jmvasc Jamille Sousa

Melina Diaz é uma youtuber em ascenção e tudo o que almeja é alcançar mil inscritos em seu canal, para assim, talvez, conseguir a tão sonhada renda fixa. Visto que o desemprego bateu à sua porta e nunca mais a deixou. Mas, a vida quando quer muda o roteiro a seu bel-prazer e Melina, de uma hora para outra, precisará abrir mão de sua carreira na internet, para cuidar da filha de sua melhor amiga. Felizmente acompanhada por Gael Gonzales, àquele que a cada dia faz seu coração bater mais forte.


Romance Chick-lit Todo o público.

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Em progresso - Novo capítulo Todas as Segundas-feiras
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Introdução

Será que demoraria muito? Eu olhava ao redor, procurando o garoto da foto que Jaqueline havia me dado. Ele parecia isso mesmo, um garoto, no máximo dezoito anos, luzes amarelas e horríveis no cabelo, um piercing ridículo e enorme na sobrancelha. Além do olhar perdido, de quem não se importa com nada. Suspirei e bati a foto na palma da mão, enquanto aguardava ansiosa para que o garoto chegasse logo e eu pudesse voltar para o meu ukulele. O irmão de Jaqueline voltaria hoje do intercâmbio que fez fora do Brasil e ela não conseguiu tirar folga. Ou seja, só restara eu para buscar o irmãozinho dela no aeroporto, claro, porque eu era uma maldita desocupada e Jaqueline a trabalhadora.

Bufei, fazia mais de uma hora que eu esperava aquele garoto chegar e nada. Recebemos a informação de alguns voos atrasariam devido ao tempo e eu me lasquei. Porque cheguei cedo demais para não deixá-lo esperando. Foi nesse estágio da espera que eu decidi ligar para Jaqueline e perguntar se ela tinha notícias de Gael, pois eu já estava congelando ali dentro. Não sabia que estaria tão frio em Guarulhos, quando saí de casa fazia sol e eu só levei um cardigã leve na bolsa. Agora sentia fortemente os efeitos do clima, que esfriara consideravelmente de uma hora para outra. Eu já devia estar com a boca toda roxa por causa do vento cortante que entrava por todas as frestas daquele lugar imenso. Busquei o número da Jaque na agenda e liguei, nem tentei o whatsapp, ela não costumava visualizar nada no celular enquanto trabalhava. Portanto, o barulho era a única coisa que poderia chamar sua atenção. Quer dizer, se o celular não estivesse no silencioso, abandonado dentro da bolsa. Eu nunca entendi como Jaqueline conseguia ter tanto autocontrole para redes sociais e essas coisas. Eu checava meu instagram de cinco em cinco minutos. Era como minha geladeira vazia, que eu olhava com frequência, mesmo sabendo que nada de novo brotaria lá. Patético.

Caixa postal, droga.

Suspirei e fui seguindo em direção à uma cafeteria, que provavelmente devia cobrar um rim por dois goles de café preto. Só que eu precisava de algo para aquecer meu corpo, minhas juntas já faziam crec, a ponto de quebrar conforme eu andava. Coloquei a foto na bolsa e passei a esfregar meus braços, numa tentativa de manter-me aquecida. Eu tinha só o dinheiro do Uber de volta, mais alguns trocados e começava a ficar com fome. Já estava irritada com os dois, Jaqueline havia me passado o número do tal de Gael, para que pudéssemos conversar em caso de emergência, só que constava a última visualização há mais de 24 horas e não foi surpresa alguma quando me vi completamente ignorada por ele. Pior, tudo aconteceu de última hora, porque Jaque prometera ao irmão que conseguiria buscá-lo. Somente ontem à noite ficou sabendo que não teria a tão sonhada folga para isso. Bati o pé até a cafeteria, pedi um café e alguns pães de queijo quentinhos, foi tudo o que consegui pagar sem mexer no dinheiro destinado a nossa volta para casa. Já que Gael também não tinha dinheiro, segundo sua irmã, ele era um duro. Típico de estudantes de intercâmbio.

Tomei o café, comi os pães de queijo e folheei vários livros em uma livraria, antes de finalmente ouvir o anúncio sobre o voo que Gael estaria.

— Graças a Deus! — exclamei, correndo até o portão de desembarque, louca para acabar logo com isso e ir para minha casa.

Tomar um banho morno e treinar um pouco para o próximo vídeo de tutorial que eu postaria no youtube ainda naquela semana. Foi nesse instante que eu vislumbrei, o cara mais lindo da face da terra. Arrastava uma mala escura e, apesar do olhar cansado, de quem enfrentou horas dentro de um avião, continuava sendo o maior colírio que meus olhos já viram num intervalo de um ano. Sem exagero!

Fiquei ali babando naquele homem com mais de 1,80 de altura, chutando baixo e até me esqueci que precisava encontrar Gael. Demorei alguns segundos para enfim perceber a coincidência. Só focava no deus grego que vinha em minha direção, com um leve sorriso nos lábios. Espera, eu precisava limpar a baba que escorria pelo meu queixo, antes de ficar cara a cara com um homem tão lindo assim! Aliás, por que ele viria até mim, se nem nos conheciámos? Olhei para trás, para me certificar de que não havia nenhuma outra mulher deslumbrante às minhas costas. Sabem como é, o bonitão poderia estar vindo para outra pessoa próxima. Mas, percebi que não, era comigo mesma.

Ah meu Deus!

Passei as mãos pelos cabelos, a língua nos dentes, para ter certeza de que não tinha nenhum pedaço de pão de queijo grudado ali e baforei disfarçadamente.

Droga, bafo de café.

Tarde demais, ele já estava praticamente na minha frente. O que dizer? Ei, não tampe minha visão, preciso encontrar o irmão da minha melhor amiga!, pensei com meus botões. Só que eu não me importava de verdade. Gael que esperasse.

— Melina? — chamou-me, olhando uma foto, em seguida voltando o olhar para mim.

Finalmente minha ficha caiu, aquele gato era Gael, quanto tempo passou desde que ele tinha espinhas e luzes amareladas nos cabelos?

Para o mundo que eu quero descer!

— Eu mesma. — me ouvi responder, baixo demais para o meu gosto.

— Desculpe a demora, esse tempo dificultou tudo, o piloto não conseguia pousar. — explicou, deslizando os dedos pelos cabelos escuros.

Uau, espera, uau!

Me concentrei em não gaguejar, era tudo o que me restava. Filha da mãe, por que Jaqueline não me contou que aquela foto estava totalmente desatualizada? Eu teria me arrumado um pouco mais! Agora sentia-me uma largada, com uma calça jeans surrada, minha camiseta do Goku e um cardigã amarelo por cima. Era pra acabar mesmo, zero glamour. E o bafo? Eu estava com um forte bafo de café!

Eu mataria Jaqueline, aquela traíra do caramba.

— Tudo bem — forcei-me a dizer, com um sorriso sem dentes no rosto. — Vamos indo? Está bem frio aqui e eu estou congelando. — fui andando na frente, torcendo para que Gael não tivesse sentido meu bafo de café.

Ele obedeceu e ouvi as rodinhas da mala rolando pelo piso do aeroporto. Era por essas e outras que eu permanecia forever alone, definitivamente eu não sabia aproveitar as oportunidades que a vida me oferecia.

6 de Abril de 2020 às 22:02 0 Denunciar Insira 0
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