ifrajola primadonna girl

Nessa história você conhecerá de maneira crua e cítrica a maneira que adolescentes sobrevivem ao mundo. Chanyeol, um playboy metido de alta sociedade, é posto em um terrível dilema após conhecer Do Kyungsoo: o garoto qual por pouco não havia atropelado ao resolver se aventurar no subúrbio de Seul. Mais tarde, ele descobre que os dois serão colegas de classe no colégio de elite Geum Boarding School. O quão problemático isso poderia se tornar?


Ficção adolescente Para maiores de 18 apenas.

#chanyeol #chansoo #sebaek #surene #red-velvet #exo #kyungyeol #hunbaek #drogas-ilícitas #possíveis-gatilhos #romance #yaoi #colegial #drogas-lícitas #crime #skins #lgbt #drama #wendy #joy #seulgi #irene #yeri #kyungsoo
0
2.4mil VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Todos os Domingos
tempo de leitura
AA Compartilhar

Playboy

E se você me perguntasse, depois de tudo que nós passamos: ainda acredita em mágica?— Coldplay, Magic ​


capítulo 1

playboy


Aquela noite tinha grandes expectativas para ser perfeita, mas tudo acabou indo por água abaixo quando Chanyeol fez do champanhe e vinho seus únicos companheiros durante o aniversário de casamento dos seus pais e as coisas saíram do controle.


Naquele momento, o cabelo vermelho dele grudava na testa com o suor, sua gravata estava frouxa e sabe-se lá onde fora parar seu paletó. Gaeun, uma das funcionárias mais antigas da mansão, tentava ajudá-lo a parar de vomitar.


O estado do garoto a preocupava e ela não sabia o que poderia acontecer se o rosto dele continuasse perdendo cor. Chanyeol tremia; os dedos estavam agarrados à borda do balde cheio de vinho, champanhe e alguns quitutes vomitados — imensamente nojento.


E ele recusava a erguer-se do chão porque não queria que seus pais soubessem o que tinha acontecido. Estaria ferrado caso eles descobrissem, mas Gaeun, embora sempre tentasse ajudá-lo, sabia que o estado dele ia além de um simples porre.


As piscadas de olho estavam lentas e sua pele gelada.


— Cara, eu tô fodido se você contar.


— Você precisa ir ao hospital. — Ela afastou os cabelos molhados dele da testa, oferecendo-lhe mais um copo da água, este que foi recusado novamente. — Chanyeol…


— Não quero água. — Balançou a cabeça negativamente.


Um silêncio reinou no quarto enquanto ele tentava se recompor. Gaeun o encarava com preocupação, pensando em mil maneiras de ajudar o garoto sem que os seus patrões soubessem de algo.


A sorte do Park era que eles precisavam dar atenção aos convidados e não tinham tempo para se recordar do filho. Nem sequer notaram que ele bebeu feito um maluco desde o início da festa. Gaeun quem percebeu, mas chegou tarde quando o encontrou quase desmaiando no banheiro.


— Por que bebeu desse jeito, hein? — Ela inquiriu seguidamente de um suspiro.


— Essa festa é uma droga, não tá vendo? Que merda ter que ficar sorrindo pra essa gente… Não consigo fazer isso sóbrio. Além do mais, ontem eles estavam brigando como inimigos e hoje comemoram a união? Fala sério...


— Casais brigam às vezes. — Foi a única coisa que Gaeun disse. Chanyeol afrouxou mais a gravata e abriu os olhos lentamente, encarando as portas de vidro de seus aposentos que separavam a sacada do restante do quarto.


— Eles quase nem tem contato um com o outro; sempre ocupados, só estão juntos por mídia.


— Mas ainda sim, não precisa agir dessa forma. Seu pai fica furioso com isso. Quanto mais provocá-lo, mais difícil será a convivência de vocês.


— Que convivência? Eu mal vejo ele. — Disse pondo a mão na cabeça após sentir uma pontada e aquela frase, dita com tanta facilidade e indiferença, fez o coração de Gaeun apertar dolorosamente.


No início, ela só era mais uma das empregadas com função adicional de babá do filho dos Park, mas acabou deixando-se levar pela criança extraordinária que Chanyeol era e tudo foi muito além do profissional.


O próprio Chanyeol perdeu as contas de quantas vezes desejou que ela fosse sua mãe, entretanto, como todas as outras, essa prece também não foi ouvida e o Park não sabia porque ainda ficava decepcionado.



Na manhã seguinte, Chanyeol era recepcionado por uma enxaqueca e um sermão de Kihyun, o famigerado Senhor de Ferro, deus dos negócios, mágico do marketing, ou o pai do garotinho encrenqueiro Park Chanyeol. Sendo este último adjetivo o menos popular.


Ele costumava acobertar as besteiras que o garoto fazia porque isso não contribuía em nada para a imagem de um empresário como ele. As coisas que os internautas sabiam sobre o filho dos Park se limitavam a idade, nome e aparência.


E com isso ficava evidente que ele não gostava de expor sua família, ou só tinha medo que os atos impensados do ruivo vazassem para a mídia e ele tivesse um ano turbulento de polêmicas para resolver.


"Filho dos Park entra em coma alcoólico no aniversário de casamento do casal.”


Certamente seria uma manchete escandalosa demais para que ele conseguisse contornar.


— Qual o seu problema, Chanyeol? Já tem dezoito anos, semana que vem vai fazer dezenove, e ainda não entrou na sua cabeça que já é um adulto? Esse ano você conclui a escola e eu quero ver como irá se virar.


A carreira de seu pai era do tipo que tem a capacidade de transformar seres humanos em máquinas viciadas em viagens à negócios e papelada. Basicamente o homem cuidava de modelos, promovia revistas e ajudava marcas de roupa a crescerem.


Ele trabalhava de forma magnífica e por isso era um forte concorrente no mercado. Os Park sempre eram fortes oponentes e Chanyeol se sentia como uma ovelha negra por causa disso. Não agia como os demais homens da sua família.


Antigamente ele costumava ser um garoto melhor; cheio de habilidades e talentos naturais. Mas quando percebeu que seus pais eram os únicos a não reconhecerem isso, perdeu a motivação. Tinha um armário transbordando de medalhas e troféus e não se recordava de um dia sequer ter sido parabenizando por algum deles.


Já ouvi esse discurso antes. — Chanyeol murmurou, mas não havia passado despercebido por seu pai.


— Então deveria começar a colocar em prática a sua maturidade. — Kihyun emendou um suspiro na frase, indo até a mesa de tarefas de Chanyeol e recolhendo as chaves de sua Mercedes. — Isso vai ficar comigo por enquanto.


O ruivo o encarou incrédulo, entretanto, não pensou em discutir. Sua cabeça doía demais para que cogitasse algo parecido.


— Gaeun. — O homem chamou-a com a voz firme.


Chanyeol e Kihyun eram muito parecidos, embora o ruivo odiasse ouvir esse tipo de comparação. A altura, beleza e inteligência vinha de família. Talvez o motivo para que não se entendessem era porque ambos gostavam de comandar.


Dois líderes natos convivendo no mesmo ambiente? Algum teria que ceder e nenhum deles era muito fã de estar no segundo lugar. E o ruivo odiava lembrar que herdara totalmente as características egocêntricas do Park mais velho.


— Sim, senhor?


— Dê um jeito de fazer esse garoto melhorar. Hoje ele vai pra aula com ressaca ou não. — A mulher apenas balançou a cabeça positivamente, assistindo o homem abandonar os aposentos com o celular já grudado na orelha.


Após a porta ser fechada, Chanyeol bufou e voltou a deitar na cama.


— Hoje não vou pra escola nem fodendo.


— Mas Chanyeol, não deixe o Sr.Kihyun mais bravo do que ele já está.


— Não ligo para o que ele pensa. Só vou para a aula hoje se for com meu carro.


Gaeun colocou as mãos na cintura e o encarou com uma expressão brava.


— Ora, garoto, seu pai acabou de recolher as chaves, não há jeito de ir com seu carro hoje. E outra, se você não comparecer à escola, serei eu quem levará sermão. — Disse arrancando as cobertas do ruivo, ouvindo uma série de palavrões murmurados. — E larga de ser boca suja.


Chanyeol somente se rolou pela cama, afundando o rosto no travesseiro, tendo esse puxado também por Gaeun.


— Anda, vou te dar um chá que é tiro e queda. — A mulher falou com empolgação, sorrindo-lhe docemente, saindo do quarto logo em seguida.


Com isso, ele suspirou, erguendo-se preguiçosamente da cama macia e indo em direção ao guarda-roupa, pegando as peças do uniforme e colocando-as sobre o colchão. Definitivamente não queria ir para a escola, então tinha que dar um jeito estilo Park Chanyeol.


Enquanto se enrolava com a gravata, Gaeun entrou no quarto segurando uma bandeja prata com frutas, torradas e a xícara de chá fumegante no meio. Ela soltou uma risada baixa ao vê-lo atrapalhar-se com os nós.


Dez a zero para a gravata.


— Deixe que eu te ajude. — Ela disse gentilmente, pondo a bandeja sobre a cama do mais alto, tomando o controle da situação costumeira que Chanyeol passava todas as manhãs. — Já está na hora de aprender a lidar com as gravatas. Precisa aprender a dar nós.


— Odeio gravatas, então não preciso não. — Rolou os olhos.


— Só odeia porque não sabe arrumá-las. — Riu, terminando aquilo incrivelmente rápido. — Agora precisa comer se quiser melhorar.


Chanyeol apenas assentiu, sentando-se na cama e começando por um pedaço de maçã. Enquanto comia, pensava em um jeito de recuperar suas chaves. Sabia que seu pai não havia levado consigo pois sempre que confiscava algo de Chanyeol colocava nas gavetas do seu escritório.


A concentração do ruivo no chá de gosto amargo fez Gaeun perceber que a cabeça dele estava longe.


— Chanyeol? — Ele piscou várias vezes após ser chamado, como se acordasse de um transe. — Eu vou terminar meus afazeres na cozinha, se precisar de algo, me chame.


— Ah… Sim, obrigado. — Abriu um sorriso amarelo, tendo a consciência de que a mulher já desconfiava de algo, mas não iria impedi-lo por entender o seu lado também.


Quando ela deu as costas, ele terminou o chá em um gole e catou a mochila depressa. Foi sorrateiramente até o escritório de seu pai, mexendo nas gavetas assim que entrou.


A última estava trancada e isso o fez bufar ao mesmo tempo em que constatou que suas chaves estariam ali. Caso não tivesse feito aquilo outras vezes, teria que se render ao castigo e aceitar a condição. Porém, o grampo no bolso lateral da sua mochila o salvava.


Kihyun nunca desconfiou que o garoto pegara o celular escondido da vez que o confiscou. Dificilmente mexia na última gaveta e por isso não percebeu que ela estava destrancada. Essa falta de atenção contribuía para Chanyeol.


Ele sorriu ao avistar as chaves da sua Mercedes Slk 250*, sentindo-se como um espião de algum filme do Tom Cruise. Assim que a pegou em mãos, saiu depressa, correndo até a garagem antes que algum empregado da mansão o avistasse.


Jogou a mochila nos bancos de trás e colocou o cinto com agilidade, só abrindo o capô do carro quando estava fora do pátio. Os inícios de ano eram sempre recebidos por um clima primaveril quente e seco, mas também com brisas suaves.


Isso fazia Chanyeol amar a estação e gastar mais tempo na rua. Entretanto, naquela manhã de segunda-feira as coisas não estavam tão graciosas para o ruivo. Afinal, o trânsito lotado e barulhento somente fazia sua dor de cabeça aumentar.


Ele bateu no volante sem usar muita força após perceber a longa fileira de carros que haviam em frente ao dele. Seul realmente não estava para brincadeira. Fechou o capô apenas para que não ficasse ainda pior com aquele cheiro de gasolina.


— Alô? — Disse mexendo nos cabelos vermelhos após atender o celular.


O que aconteceu, hein? Não responde minhas mensagens desde ontem. — Joohyun, sua namorada, não parecia nada contente. E ter uma discussão com ela naquela manhã era a última coisa que estava precisando.


— Tive um pequeno problema com meu pai, só isso.


E aonde você está? Quanto barulho…


— Peguei um engarrafamento. — Suspirou, colocando a cabeça para fora da janela tentando ver se aquele tumulto era por causa de algum caminhão. Constando que sim, havia um maldito veículo de colchões trancando a rua. — Tem um caminhão parado lá na frente.


E você vai vir para a aula?


— Não… Eu tô morrendo de ressaca. Quis dar uma volta pra ver se passa, mas parece que só vou piorar.


Entendo… Melhore logo. Hoje você tem treino no time, não é?


— Eles conseguem se virar sem mim. — Sorriu.


Sem o capitão?


— Confio no Junmyeon pra dar conta só por hoje. — Esfregou os olhos, bocejando em sequência.


— Certo, então me mande mensagem depois. — O ruivo apenas assentiu, ouvindo o barulho da ligação sendo encerrada, em seguida.


Conhecia Joohyun, ou somente Irene, desde a infância. E era estranho pensar que namorava a garota com quem antigamente andava de bicicleta e ralava os joelhos. Arriscava dizer que ela era muito mais legal quando tinha dez anos com seu tênis pisca-pisca.


Os dois começaram a namorar no nono ano e tiveram um término longo durante o primeiro ano do ensino médio. Demoraram a voltar porque Chanyeol passou por uma época em que vivia metido entre as pernas de várias garotas.


Por ser bonito, dificilmente alguma lhe dizia não. Mas Junmyeon, seu melhor amigo, o aconselhou a voltar com Joohyun porque o que menos queria era que alguma garota estranha das noitadas do Park aparecesse do nada dizendo estar grávida. Era a última coisa que faltava acontecer.


No final do primeiro ano, os dois acabaram reatando e estavam juntos desde então. Contudo, o relacionamento meio que havia esfriado e eles já não faziam nada além de selinhos breves e alguns abraços. Mas aquilo não era um problema, talvez Chanyeol só tivesse enjoado de transar.


Quando percebeu que estava há tempo demais parado pensando em idiotices, resolveu pegar um caminho menos turbulento, pois não era o barulho confuso de várias buzinas que iriam melhorar a sua manhã.


A rota que optou não era lá muito segura, mas não tinha uma fila de carros e isso pareceu o suficiente para que o ruivo a escolhesse. Não tinha medo do subúrbio, embora andar com um carro daqueles em ruas perigosas fosse pedir por um assalto.


Parou na faixa de segurança após o sinal fechar, assistindo uma mulher passar com seu carrinho de bebê. Esse momento em que ficou parado novamente o fez programar para onde iria. Precisava comer, então pensou em uma lanchonete.


Entretanto, assim que o sinal abriu e ele deu partida em direção ao estabelecimento que tinha em mente, quase atropelou um garoto que passava correndo como um maluco. Se não fosse depressa em frear, teria acontecido um desastre.


— Ei! Olha por onde anda! — Ouviu-o xingar, mas estava assustado demais para que expressasse outra reação senão olhos arregalados e boca entreaberta. — Volta pra auto escola! — E então chutou com toda a força que tinha o para-choque do veículo.


Isso o fez ficar ainda mais assustado, despertando do estado letárgico de ter quase atropelado alguém. O garoto voltou a correr, mas Chanyeol não o deixaria escapar. Ainda mais porque aquilo poderia colocá-lo em problemas.


Estacionou com pressa o carro rente à calçada, saindo dele na mesma velocidade. Agradeceu às suas pernas compridas assim que o alcançou e o agarrou pelo braço, virando-o em sua direção.


— Não sabe o que é sinal fechado para pedestres? — Inquiriu quase entredentes, tentando enxergar o rosto daquele maluco que era coberto pela franja e o capuz do casaco vermelho desbotado.


— Ei! Me larga! — Exclamou, tentando soltar-se do aperto, mas foi em vão.


Era até engraçado ver os um e setenta e três daquele baixinho lutando contra os um e oitenta e cinco de Chanyeol.


— Você fez um estrago no meu para-choque!


— Problema seu! Eu preciso ir, caralho! — Chanyeol notou que as mãos dele passaram a tremer e a força que usava foi diminuindo aos poucos.


A respiração começou a sair fraca até que suas pernas vacilaram e ele desmaiou, sendo amparado automaticamente por Chanyeol. Haviam poucas pessoas passando na rua e elas não pareciam interessadas no que acontecia, o que aliviou o ruivo.


— Ei! — Ele o sacudiu pelos braços, mas não houve nem um sinal de que aquilo adiantaria.


Ele havia desmaiado completamente e o Park não fazia ideia de como agir. A culpa havia sido dele? Não. Aquele cara já devia estar mal o suficiente para não prestar atenção no sinal fechado. Entretanto, sendo culpa dele ou não, o problema estava em suas mãos. Literalmente.


Acabou pegando-o no colo, surpreendendo-se com o quão leve o garoto era. Não deveria comer quase nada para pesar tão pouco.


Essa manhã não tem como ficar pior. — Murmurou para si mesmo enquanto colocava o garoto no banco passageiro, com isso, fazendo o capuz dele cair, revelando seu rosto.


Parecia ter uns quinze anos pelo porte e feições jovens. A pele era branca, mas talvez estivesse pálida demais naquele momento por conta da sua pressão baixa e temperatura fria. Os lábios cheios e em formato interessante de coração estavam sem cor.


O cabelo dele tinha um tom castanho claro e a franja caía nos olhos. Chanyeol notou que ele usava um colete jeans por baixo do casaco de moletom vermelho e se perguntou se ele não sentia calor. Parecia ter se vestido com as primeiras peças de roupa que viu.


Balançou a cabeça para parar com as análises e colocou o cinto no desconhecido, em seguida tomando seu assento e dirigindo para o hospital. Pegaria o engarrafamento de novo, mas não podia arriscar que aquele garoto tivesse um piripaque e ele ficasse como assassino.


Talvez fantasiasse demais por estar assustado, mas também não queria testar a sorte em deixá-lo lá desmaiado no subúrbio.


— Hm… Me deixe ir. — Ouviu a voz murmurada do garoto ao seu lado e percebeu que ele estava despertando.


O par de orbes negras agora o encarava e Chanyeol notou o quanto os olhos amendoados do rapaz eram grandes e doces, contrastando totalmente com a sua falta de modos.


— Pra onde você está me levando? — Inquiriu assustado, tentando abrir a porta. — Abre essa merda.


— Ei, calma. Por mais que você tenha quebrado o meu para-choque, tô te levando pro hospital. — Rolou os olhos. — Você desmaiou, não lembra?


O menino pareceu pensar enquanto analisava todo o carro, e no momento seguinte fez o Park ficar com o corpo gelado ao se debruçar sobre ele. As costas do desconhecido estavam contra seu peito e Chanyeol se encontrava concentrado demais no cheiro de shampoo dos cabelos dele para notá-lo mexendo no volante.


O barulho das portas sendo destravadas fez o maior acordar do transe, mal tendo tempo de pensar antes do garoto sair do carro, passando entre o engarrafamento apressadamente enquanto os motoristas buzinavam.


— Ei! — Exclamou, assistindo-o andar cambaleante e sumir de vista. Bem, havia feito sua parte em tentar ajudar aquele maluco, o que aconteceria depois não lhe dizia respeito e nem ao menos importava.





Na manhã seguinte, faltavam alguns minutos para a aula e o treino acabarem. Chanyeol passou seis períodos inteiros falando para Junmyeon sobre o que acontecera no dia anterior e que agora estava sem celular por conta de um desconhecido ter chutado seu para-choque.


Não havia como enrolar Kihyun daquela vez e agora teria que gastar toda a sua mesada em um conserto. Ficou a um pé de perder a sua festa de dezenove anos e se batia mentalmente por ter pensado em ajudar aquele tampinha.


— Você é muito emocionado, Chanyeol. — Junmyeon brincou, abrindo um sorriso que deixou seus olhos completamente fechados. — O garoto provavelmente só teve uma queda de pressão.


— Ainda assim, eu não podia deixá-lo sozinho no meio da rua.


— E se ele acordasse e tivesse uma arma? Estamos falando de uma das ruas mais perigosas de Seul.


— Com aquela cara? Tsc. Só se fosse uma arminha de bolhas de sabão. — Ironizou enquanto ajeitava a camisa do uniforme e saía do ginásio.


Junmyeon apenas o acompanhou na risada, percebendo que era engraçado o quanto o amigo sempre tinha histórias malucas para contar. Ele, Joohyun e Chanyeol costumavam ser um trio e tanto quando crianças e desde a época o Park levava uma vida agitada.


O Kim conhecera o ruivo primeiro, mas não muito tempo depois eles simpatizaram com a filha de um banqueiro viúvo, Bae Joohyun. Ela costumava ficar em casa estudando o dia inteiro ou brincando sozinha. Seu pai a mimava muito depois que a esposa morreu e ela tinha dificuldades em socializar.


Depois que fez amizade com Junmyeon e Chanyeol, consequentemente foi exposta a mais pessoas devido ao grande círculo de amizade que eles tinham desde muito cedo. Principalmente o Park, que sempre fora popular por conta de seu jeito desinibido e simpático, além do forte sobrenome que carregava e as notas excelentes.


Junmyeon o conheceu em um evento chato de adultos em que suas famílias estavam. Eles praticamente limparam a mesa de quitutes e correram pelo salão inteiro. O ruivo soube que arrumara o seu parceiro de crime naquele instante.


O tio do Kim era o CEO de uma empresa que formava grandes celebridades do pop coreano e por isso constantemente comparecia nesse tipo de evento. Seu pai era falecido e sua mãe uma advogada bem sucedida que casou-se com o irmão do marido apenas para manter o sobrenome.


— Vai fazer alguma coisa agora? Podíamos ir almoçar em uma lanchonete. — Suho sugeriu jogando as alças da mochila sobre os ombros.


— Eu deveria convidar a Joohyun? Ela parece meio chateada comigo.


— Pelo que eu saiba, ela foi com as amigas dela ao shopping. Acho que vocês deveriam sair sozinhos em outro momento. — Chanyeol concordou com o amigo, seguindo com ele para fora de Geum Boarding School.


Enquanto passavam pela secretaria, o ruivo não conseguiu deixar de notar algo estranho, recuando alguns passos por conta disso. Junmyeon, assim que percebeu, parou de andar e procurou pelo amigo, olhando para a secretaria automaticamente quando viu o ruivo encarando aquela direção.


— Algum problema, Chanyeol?


— É o garoto de ontem. — Disse baixo demais, fazendo Junmyeon questioná-lo novamente. — É ele! O cara que chutou meu carro. — Puxou o amigo pela gravata do uniforme, virando o rosto dele em direção ao acastanhado.


— Aish, não precisa me amassar desse jeito. — Desvencilhou-se das mãos do maior que apertavam as suas bochechas. — Ele não parece ser um maluco.


— Mas ele é! E eu quero saber o que um cara como ele está fazendo em um colégio de elite. — Desviou seu olhar para Junmyeon sugestivamente.


— Não olha pra mim. Eu não vou te ajudar. — Chanyeol apenas rolou os olhos.


— É claro que vai. — Pegou-o pelo braço, aproximando-se da secretaria e escondendo-se rente a porta. — Me ajuda a entender o que eles estão falando. — Sussurrou.


— Eu só quero almoçar.


— Para de frescura, Suho. — O Kim acabou por apenas rolar os olhos e acatar à vontade do amigo, apertando bem os olhos como se isso fosse apurar a sua audição.


Havia um homem muito elegante ao lado do garoto parecendo ser seu pai. A secretária escrevia algo no computador e perguntava ao homem coisas como data de nascimento, nome, se o garoto era portador de alguma doença…


Aquilo parecia entediar o tampinha, pois ele bocejava a cada cinco minutos e seus olhos opacos diziam que ele só queria ir embora.


Está fazendo uma inscrição. — Chanyeol comentou mais para si mesmo, praticamente saltando para longe da porta quando uma das secretárias saiu dali segurando alguns papéis.


Ela atrapalhou a visão de Suho e Chanyeol, fazendo-os ir até a porta de vidro que também tinha vista para o local, entretanto agora não conseguiam ouvir nada e só enxergavam um pouco das costas do garoto.


— Podemos ir almoçar agora? — Junmyeon inquiriu entediado e o ruivo apenas assentiu, olhando para trás várias vezes antes de sair do prédio escolar.





Chanyeol simplesmente não podia acreditar.


Será que todas as suas manhãs ruins estavam sendo algum tipo de castigo? Só podia ser. Teria que aturar aquele tampinha todo dia como seu colega de classe?


Castigo. Castigo. Castigo. Castigo…


Era a única coisa que conseguia pensar ao vê-lo em frente a lousa. Talvez só estivesse constrangido pelo mico que passara daquela vez. Além de que… Bem… Seria esquisito se Chanyeol tivesse achado o moleque bonito?


Argh.


Ele não era do tipo que se acanhava em achar outros homens atraentes, a maioria de seus amigos, destacando-se Junmyeon, já havia ouvido elogios por sua parte, inclusive. Mas daquela vez, no entanto, admitir aquilo parecia soar como algum tipo de piada.


E nem a pau que com aquela cara de criança o tampinha tinha dezoito anos. Eram informações demais para uma única semana.


— Eu sou Do Kyungsoo. Espero que possamos nos entender. — Disse curvando-se e abrindo um sorriso angelical que poderia esconder facilmente seu temperamento instável.


Chanyeol era costumeiramente visto somente como um playboy que cheirava a Peony & Blush Suede. Ele sempre tinha controle sobre tudo, então não soube porque sentiu um forte arrepio quando os olhos doces e dissimulados daquele cara cruzaram com o seus.


Não.



Não tinha tudo sobre controle. E sabia que algo grandiosamente ruim estava prestes a acontecer.




Nota: oii, então, pra quem não me conhece, eu sou uma escritora only spirit que quis se aventurar um pouco pros lados do wattpad e inkspired! Estou postando essa fanfic em ambas as três plataformas (spirit, wattpad e inkspired SOMENTE) e ela está sendo betada pela Raquel - @jongstar -.

Eu montei uma playlist com as músicas que aparecem nos inícios dos capítulos, e nela contém mais músicas por conta das postagens estarem mais avançadas na primeira plataforma que eu publiquei. Vou deixar o link só aqui no primeiro capítulo para não poluir demais; os asteriscos talvez sejam os únicos motivos para haverem notas nos capítulos ou quando eu precisar colocar avisos ^^


playlist no spotify: https://open.spotify.com/playlist/4trsoFsIqLJrdmrpWTTwWM?si=6DpS5ioyQ6e1s0lgYg0osw
playlist no youtube: https://www.youtube.com/playlist?list=PLc0HNAg88pxAtAQ__rtswQVT88t9X-uZt

*mercedes slk 250: http://www.raspar.com.br/imagens/carro/2015/07/22/mercedes-benz-slk-250-2015-com-rodas-aro-19-3_896x504.jpg

27 de Abril de 2020 às 04:28 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Leia o próximo capítulo Garoto Mau

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 1 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!

Histórias relacionadas