A
Assis Júnior


Efeitos pós-bomba, depois de uma guerra nuclear, dividem um país em dois grandes grupos rivais. Dois jovens, um de cada lado, se conhecem e questionam se existe sentido nessa polarização. Ao mesmo tempo desejam conhecer melhor o mundo em que vivem.


Ficção científica Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#ficção-científica #distopia
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1.Binário

A história começa alguns anos depois de a bomba ter caído.

O efeito foi violento e se espalhou por todo o país que conheceremos agora.

As pessoas perderam parte da cognição. A memória também foi bem afetada, tanto a de curto quanto a de longo prazo, e esses problemas juntos danificaram seriamente a fala: o vocabulário ficou bem reduzido e em várias situações se resumiam a grunhidos.

Outro efeito foi que a cor da pele das pessoas adquiriu tons estranhos, uma parte delas ficou com uma tonalidade roxeada e outra esverdeada.

A cidade aonde se passa parte da nossa história ficou dividida por essa característica, no lado oeste ficaram os “roxos” e do lado leste os “verdes”. Um viaduto dividia os dois lados.

Em um ponto do lado oeste, mas considerado “neutro”, ficava um armazém de grandes proporções, aonde eram depositados todos os mantimentos que eram coletados, num esforço conjunto entre os dois lados. Todos os dias tantos os roxos quanto os verdes iam ao local, apelidado de “central” em busca de mantimentos. Os coletores também estavam lá todos os dias, disponibilizando mantimentos, que eram colhidos na natureza ou em estabelecimentos abandonados. Era a única atividade e o único local em que os dois lados se “entendiam”, pois existia uma grande rivalidade entre eles, a ponto de se xingarem o tempo todo, quando não partiam para a violência. Tanto os roxos quanto os verdes, num outro efeito pós-bomba, tinham predisposição a sentimentos de ódio, geralmente direcionados aos rivais, aos “do outro lado”. Ninguém mais conseguia sorrir, e esse ato passou a virar lenda, alguns não acreditavam que as pessoas sorriam antes da bomba, achavam que era invenção. Sorrisos só eram vistos em alguns outdoors que restaram, de comerciais de bancos, por exemplo, e em livros e revistas do pré-bomba.

Ambos os lados tinham líderes, que eram reverenciados.

Os roxos adoravam aquele que era chamado de “pai túlio” uma espécie de mentor deles, mas que foi aprisionado e acorrentado numa árvore enorme, gigantesca para os padrões do pré-bomba. Pai túlio teria sido preso ali pelos verdes, sob a acusação de ter extrapolados seus direitos na central (haviam restrições na quantidade de comida e demais itens a serem retirados para consumo, túlio tirou muito mais do que era acordado). Essa condição acabava pouco a pouco com a sanidade de túlio, que do alto da árvore gritava o dia todo palavras contra os verdes, no que era aplaudido pelos roxos.

Por sua vez, os verdes adoravam o “rei machado”, que usava uma camisa de força desde antes da bomba, pois era tido na época como insano e perigoso. Era chamado por esse nome pois adorava um machado que tinha em sua casa, que era limpo e lustrado por ele mesmo, apesar das limitações (usava cotovelos e ombros por exemplo), tarefa que era as vezes delegada a seus filhos que a cumpriam com orgulho, pois o machado estava sempre brilhando. Machado era ótimo para inflamar os sentimentos de ódio de seu povo (assim como o pai túlio), e o alvo era sempre os rivais “do outro lado”. Diversas pessoas já haviam tentado livrá-lo da camisa de força, mas as limitações nelas produzidas pela bomba impediam a libertação de seu líder.

29 de Abril de 2020 às 01:35 0 Denunciar Insira Seguir história
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