thaistardust Thaís Maria

Steve é um fotógrafo californiano que empenha-se em criar um álbum que fosse diferente e significasse algo para ele. Ele vai para Maine, no norte dos Estados Unidos e lá encontra várias inspirações e conhece vários garotos do norte do país, em especial, James.


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#romance #amor #lgbt #fotografia #viagem
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Borderline


Steve

O avião havia decolado há menos de cinco minutos e eu estava extremamente ansioso para começar meu álbum fotográfico, o álbum que decidi que iria ser diferente de qualquer outro e que mudaria minha vida.

Dando um longo e ansioso suspiro, coloquei-me a descer as escadas do avião o mais rápido possível, nem ao menos pensei em passar na cafeteria do aeroporto para pegar um simples café, que era um hábito contínuo. Meu coração palpitou ainda mais rápido quando minhas narinas aspiraram o ar gelado de Maine. Logo, pedi um táxi que me levaria para Little Hunters Beach, onde eu começaria meu tão esperado trabalho. O clima frio de Maine havia me atraído de uma forma incrível. Eu já estava cansado de fotografar pessoas em praias ensolaradas, sempre saíam as mesmas coisas e eu sempre odiei monotonia, então, decidi fazer um pequeno tour mundial, financiado por minha mãe, que sempre me apoiou na profissão de fotógrafo, por mais que a mesma nunca me desse uma certeza financeira.

O táxi parou em meu hotel, que ficava a alguns minutos da praia, dependendo do andar que eu ficaria eu poderia desfruta-la a distância. Quando entrei no hotel fui até a bancada e me identifiquei. "Ótimo!", pensei quando recebi a notícia de que meu quarto ficaria no décimo primeiro andar, com uma bela vista para a praia. Subi as escadas com certa dificuldade por ter duas grandes malas em mãos, mas acho que minha ansiedade era maior do que qualquer obstáculo, incluindo aquelas escadas. Ao entrar no quarto, me deparei com algo simples e elegante. Era o clichê de sempre, uma cama acompanhada por dois criados-mudos. Havia uma cabeceira de madeira com um quadrado vermelho de veludo no meio, que contrastava com a cor das portas e janelas do quarto. Em frente a cama havia uma TV de mais ou menos quarenta e duas polegadas e uma poltrona meio avermelhada ao lado de uma das portas, a qual provavelmente daria na sacada. O quarto era extremamente confortável. Coloquei minhas malas em cima da cama, trataria de colocar minhas roupas no armário depois, e fui até a porta próxima a poltrona, abrindo-a e tendo a bela visão de Little Hunters Beach. Não era uma praia como as da Califórnia; a areia era substituída por pedras e ao invés de bares e outros tipos de lazeres, havia apenas árvores em sua orla. Realmente, aquele seria o cenário perfeito.

Após entrar em um conflito interno, decidi não ir a praia naquele dia. Eu ficaria em meu quarto, arrumaria minhas coisas e iria sair para jantar, assim, não teria preocupações quando fosse sair no dia seguinte. Assim o fiz, coloquei todas as minhas roupas no armário e estudei mais o quarto onde ficaria durante dois meses ou, dependendo de minha vontade, mais. Já havia escurecido quando terminei. A temperatura havia caído e logo meu corpo sentiu isso. Vesti-me e desci para o hall do hotel, saindo e andando pelas ruas. Haviam vários restaurantes, afinal, era como uma praia comum, com os restaurantes cercando as árvores que cercavam a orla. Minha indecisão me consumia quando um bar me chamou a atenção. Eu poderia ler seu nome há quilômetros de distância devido ao letreiro luminoso que anunciava a palavra "Borderline" escrita em negro e destacada pela forte luz vermelha alaranjada que nascia atrás da mesma. Curioso como sou, entrei.

O Borderline tinha a famosa pegada "bar californiano para badboys que curtem heavy metal". A música de fundo deixava isso ainda mais óbvio, sendo a mesma The Trooper, do Iron Maiden. Havia um balcão com várias garrafas de bebidas atrás do mesmo. Pelo o que pude perceber, haviam dois andares no bar, eu estava no superior onde ficava apenas o bar e no inferior eu pude ver algumas mesas de sinuca. Obviamente eu não jantaria naquela noite. No máximo pediria uma porção acompanhada de algum refrigerante no balcão, apesar de duvidar que tais itens seriam vendidos naquele bar. Me encostei no balcão e vi que a atendente se aproximou.

- No que posso te ajudar? - pergunta ela, passando um pano molhado no balcão.

A moça era bonita, tinha belos olhos azuis e um cabelo negro que caía sobre seus seios, cobrindo parte da blusa do AC/DC que a mesma usava.

- Eu gostaria de saber se vocês vendem algum tipo de porção - disse, rezando para que a resposta fosse sim já que eu não estava disposto a ir até outro local.

- Pode ver as opções aqui - disse ela, entregando-me um cardápio onde havia opções até mesmo de lanches.

- Obrigada - agradeci analisando o cardápio e decidindo que meu sofisticado jantar da noite seria um X-bacon.

Fiz meu pedido e a moça, um tanto quanto simpática, disse para eu me sentar em uma das mesas do primeiro andar e eu assim o fiz. Apesar da aparência, eu não havia avistado os 'badboys' no Borderline, pelo ou menos não no andar superior. Eis que, assim que faço minha observação, dois rapazes entram no bar, dão um sorriso para a atendente e descem as escadas. Os dois tinham a pinta de 'badboy'. Um, o mais alto, tinha cabelos longos e loiros, não pude ver a cor de seus olhos devido a seus óculos escuros, mas apostava que eram claros. O outro tinha cabelos curtos e negros, também usava óculos e de relance me lembraria o Stallone Cobra, se não fosse sua barba. Ambos usavam jaquetas de couro e calças jeans. Então, cheguei a conclusão de que o andar superior era para visitantes e o inferior para os 'badboys'.

Intrigado e guiado pela minha curiosidade, levantei-me da mesa e desci as escadas sem ao menos esperar meu pedido. O andar inferior cheirava a tabaco e a uísque. Foi engraçado e intimidante quando o olhar de todos do local se dirigiu a mim. Minha adrenalina subiu naquele instante, ou eu havia me metido em encrenca ou eu havia ganhado algum prêmio e... eu havia me metido em encrenca.

- O que você está fazendo aqui? - me pergunta um dos rapazes que eu vi entrar no bar.

- Decidi explorar o local enquanto aguardo meu pedido - respondi. Essa foi a resposta mais estúpida que eu poderia ter dado em toda minha vida.

- Explore no andar de cima - disse ele. - O andar inferior é privado.

Algo que nunca havia passado por minha mente era que eu, provavelmente, arrumaria uma briga com um cara maior do que eu ao responder:

- Não havia nenhuma placa avisando que esse andar era privado. E eu me interessei pelas mesas de sinuca... posso jogar uma partida? - disse, tentando amenizar a surra que eu ganharia mais tarde.

- Não - respondeu o homem.

- Tony, deixe o garoto jogar - uma voz surgiu atrás de mim. - Faça uma aposta, vai ser divertido.

Eu me virei lentamente para trás, vendo um homem com cabelos castanhos e olhos azuis encarando o suposto Tony. E o agradeci mentalmente por ter me livrado de continuar aquela discussão.

- Ok - disse Tony. - Se eu ganhar, você sai daqui e não volta mais. E o seu herói ali paga a rodada da noite toda.

- E se você perder? - perguntei.

- Isso vai ser bem difícil. Mas se eu perder você pode passar o resto da noite aqui - respondeu ele, pegando um dos tacos e jogando-o em minha direção.

Minutos se passaram e, nesses minutos, eu agradeci meu padrasto, Philip, por ter me ensinado a jogar sinuca. Eu não acredito em sorte mas se acreditasse diria que ela estaria do meu lado já que eu estava ganhando de Tony. Haviam apenas mais duas bolas e eu estava a três pontos a frente. Tony jogava muito bem, mas já havia perdido e quando se deu conta disso, jogou o taco na mesa murmurando um "Aproveite sua noite" enquanto sentava-se ao lado do meu "herói".

- Feliz, Barnes? - pergunta ele, visivelmente mal humorado.

- Mas é claro, nunca havia visto você perder para alguém que não fosse eu - disse o tal Barnes, levantando-se e caminhando até mim. - James - se apresentou, estendendo sua mão.

- Steve - disse, esticando minha mão e cumprimentando-o.

- Bom, Steve, vejo que você deixou meu parceiro de sinuca chateado - disse rindo ao ver a expressão ainda zangada no rosto de Tony. - Como pretende concertar isso?

- Talvez... - comecei sem saber o que dizer. - nós possamos ser amigos, já que eu ficarei um tempo em Little Hunters Beach.

- Da onde você é? - pergunta James, lançando-me um olhar um tanto quanto curioso.

- Califórnia - respondo, sentindo-me intimidado pelos grandes olhos azuis.

- E o que você está fazendo em Little Hunters Beach? - pergunta Tony, se levantando e parando ao lado de James.

- Sou fotógrafo e decidi tirar algumas fotos nas praias de Maine - respondo, esquivando-me de ambos e me sentando em um dos estofados.

- Trocou as praias da Califórnia pelas praias de Maine? - pergunta James, logo pude notar que o mesmo era tão curioso quanto eu.

- Todos preferem as praias da Califórnia, mas eu não sou todos - respondo. - Estou atrás de algo diferente.

- E o quê você vai fotografar? A gente correndo pelado na praia - diz Tony num tom de brincadeira. - Não vai conseguir fotos legais aqui, é frio demais para alguém entrar no mar.

- Tem louco para tudo nesse mundo - diz James.

- Seria legal ver vocês correndo pelados na praia - digo. - Vocês poderiam fazer um ensaio em nu artístico.

Ao ver a feição surpresa dos dois, parei para pensar no que eu havia dito. Eles poderiam levar no lado profissional ou eu havia acabado de entregar minha sexualidade ali mesmo.

- Megan sempre quis fazer essas coisas de nu artístico - diz Tony, reagindo de uma maneira extremamente contrária do que eu imaginava. - Vou falar com ela, talvez nós te ajudemos nesse seu projeto.

- Será um prazer - digo, achando a mudança de humor de Tony um tanto quanto estranha e me perguntando em seria Megan.

- Você está sugerindo que minha irmã tire fotos pelada com você? - diz James.

- Ela não é mais virgem, cara. Eu resolvi isso há dois anos e você ainda não desencanou - respondeu Tony.

- Continua sendo minha irmã mais nova.

- E minha namorada.

- O que tem eu? - pergunta a atendente, que desceu as escadas rapidamente indo para os braços de Tony.

Então, a atendente era Megan, que era irmã de James e namorada de Tony. A noite foi passando e nós fomos bebendo. Tony e Megan haviam aceitado a proposta de fazerem um ensaio nu artístico no dia seguinte, e o mesmo foi marcado na casa dela, mas especificamente no quarto de James.

Nós já estávamos bêbados o suficiente. Eu havia feito amizades muito fácil naquela noite, o que era raridade. Megan e Tony estavam ao beijos e quando eu parei para olhar o resto do local, quase todos ali estavam aos beijos. Haviam gays, lésbicas, héteros e deveria de haver alguns trans também. Aquilo era legal. Aquilo era muito legal. A temperatura havia aumentado, não sabia se era por causa do tanto de corpos que estavam ali ou porque, de certa forma, aquela visão havia me excitado.

Me levantei e tirei minha jaqueta, colocando-a ao lado do estofado aonde eu estava sentado com James quando decidi parar para observa-lo. Ele era bonito, muito bonito. A pele era branca assim como a da irmã, contrastando os lábios rosados e as bochechas coradas o que era resultado da bebida, e seu queixo era delineado de uma forma perfeita. Ao subir meu olhar para terminar minha análise, constatei que o mesmo também me olhava, e que quem estava com o rosto corado era eu. Ele estendeu sua mão e deixou-a no ar para que eu a pegasse, fiquei inseguro por um momento, mas me deixei levar, não pela bebida ou por influência dos casais que ali estavam, mas porque eu senti que realmente deveria fazer aquilo.

Assim que peguei sua mão, fui puxado de uma maneira quase bruta, mas o ato não chegou a tal ponto. James ajeitou seu corpo no estofado e soltou minha mão quando já estávamos mais próximos. Sua mão foi direto para minha cintura e seus dedos alcançaram minhas covinhas de Vênus sem que ele ao menos percebesse, mas eu percebi e meu corpo fez questão de mostrar-me o quão eu havia percebido aquilo, fazendo com que eu me arrepiasse por inteiro. Novamente, outro puxão foi me dado, esse de forma mais suave, fazendo com que eu abrisse minhas pernas e envolvesse-as em torno da cintura de James. Nossos olhares se cruzaram mais uma vez, eu podia ver as pupilas dilatadas de Barnes e apostava que as minhas estariam do mesmo jeito. Em segundos, eu podia sentir sua respiração em meu rosto, em centésimos de segundos eu podia sentir seus lábios nos meus e em milésimos de segundos eu podia sentir sua língua na minha. Esse era um dos momentos que eu gostaria de ter fotografado, ou que alguém fotografasse. Era algo novo para mim e eu estava adorando. James era carinhoso mas era selvagem ao mesmo tempo, ele era como um garoto do norte deveria ser.

Eu não sabia se o Borderline era uma espécie de boate gay depois da meia noite. Eu não sabia o por quê de eu ter escolhido aquele lugar para jantar, sendo que não o fiz. Eu não sabia o por quê de eu estar beijando um cara que eu havia conhecido naquela noite. O que eu sabia era que eu queria estar ali e que eu queria estar beijando aquele cara que eu havia conhecido naquela noite e que, se me fosse permitido, eu faria aquilo de novo.

8 декабря 2020 г. 23:40:56 1 Отчет Добавить Подписаться
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