ageha_sakura Ageha Sakura

Desde a infância Jeongguk não conseguia enxergar mais do que uma imensidão esbranquiçada, sentindo-se vazio e incapaz de ver o mundo como desejava. Porém, JaeHee foi capaz de libertá-lo e proporcionar a verdadeira beleza do mundo. Anos depois ele conseguiu enxergar as cores da sua maneira, transmitindo o que sentia através de seus livros, todavia, ainda existe muitos significados para cada cor e TaeHyung irá mostrá-lo e aprender consigo sobre o quanto o mundo ainda pode ser belo, contando com a ajuda de Luna, sua fiel companheira.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Eu vou estar

Bom dia / Boa tarde / Boa noite


Sejam todos bem vindos a "Sempre ao seu lado"!


Essa é a minha primeira shortfic, espero que gostem e se eu estiver sendo ofensiva em algo por favor comunique para que eu possa reverter o meu erro.


Boa leitura 💕


_______________________


Branco.


No início tudo não passava de uma imensidão esbranquiçada que se estendia por todo lugar. Não era possível enxergar vultos, rostos, cores, lugares, absolutamente nada.


Desde o nascimento até os meus seis anos senti que estava aprisionado em uma caixa, onde não me era permitido ver o mundo ao meu redor, tudo o que me cercava parecia não existir.


Não conseguia lidar com todos aqueles sentimentos angustiantes relacionados a minha incapacidade de poder vislumbrar as belezas do mundo, usando os meus próprios olhos.


Tudo era vazio e sem o menor sentido, a minha própria existência se tornava sufocante e aquele imenso espaço branco me causava uma angústia gigantesca no peito. Inutilmente busquei por soluções, questionava meus parentes e nenhum deles conseguia me explicar ou ajudar a solucionar o que chamavam de problema.


E quando uma criança não entende mais o sentido de sua própria vida, ela vai em busca de desvendá-lo por si própria.


Eu precisei de um impulso, a simples ajuda de uma pessoa de voz doce que me acolheu como nenhum outro tinha sido capaz, que me ensinou o certo e o errado, que foi capaz de me instruir a lidar com o medo que sentia de mim mesmo.


Ela foi capaz de me ensinar a enxergar as cores, sem precisar dos olhos que apenas vislumbravam o vasto corredor esbranquiçado.


JaeHee era uma mulher doce, muito jovem e com uma voz extremamente encantadora. Sentindo os traços do seu rosto consegui formular a sua imagem, compreendendo aos poucos os mistérios por trás da minha deficiência e deixando de temê-la.


Ela fazia parte da família Jeon, uma prima distante de mesmo sobrenome que acabou como uma mera empregada da família. Após o meu nascimento a família teve um colapso, não sabendo lidar com a notícia de um filho especial demais para um mundo sombrio e sem amor como aquele.


Eles foram o principal motivo para que o amor próprio não existisse dentro de mim, fazendo-me detestar cada minúsculo pedaço que residia em meu frágil corpo infantil.


Fui sugado para dentro de um abismo sem fim, preso na eterna e torturante luz branca.


Em meio aquele vazio, a um mundo solitário e sem ninguém para demonstrar um mísero apoio, JaeHee surgiu da escuridão e me salvou. Um simples e caloroso abraço, palavras suaves e um pequeno convite foi o suficiente para que eu pudesse acreditar que o mundo ainda podia ser belo. Que ainda era capaz de amar a mim mesmo da forma que sonhava.


JaeHee tornou-se a minha família. Ela entregou de bandeja um amor maternal que nunca havia recebido desde o nascimento. Me protegeu de todos, ensinou-me sobre o mundo e as cores que o tornam especial.


E então o meu mundo antes vazio e prisioneiro de um imenso corredor esbranquiçado, agora tornara-se um universo de cores e sabores, sons e sentimentos que tive o prazer de conhecer graças a mulher que chamo carinhosamente de mãe.


Lembro-me com clareza da primeira cor que ela me mostrou, o vermelho.


Em uma tarde ensolarada e aquecedora, JaeHee levou-me em direção ao mar. O cheiro salgado da maresia era inovador para o olfato de uma criança inexperiente com o mundo. O barulho das ondas indo de encontro a areia fofinha servia como música, além de avisa-lo sobre a água que chegava de mansinho em seus pés, deixando uma sensação gostosa causada pelo contato.


Nos divertirmos por poucos minutos, mas que em minha mente parecia uma eternidade sempre que relembrava do momento que mais marcou a minha vida.


O final da tarde trouxe consigo uma pintura feita pelos deuses, segundo JaeHee havia uma mistura de cores que cobriam o imenso azul, mas a que se sobressaía era o vermelho brilhante que emanava do astro rei. O sol estava indo de encontro ao mundo dos sonhos, enquanto eu podia sentir na pele o tom vermelho ardente que emanava dele.


O vermelho era aquecedor, repleto de sentimentos ardentes e acolhedores como o seu próprio significado. Desde aquele dia as tardes para mim tornaram-se tão ardentes quanto aquelas, muitas vezes variando a sua temperatura que eu chutava ser efeito da tabela de cores avermelhadas.


Após aquele momento muitas cores foram apresentadas a mim, além de seus significados e suas razões, permitindo-me a liberdade aos poucos para conhecer a beleza do mundo com os meus próprios olhos.


Seguindo os seus ensinamentos e os sinais do teu amor segui o meu rumo, aprendendo a valorizar toda a vida e apreciando momentos belos como dessa manhã ensolarada que banha a minha pele quase alva.


Os girassóis devem estar tão belos quantos os que ela amava, além do cheiro forte e delicado das margaridas que estão próximas aos meus pés. O mundo de fato é belo, mamãe, e vou continuar aproveitando-o ainda mais.


Uma calma ventania cercou meu corpo e o cheiro das flores se intensificou. Em meio ao silêncio do parque, uma voz sussurrou em minha mente uma lembrança um tanto antiga e motivadora.


"— Sempre ao seu lado eu vou estar, te ensinando o quão belo esse mundo ainda pode ser, basta você conhecê-lo e ele lhe presenteará com o cheiro doce das flores e o abraço caloroso do sol."


Mesmo após a sua partida, mamãe, ainda sim o mundo permanece belo e acredito que ele continuará assim. Ainda hoje consigo entender que existe um mundo a se desvendar, seja como for eu sei que estará sempre ao meu lado.


[Vermelho]


O som estridente do relógio se espalhou por todo o cômodo, despertando-me do mundo dos sonhos, além de acordar minha querida companheira Luna.


Lembro-me do dia em que ganhei Luna de minha mãe. Era meu aniversário de dezesseis anos, os dias permaneceram em paz, a brisa fresca do campo servia como um combustível para um jovem cheio de energia assim como eu.


Mamãe segurou a minha mão e me guiou em direção ao nosso quintal, deixando-me sentado no balanço enquanto pegava a tal surpresa que havia comentado durante a semana inteira, como se preferisse preparar o meu coração para uma possível emoção. De primeira eu não havia entendido absolutamente nada, estando imerso naquela brisa suave enquanto meu corpo balançava a espera da mais velha.


A primeira coisa que consegui captar no momento foi o latino esganiçado de um filhote, o que me deixou animado e quase choroso, mas ao sentir aquele pequeno serzinho em meu colo, lambendo minha mão com calma, não consegui evitar e as lágrimas escorreram como cachoeiras, molhando minhas bochechas e deixando os meus olhos avermelhados.


Receber Luna em minha vida de fato tinha sido o melhor presente, não precisava de mais nada pois os dois seres mais importantes da minha vida estavam ali do meu lado, curtindo a brisa boa e sentindo o cheiro de grama realçando ao odor tentador de uma xícara quente de café.


Sempre que lembro desse dia me perco na minha própria imaginação, recriando toda a cena da forma que podia, não deixando de utilizar as cores como um auxílio para colorir o meu mundo da forma que JaeHee havia me ensinado.


As cores. Era difícil conseguir imaginá-las realmente, no início tinha sido um grande desafio vencer o meu cérebro e convencê-lo a seguir minhas ordens, trabalhando os meus quatro sentidos e utilizando as dicas e explicações de minha mãe.


O vermelho era como o fogo, quente e capaz de transmitir um calor harmonioso no nosso coração. É uma cor viva e cheia de desejos, captando sentimentos profundos e sendo utilizado para expressar cada um deles, principalmente o famoso amor.


O vermelho havia me instruído a libertar e conhecer os meus próprios desejos, a almejar um amor próprio que antes eu não sabia existir e agora fazia questão de vivenciar todos os dias.


A primeira cor nunca será esquecida, seus ensinamentos estão gravados na minha mente e no meu coração, sendo repassados e vivenciados todos os dias para não me permitir esquecer de tudo o que conquistei. JaeHee me entregou asas e as uso para voar até os dias atuais, não permitindo que as amarras me prendam novamente naquela mesma caixa esbranquiçada.


Haviam se passado oito anos desde a partida de minha amada mãe, deixando para trás um garoto de dezoito anos e uma fiel escudeira de apenas dois anos. A partir daquele momento decidimos seguir juntos o nosso caminho, permitindo que a sua lembrança servisse de farol para iluminar cada um dos passos que eu desse durante aquela longa jornada chamada vida.


Enfrentei muitas dificuldades para conseguir sobreviver em meio ao preconceito, lutando diariamente pelos meus direitos e para provar que a minha deficiência não me tornava incapaz de agir e lutar pelo que acreditava. Busquei por conhecimento, li diversos livros em Braille e aprendi ainda mais a utilizar os meus quatro sentidos, não permitindo que o desânimo e as palavras maliciosas afetassem o meu desempenho.


Foram anos de luta e muito sofrimento, ainda sim é difícil andar pelas ruas e sentir os olhares de pena direcionados a mim, como se fosse algo ruim não poder enxergar o mundo como eles. No início, a um bom tempo atrás, pensava da mesma forma que todas essas pessoas, criava limitações para mim mesmo e me impedia de conquistar e almejar meus próprios sonhos.


Eu era o meu maior empecilho, a maior barreira que poderia escalar.


Talvez tenha sido graças a tudo isso que consegui me manter firme, enfrentar todas as dificuldades e não me permitir mais abater por cada uma delas. Hoje eu sou feliz. Mais feliz do que fui ontem e menos do que serei amanhã, desejando viver o agora e entregar o futuro nas mãos do destino.


Em meio as tempestades e furacões que a vida me lançou, consegui conquistar um sonho e hoje sou responsável por entregá-lo nas mãos de muitos. O meu eu do passado nem sequer conseguiria imaginar que hoje sou um escritor, com milhares de livros em braille adaptados para a linguagem comum, em diversos idiomas do mundo inteiro.


Posso sim me considerar vitorioso, mas não pelo meu sucesso e sim pelo alcance dos meus livros, pelas chamas escarlates de esperança que consigo reproduzir para muitos deficientes e pessoas comuns. No fim a deficiência não impede a nossa capacidade de lutar, ela apenas demonstra ser o nosso primeiro obstáculo a enfrentar e cabe a nós, somente a nós, vencê-lo e tratá-lo de uma forma especial como merece.


E aqui estou eu, em mais uma manhã sendo despertado por lambidas amigáveis, escapando do mundo de sonhos carregado de monólogos sobre a minha própria vida, a vida de pessoas espalhadas por todo o mundo que precisam de um pequeno empurrãozinho para sonharem sem medo de um futuro incerto.


Au! – Não era preciso mais nenhum latido para que eu compreendesse o que ela queria dizer. Luna me conhecia bem até demais, sempre cortando os meus momentos como um escritor viciado em narrações, tudo isso apenas para me fazer sair daquela cama extremamente confortável.


— Já entendi! – Acariciei os pelos macios e cheirosos de minha amiga, sentindo as lambidas amigáveis como resposta — Você quer comer e sair para um passeio?


— Au.


— Eu sei, tudo isso é bem óbvio e imagino que a senhorita está reclamando porque está quase no nosso horário. – Acenei em confirmação, imaginando que faltavam alguns minutos para as oito.


Au!


— Como desejar, madame. – Sorri fechado, fazendo uma reverência um tanto exagerada para a minha companheira — Não vou mais atrasar um minuto sequer.


Levantei da cama sentindo as patas de Luna martelando o chão de madeira, indicando para segui-la em direção ao banheiro. Ao chegar no cômodo ela esteve por perto, observando-me tomar banho e fazer minhas higienes como em todas as manhãs. Nosso nível de intimidade era realmente adorável e engraçado, pois sem aparentar muito Luna é um pouco temperamental, as vezes difícil de se compreender mas o tempo me ajudou a lidar com tudo isso.


Dedilhei as minhas roupas e senti as marcações, cada uma com um símbolo que me ajudava na hora de saber qual era os seus devidos tons. Depois de tanto tocar, escolhi um moletom com marcação cinza, para depois pegar uma calça de jeans com marcação clara. Já pronto apenas peguei os tênis confortáveis que mais usava, para em seguida ser arrastado por Luna em direção a cozinha.


Hoje ela me parecia mais animada e apressada pelo nosso passeio, como se tivesse planejado algum encontro canino por ai, o que eu não duvidava nada. O mundo animal é um mistério, mas Luna não conseguia me enganar.


— Essa pressa toda não combina com você. – Alertei a minha amiguinha, que mordeu minha calça em resposta repreensiva — Calma! Eu só tô alertando, não precisa de violência.


Au! Au! – Dois latidos esganiçados representavam toda a sua indignação, como se tivesse considerado ultrajante o meu alerta.


— Luna você tem dez anos e ainda age como um filhotinho, realmente te mimei muito. – Comento carregando um tom de falsa indignação, sendo repreendido mais uma vez, dessa vez por rosnados nada típicos da madame — As vezes você me dá medo, não sabe mais brincar!


Au!


— Tudo bem, você venceu dessa vez mas a próxima eu irei ganhar, mocinha. – Apertei os olhos para tentar transmitir algum tipo de ameaça, mas imagino que tenha falhado miseravelmente.


Após a nossa pequena e hilária discussão, coloquei um pouco de ração e cortei algumas rodelas de banana na sua vasilha amarela, trocando a água da vasilha azul logo em seguida. Comecei a procurar pela minha vasilha de cereais que sempre deixava sobre a bancada, para facilitar em dias corridos como aquele, depois de alguns segundos encontrei e despejei o cereal e o leite.


Tivemos um café da manhã simples, acredito que Luna tenha se alimentado melhor do que eu dessa vez, mas como ela mesma confirmava estávamos atrasados para o passeio de rotina. Peguei a minha bolsa onde levava tudo o que iríamos precisar durante o passeio. Demorei mais do que o necessário para encontrar o meu celular, o que deixou a minha amiga ainda mais irritada e só me restava rir de toda aquela situação.


Aquela manhã estava quente, imaginava que já deveria faltar alguns minutos para as nove e isso explicava a forma bruta como Luna me guiava pelo bairro. Estava com medo de acabar esbarrando em alguém, mas infelizmente não era capaz de contê-la quando estava em seus raros momentos de estresse.


Preciso colocar um despertador amanhã ou acabarei sofrendo as consequências de uma madame irritada.


Escutei o barulho irritante dos carros e quase tropecei quando minha fiel companheira parou bruscamente, deixando bem claro que ainda não havia me perdoado. Lidar com ela naquela manhã não seria nada fácil, pelo menos sabia que ao chegarmos toda essa ansiedade iria embora e os sentimentos ruins seriam levados pelo vento, deixando apenas o cheiro das flores e a brisa tranquila a me presentear com um belíssimo dia.


Os passos apressados de Luna voltaram a me arrastar, podendo desfrutar dos latidos e do fraco cheiro das rosas que ficavam bem na entrada do parque. Sempre pensei que amava aquele lugar mais do que qualquer um, mas nessa exata manhã minha amiguinha me provou o contrário, contudo, ainda tinha uma certa suspeita de que ela estava aprontando.


Quando paramos consegui sentir aquele mesmo cheiro nostálgico, este que faço questão de sentir todos os dias e assim permanecerá, pois aquele lugar era especial para JaeHee assim como é para mim, não poderia amar menos aquele cantinho que era semelhante ao paraíso.


Sentei no mesmo banco que ficava próximo próximo ao rio e de frente ao jardim de margaridas e girassóis, as flores que conseguiram me cativar na infância e ainda hoje permanecem sendo as minhas preferidas.


Au! Au! – E como se permanecesse em suas broncas, Luna me chama a atenção para soltá-la da coleira e assim faço, deixando-a livre para aproveitar o que tanto estava desejando fazer.


Fecho os olhos e me permito sentir aquele cheiro nostálgico mais uma vez, deixando que a minha mente viajasse de volta as lembranças que sempre guardo com muito carinho.


Eu era apenas um garotinho e vivia chorando as escondidas pelo casarão da minha família, isso de alguma forma conseguiu chamar a atenção de JaeHee, que me abraçou fortemente e enxugou todas as minhas lágrimas.


Porque está chorando, Guk? – Pergunta-me com uma voz doce, sua destra acariciava os meus fios escuros.


P-Papai m-me expulsou do quarto, ele d-disse que eu s-sou uma decepção...


Não permita que as palavras mentirosas dele te atinja dessa forma, acredite em mim que sempre faço questão de deixar claro o quão especial você é. – Ela pegou as minhas pequenas mãozinhas e levou em direção ao seu rosto, fazendo-me tocá-lo e encontrar o seu sorriso que ganhava a forma de um pequeno coração.


S-Seu sorriso é lindo. – Digo um pouco envergonhado, nunca havia sentindo o rosto de uma pessoa antes e aquela tinha sido uma maneira linda de conhecê-la melhor.


O seu é mais lindo ainda! – Afirmou com um tom risonho em sua voz — Sabia que você tem lindos dentinhos avantajados? Parece um coelhinho. – Suas mãos entrelaçaram as minhas e ela começou a me tirar daquele lugar isolado, prometendo que iríamos para um lugar feliz onde todos aqueles sentimentos ruins iriam evaporar como um passe de mágica.


Havia muitas pessoas e ela insistiu em não soltar a minha mão, sua voz tinha um tom realmente alegre e aquilo era capaz de me deixar feliz também. Somente ao lado dela eu conseguia me permitir a sorrir, liberar aqueles sentimentos bons que ela fazia questão de me ensinar.


JaeHee de repente parou, não havia dito nada e eu tentei captar onde estávamos, buscando a ajuda dos meus sentidos que cada dia mais se tornavam mais "evoluídos".


Primeiro lembro que senti um cheiro diferente, algo semelhante aos perfumes que minha mãe usava, só que com um toque de grama molhada. Segundo, escutei com atenção o barulho de risadas altas e latidos de cachorros que pareciam esbanjar felicidade. E por último, senti os meus dedos resvalharem por folhas e pétalas macias, tão fofas que não resisti em soltar a mão de JaeHee e me abaixar para tocar melhor.


Pela primeira vez eu descobri o que o significado da palavra paraíso significava.


Não era o local onde as pessoas iam para buscar salvação, muito menos para tirar férias temporárias. Paraíso era na verdade um lugar onde nos sentíamos bem, livres em todos os pequenos sentidos e a sensação de felicidade dominava toda a nossa corrente sanguínea.


A partir daquele dia eu descobri o meu próprio paraíso, foi o começo do meu desejo pela liberdade e a felicidade que me aguardava longe da prisão que era aquela mansão.


Ainda hoje aquele mesmo pensamento permanece dentro de mim, libertando os meus sentidos e me permitindo ser eu mesmo. A verdade sempre seria que JaeHee me libertou, mas eu sabia que no fundo ela apenas abriu as portas do mundo e eu consegui me entregar, andar com os meus próprios pés em busca de lugares e pessoas para desvendar.


Um sorriso espontâneo deveria estar colorindo os meus lábios nesse momento, já que sempre que lembrava de minha mamãe e de todos os momentos que vivemos juntos, ele brotava naturalmente.


A brisa tranquila acariciava a minha pele, o cheiro inebriante e adocicado das flores começaram a se mesclar com algo diferente, semelhante ao cheiro de uma xícara de café. Continue buscando pelo cheiro com o meu olfato, ele era tão delicioso e combinava realmente com a paisagem e os odores do lugar.


De repente fui cortado de meu raciocínio, dessa vez pelos latidos esganiçados e ameaçadores de Luna. Ela deveria estar tentando me proteger de algo ou alguém, fiquei em alerta até ouvir um som diferente de clique, semelhante ao barulho de uma câmera ou algo parecido.


— Luna? – Chamei pela minha companheira que se aproximou, mas seus rosnados deixavam claro que havia um visitante um tanto indesejado — Eu escutei o barulho de uma câmera, poderia me dizer quem é você? – Pergunto com a testa franzida, tentando focar com a ajuda da audição para descobrir qual era a direção da pessoa.


— Você... – a voz grave começou um tanto incerta — não consegue me ver?


— Sim, vai perguntar mais alguma bobagem ou eu preciso explicar algo a você? – Questionei com tom de grosseria, odiava quando perguntas daquele nível eram dirigidas a minha pessoa.


— Me desculpe. – Seu pedido me pareceu sincero, então apenas acenei em resposta — Não queria parecer inconveniente, apenas fiquei surpreso porque...


— Por que? – Incentivei para que ele terminasse com o que iria dizer.


— Porque você parecia enxergar toda a beleza desse lugar, seus olhos estavam iluminados e foram capazes de transmitir um arco íris de cores, não consegui resistir e precisei fotografar esse momento.


Pela primeira vez eu me senti tocado por palavras que não foram proferidas pela minha amada mãe. Pela primeira vez eu senti algo diferente, além da sinceridade poética que ele utilizou para se expressar.


E como se uma chama queimasse o meu corpo por inteiro, uma memória um tanto distante se fez presente naquele exato momento, levando-me ao transe.


Mamãe! Mamãe! – Chamei pela mais velha com animação.


Sim? – Perguntou com a voz em um tom sorridente típico de si, enquanto esperava pela minha resposta seus dedos finos acariciavam os meus cabelos com cuidado.


As pessoas também podem ter cores? – Perguntei em um ar animado, louco para sanar a minha dúvida.


Claro meu amor, nós vivemos em um mundo rico em cores. – Respondeu a mais velha, apertando o meu nariz logo em seguida — Existem algumas que são capazes de expressar uma única cor, outras conseguem mais de uma.


Existem as que são cheias de cores? – Expressei utilizando as minhas mãos, simulando a intensidade da quantidade de cores.


Claro que sim. – Ela aproximou a voz doce e cochichou no meu ouvido — Algumas são como um arco íris, expressam sete cores e apenas uma consegue se sobressair, mas apenas quando elas encontram o amor.


Sem perceber uma única e solitária lágrima começou a rolar pela minha bochecha, trazendo a tona a sensação aquecedora de uma cor que tanto significava para mim, o vermelho.


— Você está chorando? – Perguntou o rapaz desconhecido, seu tom parecia mesclar-se ao desespero e a preocupação.


— Você sabia que as pessoas podem ser expressada em cores? – Pergunto a ele, ignorando os seus sentimentos de preocupação direcionados a mim.


— Não, elas podem? – Escuto os seus passos se aproximarem de mim, curioso pela minha resposta.


— Sim, minha mãe me disse uma vez. – Respondo sorridente, escutando ele sentar ao meu lado no banco e os grunhidos de Luna cessaram ao entender que ele não era uma pessoa ruim.


— Entendo, ela era uma mulher muito sábia. – Comentou com um ar pensativo, talvez estivesse perdido em lembranças assim como eu — Qual cor você acha que consegue me expressar? – Perguntou curioso, talvez estivesse mais esperançoso do que eu mesmo pela resposta.



Virei a cabeça em sua direção em busca de senti-lo, tentar compreender qual a cor capaz de defini-lo de uma forma melhor e clara. Ele era um rapaz de aparência sorridente, sua voz rouca era aquecedora como as chamas escarlates de uma fogueira.


Isso! Ele é como o vermelho! Bom, pelo menos a sua voz parece similar a essa cor.


— Não te conheço bem para dizer isso, mas a sua voz é acalentadora e expressa sentimentos bons. Nesse momento você brilha como o vermelho para mim.


Ele permaneceu em silêncio por um tempo, talvez estivesse tentando digerir tudo o que eu havia acabado de dizer ou apenas estivesse repetindo o quão errado e equivocado eu estaria sendo ao dizer aquilo.


— Então sua opinião pode ter alguma mudança? – Ele pergunta depois de longos minutos em silêncio.


— Sim. As pessoas são muito diferentes, para conseguir definir alguém é preciso conhecê-la primeiro. – Respondo em um tom calmo e compassivo.


— Compreendo. – Ele voltou a permanecer em silêncio, talvez pensando em diversas coisas que não despertavam o menor interesse em mim — Eu quero uma resposta clara, então você aceita me encontrar todos os dias e quando tiver uma resposta clara me dizer com sinceridade?


Aquela pergunta era realmente estranha, que tipo de pessoa faz um convite para querer ser taxado por uma cor por um completo desconhecido? Ele só podia ser um louco.


— Sempre estou aqui no horário das oito e meia, apenas cheguei atrasado hoje. – Informei algo que julguei ser desnecessário para um mero estranho — Não entendo a sua necessidade de saber sobre isso, mas se assim desejar por mim tudo bem.


— Acredito que vamos ser bons amigos. – Estendeu a sua mão para mim e eu a apertei de bom grado, ainda desconfiado com toda aquela estranha atitude do sujeito — Então vamos as apresentações! – Exclamou em um tom deveras animado — Sou Kim TaeHyung, professor de fotografia da Universidade da Coréia do Sul, tenho exatamente vinte e oito anos e meu signo é capricór-


— Entendi! – Exclamei alto, cortando as partes desnecessárias daquela apresentação um tanto estranha — Existem fatos que realmente não me interessam. – Soltei um fraco suspiro, sentindo Luna se aproximar e me deixar acariciar seus pelos macios — Sou Jeon Jeongguk, escritor e um mero amante desse parque. A minha idade não é da sua conta e por favor corte o papo de signos, não estamos em um encontro de casais.


Após a minha fala uma gargalhada gostosa se espalhou por todo o parque, despertando algo em mim que desconhecia por completo. TaeHyung é um rapaz estranho. Completei mentalmente a minha primeira impressão do rapaz ao meu lado, que permanecia a rir de forma escandalosa.


— Você é a melhor pessoa que já conheci, e olha que estamos nos vendo pela primeira vez! – Exclamou o Kim ainda em meio às suas risadas, fazendo-me rir discretamente de seu comentário e suas atitudes.


— E você é um rapaz estranho. – Comentei em um tom baixo, sentindo o seu olhar se fixar em mim carregando um misto de sensações diferentes do que já havia sentido na vida.


Seus olhos por enquanto me pareciam um mistério; um mistério realmente tentador.


— Preciso ir agora, nos encontramos amanhã, senhor Jeongguk. – Ouvi o barulho da madeira do banco e imaginei que ele deveria ter levantado, seu tom de voz era realmente como um vermelho intenso e sedutor — Amanhã as oito e meia?


— Isso.


Au! – Luna talvez tivesse se sentindo excluída da conversa, por isso latiu mínimo em resposta a TaeHyung.


O Kim foi embora e os meus pensamentos permaneceram nele, imaginando o quão bobo ele poderia ser para propôr algo que lembrei de repente, uma memória distante e que pareceu comove-lo muito.


Minha mente parecia estar me sacaneando naquele momento, ouvi a sua voz rouca repetindo aquela mesma opinião poética e que expressava o calor de chamas vivas. A mesma expressão poética que trouxe a tona uma lembrança distante e querida por mim.


"— Porque você parecia enxergar toda a beleza desse lugar, seus olhos estavam iluminados e foram capazes de transmitir um arco íris de cores, não consegui resistir e precisei fotografar esse momento."


No fim TaeHyung estava certo. JaeHee abriu as portas do mundo para mim e hoje eu enxergava aquele mesmo parque com convicção, despertando em mim sentimentos que gostava de descobrir e permitiu também que pudesse enxergar um mundo colorido pela primeira vez.


[Laranja]


"Oscilando entre os tons claros e os escuros ali estava ele, o misterioso garoto cinza que aos poucos ia ganhando cores vivas para iluminar a sua alma."


Meus dedos deslizavam pelas teclas do computador com calma, sentindo a elevação pontinhada que me permite identificar as letras. De fato a invenção do Braille foi uma das melhores já criada, pois através dela nos sentimos mais inclusos e pessoas como nós ganham a oportunidade de publicar livros para o público em geral, independente de cor, gênero ou deficiência.


No fim somos todos iguais de corpo e alma.


"Estava sentindo cada cor ser capaz de tocá-lo com precisão, a delicadeza delas transbordava tantos sentimentos que nem mesmo ele era capaz de expressá-los, apenas queria permanecer ali e senti-los por toda a eternidade, se assim o destino permitisse."


Estava próximo de concluir uma das minhas recentes histórias, essa em especial reflete muito sobre quem eu era no passado e quem sou agora. Lembro-me quando comecei a escrevê-la, ainda era jovem e estava aprendendo a me aperfeiçoar em meio as pessoas, o sonho de tornar-me um escritor praticamente não existia e agora tudo parece tão surreal, como se estivesse dentro de um livro escrito por qualquer outra pessoa.


Despertei a paixão pela escrita e a leitura foi a maior influência para que conseguisse correr atrás dos meus sonhos, mentalizando o ideal de virar um grande escritor e hoje os sonhos se realizaram.


Sempre que lembro o quão bem posso estar fazendo as pessoas que leem meus livros, o coração chega a esquentar de tanto orgulho. Sentir que chegou em um patamar e ainda tem vontade de perseguir e conquistar mais é realmente fantástico, o desejo de sempre se reinventar em busca de experiências totalmente inovadoras e especiais.


Após alguns longos minutos consegui finalmente concluir aquela história, decidindo corrigir os erros gramaticais mais simples e o restante deixar para a corretora. Foi um longo tempo em frente ao velho computador, como resultado estava exausto e a minha cabeça parecia que iria explodir a qualquer instante.


Levantei e fui em busca de água, pois somente aquele líquido dos deuses para me ajudar a recompor uma grande parte das minhas forças perdidas em meio aquela árdua batalha de um escritor. Senti a pelagem de Luna acariciar as minhas pernas, sorrindo pequeno para a minha bela amiga que parecia sempre saber o momento em que estava precisando de si.


— Estou bem, não se preocupe. – Comuniquei a Luna, sentindo seus pelos pararem de acariciar minhas pernas — Está tarde, precisamos descansar agora e eu conto com a senhorita para que essa seja a melhor noite de sono. – Abaixei-me na altura dela e consegui alcançar os seus pelos sedosos para uma breve demonstração de carinho e gratidão.


Comi algumas bobagens antes de me arrastar até a cama e cair com todas as minhas forças, deixando para que somente despertasse ao amanhecer do dia seguinte.


Em meio aos sonhos e pensamentos as lembranças daquela manhã se faziam presente, revendo e mostrando momentos que talvez não ocorressem na vida real, não passando de meras ilusões criadas pelo meu subconsciente não acostumado a tantos fenômenos diferenciados como aquele.


Arco íris. Se era possível existir pessoas tão resplandescentes e cheias de cor como um lindo arco íris, isso sim eu gostaria de ver. A voz de JaeHee soava um pouco distante, como se estivesse narrando todas as cenas mirabolantes criadas pelo meu mundo mental.


Confesso ainda estar surpreso por uma lembrança tão antiga aparecer assim, naquele exato momento por causa de palavras chaves que acabaram me colocando naquela situação.


As palavras de JaeHee não eram mentirosas, disso eu tenho absoluta certeza. Se ele for mesmo capaz de reproduzir um belo arco íris, gostaria de assistir tudo isso de perto.


Cores. Tão belas e encantadoras que são capazes de me seduzir para um mundo melhor, onde a beleza sempre prevalece em um mundo igual para todos, já que vemos as mesmas cores no mesmo lugar.


Outra pergunta que rodeava a minha complicada mente era sobre a minha própria cor. Como ela é? Talvez esteja intercalada entre o verde e o amarelo, ou ainda exista outra capaz de reproduzir um efeito maior do que o esperado.


Quem sabe um dia as cores da minha alma sejam reveladas por completo.


E durante todos os sonhos que vivenciei ao longo da noite, nenhum deles de fato teve algum sentido razoável o suficiente para ser explicado, contudo, o sentimento de ansiedade e nervosismo pela chegada do amanhecer foi motivo suficiente para encontrar Kim TaeHyung no mundo dos sonhos.


A voz grossa e com um timbre acalentador havia preenchido a minha noite, ela expressava um tom avermelhado puro e afastava qualquer sensação de frio, assim como as chamas ardentes de uma brasa recém acesa.


Ele exalava vida apenas com o poder de sua voz, deixando claro que mesmo com ar juvenil ainda sim tem uma longa história de vida para contar, e eu como um mero apreciador da arte, não me importaria de passar várias manhãs tranquilas escutando sobre elas.


[.🍁.]


— Você é inesperado assim como as suas histórias, sempre surpreendendo a qualquer pessoa. – disse NamJoon, meu amigo de longa data e que sempre aparentava uma preocupação exagerada comigo.


— Não tenho culpa de encontrar um rapaz interessado em uma opinião de minha mãe. – Beberiquei um pouco do suco que havia sido feito pelo homem a minha frente — O mundo é realmente pequeno.


— Já percebeu que coincidências fantasiosas como essas só acontecem com você? – NamJoon questionou em um tom divertido, mas por trás ainda permanecia o mesmo ar de pura insegurança.


— Não diga isso, quem sabe um dia você não encontra o amor da sua vida em uma cafeteria como em um clássico de histórias escritas por fãs? – digo em um tom irônico, soltando uma risadinha no final e sendo respondido da mesma forma.


Nos conhecemos durante o Ensino Médio, éramos apenas meros estranhos e como num passe de mágica ele ousou se aproximar e desde aquele tempo nunca mais optou por se afastar. Seu excesso de superproteção se deu desde o momento em que meus relacionamentos acabavam em um desastre iminente. Apenas se preocupava demais e esquecia de si mesmo.


— Está quase na hora do seu passeio matinal. – Informou após fitar o relógio de pulso — Quer uma carona?


— Se não for incômodo.


— É caminho. – disse simplista — Tenho que buscar uma papelada próximo ao parque, então não vai ter nenhum problema.


— Tudo bem. – Confirmo após terminar de beber o restante do suco — Só não exagere na hora de rever todos os processos, não quero te ver doente.


— Eu sei, vou tentar não exigir muito de mim e separar pelos casos mais fáceis e difíceis. – Sorriu pequeno deixando suas covinhas aparecerem de forma sútil.


NamJoon é advogado a alguns anos, sempre trabalha demais nos tribunais e estuda uma pilha de casos que não tem solução ou foram completamente abandonados. Seu ar é sério e assusta muito os seus colegas, mas não passa de uma máscara para esconder o rapaz delicado e de espírito gentil, sempre sorridente e com coração limpo de qualquer sentimento ruim.


Ele exala duas cores: laranja e azul.


Laranja é transmitido pela sua personalidade sempre dualística e imprevisível para os observadores. Totalmente comunicável e cordial com os demais, apesar de sua máscara ele jamais esconde os seus próprios sentimentos. É próspero de todas as formas.


E o azul vem do seu coração e de seus olhos tão calmos e harmoniosos, sua mente sempre tranquila exala uma certa autoridade ao seu meio, sem exigir algo de ninguém. Seus sentimentos frios quase são inexistentes, apenas surgem em momentos de estresse e preocupação em demasia. É compassivo até consigo mesmo, sempre respeitando o seu espaço e o dos outros.


Após o café da manhã seguimos rumo ao seu veículo, colocando Luna no banco de trás e deixando a janela semi aberta para ela aproveitar o passeio como sabia que ela amava. Durante o percurso conversamos bastante sobre assuntos do dia a dia, novamente NamJoon estava disposto a implorar pelos seus privilégios como meu primeiro fã.


É um rapaz admirável o qual sou eternamente grato por todo apoio e cuidado que teve comigo durante todos esses anos. Somos como grandes irmãos e não poderia admirá-lo ainda mais, seja em sua profissão ou apenas o bom e velho Kim NamJoon que sempre se mostrou tão radiante quanto uma palheta de cores.


Ele poderia não ser um arco íris, mas para mim ele é tão importante quanto as cores que colorem o nosso mundo.


— Chegamos. – Informou o Kim em um tom desanimado, já estava imaginando o quão cansativo seria examinar novamente uma torre de pastas — Afim de um jantar fora?


— Se você quiser, realmente não me importo já que consegui concluir o livro desta nova edição. – Respondo, meu ar despreocupado causa risadas anasaladas nele.


— Se toda essa papelada não exigir muito, o que duvido, vamos aproveitar pra sair. – disse por fim, esperando pela minha afirmação.


— Certo. Bom trabalho e não exagere demais, não quero um amigo viciado em trabalho. – Comunico ao sair do veículo e ajudar minha amiga a fazer o mesmo.


— Você quem manda! – NamJoon riu alto e se despediu com uma buzina, causando irritação no motorista ao lado que respondeu com uma buzinada mais estressada.


Luna e eu seguimos o caminho de sempre, desfrutando daquele clima ameno e do cheiro de grama recém regada. Passos lentos apenas para apreciar tudo de bom que existia naquele parque, pois não existia lugar melhor do que o nosso paraíso.


Chegando no banquinho de sempre soltei a minha fiel companheira e sentei, podendo degustar do delicioso perfume das margaridas tão amadas pela minha querida mamãe. JaeHee era a própria definição de beleza, não existia nenhum defeito nessa mulher e se tivesse até eles seriam amados por completo.


Estar naquele velho banquinho de frente ao campo de margaridas e girassóis, escutando o barulho de pedrinhas sendo lançado na lagoa próxima ali e sentir o vento acariciando o seu corpo como se o considerasse como seu filho; realmente não existia momentos ruins naquele perfeito paraíso.


Em contraste com a ventania um barulho totalmente conhecido por si se fez presente, aquele flash indicava que um certo rapaz com a voz grossa e melodiosa estava por perto, para ser mais exato fotografando-o novamente e sem permissão.


— Vou abrir um inquérito sobre a sua mania de tirar fotos minhas sem a devida permissão. – Informo ao rapaz que apenas me responde com uma risada gostosa de se ouvir, tão semelhante as sinfonias de Mahler que amo escutar durante os momentos em que estou escrevendo.


— É surpreendente a forma como percebe que estou por perto, talvez tenha um terceiro olho. – Comentou ainda risonho, sentando-se ao meu lado de acordo com o barulho da madeira velha.


— Começaremos de uma forma mais educada. – digo-lhe ainda mantendo o mesmo tom brincalhão — Bom dia, senhor Kim.


Ele ri mais uma vez e sinto um calorzinho ao redor do meu coração, confirmando o quão avermelhada é a sua voz grossa e totalmente viciante.


Bom dia, senhor Jeon.


Sinto que nossos olhares se cruzaram naquele momento, um turbilhão me acertando e cheio como uma flecha disparada em direção ao seu devido alvo.


— Ainda quer manter a proposta de desvendar as suas verdadeiras cores? – Questiono em um tom realmente despreocupado, minha mente apenas focando no quão bela deveria ser aquela paisagem naquele momento.


— Claro, mas antes quero saber se me concede a honra de permitir que tire fotos suas. – TaeHyung tentou soar de uma forma totalmente cortês, todavia, acaba falhando miseravelmente.


— Vou ser totalmente sincero com você, mesmo que sejamos estranhos. – Começo com o objetivo de tomar toda a sua atenção — Não faça teste para ator, você não vai receber nenhum papel.


O meu tom soava sério no começo, mas logo em seguida a risada soou audível e, sem se dar conta, ele também respondeu da mesma forma e ali estávamos nós permitindo aquela sincronia das nossas risadas totalmente audíveis.


— E que profissão você me recomendaria? – Perguntou o Kim, seu tom divertindo ainda permanecia a dançar em seus lábios.


— Continue como fotógrafo, mas se quiser tentar algo como cantor também deve funcionar. – Sugiro com um falso ar de seriedade.


— Ótima dica, vou levar em consideração o seu elogio mudo sobre a minha voz. – Dessa vez o seu tom havia sido diferente, algo semelhante a uma provocação mediana e sem desejar causar irritação ou desconforto em alguém.


Realmente ele era um rapaz interessante, conseguia pegar indiretas no ar mesmo que muitos não conheçam a minha forma de comunicação. Sou um rapaz apegado ao mistério, fazendo sempre questão de deixar subentendido o que penso sobre algo, mas na maioria das vezes sou tão transparente como a água, permitindo que leiam tudo o que acho sobre determinados assuntos.


— Você ainda não respondeu a minha proposta nada digna de um Oscar de filme. – Continuou o assunto inicial, deixando claro o seu tom irônico direcionado a mim.


— O que tem de interessante em fotografar um estranho? – Pergunto ainda mantendo o foco na paisagem.


— A graça de um fotógrafo e deixar transparecer os sentimentos de quem está fotografando, e você deixa tudo tão claro, todo o amor que sente ainda está vivo como uma chama que nunca irá se apagar. – Começou com o seu monólogo que não conseguia me causar tédio ou irritação, pois era bom ouvi-lo falando daquela forma sobre mim — Você é belo, não tem motivos para não querer fotografá-lo.


Aquela última frase foi capaz de me acertar como um bala, perfurando a minha pele e atingindo o meu coração que agora estava mais amolecido, motivado pelas palavras gentis de TaeHyung.


No fim o meu veredito iria ser anunciado naquele exato momento.


— Aceito. – digo de uma só vez, imaginando o quão surpreso e feliz ele deveria estar naquele momento — Contudo eu tenho uma condição.


'Tava bom pra ser verdade – escutei os seus murmúrios mas fingi que não — Qual a sua condição? – Ele pergunta um pouco incerto, temendo o que poderia propôr a ele.


Deixe-me tocar o seu rosto. – Meu rosto está totalmente focado em si, mesmo que não estivesse conseguindo enxergar as suas expressões naquele momento, consegui imaginar como deveria estar se sentindo.


— T-Tocar? – Sua voz grossa havia soado um pouco fragilizada, a incerteza e as dúvidas provavelmente estão amargando a sua boca.


— Sim, tocar. – Coloco uma mecha dos meus fios escuros atrás da orelha, ajeitando-me em seguida no banco — Você quer que eu enxergue a sua verdadeira cor, mas primeiro preciso que me deixe tocar o seu rosto.


— P-Por que tocar o meu rosto? O que isso tem h-haver com as cores? – Perguntou ainda inseguro, sua voz vacilante estava me deixando ainda mais nervoso.


— Preciso conhecê-lo para dizer a cor que mais te representa, não posso mentir para você. – Minha voz estava firme, esperava sinceramente que dessa vez ele tivesse compreendido.


Ele não havia me respondido, então comecei a pensar que sua resposta iria ser negativa. Permaneci esperando por alguma movimentação sua, as batidas aceleradas do meu coração soavam em meus ouvidos, entretanto, consegui sentir mãos cálidas e quentes segurarem as minhas e as levarem em direção a um... rosto.


Sua voz não havia ecoado em nenhum momento, suas mãos permaneciam segurando as minhas sobre o seu rosto e meus dedos começaram a formigar em sua pele macia e quente.


Engoli em seco com a atitude repentina, temendo assustá-lo com os meus toques. Uma leve carícia do seu dedão na minha palma serviu como motivação, então consegui permitir que meus dedos deslizassem com calma pela sua epiderme, apreciando cada momento como único e fazendo questão de gravar seus detalhes em minha mente.


Seu nariz era tem um tamanho normal e assimétrico, suas bochechas não são cheias mas possuem maciez e beleza da mesma forma. Suas sobrancelhas são tão lisas quanto os seus cabelos, a linha do seu rosto é bem desenhada e permite que o seu maxilar seja bem marcado. Sem perceber meus dedos resvalaram sobre seus lábios, pequenos e cheios na medida certa, comprovando os detalhes perfeitos naquele rosto que parecia ser esculpido pelos próprios deuses.


Continuei a dedilhar toda a sua face com calma, aproveitando cada momento enquanto sentia a sua respiração acalentar minhas palmas. Por último, mas não menos importante, toquei os seus olhos fechados e de aparência chamativa.


— Qual a cor dos seus olhos? – Pergunto enquanto permaneço a tocá-lo com suavidade, percebendo a característica felina deles por causa do delineado.


— Castanhos claros.


Eles são lindos. – digo com real sinceridade — Tudo é lindo em você.


Seu rosto pareceu esquentar mais, talvez fosse o clima ou o contato das nossas peles, porém, algo me dizia que não era exatamente isso.


Afastei as minhas mãos e senti um vazio tomar conta de todo o meu corpo, aquele calor contagiante agora estava distante assim como a minha mente. Continuei a pensar em silêncio, voltando a me direcionar para as flores que tanto amava.


O clima daquela manhã estava ameno e realmente atraente, como a tarde de um verão alaranjado que expressa um cheiro cítrico e um ar de chamas sem muita força, assim como as de uma vela acesa.


Naquela manhã TaeHyung estava expressando laranja. Ele era como um pôr do sol alaranjado, pintando o céu da sua maneira, podendo expressar sinais de comunicação, cordialidade e prosperidade.


Kim TaeHyung era como um tom alaranjado com um sabor característico cítrico.


— Então? – Ele perguntou depois de um longo período em silêncio, parecendo um pouco nervoso pelo que havia ocorrido a minutos atrás.


Laranja. – Respondi simplista, esperando alguns segundos para prosseguir — Seus olhos são tão felinos e delineados como o pôr do sol, aquecedores e cordiais como a cor alaranjada dos céus.


E sem dizer mais nenhuma palavra permanecemos daquela forma, apreciando uma manhã silenciosa e regada pelo cheiro das flores e o sentimento de que algo novo estava brotando em nossos corações.


Ainda tínhamos um longo caminho a percorrer, muitas cores a serem descobertas e um dia, sem termos a menor pressa, iremos descobrir as cores que colorem a sua alma, expressando quem era o rapaz de ar gentil e totalmente inesperado.


TaeHyung é um novo livro que irei ler e desvendar seus mistérios com todo prazer, não permitindo que nenhum detalhe passe batido.



*Notas Finais*


Primeiramente eu quero agradecer a @biazoides por ter doado essa belíssima capa e ter esperado pacientemente por este dia. Eu realmente amei escrever esse capítulo, tudo graças a sua obra de arte 💞💖💞💖


@Vluzz eu te amo muito e obrigada por ser minha melhor amiga 💜💖💜💖


Espero que tenham gostado, é a minha primeira vez escrevendo algo assim e me sinto bem demais em testar meus limites.


Twitter: @stephy_lilian

CuriousCat: https://curiouscat.me/stephy_lilian


Nos vemos no próximo capítulo 💞

26 de Maio de 2020 às 22:18 0 Denunciar Insira Seguir história
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Continua… Novo capítulo A cada 30 dias.

Conheça o autor

Ageha Sakura >> why do you still wishing to fly? >> taekook is a cute world sope ; bwoo ; kaisoo ; markson ; hyudawn twitter: @stephy_lilian [Ficwriter]

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