litalea-draak Litalea Draak

Quando criança, adorava os filmes que mostravam como seria o nosso futuro. Ter carros voadores, viajar no tempo, tudo sendo alagado, congelado ou destruído por terremotos.... Era incrível, meus olhos brilhavam e até chegava a perder algumas noites de sono com medo de algum avião cair em cima da minha casa. A coleção de filmes antigos do meu avô era cheia dos mais diversos cenários, mas eu nunca, em momento algum na minha vida, cheguei a pensar que estaria onde estou hoje.


Короткий рассказ 13+.

#distopiabr
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Resumo e insumo

Os dias se iniciam com uma alta sirene. Precisamos nos levantar e nos vestir com pressa, o Inspetor está chegando. Não há tempo para o café da manhã, sequer cabe um fogão por aqui. Tenho apenas minha cama, um velho guarda-roupa e uma pequena mesa com apenas uma cadeira. Eu sinto falta de um café da manhã em família ou um almoço de domingo. Sequer consigo me lembrar de quando foi a última vez em que me reuni com meus pais e irmãos.... De qualquer forma, prefiro me martelar com a falsa ilusão de que estão em um lugar melhor.

Ah, quem eu quero enganar! Qualquer lugar é melhor que isso! Nenhum deles foi pego por traição, nenhum deles sequer levantou um dedo ou abriu a porra da boca para se opor ao nosso grande ditador. Não, ninguém acreditava que ele fosse louco o suficiente para fazer isso. Louco talvez fosse, mas quem diria que ele realmente fosse conseguir.

Nós, traidores e hereges, aqueles que não acreditam na doutrina do salvador dos cegos e se rebelaram contra sua vontade, estamos isolados. Trabalhando na Mórbida Capital (ou como carinhosamente ficou conhecida, a Capital de Ferro). Uma ilha artificial criada pelo governo para servir de prisão. Afinal, por que não? Isolar bandidos e assassinos em uma grande mansão, onde podem andar livremente até a borda de muros gigantes. Ícaro, dê-me suas asas e me deixe voar até o sol!

Ao deixar meu quarto, dou início a uma marcha sincronizada de almas cabisbaixas. Todos, sem exceção, não ousam levantar a cabeça. Seguimos sempre pelo mesmo caminho, uma linha reta até a morte: os campos de trabalho. Literalmente, campos. A metade de nós trabalha na lavoura. Eu estou na indústria. A belíssima produção de armas para o fortíssimo exército brasileiro, que anos atrás não aguentava ao menos trinta minutos de guerra e hoje já consegue se garantir na bala por uma hora. Estão loucos. Não conseguem ver que é suicídio entrar em guerra com os Estados Unidos? Hoje, a segunda maior potência mundial. Entretanto, no quesito poderio militar ainda são os primeiros. Logo atrás está a Rússia, em uma disputa ferrenha no avanço tecnológico. É, já entramos em uma Segunda Guerra Fria. E até agora só vi meus companheiros de prisão queimando.

Não, não existem apenas adultos aqui! Já ouviram falar de Schindler? Existem filmes e livros sobre, "A Lista de Schindler", se lembra do que ele fazia? Não, esqueça a parte boa. Aqui também temos crianças limpando os projéteis e peças menores. A idade mínima é cinco anos, que segundo o tão glorificado governo já estão aptas para decidir o que querem. Com cinco anos, você já sabe o que é certo ou errado. E o certo é o sistema. O errado é o oprimido. Todos os que se levantaram contra a Emenda 357, onde toda a luta contra o preconceito e racismo foi atirada ao Tietê, que curiosamente já se tornou um rio tóxico. Literalmente.

Voltando para minha rotina, uma novidade no dia.

Imagine algo semelhante ao mundo de Matrix, quando as máquinas ainda não haviam se rebelado. Cinza. Nós somos as máquinas em uma caminhada padronizada e perfeitamente sincronizada pela rua de concreto escuro e ao nosso lado temos barreiras, altos muros, que nos impedem de fugir. Além dos muros, prédios e mais prédios. Não há sequer uma folha verde ou um céu azul. Ele é escuro, como as chuvas de novembro. Logo a frente temos o grande edifício onde trabalhamos por nossa vida, com diversas chaminés exalando a fumaça negra que se destaca no chumbo do céu e uma grande tela, de boas vindas, que raramente exibe algum pronunciamento do novo líder do sistema. O Brasil sucumbiu, não consigo chamá-lo de país. Pelo menos, já não é mais o meu. O Brasil onde nasci era conhecido por ser exatamente o contrário do que vemos agora. Bem, pelo menos na teoria era. E não é de sua totalidade mórbido como a capital, além de toda água que nos separa, das barragens que nos limitam, há uma bela cidade. Onde ricos e poderosos dormem em lençóis de seda e se banham em champanhe. A qualidade de vida pode ser mil vezes melhor, mas cada pessoa ao meu lado sabe que é aí que as diferenças acabam. Somos vigiados. Vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Cada canto dessa merda tem uma câmera, um microfone ou um sensor. É como se vivêssemos em um computador e Sandro, o Ditador, estivesse de olho em cada movimento ou gota de suor que produzimos. Não há como escapar... tantos deram sua vida por isso e nada! Não há um ponto cego, uma brecha! Dê poder a um homem e veja do que ele é capaz! O Brasil está rico, rico! Não há dívidas, há lucro! Tanto lucro que hoje desfrutam do melhor que a tecnologia pode oferecer! Mas não temos nada além disso! É a aclamação da crítica refletir! Gritem suas críticas! Clamem pelo perdão que o fizeram perder suas famílias, que está nos matando! Respiramos essa fumaça todos os dias, cansamos de tossir ou ter problemas para respirar durante a noite! Sequer conseguimos dormir em paz! A produção não para, os pistões escoam pela ilha, a fornalha arde em brasa e nossas roupas se apegam ao nosso corpo, derrubamos as peças e almoçamos uma sopa salgada, não há como comer algo sem que nosso suor esteja por completo nela!

Calma... feche os olhos e respire.

— Eu não posso morrer aqui... — Sussurrei para mim mesma antes de ser puxada para a realidade com o soar de um diferente alarme.

Ah, a grande novidade! Um pronunciamento de Sandro do bizarramente gigante quadro a frente de nosso local de trabalho.

Todos pararam e levaram suas cabeças, olhando fixamente para a tela que exibia o belo Ditador. Não belo por ironia, Sandro realmente tinha sua beleza como destaque tanto quanto suas atitudes maléficas. Seus olhos, castanhos esverdeados, combinavam perfeitamente com o cabelo escuro e o corpo atlético. Em seu uniforme, o social é constituído apenas pela calça preta, camisa branca e um colete elegante em preto com leves detalhes prateados. Uma transmissão ao vivo estava se iniciando, o que deixou todos inquietos. A última transmissão foi há vários anos, então algo grande estava por vir.

Seu discurso se inicia com saudações, agradecendo a todos por trabalharem duro dando força ao exército, que sem nós estariam perdidos. Em suas palavras "se existe o bem, deve existir o mal. Para o certo há o errado! Para que eu exista, pessoas como vocês precisam existir".

Seguiu, mais mais dez minutos, falando sobre o progresso que tiveram e que em breve poderão conseguir encarar os Estados Unidos frente a frente. Todos pensávamos que terminaria ali, mas não poderia ser o suficiente para que Sandro se ocupasse com uma transmissão ao vivo.

Então, veio o choque. Um outro homem assumiu, dizendo que Sandro era seu salvador, que já esteve na Capital de Ferro e teve a chance de se arrepender de seus atos. Que ele já não suportava ver as pessoas isoladas ali, tantas pessoas boas que poderiam desfrutar dos avanços e frutos do árduo trabalho de Sandro. O Ditador viria, hoje, dar a chance de nos arrependermos.

E, para encerrar sua vez, também anunciou que Sandro estaria escolhendo uma esposa. Para provar sua misericórdia, casaria-se com uma mulher provinda da ilha. Alguém que era contra e hoje, literalmente, estará ao seu lado. Logo em seguida o próprio Ditador anunciou quais seriam duas condições básicas para a pretendente, em um tom de brincadeira carregado por um sorriso que nem de longe parecia forçado. Ele de fato estava feliz com isso, sua imagem diante os outros países com certeza seria afetada de uma forma muito positiva. Anos atrás a Coréia do Norte o parabenizou por seu trabalho com o Brasil, o que mais ele quer agora? Um tapinha nas costas dado por Putin?

Ele apenas disse o que esperava de sua esposa, mas os "fiscais" e seguranças na porta principal já tinham mais informações.

Logo que o vídeo se encerrou voltamos a andar, estávamos sendo divididos. Quando chegamos a esta ilha recebemos uma tatuagem na nuca, um código de barras que os leva a uma ficha de nossa vida inteira.

Mulheres, de 25 a 40 anos, não iriam trabalhar hoje. Felizmente, eu estava dentro da faixa etária. Todas teríamos um "Dia de Beleza".

Sandro queria que todas estivessem minimamente apresentáveis, então fomos levadas a um prédio novo (no sentido de nunca termos entrado antes), onde um hall de entrada em estilo industrial nos esperava. As paredes de tijolos avermelhados, com concreto à mostra, criavam uma atmosfera agradável junto com os diversos vasos de flores espalhados. Uma longa escadaria negra com corrimão de vidro seguia quase que em espiral até o segundo andar, minha curiosidade (e acredito que de muitas outras mulheres também) foi a mil!

Infelizmente, não seria lá onde iríamos começar. Todas recebemos direito a um banho decente, como já não tínhamos há muito tempo. Quando foi a última vez que alguma de nós pode sentir a água quente, completamente limpa, cair por nossos corpos? Tomar um banho sozinhas, com toda a privacidade que almejamos. Isso, claro, se não contar as câmeras que provavelmente estão escondidas em algum canto por aqui.

Após o banho, fomos levadas até uma sala onde nos seria dado o "dia de princesa", ou "momento" se preferir, com profissionais de estética que eu sequer podia definir o que de fato eram. Felizmente, havia o suficiente para não precisarmos esperar sentadas. Eu estava no terceiro grupo, de acordo com a divisão feita mais cedo.

Garanto que nunca senti meu corpo todo relaxado da forma que senti quando recebi uma massagem por um dos funcionários ali. Cinco receberiam uma bela massagem enquanto outras cinco fossem acompanhadas por manicures e pedicures, mais cinco ocupariam a cadeira giratória em frente a grandes espelhos para que lhes fossem tratados o cabelo e o rosto.

Não havia tantas garotas quanto eu pensava e, além dos "processos" já citados, haviam mais dois que eu não sabia definir para que exatamente eram só de ver. Sandro, apenas com isso, já havia conquistado metade das garotas ali. Tão gratas por sua atitude, tão cegas por seus motivos.

Eu via como se todas estivéssemos vivendo em um relacionamento abusivo. Seja namorado ou marido, toda mulher já teve ter tido um. Você é privada, machucada e usada da forma como ele bem entende. Você é um objeto, um brinquedo para ele. E é exatamente isso o que fomos durante todo esse tempo para Sandro, um "namorado" ausente que deixa qualquer um fazer o que bem entende e quando quer manter sua "namorada" perto inicia os agrados. Ele a mantém doente, essas mulheres estão doentes. Será que nenhuma se lembra do porquê vieram para cá? Das leis absurdas, da queda de Maria da Penha, os índices de feminicídio explodindo e as regras que nos foram impostas? Além de tudo isso, ainda tivemos "passeatas" para espancamento de homossexuais! Centenas de homens brancos marchando e carregando bandeiras que exibiam seu símbolo, a pomba cinza! Ah, pelo amor! Me traga a granada! Sandro deu voz a um movimento extremista, flertando com vertentes nazistas. Mulheres, homossexuais e negros tiveram que, mais uma vez, dar as mãos e lutar, dessa vez mais unidos que nunca contra nosso novo ditador! O exercíto o protege como se fosse um deus, um maldito deus! Eu espero que os mitos contados aqui, sobre uma gigantesca resistência fora desses muros, seja verdade. Eu espero que algum dia cheguem para nos salvar! Eu acredito que alguém em algum dia, vai nos libertar.


•• • •• • ••

Aquela tarde foi útil para que minha mente se acalmasse, a todo momento os pensamentos acerca do passado e do presente voltavam como uma gigantesca tempestade. Após o "momento de princesa", pude ver pela primeira vez cada rosto bonito que estava escondido atrás de toda a sujeira, manchas e a mórbida expressão de tristeza e cansaço. Pela primeira vez, também vi esperança.

Belas, já vestidas para uma festa que Sandro havia organizado para conhecer suas pretendentes, com saltos ou anabelas, sapatilhas e até rasteirinhas. Nos foi dada uma loja, uma sala cheia dos mais diversos acessórios, vestidos e sapatos. A única exigência é que nos vestissemos de forma decente e da forma que mais nos sentíssemos à vontade. Com meus 36 anos nas costas podia me orgulhar de ter um belo corpo, mas ainda sim escolhi algo que não chamasse atenção ou fosse extravagante como os vestidos colados, tomara que caia ou rodados que outras mulheres escolheram. Optei por um azul escuro, que ia até meus pés e tinha uma faixa preta na cintura. Simples, que me deixava respirar e sentia meu corpo relaxado nele. Tão confortável quanto sequer me lembrava se já tinha sentido. O único detalhe que me deixava insegura era um corte no lado direito, um "racho" que ao andar exibia a meia calça escura que eu usava em conjunto com um salto, não muito alto, preto. Já estava quase na hora de entrarmos na festa, um banquete seria servido e, mesmo que durante esse dia já nos foi dado alimentos de uma qualidade excelente, poderíamos desfrutar de tudo o que quiséssemos até que Sandro decidisse encerrar a festa. Ao que pude ouvir, outros membros do governo e alguns militares estarão participando.

Apesar de tudo, não posso negar que também estava maravilhada com o tratamento que estávamos tendo. A festa não seria na ilha, mas sim em uma praia do outro lado. Estaríamos pisando, após tantos anos, em nosso país de verdade. O barco que nos levava não possuía muitas decorações, mas por si só já era elegante o suficiente. Sofás e poltronas brancas nos acomodavam durante a travessia, conversas e expectativas rolavam soltas, sorrisos que eu jamais pensei que iriam ver estavam à mostra. Não fiquei quieta, era um bom momento e deveria aproveitar.

Assim que chegamos em terra firme seguimos do cais por um caminho de madeira, uma enorme residência estava ao final dele. Tão grande quanto uma mansão, sua arquitetura, iluminada por luzes verdes e azuis, me lembravam a Casa Branca americana e um vasto jardim cheio de flores que a separava da praia. O céu, em seu pôr do sol, deixava o alaranjado se banhar sobre nós, que maravilhadas com sua beleza ficamos em um curto transe observando o céu. Havia nuvens. Claras nuvens. Um céu incrível e o ar, ah, como era leve! Eu respirava com um sentimento estranho em meu peito, estava tão puro, invisível e suave...

— Por favor, continuem o trajeto. — Um guarda que nos acompanhou no barco disse um tanto impaciente.

Voltamos a caminhar, não deixando de dar toda nossa atenção para o jardim e o que havia nele. A mansão tinha suas portas abertas, uma música tranquila soava pelos quatro ventos e carros de outro mundo chegavam.

O guarda de antes parou logo ao final do jardim, chamando nossa atenção mais uma vez.

— Entrem e se divirtam. Há comida e bebida à vontade, então desfrutem de seu momento de liberdade. Logo, Sandro irá escolher uma de vocês e os outros oficiais participantes poderão fazer o mesmo.

Sua fala seguiu com algumas regras básicas, como a proibição de brigas, discussões e quaisquer coisas desse tipo que são sempre proibidas em qualquer evento social. Não seria difícil, ao menos até a esperança de sair de vez daquela ilha já estava mais acesa. Além de Sandro, havia a chance de sermos escolhidas por um militar ou político. Ao meu ver, tão ruim quanto. Mas ainda sim deve ser melhor do que apodrecer na Capital de Ferro.

Quando finalmente encerrada a lista pudemos pela primeira vez, andar livremente. Sem um guarda, um acompanhante ou sei lá o que for. Poderíamos seguir nosso caminho, contanto que não deixasse a mansão ou o jardim. Duvido muito que uma de nós conseguisse com tanta proteção por aqui.

Pensei um pouco em explorar o jardim ou caminhar pela praia, mas essa segunda opção infelizmente estava fora de cogitação. Além destas, entrar e visitar todo canto dessa mansão e matar a curiosidade: por dentro é tão bem decorado como aparenta? É algo mais clássico ou moderno?

E a pergunta para essa resposta é a mistura mais linda das duas. Não tão clássico para se parecer com um cenário de filme, mas também não tão moderno para que aquilo não pudesse ser chamado de baile. O hall de entrada era o centro da festa, com uma escadaria digna de um castelo ao centro, indo com uma das pontas para a ala leste e a outra para oeste. O piso encerado refletia as luzes e os cristais dos grandes lustres. Os homens exibiam termos negros enquanto os funcionários exibiam os brancos com dourado. No lado esquerdo havia um longo bar com alguns bancos e dois barmans. Pequenas mesas com aperitivos e comidas que não sei dizer o nome estavam postas sobre a toalha de seda branca em pontos mais isolados na sala, mas ainda sim não sendo no canto com muito próximas da parede, esta que era alta como as janelas, clara e cheia de decorações douradas e pratas.

Não fazia ideia do que fazer a seguir, então peguei uma bebida da bandeja do primeiro garçom que passou a minha frente e virei o conteúdo do copo, já me arrependo pelo gosto forte que desceu raspando minha garganta. Um arrependimento que logo passou e deu lugar a um sorriso, tão involuntário quanto genuíno. Aquilo era whisky. Há tantos anos não tomava um copo de whisky! Ah, aquele gosto de carvalho havia deixado uma saudade tão grande em meu peito que não podia imaginar!

Agora, já mais alegre pelo shot, me pus a vagar pelo salão. Não fazia a mínima ideia de como conversar com qualquer um ali, tentava esconder minha ansiedade degustando de tudo um pouco, seja comida ou bebida. Sandro demorou uns dez minutos, a contar da hora em que entrei no salão, para aparecer por lá. Foi apresentado a todos por um oficial na entrada do cômodo e depois caminhou pela sala atraindo a atenção de suas pretendentes. Algumas já estavam presas em conversas com outros participantes, não havia mulheres de fora da ilha ali. Não levou muito tempo para que eu me entediasse ali, não ficava muito tempo no mesmo lugar com medo de começar um diálogo com alguém e agora que o Ditador estava presente meu incômodo não pode ser escondido. Peguei um último copo de whisky para tomar no caminho e fui até às escadas. Não me lembro do quanto bebi, mas tive que subir os degraus com calma e me apoiando no corrimão. Nada que pudesse ser disfarçado.

No segundo piso havia diversas portas, algumas pessoas observando o baile, outras conversando e um novo casal bem ao longe se pegando contra a parede. Aqueles dois estavam com um fogo absurdo, ri baixo para mim mesma pensando na sorte que essa garota teve em ter ganho uma sessão de depilação para o corpo todo mais cedo. Vai lá garota, aproveita!

Sem esconder meu divertimento com a cena, dei as costas e parei de encarar o casal, indo até um dos quartos ali e entrando. Deixei a porta entreaberta, sentia que poderia ter problemas se pensassem que eu estava me escondendo ou tentando roubar algo. Uma cama de casal, enorme, estava logo na minha frente, com uma janela alta exibindo uma noite estrelada, um criado mudo com um abajur de cada lado da cama, uma otomana em frente a um guarda-roupas e uma porta no lado direito (provavelmente um banheiro, não é possível que haja um closet ali). Ao meu lado, apenas uma cômoda com um espelho na parede.

Meu corpo todo pedia por um descanso, para que eu me deitasse e sentisse o quão macia deveria ser aquela cama. Parecia tão bom, não poderia negar esse desejo. Deixei meu copo em cima da cômoda e fui até a cama. Me sentei e passei as mãos sobre o cobertor, em seguida me deitando (ainda um pouco relutante) com as pernas ainda fora da cama. Ah, meu corpo afundava em uma nuvem. O cheiro de tudo ali era tão bom que parecia me intoxicar, a música vinda do andar de baixo e a calmaria daquele quarto...

Não, eu nunca devo ter sentido algo assim. Uma sensação nova, tão estranha a ponto de me deixar confusa. Não em um sentido ruim, era incrível. Eu não consigo descrever, é como se meu corpo se desligasse e aproveitasse, ao fechar os olhos o mundo deixava de existir!

— Aproveitando a cama?

Uma bela voz soou juntamente do som da porta se abrindo. Talvez devido à embriaguez, não quis abrir meus olhos. Apenas respondi em tom baixo, ainda sorrindo.

— Não sabia que era possível existir algo tão macio assim.

— Posso garantir que os quartos do terceiro andar possuem camas melhores.

— Mentira! — Ri. — Essa é a cama mais confortável do mundo!

— Por que não está no salão junto com as outras?

— Fiquei entediada.

— Entediada?

— Sim. Por que não deveria? Todos estão falando a mesma coisa, fazendo as mesmas coisas e agora que Sandro chegou o foco está nele.

— Algum problema com ele?

Abri os olhos e voltei a me sentar na cama olhando em direção a porta, que agora estava fechada. A luz permanecia apagada, mas a lua me permitiu identificar o homem ali.

— O que você quer?

— Apenas estou curioso. Soube que se esquivou de meus convidados, sequer interagiu com um barman e fugiu de minha festa assim que pode.

— Eu poderia ter saído antes.

— E não o fez. Então, por que saiu assim que cheguei?

— E você ainda pergunta? — Me levantei já um tanto exaltada. — Você já destruiu toda minha vida, Sandro. O que pretende fazer agora? Me mandar de volta para sua ilha artificial, trabalhando como escrava por ter discordado das suas opiniões?!

— Qual seu nome?

— E isso importa?

— Aparentemente não, mas quero saber.

— Fabiana de Moraes, 36 anos. Participei de alguns protestos e grupos de resistência, estou a pouco mais de dez anos na Mórbida Capital. Você, pessoalmente, jogou meu grupo lá. Minha família e amigos foram mortos na minha frente e você quer apagar tudo o que fez dando um dia de princesa e um baile onde vai escolher uma dessas mulheres que você fodeu com a vida toda para se casar com você? O que vai fazer com o resto? Mandar de volta para um campo de trabalho forçado? Para terem uma vida miserável desejando morrer a cada segundo que se passa?

— Curiosamente, você é a primeira convidada que se exalta dessa forma. — Pegou o copo de whisky que eu havia trago de cima da cômoda e bebeu um pouco. — Quantos já tomou?

— O suficiente para ter coragem pra te falar o que sinto. Eu não estou cega com a esperança de uma vida boa, Sandro. Me mate agora se quiser, eu não tenho nada a perder.

— Pelo contrário. Eu gostei de você. — Sorriu. — Tem mais alguma coisa para me dizer, Fabiana?

— Uma porrada de coisas.

— Oh, sendo assim. — Deu mais um gole na bebida e tornou a deixar o copo na cômoda. — Serei breve. A raiva que você sente não é de mim. O que aconteceu com você, não foi culpa minha. Meu pai ocupava este cargo e, aparentemente, você não sabe, mas ele faleceu há poucos anos. Eu sou misericordioso, Fabiana. Não posso me mostrar fraco, mas também não serei tão cruel. Meus ideais são diferentes, fui criado por alguém que era um monstro com você e comigo. Agora que tenho o poder de moldar o Brasil da forma que bem desejar, irei fazê-lo à minha imagem e semelhança. Posso carregar o mesmo nome, mas se vier comigo posso te mostrar que não sou a mesma pessoa.

— Até mesmo sua aparência é idêntica. Como posso ter certeza que não está mentindo? E por que eu?

— Bem, porque até agora você foi a única mulher que praticamente não estava rastejando para mim ou outro oficial. Minha intenção é boa, pura. Estou dando a chance de terem uma vida e me agradecem com falsas palavras, com um amor tão nojento que me trás até o medo de ser esfaqueado pelas costas! Você, até agora, foi a única pessoa que não vestiu uma máscara. É por isso que vim até aqui e não usei nenhuma máscara com você.

— Nenhuma máscara? — Dei alguns passos em sua direção. — Você poderia acabar com tudo isso e não o fez!

— Em que momento eu disse que queria acabar com tudo isso?

Sua frase me deixou boquiaberta. Sem saber o que responder e furiosa. Cerrei o punho, que já tremia, e aguardei por um complemento.

— Isso não vai acabar, isso vai mudar. Lá fora, já dei meu primeiro grande passo. E você, sendo mulher, deve gostar dele.

— O que você fez?

— Após ver, minha mãe e irmã, sendo espancadas na rua por um grupo que sequer parecia ser uma minoria da cidade, apenas por serem mulheres, tive que tomar uma atitude. Meu pai conseguiu tirar a Lei Maria da Penha, pela forma que ele e seus seguidores viam as mulheres, então eu a trouxe de volta com algumas melhorias. Além dela, há também punições mais severas para violência contra mulheres. Não acha isso bom?

— Isso... é realmente bom.

— O que me diz, Fabiana, ao meu lado você terá todo o respeito que quiser! Toda a proteção e conforto, lhe darei tudo o que quiser se me der seu apoio!

— Não é simples assim, Sandro. Não dá pra simplesmente esquecer tudo ou agir feito louca me casando com alguém que nem conheço. Ah, não, talvez conheça um pouco. Podemos ter um acesso a informações quase nulo, mas não somos tão idiotas assim. Você matou milhares de pessoas e deixou que morressem! Sim, esse seu primeiro passo foi muito bom, mas e quanto ao resto? E quanto a todas as pessoas que ainda estão na Capital de Ferro sem sequer saber qual a cor do céu ou se vão acordar vivas amanhã?! Você tem alguma noção do que acontece lá? Nós trabalhamos o dia todo, seja no frio mais congelante ou no pior calor possível, sem equipamentos de proteção e instruções tão vagas que precisamos aprender sozinhos! Alguns carregam marcas, Sandro, são espancados por terem feito seu trabalho errado. Nos deixam sem aquela comida nojenta, sem água limpa, se não nos comportamos. — Uma lágrima, que eu ao menos tinha notado a existência, caiu por meu rosto. — Eu ouço gritos todas as noites, choros que não acabam nunca. Temos medo de já estarem em guerra, de vocês chegarem e decidirem que não somos mais úteis. Eu tenho medo também, Sandro. Eu já perdi tudo o que tinha e até o medo de morrer já acabou sumindo, mas eu ainda queria viver para ver tudo diferente. Seja você ou seu pai, vocês estão em uma ditadura, não conseguem enxergar o quão absurdo é o que fazem. Temos crianças, Sandro, crianças! Com seus cinco anos de idade forjando balas para o seu exército, crianças dando munição para matarem seus pais!

Ele estava quieto. Não esboçava uma reação que eu pudesse distinguir como boa ou ruim, mas seus olhos entregavam que estava surpreso. Como ele poderia não saber disso? Como alguém, que controla um país inteiro, não sabe de algo assim? Algo que seu pai criou?!

— Como é possível que você não saiba sobre isso?

Sandro ignorou minha pergunta. Inesperadamente, ele me deu um abraço. Eu não conseguia parar de chorar, também não conseguia resistir ao abraço. Eu precisava daquilo, não importava com quem fosse. Finalmente havia falado, pensamentos que viviam se remoendo na minha cabeça finalmente haviam sido ditos em voz alta.

— Em uma utopia existe apenas um lado. Em uma distopia existem vários. Eu não aguento mais aquilo, mas não posso fazer parte dessa palhaçada.

— Palhaçada? Fabiana, eu realmente gostei de você. Não tenha medo de dizer o que pensa e isso é importante para mim. De fato, eu não sabia sobre a Capital de Ferro. Alguém acredita que seria melhor se eu não soubesse, não é a primeira coisa que descubro que não é do meu conhecimento e deveria ser. Acredite em mim, eu não penso que isso deveria existir, mas não será tão fácil assim desfazer o império de meu pai.

— E o que pretende fazer, príncipe?

— Me diz você. Por onde acha que eu deveria começar?

— Com certeza, pelo mais difícil. Ou pelo maior problema aqui.

— A Mórbida Capital? — Concordei com a cabeça. — Há alguém da sua família lá?

Havia alguém da minha família lá.

— Sinto muito…

— E quanto ao seu discurso de hoje mais cedo?

— Ah, aquilo? Algo escrito por alguém que eu sequer sei o nome ou o cargo que ocupa. O discurso seria mostrado para outros países, alguns líderes que parabenizaram meu pai e agora estão de olho em cada passo que eu dou. Essa mansão é o meu porto seguro. Onde não tenho câmeras, escutas e consigo distrair meu pessoal com álcool.

— O que vai acontecer com essas garotas?

— Eu garanto que aquelas que forem escolhidas terão o melhor tratamento possível. Cada homem aqui poderá escolher uma, àqueles que já são casados sequer foram convidados. Eu quero, assim como você, que elas sejam tratadas como gente de verdade. Posso lhe assegurar que resolverei pessoalmente qualquer denúncia que elas trouxeram a mim… ou a você. — Respirou fundo. — Fabiana, podemos fazer um acordo?

Seus olhos pareciam brilhar sob a luz da lua. Se havia alguma chance de fazer algo, era agora.

— Quer discutir as condições agora?

Ele sorriu com minha resposta, logo entendendo a mão.

— Acredito que já tivemos o suficiente de conversa séria por um dia. Por que não aproveitar a festa, receber um turbilhão de elogios e ser apresentada como minha futura esposa?

— Eu espero que seja quem realmente diz ser.

Pouquíssimas palavras foram trocadas depois naquele quarto. O copo, vazio, ficou por lá mesmo.

Sandro insistiu que me guiasse de volta para o salão e anunciasse que já havia escolhido alguém, quando pediu isso não imaginei que iria ter a atenção até das paredes e que haveriam tantos comentários. Algumas mulheres não gostaram (talvez por inveja, talvez por desejarem tanto sair da Capital de Ferro ou somente por terem perdido a chance de uma vida que iria mudar de um para mil), outras comemoraram tão alegres que o sorriso no rosto de cada uma permaneceria por horas. Meu rosto estava queimando, tão vermelho devido a vergonha que Sandro não pode se conter em acabar me zoando. Em um ato fofo, mas na minha opinião duvidoso, ele me deu um beijo na bochecha em meio a gargalhadas pelo meu desconforto.

Assim que voltamos a ficar a sós, tentei negociar algo com Sandro. Algumas daquelas mulheres voltariam para ilha após o término da festa, queria que seguissem com uma vida boa…. Tentei pedir para que ficassem até a tarde do outro dia lá (já que eu e Sandro apenas iríamos sair daquela praia na noite seguinte), mas não seria possível. Outras opções idiotas que me vinham à mente também não eram viáveis, então me veio uma última ideia.

— Faça um sorteio. Acredito que me sentirei mais à vontade se tiver outras mulheres, que viveram junto comigo por esses anos, por mais algum tempo. Além de que, não terei o dia todo contigo, certo? São pessoas que eu confio e serão eternamente gratas a você por isso.

— Algo como "Damas de Honra"?

— Parecido com isso. E, já que vamos nos casar, precisarei de mais companhia feminina.

— Sendo assim, não posso fazer um sorteio. Darei um jeito nisso, vá pensando em quem deseja. De quantas damas precisa?

— Pode ser apenas quatro.

— Quatro?

— Sim. Dentre aquelas que ficaram felizes por você ter me escolhido e que irão voltar para ilha.

— De fato, foi extremamente fácil perceber a reação de cada uma.

— Isso pode melhorar mais sua imagem, se quer saber. Além de belo e piedoso, consegue agradar a esposa e qualquer mulher vendo isso vai desejar o meu lugar.

— Sei o que está tentando fazer, Fabiana. Não é com elas que me preocupo, é com o que os pais ou maridos pensam. Se a visão delas me beneficiar de alguma forma, te farei a mulher mais feliz do mundo.

— Então fará isso apenas por sua imagem?

— Para ser sincero, já faria antes de você chegar nesta parte. Agora apenas me deu mais disposição para fazê-lo.

— Obrigada, Sandro.

Por um lado, acredito que ele apenas me usará para benefício próprio. Por outro, ele me parece ser bom. De verdade. Se tudo o que ele disse é real, se posso acreditar cegamente em suas palavras, existe uma chance de tudo finalmente mudar? Ele vai conseguir mudar tudo?

Já que estarei ao seu lado agora, poderei ver como tudo funciona. Estarei dentro, aprendendo sobre ele, sua vida e o mundo fora da Mórbida Capital. Não posso negar que estou morrendo de medo, mais ansiosa que nunca e com um frio na barriga que nem a mais quente sopa poderia curar. Entretanto, algo nele me passa confiança. É tão irônico, alguém que odiei por tanto tempo ser aquele quem me dá a chance de mudar a minha vida. Se eu acordar amanhã, naquele quarto cinza e velho, com cheiro de poeira e mofo, irei me conformar em acreditar que tudo não passou de um sonho. Ou, se morri por alguma doença e este for meu paraíso, farei dele o que sempre quis.

— Está com fome?

— Um pouco. Não conheço muito sobre o que estão servindo, pode me ajudar?

— Um bom começo, não concorda?

— Começo de quê?

— Ora, será uma longa jornada até conseguirmos o que queremos. Vamos, já estamos a muito tempo conversando sozinhos, precisamos interagir com outras pessoas e quero te apresentar a quem é mais importante.

— Como o General Gustavo Rogério Vincenzo?

— Já o conhece?

— Apenas histórias que os mais velhos contam na ilha.

— Deveria me preocupar com elas?

— Não, é melhor não saber por agora.

4 марта 2021 г. 17:23:01 2 Отчет Добавить Подписаться
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Litalea Draak A típica garota do interior que sonha em conquistar o sucesso seguindo seus sonhos. Bem, o que mais poderia dizer sobre mim? Tenho 19 anos e adoro heavy metal, escrevo há 5 anos e meu anime favorito é Devils Line :)

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Olá, Lit! Primeiramente, gostaríamos de agradecer a sua participação no #DistopiaBr, principalmente por sua colaboração como uma coordenadora do desafio. Sabemos bem que estar à frente de algo assim não é fácil, mas mesmo assim você se dedicou e se esforçou a ponto de tirar o pouco do seu tempo depois de um dia cansativo de trabalho, depois de toda sua ajuda com o desafio para escrever uma história e marcar presença entre os participantes. E somos gratos demais por sua dedicação. Mórbida Capital nos captura logo na sinopse, com um parágrafo cativante e que agita muitas coisas dentro dos nossos corações de leitores aficionados por ficção científica e histórias pós-apocalípticas. E sua história não nos deixa desapontados; mostrando o primeiro cenário aterrorizante, que é a Capital de Ferro. O mais interessante de tudo o que lemos logo no início da sua história são as semelhanças que encontramos em sua narrativa, que é tão futurística, em nosso mundo de hoje: um céu de chumbo, uma população que vive para trabalhar em vez de trabalhar para viver. Essas coisas chocam e nos levam para ainda mais perto da sua história e dos personagens nela presentes. Também não podemos deixar de citar o segundo cenário que nos é apresentado, que é completamente diferente do primeiro, a mansão onde a festa acontece. Nela, descobrimos como é diferente as coisas longe da Capital de Ferro, que ainda existe um céu azul, e ver esse contraste só traz ainda mais à tona o tema distopia. Um dos fatos mais interessantes é que, na sua história, o mundo distópico, apesar de ainda existir, pode estar caminhando para uma mudança. Quando Sandro diz que quer fazer um acordo, quando demonstra querer mudar algumas coisas, sentimos uma grande pontada de esperança, assim como Fabiana deve ter sentido. No entanto, assim como ela, somos impelidos imediatamente para a dúvida. Ele abriria mesmo mão de todo aquele controle? Ele seria capaz de dobrar todas as demais pessoas envolvidas na política? É o que mais desejamos, em principal porque, ao tentar compreender Fabiana, ele acabou nos ganhando um pouco — aquele pedaço de nós que torce demais por algo bom, aquele que quer ver as coisas dando certo e que não aceita um final infeliz. E por falar em finais felizes, é muito bonito quando Fabiana faz um trato com Sandra a fim de tentar trazer ao menos mais algumas poucas mulheres da Capital de Ferro para ficarem junto a ela. Isso mostra bastante da personalidade dela e que, apesar de sempre se fazer de forte e durona, tem um grande coração e certamente vai ser a pessoa que mais vai cobrar de Sandro as mudanças para o país — ela é uma daquelas personagens que podemos imaginar lutando com unhas e dentes até ver seus ideais estabelecidos. Ah, e o Sandro, bom, é um pouco difícil falar sobre ele, já que se mostrou um personagem um tanto quanto misterioso. Ainda assim, a parte que mostra que ele fica surpreso com a revelação de Fabiana sobre o que acontece de verdade na Capital de Ferro, nos faz acreditar que ele foi apenas um peão cego no jogo do pai por anos a fio. E o que esperamos é que ele siga querendo modificar as coisas para melhor. Também não podemos deixar de falar sobre as demais mulheres que foram com Fabiana para a mansão, não é mesmo?! Apesar de não terem sido mostradas individualmente, você conseguiu trazer um bocado da essência delas para a história e nos dar um retrato sobre elas: como o fato de a maioria ter simplesmente aceitado aquela festa como um presente, um dia de folga que precisavam aproveitar, enquanto outras viram aquilo como algo pelo qual deveriam ser gratas e até se esforçaram para parecem encaixadas na mansão. Ah, e também tiveram aquelas que só queriam ter uma oportunidade de sair da Capital de Ferro e de ver suas companheiras de luta terem a mesma oportunidade — todas essas personalidades agregaram muito à história. Com relação à gramática e ortografia, devo dizer que encontramos alguns pontos que talvez tenham passado despercebidos durante a correção, mas queremos ressaltar que não foi nada que tenha prejudicado a leitura e compreensão da história. Também gostaríamos de destacar a forma incrível como você escreve diálogos rápidos, sem incisos do autor, que faz com que a narrativa ganhe velocidade e nos faça querer ler com ainda mais voracidade seu texto. Lit, mais uma vez agradecemos sua participação com essa linda história. Obrigada também pela parceria durante todas as etapas do desafio, pelas suas ideias para deixá-lo ainda mais especial e interessante e por ter dado o seu melhor nele. Esperamos de coração poder contar com você mais vezes, em outros desafios e em tudo relacionado à embaixada. Mil beijos, e nos vemos nos bastidores do desafio!
Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Oi, Lit! Estava ansiosa pra ler o que você escreveu pro desafio. E, olha, a última coisa que eu poderia esperar era que você me faria torcer por um ditador conquistar uma revolucionária. Senhor amado! Hahaha Eu achei bem interessante a política retratada n sua história, a forma como as coisas estão no país e as referências à segunda guerra mundial. Parabéns pela história, está muito gostosa de ler.
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