larall00 Lara Lemes

Luci ia participar da peça da escola por causa da nota, mas se envolveu demais. Agora ela precisa encontrar uma menina louca o suficiente para sair com o roteirista (delicado como um cavalo) enquanto ela tenta conquistar o irmão adorável dele. Baseado em Shakespeare: A Megera Domada Apresentando: Luciana: A que precisa de nota Bernardo: O irmão adorável Caio: O irmão cavalo Polike: A menina louca Graça: A rival chata Hortênsia: A rival legal Trina: A amiga trocada Greta: A amiga sofredora Victor: O que está na Friendzone Sem plágio! Presente também no WattPad


Ficção adolescente Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#colegio #adaptação #teatro #258 #shakespeare #humor
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Ato I. Cena I. No Corredor, Luciana e Bernardo

Quando se ofereceu para trabalhar na peça, Luciana Pisa não sabia que iria vivê-la tão de perto.

O professor de literatura terminou de corrigir os exercícios do livro dez minutos antes do término da aula para poder explicar a atividade que pretendia dar como acréscimo de nota. Ao escutar a expressão “acréscimo de nota” Luci exultou. Ela precisava urgentemente de ajuda em literatura, senão iria ficar de recuperação na matéria e perder as férias da família, que seriam na praia dessa vez… Luciana não poderia perder mesmo.

Então, mesmo que a tal atividade fosse um teatro (e era mesmo, sobre uma das comédias de Shakespeare que eles haviam estudado) Luci ia ter que participar, portanto, quando o Sr. Mignola pediu voluntários, a garota prontamente levantou a mão.

A primeira reunião com os participantes seria logo depois da aula. Trina segurou seu braço com as sobrancelhas curvadas enquanto ele terminava de explicar os detalhes.

_ Você tem certeza que quer passar esse vexame? Você não consegue nem fazer apresentações na frente da sala sem gaguejar horrores.

_ Eu preciso de nota, Trina, mais do que de dignidade. - o sinal soou de fora da sala e as pessoas começaram a guardar os materiais. Luci também pegou os seus - Além do mais, existe muito mais numa peça de teatro do que só atores. Eu pretendo ficar na iluminação, efeitos sonoros ou sei lá, qualquer coisa assim.

Luciana fechou a mochila e ela e Trina levantaram-se para sair da sala. Graça passou pelas duas meninas com um grande esbarrão que jogou as coisas de Luci no chão e riu. As duas suspiraram de tédio e Trina arqueou mais uma vez as sobrancelhas.

_ Você viu que ela levantou a mão para participar também, não é?

Luci só ficava mais desanimada a cada segundo. “Tudo pela nota”, murmurou na própria cabeça.

_ Vou fingir que ela não existe, como sempre faço.

Ambas se dirigiram para fora e se despediram. Luciana ainda tinha a reunião do teatro, mas percebeu tarde demais que não sabia onde seria; o professor Mignola devia ter dito bem na hora que Trina a chamara. Ela fez um muxoxo.

_ Droga.

Graça ainda estava no final do corredor, prestes a virar. Luciana podia perguntar a ela ou… só segui-la. Deu de ombros, a segunda opção era melhor, com certeza.

Mal deu o primeiro passo alguém a cutucou. Luci olhou para trás e paralisou, era um príncipe.

_ Você… - ele parecia um pouco sem fôlego - é dessa sala?

O sorriso dele era hipnotizador.

_ Hã?

_ Dessa sala, 2º ano “E”, você é dessa sala? O professor Mignola disse que a última aula dele seria aqui e depois iríamos para o ensaio, mas eu esqueci onde seria, ele falou na sala de vocês, não falou?

E aquele cabelo dourado emoldurando um rosto perfeito… A garota balançou a cabeça, recobrando a sanidade.

_ E-eu também vou participar, mas não ouvi quando ele disse o lugar. Eu ia seguir uma outra colega que estava… - Luciana olhou o fim do corredor, sem ver Graça. Para onde ela tinha virado? A menina soltou os ombros - … virando o corredor.

_ E para onde ela virou? - ele esticou o pescoço. Luciana inclinou a cabeça e pôs as mãos na cintura.

_ Não sei, parece que ela virou bem na hora que você me cutucou.

Os dois se olharam por dois segundos e o menino piscou, arqueando as sobrancelhas com incredulidade.

_ Espera. Você está insinuando que a culpa é minha.

Até indignado ele ficava encantador. Luciana percebeu que não ia conseguir ficar brava com ele, não com aqueles olhos dourados. Ela abaixou o rosto vermelho para disfarçar também que estava rindo dele.

_ Esquece. Parece que vamos ter que procurar sozinhos. - Luci ajustou a alça da mochila - Vem, vamos começar pelo Auditório, é o lugar mais óbvio.

_ Espera. - ele chamou, Luci olhou para trás. Ele estava puxando o celular - Eu não queria ter que fazer isso, mas é melhor que sair olhando todas as salas do colégio.

O garoto apertou os lábios, concentrado, e Luciana também sentiu o peito apertando. Que menino hipnotizante! Como ela nunca tinha reparado nele?

_ C-como é o seu nome? - perguntou, tentando parecer displicente. Ele pôs o celular na orelha e levantou os olhos, sorrindo.

_ Bernardo. E o seu? - antes que Luci dissesse os olhos de Bernardo se arregalaram e ele levantou a mão - Só um segundo. Ele atendeu.

_ Quem atend…

_ Oi professor Mignola… Pois é, eu… eu me esqueci onde era. Certo. Certo. Me desculpe. Já estou indo. - e desligou. Luciana piscou, incrédula - Vamos! É na primeira quadra.

_ Você tem o número do celular do professor Mignola? - Luci estava com a boca aberta de surpresa enquanto o seguia a passos largos, ele era bem mais alto que ela. - Quanta intimidade!

_ Literatura é minha matéria preferida! Inclusive, se você quiser aulas…

A menina sabia que era uma brincadeira, ele nem a conhecia, mas, obviamente, um arrepio a percorreu. Parecia que isso ia acontecer bastante a partir de agora. Luciana precisou aproveitar a oportunidade.

_ Olha que eu aceito.

Bernardo riu.

Quando chegaram na quadra, Luci percebeu que a consideração do professor por Bernardo era maior do que o que ela tinha pensado; ainda nem tinham começado a reunião. O professor fez um aceno rigoroso para o garoto e começou a falar.

Luciana olhou em volta e viu algumas coisas. Havia, além dela e de Bernardo, outras trinta pessoas sentadas na arquibancada, a maioria das outras salas do segundo ano. De sua própria sala estavam apenas ela, Hortênsia, Victor e Graça, que, inclusive, estava olhando feio para ela desde que entrara na quadra. Não que já tivesse feito diferente alguma vez.

_ Muito bem. Os que quiserem atuar diretamente na peça devem falar com o Caio Batista, que está cuidando do roteiro. Ele teve outro compromisso hoje e não pôde vir, mas estará no colégio amanhã com certeza. Procurem-no na sala 45, do 3º ano “C”. Os demais alunos, que vão trabalhar nos cenários e figurinos fiquem aqui para conversar comigo. Só relembrando que os atores ganharão de 1 a 3 pontos extras a depender do papel e do desempenho e os demais até 1,5 ponto extra, dependendo do desempenho e esforço.

Luciana piscou algumas vezes antes de ficar indignada. Como assim menos nota para os que não fossem atores?

Enquanto alguns começavam a se levantar para sair porque atuariam, entre eles, Bernardo e Graça, e outros para ir falar com o professor, Luciana pulou do próprio lugar e correu para conversar com o sr. Mignola antes de todos.

_ Professor, eu preciso de nota, mas não posso atuar. Não tem nenhuma outra coisa que eu possa fazer para conseguir mais de dois pontos?

_ Olha, Luciana… Esse é o seu nome, não é? - ela afirmou com a cabeça ainda consternada - Eles podem ganhar mais nota porque precisam conhecer melhor a história que os figurinistas, por exemplo. Mesmo assim a nota alta não é garantida. O esforço é…

_ Eu entendo, mas o limite deles é maior. Posso dar o meu melhor, mas atuando eu não consigo. O senhor não pode pensar em nada que também envolva a história…

O sr. Mignola pôs a mão na boca, pensativo. As esperanças de Luci voltaram devagar.

_ Bom. Você pode tentar ajudar o Caio com o roteiro. Mas ele é uma pessoa um pouco… complicada de lidar. - a menina teve a impressão que o professor estava tentando usar um eufemismo - Não sei se você vai querer. Mas sua nota com certeza seria maior. - e abriu um sorriso sofrido - Só pelo talento de conseguir trabalhar com ele.

_ Eu quero. - Luci aceitou - Fico com o roteiro.

Depois a menina se arrependeria por ter sido tão impulsiva. Se soubesse quem era essa pessoa “complicada de lidar”, teria preferido o desafio de usar um vestido brega e gaguejar na frente do colégio todo.

28 de Março de 2020 às 20:20 0 Denunciar Insira 2
Leia o próximo capítulo Ato I. Cena II. No Pátio, Luciana e Hortênsia

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