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Sejam muito bem vindos a Rosa del Leste, uma cidade esquecida e castigada pelo tempo, um pequeno ponto sem luz em meio ao mundo moderno. Mas não se enganem, por trás de todas as rachaduras e teias de aranha um segredo se esconde, algo terrível acontece e amedronta a todos que descobrem essa história, o ápice da insanidade humana onde o medo é apenas combustível para o prazer e o respeito não é conhecido, a sujeira não está apenas nas ruas e muros, esta por todos os lados. Bom passeio e eu lhes recomendo serem vegetarianos.


Suspense/Mistério Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#terror
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Bem vinda ao Abatedouro

Rosa del Leste - 1985

—JEREMY -Grito mas não obtenho resposta
—JEREMY -Tento mais uma vez já sentindo o desespero me abater
—Alicia? -Escuto a voz infantil atrás de mim e respiro aliviada
—Onde você estava Jeremy?Nunca mais faça isto está me entendendo?Nunca mais suma -Digo me virando para ele
—Me desculpe -Ele diz fazendo biquinho
Eu bem que tentei manter a pose de durona mas isto havia se tornado um pouco difícil com o meu irmão de sete anos fazendo manha
—Tudo bem,mas eu posso saber o porque do menininho ter sumido? -Pergunto me agachando e ficando frente a frente com ele
—A minha bola Alicia -Ele responde
—Jeremy eu mandei você ficar dentro do carro enquanto eu trocava o pneu não mandei?Porque você inventou de sair?Deveria ter ficado ali dentro brincando -Digo
—Mas eu queria brincar aqui fora -Ele retruca cruzando os braços
Suspiro percebendo que aquilo não nos levaria a nada,já era tarde e logo o sol iria se pôr
—De qualquer forma,vamos embora -Digo enquanto abria a porta do motorista
—Mas Alicia,a minha bola -Ele diz
—O que tem a sua bola? -Pergunto
—Ela caiu lá -Ele diz se virando e apontando para um muro alto
—Como você conseguiu jogar ela lá? -Pergunto
—Eu joguei ela no chão com força e então ela quicou para cima e caiu lá -Ele explica abaixando a cabeça
Claramente se sentia culpado pelo que havia feito
—Eu vou ir buscar mas você tem que me prometer que vai ficar dentro do carro -Digo
Jeremy assente informando que havia entendido e então entra dentro da caminhonete prata
—Fique ai -Digo enquanto dava as costas para o veículo
—Deve existir alguma entrada -Penso enquanto contornava o muro
Foi então que eu percebi que o lugar se tratava de uma espécie de fábrica,os muros altos e sujos deveriam então proteger alguma construção abandonada.Encontro um grande portão de ferro e apresso meus passos,meus olhos caem para a inscrição desbotada ao lado do portão e eu sinto meu corpo estremecer.Bendita havia sido a hora que aquele pneu resolveu furar,bendita havia sido a hora em que eu resolvi cortar o caminho e passar por esta cidade.Empurro o portão sentindo meus braços protestarem por conta do grande peso e olho para trás alarmada antes de entrar no lugar.
Um prédio abandonado estava bem no centro,possuía paredes que um dia haviam sido brancas mas que hoje estavam sujas e com grandes rachaduras,alguns lugares possuíam também marcas de sangue,sinto minhas pernas bambearem
—Se acalme Alicia,era um antigo abatedouro você esperava o que?Nada de mal vai lhe acontecer apenas pegue a bola do Jeremy e dê o fora dai -Penso tentando me acalmar
Olho para os lados em busca da bola grande e azul e a encontro enroscada em um arbusto seco,próxima ao que parecia ser uma porta.Caminho apressada olhando para os lados e assim que paro de frente para o arbusto a porta de ferro enferrujada chama a minha atenção,estava trancada e eu sinto uma sensação de alívio tomar conta de mim assim que percebo isto.Pego a bola segurando o brinquedo de forma firme e girando meus calcanhares para sair daquele lugar digno de um filme de terror
—Olá -Um homem diz bem de frente para mim me fazendo pular de susto
—Calma,até parece que viu um fantasma -Ele diz enquanto sorria
Aparentava ter cerca de trinta anos,era loiro com os olhos azuis e psicóticos.Era bonito eu não podia negar,mas algo nele fazia o meu alarme interior apitar e apitar alto
—Desculpe a invasão,eu apenas vim buscar a bola do meu irmãozinho que tinha caído aqui,já estou indo -Digo enquanto voltava a andar
—Tudo bem,você é nova por aqui? -Ele tenta puxar assunto e para no meu caminho
—Estou apenas de passagem -Digo
—Você deve estar cansada,eu até a convidaria para entrar e tomar um refresco mas você está tão assustada que com certeza recusaria -Ele diz
Eu não queria conversar,apenas queria sair daquele lugar estranho voltar para o meu carro e dirigir o mais rápido possível para casa.Mas um dos meus maiores defeitos era não saber deixar as pessoas falando sozinhas,minha mãe me ensinara que aquilo era falta de respeito e eu seguia aquela regra a risca
—Me desculpe,é que eu nunca entrei em um lugar assim antes -Confesso
—Não precisa se desculpar e nem ter medo daqui,como você pode ver o lugar está abandonado -Ele diz enquanto tocava minha mão
Estremeço
—Aceita o refresco? -Ele pergunta
Penso por algum tempo,eu não deveria,sabia bem disto.Não importava o fato dele ser bonito ou de que eu seria mal educada ao recusar,mas então meus olhos encontram o horizonte,a noite estava a cada segundo mais próxima e eu nem tinha certeza se havia colocado aquele pneu da forma correta.Se eu fosse legal com ele talvez ele fosse legal comigo também
—Eu aceito -Digo e ele sorri de canto
O sigo até o outro lado do prédio onde existia mais uma porta de ferro,esta era nova e foi aberta com facilidade por ele,entramos em uma sala grande e escura e o loiro segue por um corredor que acaba nos levando a uma cozinha
—Bem,as pessoas que trabalhavam aqui tinham que ter onde comer certo? -Digo mentalmente
—Acho que tem suco de maracujá na geladeira -Ele diz enquanto se dirigia ao eletrodoméstico
Coloco a bola de Jeremy no chão ao meu lado e me sento na banqueta de frente para o balcão
—A propósito,meu nome é Miguel -Ele diz ainda mexendo na geladeira
—Alicia -Me apresento
—Porque está aqui? -Pergunto
—Essa propriedade era do meu bisavô e foi passado de geração a geração,acabou encerrando suas atividades na época do meu pai mas mesmo assim eu venho para cá de vez em quando -Ele explica enquanto despejava o suco em um copo de vidro
—Sabe como é né...lembranças da família -Ele completa me entregando o copo e eu afirmo com a cabeça
—Eu não posso demorar muito,Jeremy está me esperando no carro e não quero que ele se preocupe -Digo como um lembrete a mim mesma
—O que levou você a parar no meio do nada? -Ele me pergunta
—O pneu do meu carro furou -Respondo
—Quer ajuda para troca-lo? -Ele pergunta enquanto eu dava um gole no suco
—Eu tentei mas não sei se fiz certo -Digo
—Eu posso ir com você e verificar -Ele diz
—Seria muito gentil da sua parte -Digo voltando a tomar o suco
—Você quer ouvir uma história de terror? -Ele pergunta dando a volta no balcão e se sentando ao meu lado
—Não sei se é uma boa ideia -Digo
—Porque?Está com medo? -Ele pergunta
—Estamos em um lugar abandonado e está escurecendo -Respondo
—A mocinha está com medo? -Ele pergunta me desafiando
Sim eu estava com medo,mas não iria deixar que ele soubesse disto porque afinal de contas eu nem o conhecia e não era bom você confessar a um estranho que estava com medo
—Nem um pouco.Conte a história -Digo e ele respira fundo como se estivesse se preparando
—Existe uma história sobre este lugar,uma lenda que foi passada pelo família assim como o matadouro -Ele começa
—Dizem que logo nos primeiros anos de funcionamento as coisas por aqui eram estranhas,nunca se sabia de onde vinham os animais e nem por onde entravam,os únicos que possuíam estas informações eram os trabalhadores mas estes não podiam dizer nada a ninguém.Rosa del Leste nunca foi uma cidade com muitos visitantes mas na época alguns turistas vinham para cá por causa de suas famílias ou então para tentar emprego no abatedouro,eles começaram a sumir misteriosamente e foram então que nasceram os boatos -Ele conta
—Que boatos? -Pergunto sentindo minhas mãos tremerem
—Os boatos de que isto seria um abatedouro humano -Ele responde
—Foi por isto que as atividades foram encerradas?Por causa destes boatos? -Pergunto
—Sabe Alicia,talvez eu tenha mentido um pouquinho,talvez as atividades nunca tenham sido encerradas -Ele responde e eu me levanto assustada
Olho então em seus olhos e entendo o porque o meu alarme interior havia apitado tanto,senti meu estômago se revirar e a minha cabeça começar a doer
—Pobre Alicia,quanto azar não é mesmo?Mas sabe o seu azar para mim é sorte -Ele diz se levantando e vindo na minha direção
—Me deixe ir embora -Tento mesmo sabendo que era em vão
—Você fez uma escolha menina,você escolheu confiar em mim,nem sempre fazemos a escolha certa -Ele diz tocando minha bochecha e eu dou um passo para trás
Eu não queria acreditar que aquilo estava acontecendo,que aquilo realmente estava acontecendo,tinha esperanças e rezava para que tudo não passasse de um pesadelo e que eu acordasse na minha cama assustada.Olhei para os lados desesperada tentando encontrar alguma maneira de sair dali,o caminho pelo qual havíamos entrado não estava muito longe.Gritei ao sentir ele segurar meu braço com força
—Nem pense nisto mocinha -Ele diz
—Nãoeramapenasboatosnãoémesmo?-Pergunto mesmo sabendo a resposta
Eu queria distrai-lo
—O que você acha? -Ele pergunta entortando a cabeça para a direita em sorrindo psicótico
Eu sentia vontade de gritar mas não conseguia,a minha voz sumiu e meus pulmões pareciam cheios de areia.Minha esperança se esvaiu e meus olhos não conseguiram conter as lágrimas,meu corpo todo fraquejou e eu senti que era o fim
—Bem vinda ao Abatedouro -Ele sussurra no meu ouvido

9 de Maio de 2020 às 20:51 0 Denunciar Insira Seguir história
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