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João Vitor Souza dos Santos


Um soldado com um proposito e fé que deixou de lado suas crenças por uma paixão!


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.
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Amor e fogo

Quando imaginamos o amor entre duas pessoas, pensamos que tudo será lindo, fiel e eterno. O fato é que o amor, é muito mais que um simples sentimento, amar está muito acima do nosso entendimento. Amar é divino, sublime e arrasador. Ele cura e machuca, constrói e destrói. Eu cresci acreditando no amor e esse amor me moveria a conquistar tudo o que tenho hoje e de fato me ajudou, eu conquistei o que nunca quis. O amor pelo meu propósito me fez desacreditar no amor, eu sinceramente não sinto mais, não entendo e não acredito.

Nasci na época das cruzadas, um período tenso na Europa e Oriente. Fui abandonado logo quando nasci, uma senhora me adotou, chamava-se Lauriel. Éramos muito pobres, nem sempre tínhamos a oportunidade de comer, quando tinha 5 anos fomos expulsos de nossa casa por não termos como pagar os impostos da igreja. Fomos parar nas ruas, dormindo ao relento, tendo como teto o céu estrelado, a noite fria, nos fazia tremer, ficávamos abraçados um ao outro para poder nos esquentar, mas nem sempre era o suficiente. O calor que nos envolvia era o do afeto que tínhamos um pelo outro, ela era como uma mãe para mim. Por eu ter sido abandonado muito novo, ela fora minha única família, quem me criou e cuidou de mim, sempre que tinha oportunidade lembrava-me do nosso lema de família: “lute a vida inteira para ser bom, mas nunca falhe em ser gentil”. Possuía sempre um sorriso no rosto, mostrava-me a alegria de viver, foi minha base de ideais sólidos e bons, sempre me ensinando coisas boas, me ensinava a ser bom, mas não ser bobo.

Quando fomos parar nas ruas, tivemos que roubar para sobreviver, roubávamos apenas comida, nada demais, e o pouco que conseguíamos roubando, dividíamos com outros famintos das ruas. Ela sempre dizia - se podes ajudar então ajude sem esperar algo em troca, o mundo está cheio de hipócritas que dizem que todos devemos amar uns aos outros, mas condenam ao inferno aqueles que tem uma visão diferente da deles, não seja um deles – quando ela falava isso seus olhos pareciam brilhar de forma tão bela e inimaginável. Tudo parecia perfeito, apesar de não termos casa, éramos felizes, pois tínhamos um ao outro. Uma vez Lauriel chegou com uma bolsa que conseguira roubando, quando abrimos, vimos coisas estranhas, um dos mendigos que vivia no mesmo beco que nós, talvez por medo, quando olhara os itens da bolsa acusou-a de bruxaria, logo vieram soldados e a levaram para a igreja, pouco tempo depois ela estava sendo queimada em praça publica acusada pelo crime de bruxaria.

Passei a ficar sozinho, chorava todas as noites, pois sentia sua falta, sempre que dormia sonhava com seus gritos de agonia, seus pedidos por clemência. Tive que aprender a me virar, comecei a entender o que chamavam de “instinto de sobrevivência”, então em um dos meus trabalhos roubando, eu já tinha uns 6 anos e meio, ao tentar roubar um nobre fui pego. Naquele momento pensei que minha vida chegara ao fim, preparando-me para passar dessa para outra, o nobre me leva para um orfanato da igreja. Demorei certo tempo para me adaptar a rotina do orfanato, as crianças de lá pareciam ser perfeitas, sem maculas, muitas eram chamadas para servir na igreja e outras recrutadas para o exércitos de cruzados. Passava a maior parte do dia em meu quarto, as vezes pensava em Lauriel e as vezes simplesmente deixava meus pensamentos fluírem em minha mente. Ficava mergulhado muitas vezes em rios de apenas escuridão mental, sem saber ao certo o que estava acontecendo. Nas horas das refeições, procurava sentar-me um pouco afastado dos outros, eu gostava daquilo, gostava da solidão, quando não dava para sentar sozinho, afastado dos outros garotos, eu se estivesse com muita fome sentava-me perto deles, mas não falava uma única palavra ou quando não estava com muita fome, simplesmente subia de volta para o meu quarto.

Eu particularmente invejava os outros garotos, afinal - como podiam ser tão felizes com tão pouco? Sabendo que quem os abandonara não se importava de fato com eles? – para mim todos eram hipócritas, não gostava de ninguém, a não ser da solidão que me encobria. Nunca vi problema em ficar sozinho, não acreditava em Deus até então, para mim ele era apenas uma figura criada para os fracos se segurarem, e quando da tudo errado, culparem ele.

Lá começo a crescer nos princípios cristãos. Aprendi sobre Deus e sobre o diabo, já sabia que ele era uma metáfora, uma figura criada pela igreja para meter medo nos fiéis, aos meus 15 anos, comecei a treinar no exercito, estava aprendendo a ser soldado a defender uma causa. Treinava quase todos os dias, passei a morar num local de treinamento dos cruzados, haviam-me colocado para ser um cruzado de guerra, no inicio eu tinha muita dificuldade, não conseguia manejar a espada corretamente. Com o passar do tempo fui criando habilidade, com quase todo tipo de arma, eles me diziam: “aprenda a usar todo tipo de arma e tudo como arma, então terás várias formas de matar seus inimigos”. Eu cresci e me tornei um dos melhores soldados da ordem cruzada que ali existiam, mas me faltava uma coisa, eu nunca havia matado alguém. Eu tinha, não diria medo, mas receio de matar, não estava realmente preparado, foi quando o comandante envia-me em uma missão para capturar um mulçumano que estaria infiltrado. Fui atrás daquele possível espião, quando o capturei levei-o para o comandante para ele dizer o que fazer, foi quando ele me deu a ordem.

- Muito bem, você conclui-o a missão com sucesso, agora o torture para descobrir o que estava fazendo aqui e depois o mate – ordenava o comandante. Eu fiquei surpreso com o que ele me mandara fazer, pois nunca tinha feito isso antes. Não via necessidade de tortura-lo, mas foi me dada uma ordem, tinha de cumpri-la.

Peguei então o arsenal para tortura, esquentei um ferro, até irradiar o vermelho de tão quente, comecei pelo rosto, fui desfigurando sua face pouco a pouco, usando técnica a técnica. Os seus gritos de desespero ecoavam pelo quartel, ele gritava clamando que o matasse de uma só vez, mas ainda não era a hora. Conforme os minutos iam passando eu ia gostando cada vez mais, ia sentindo prazer naquilo, em cada parte retalhada e desfigurada, em cada grito de desespero, então eu comecei a cortar ele em pedaços, começando pelos pés, eu queria que ele morresse lentamente. Eu estava perdido, gostava de vê-lo gritando, agonizando de tanta dor, estava louco em meio a tudo aquilo, os seus gritos me consumiam. Foi quando passados algumas horas o comandante entra na cela, ele de fato não queria informações, apenas que eu mostrasse que cumpriria uma ordem sem exitar, e eu cumpri e gostei.

Passado algum tempo o bispo me chama; ele me conta sobre os ataques mulçumanos e sobre a tensão no oriente. Eu achava que seria designado para uma missão no oriente, mas não era isso, havia uma ordem secreta dentro da igreja, ela seria responsável por cuidar de assuntos envolvendo o sobrenatural, lutar contra demônios, impedir o avanço das trevas. Quando soube disso, uma história passou em minha mente. Toda a minha vida, tentando encontrar um propósito, uma missão de vida, enfim encontro algo, as palavras “ser luz”, “ser um instrumento de Deus”, “ser um receptáculo da sua divina graça”, enfim faziam sentido, vi então uma missão de vida. Aos meus 25 anos, após entrar nessa ordem secreta dentro da igreja, passo então a realizar missões. Em nome de Deus, exorcizei demônios, queimei bruxas, persegui incrédulos, mas eu me sentia ainda incompleto. Muitos diziam ter escutado a voz de Deus, afirmavam ter ouvido ele os chamando para cumprir seu propósito seu chamado, eu pelo contrario nunca tinha ouvido isso. Tinha medo de nunca escutar, de nunca saber meu real propósito.

Sentia um forte aperto em meu coração, algo que não era para esquecer, mas eu acabei perdendo nas nevoas do tempo, havia uma escuridão densa em minha mente, em meio aos problemas e vivências me perdi do meu caminho, esqueci-me de Lauriel e como ela fora importante para minha vida, para a minha historia. O meu coração me guiava a um lugar ao qual não poderia estar. As coisas que fiz em nome da igreja, em nome da ordem, até hoje me torturam, sempre que fecho meus olhos, ouço os seus gritos, vejo-os sofrendo em minha frente novamente. Minha trajetória se tornou sombria, não sentia mais pena, nem tão pouco culpa do que fiz, eu matava incrédulos sem misericórdia, queimava acusados de bruxaria sem piedade. Sentia que a minha humanidade havia ido embora, junto do meu coração, passei muito tempo dessa forma.

Nessa época o mundo estava abalado, os ataques mulçumanos a peregrinos estavam cada vez mais recentes, a peste negra assolava a Europa, e a caça as bruxas estavam ficando mais intensas. O sacerdote falara de maus presságios, algo haver com o fim dos tempos, não diria que era blefe, mas a igreja estava muito assustada. Foi então que fui chamado para uma reunião secreta, eles me designaram para uma missão, matar uma bruxa, mas não deveria ser assim tão simples, eu teria de me infiltrar em sua vida, estuda-la, eles queriam que eu conseguisse todo e qualquer tipo de informação, a igreja queria alguma coisa, que eu não sabia ao certo, mesmo assim aceitei a missão que me deram. Parti para o norte da Itália, um pequeno vilarejo, do qual não me lembro do nome, chegando lá, vou a uma taverna a procura de uma moça que batia com a descrição dada pelos sacerdotes, ela seria uma mulher de pele branca, cabelos castanhos e olhos verdes claros, o sacerdote usara clarividência para pegar as características, sei que muitos diriam que é errado, mas era para um bem maior. Ao adentrar a taverna, vou logo sentindo um cheiro de bebida barata, sento-me em uma mesa não tão próxima do balcão, olho para o lugar a minha volta e vejo apenas rebuliços de pobres coitados, endividados com a coroa mergulhando-se na luxuria de uma vida passageira, sem propósito algum, fadados ao completo esquecimento. Espero um pouco, até que olho no balcão e vejo uma moça que batia com as descrições, me levanto e vou até ela.

- Olá?! Chamo-me John, poderia me ajudar? – olho para a moça e vejo que a mesma é de beleza imensurável, seus olhos penetrantes, faziam-me palpitar tão rápido quanto uma flecha. Em meio a essas sensações, ela responde-me com uma voz tão bela quanto o nascer e por do sol.

– Olá, posso sim, do que você precisa?!

Penso um pouco, pois precisaria ser convincente, até que tenho uma ideia – Preciso de um quarto, estou de viagem, na verdade preciso acertar negócios por essa região, por isso preciso de um lugar para passar umas noites – não acho que seria uma mentira, pois afinal, realmente precisava acertar negócios por aqui.

- Bom, aqui na taverna tem alguns quartos para alugar, se quiser me acompanhe para saberes onde fica - dizia ela.

Decido aceitar, pois afinal, quanto mais próximo dela melhor para minha missão – ótimo, aceito sim o quarto – precisava arranjar algum jeito de me aproximar mais dela, não haveria jeito melhor do que perguntando seu nome – Ah, desculpe minha indelicadeza, como se chama essa bela moça?

- Acredito que alguém com modos como esses, não deve ser apenas um viajante, és de qual família nobre? Retrucou a jovem.

- Ah, você me pegou, fugi de casa, pois não queria me casar com alguém que mal conhecia.

- Então você acredita no amor? Perguntava-me ela.

- Acredito sim, o amor é um dos sentimentos mais sublimes que existem - Enquanto conversávamos cheguei ao quarto, eu realmente estava cansado da viagem então decido dormir para recuperar as energias.

- Bom aqui é seu quarto, espero que faça bom proveito dele, e a propósito, me chamo Kathrina!

Ao entrar no quarto, vejo apenas uma cama, e uma mesa com cadeira, olhei em volta e vi uma janela que dava de frente para a rua. Ele não se comparava aos quartos do palácio, mas estava de bom proveito, só precisaria passar um tempo ali mesmo. Decido então ir dormir para continuar com minha missão logo pela manhã, mas não conseguiria, pois o olhar e o tom da voz dela, de Kathrina, penetram em minha mente, me deixando inquieto, passo aquela noite em claro, com o silencio do vilarejo. O dia logo amanhece então desço as escadas, com olhos pesados, ao chegar à área do bar da taverna, vejo o lugar vazio então Kathrina aparece, confesso que gostei de vê-la logo pela manhã.

- Bom dia nobre viajante – ela saudava-me com um bom dia vindo de sua doce voz.

- Bom dia Kathrina – respondi a ela meio sem jeito, confesso que não sabia o que estaria acontecendo comigo naquele momento, nunca havia sentido isso antes, acredito que fosse um feitiço dela, só poderia ser isso.

- Olha me chama de Kath, estou indo buscar água, me acompanha? - Eu olho para ela, e concordo em ajuda-la, não teria como recusar um pedido dela.

Caminhávamos em direção ao poço, enquanto íamos, conversávamos sobre nossas vidas, nossos temores, anseios, falei para ela sobre meu passado, mas não mencionei a ordem, nem minha missão ali, não estava mentindo, estava apenas omitindo a verdade, coisa que aprendi com a igreja. Ao chegar ao poço a ajudo a pegar água, e enquanto isso ela ia me contando sobre a sua família, de que seu pai estava escrevendo um livro, me falara sobre como começou a trabalhar na taverna. No caminho de volta fomos falando sobre o que acreditávamos, ela falara sobre o universo e as estrelas, de como acreditava que as coisas eram regidas, dizia que tudo funcionava como uma grande sinfonia, regida por anjos, cada amanhecer, anoitecer, cada estrela no céu, seria uma nota musical nessa grande orquestra. Ao chegar de volta na taverna, atualizei através de uma carta os meus superiores, e mandei-a, foram passando uns dias, enquanto aguardava sua resposta, a relação minha com Kathrina, fora aumentando, de forma a nos sentirmos bem um com o outro. A carta do sacerdote chega, e ele fala que eu precisaria tomar posse do livro que o pai dela estaria escrevendo, para isso precisaria entrar na casa dela, então decidi aproveitar a amizade que já tínhamos e usei-a para ter acesso a sua casa.

- Eh, Kath, lembra-se de quando você me falara sobre o livro que seu pai estaria escrevendo? – perguntava apreensivo.

- Sim, lembro-me, o que você gostaria de saber acerca? Perguntava-me ela.

- Bem, eu sei ler e escrever muito bem poderia ajudar seu pai a termina-lo mais rápido – dizia isso com anseio dela não gostar da sugestão, não queria estragar meu disfarce logo ali.

- Bom isso é com ele, se quiseres posso te apresentar a ele e vocês se acertam sobre.

Marcamos uma visita lá, ao chegar, usando um pouco do meu carisma, e de minha lábia, procurei convencer pai dela de ajuda-lo com o livro.

- Olá senhor, gostaria de saber se você gostaria de minha ajuda com o livro – ele me olha com um ar de desconfiança, então riu sem mostrar os dentes e indagou que eu era incapaz de ajuda-lo foi quando retruquei que ele estava errado, então me pediu um motivo para ajuda-lo a terminar o livro.

- Eu sei ler e escrever muito bem, posso te fazer termina-lo muito mais rápido.

Então ele concorda que eu o ajude, mas não deveria fazer perguntas sobre o que estava escrevendo no livro. Passei algumas páginas e vi coisas estranhas nelas. Pude observar instruções de como caçar demônios, e matar seres sobrenaturais que eu acreditava não existirem. Quando comecei a ajuda-lo com o livro pude passar mais tempo com Kathrina, confesso que gostava daquilo. Todo dia pela manhã ela ia me acordar, ouvia aquela voz, que mesmo na escuridão mais densa reconheceria em qualquer lugar. Foi num dia em que o indaguei sobre o conteúdo do livro, perguntando sobre o que queria dizer aquelas coisas, então ele riu e bagunçou meus cabelos.

- Esse livro é um manual de instrução, ele armazena tudo o que já vi e lutei contra. Esse mundo é muito mais que a guerra contra os mulçumanos. Existem males nesse mundo, todas as lendas que te contaram na infância são reais.

Fiz uma expressão de surpresa, mas já sabia de tudo aquilo. Pensei comigo se ele seria mais um membro da ordem, mas se fosse eu saberia, então peço para que ele me ensine mais sobre, mas ele diz que faria isso outra hora. Os dias foram passando, e fui aprendendo muitas coisas, ele fora me dizendo sobre o que pensava da igreja Fui passando a amar Kathrina, e percebi que ela fora sentindo o mesmo, então eu fiquei em conflito entre o que sentia, e a minha missão. Terminamos o livro, precisava de uma cópia, então procurei convencer o a fazer uma copia de segurança.

- Finalmente terminamos o livro, acredito que seria sensato fazer uma cópia de segurança – ele olhava-me novamente com desconfiança e me perguntava o motivo pelo qual sugeri aquilo. Digo a ele que seria bom fazer, pois a igreja estava caçando aqueles que ela chamava de incrédulo, por isso precisávamos ter dois, pois se ela pegasse um, o conhecimento não seria totalmente perdido. Ele enfim concorda e manda-me fazer uma cópia do livro.

Kathrina ajudava bastante e quando ficávamos juntos, éramos tão atrapalhados quanto um animalzinho recém-nascido. Eu sabia que a amava, sabia que a queria ter, mas meu propósito não permitia que eu a tivesse. Foi em uma noite em que estávamos conversando, em que nossos lábios se encontraram, e num ato puro e simples de amor nos beijamos, a sensação fora de um frio tremendo, mas aquecido pelo nosso amor e a chama da paixão queimou intensamente naquela noite. Esta foi a noite em que passamos juntos pela primeira vez e aquele amor queimou intensamente naquela lua, no frio escuro da noite fomos envolvidos por um manto de paixão primitiva. Nossos sentimentos se expressavam e atos de paixão, com um amor incessante que consumia até a nossa alma. Quando amanheceu, acordei ao lado dela, pela primeira vez em toda a minha vida, me senti completo, inteiro, eu a amava, mas ainda tinha meu propósito, minha missão A cópia do livro havia ficado pronta enviei-o para o sacerdote, que imediatamente mandou tropas para me buscar, eu o aguardava ansiosamente.

Pretendia me casar com Kath, pois havia constatado que ela não era uma bruxa, perguntei ao seu pai o que achava e ele me falou que essa pergunta poderia ser respondida apenas por ela. No dia em que iria pedi-la em casamento, as tropas da ordem chegam, e montam cerco na casa de Kath, quando saímos, vemos soldados da ordem cruzada, o qual me identifica como um deles.

- Senhor, fomos enviados para leva-lo de volta a Roma – dizia o soldado, Kath ao ouvir isso, me pergunta o que estaria acontecendo, até que enfim entende, ela percebe que eu era um cruzado e pede para que eu explique a situação.

- O que está havendo? Acaso você é um cruzado? Por que não me falara isso antes? Vamos me responda! – ela gritava comigo e de fato tinha razão para isso, então decido contar toda a verdade de uma vez por todas.

- Sim sou um cruzado, mas não um cruzado qualquer, pertenço a uma ordem secreta dentro da igreja responsável por cuidar de questões envolvendo o sobrenatural. Minha missão era me envolver em sua vida e acumular o máximo de informações, depois leva-la a Roma para o sacerdote decidir o que fazer.

Eu desço então e chamo ela e seu pai, ela desce, mas com um olhar de decepção, eu sabia que havia mentido, foi o que aprendi com a igreja, sabia que havia manipulado, foi o que aprendi com a igreja, sabia que falhei com ela e com o nosso amor, e sabia que não resgataria mais aquela chama. O pai dela resiste e volta para a casa.

- Não pai! Não faça isso! – clamava ela para que o velho voltasse.

Os soldados o trancam lá dentro e ateiam fogo, era um entardecer, o sol repousava vermelho no horizonte, em meio aos gritos agonizantes do pai de Kath sendo queimado na casa e aos gritos de Kath chorando por ele. Eu segurei-a firmemente, mas ao olhar a casa pegando fogo lembrei-me de meu passado e assim como ela eu havia perdido tudo por conta da igreja, lembrei-me de Lauriel, lembrei-me de sua morte, de seus gritos, de seu olhar de carinho, lembrei-me da minha vida, lembrei-me dos que a igreja dizia serem o mal, lembrei-me daqueles que em nome de Deus torturei e matei. Naquela longa noite fria e silenciosa, onde o som da madeira quebrando sendo consumida pelo fogo ainda ecoava em minha mente tortuosa, aquele frio de gelar na espinha era como um fardo de dor e sofrimento, as horas pareciam não passar, esta seria a noite mais longa de toda a minha vida. Voltei para Roma, levei junto Kath, ao chegarmos à Igreja, o sacerdote viu Kath e me parabenizou pela excelente missão cumprida.

- Parabéns John, não esperava que cumprisse com tanta facilidade essa missão – fico de cabeça baixa, não estava feliz com aquilo, não me sentia bem. Questionava-me se o que sentia fosse arrependimento, fosse remorso. O que eu fiz foi cruel, eu a enganei e a mim também. Olhei para Kath e vi uma lagrima escorrendo de seus olhos, vermelhos de dor. Achei que havia acabado por ali, então o sacerdote manda-me fazer com ela, o que fazemos com bruxas, eu o indago dizendo que ela não era uma bruxa, mas ele lembra-me do meu propósito

- John, pegue sua espada, e mate-a, dê um fim nesse corpo possuído pelo demônio.

- Mas senhor, ela não é bruxa, nem tão pouco o demônio, pude ver isso – retrucava a ele.

- Você estava sob a ilusão do demônio, ela te enfeitiçou – respondia ele com agressividade.

- Sim, entendo afinal minha missão é acabar com o mal - eu pego minha espada, me aproximo de Kath, ao chegar perto largo a espada no chão, e caio de joelhos chorando aos seus pés.

- Perdão! Perdão Kath, eu falhei contigo, não sou digno do seu perdão, nem tão pouco do seu amor, mas te peço que me perdoe – enquanto falava isso, ela se abaixa, beija minha testa, e me diz: Eu te perdou meu amor, pois afinal amor é perdão.

Ela sorri para mim, e eu posso contemplar aquele olhar singelo, com aquele sorriso que me encantou.

- Você é um fraco mesmo, sempre foi – afirmou o sacerdote, então ele, chega por traz dela e encrava uma faca em seu peito, naquele momento meu coração se enche de ódio, eu passo a queimar por dentro, tudo o que eu amei a igreja tirou.

- Maldito! Como pode? - então empunho minha espada, e desfiro um golpe no sacerdote matando-o. Kath ainda tinha consciência, então pego-a em meus braços, e choro por não poder ter feito nada para mudar o presente, e ela me diz que iria ficar tudo bem, que eu não deveria ter medo, naquele momento percebi que eu era como fogo, aqueles que amava e estavam próximos de mim se queimaram, então como ultimo ato de paixão, beijo-a em sua boca, e após isso ela se vai, levando consigo todo o nosso amor, me fazendo cair em pranto incessante. Nesse momento alguns desconhecidos tacam fogo na igreja, queimando a minha história, meu amor, e a minha alma.

3 de Abril de 2020 às 23:48 0 Denunciar Insira 0
Fim

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