itsyamaken thalia perez

Simon Takeda é um garoto ásio-americano prestes a completar dezessete anos. Sua vida seguia monótona, até seu mundo virar com a chegada de Matthew Cohan, um rapaz extrovertido e bonito. Simon se vê, então, num novo mundo, com novas descobertas, principalmente sobre si mesmo. Nem tudo, porém, é tão simples. Principalmente quando se trata de Bruce Takeda, seu pai, rígido e tradicional, ainda mais no que diz respeito à honra de sua família. Um homem que faria de tudo para que as coisas permaneçam como devem ser, ao menos, em sua própria percepção. Bruce, no entanto, não é o único obstáculo pela frente nessa longa jornada de Simon na luta por sua própria felicidade. E, principalmente, na sua batalha pelo amor. Até onde você iria por quem você ama, pelo que quer e por quem você é? • • • • • » romance gay. » escrita iniciada em 01/2018; postagens iniciadas no Inkspired em 2020. » atualizações semanais de capítulos (às vezes eu atraso um pouco, mas não desistam de mim). » a obra continua sendo relida, reescrita e consertada, quando necessário. » no instagram: @iwbyours_


LGBT+ Para maiores de 18 apenas.

#romance #gay #amor #yaoi #adolescente #hot #lgbt #lemon #smut #proibido #miami
1
1.0mil VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo A cada 10 dias
tempo de leitura
AA Compartilhar

I: takeda

Miami havia despertado radiante. O dia amanhecera fresco e iluminava o quarto do jovem ainda adormecido. Foi o necessário para que ele abrisse os olhos, piscando algumas vezes para acostumar a vista à luz que invadia seu quarto através da janela descoberta pela cortina. Ser acordado pelos raios de sol e não pelo som estridente de todos os dias, não era bom sinal. Rolou de forma preguiçosa pela cama e agarrou o celular que estava na mesa de cabeceira. Já passava das sete da manhã. Enterrou o rosto no travesseiro, já sabendo que perderia a primeira aula. Como não ouvira o despertador de novo?


Ultimamente, estava dormindo um pouco mais tarde, pois se permitia cair em pensamentos que levavam tempo para abandonar sua mente – às vezes, nem mesmo o faziam e pegava no sono enquanto eles perambulavam por ali. Sem dúvidas, ser pensativo demais era um dos defeitos que ele considerava ter.


Levantou-se às pressas da cama e foi direto para o banheiro, onde tomou um banho e escovou os dentes. Escolher as roupas era a parte que mais lhe tirava tempo, então tentou ser o mais breve possível, ainda que isso custasse sair de casa com a camiseta amassada. Desceu as escadas para descobrir que sua mãe não estava em casa, o que explicava o motivo de não ter sido acordado Pegou uma maçã na fruteira e a mochila em cima do sofá, saindo apressado de casa.


Simon Takeda era um nipo-americano, ou seja, ainda que nascido em solo estadunidense, sua ascendência era japonesa. E amava ser descendente dessa etnia. Além do sobrenome, o presente recebido de seus pais e demais antepassados era a beleza e a doçura. As madeixas de cabelo preto se encaixavam com seu rosto de maneira perfeita ao cair – ora desajeitadas – sobre o mesmo; os olhos de ébano contratavam com a pele pálida e os lábios avermelhados e tão bem desenhados. Apesar de possuir características tão marcantes, nem sempre era o necessário para que se sentisse realmente feliz consigo mesmo.


Havia herdado a timidez e sensibilidade de sua mãe e a esperteza e força de seu pai. Era apaixonado por música e fascinado por lutar desde pequeno, quando fora colocado nas aulas de karatê. Embora soubesse que o pai permitia essas coisas como hobbies, gostava de sonhar que poderia seguir algum desses caminhos na vida profissional. Afinal, soava perfeita a ideia de trabalhar com algo que realmente gostasse e não seguir os passos empresariais da família, como sabia que era obrigado a fazer.


Ao chegar na frente do colégio, desceu só skate e jogou o que havia sobrado de sua maçã na lixeira antes de caminhar para dentro do grande edifício. O colégio havia sido construído em meados do século XIX e passara por reformas, mas ainda mantinha o aspecto antigo, que era seu charme. Mesmo tendo dezesseis anos, Simon estava no senior year, quarto e último ano do ensino médio, pois havia sido adiantado em um ano jardim de infância. Assim, estava prestes a completar dezessete anos e não dezoito como os demais alunos de sua turma.


Caminhou pelo corredor de armários até chegar ao seu, onde guardou alguns livros que estavam em sua mochila e pegou o que correspondia à próxima aula: história. Não pôde evitar revirar os olhos assim que tocou no livro bege e levemente puído. Não que odiasse a matéria, mas era fato que o professor era extremamente entediante, tornando todos os ensinamentos tão insuportáveis quanto sua própria personalidade. Além disso, em dias que sucedidam noites mal-dormidas, Takeda sabia que seu interesse pela disciplina em questão diminuía em cem porcento.


Caminhou sem ânimo até chegar, finalmente, ao corredor desejado, avistando seu destino. Checou o relógio e constatou que estava em cima da hora. Adentrou a sala de aula, suspirando de alívio ao ver que o sr. Harrison – o ancião entendiante – não havia chegado ainda. Seu rosto se iluminou ao ver Jessie sentada no lugar de sempre e se lembrou do lado bom da aula de história: Jessie e ele faziam essa matéria juntos.


Jessica Price era uma das poucas pessoas em que o garoto confiava na vida, sua melhor amiga desde pequenos. Mais especificamente, desde o verão em que Simon voltara a morar nos Estados Unidos, aos sete anos de idade. Moravam na mesma rua, estudavam na mesma escola e tinham gostos parecidos para doces e desenhos animados. Nem mesmo quando a menina se mudou para outro bairro alguns anos mais tarde a amizade findou. Ela era, de fato, sua pessoa favorita. Jessie sabia todos os segredos de Simon e vice-versa. Embora suas personalidades fossem tão distintas – a garota sempre fora a aura extrovertida e empolgada da relação –, era como se fossem um só. "Almas gêmeas", como Price preferia chamar.


Ver o sorriso brilhante da melhor amiga ao fundo da sala foi o suficiente para alegrar seu dia. A morena acenou para que ele se aproximasse. Seus cabelos castanhos e ondulados estavam presos em um rabo de cavalo alto e comprido, cujas pontas pairavam sobre seus ombros. Seus olhos escuros e amendoados estavam fixos no amigo. Jessie era filha de mãe brasileira e descendente de uma miscigenação de ameríndios e afro-americanos. De fato, tinha uma beleza marcante.


— Bom dia, atrasado! – cumprimentou ela, ao vê-lo se aproximar.


— Bom dia, Jess. – ele respondeu, sorrindo e sentando-se ao lado dela.


— Mais um dia pra lista de atrasos. Como um lutador pode ter tanta preguiça?


— Nem me fale, te juro que não ouço o despertador tocando. – ele apoiou o queixo na mão. – Não sei nem como consegui levantar, ainda estou dolorido dos treinos passados.


— Pode se recompor, não quero ir te assistir perdendo, tenho que me gabar de ter um amigo campeão. – ela riu, fazendo uma exagerada cara de esnobe, o que fez Simon sorrir outra vez.


A amizade dos dois sempre fora repleta de risadas, conselhos, abraços apertados e algumas brigas, que eram sempre facilmente resolvidas, já que um não podia ficar sem o outro. Qualquer um que os via pensava que havia algo além de amizade, pois eram próximos demais. Mas, como os dois sempre diziam, eram irmãos. Não havia nenhuma maldade, nenhuma segunda intenção. Os dois sabiam que não se gostavam de outra maneira e não tinha jeito: irmãos são irmãos.


O sr. Harrison chegou apressado, interrompendo as risadas. Colocou sua pasta em cima da mesa e avançou logo no apagador. Apagou do quadro algumas anotações que o professor da primeira aula fizera – pelo visto era química – e desatou a escrever.


— Parece que não vou mais copiar isso — disse Simon, referindo-se às anotações apagadas da lousa.


— Te passo depois.


— Por isso você é a melhor.


— Eu sei!


• • • • •


Ao final do período de aulas, Simon se despediu de Jessie, que prometeu ir à casa dele no fim de semana para começarem um trabalho. Ele se pôs a caminho de casa, dessa vez um trajeto sem pressa. Ainda assim, chegou logo em casa, onde Naomi Takeda agora se encontrava.


— Cheguei, mãe! – ele deu um beijo no rosto da mulher, que estava na cozinha.


— Boa tarde, meu amor. Vai ao treino hoje? – sorriu, enquanto cortava alguns legumes para o almoço.


— Sim, se eu faltar meu pai me mata. Falando nisso, ele vai chegar mais cedo hoje, né? Será que dá pra ele me buscar no treino?


— Acredito que sim. Como foi a aula hoje?


— Foi bom... Cheguei atrasado – Simon abriu um sorriso sem graça, arqueando as sobrancelhas.


— Outra vez, não é? – a mãe franziu a testa.


— Queria saber o que te tira tanto o sono à noite para que vá dormir tão tarde – comentou ela.


— Nada... Insônia, talvez. Ando rolando muito na cama.


— Hum... Pois trate de tentar parar, meu filho, desse jeito vai acabar indo mal em muitas matérias.


— Desculpe, mamãe, vou me esforçar. Agora tenho que ir para o treino, se não vai ser difícil continuar a ser o melhor – Simon ajeitou o cabelo, como se estivesse se gabando e riu.


A mãe sorriu e balançou a cabeça, voltando a atenção aos legumes. Naomi sempre fora serena e doce, de maneira que o filho sentia conforto ao seu lado. Simon deu um beijo em sua testa e subiu até o quarto. Lá ele pegou sua roupa de treino, seu skate e saiu. O local onde treinava karatê não ficava muito longe de sua casa, mas, ainda assim, proporcionava bastante tempo para pensar. Com os fones de ouvido no máximo, ao som de sua banda preferida, podia refletir.


Simon Takeda sempre fora um garoto tímido, sempre tivera um certo medo de se aproximar de outras pessoas por não se sentir confortável a criar laços; não julgava ser a pessoa mais interessante e talvez por isso tivesse apenas uma única amizade duradoura. Apesar de conhecido no colégio por fazer ser capitão do time, não era exatamente popular, pois simplesmente não levava jeito para tal. A única pessoa com a qual ele realmente conversava abertamente e sentia que podia ser ele mesmo, era Jessie. Nem mesmo a seus pais ele conseguia dizer tudo, Jessie era sua caixinha de segredos.



— Jessie, preciso de um conselho.


— É sério? Simon Neal Takeda, eu vou te fuzilar amanhã... – ela olhou no relógio – Ou melhor, hoje, na escola! São três horas da madrugada! – respondera zangada e sonolenta do outro lado da linha.


— Tudo bem, pode me fuzilar, mas é importante.


— O que foi?


— Estou me sentindo mal, preciso conversar... – ele tinha a voz realmente triste.


— Ei, calma. Vamos conversar, então.



E essa tinha sido apenas uma das milhares de vezes as quais ele havia ligado para ela precisando de ajuda – e o inverso era tão recorrente quanto. Era comum que sempre se encontrassem na casa um do outro para jogar conversa fora e passar o tempo juntos, afinal, eram esses os momentos em que falar besteira e conversar sobre a vida eram ainda mais propícios.



— Esse final é tão clichê. — Simon reclamou, pegando a pipoca que estava entre os dois


Era noite e os dois se encontravam na casa de Jessie, onde Simon dormiria.


— Essa é a graça das comédias românticas. — justificou Jessie.


— Não sei se gosto tanto assim.


— Vai dizer que nunca quis viver uma comédia romântica? — ela se virou para o amigo, um pouco indignada.


— Acho impossível. — deu de ombros. — É mais fácil a minha vida ser um filme de comédia bem pastelão do que uma comédia romântica. — fez uma espécie de careta.


— Credo, Simon, você não pensa em viver um romance clichê, mas bonito?


— Eu não acho que vou gostar de alguém tão cedo.


A garota arqueou as sobrancelhas, confusa e curiosa.


— Por quê?


— Eu não sei... — ele parecia pensativo, porém, ao mesmo tempo, indiferente. — Vejo todo mundo se interessando por alguém e simplesmente não consigo sentir o mesmo.


— Hum. — ela levou a mão ao queixo, ainda refletindo. — Nenhuma garota te interessa no colégio, é isso?


— Também. — comprimiu os lábios. — Acho que ninguém lá me interessa, mas essa pressão da minha família em cima de mim para arrumar uma namorada é o que mais me irrita. — suspirou. — Talvez eu só tenha algum problema.


— Você não tem um problema. — ela rebateu. — Você sabe disso. E sabe o que te atrai ou não, certo?


— Bem... — ele deu de ombros. — Não me importa, de qualquer forma, porque eu não quero namorar ou ficar com alguém no momento. Agora, vamos assistir uma coisa mais legal, por favor. — ele roubou o balde com pipoca, fazendo Jess protestar e avançar nele.


Naquela noite, no fundo, Simon não quis pensar sobre o assunto simplesmente porque sabia que não era como a maioria dos garotos da escola. Sabia que nunca havia sentido atração por nenhuma menina. Sabia que, de alguma forma, não se encaixava. Preferia apenas não pensar sobre, no entanto.



Simon chegou na academia de karatê dez minutos antes do horário do treino, mas foi proposital. Ele gostava de se adiantar e ter tempo suficiente para fazer tudo o que precisava. Adentrou o lugar, cumprimentando seu mestre e seus companheiros de treino. Foi ao vestiário para substituir sua roupa pelo kimono e logo saiu, preparado para mais um treino cansativo.


Sentou-se, esperando sua hora de ir para o tatame. Viu o momento exato em que dois desconhecidos entraram pela porta, chamando sua atenção. Os dois dirigiram-se até o sensei e conversaram por alguns minutos. Depois se sentaram a alguns metros de Simon. Um deles parecia ser mais novo que Takeda, tinha cabelos ondulados e castanhos escuros, tal como seus olhos. Aquele que o acompanhava possuía os cabelos lisos e loiros; olhos azuis e a pele branca, mas não era pálida como a de Simon; parecia ser mais velho que o primeiro, embora jovem também.


Os olhos curiosos dos estranhos percorriam o local com interesse enquanto cochichavam entre si sobre coisas que Simon não podia ouvir. O garoto prestava atenção nos dois com certa curiosidade em descobrir se começariam no karatê. Há algum tempo não entrava ninguém novo.


— O moreno vai entrar. — Luke, um dos colegas, se sentou ao lado de Simon, comentando antes de dar um gole d'água em sua garrafinha. — Acabei escutando a conversa.


Antes de esboçar alguma resposta, o mestre chamou Simon e um outro aluno para o tatame. Durante o percurso, Takeda, em um último olhar de relance, pôde notar que os olhares novos pousaram sobre ele, juntamente a um sorriso contido provindo daquele de olhos claros. Desviou a visão para seus próprios pés, nervoso por saber que assistiriam o treinamento. Tentou tranquilizar a si mesmo ao pensar que não era tão interessante assim para ser alvo de observação alheia, no final das contas. Se pôs de frente ao outro aluno e os dois saudaram-se, começando a luta.

1 de Maio de 2020 às 04:26 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Continua… Novo capítulo A cada 10 dias.

Conheça o autor

thalia perez she's a killer queen

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~