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Nanda Santos


Romance poético de leitura subjetiva Dedicada ao meu Andy


Poesia Romance Todo o público. © Autora Nanda Santos

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A Galeria


Abro porta e fecho porta.

Até agora o caminho foi confuso.

Eu ja estive aqui antes!

Nesses corredores tudo parece igual.

Até que meu Nariz esbarra em uma porta diferente.

O que faz dela diferente?

Afinal uma porta não será sempre uma porta?

Seu mecanismos e função não é basicamente o mesmo?

Talvez a mesma matéria prima e a mesma finalidade, mas eu insisto, essa atraiu minha atenção.

Talvez pelo seu tamanho e todas as suas medidas singulares.

Sua cor é escura como o café, com detalhes espelhados.

Espelhos estratégicos, me parece. Me fazem ver minusiosamente aquilo que nem eu mesma sabia que merecia minha atenção, como as portas refletidas atrás de mim ao longo daquele corredor confuso pelo qual andei.

Me dei conta que aquela porta não foi obra de um mero artesão. Se tratava de uma façanha artística e isso atraiu os meus passos através da porta.

A primeira coisa extasiante através da porta era um longo tapete que está sobre todo o lugar.

Não há pegadas. Não há manchas. Não há poeira, sinal de areia ou o mínimo traço de corrupção.

Ninguém pisou esse chão?

Eu fui a primeira a ser atraída através das portas cor de café?


Todos os corredores são tomados por música. Uma sinfonia que oscila entre épocas e historias.Cada nota recebe minha atenção e elas mudam todo o cenário daquele imenso lugar.

As paredes estão ocupadas por escritos em molduras simples.

Esse lugar seria cenário para discursões ou reflexões?

Não!

Ele foi feito para ser disfrutado.

Não consigo falar, não consigo pensar.

Não me leve a mal. Não posso pensar nada além de apreciar esse lugar.

Agora do que vale toda a minha afeição e esmero pelas complexas palavras ensinadas a mim pelos próprios poetas?

Só consigo arrancar de mim breves suspiros ou curtas indagações.

Como? Seria Real? Estou autorizada a está aqui?

Talvez os meus pés sujos pela caminhada confusa pelo corredor das portas macule seu longo tapete intocável. Assumo o risco!

Não quero sair.

O cheiro me faz sentir que aqui é o meu lugar. E mais, como poderia voltar?

Leio os escritos em suas paredes, em seu papel amarelado redigido a lápis. Me fala mais sobre um artista Despretensioso.

Isso precisa ser visto! É a única coisa que passa pela minha cabeça.

A porta nunca atraiu curiosos?

A música ou o cheiro do lugar tão pouco logrou?

Enquanto me enchia de perguntas a resposta veio como um flash de memória. A fechadura tinha as medidas da minha pequena mão.

O artista me esperava. A galeria em sí me fez entender o quanto eu era importante por está alí. Por isso na frente de cada escrito havia uma cadeira colocada exatamente sobre o ângulo perfeito para admiração. O artista pensou em mim.

Sem multidões, sem gritaria. Nao tenho dúvidas, o artista me esperava!

Meus passos agora carregados de mais cuidado por entender o valor daquele lugar, seguem através de seus corredores.

Olho para cima e vejo grandes janelas de vidro. Meu pescoço Dói, confesso! Mas nunca estive tão cômoda. Estrelas desenham o teto da galeria. O que diria Monet, Caravaggio, Renoir ou quem quer que seja, para está um momento aqui.

Obras primas nasceriam do que vejo, do que escuto e do que sinto.

A única coisa que quero agora é ter um dos meus escritos em qualquer uma de suas paredes.

Quero deixar uma Marca.

Talvez nao por ser uma grande artista, mas por ser a mais apaixonada admiradora da galeria.


5 de Abril de 2020 às 16:43 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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