miewgic Mimi

Jimin e Jungkook se desentendem e, do caos que se instaura entre eles, uma verdade irrefutável surge para bagunçar - e aproximar ainda mais os dois rapazes. Uma obra original de Yasmin de Carvalho. Todos os direitos Reservados. All rights Reserved. © miewgic | Yasmin de Carvalho 01/04/2020 , 20:00hs.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#bts #jungkook #jimin #jikook #kookmin
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JJK.


Eu estava cansado. Verdadeiramente cansado. Não aguentava mais as coisas como estavam... E pior: não sabia mais o que poderia fazer para mudar essa situação.


Há algumas semanas, Jimin e eu nos desentendemos por uma bobeira, uma coisinha sem importância, mas ao que tudo indica, a situação era mais séria do que parecia.


Tudo começou com uma simples conversa entre amigos.


Estávamos todos juntos no alojamento, aproveitando a pausa nos ensaios de retorno aos palcos, com novas danças, novas músicas e uma nova turnê. Já estava um pouco tarde, mas ninguém se importava, porque até o final da semana, teríamos o tempo livre. Ainda era terça-feira, mas já nos esbaldávamos nos doces e algumas doses de soju, com moderação, claro.


No meio de uma das conversas paralelas, Seokjin-hyung trouxe à tona, um tema que quase nunca colocávamos em pauta: relacionamentos amorosos.


Jin-hyung estava comprometido com uma garota há alguns anos, é claro, sem que ninguém soubesse. Não que fôssemos proibidos de nos relacionarmos com outras pessoas, mas normalmente, eramos aconselhados a manter isso em sigilo, visando nossa segurança e a de quem estivesse conosco. O fato é que ele estava um pouco chateado, porque sua namorada estava um tanto distante e pontuou a rotina corrida dele como um empecilho em sua rotina de casal.


O hyung estava bastante cabisbaixo e falou que estava até com um mal pressentimento, de que talvez, ela terminasse com ele por causa disso e ele não queria perdê-la, porque estava muito apaixonado.


Cada um de nós disse o que sabia, ou pelo menos, esperava que pudesse ajudar.


Namjoon-hyung disse que ela era uma boa garota e que logo eles se entenderiam, como os adultos que eram. Hobi-hyung disse que entendia os dois lados e que achava importante respeitar a vontade dela, mesmo que ele não concordasse e que Jin-hyung deveria dar tempo à ela. Yoongi-hyung, outro membro que namorava há alguns anos com uma garota estrangeira, que por coincidência também trabalhava com música - ela canta com orquestras, é cantora clássica, acho que é esse o nome - disse que entendia bem o que ele estava sentindo. Segundo Yoongi-hyung, ele e Yasmin, sua namorada, passaram também por um momento parecido, mas que não chegou a ser uma briga, já que ambos sentaram e conversaram para se entenderem. Ele disse que, por ele morar em Seul e ela, em Houston, seu tempo juntos era limitado, mas eles tentavam sempre aproveitar quando podiam e sempre trabalhavam a questão da confiança e das demonstrações constantes de amor, assim, fortaleciam o vínculo.


Eu fiquei pensando enquanto ouvia os hyungs falarem e percebi que isso, essa coisa de relacionamento amoroso é muito complicado e, com certeza, não daria certo pra mim, ficar com alguém à distância ou em segredo.


Sou meio impulsivo, todo mundo sabe disso, e não consigo controlar ou fingir quando estou perto de alguém que gosto muito, seria um tormento pra mim.


Eu queria falar o que penso, mas por algum motivo, senti vergonha... Ou talvez tenha sido apenas medo do que os hyungs poderiam pensar de mim.


Jimin se pronunciou em seguida. Ele disse que nunca tinha se envolvido com alguém por tempo suficiente para chamar de relacionamento mas que, em seu ponto de vista, não veria problema em lidar com um relacionamento em segredo, contanto que a outra pessoa concordasse. Ele disse que mais do que expor pro mundo, como ele se sente com a pessoa, o que realmente importa, é estar bem com a pessoa, todos sabendo ou não. Ele disse que lidaria bem com a questão de "guardar segredo" e que todos já escondiam tanta coisa, sobre nossas personalidades reais, gostos e sonhos, que guardar mais isso, não seria algo tão ruim.


Compreendi em partes o que ele disse, mas discordei também.


Foi quando finalmente falei. Disse que na minha opinião, nenhum relacionamento assim duraria muito. Vi as caras deles me olhando, alguns pareciam zangados, outros, decepcionados.


Jin-hyung perguntou então se eu estava desejando que seus relacionamentos fracassassem e eu disse que não, que não queria isso, mas que achava muito complicado estar com alguém, sem poder realmente estar com essa pessoa. Perguntei ao Yoongi-hyung se ele não sentia falta da namorada e se, pelo menos uma vez na vida, não se questionou como seria namorar alguém sem se preocupar em esconder isso. E pra minha surpresa, ele disse que não, que quando se ama, tudo se torna relativo: o tempo, a distância, o espaço, tudo. Disse que eles ainda brigavam mesmo sem se ver, mas que era normal e que, com a maturidade, muita coisa melhorou. E disse também que, por ficarem tanto tempo distantes, quando se encontravam, todo o reencontro era mil vezes melhor.


Achei isso muito bonito mas pra mim, é tudo utópico demais. Não soa verdadeiro, não parece real.


E foi esse pensamento que gerou todo o caos.


Jimin se chateou comigo, porque eu disse que não apoiava relacionamentos escondidos, que achava isso irreal e em muitas circunstâncias, imaturo.


Nós discutimos, na frente de todos mesmo. Ele disse que eu falava daquele jeito porque nunca me apaixonei e porque na verdade, eu era o imaturo. Disse que eu tinha que crescer, antes de 'divagar sobre o que eu nem sequer imagino'. Fiquei tão zangado! Não deveria ter agido assim, mas rebati... E cometi o maior erro do mundo ao julgá-lo, dizendo que seus relacionamentos só não duraram porque ele era extremamente mandão e controlador.


A última coisa que vi, antes que ele saísse correndo porta à fora, foi seu olhar magoado, repleto de lágrimas incontidas.


Desde então, o clima anda péssimo por aqui! Nós não nos falamos mais desde então, mesmo que eu tenha tentado muitas vezes, ainda mais, depois do sermão que Seokjin, Yoongi e Hobi-hyung me deram.


Tentei de verdade me desculpar, mas ele simplesmente não me escuta! Me evita em todos os cantos, durante os ensaios, em casa, até trocou de quarto com o Taehyung, só pra não ficarmos perto e eu não sei mais o que fazer! Eu sei que eu errei, errei em falar dele assim, e principalmente em falar algo sobre o que não sei, mas caramba! Eu agi por impulso! Será que o fato de eu me sentir péssimo não conta como acréscimo no pedido de desculpas?


Não sei como as coisas vão ficar, realmente não sei. Vamos entrar em turnê daqui há três semanas e já fazem quase cinco que ele não fala comigo. Não sei como lidar com isso...


E o pior! Desde que ele se afastou eu... Eu meio que... Não sei. É que ficou um vazio tão grande no meu coração que... Não sei... Eu só me... Me sinto terrivelmente vazio sem ele. E pensar que talvez ele nunca me perdoe, faz tudo doer ainda mais.


Só.. espero que as coisas melhorem logo, porque... Eu não consigo pensar em viver sem o Jimin-hyung do meu lado... Dói, só de imaginar.





PJM.


Era pra ser só uma tarde divertida, entre amigos, com muita comida, bebida e risadas, mas tudo se transformou rápido demais num tremendo caos.


Começou com o Jin-hyung falando sobre seu relacionamento com problemas e depois, Jungkook abre a boca e estraga tudo!


Aquilo que ele disse, sobre achar relacionamentos escondidos irreais, puff, ridículo! Mas tudo poderia ter ficado bem, se ele não tivesse falado aquilo sobre mim.


Doeu como o inferno escutar dele, justamente dele, que eu era mandão e controlador. Eu nunca na vida sequer imaginei que ele poderia falar algo assim. Nunca pensei que ele fosse capaz de me ferir dessa forma... Mas ele foi, e desde então, não consigo mais olhar na cara dele.


No mesmo dia, ele tentou falar comigo, e nos dias seguintes, mas fugi dele. Só de olhar pra sua cara, já me fazia lembrar do que ele disse, e Deus, como doía. Rejeitei todas as tentativas de aproximação e joguei fora todos os bilhetinhos que ele me deixou. Até mudei de quarto, pra evitar que ele continuasse tentando... Mas nem isso o parou. E eu podia ver que ele estava mesmo triste mas... E a minha tristeza? Como ficava?


Só sei que me acostumei a ficar longe dele, mas percebi que, a cada minuto longe dele, era como se eu morresse um pouquinho por dentro. Mais de uma vez tentei ignorar o que eu sentia, tentei esquecer, deixar pra lá, mas meu orgulho simplesmente não deixa, não me permite esquecer. E isso está me matando!


Semana passada eu o vi chorando sozinho, na sala de prática de dança e Deus, como eu queria abraçá-lo e protegê-l ode todo mal, sussurrando amenidades e jurando pela minha vida que nada, nunca mais iria machucá-lo, mas eu fiquei ali, parado. Estanquei no lugar e não me movi, só assisti a distância, Hobi-hyung ir ao seu encontro e abraçá-lo como eu queria fazer. Saí dali antes que me vissem, fui para meu novo quarto chorar sozinho.


E é assim que as coisas tem sido.... Vivo isolado, mas finjo bem na frente das cameras e de quem mais precisar. É fácil ensaiar sorrisos e iludir os outros de que tudo está bem, mas é sozinho que eu realmente desmorono.


Amanhã fazem nove semanas... Sessenta e sete dias que não falo com Jungkook. Deus, estou morrendo por dentro! Tudo o que eu mais queria era correr pros braços dele e não sair de lá nunca mais...


Sinto falta dele... Do som de sua voz, da textura macia da sua pele, da respiração quase ruidosa quando tem crise alérgica, do seu cheirinho de bebê, do temperamento amigável e do entusiasmo constante. Sinto falta de estar com ele, de rir com ele, de me sentir livre com ele.


Mas parece que algo entre nós se quebrou... E eu não sei o que fazer para consertar isso.





3rd.


Jungkook e Jimin estavam em uma situação deplorável... Ambos arrastavam-se pelos cantos, infelizes como o inferno, tão exausto de tudo isso mas sem mais saber o que fazer...


Jungkook dera seu máximo, realmente fora incansável durante todos aqueles longos dois meses de distanciamento, se esforçando e criando mil e uma maneiras de tentar se aproximar do mais velho, mas Jimin não abrira uma brecha sequer. Jungkook errou, mas se arrependeu. Jimin, por outro lado, estava ferido, é fato, mas agira de forma muito imatura ao não dar ao mais novo nem mesmo uma oportunidade de ao menos tentar se explicar. Agora, ele colhia o fardo do isolamento e da saudade.


Quando finalmente se deu conta de que também não estava colaborando, ele tentou se reaproximar do maknae, mas não tentou tanto quanto devia, sejamos francos. Sempre com a desculpa do maldito orgulho mas, no fundo, havia algo a mais... No fundo, Jimin tinha medo de revelar oque verdadeiramente sentia.


Jimin tinha um medo absurdo de não conter a língua e simplesmente revelar que seu sentimentos por Jungkook iam muito além de uma amizade, de um sentimento fraternal.


Pelos Deuses, Jimin estava apaixonado! Irrevogavelmente apaixonado.... E perdido demais para saber lidar com tal sentimento. Claro, não era a primeira vez que se via atraído por outro homem... Já havia ficara com outros rapazes e tivera um breve caso com o grande amigo e dançarino principal do grupo SHINee, Taemin, mas com Jungkook, ah, era diferente...


Diferente porque com ele, sua orientação sexual - que até então, era entendida pela bissexualidade - se confundia... Porque com ele, simplesmente não conseguia enxergar nenhum outro alguém, seja homem ou mulher. Não havia outra pessoa no mundo para Jimin, que não fosse Jungkook. E isso o assustava.


Assustava porque, ainda que os amigos e membros da equipe aceitassem e o respeitasse integralmente, não sabia como o mais novo lidaria com isso. E se ele não sentisse o mesmo? E se o rejeitasse? E pior, se sentisse nojo dele? Ao que ele sabia, Jungkook nunca se envolvera com ninguém, então, o que lhe garantiria de que seria aceito? Absolutamente nada.


E assim, afundado em incertezas e temores infinitos, Jimin privava-se do que poderia ser uma linda história de amor... Mas o destino tinha planos para resolver tamanha bagunça.


Quando a nova turnê finalmente começou, todos os rapazes se animaram e as coisas melhoraram um pouco. O clima ficou mais leve e todos pareceram ignorar ou decidiram ignorar a constante animosidade que rondava os chamados 'JiKook', um nome que as fãs inventaram para juntar romanticamente os membros Jimin & Jungkook.


A primeira parada, claro, era a capital Sul Coreana. O show fora incrível, ainda melhor do que já haviam vivenciado. A energia, os efeitos especiais, os fãs, a sincronia, tudo estava mais que perfeito! E, no palco, todos pareceram se esquecerem de seus problemas pessoais, dando ao público, um verdadeiro espetáculo.


As apresentações seguintes ocorreram pelo país e foram igualmente mágicas! Mas foi em Veneza que tudo pareceu tornar a desandar.


O show seria em algumas horas e Jungkook não descera do quarto, alegando estar passando mal. Seokjin, o colega de quarto escolhido para acompanhar o maknae, fora ver como ele estava e constatou que algo não estava bem. Uma visita breve do médico da equipe e foi confirmado: Kook apresentava uma intoxicação alimentar causada por algum marisco contaminado ou algo do tipo.


Aí veio a preocupação... O que fazer agora? Cancelar o show? Mas e os fãs? Jungkook disseram que se dormisse um pouco, ficaria bem e mesmo que ninguém estivesse de acordo com isso, acabaram cedendo.


O mais novo permanecera no hotel a manhã e grande parte da tarde. Mal tocou nas refeições que lhe trouxeram e o que fora ingerido, rapidamente forçou saída. Estava pálido e claramente fraco, mas insistiu em atender ao show.


Então, no início da apresentação fora sentenciado que ele permaneceria sentado, fazendo todo o evento em uma espécie de repouso, sem margem para discussões. Tudo transcorrera relativamente bem, mas ao final do show, Jungkook tivera um desmaio que motivara uma corrida implacável até o hospital.


No Centro Médico de Referência Veneziano, lhes foi assegurado que ele estava bem, que passara por uma limpeza estomacal e que estava fraco por conta da desidratação. Garantiram que em um ou dois dias, no máximo, ele estaria perfeitamente bem e, como o próximo show seria só dali a três dias, tudo permaneceria como o previsto.


No quarto de hospital, Jungkook estava verde, abatido, muito mais magro que o normal e seus olhos estavam terrivelmente opacos, muito diferentes do que costumavam ser.


Os seis rapazes decidiram revesarem-se entre si para acompanhar o mais novo e foram surpreendidos por Jimin, que pedira para ser o primeiro, ainda que Namjoon já tivesse sido escolhido pra essa função. Todos concordaram mas pediram que mantivesse contato durante todo o tempo e asseguraram que, na primeira hora do raiar do dia, estariam todos de volta.


Finalmente sozinho, Jimin respirou fundo e entrou no quarto, depois que o médico e uma enfermeira avisaram que ele já estava acordado.


Receoso e a passos oscilantes, Jimin entrou no quarto. A luz estava bem baixa, mal dava para vislumbra o espaço todo, mas o contorno opaco do rapaz na cama atiçou algo fundo no coração de Jimin.


"Jungkook..." chamou baixinho, não quereno assustá-lo.


O mais novo não moveu um só músculo. O rosto estava voltado pra única janela do cômodo, que estava largamente aberta, dando uma ampla visão da noite a fora e do brilho pálido da lua cheia.


"Jungkook, como se sente?" tentou novamente, aproximando-se mais.


Novamente, silêncio. Suspirando, o mais baixo acomoda-se ao lado dele na cama estreita, aproveitando para tentar examinar, ainda que sob a luminosidade precária, o estado do querido maknae.


"Jungkook...."


"Quando eu era pequeno, costumava olhar para as estrelas em noites como essa, quando o céu está tão claro que quase dá pra contar cada uma delas... E eu ficava pensando... Pensando em tanta coisa..." disse o mais novo num suspiro, seu tom era grave, soturno.


Jimin sentiu algo se apertando em seu íntimo, como se uma garra fria, invisível, estivesse retendo a circulação sanguínea, esmagando seu coração.


"O que você pensava?" a voz saiu num murmúrio, não se espantaria se ele não o tivesse ouvido.


"Eu encava aquelas estrelas, como quem encara um sonho... E eu pensava... O tempo todo... Que delas, algum dia, algo bonito cairia. Mamãe me contava histórias... Histórias de bravos cavaleiros que fugiram para o céu, com intenção de desbravarem as estrelas. Ela dizia que os cavaleiros eram solitários demais e que um dia, Morfeu, o grande Deus dos Sonhos, apiedando-se do constante penar de um dos cavaleiros que vagava perdido e sempre chorava sozinho, isolado de todos os outros, resolveu conceder-lhe um pedido..." a voz de Jungkook era ritmada, calma, mas havia tantas pontadas de tristeza em cada palavra que Jimin sentiu as entranhas retorcidas, agoniado.


Ele permaneceu calado, apenas ouvindo.


"O cavaleiro pediu ao grande deus alguém que pudesse amá-lo puramente, e que permanecesse ao seu lado, mesmo que ele não possuísse muito para lhe ofertar. Morfeu, surpreso com a humildade do cavaleiro, tomou nos braços uma de suas mais brilhantes estrelas e, com um sopro de bondade, a trouxe à vida, sob a forma de uma graciosa criatura. O deus ditou então que o cavaleiro voltasse à terra e que, quando despertasse na manhã seguinte, encontraria em seu lar, alguém que o amaria incondicionalmente e que permaneceria ao seu lado, por toda a vida e além dela." Jungkook sorriu pequeno, lembrando-se da velha lenda que sua mãe contava tão constantemente.


Jimin ansiava por ouvir mais de suas palavras, por isso, não aguentou-se.


"O que aconteceu?"


Jungkook suspirou e permaneceu quieto por alguns momentos, antes de voltar a falar, como se não tivesse ouvido seu hyung lhe fazer uma pergunta.


"O cavaleiro então, retornou a sua casa e assim que chegou, bem ao pôr-do-sol, foi acometido por um sono profundo e rapidamente adormeceu. Naquela noite, uma estrela caiu do céu, resplandecendo um brilho violeta jamais visto! Dizem que aqueles na Terra que presenciaram sua queda, foram tomados por uma profunda admiração e inestimável sentimento de felicidade... É... A beleza, a pureza, a inocência causa isso nas pessoas. Então, naquela noite, uma estrela caiu do céu e o cavaleiro ganhou alguém para amar. O amor caiu do céu para ele, e desde então, conta-se que se você tiver um coração puro e gentil e pedir à Morfeu, do fundo da alma, ele lhe concederá o desejo de ter também um amor..."


Mais uma pausa. Suspiro.


"Quando eu era criança, eu olhava para as estrelas, em noites como essa, e pedi a Morfeu que um dia, me desse um amor puro como o que ele deu ao cavaleiro... Mas então eu cresci, e vi que as coisas não são simples assim... Mas... Eu queria que fossem, talvez assim, tudo não doesse tanto..." o maknae logo se calara, sua voz, nitidamente embargada, anunciava o pranto que tentava ser contido a todo custo.


"Jungkook..."


"O que está fazendo aqui, Jimin?" ele indagou, ainda sem olhá-lo.


"Eu vim ficar com você, te fazer companhia... Sei que está chateado, mas.."


"Porque?" a indagação cortou a fala alheia.


"Porque você não podia ficar sozinho, eu não deixaria isso acontecer."


"Mas você já me deixou sozinho, hyung... Você tem me deixado sozinho há muito tempo, tempo demais... Tanto, que eu aprendi a ficar sozinho... Eu... Aprendi a conviver com a sua ausência e agora, nem sei mais se..." o pequeno coraçãozinho de Park Jimin trincou-se por completo ao ouvir aquelas palavras.


"Jungkook, por favor, me escute, eu sei que errei, mas eu posso explicar. Eu estava chateado, realmente magoado, não queria te ver ou te ouvir e sei que exagerei, mas eu juro qu..."


"Você me afastou de você, hyung... Tantas vezes tentei me desculpar, me redimir e você..."


"Eu sei que errei, mas estou arrependido, eu juro!"


"Eu passei dias na porta do seu quarto, te chamando, mas você não me ouviu... Você se afastou, me afastou. Tanto e por tanto tempo, que agora, eu só conheço a tua ausência, nada mais." decretou em tom quase afônico.


"Jungkook, por favor..."


"Vai embora, hyung, eu quero permanecer sozinho, do mesmo jeito que tenho estado durante todo esse tempo." sentenciou e, sob o brilho funesto da lua, era notável a delicada cascata que corria pelos olhos amendoados.

"E-eu não posso deixá-lo, Kookie..." fungou o baixinho, mal percebendo seu próprio choro.


"Mas você já me deixou, hyung... Há tempo demais..." sussurrou o outro e Jimin então, irrompeu num pranto sofrido, deixando que toda a dor, toda a saudade desaguassem numa torrente libertadora.


Minutos de silêncio se seguiram, antes que o mais velho dos dois voltasse a falar.


"Jungkook, você precisa me ouvir, por favor, eu te peço! Eu estava chateado demais, confuso demais, meus sentiment..."


"Sabe, a vida é curiosa... Eu quando era novo, morria de medo da solidão e pedia a corpos celestes e deuses imaginários que me dessem alguém para amar e ser amado, mas acabei descobrindo na solidão, que o amor é algo doloroso demais... Foi ficando sozinho, que eu pude entender meus sentimentos... E eu entendi coisas que queria evitar, mas que agora, não podem mais serem ignorada. E talvez, isso seja o pior... Fingir não sentir o que não dá para esconder!" sussurrou Jungkook, num misto de raiva e frustração.


O coração de Jimin se contorceu dolorosamente. Então... Havia um outro alguém na vida de seu doce maknae? Ele... Estava amando e sofrendo pela tal pessoa? Seria um amor impossível?


"O que quer dizer com isso?"


"A solidão me revelou muitas coisas, hyung... Eu cometi erros, sei disso, e tentei me redimir por eles, tentei consertar as coisas, mas nada adiantou, nada valeu. Mas a solidão abriu meu olhos e me fez enxergar ou aceitar o que eu desconhecia..."


"Jungkook... O que isso significa? Kook...?!"


"Eu sei o que quero pra mim, hyung, mas o que eu quero não pode ser meu. Então, só me resta a solidão e a companhia silente das estrelas..." o olhar do maknae voltou-se para Jimin apenas por uma fração de segundo, mas fora suficiente para captar toda a dor e tristeza que eles carregavam.


Naquele ínfimo segundo, todas as defesas caíram, não havia som no ambiente, nem mesmo o ar parecia existente, só haviam os dois e suas palavras não ditas. O silêncio soava sepulcral, e haviam tantas vozes caóticas gritando no interior de cada um deles, mas nenhum deles enunciou nem uma única palavra.


Logo, Jungkook encarava de novo as estrelas, e silenciosamente, rezava à elas pedindo humildemente que lhe arrancassem do peito o imensurável amor que sentia pelo rapaz sentado a poucos centímetros de distância de si.


Jimin, por sua vez, tentava entender o que ouvira, falhando miseravelmente.


"Kookie, por favor, me ouça..."


"Eu quero ficar sozinho, hyung, deixe-me, mais uma vez..."


Jimin queria discutir, mas sabia que não tinha direito algum. Por isso, apenas acenou com a cabeça, mesmo que ele não pudesse vê-lo. Rumou a porta e o encarou uma última vez, antes de sair definitivamente.


Sozinho, Jungkook permitiu que as lágrimas tornassem a rolar livremente, adormecendo em seguida.


Sozinho, Jimin rezou desesperadamente aos céus que protegessem e cuidassem de seu Jungkook enquanto ele não podia e que, se lhe fosse permitido, que ele tivesse a chance de reparar seu erro e amar Jungkook da forma que ele merecia.


{...}


O dia amanheceu insosso. A brisa entrava suave pela janela ainda aberta e por ela, entrava também raios furtivos de luz solar.


Jungkook se remexeu na cama desconfortável. Seu braço direito começava a doer, mas não havia muito o que fazer. O soro e o medidor de pressão, presos nele, limitavam seus movimentos.


Com um suspiro, o mais novo encarou com atenção o quarto, pela primeira vez desde que fora trazido para ali na noite anterior e com um bufar desapontado, encontrou o espaço ao seu lado, composto por uma poltrona e um pequeno sofá vazio. Ele se frustrou porque achou que seu hyung ficaria consigo, que permaneceria ao seu lado, velando seu sono como sempre fazia mas... Ele não estava ali. Mais uma vez, ele estava sozinho.


Flashes da conversa torta que tiveram de madrugada surgiram em sua mente e ele se recordou de ter pedido a Jimin para deixá-lo sozinho. A sensação esmagadora de solidão reduziu-se, mas não sumiu por completo porque, ainda que tenha sido um pedido seu, ele achou, realmente pensou que o mais velho insistiria mais, mas... Ele não fez. E talvez nunca mais fizesse.


"Olá dorminhoco... Bom dia. Como está?" uma voz animada invadiu o silêncio do quarto.


A porta aberta revelava um Jung Hoseok sorridente, mas preocupado. Atrás dele, o batente acolheu o portal, revelando a figura minúscula de uma enfermeira, que trazia uma outra bolsa de soro e lhe sorria gentilmente.


"Como passou a noite?" indagou ela.


"Bem, obrigado." respondeu, respeitoso.


"Ótimo. Você parece muito melhor... O médico virá vê-lo após o café-da-manhã e, se tudo estiver bem, ainda hoje receberá alta." disse ela, após trocar a bolsa de soro, quase vazia.


"Muito obrigado." disse o hyung, curvando-se respeitosamente à enfermeira.


"Como você está, meu coelhinho...?!" o hyung se aproximou, preocupado e cuidadoso como sempre, acarinhando os cabelos castanhos revoltos.


"Estou melhor, Hobi-hyung, obrigado... Onde... Estão os outros?" perguntou em voz falha, a garganta arranhava, ressequida.


"Estão no hotel. Jin-hyung queria vir, mas os managers precisavam dele então me ofereci pra vir em seu lugar." respondeu, estendendo-lhe um copo de água que fora recebido gratamente.


Após tomar duas medidas da bebida refrescante e agradecer baixinho, perguntou o que atormentava-lhe a mente.


"E... O Jimin-hyung?" os olhos se fixaram nos dedos, que mexiam nervosamente no colo.


"Está lá fora. Ele estava dormindo nas cadeiras ao lado do quarto. Perguntei pra ele o que tinha acontecido, mas ele não disse nada..." respondeu o rapaz de sorriso de coração.


Jeon suspirou, sentindo a exaustão de toda aquela situação.


"Vocês brigaram, Kook?" quis saber.


"Sim.. Quer dizer, não... Ahh, eu não sei hyung, eu não sei de mais nada."


"O que está havendo entre vocês, Gukkie? Achei que depois que ele tinha te perdoado, tudo ficaria bem de novo, mas..."


"Ele não me perdoou hyung. Ele nunca me ouviu, não me deixou falar em momento nenhum. Desde aquele dia, da reunião desastrosa, ele não fala comigo. Aí, ontem, ele aparece todo afetado, querendo conversar mas eu não deixei ele fala. Não quero ouvir nada do que ele tenha pra falar, não mais..." disse o mais novo, o timbre triste, amuado.


"Jeon... Está me dizendo que vocês não tinham se entendido? Mesmo depois de todo esse tempo?" indagou o outro, confuso e perplexo.


O mais novo apenas concordou, sentido.


"Mas que... Droga! Porque não falou nada, Gukkie? Todo mundo estava achando que vocês estavam bem! Você deveria ter falado com algum dos hyungs, teríamos te ajudado." ralhou o mais velho.


"Não pareceu importante..."


"Mas é claro que é! Jungkook, me escuta bem, tudo que tenha a ver com você, sua vida, sua felicidade é importante pra nós, para todos nós!"


O mais novo deu de ombros, desviando o olhar pra janela. Seus olhos, antes de jabuticaba brilhante, agora pareciam afundados em molduras roxas, fruto de infinitas noites mal dormidas.


O mais velho não o forçou a falar mais nada, afinal, ele não parecia em condições. Mas, mais tarde, ele com certeza falaria com Jimin e questionaria o verdadeiro porquê de ele ter agido e se portado como se tudo estivesse esclarecido quando, na verdade, não estava.


{...}


O mais novo dos sete recebera alta depois do almoço daquele mesmo dia e, com algumas breves instruções, retornou ao seu hotel.


Sua cama estava feita, como era esperado e Seokjin, seu colega de quarto, o aguardava com muitos abraços e promessas de lhe trazer uma comida deliciosa e bem levinha.


De banho tomado, o rapaz apenas afundou nos lençóis, pendido por uma noite de sono contínuo e sem sonhos.


{...}


Dois dias haviam se passado desde a liberação de Jungkook do hospital e eles haviam recebido permissão do médico para viajar. Embarcariam no dia seguinte para Verona, e o mais novo sentia-se vivendo uma terrível ironia do destino.


Verona, a chamada Cidade do Amor, acolheria a ele, um rapaz solitário e de coração partido, que vivia uma vida de sonhos mas que seu maior sonho era a única coisa que verdadeiramente jamais poderia ter.


A divisão dos quartos acabou tendo que mudar e, vendo isso como uma oportunidade de quem sabe, resolver as coisas, Jimin interferiu aos managers, pedindo para dividir o quarto com Jungkook. Hoseok fora contra e apontara o próprio nome como opção mas, depois de ouvir tudo o que Jimin tinha para lhe dizer, numa conversa privada e distante de todos os outros, acabou cedendo, mas não sem antes ameaçar de quebrá-lo ao meio caso magoasse o maknae.


Concordando a punição, Jimin saltitou até o quarto que dividiria com seu Jungkook. O mais novo entrou pouco tempo depois, cabisbaixo, arrastando sua mala como se ela fosse um fardo pesado demais.


"Kookie! Deixa que eu te ajudo!" dissera o mais baixo, saltando até ele e puxando facilmente a mala para a cama ao lado da sua.


"Acho que tem um engano... Eu ia ficar no quarto com o Hobi-hyung." disse baixinho, sem encará-lo.


O coração de Minie apertou-se, com o pensamento de seu garoto estar tão ferido ao ponto de não conseguir tolerar a ideia de ficar perto dele.


"É.. pois é mas.. houve uma mudança na organização..."


Com um muxoxo, o mais novo concordou, arrastando-se até a mala e pegando uma muda de roupa, junto de seus pertences de banho e um chinelo.


"Quer ajuda pra desfazer a mala? Eu posso..."


"Não precisa. Eu vou tomar banho." disse irredutível.


De ombros caídos, só restou a Jimin assisti-lo rumar a casa de banho, em silêncio.


O show daquela noite fora... Diferente. Havia algo, nenhum deles sabia dizer ao certo, mas com certeza havia algo diferente... O ar, as pessoas, o magnetismo na atmosfera parecia estranho, atípico.


Até mesmo Jungkook, que andava tão caidinho e pra baixo parecia ter sido afetado pela inesperada mudança de ares.


Ele estava deslumbrante durante todo o show! Reluzia sob os holofotes, parecia ainda mais carismático diante dos fãs e parecia transmitir em cada passo de dança, cada movimento, cada nota cantada um pouco mais de sua essência envolvente.


Jimin encontrava-se extremamente pasmo, totalmente abobalhado, encantado, irrevogavelmente enamorado daquele rapaz... Tanto que, tomado de súbita coragem, arriscou uma aproximação que surpreendentemente não fora negada. O mais baixo quase chorou de emoção, julgando que talvez, as coisas estivessem começando a se ajeitar...


Mas a doce ilusão ruiu no exato instante em que eles saíram do palco, com Jungkook afastando-se dele ao menor movimento de aproximação. O pobre coraçãozinho de Jimin retesou-se, como se sentisse sua carne, a dor física que a dor emocional causava.


De volta ao hotel, todos pareciam os mesmos, mas algo ainda parecia errado. Assim que sozinhos, na segurança de seu quarto, Jimin tentou mais uam vez.


"Jungkookie... Podemos conversar um pouco, por favor?" disse ele em voz baixa.


"É sobre o show?"


"Não."


"Sobre o grupo?"


"Também não..."


"É sobre alguma das músicas? Coreografias? Ensaios?"


"Não Kook, não é nada sobre os outros, é... sobre nós..."


"Então não há nada para se falar." disse secamente, pegando suas coisas e caminhando para o banheiro.


Agora era assim... Jimin percebeu que, diante da menção de qualquer saída, Jungkook sempre corria para se trocar no banheiro. Ele parecia.. não confiar mais no hyung, pois nem ao mesmo sentia-se confortável em se trocar na frente dele, tão diferente de antes... E quando ficavam sozinhos, o silêncio era tanto que até incomodava.


Jimin tentava quebrar aquele clima horrível, mas ele não dava nenhuma brecha!


'Exatamente do mesmo jeito que ele agira quando Jungkook tentou, por mais de dois meses, se desculpar pelos seus erros' a sua mente lhe gritou em resposta.


Suspirando, Jimin desabou na cama, desabou na vida, simplesmente desabou. Deixou que as lágrimas guardadas para serem chorada apenas à noite, quando sozinho no banho rolassem ali mesmo, sem se dar conta de quanto tempo ficou assim, sem perceber também que Jungkook saíra do banho e o encarava pelo canto do olho.


O mais novo sentiu seu coração doer, como já doía há tanto tempo por causa do hyung, mas não teve forças para fazer ou falar qualquer coisa.


"Eu estou tão cansado... eu tô exausto!" dissera Jimin e Jungkook quase revidou, mas desistiu quando se deu conta de que ele não o notara e agora, falava sozinho.


"Eu tentei.. tentei ser forte, tentei arrumar as coisas, mas não consigo! Meu orgulho me cegou e eu perdi tempo demais... Eu o perdi... Meu menino doce..." o choro alto embolava as palavras, mas Jungkook conseguira entendê-las perfeitamente.


A pulsação acelerada confirmava que o miocárdio no peito galopava, incessantemente, sem saber ao certo o que fazer com aquela informação.


"Tudo o que eu mais queria era poder voltar no tempo... Não ser tão imaturo, tão impulsivo... Eu sou o hyung! Eu devia dar o exemplo mas... Fracassei... Meu Deus, eu o perdi! Perdi tudo! INFERNO!" Jimin gritou, assustando o mais novo, que se encolheu na cama.


Ainda sem percebê-lo, confuso e tonto, Jimin pegou seus pertences e correu ao banheiro e lá se trancou.


Jungkook não se moveu por alguns minutos; a respiração alta e falha demais parecia ecoar na quietude do dormitório e quando ele achou que tinha se acalmado, ouviu a porta do banheiro abrir num rompante.


Passos, barulho de chaves, o arrastar de alguma coisa e depois, a porta do quarto se fechando.


Jimin havia saído, perdido e confuso e deixara para trás, um Jeon igualmente perdido e confuso. Ambos não faziam ideia de que, a tal diferença no ar, seria a responsável por trazer calmaria ao constante caos.


{...}


Já passava das onze quando Jimin voltou ao quarto. O rosto estava seco, mas os olhos permaneciam vermelhos, pelo choro de pouco tempo atrás. Ele fora procurar refúgio e conselhos com o único capaz de entendê-lo em toda sua confusão.


Taehyung sempre fora um ótimo amigo, de fato, era sua alma gêmea e, quando viu o amigo desaguando em prantos, tudo o que obrigou-se a fazer foi estender seus abraços e acolher todos os tremores e soluços do baixinho.


Depois de contar-lhe toda a situação e de ouvir seus bons conselhos, Jimin aceitou sair com ele para comer, ainda que não sentisse fome. Uma ou duas taças de vinho depois, ele se sentia mais relaxado, mas ainda triste. Era então, hora de retornar ao quarto.


Yoongi até se ofereceu para trocar de quarto com ele, para que Jimin conseguisse pensar em tudo o que ele parecia precisar pensar, mas ele recusara com um sorriso minúsculo.


De volta ao quarto, adentrou-o com cuidado. Seguiu unicamente para o banheiro. Lavou o rosto, tirou as roupas, escovou os dentes, preparando-se para dormir. Mas dormir pareceu impossível ao assustar-se com a luz do abajur acesa e Jungkook sentado de pernas cruzadas na cama.


"Jungkook... Está tudo bem? Você.. comeu?" teve de conter uma euforia crescente que quase o engolia.


"Jimin-hyung... Podemos conversar?" sussurrou o mais novo, sem encará-lo.


Jimin queria pular, dar cambalhotas no ar, mas se conteve, apenas murmurando uma concordância. Sentou-se em sua cama, de frente para o mais novo, apenas esperando.


"Hyung... Eu sinto muito pelo que fiz. Eu me arrependo do que fiz, de verdade. Eu tentei me desculpar, muitas e muitas vezes, mas o hyung não me ouviu, nem me deu chance de falar..." a voz do maknae saía baixa no silêncio.


"Jungkook.."


"Hyung, por favor, me deixa falar. Eu ouvi o seu silêncio por muito tempo, então agora, por favor, fique em silêncio e me escute!" ele elevou a voz sem perceber, mas logo baixou.


Jimin concordou, os olhos marejados.


"Eu errei, hyung, errei e me arrependo. Eu sinto muito. E sinto ainda mais porque eu sinto a sua falta... E isso tá me matando! Tá me matando porque parece que eu perdi a única coisa que me fazia feliz, hyung..." finalmente, encarou o mais velho, e Jimin pode notar suas lágrimas refletidas nos olhos dele.


O mais novo respirou fundo antes de prosseguir.


"Tentei evitar, tentei negar, fingir, fugir, mas percebi nesse tempo algo que.. não dá pra simplesmente fazer de conta de que não existe..."


Silêncio.


"O que você percebeu, Kookie...?"


"Percebi que te amo, hyung. Eu te amo, mas não do jeito que esperam." disse baixo.


Jimin sentiu o peito inflando-se e inflamando-se em uma confusão de cores e sensações, frio e quente, claro e escuro, cor e sombra. Tudo parecia caoticamente certo em seu íntimo.


"Jungkook..."


"Não precisa dizer que é errado, eu sei disso. Mas não é como se eu pudesse evitar." resmungou.


"Jungkook..."


"Hyung... Você me odeia?" murmurou, um tempo depois.


"Não! É claro que não! A única coisa que eu odeio é o tempo que nós perdemos, que eu perdi..."


O mais novo o encarou, confuso, antes de sentir as pontinhas dos dedinhos de seu hyung alcançando os seus, envolvendo-os, e depois, puxando-o para perto. E Jungkook foi, porque Deus, como sentia falta do seu hyung...


Jimin o trouxe para perto, para sentar-se ao seu lado, não perto o suficiente, mas perto suficiente para confundir os perfumes.


"Kookie, posso te pedir uma coisa?"


"Claro hyung, qualquer coisa."


"Me diga a verdade... Você... Realmente me ama?" indagou ansioso.


O mais novo demorou a responder, mas quando o fez, foi como e o mundo se tingisse com os tons mais lindos de Aurora Boreal.


"S-sim, hyung..." falou temeroso, baixando os olhos.


"Jungkook, em nome da verdade que sempre existiu entre nós... Olhe nos meus olhos e me diz..." pediu, erguendo-lhe o rosto.


"Eu te amo, hyung, demorei para perceber, mas agora que eu sei, não consigo mais evitar..."


Jimin sorriu largamente, ainda que seus olhos transbordassem e, pela primeira vez em muito tempo, sentiu o coração aliviado, leve, plenamente feliz. Ainda sob o efeito daquela doce declaração, simplesmente agiu. Com a alma, com o corpo, com o coração, com tudo de si, entregue, livre.


Aproximou-se aos poucos até sentir os lábios do mais novo sobre os seus e sentiu-o sobressaltar. Deu-lhe a chance de se afastar se quisesse, mas agradeceu aos céus quando ele não o fez. E ainda melhor, retribuiu a pressão suave.


O beijo envolveu-os numa aura extracorpórea, como senão fossem seus corpos a se tocarem e sim, suas almas.


Ao fim do ósculo, separaram-se, sorrindo. Os corações batiam em sincronia, aliviados, em paz.


"Eu não faço ideia de como as coisas serão daqui pra frente... Só o que eu sei é que eu te amo, Jungkookie, e nunca mais vou me separar de você!" disse o mais velho, pulando nos braços do outro que o envolveram prontamente, enquanto ambos caíam na risada.


Rolando na cama estreita, ambos se encararam.


"É verdade que me ama, hyung..." indagou o outro entre sorrisos, sem conseguir acreditar no que ouvira.


"A mais pura verdade. E eu não vou mais me separar de você..." disse, beijando-lhe a pontinha do nariz.


O mais novo sorriu e o mais velho sorriu ao vê-lo sorrir... E o Universo inteiro sorriu diante daqueles dois. Porque não havia nada que o Universo apreciasse e abençoasse mais, do que o nascimento de um novo amor... E, sem dúvida alguma, aquele amor que nascera do caos, reinaria em calmaria eterna!





Naquela noite estrelada, o céu sorriu em festa. As estrelas celebraram o nascimento de um amor lindo e puro, que já havia sido escrito há anos atrás, quando um garotinho miúdo e franzino, numa noite de céu claro, rezou às estrelas pedindo um grande amor.


E parece que Morfeu ouviu...


Deu a Jungkook, o amor na forma terna e gentil de Park Jimin... E deu a Jimin, a mais verdadeira razão para sorrir, que atendia pelo nome de Jeon Jungkook.


E talvez, só talvez, Morfeu tenha planejado para nossos doces amantes, a mais profundamente bela história de amor já vista, estrelada sob os céus de Verona, a verdadeira Cidade do Amor.












ydc ; 21:22hs, 02/04/2020 |


3 de Abril de 2020 às 00:29 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Mimi Cantora Lírica, escritora, fotógrafa e astrônoma amadora. Apaixonada por gatos, café e música. ARMY

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