sra_capitu Luzia Tôrres

Namjoon sabia que a relação alfa e ômega era prejudicial para seu futuro posto de líder, e sabia que ficar tão próximo daquele jeito da ômega Jung poderia lhe custar mais do que uma simples punição do Conselho Maior. Mas se comparasse a perda da sucessão a liderança e o atrito inevitável contra o território dela, com o cheiro e o gosto extasiante que aquela ômega tinha e lhe inebriava mesmo com tão pouco, Namjoon admitia facilmente que perdia qualquer sensibilidade e senso moral só para continuar tendo daquele sentimento tão bem correspondido. Se nem o confronto armado prestes a eclodir entre os territórios conseguiu abafar aquela conexão entre eles, não seria o detalhe de serem quem eram prejudicaria a concretização e constância daquele envolvimento.


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

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Capítulo I - Um invasor na vila do Sol

Nota:

Essa história está postada também no Social Spirit e no Inkspired

Espero que goste dela e a acompanhe! Saíra capítulos regulares toda semana até as três plataformas estarem iguais em postagem e então será de duas em duas semanas.

Passei três anos de my life desenvolvendo ela, sim, três! A amo, e espero que a amem também! Bjs bjs


[...]




O pé direito pisou silencioso no chão morno, o esquerdo nem se fala, os olhos e ouvidos aguçados estavam em prontidão, preparados para notar qualquer mudança de rumo do invasor mais próximo. Os sentidos da garota lhe traziam a certeza de que os inimigos estavam ali nos cantos da casa, porém, num corredor próximo ao que estava, ela sentia uma presença bem mais forte: um alfa puro. Seu corpo está em caça.

Se questionou, momentaneamente, quem seria o louco de invadir ali, logo ali: a casa principal da vila, onde estava ela, seu primo, seu pai e mais uma boa quantidade de guerreiros muito habilidosos com a jim-kum¹. Bufou. Estava numa sala ao lado do corredor onde o alfa encontrava-se, parecia procurar por algo, talvez procurava a presença bem contida que ela mesma tinha. E, antes de apresentar-se ao alfa, a garota se fez uma segunda questão: onde estava seu pai para atacar aqueles estranhos? Pois pelo que sabia, Kwam, seu pai, era sempre o primeiro a perceber um alguém estranho dentro da sua terra, imagine na sua casa de líder! Enganou-se tentando acreditar que sua sensibilidade estava melhor que a dele.

Parou de perguntar-se e apressou-se a agir. Se escorou numa das portas de correr, sabia que era ali que estava o inimigo. Num segundo respirou fundo, noutro segundo abriu rapidamente a porta de correr e parou atrás do primeiro inimigo que encontrou, ergueu a jim-kum em seu pescoço por trás e vociferou:

— Intrusos não são bem-vindos! — a voz saiu calma, mas era bem perceptível a raiva.

O alfa sentiu o frio metálico da jim-kum no seu pescoço, olhou para o brilho da arma e praguejou internamente. Fora pego, que vergonha. Entretanto, o susto que teve foi maior ainda quando de fato sentiu a ameaça na presença da sua flagrante e um cheiro adocicado lhe cercou, a pergunta em tom áspero não foi contida na garganta:

— Ômega? — perguntou incrédulo, ao mesmo tempo que raivoso. Era loucura que uma ômega estivesse o ameaçando, isso tornava até mais patético o fato de ser pego. Deveria ter sentido a presença dela a metros de distância, como não conseguiu? Apertou a mão no cabo da própria jim-kum, franziu o cenho esperando-a agir – ela não podia matá-lo mesmo.

O tom de incredulidade atingiu bem o ego da garota – quase como um soco na boca do estômago – e, ao perceber aquela voz hostil vinda em sua direção através da pergunta, tirou ligeiramente a arma que o rendia ao mesmo tempo que chutou com toda força que possuía as costas do alfa, teve prazer em assistir o corpo alheio cair ajoelhado no chão. Fez careta de nojo e ergueu o punho para nocauteá-lo, mas foi interrompida antes de fazê-lo.

— Zia! Pare! Ele é um diplomata. — Zia ouviu a voz de seu primo, Yoongi, ecoar pelo corredor quase que em desespero, deu um olhar de soslaio para o recém-chegado e voltou a encarar o homem ajoelhado no chão. Suspirou e saiu da posição de ataque que se encontrava.

O desconhecido havia tirado a própria jim-kum da bainha naquele meio tempo, agora ele lhe encarava com raiva. A Jung quis rir daquilo, mas em vez disso travou o maxilar e guardou a jim-kum que tinha, segurou os ombros do alfa a fim de o ajudar a levantar-se do chão. Foi notória a surpresa dela ao ser empurrada contra parede e ter a lâmina do alfa a milímetros de seu pescoço. Encarou-o, se perguntou se aquilo era sério mesmo.

— Tem sorte por ser ômega e filha do chefe da vila — disse áspero. De fato, ela era filha do alfa líder da vila e essa era uma coisa que a fazia receber um tratamento especial, mas ouvir aquela frase saindo naquele tom e com aquele sentido fez seu sangue ferver, seu cheiro se elevou, a ameaça era direta na sua presença e estava a ponto de matar aquele alfa! Por isso tinha ódio explícito no olhar, um impulso de começar uma briga com o outro quase lhe tomou.

Kim Namjoon, o alfa intruso, olhou de seus olhos para sua boca e logo para seu pescoço. Zia tinha uma expressão séria, era nitidamente menor que si, mas a arrogância era tão imensa quanto! Ele estava perto de uma época hormonal ruim para si próprio, talvez por isso a forma como era encarado estava lhe irritando, assim como o cheiro dela lhe perturbava também.

— Me largue, agora! — Empurrou o corpo do alfa próximo. Trocaram um olhar pouco antes dela se virar e seguir de volta para onde estava.

— Perdoe-a, Zia é diferente das ômegas comuns. — Yoongi se aproximou e quis, apenas quis, justificar a atitude da prima com uma desculpa incompleta, embora quase todos ali soubessem que Zia era quase um cavalo indomável, mas como o Kim não sabia, talvez aquilo colasse.

— Ela sabe quem sou eu? — Estava estressado, nenhum ômega tratava-o assim, aquilo, em sua vila, era o cúmulo! Nunca foi dada tanta ousadia assim a um ômega.

— Não, mas digamos que era previsto esse resultado, já que decidiu invadir a casa principal desse jeito. — Min Yoongi, um beta de muita inteligência, sabia que aquele clima ocorrido entre sua prima e o diplomata chegado era resultante de mais uma batalha perdida de Zia contra algum alfa soldado, coisa que não a dava direito de agir assim. Namjoon ouviu aquilo enquanto guardava a jim-kum na bainha. — Seus companheiros estão sendo trazidos pelos nossos guardas, me siga. — Não era preciso dizer duas vezes, o alfa apenas seguiu o beta.

Andaram até a porta da frente e a ultrapassaram, encontraram uma sala de estar e seguiram até um corredor extenso, no final dele passaram pela porta que dava acesso a uma escada, andaram por um corredor ornamentado com mesas e jarros – uma das mesas possuía retratos das antigas gerações das famílias de líderes e três poltronas. Encontraram-se com outra porta e então passaram-na. Mais um corredor, dessa vez atravessando no meio e pronto: finalmente se encontravam no escritório particular do líder da vila. Yoongi deu batidas na madeira e ouviram um “Entre”, o pálido abriu as portas e entrou acompanhado de Namjoon.

— Kim Namjoon, da vila Kim do leste. — Na sala estava Jung Kwam, o líder alfa da vila Jung.

— Sua entrada na vila foi despercebida? — perguntou o Jung, sem cumprimentos antes, apenas a questão que não se calava. Uma das coisas cujo Kwam se vangloriava, era a fama – muito verdadeira – de sua vila ter os melhores rastreadores e sensitivos da Coreia do Sul, o que de fato eles possuíam. Rastreadores, sensitivos e espadachins. Era compreensível as ofertas de casamento feitas pelos territórios vizinhos.

— Não. — Namjoon lembrou da recepção recebida. — Fui muito bem recebido pela sua filha, propriamente com um chute em minhas costas e uma jim-kum pressionada contra o meu pescoço — falou, o ego ferido latejando de dor.

Kwam se encontrava em pé e de costas para ambos os garotos e, quando virou para encará-los, Namjoon ficou perplexo ao ver no rosto do mais velho um sorriso orgulhoso. Acontece que Kwam, líder criado por dois soldados, entendia muito bem que sua filha é uma ômega, mas de jeito algum a criou como se fosse seguir o destino de uma. Prendada o escambau! Kwam teria dois guerreiros em casa! Por isso sempre equiparou seus dois filhos, Hoseok e Zia, como iguais na hora do treinamento, mesmo sabendo que Zia sempre seria uma ômega a vistas dos outros e não poderia assumir a vila como líder. Ainda assim, ele tinha a Hoseok, um alfa diplomata com sangue de guerreiro nas veias para guiar a vila quando saísse do posto. E Kwam sairia da posição de líder sabendo que seu filho poderia contar com sua filha – cuja é uma ótima combatente e seria o braço direito do futuro líder da vila sem empecilho.

— Ah, desculpe-me por Zia, minha filha é muito… espirituosa. — Essa era a palavra usada para descrever a filha, mas certas vezes ele a trocava por impulsiva.

— Sim, eu senti muito bem toda a espirituosidade dela nas minhas costas. — Era tão perceptível a irritação de Namjoon com aquela situação, era quase palpável o incômodo.

— Pois é. — Kwam via a irritação de Namjoon, mas não dava a mínima para ela. — Me diga, foi com muita força? — Aquela era uma maneira muito educada de ignorar o ego ferido do Kim e ainda debochar sobre.

— Força o bastante para eu pedir uma retratação. — O sorriso do alfa líder não foi contido e Namjoon se perguntou se, por acaso, aquele alfa estava rindo de sua cara. O Kim foi sério ao falar da retratação.

— Sim? Nossa, então ela está mesmo forte. — Yoongi segurou bem o sorriso quando o olhar do Jung líder caiu sobre si. — Você até poderia exigir uma retratação, caso isso existisse aqui na vila, como não existe… — O líder deu de ombros, sentou-se na poltrona por trás da mesa e apontou para a cadeira à frente dele. — Sente-se, Namjoon, deixemos de lado esse episódio, afinal, acho que temos coisas muito mais importantes a conversar, certo? — Ainda contrariado, Namjoon sentou-se. Evitar problemas era seu objetivo ali, então decidiu não estressar-se com a ômega. — Por favor, Yoongi, traga os companheiros do senhor Kim e chame Hoseok aqui junto a Zia, tudo bem? — O líder ergueu uma das sobrancelhas na direção do seu sobrinho e Yoongi sabia o que aquilo queria dizer.

— Sim, tio. Volto já.

Fez a reverência e saiu em busca de seus primos, no meio do caminho encontrou com dois guardas juntos com os companheiros de Namjoon, pediu que os levasse para o escritório. Seguiu para a área de lazer da grande casa, sabia que seus primos estariam lá jogando omok². Suspirou quando confirmou seu palpite.

— O tio Kwam está chamando por vocês — disse sério ao chegar perto dos primos. Yoongi encarou as peças postas no tabuleiro e notou que Hoseok estava a ponto de vencer, mas claro, o estado de espírito da sua prima era tão desfocado do jogo que ela não percebeu. — Na sala dele — reforçou quando não os viu se movimentar.

Hoseok estava concentrado no tabuleiro quando a sombra de Yoongi surgiu sobre ele, havia sentindo o beta há muito, e sentiu uma eletricidade de ocorridos anteriores lhe tomar quando o cheiro que Yoongi usava no banho tomou suas narinas. Sorriu, encarando o olhar do beta pálido.

Aquele sorriso lindo e apreciado por Yoongi surgiu em Hoseok para desmontá-lo, mas estava com tanta vergonha do que aconteceu no quarto do alfa, horas antes, que não expôs isso.

— Estamos indo, Yoonie — Hoseok fala se pondo de pé e aproximando seu corpo do primo. As características do moreno Jung sempre encantavam o pálido Min, mas não sorriu de volta para ele, não por não querer e sim por não poder. Olhou para Zia que encarava o tabuleiro sem pensamentos.

— Vejo vocês lá — Zia diz andando em disparada para o escritório. É claro que ela faria isso, nunca perderia a oportunidade de deixar seu irmão e primo sozinhos, fazia propositalmente para depois ver Yoongi com raiva e envergonhado, enquanto seu irmão ria descaradamente dele.

Hoseok sentia-se agraciado com a pequena coloração rósea nas bochechas do primo ao ser deixado ali, e olha que não havia nem o tocado.

— Descoloriu o cabelo novamente… ficou lindo — elogiou o primo, passando os dedos de leve nos fios dele. O sorriso ainda enfeitava o rosto do alfa.

— Obrigado. Vamos? — O pálido estava sério, percebeu a ponta de decepção no rosto do primo Jung, mas desviou o olhar para aquilo. Odiava ver aquele sorriso morto, embora as vezes ele mesmo o matasse. Depois da sua frieza, assistiu o primo andar em direção ao corredor externo para entrar novamente na casa. Seguiu-o pesaroso.

Chegaram no escritório pouco depois de Zia, entraram e encontraram Kwam conversando com Namjoon, os companheiros do recém-chegado estavam ao lado mais afastados, estavam ali apenas para acompanhar a conversa, era um beta e um alfa.

Hoseok entrou ficando ao lado da irmã. Yoongi se preparava para sair, mas parou ao ouvir:

— Yoongi, fique, você está incluído nessa conversa. — Era óbvia a expressão confusa e dividida de Yoongi perante o mando de Kwam, mas, mesmo estranhando, ficou.

— Sim. — Se postou ao lado da prima, essa última citada que não prestava atenção em ninguém ali. Ela havia chegado ali primeiro, entrou e logo de cara recebeu um olhar ruim de Namjoon, quis rir da expressão do alfa, mas conteve para não gerar intrigas. Agora estava mais preocupada em como vencer alfas soldados irritantes do seu pai em disputas de jim-kum.

— Bem, eu estava falando com o representante Kim Namjoon sobre algo que vem alarmando os territórios da província. — Deu uma pequena pausa e pensou bem no que falar. — E eu não contei antes para não alarmar vocês e causar um desequilíbrio; mas estamos sendo ameaçados por uma aldeia que surgiu há pouco tempo, uma aldeia fechada para o restante da Coreia do Sul — Kwam inicia e só assim chama atenção de Zia.

A dúvida em cada um era vista pelo franzir de cenho que formavam. Como assim uma ameaça? Como assim uma aldeia nova?

— Surgiu há pouco tempo? — Hoseok pergunta.

— Cerca de um ano apenas e já estão em grande expansão territorial. Conseguiram dominar a antiga aldeia chamada Sunia e agora estão tentando acoplar mais duas, pelo que tudo indica, vão conseguir — Namjoon responde sem se virar para ver Hoseok, na verdade, ele ainda estava atordoado com a coisa de Zia poder ouvir aquela conversa, porque ômegas não faziam parte da política de seus territórios.

— O que isso tem de ameaçador? — a única voz feminina naquele espaço questiona.

— Eles são compostos de famílias de linhagem beta, com genes alfas e ômegas, porém betas. Todos sabemos que os betas são sempre os mais indicados para fazerem negociações, atuarem com atendimento às outras distinções e ficam com cargos importantes no governo de um território — Kwam era quem respondia. — A natureza do alfa é da liderança e sempre julgam que um alfa lidera sempre melhor, mas temos exemplos bons na nossa província que isso não é verdade. Essa aldeia está se saindo bem sendo uma comunidade beta. — Kwam parou um pouco e olhou brevemente para Yoongi, logo retornando a fala. — Mas sabemos que uma sociedade totalmente de betas causa desequilíbrio e os deuses não gostarão disso. — Encarou seus filhos e sobrinho. — Entendemos isso melhor que ninguém.

— Cadê a ameaça? — Zia insistiu, ela não via a ameaça naquilo e por isso metia-se, dando motivo para Namjoon franzir o cenho irritado.

— A ameaça está em um estranho tomar a liderança de uma aldeia e logo depois tomar outras aldeias para si, criando nesse território um lugar de uma distinção só, justo os betas, que sempre foram menores em poder por conta dos alfas, sendo que são muito mais racionais, com genética mais forte e com bom equilíbrio e força para guerra. O que acha que essa aldeia quer além de se tornar uma vila? — A voz do Kim ecoou na sala. — A tomada da província! São todos betas em uma aldeia em crescimento, além que alfas e ômegas não são aceitos dentro dela. Estão criando praticamente uma seita! — E então virou-se para Zia, encontrando o olhar frio dela, que contrastava com o cheiro adocicado e uma leve feição mais delicada.

— Acham que eles estão tramando pôr a liderança dos betas em alta e tomar o poder de toda a província? — Hoseok perguntou, mas não deixou ninguém responder. — A própria Deusa Natureza nos fez superior em quesito de liderança, eles não podem contestar a Deusa assim, além de ser um ofensa à Deusa Equilíbrio e Deusa Vida.

— E se eu contar que eles não cultuam tais deuses? — A pergunta de Namjoon era informativa e encarando Hoseok ele não notou quando Zia fez cara feia – a ômega estava imaginando como Natureza devia estar com aquela afronta.

— Uma aldeia contra toda uma província? — Zia debochou. — Só se tivessem a ajuda dos próprios deuses ‘pra isso! — completou, achando aquilo uma besteira sem tamanho. Cruzou os braços e encarou aos que davam aquela notícia. — Digam, eles deram uma prova de ameaça de verdade? Ou tudo isso é uma suposição? — questiona. — Porque, sinceramente, me espanta uma aldeia minúscula, e provavelmente rejeitada pelas forças divinas, ser uma ameaça real para grandes potências como a nossa vila e a vila Kim do Leste. Estão falando de uma aldeia em crescimento e não de uma província que quer nos atacar. — Namjoon encarava aquela ômega com desdenho até então. — Ou os representantes estão muito entediados, ou vocês estão nos escondendo alguma coisa. Alguma coisa realmente ameaçadora. — Mas quando Zia concluiu o pensamento próprio, fez com que Namjoon lhe olhasse, não somente como uma ômega atrevida que lhe apontou uma arma, mas também como a ômega esperta que disseram, passageiramente, que ela era. De fato, queria saudar a audácia dela em questionar a notícia tão resumida que foi dada.

— Tem algo a mais? — Hoseok perguntou, se tinha realmente, ele queria e devia saber.

— Tem, mas não podemos afirmar nada, então não contaremos tudo. — Kwam disfarçou. — Chamei você, filho, para pedir que vá com Yoongi receber o filho do líder da vila Jeon nos portões sul, eles chegarão dentro de poucas horas, pode fazer isso?

Assim como Hoseok, Zia quis muito mostrar a irritação por seu pai apenas atiçar curiosidade e não falar nada a mais sobre aquela aldeia que apresentava ameaça, mas levando em consideração que saberiam daquilo mais cedo ou mais tarde, simplesmente aceitaram a mudança de assunto.

— Sim, pai — Hoseok respondeu e recebeu um “Pode ir” do pai e saiu acompanhado do primo. Yoongi teve que se controlar para não rir diante do olhar malicioso acompanhado por um sorriso e arqueada de sobrancelha que recebeu do primo.

— Por que fui chamada? — perguntou a ômega. A resposta de Kwam era simples: deixar sua filha informada do que estava acontecendo, e fazê-la pensar a respeito. Assim como foi o motivo de Hoseok, mas não podia apenas dizer que era esse, então…

— Sua maneira de recepcionar os nossos visitantes não é a mais correta, Zia. — Expirou, abaixando o olhar como se estivesse com tédio, embora que por dentro estivesse até que feliz pelo desempenho da filha. Os treinamentos foram feitos com bons fundamentos.

— Eu pensei que fosse um intruso, pai — explicou.

— Eu sei, mas chutar as costas de um filho de líder, Zia? — Assim que ouviu aquela frase e notou as sobrancelhas erguidas do pai, a garota percebeu o tom irônico do alfa e o leve divertimento na fala dele, deduziu logo que ele a mandaria pedir desculpas. — Em forma de desculpas — E estava certa. —, eu quero que mostre os aposentos do senhor Kim e leve-o para visitar parte da vila.

Kwam Virou o rosto para os guardas do Kim, não dando tempo a filha para contestar o que lhe foi ordenado e falou:

— Um dos meus guardas irá levá-los para uma pensão que solicitei, não posso deixar que fiquem na mansão por regulamento da casa, mas não se preocupem, a estadia é confortável e não cobraremos nada. — Voltou a encarar Zia e concluiu: — Vão!

Sem contestar, Zia saiu sem pressa da sala, ficou na porta esperando o senhor Kim fora do escritório, ali mesmo ela encontrou uma guarda e pediu para que fosse até seu pai. Logo ela seguiu caminho para os quartos com Namjoon em seu encalço. Saíram de dentro da casa andando pelo corredor externo da propriedade e todo o percurso seguiram calados – um percurso nada pequeno.

Observando o terreno daquele andar, Namjoon, curioso como si só, notou uma pequena propriedade dentro do muro dos Jung, identificou o espaço próprio para treinamentos, já que as portas estavam abertas e era possível ver alguns instrumentos de luta pendurados na parede. Dentro estava uma mulher de longos cabelos lisos lutando contra uma outra mulher, essa última sendo uma amazona. Namjoon parou bruscamente quando a viu. Era uma ômega lutando contra uma amazona!

— O que houve? — Zia questionou ao ver o olhar pasmo do alfa, olhou na direção que Namjoon prendia a vista e sorriu de lado. — Vamos, senhor Kim!

A voz de Zia chamou a atenção da amazona batalhando contra a ômega, o olhar da guerreira bateu em Zia e depois no alfa e, sem dizer nada à sua oponente, se afastou e fechou com agressividade a porta do local. O som da batida foi um claro mando para saírem dali. Zia negou e segurou o braço do alfa o puxando minimamente. Namjoon estava petrificado.

— Amazonas não gostam de ser observadas às espreitas, senhor Kim. — Ele encarou as costas de Zia, esperava uma explicação pelo que tinha visto.

— É uma amazona! — Acompanhou o passo da Jung. — É uma filha de Equilíbrio — completou.

Se encontrava num choque espantoso, nunca havia visto uma amazona, apenas em pinturas. O rosto de mulheres assim possuíam uma marca distinta, era uma característica própria delas; seis pontos vermelhos, três de cada lado do nariz. A amazona que viu possuía uma pele mais bronzeada, os cabelos estavam presos e ela vestia uma roupa verde-musgo, cor característica das amazonas.

— Abençoada por Equilíbrio — corrigiu a fala dele.

— Vocês possuem uma amazona? — Zia debochou num riso, estava achando graça da reação dele.

— Amazonas não são objetos para serem possuídas, senhor Kim. — A fala saia mansa e delicada. — Elas são espíritos livres e guerreiros, possuem a vitalidade de Equilíbrio correndo em sua alma. — Sorriu sonhadora, quase podia sentir a inveja correr em suas veias. — É mais do que um simples e qualquer gene de alfa. — Olhou rápida e sugestiva para o Kim.

— Por que ela está aqui? E quem era aquela ômega que batalhava contra ela? — Curioso, essa foi a definição que a ômega deu a Namjoon. Sorriu sem querer.

— Costuma contar coisas da sua vila a todo visitante, senhor Kim? — a pergunta foi certeira, Zia não contaria o que ele queria saber. — A ômega se chama Neia, ela é minha mãe. — Namjoon arregalou os olhos e fez menção de perguntar mais algo, mas foi cortado pela mão que Zia levantou. — Sem mais questões, por favor. — Sorriu para ele, e, talvez, aquela curtíssima conversa tenha destruído o estresse anterior entre eles.

Amazonas são mulheres guerreiras de força única, ultrapassam a força dos racionais independentemente de serem betas, ômegas ou alfas. A distinção realmente não importa. As amazonas possuem bravura, força e um espírito livre, muitos as chamam de filhas de Equilíbrio por serem tão amadas pela deusa, mas, na verdade, elas são mulheres abençoadas por Equilíbrio. Vivem isoladas do mundo, moram numa ilha chamada Tako, não aceitam estranhos em sua terra dada pela deusa protetora delas, e se alguém sem permissão for até lá, terá que sair por bem ou mal.

Elas não necessitam de parceiros amorosos para a vida, mas precisam procriar. Por se considerarem irmãs demais, as alfas e ômegas, durante a época do cio, vão até a província de preferência e procuram alguém para passarem o cio e engravidarem, quando dessa gravidez nasce uma mulher, essa criança é levada para a ilha junto a mãe, quando nasce homem, fica com o outro progenitor dele e a amazona volta para sua terra, deixando o filho. Betas podem procriar a qualquer momento da vida, não precisam esperar por um cio, mas o sistema de ficar com o bebê é igual. Além que, depois da primeira filha mulher vir, não é obrigatório procriar mais uma vez.

As amazonas são admiradas, invejadas e odiadas, mas, acima de tudo, respeitadas. Elas são a marca de uma época em que o sexismo desfavoreceu as mulheres. São orgulhos para a história. Mas todos sabem que ser uma amazona é um mar de rosas cheio de espinhos. A famosa faca de dois gomos.

Por isso tudo que era o espanto de Namjoon quando reconheceu a mulher pelas marcas no rosto. Pensou que talvez ela estivesse ali por estar no período fértil, mas descartou essa ideia quando lembrou que ela estava lutando. Ele queria saber, pena que Zia não parecia nada favorável com sua curiosidade.

Calaram-se pelo restante do caminho, Namjoon se prendeu na arquitetura da casa. A casa principal Jung não era parecida com a casa Kim, era mais antiga e tradicional, mas, ainda assim, uma casa linda. Chegaram num corredor em frente a uma escada, ali se encontrava duas arrumadeiras limpando o chão com vassouras, ambas se curvaram para os dois presentes, Zia fez apenas um assentimento com a cabeça. Quando subiram os degraus, chegaram a um corredor de quartos, ali haviam oito quartos, entre dois deles um corredor amplo, ele dava acesso para uma pequena sala, onde estava um outro corredor com uma escada, que dava para os quartos da família Jung.

— Esse será seu quarto. — Apontou para a porta do ambiente abrindo-o e entrando nele. Tinha uma cama de casal no meio dele, um grande guarda-roupa, uma cômoda com um jarro de água sobre e um espelho, uma persiana estava em direção quase oposta à cama. — A sua mala está aqui. — Apontou para o lado dela. — Ali ao lado do terceiro quarto a frente é uma saída para uma escada, ela dá diretamente para a área de jantar. Espero que tenha uma boa estadia e seja bem-vindo, senhor Kim. — Virou-se para sair, mas teve seu braço segurado, encarou o alfa e, por pouquíssimos segundos, perdeu-se no olhar de águia que ele possuía.

— Poderia me dizer onde fica a biblioteca e os cômodos que posso transitar? — Zia retirou o braço devagar do aperto do alfa e concordou com a cabeça. Ela não apresentaria a cidade como o pai pedira, e o líder Kwam teria que entender seus motivos.

Apresentou todos os cômodos, a biblioteca, as salas de estar e a de jantar, santuário, local de treinamento de luta, banheiros da mansão, cozinha e o lago ao lado da área de lazer, apenas não mostrou onde ficam os quartos da família, pois lá ele não precisaria entrar.

— Bem, voltamos a biblioteca — a ômega falou entrando naquele espaço com cheiro de pergaminhos. Namjoon deu uma breve olhada na estante com pergaminhos sobre os Deuses. Era apaixonado pelos pergaminhos da deusa Vida.

— É uma casa linda, quem é o arquiteto? É da aldeia mesmo? — perguntou enquanto ia até fora da biblioteca e observava o terreno ao redor. A janela que se escorou dava de frente à área de lazer.

— Sim. — Zia engoliu em seco, acompanhou o alfa e observou dali o muro coberto por trepadeiras.

— Ele fez mais planos assim?

— Não — respondeu ríspida.

— Por quê? — Aquele assunto mexia com Zia e responder naturalmente sobre aquilo era praticamente impossível.

— Porque ele morreu — falou simplista, encarou os olhos do alfa e prosseguiu. — Perdão por deixá-lo assim e não poder lhe mostrar a vila, mas agora tenho um compromisso deveras importante a seguir. — Curvou-se e logo ergueu-se. — E perdão pela forma desajeitada que o recepcionei mais cedo, Kim do Leste. — Tentou virar-se.

— Namjoon. — Recebeu um olhar confuso de Zia. — Me chame de Namjoon.

Depois de entender, Zia assente uma vez e vira-se para sair. Namjoon esperou que Zia estivesse longe o suficiente para respirar fundo, aspirou o aroma que ela deixou na sala, inibiu totalmente seu próprio cheiro e sua presença apenas para prolongar a dela ali. Era boa. Depois do estresse de mais cedo passado, Namjoon deixou-se afirmar que Zia tinha um cheiro bom, uma presença gostosa e era uma ômega interessante.

[…]

Zia avistou o pai no corredor principal, antes que avisasse que sairia, ouviu seu pai pedir:

— Filha, não vai mostrar o centro da aldeia para o líder Kim? — A pergunta era realmente necessária? Kwam não havia notado o clima de ego ferido que Namjoon exalava? Ou melhor, ele não lembrava do compromisso que Zia tinha?

— Tenho um compromisso, papai, esqueceu? — lembrou-lhe.

— Ah, é mesmo. É preciso mostrar a aldeia para o senhor Kim, mas eu tenho um assunto a tratar com a aldeia Kim do Oeste — explicou pondo as mechas dos cabelos da filha para trás das orelhas.

— Acabou de receber visita e viajará para fora? Isso não é cortês, papai — falou sem grosseria.

— Não, um homem veio para vila e trouxe-me um recado do líder, ele precisa me entregar e obter uma resposta. Vou pedir ao Yoongi quando ele chegar, deixarei um recado. — Assoprou. Zia não tinha mais nada a fazer, por isso:

— Certo, até mais, papai. — Sorriu recebendo um beijo do pai na testa.

Saiu de casa, pegou um cavalo acinzentado do lado de fora e disparou para longe. Estaria indo ao centro da vila, mas não podia fazer uma apresentação dos lugares para o alfa chegado naquele horário. Parou em uma barraca e comprou palitos de peixe para agradar a quem visitava. As ruas aquele dia estavam mais neutras.

Chegou ao centro de reabilitação psicológica rapidamente, estava levando consigo o pagamento do mês e comida, assim que entrou foi logo reconhecida. As recepcionistas lhe cumprimentaram e avisaram que a entrada dela já estava permitida, não por ser filha do líder e sim por ser amiga do paciente cujo foi visitar. Pagou a mensalidade e fez a doação, indo então para seu real destino. Andou entre os corredores sem ser preciso procurar para encontrar o quarto com a placa indicativa de Park Jimin, bateu à porta e falou de prontidão:

— Yah, dongsaeng³, sou eu, a Zia noona⁴. — Se fosse comparada a forma que Zia se comportava diante de estranhos com seus amigos e familiares, a ômega poderia ser considerada duas caras, mas, na verdade, era apenas a forma certa de comportamento dela; era amável com aqueles que realmente era próxima, não gostava de simpatia exagerada com outros só porque possuíam posição.

— Entre. — O menino se levantou da cadeira que estava e observou a noona entrar com uma sacola de cheiro conhecido na mão. — Já falei, noona, não precisa perguntar, você pode entrar sempre. — Sorriu fechando a porta. Assistiu Zia sentar-se na sua cama, ainda sorrindo foi para a cadeira em frente à janela e sentou-se.

— Está bem, está bem, mas olha o que eu trouxe: palitos de peixe! — falou feliz. Se aproximou do dongsaeng minimamente com os aperitivos, ele sorria com aquilo que tinha em mãos, sempre amou palitos de peixe.

— Noona, quando acha que vou poder sair daqui? — A pergunta pegou Zia desprevenida, ela não esperava que Jimin um dia tivesse interesse próprio em sair da clínica e voltar a conviver com os outros. Mas não demonstrou a surpresa e apenas respondeu:

— Quando você quiser, esqueceu que a única coisa que falta no seu tratamento é lidar com as pessoas lá fora? Principalmente… — Foi interrompida.

— Os alfas… — completou depois de engolir. — Eu sei. — Encarou-a. — Estou pronto, digo, não totalmente pronto, mas quero sair daqui, quero ver a ahjumma⁵ Neia, morar com você, eu estou pronto para andar pela vila, noona, você me leva daqui? — Foi um silêncio minúsculo até Zia acordar do êxtase de felicidade.

— É claro! Eu esperei muito por esse dia, e quero te mostrar tudo na vila! Você passou dois anos aqui dentro, merece ar livre, e vai morar comigo sim! — falava feliz, finalmente vendo o salto de progresso do seu dongsaeng.

[…]

— Onde está sua irmã, Hoseok? — A voz de Kwam estava um pouco assustada, não queria que Zia saísse até conversar com ela.

Kwam acabara de voltar de um café da manhã tenso, visto que seu compromisso do dia anterior não pôde acorrer, ele mesmo voltou para recepcionar o líder Jeon e mostrar tanto ao líder Kim quanto ao Jeon toda a vila – foi algo engraçado ver como eles se impressionaram com o tamanho do território, quase formando uma cidade.

— Resolvendo coisas sobre a vinda do garoto Jimin para cá, por que, papai? — Na mão de Hoseok estava uma jim-kum, equilibrava o peso dela orgulhosamente, mal esperava para quando pudesse cortar o ar a usando e lutar contra seu primo de novo.

— Assim que ela chegar, mande-a para meu escritório. — Hoseok assentiu. — E os líderes recém-chegados? — pergunta do Kim e do Jeon.

— Bem, parece que o líder Kim já conhece o líder Jeon, e por isso os dois estão treinando luta juntos. Eu estou esperando Yoongi para nos juntarmos a eles. — Hoseok então mexeu a jim-kum na mão, cortou o ar e respirou fundo.

— Está bem. — Olhou para um ponto atrás do filho e disse: — Aí vem ela. — Hoseok encarou a entrada da sala e sorriu. Não vinha apenas Zia, mas Yoongi também. Ambos se encontraram na entrada da mansão e resolveram chegar juntos à sala. Na verdade, Yoongi estava temeroso por ter de lutar com Hoseok e mais dois alfas presentes, pois sempre que lutavam, Hoseok dava um jeito de se machucar propositalmente e obrigar o beta a lhe ajudar, aquilo sempre acabava num Yoongi corado e ofegante, assim como um Hoseok convencido, relaxado e feliz. Feliz demais! — Filha, deixe isso no quarto e venha até meu escritório — mandou dando as costas e indo logo para onde dissera.

— Sim, papai — respondeu desconfiada, olhou para Hoseok perguntando o motivo do jeito estranho do pai, mas recebeu apenas um dar de ombros.

— O que tem o tio? — Yoongi questionou a seu primo.

— Eu não sei, sério — disse observando Kwam sumir pelos corredores. — Vamos? Prometo não me machucar propositalmente. — Sorriu ladino.

— Acho bom mesmo! — Fez um careta em reprovação acompanhando Hoseok até o local de treinamento.

Enquanto isso, Zia seguiu para seu quarto, deixou as compras feitas para o quarto do novo hóspede sobre a cama e então partiu apressada para o escritório, bateu à porta e recebeu a permissão para entrar. Assim que viu o pai, sentiu que algo estava errado. Ela notou a tensão dele, notou também a expressão, só lembrara de vê-lo daquele jeito uma vez, foi quando ele recebeu a primeira proposta de aliança de vilas através de casamento, mas a noiva sendo ela.

— Recebi uma proposta de aliança. — E a saga continua. — Mas dessa vez eu não posso simplesmente recusar, pelo bem-estar do povo da vila, precisamos conversar sobre essa aliança. — Ou talvez não.

[…]

Yoongi e Hoseok estavam lutando, as jim-kum se batiam e tilintavam alto. Jungkook, o filho de líder recém-chegado, e Namjoon assistiam sentados no chão, ambos observando a luta a frente. Eles estavam cansados, tinham acabado de terminar um luta árdua encerrada apenas pela imobilização do Jeon sobre o alfa Kim. Ali, assistindo Yoongi lutar, tiveram certeza que aquele era um dos melhores espadachins que já tinham visto.

— Yoongi é muito bom, rápido, certeiro, deve ter treinado muito — Jungkook comentou observando os gestos do pálido.

— Acho que também é dom, ele parece mesmo se dar bem com espadas. — Olhou para o amigo ao seu lado. — E outra, estamos na vila Jung, aqui o que não falta é rastreador e espadachim — falou. Quando voltasse a sua vila faria com que os treinamentos fossem mais pesados, não queria perder força para nenhuma vila, aliada ou não.

Ouviram o tilintar alto e Hoseok estava preso, parcialmente imobilizado por Yoongi. Os outros dois alfas perceberam que uma conversa foi estendida por eles, mas não prestaram atenção nela.

Hoseok usou a tática que quase sempre dava certo – mas apenas com Yoongi –, deixou sua presença cercar o beta, tentando enganar o mesmo e fazê-lo perder o foco, mas tudo que Yoongi fez foi negar para a ação apelativa do rapaz e por pena deixou as coisas mais fáceis para ele, afrouxou o aperto em seus braços e, sem esperar por exatamente aquilo, foi jogado de cima do mais novo. Aquilo era trapaça! Yoongi se colocou de pé e atacou Hoseok, novamente o aço cortante zoava aquele som conhecido. Travaram mais golpes e então Hoseok foi imobilizado novamente, dessa vez totalmente.

— ‘Tá ficando ruim, priminho — disse baixo ao sair de cima de Hoseok e puxou-o para ficar de pé. Sorrindo, Yoongi aproveitou a expressão chateada do primo.

— Você… — Hoseok não se machucou e ainda perdeu a luta, é, aquele dia não era o seu.

A porta foi aberta com calma, todos olharam para quem estava entrando. Zia apareceu na entrada e olhou brevemente para todos, se virou e fechou a porta. Estava tentando controlar seu cheiro e presença já exaltados por conta da conversa turbulenta que tivera com o pai. Respirou fundo e fechou os olhos, tentou relaxar, mas se inquietou mais ainda sabendo que estava sendo observada pelos três alfas e o beta, afinal, ela estava agindo estranho.

Se virou e andou até a mesa de armas, haviam apenas duas jim-kum naquela sala, e ela, Jung Zia, jamais, sobre a face da Terra, treinaria com sua linda e especial jim-kum. Olhou para trás vendo Hoseok e Yoongi lhe encarando, os outros dois alfas apenas estavam conversando entre si, pararam apenas quando ouviram a voz dela soar firme pelo local.

— Orabeoni6, quero lutar com o Yoongi — disse deixando a adaga que pegara sobre a mesa e se voltando de vez para Hoseok. — Me dê a jim-kum. — Hoseok sorriu de lado, jogou a jim-kum para o alto e esperou ela descer, segurou na lâmina dela apontado o cabo para a irmã.

— Claro, princesa. — Zia rolou os olhos e negou com a cabeça. Seu irmão sabia ser bem irritante quando queria usando apenas uma palavra.

A ômega andou até os dois em pé e pegou a arma, respirou fundo e assistiu Yoongi se colocar em posição. Imitou o primo e respirou fundo novamente. Não houve sequer tempo para Hoseok se sentar e assistir, antes mesmo de se virar ele ouviu o tilintar das lâminas e se virou bruscamente. Zia iniciara os golpes com sede. Pulou, jogou, bateu, atacou, se defendeu, assim como aprendera com seus dois professores, Yoongi e Sang, falecido irmão de Yoongi.

Os argumentos de Kwam batiam na mente de Zia durante o duelo.

O pálido entendeu assim que Zia entrou no recinto que algo ruim havia acontecido ou estava para acontecer, algo que mexeu com ela – embora muita coisa mexesse com ela –, talvez fosse somente uma notícia ruim. Bem, ao menos aquela vontade de lutar de Zia estava lhe servindo também, a um tempo ele não treinava tão forte assim; desviando dos ataques de Zia e atacando também. Ela sabia manejar a espada, não tanto quanto si próprio, mas sabia bem manejar.

— Se foque na luta! — mandou ele, quando derrubou a ômega no chão.

Nossa vila está sem famílias betas. Tínhamos resolvido esse problema anos atrás, antes mesmo de você nascer, quando seu tio se casou com a líder da aldeia Min. Uma beta — relembrou a sua filha daquela história. — Mas você sabe, depois daquela grande febre infecciosa no local onde a vila Min era, grande parte de nossos betas morreram, e depois daquela desavença com a aldeia Park, mais betas vieram a falecer com a tentativa de apaziguamento. Agora nós temos poucas famílias betas para uma vila desse tamanho! — Zia tinha ciência de tudo aquilo. — Através desse casamento, nós ficaríamos de bem com a Deusa Natureza e Deusa Equilíbrio quando famílias betas Kim viessem de sua terra para cá, e ainda ganharíamos mais força perante as outras vilas e aldeias, fazendo troca de tradições e tudo mais. — Seu pai tinha argumentos.

Aquilo acendeu os sentidos dela, ela se levantou disposta a fazer Yoongi perder aquela luta, não era impossível, mesmo sendo difícil já que o grau de luta dele era bem maior que o dela. Yoongi estava chegando ao nível de Kwam, de um líder alfa. Rodou a perna tentando derrubar Yoongi, mas não conseguiu, voltou a encarar ele com a jim-kum e os golpes barulhentos começaram a aparecer de novo e sem parar.

Namjoon e Jungkook observavam aquilo impressionados com a ômega, mesmo que Yoongi mantivesse sua pose superior e não estive mesmo com problemas, Zia estava se saindo melhor do que eles esperavam. Hoseok, por outro lado, estava querendo que aquilo acabasse logo para então falar com sua irmã e saber o que a deixou nervosa, ele conhecia bem aquela fedelha para entender certos sinais dela.

— Ahrg! — a voz raivosa de Zia exclamou quando tentou derrubar Yoongi pela segunda vez e não conseguiu. Agora, com mais raiva ainda, decidiu tirar a arma de sua mão, mesmo que demorasse.

Você tem a escolha entre aceitar ou não, mas do jeito que as coisas vão, filha… pense em seu povo, pense nas famílias da vila. Natureza apenas não jogou sua fúria sobre nós ainda por sua causa, mas os rios já começaram a baixar, o calor começou a apertar, as plantações estão entrando em declínio e eu tenho medo que a seca fique mais forte, justo em nossa terra, uma terra tão abençoada pela deusa. — E seu pai sabia usá-los muito bem, tanto que a expressão pensativa e dolorosa de Zia já se erguia.

Golpeou o lado direito das costelas de Yoongi, mas foi defendido, atacou do outro lado, também sendo defendido, segurou o cabo da jim-kum e atacou por cima, o som das lâminas batendo uma contra a outra mostrou que o ataque não teve seu objetivo.

Equilíbrio pode até não fazer nada agora, mas quando a situação se tornar mais grave, quando nossos anciãos betas morrerem, ela vai pisar em nossa vila como pisou anos atrás. — Aquele medo assolava o líder. — Pense, mas pense com cuidado! O destino do seu povo depende muito dessa aliança e você sabe que não há outro jeito a não ser por casamento entre as famílias líderes. — Kwam era realmente um grande líder, pensava em tudo, agia com tudo, e conseguia deixar tudo ao seu favor.

Atacou então o meio do corpo de Yoongi, mas a arma dele impediu de chegar perto, giraram as lâminas em conjunto, Zia juntou toda sua força e arrancou a jim-kum da mão do primo, logo jogou a sua própria espada, impulsionou o próprio corpo e chutou a barriga do outro, só se tocou do ato quando viu o Min jogado no chão apertando o tórax. Ela tinha pego pesado.

— Yoongi! — Hoseok chamou tentando conter sua raiva pela ação grotesca e brutal da irmã. Correu até o primo caído e lhe ajudou a se por de pé. Zia, por sua vez, estava chocada consigo mesma para dizer alguma coisa. — Você exagerou — Hoseok tentou não soar zangado, apenas para os outros na sala não notarem que por dentro ele queria estapear sua irmã por aquilo. Não que tivesse o habito de bater na sua caçula, mas qualquer que tenha sido o motivo dela estar estressada não lhe dava o direito de deixar Yoongi sem ar e, com certeza, com uma dolorida marca em sua barriga.

A respiração de Zia estava falha, ela sentiu-se mais pressionada ainda ao ver a expressão de dor do primo e ver também seu irmão de cenho franzido.

— Yoongi… Yoon… — chamou ganhando o olhar semicerrado do pálido. — Desculpa, eu me descontrolei… — Yoongi negou com a cabeça, encarou a prima e chamou-a para fora.

— Continuem sem nós. — Os visitantes, especificamente Namjoon, notou o cheiro e a presença da ômega se exaltarem, assim como Yoongi, ele notou que algo estava diferente na menina.

Zia partiu na frente, Yoongi afirmou que estava bem para Hoseok e saiu logo atrás da ômega. Foram para onde está o pequeno lago artificial da casa, Zia suspirou e se virou para Yoongi, fez uma expressão de culpa e o pálido apenas negou com a cabeça novamente. Táticas Jung!

— O que houve? — foi direto. Estavam separados e agora se olhavam. Os olhos de Zia não diziam muita coisa, muito menos a expressão.

— Ele quer que eu me case. Ele me deu um tempo para pensar. — Desviou o olhar brevemente.

— Vai dizer não, não é? — Perguntou para confirmar.

Zia encarou Yoongi com um olhar desconhecido pelo jovem e, pela primeira vez em dois anos, viu sua prima triste e séria demais.






[...]


Jim-kum¹ – espada tradicionalmente coreano, parece-se muito com a katana (japonesa), mas diferenças de peso, tamanho e afilada da lâmina fazem o diferencial.

Omok² – um jogo de tabuleiro tradicional do país.

Dongsaeng³ – honorífico (termo) usado de pessoas (independente de ser homem ou mulher) para com pessoas mais novas.

Noona⁴ – honorífico usado de homens para mulheres mais velhas que ele.

Ahjumma⁵ – honorífico usado de homens para mulheres bem mais velhas que ele (a cima de 35-40 anos).

Orabeoni⁶ – honorífico usado de mulheres para homens mais velhos. É o nível formal de "oppa". Também é usado entre irmãos, portanto que seja da menina para o menino.

Então foi isso, primeiro capítulo aí. Como deu para notar, não se passa numa realidade moderna, vamos chamar de tempo médio desse universo, okay? Pois aqui eu não sigo à risca o que foi o tempo médio nem na Ásia e muito menos no Ocidente.

Vocês gostaram? Será que eu mereço um review básico? Kkkaak

Comenta se você gostou! E favorita, vem de fantasma não amor!

Bjs, até o próximo!

28 de Março de 2020 às 03:34 0 Denunciar Insira 0
Leia o próximo capítulo Capítulo II - O irritadiço cativa o sereno

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