samara-fritzen1548974282 Samara Fritzen

"Apenas Eu" pretende ser um livro dedicado para uma pessoa especifica, é apenas um substituto de meu primeiro livro, porém ambos um único objetivo em comum. Pretende também apresentar a essa pessoa quem eu sou, e o porquê de tudo, para que não pense como todos pensam em relação a mim. Ou que pense, mas pelo menos terá todos os fatos, e não o que falam por aí.


Histórias da vida Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Antes de Tudo

Quando saí da minha cidade natal, em Fevereiro de 2016, eu tinha apenas 12 anos, meu máximo de preocupação era cair de bicicleta no meio da rua e alguém começar a rir.

Mas antes ainda dessa mudança, eu morava em uma casa magnífica e tinha quatro amigas realmente especiais pra mim. Eu era muito, mas muito chata e mandona com elas, eu me declarava uma líder perfeita que elas eram obrigadas a seguir, realmente desgastante.

Também tinha minha família paterna na cidade, mais especificamente meu irmão, que eu visitava todo fim de semana. Morava com minha mãe, meu padrasto e minha outra irmã, sou a mais velha de todos, incluindo dos meus primos mais próximos.

Quando meu irmão nasceu, eu tinha 09 anos, lembro que eu fiquei verde de ciúmes por pelo menos cinco meses, já que do nada toda aquela atenção que era só minha, agota voltada para ele. Por sorte era só na família paterna... mas então quando me acostumei com a ideia de dividir, veio minha irmã. Perdi a paciência nesse momento e passei a não me importar muito mais com isso.

Acabou que meu irmão é meu bem mais precioso, depois que me acostumei com ele e perdi o ciúmes ele se tornou motivo de eu fazer muitas coisas, incluindo escrever.

Me mudei já com saudades de tudo, minhas amigas, meu colégio, meu pai e meu irmão, meus avós que moravam com ele, tudo.

O motivo disso foi o trabalho do meu padrasto. Já tínhamos se mudado muito antes por causa dos trabalhos dele, porém era a primeira vez que nós mudávamos de cidade, e não apenas para outra vila.

Fomos para o Paraguay, e a única coisa que eu pensava era em como eu iria entender as matérias do colégio com eles falando Guarani e Espanhol,- o que nunca foi minha especialidade- mas ainda sim, tentei me acostumar.

Meu padrasto sempre foi atencioso e me tratou como sua própria filha, confio nele, ele também sempre me defendeu da minha mãe, ela não costumava ser muito... calma.

Existe alguns episódios que não gosto de lembrar, quando ela surtava, surtava muito, e se tornou mais comum depois da mudança, mas veremos isso depois.

Bom, com a mudança fomos conhecer colégios para me matricular depois de um tempo, eu ia com eles e admito que me divertia imaginando como seria estudar em cada um deles. Nós concordamos que eu não iria estudar no Paraguay, e sim em alguma cidade da fronteira. Havia duas, Mundo Novo e Guaíra.

No fim eu e minha irmã fomos para o mesmo colégio, era minha primeira vez em um colégio particular, desde pequena sempre foram escolas públicas e isso nunca me incomodou.

Ela estudaria de tarde e eu de manhã, para não atravessar a ponte múltiplas vezes para levar e buscar eu e ela, eles só me pegavam quando fosse o horário dela de entrar.

Meu padrasto certa vez até brincou dizendo que pediria para uma das limousines do cassino que ele trabalhava se encarregar de levar e buscar tanto eu quanto minha irmã. Nunca aconteceu, mas eu admito, adoraria ver a cara das pessoas e me sentir muito poderosa naquele colégio.

Afinal, eu sempre gostei de me destacar nas pessoas, sempre ser mais, em um colégio particular eu não tinha nada que realmente impressionasse alguém, então a ideia do carro foi genial, claro, se tivesse acontecido.

Na verdade nos mudamos para Guaíra enquanto meu padrasto trabalhava no Cassino, saíamos da cidade apenas para ir nos eventos de lá e quando eu visitava meu irmão, geralmente nas férias.

Eu odiava aquela cidade, não tinha nada haver com Foz, nem comigo, era parada, monótona, sem nada para fazer, tranquila demais.

O colégio não era diferente, aquelas pessoas não tinham nada haver comigo, eu me achava metida e patricinha, mas então conheci elas, era horrível, também não conseguia acompanhar o conteúdo, tudo era muito rápido, uma prova atrás da outra, idiomas demais para decorar que eu nunca tinha visto na vida e eles estudavam desde o primário. Os assuntos que minha irmã aprendia em inglês com três anos, eu tinha visto no sexto ano. Era difícil.

No começo uma pedagoga me ajudou a socializar, mas depois não tinha nada que forçasse alguém a me dar atenção.

Foi ai que comecei a ficar na biblioteca nos meus intervalos, até que bastante gente ficava por lá, então comecei a ler. Meu primeiro foi "O Pequeno Príncipe", depois começaram as mitologias, egípcias, nódicas, gregas e romanas. Me apaixonei por Percy Jackson, mas não terminei a saga, pois sai daquele colégio e fui para um outro, na mesma cidade, mas onde eu me encaixaria muito melhor, um colégio publico.

Sim, foi melhor, até conheci um amigo que fazia catequese comigo que também estudava lá, ele geralmente andava comigo e vinha conversar quando me via lendo sentada em um canto. Alguns meses depois descobri que éramos vizinhos, ele morava duas casas ao lado da minha.

Ele realmente me surpreendeu quando fez uma carta pra mim, dizendo muitas coisas bonitas, eu adorei aquilo, lembro que no fim da carta ele me pedia em namoro, mas eu recusei, mesmo ele tendo sido muito fofo.

Acontece que eu já tinha namorado uma vez antes de me mudar, e não foi muito legal, não queria experimentar de novo tão cedo, expliquei isso pra ele, e teve vezes que eu era muito filha da puta. Fazíamos catequese junto e eu tinha um outro amigo, que era mais próxima, quando ele me via junto com esse amigo ficava com uma certa amargura, que eu não tinha noção de como controlar, mas ficava realmente triste por deixar ele pensando que o problema era ele.

Eu e minha mãe odiávamos muito aquele lugar, até porque ela não conseguia trabalhar lá, não existia muitas vagas de emprego por ser uma cidade pequena, isso a estressava muito.

Me lembro de algumas vezes que ela surtou lá, ela ficou louca com alguma coisa que eu fiz, e começou a me bater com uma cinta preta, quando ela foi pegar uma tesoura ameaçando cortar meu cabelo, eu me tranquei no banheiro, e ela começou a socar a bater naquela porta me mandando abrir, eu fiquei desesperada e abri.

Ela não cortou, mas puxou para o alto e continuava gritando e me batendo.

Ela costumava andar de calcinha e sutiã pela casa, com o tempo eu também peguei esse habito, não via problema já que meu padrasto passava o dia inteiro fora, no cassino.

Em uma dessas vezes ela começou a me xingar de vadia, dizendo que eu andava assim pra todo mundo me ver e vir me comer, ela me puxava pelo braço e dizia que já que eu queria tanto algo dentro de mim eu começasse a me masturbar com um cabo de vassoura até que ele saísse pela minha boca. Ela me ofereceu ajuda.

Claro que isso nunca realmente aconteceu, mas ela vivia me fazendo ameaças, sempre.

Meu padrasto me protegia quando tinha mais tempo em casa, mas agora não dava mais, ele vivia trabalhando.

Minha mãe tinha seus problemas, mas ela não era má, era o jeito dela de educação, por mais que meio problemático eu entendia como ela pensava, ela foi criada ainda pior do que isso, então era apenas o jeito dela, e eu tentava entender por mais que odiasse aquela tortura.

Nós saímos daquela cidade no fim do ano, meu padrasto pediu demissão, e então voltamos para nossa cidade depois de tanto que eu e minha mãe incomodamos.

Foi aí que tudo começou de verdade.





















5 de Abril de 2020 às 01:59 0 Denunciar Insira 0
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