karimy Karimy Lubarino

A Quarta Guerra Ninja havia acabado, entretanto ainda existiam conflitos que necessitavam de atenção. O mais complexo deles não estava na lista do Hokage, porém. Sakura precisava enfrentar as consequências advindas de suas falas, assim como as que decorreram de sua falta de atitude; Naruto tinha de se posicionar e deixar a insegurança de lado; enquanto Hinata necessitava embarcar em uma jornada de autoconhecimento e aceitação. No entanto, confrontar seus medos exigia mais do que eles imaginavam.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#romance #drama #naruto #sakura #narusaku #hinata #hentai #neji #pwp #konoha #ino #sai #nejihina #kakashi #tsunade #newadult
5
967 VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Todas as Terças-feiras
tempo de leitura
AA Compartilhar

Pontas soltas

O sol mal havia nascido e Sakura já se encontrava à porta da casa de Tsunade. Sua mestre tinha combinado que se encontrariam ali, no topo da pequena colina, para depois seguirem ao hospital. Mas a Godaime não atendia.

Sakura bufou, colocou uma mão na cintura e levou a outra de encontro aos lábios salpicados de gloss. Seus cabelos rosas tinham sido aparados no dia anterior e estavam um pouco mais curtos do que de costume; na nuca, e dessa vez optara por não repicar. Segundo Ino, tinha ficado perfeito, e Sakura realmente se agradou do resultado.

Bateu mais uma vez na porta e se abraçou logo em seguida. Seu short saia rosa claro esvoaçou por conta do vento gélido que soprava, o tecido roçando de leve em sua coxa, logo abaixo do ponto em que o short preto terminava. Um bico de consternação surgiu em sua boca: Tsunade devia ter ficado acordada durante a madrugada preparando os documentos de transferência do controle do hospital. Shizune se oferecera ao trabalho, mas a Sannin quis fazer aquilo a próprio punho.

— Teimosa — sussurrou Sakura com voz suave.

Ainda se abraçando, os dedos agarrados nas laterais da blusa vermelha, caminhou até a beira da colina e observou o campo que se estendia à sua frente. Nunca havia se sentido tão leve e tão cheia de deveres ao mesmo tempo. Tomar conta sozinha de um grande hospital seria um desafio imenso, mas se sentia preparada. Sentia-se preparada para muitas coisas.

Apesar de não mais ser a responsável pela instituição de saúde de Konoha, a Godaime queria instruir sua discípula pessoalmente. Sakura sabia que a Sannin poderia simplesmente ter pedido que Shizune fizesse isso, já que ela também conhecia o funcionamento do hospital como a palma da mão, inclusive todas as burocracias do local. No entanto, mesmo com toda a papelada que a abdicação do posto de Hokage e a passagem do título para Kakashi demandavam, além da papelada de transferência do próprio hospital, sua mestre queria ter certeza de que seu legado seria perfeito até o último momento, e isso incluía fazer e revisar as passagens de poder. Como Sakura se orgulhava de Tsunade!

A médica ninja possuía grandes planos para a gestão do hospital da vila, mas sabia que as coisas não seriam fáceis nem tão rápidas quanto queria. De acordo com o protocolo proposto pela Godaime, ela apenas tomaria posse da liderança do hospital e das equipes médicas após todas as instruções de sua mestre serem repassadas, e isso demandaria tempo. Pelos cálculos de Sakura, levaria ao menos dois meses a transição. O hospital era grande e agora, depois da paz estabelecida, interligava-se aos hospitais das outras vilas através de informações e cooperação de dados.

A ninja médica olhou para o céu, em direção ao sol. Ainda estava cedo e podia esperar um pouco mais para depois voltar a chamar pela Godaime. Sentou-se próximo ao pequeno declive, as pernas esticadas e cruzadas. Apoiou as mãos no chão e ergueu a cabeça, os olhos fechados.

Tantas coisas haviam acontecido em sua vida. Fizera tantas bobagens de menina, metera-se em tantos perigos, mas de tudo o que mais a deixava arrependida era não ter compreendido o que ela mesma sentia. Por que as coisas do coração demandavam tanto tempo, esforço e eram tão confusas? Odiava não ter resposta para as questões empregadas pelos sentimentos. Por isto amava tanto a medicina: a lógica acompanhava os médicos desde seus estudos até o mais complexo tratamento. Se não soubesse de algo, bastava estudar e se empenhar, então a resposta chegaria até você como um papiro desenrolado pelo vento.

Deitou-se no chão, as mãos cruzadas sob a cabeça, os olhos tristes semicerrados para o céu e um meio sorriso enigmático no canto dos lábios. Nunca se perdoaria por ter sido tão cega, e por tanto tempo. Mas agora já não podia mais fazer muito sobre isso. Suas oportunidades haviam acabado, o tempo levou tudo o que poderia fazer sobre o assunto e agora só lhe restava tentar esquecer, conformar-se e agarrar o que havia restado, antes que até mesmo isso fosse carregado para longe.

Era melhor, não era? Ter alguma coisa a não ter nada, mesmo que essa coisa não fosse o que realmente desejava? Achava que sim.

Sou tão idiota!

Antigamente as pessoas a enxergavam como uma criança mimada fazendo de tudo para chamar um pouco de atenção. Ela pensava que essas pessoas não sabiam de nada, que não entendiam seu lado, que jamais poderiam compreender aquilo que a causava dor porque era apenas ela quem vivia, então só ela que sentia. Mas agora, depois de tudo o que fez, depois de tantos sacrifícios, as coisas mudaram. Uma mudança lenta e gradual, tão singela que a percebera tarde demais e só então se deu conta de que aquelas pessoas não estavam tão erradas assim.

Talvez eu só precise de um tempo, pensou. Contudo, no fundo de seu peito, no mais íntimo de seu ser, sabia que as coisas não se encaminhariam de forma tão simples. O que restava para ela era viver com o amargo arrependimento de não ter notado antes o que havia dentro de seu próprio coração e se contentar com aquilo que buscou para si, mesmo que isso não significasse sua verdadeira felicidade.

— Sasuke... — sussurrou, e um vento forte soprou levando mechas rosas de seus cabelos em direção à sua face. Fechou os olhos, a expressão mais arrependida do mundo caindo-lhe como uma máscara infame.

A lembrança da despedida do dia anterior ainda estava tão vívida que Sakura pôde sentir os dedos fantasmas do Uchiha encostarem em sua testa mais uma vez à medida que se lembrava do olhar enigmático que ele tinha enquanto a tocava. A lembrança era boa, mas o sentimento não. Seria ingenuidade dizer que estava confusa? Não..., seria mentira. Já fora confusa um dia, quando criança, agora era uma mulher que sabia bem demais o que queria e o que era melhor para si, e isso era o mais difícil de tudo. O que fazer quando sua melhor chance está fora de alcance?

Sobrepondo-se àquela lembrança, com uma força tão avassaladora que sentiu como se sua alma encolhesse, a memória de um abraço determinado surgiu. Arrepiou-se e sentiu os olhos lacrimejarem. Queria ter apenas uma oportunidade de voltar no tempo e fazer tudo de novo, mas de forma diferente. Entretanto ninguém tinha tanta sorte assim.

Não foram palavras vazias...

— Sakura, por que não me chamou?

A ninja se sobressaltou com a voz firme de Tsunade. Abriu os olhos e se ergueu com rapidez, deixando para trás tudo aquilo que apertava seu peito em punho rígido e emergindo de vez no presente.

— Eu bati na porta várias vezes — respondeu.

— Humm...

O olhar da Godaime havia mudado, e a percepção disso fez um rubor subir do pescoço em direção ao rosto de Sakura. Eram mestre e discipula, mas não apenas isso. O tempo havia firmado o laço que tinham com nó de marinheiro e unido suas vidas com uma amizade que transcendia palavras. Ter alguém que a conhecia tão bem encarando-a daquela forma era desconcertante demais, pois existiam coisas que Sakura queria omitir até de si mesma.

— Os fornecedores já devem estar esperando — falou a médica ninja, tentando disfarçar o desconforto.

— Verdade — concordou Tsunade, mas havia uma nota de dúvida em seu tom. — É melhor irmos andando.

Sakura anuiu aliviada. Começaram a caminhar lado a lado e em silêncio. Para afastar os fantasmas que a rondavam, a médica se concentrou no que a esperava no hospital. Haviam combinado um encontro com todos os fornecedores de aparelhos e medicamentos, para que eles se familiarizassem com a nova liderança e para que Sakura compreendesse a política de compra.

Presenciara algumas negociações durante seu treinamento médico. Vira tanto Shizune quanto a própria Tsunade comprando suprimentos médicos, principalmente durante os preparativos para a guerra, mas era ciente de que ainda tinha muito a aprender e se empenharia ao máximo para sugar todas as informações possíveis. Não podia ser nada menos que excepcional em seu trabalho. Seus companheiros contavam com isso, a população de Konoha contava com isso.

Desceram o pequeno declive da colina e passaram por fileiras de casas. Um grupo de crianças sorria à frente delas, um dos garotos com uma bola esfarrapada nas mãos.

— Logo Konoha volta a ser como era antes — falou Tsunade. — Mas temos muito trabalho pela frente. Ainda tem muita coisa para fazer.

Sakura ficou confusa.

— A cidade está intacta — falou. — Depois do ataque de Pain, reconstruímos tudo e a guerra não afetou a vila.

— A vila é feita de pessoas, Sakura. E as pessoas não podem se reconstruir de uma tragédia como podemos refazer uma casa.

Claro que não, Sakura sabia disso, mas ver aquelas crianças sorrindo e indo para o parque brincar lhe deu uma grande sensação de normalidade, como se nada tivesse deixado de ser como era antes da guerra.

A imagem de Ino e de Shikamaru vieram à sua mente. Assim como muitas outras pessoas, seus amigos perderam entes queridos para a guerra e, por mais que as paredes e os tijolos da vila se encontrassem em seus devidos lugares, os corações ainda estavam em tratamento. E curar a dor da alma podia ser mais difícil do que curar a do corpo.

— E Naruto? — perguntou Tsunade de repente. — Sabe onde ele está?

Sakura desviou o olhar para o chão. Não tinha conversado muito com Naruto desde que a guerra terminou. Era difícil olhar nos olhos de uma pessoa com quem tinha muito o que falar. Mais difícil ainda era encará-lo sabendo que nada do que pudesse dizer mudaria algo.

Abriu um sorriso e olhou para frente:

— Fiquei sabendo que Kakashi... Quero dizer, o Rokudaime colocou ele pra estudar. Parece que o Shikamaru está ajudando.

— E você vai ajudar também?

Sakura não precisava olhar para saber que sua mestre estava encarando-a de lado com aquele jeito matreiro e acusador que assumia às vezes, no entanto não se importou. Sabia que precisava, de algum jeito, seguir em frente.

— Não — respondeu. — Não quis me comprometer a nada, até porque tenho muitas coisas para fazer agora por causa do hospital. E como ainda estamos em processo de transição, pode ser que o Hokage precise de mim. — Ergueu os olhos para Tsunade.

Sua mestre sustentou seu olhar por um tempo. Seguiram como se houvesse algo entre elas, um assunto que nunca foi de fato iniciado, mas que pairava ao redor das duas sempre que se encontravam. Um segredo nunca dito, mas sabido. Sakura rezava para que jamais viesse o dia em que uma palavra sobre aquilo fosse levantada, porém Tsunade não era do tipo de pessoa que simplesmente deixava as coisas de lado. Não quando se tratava dela ao menos.

— Vocês já conversaram sobre o que aconteceu? — indagou a Godaime.

O peito de Sakura se contorceu.

— Sobre o que aconteceu?

— Não se faça de boba. Uma hora vão ter que falar sobre aquilo.

Sakura suspirou. Sentiu-se cansada de repente e a saudade de seu travesseiro e quarto quentinhos se enraizou dentro dela. Porém sabia que não poderia fugir de sua mestre.

— A gente não precisa falar sobre nada. O Naruto me conhece bem e sabe que eu fui uma estúpida. Ele não tocaria no assunto comigo... Não faria isso porque sabe que me deixaria constrangida.

— O problema não é esse. O que você disse magoou ele, Sakura.

Ela sabia, mas ouvir aquilo de Tsunade fez com que uma onda de calor e vergonha percorresse seu corpo como uma descarga elétrica. A única pessoa no mundo que não merecia sofrer por conta de seus atos era na verdade a mais afetada pelas consequências de suas escolhas.

— Você tem razão quando diz que ele nunca tocaria no assunto para não te constranger — continuou Tsunade — e é exatamente por consideração ao quanto ele se importa com você que deveria fazer a coisa certa.

— E qual a coisa certa? — perguntou irritada, as mãos em punho largadas na lateral do corpo.

— Por que não me diz você? Enquanto te treinava, não ensinei apenas como se defender, como atacar e como curar. Fiz muito mais do que isso. Você aprendeu sobre coisas muito além dessas. Esperava mais de você.

Ouvir isso fez o estômago de Sakura revirar. Tsunade nunca foi mulher de meias palavras, meias verdades; antes, sua língua estava sempre pronta para chicotear com o açoite da sinceridade, mas a verdade nem sempre era fácil de se ouvir.

— Eu não sei o que fazer — confessou Sakura. — Só queria deixar isso pra lá...

— E fingir que nada aconteceu — concluiu a Godaime. — Eu entendo bem você. Mas já parou para pensar em como essa escolha poderia afetar o relacionamento de vocês? Se você pensa que não deve satisfação alguma para ninguém só por ser adulta e dona de seus atos, está completamente enganada. Nós não vivemos sozinhas no mundo. Existem pessoas que se importam de verdade com a gente ao nosso redor e, quando somos imprudentes, essas pessoas são afetadas. Naruto foi afetado como ninguém por causa de você, e isso porque ele se importa e sempre se importou com seus sentimentos. Não está na hora de se importar com o que ele sente também?

Havia tanta ironia naquela conversa. Principalmente porque Tsunade, apesar de não ter tocado de fato no assunto, sabia bem que os sentimentos de Sakura eram muito mais complicados. Mesmo que nunca tivessem conversado sobre isso. Ainda assim, no que dizia respeito a Naruto, sua mestre estava mais do que certa.

— Eu até pensei em ir falar com ele — revelou Sakura —, mas não faço ideia de como fazer isso. Não posso falar para ele que foi tudo mentira.

— Só que também não pode continuar fingindo que nada aconteceu. — Tsunade soltou um suspiro impaciente. — Você disse que o ama, Sakura, e logo depois tentou matar a pessoa que ele passou a vida tentando salvar, e não apenas por ser amigo dele, mas por causa de você também. Como acha que ele se sentiu? Como acha que ele se sente quando se lembra do que aconteceu?

Os olhos da médica ninja se encheram de lágrimas e ela teve de se esforçar para não as deixar cair. Sabia de tudo o que tinha acontecido depois de ter deixado Naruto naquele dia. Sabia que ele havia passado mal por causa de tanto estresse. Não previra nada disso quando resolveu que se confessaria, mas, ao descobrir o que houve, em vez de se posicionar e fazer algo sobre, apenas se calou e virou, mais uma vez, as costas para a pessoa que mais prezava no mundo. O que isso fazia dela?

— Não posso chamar ele num canto e conversar sobre isso como se fosse uma coisa qualquer. Não é tão simples, Tsunade.

Tsunade riu baixo. Estavam próximas ao hospital e uma atendente se encontrava à porta com uma prancheta nos braços. As duas continuaram caminhando em silêncio, passaram pelo portão do hospital e, antes de entrarem, Tsunade disse:

— Já vivi tempo suficiente para saber que você poderá se arrepender para sempre se não fizer algo agora. Não seja covarde.

Sakura abriu a boca para protestar, mas a atendente que esperava na porta com a prancheta abriu um sorriso e as cumprimentou, e qualquer coisa que pudesse ser dita sobre aquele assunto morreu naquele momento. Conhecia-se e conhecia sua mestre bem o bastante para saber que a conversa havia acabado de forma definitiva.

— Os representantes estão aguardando na sala de reuniões — informou a recepcionista.

— E onde está Shizune? — indagou Tsunade.

— Está esperando por vocês também. Parece que tem um recado do Rokudaime.

Tsunade apenas anuiu antes de seguirem para a sala de reuniões. Apesar de ainda não ter acontecido a cerimônia de posse, Kakashi já estava à frente da vila, e Shizune ficou encarregada de ajudá-lo quando preciso, ao menos até que a transição fosse completada e ele ficasse a par de todas as necessidades de Konoha.

Sakura e Tsunade encontraram Shizune aguardando à porta da sala de reuniões. Diferente de Tsunade, que era uma mulher alta, de seios fartos e loira, Shizune possuía cabelos negros, curtos como os de Sakura, estatura mediana e com atributos físicos mais discretos.

Antes que a Godaime tivesse tempo de cumprimentá-la, Shizune já iniciou os informes do dia após um desejo de bom dia:

— O último representante que esperávamos acabou de chegar. Todos conseguiram vir e já servi chá para eles. Acho que estão aliviados por terem um tempinho para descansar antes da reunião.

Pelo que Sakura sabia, os representantes estavam viajando bastante desde o término da guerra, tentando suprir as necessidades dos hospitais que ainda tratavam dos feridos remanescentes. Havia não muito estiveram em Konoha, e agora precisaram refazer a viagem para aquela reunião. Qualquer minuto de descanso depois de uma jornada devia ser valioso para eles.

— A recepcionista disse que você tem um recado do Kakashi — disse Tsunade.

Shizune pareceu soturna. Tirou uma folha da prancheta que tinha nas mãos e entregou à Tsunade. Curiosa, Sakura tentou ver o que estava escrito, mas sua mestre a segurava rente ao rosto, impossibilitando sua bisbilhotagem.

— Imaginei que algo assim pudesse acontecer — disse Tsunade, e entregou a folha de volta a Shizune. — Assim que terminarmos aqui, iremos para lá.

— O que aconteceu? — perguntou Sakura.

— Acho melhor deixar o Rokudaime explicar a situação.

A Godaime abriu a porta da sala de reuniões e entrou. Sakura e Shizune a seguiram e tomaram lugar à mesa. Havia vinte e três representantes presentes na reunião, sendo que Sakura conhecia pouco mais da metade.

Conversar com eles sobre a mudança de liderança do hospital não foi difícil, complicado mesmo foi perceber que alguns daqueles homens a encararam com desconfiança. Sakura sabia que era nova e que ainda tinha muito o que evoluir, mas também era ciente de que não era uma médica ninja qualquer. Batalhou para chegar àquele posto e faria o possível para conquistar a confiança de todos naquela sala.

Assim que a reunião acabou, de forma amigável, após muita conversa, apresentações e esclarecimentos, Sakura e Tsunade foram para a sala do novo Hokage. Shizune foi orientada por Tsunade a ficar no hospital para tomar conta das coisas.

Ao entrarem, Sakura prendeu o ar ao perceber que Naruto também havia sido convocado e se encontrava parado de frente à mesa do Rokudaime. Um pouco sem jeito por se lembrar da conversa que ela e Tsunade tiveram mais cedo, Sakura se aproximou e encostou o ombro no de Naruto.

— Sakura... Tsunade! — disse ele, uma pitada de surpresa na voz.

Sakura sorriu ao cumprimento, mas não pôde deixar de notar que ele mal a encarou nos olhos. Talvez Tsunade tivesse mesmo razão, como sempre. Talvez nem Naruto tivesse sido capaz de deixar tudo para trás mesmo depois das tantas outras coisas que aconteceram.

— Fico feliz que tenham vindo tão depressa — falou Kakashi. — Achei que fossem demorar mais na reunião. E como foi?

— A Sakura se saiu muito bem — afirmou Tsunade. — Vi o relatório que me enviou, mas não tive tempo de ler por completo.

Kakashi soltou um longo suspiro, virou a cadeira de lado e olhou através da janela da sala que ficava logo atrás. Parecia não apenas cansado, como preocupado também. Apesar de a paz estar reinando entre as vilas, Sakura sabia que ainda existiam muitas pendencias a serem sanadas.

— Estou pensando em enviar a Sakura e o Naruto para essa missão, mas queria saber sua opinião antes — falou ele, e encarou Tsunade.

A Godaime estreitou os olhos e pareceu refletir por um momento. Sakura olhou para Naruto, tentando desvendar algo através do rosto dele, porém percebeu que ele parecia tão perdido quanto ela.

— Por que não a Hinata? — questionou Tsunade, e Sakura sentiu uma pontada no peito.

Sabia bem que não tinha liberdade alguma para se ofender com aquela pergunta de sua mestre, mas também tinha certeza de que a Godaime só a fez para atingi-la. E estava tudo bem. Sakura sentia que merecia aquilo.

— Hinata está ocupada tratando dos problemas da Casa dela. Ao que parece, os Hyuuga estão negociando uma nova política com a Casa secundária.

— Sério?! — perguntou Naruto, parecendo surpreso e feliz.

— Bom, não sei ainda dos detalhes. Shikamaru que está monitorando a situação toda. — Kakashi se voltou para Tsunade: — A Sakura não vai poder se envolver em missões por agora por causa da transição?

— Não é isso... Ainda sequer terminei toda a papelada e tem muitas coisas que preciso mostrar para ela, mas não há nada urgente. A Sakura sempre me auxiliou no hospital durante o treinamento, então não tem muito que ela não saiba. Além disso, a Sakura e o Naruto sempre foram um time. Tenho certeza de que se darão bem nessa missão, só pensei que pudesse ser bom para Hinata sair um pouco da vila e se distrair.

— Entendo...

— Do que vocês estão falando? — questionou Naruto, interrompendo-os. — Que missão é essa?

— Há dois dias, Shikamaru me enviou um relatório feito por patrulheiros — começou Kakashi. — Parece que alguns aldeãos andaram fazendo queixa sobre estarem sendo roubados por shinobis de Konoha.

— Mas isso é impossível! — balbuciou Sakura.

— Não acredito em uma coisa dessas — disse Naruto.

Kakashi apenas anuiu e continuou:

— Os patrulheiros procuraram saber melhor sobre essas histórias e acabaram descobrindo que os aldeões acreditam nisso porque as armas usadas nos assaltos possuem o símbolo da Vila da Folha. Ontem enviei um Ambu para investigar a situação e hoje de madruga ele voltou dizendo que descobriu uma ligação que leva as armas utilizadas nos roubos ao mercado negro.

— Não é a primeira vez que isso acontece — disse Tsunade. — Sempre que há um confronto, os ninjas, independente de qual vila, acabam deixando para trás as armas ninjas que usaram para enfrentar algum inimigo. Algumas pessoas coletam essas armas e guardam como recordação, mas outras vendem para qualquer interessado.

— Acontece que, depois da guerra, o número de armas largadas no território das batalhas foi imenso — concluiu Kakashi.

— Mas como eles poderiam associar essas armas a Konoha? — perguntou Sakura.

Não conseguia compreender ainda aonde eles estavam querendo chegar com aquilo. Sabia que algumas armas poderiam se perder durante batalhas pequenas, mas elas não seriam suficientes para irem parar no mercado negro, e as armas usadas na guerra possuíam o símbolo da Força Aliada, não das vilas.

— Ah... — começou Naruto, socando a mão, como se acabasse de lembrar de algo. — As armas que usei na guerra tinham o símbolo da vila.

— Impossível — discordou Sakura.

— Não... — começou Kakashi. — Ele tem razão. Infelizmente os produtores não deram conta de entregar o número de arsenal que pedimos para a guerra. Afinal de contas, era uma grande demanda para pouco tempo de entrega, por causa disso usamos algumas armas do arsenal próprio das vilas, e a que mais cooperou com isso foi a nossa.

— E o que podemos fazer? — perguntou Sakura.

— O Ambu que descobriu a ligação entre o mercado negro de armas e as armas usadas nos assaltos aos aldeãos disse que uma reunião acontecerá em um hotel no país da Água. Aparentemente, o encontro será feito para celebrar o casamento de um dos maiores traficantes de armas que conhecemos, mas muitos outros estarão lá para o homenagear.

— É uma grande oportunidade para descobrir qual desses traficantes está por trás das vendas das armas ninjas e de prender não apenas ele, mas também os outros que se entregarem durante a investigação — afirmou Tsunade.

— Então nós dois vamos ao casamento para investigar o verdadeiro culpado — disse Naruto, como se falasse consigo mesmo.

— A festa começará daqui há cinco dias e durará dois — explicou o Rokudaime. — Shikamaru conseguiu incluir o nome de vocês na lista de convidados. — Ele puxou duas folhas, de debaixo do amontoado de documentos que havia em cima de sua mesa, e estendeu uma para Naruto e outra para Sakura.

— Diana — pronunciou Sakura seu nome escolhido para a missão.

— Oh! — gritou Naruto. — Aqui diz que nós somos casados, olha! — E apontou para a folha mostrando-a a Sakura, que o empurrou, nervosa.

Kakashi voltou a falar trazendo à tona informações sobre algumas das pessoas que estariam na festa. Enquanto isso, Sakura não conseguia parar de pensar que talvez Tsunade estivesse mesmo certa: Hinata deveria ir àquela missão, não ela. Não depois de tudo o que fez Naruto passar. Não se sentia digna de receber título de esposa dele nem para uma missão, mesmo que esse título fosse aquilo que almejasse.

30 de Abril de 2020 às 21:36 0 Denunciar Insira 4
Leia o próximo capítulo Esperança

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 3 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!