela expressão no rosto dele outra vez e gozou logo depois, soltando um gemido arrastado.

Ele se retirou de dentro do Uchiha e deitou ao lado dele de qualquer jeito. Os dois estavam suados, ofegantes e muito satisfeitos.

— Preciso te parabenizar — Sasuke disse quando recuperou o fôlego — Faz muito tempo desde que alguém conseguiu me satisfazer assim.

— Obrigado, eu acho — o Uzumaki riu, livrando-se da camisinha usada — Você não estava brincando quando disse que era difícil te saciar, hein.

— Eu avisei que não seria fácil. É por isso que meus relacionamentos terminam rápido.

— Como assim? — o Uzumaki virou-se de lado para encará-lo melhor — Não acredito que alguém já terminou contigo. Cara, você é gostoso pra caramba.

— Sim, mas isso é meio que um problema — ele concordou sem um pingo de modéstia — Geralmente as pessoas se interessam por mim por causa da minha aparência, mas a maioria dos caras com quem eu saí não conseguiam me satisfazer e se irritavam com isso, como se a culpa fosse minha… ou nem tentavam. Pensavam só no lado deles, sabe? Então eu acabava terminando.

— Cara, isso é terrível — o Uzumaki falou abismado — Você merece mais do que isso.

— Como pode dizer isso com tanta certeza? Mal me conhece — Sasuke lembrou.

— É, mas… eu quero dizer que ninguém deveria passar por isso — ele tentou se corrigir.

O que o Uchiha disse era verdade, os dois mal se conheciam. E ainda que aquela fosse apenas uma noite de sexo casual e eles provavelmente nunca mais fossem se ver depois disso, ele não conseguia se livrar da sensação de que já o tinha visto antes. De que conhecia aquele homem de algum lugar… ele se parecia demais com seu ex-namorado e, por mais que o Uchiha dissesse que não era ele e algumas informações não batessem, ainda restava uma pontinha de dúvida.

— Não vamos estragar o momento falando sobre essas coisas — Sasuke o despertou de seus pensamentos. Virou-se de frente para ele e afagou os cabelos loiros — Hoje acabou sendo mesmo uma noite incrível. Obrigado.

— Ei, não me agradeça. Você é que me ajudou com um enorme problema — ele lembrou e os dois riram ao lembrar de como tudo começou. Ele abraçou o Uchiha, trazendo-o para mais perto de si — Agora é melhor dormirmos um pouco. Teremos um dia longo amanhã.

— Sim… você vai conseguir chegar a tempo para rever seus antigos colegas… e eu também precisarei me apressar, minha reunião é de manhã.

— Sério? Então teremos que acordar cedo e pedir ao gerente da pensão para consertar o seu carro depressa — o Uzumaki comentou — No pior dos casos eu pago um táxi para você… ei, está ouvindo? — ele chamou, mas o Uchiha já tinha adormecido. Ele devia ter tido um dia cheio… e a noite foi bem cansativa também. O Uzumaki sorriu e afagou os cabelos negros com a mão livre — Talvez eu tenha pegado pesado com você afinal… mas pelo menos você ficou feliz. Boa noite, Uchiha — fechou os olhos e em pouco tempo também adormeceu.




~~~~~X~~~~~X~~~~~




O Uzumaki acordou um tanto atordoado. Primeiro porque não estava em sua casa. Segundo porque não se lembrava do motivo de estar nu. E quando as memórias da noite anterior voltaram, ele estranhou a ausência do outro homem ao seu lado na cama. Sentou-se sonolento, se perguntando se o Uchiha já teria descido para tomar o café da manhã, quando notou o barulho do chuveiro e suspirou aliviado. A noite passada tinha sido maravilhosa, mas ainda restava uma dúvida em sua cabeça e precisava acabar com ela antes de seguir viagem.

O barulho do chuveiro cessou e a porta do banheiro abriu. Sasuke surgiu no quarto com os cabelos úmidos, usando apenas uma toalha enrolada na cintura.

— Hã… bom dia — cumprimentou, surpreso em ver o Uzumaki acordado. Não sabia como se portar depois do ocorrido na noite passada — Eu… achei que ainda estivesse dormindo.

— Não me diga que está com vergonha de mim? Depois de tudo o que fizemos? — o Uzumaki riu. Sasuke desviou o olhar.

Ele tinha acertado em cheio. Sasuke deixou-se levar pelo calor do momento na noite passada e tudo o que restava agora era a vergonha e uma terrível dor de cabeça por causa da grande quantidade de uísque que bebeu e que contribuiu para que dormisse com um estranho. Sem falar na dor que sentia mais embaixo quando se sentava.

— Escute, seja lá o que foi aquilo, já acabou. Não se fala mais no assunto, está bem? — ele tentou recuperar a compostura — É sua vez de usar o banheiro — falou, torcendo para que o Uzumaki deixasse o quarto para que ele pudesse se vestir em paz.

— Está bem, está bem — decidiu não insistir — Mas me espere para ir tomar o café da manhã. Preciso falar com você antes de seguirmos viagem — pediu. Recebeu um olhar mortal do Uchiha e acrescentou rapidamente — Não tem nada a ver com a noite passada, eu juro!

— Tudo bem. Mas não demore.

O Uzumaki tomou um banho rápido enquanto tentava encontrar as palavras certas para fazer a pergunta que tanto queria. Se seu ex-namorado não era o irmão dele, como pensou inicialmente, e nem ele… talvez o Uchiha o conhecesse. Embora ele ainda tivesse certeza de que era ele. Mas precisava perguntar isso de uma forma que o Uchiha não pudesse negar caso estivesse certo.

Quando retornou para o quarto o Uchiha estava tentando dar um jeito nos cabelos rebeldes. Vestiu-se rapidamente, notando que ele lutava contra uma mecha que insistia em ficar em cima do olho.

— Você ficava melhor com o cabelo comprido, Uchiha Sasuke — simplesmente soltou a frase. Ou o Uchiha o chamaria de louco e iria rir da cara dele ou talvez enfim conseguiria algum resultado.

Silêncio. Sasuke permaneceu imóvel por vários segundos, os olhos arregalados. Cogitou dizer que não sabia do que ele estava falando, mas parecia idiotice negar a essa altura. Já estava mais do que na hora de enfrentar aquela situação.

— Quando notou que era eu?

— Ontem a noite, enquanto a gente transava. Você cortou o cabelo e tirou os piercings, mas ainda tem essa tatuagem e continua sensível nos mesmos lugares que eu me lembro… e continua o mesmo por dentro.

— Muito engraçado.

— Não quis dizer nesse sentido! — percebeu tardiamente o trocadilho horrível que havia feito sem querer — Você continua… usando esse jeito agressivo como uma espécie de defesa para não se machucar, mas por dentro ainda é uma pessoa gentil, e tem um sorriso sincero — ele olhou para o rosto de Sasuke refletido no espelho e lembrou do garoto que namorou anos atrás.

O adolescente com cabelos compridos que sempre se vestia de preto, usava piercing na orelha e fez uma tatuagem em formato de meias-luas dentro de um círculo para combinar com a sua, que tinha a forma de um sol. De como ele dizia que odiava a ideia de precisar trabalhar na empresa do pai quando crescesse só porque era o negócio da família há várias gerações. Como queriam formar uma banda e viverem juntos para sempre.

E como tudo aquilo ruiu em um único dia.

— Por que não me contou quem você era?

— Pra que? — Sasuke rebateu — Para discutirmos ainda mais? Hein, Uzumaki Naruto? — ele virou-se para encará-lo — Eu também não te reconheci de imediato. Você tinha cabelos vermelhos, mas a história que você contou sobre ter namorado um Uchiha não deixou dúvidas.

— Eu tingia o cabelo. Acho que nunca te contei isso, não é? — Naruto perguntou retoricamente — Eu brigava bastante com meu pai naquela época, se lembra? Ele demorou muito a aceitar o fato de eu ser gay. E enquanto isso não acontecia… eu queria ser mais parecido com minha mãe, que me apoiou. Por isso comecei a tingir o cabelo de vermelho, para ficar igual ao dela.

— Você realmente nunca me contou que tingia o cabelo — Sasuke respondeu, surpreso com aquela informação — Eu… não queria trabalhar no negócio da minha família, você deve se lembrar. Nem era necessário, meu irmão mais velho era o herdeiro principal de qualquer forma. Ironicamente, ele era o único que me apoiava e dizia que eu podia seguir o caminho que quisesse, que poderia trabalhar em outra coisa. Eu sempre tentei imitá-lo em tudo… por isso deixei o cabelo crescer quando era mais novo. Para ficar mais parecido com ele.

— Há! Complexo de irmão, é? — Naruto deixou escapar uma risada. Sasuke acabou rindo também. Talvez ele tivesse razão — Por que terminou comigo, Sasuke?

— Não acredito que está me perguntando isso — Sasuke passou a mão pelos cabelos — Tudo bem. Depois de dez anos você deve ter se esquecido que um dia depois da nossa primeira vez eu te vi beijando aquela líder de torcida peituda… como era mesmo o nome dela? Renata? Hinata? Ah, tanto faz. Podia ter me contado que era bi, né Naruto?

— O que? Sasuke, eu não sou bi. E também não beijei…

— Ou melhor ainda, podia ter tido a decência de terminar comigo para depois ficar com ela — Sasuke o cortou — Antes de ter tirado a minha primeira vez, de preferência.

— Sasuke, não foi assim que aconteceu…

— Está tudo bem. Você sempre gostou de pessoas fartas, não é, Naruto? — Sasuke deu uma risada debochada — Parece que eu não era o suficiente.

— Então foi por isso que terminou comigo?

— E você acha pouco?

— Eu não beijei a Hinata! — Naruto exasperou-se — Você nunca me deixou explicar o que aconteceu. Simplesmente me acusou de estar te usando e depois sumiu da escola!

— Meus pais sempre acharam que você era uma má influência. Eles pretendiam se mudar para outra cidade sem me contar nada para me afastar de você — Sasuke explicou — Meu irmão me disse isso em segredo e eu ia te contar naquele dia… ia pedir para fugirmos juntos para longe — deu uma risada amarga com a lembrança — Até que vi vocês dois se beijando e entendi que meus pais tinham razão. Eu me mudei com eles e segui o negócio da família.

— Ah, Sasuke… — Naruto esfregou as têmporas com os dedos — Aquilo que você viu… não posso negar o que aconteceu, mas não foi de propósito.

— Como assim?

— A Hinata não sabia que nós estávamos namorando. Ela pediu para conversar comigo depois da aula e se declarou para mim — Naruto explicou — Quando contei a ela que era gay e tinha namorado, ela se descontrolou… ficou insistindo e pedindo uma chance, até que eu perdi a paciência e dei um “não” definitivo. Achei que ela iria chorar, mas ao invés disso, ela se jogou em cima de mim e me roubou um beijo. Foi isso que você deve ter visto.

Sasuke o encarou embasbacado por longos segundos. Naruto poderia ter inventado aquela história na época para tentar se livrar da culpa, caso quisesse manter o namoro com ele, mas qual seria o sentido de inventar tudo isso agora? Eles nem eram mais namorados. Talvez ele estivesse falando a verdade e tudo não passou de um engano.

Um grande e terrível engano que resultou no fim de um lindo romance.

— Então foi ela quem te beijou? — Sasuke falou por fim.

— Sim — Naruto confirmou — Eu teria batido nela se fosse um cara, mas como era uma garota… fiquei meio sem reação e demorei para afastá-la. Sinto muito, Sasuke.

— Não… eu é quem peço desculpas. Mesmo com dez anos de atraso — Sasuke baixou a cabeça — Eu devia ter deixado você se explicar.

— Você teria acreditado em mim se eu te explicasse naquela época?

— Não sei — Sasuke passou a mão pelos cabelos — Eu fiquei com muita raiva e mágoa quando vi aquilo… mas, se você viesse conversar comigo quando eu estivesse de cabeça fria e explicasse com calma, como fez agora… então, sim, eu teria acreditado.

— Mas você se mudou antes que isso acontecesse — Naruto lamentou.

— Se ela não tivesse te beijado e eu tivesse te pedido para fugir comigo… você teria ido?

— Eu acho… que sim. É, provavelmente — Naruto respondeu depois de pensar por um instante — Eu era muito imaturo e impulsivo naquela época… faria qualquer coisa para ficar com você.

— Pelo que eu notei ontem você ainda é impulsivo — Sasuke observou, fazendo Naruto rir. Não tinha como negar isso — E pensar que nossas vidas poderiam ser completamente diferentes agora.

— Se aquilo não tivesse acontecido, talvez a gente tivesse mesmo fugido juntos… teríamos recrutado mais pessoas para nossa banda e estaríamos viajando ao redor do país — Naruto fantasiou, e dessa vez foi Sasuke quem riu.

— Talvez tenha sido melhor assim. O caminho que estávamos tomando… não era dos melhores — Sasuke encolheu os ombros — Digo, não por causa das tatuagens todo o resto, agora entendo que não tem nada de errado com isso, mas a gente era menor de idade na época. E aquele tatuador ficava dizendo que podíamos usar a lanchonete do primo dele como refúgio quando quiséssemos ficar sozinhos…

— Lanchonete que estava mais para bar, né? — Naruto lembrou — Nós fizemos muitas bobagens mesmo. Mas, Sasuke… acha mesmo que foi melhor terminar assim?

— Bem, não é a melhor forma de se terminar um namoro… mas foi como acabou.

— Sabe, eu estava pensando — Naruto se balançou para frente e para trás nas solas dos pés — E se a gente recomeçasse?

— Como assim? Recomeçar o namoro de onde parou? — Sasuke perguntou abismado com a ideia, e Naruto assentiu — Naruto, já se passaram dez anos! Não dá para reatar um namoro depois de tanto tempo.

— Tudo bem. Então, e se a gente começasse a namorar de novo? Começando do zero? — Naruto sugeriu.

— Quer começar do zero depois de a gente ter transado ontem? — Sasuke ergueu uma sobrancelha.

— Aquilo foi sexo casual. Não conta — Naruto argumentou — Sabe, depois que você foi embora eu demorei muito tempo para superar o fim do nosso namoro, mas acho que nunca consegui fazer isso completamente. Claro que já saí com outros caras, mas, o que eu sentia por eles… nem se comparava ao que eu senti por você… o que eu ainda sinto. Acho que lá no fundo eu ainda te amo, Sasuke.

— Naruto… você deve estar emocionado por me ver depois de tanto tempo, não confunda as coisas — Sasuke desviou o rosto sem graça. Não queria admitir, mas aquela confissão tinha mexido com ele. E a última coisa que precisava agora era ficar abalado emocionalmente — Estou feliz por ter te reencontrado e finalmente esclarecido o que aconteceu naquele dia, ainda que tenha demorado tanto tempo. Finalmente poderei parar de guardar rancor de você e seguir minha vida em paz. Mas o que a gente tinha… acabou.

— Se realmente acabou, então por que aceitou dormir comigo ontem, mesmo sabendo quem eu era? — Naruto questionou.

— Porque… bem, primeiramente eu estava bêbado — ele insistiu em colocar a culpa no uísque — E também… conforme a gente conversava, eu fui me lembrando dos momentos bons que tivemos na adolescência. Lembrei das suas qualidades e do que eu gostava em você. Do que eu… gosto em você — ele sentiu o rosto esquentar — Não é como se eu nunca tivesse pensado em você durante esse tempo, sabe, mas eu estava muito magoado. Agora sei que a culpa não é sua, mas já se passaram anos e eu mudei muito durante esse tempo… nós dois mudamos.

— Você não mudou tanto assim, Sasuke. Continua sendo um teimoso que não enxerga o que está bem na sua frente — Naruto sentenciou — Bem, eu vou tomar o café da manhã. Ainda preciso consertar meu carro para seguir viagem e encontrar o resto dos nossos colegas… aliás, você não recebeu o convite de reencontro de dez anos?

— Deve ter ido para o meu antigo endereço — ele deu de ombros. Mesmo que tivesse recebido, não poderia ir, pois era no mesmo dia que a sua reunião.

— Entendo. Bom, você deve se lembrar aonde fica a nossa antiga escola, não é? — Naruto perguntou e ele assentiu — Lembra que tinha uma lanchonete do outro lado da rua? Parece que ela fechou e construíram um bar no lugar dela. Nosso reencontro vai ser lá.

— Construíram um bar em frente a uma escola? — Sasuke ergueu uma sobrancelha — Que burrice.

— Nem me fale — Naruto concordou — Enfim… a reunião vai ser às duas da tarde. Se mudar de ideia, sabe onde me encontrar — abriu a porta do quarto — Foi bom te ver de novo — Naruto sorriu antes de fechar a porta e deixar Sasuke sozinho com seus pensamentos.




~~~~~X~~~~~X~~~~~




Felizmente o gerente da pensão conseguiu consertar ambos os carros a tempo. Cobrou o valor do conserto por fora, é claro, mas valeu a pena. Sasuke chegou em cima da hora para sua reunião e, apesar de sua mente estar um verdadeiro caos devido aos recentes acontecimentos, conseguiu se sair bem. Fez um ótimo acordo com seu cliente, que ficou tão feliz por não precisar dividir seus bens, visto que foi vítima de traição, que decidiu ir comemorar assim que saísse dali. Até convidou Sasuke para beber com ele, mas o Uchiha decidiu que tinha outro compromisso.

Não havia como não pensar no que aconteceu com ele mesmo anos atrás depois dessa reunião. Havia provas de que seu cliente foi vítima de traição mais de uma vez. Fotos, vídeos… até que sua esposa, ou melhor, ex-esposa finalmente confessou. Se ele tivesse conversado com Naruto na época, sua vida seria totalmente diferente agora.

E poderia mudar completamente dependendo da decisão que tomasse hoje também.

Enquanto voltava para o outro lado da cidade, parou em uma bifurcação na estrada. Uma levava para sua casa atual. A outra levava para sua antiga escola, perto da casa onde morou quando era mais novo. Crispou os lábios, pensativo por um momento e sorriu. Não havia o que pensar. Deixou Naruto escapar uma vez por causa de uma besteira, não ia cometer o mesmo erro de novo. Pisou no acelerador e rumou em direção ao tal bar que Naruto mencionou.

Dirigiu por quase duas horas e pegou um engarrafamento terrível, mas valeu a pena. Foi tomado por um sentimento de nostalgia quando avistou sua antiga escola. Em frente a ela estava o que um dia foi uma lanchonete e agora tinha se transformado em um bar. Após estacionar o carro, Sasuke respirou fundo, como se isso pudesse lhe dar coragem, e adentrou o local.

O bar estava lotado. Aparentemente tinha sido reservado exclusivamente para seus antigos colegas de classe naquele dia. Viu vários rostos familiares, alguns se lembrava vagamente, mas apenas um realmente lhe importava. Olhou para os lados até avistar a cabeleira loira perto do balcão e sorriu, caminhando a passos rápidos em direção a ele.

— Naruto! — chamou quando se aproximou o suficiente para ser ouvido. Ele conversava com um homem que Sasuke lembrava ser o antigo líder do time de futebol, mas não recordava o nome e uma mulher… ela.

A causadora de tudo isso.

— Sasuke! Não acredito, você veio mesmo! — Naruto abriu um largo sorriso ao vê-lo, mas Sasuke não percebeu. Encarava fixamente a mulher que estava conversando com ele antes.

— Sim… mas já não sei se foi uma boa ideia…

— Ah… — Naruto seguiu o olhar dele e logo entendeu do que o rapaz falava — Você deve se lembrar da Hinata, é claro…

— O Naruto estava me contando o que aconteceu com vocês — Hinata falou — Sinto muito, de verdade. Eu era imatura e egoísta… e não fazia ideia de que vocês eram namorados.

— E se você soubesse? — Sasuke indagou — Você gostava do Naruto. Teria se declarado para ele mesmo assim?

— Eu era egoísta sim, mas não a esse ponto — ela respondeu — Jamais teria coragem de estragar a felicidade de outra pessoa de propósito, ainda mais a de alguém de quem eu gostava.

— Então você não…?

— Ela está casada com o Kiba agora — Naruto contou, indicando o homem ao lado dela, que costumava jogar futebol.

— Também lamento por todo esse problema nas vidas de vocês — Kiba sorriu sem graça.

— Você não tem culpa de nada — Sasuke respondeu. E então voltou-se para Naruto — Posso falar com você um instante?

— Claro — Naruto levantou-se e o seguiu até um canto mais afastado.

— Lembra que eu havia dito que tinha uma reunião hoje de manhã? — Sasuke indagou e Naruto assentiu — Bem, ela foi ótima. Consegui provar que meu cliente estava sendo traído e ele não precisou dividir os bens com a ex-esposa dele — ele contou — E isso me fez pensar… no que aconteceu com a gente. Você não me traiu no fim das contas, foi tudo um grande e terrível engano. Então, se você ainda quiser, acho que nós podemos tentar… sabe, namorar de novo e ver o que acontece.

— É tudo o que eu mais quero — Naruto abriu um enorme sorriso, sentindo seu coração se encher de alegria. Em seguida puxou Sasuke para um beijo e lhe deu um abraço apertado, como se temesse que ele fosse embora novamente.

Mas ele não ia a lugar nenhum. Não dessa vez. Desperdiçou dez anos de sua vida nutrindo rancor pela pessoa que mais amava por causa de um terrível engano, tudo o que queria agora era recuperar o tempo perdido. E faria isso desde já. Não importa se moravam longe um do outro ou se suas vidas eram diferentes agora, Sasuke tinha reencontrado o amor de sua vida. E não ia deixar escapá-lo outra vez.


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Notas Finais:

Galera, só pra esclarecer, eu sei que não há nada de errado em usar piercing, tatuagem, etc. Porém precisa ser maior de 18 anos para isso. Naruto e Sasuke fizeram quando eram menores de idade, sem autorização dos pais e com um tatuador meio suspeito, por isso eles chamaram de rebeldia. Sem falar que os japoneses são mais rigorosos sobre esse tipo de coisa.


Essa história também foi postada no Nyah! Fanfiction e no Spirit.


4 марта 2021 г. 16:31:24 0 Отчет Добавить Подписаться
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