kathcsilva Catarina

E se os 7 pecados mortais não fossem apenas pecados? E se Inveja, Luxúria, Ira, Preguiça, Gula, Avareza e Orgulho tivessem uma alma? E se os Príncipes do Inferno vivessem entre nós, escondidos em corpos humanos? Ele foi criado na escuridão, a sua alma foi forjada nos confins do inferno, ele é maldade, é frieza, é morte, é pecado. Mas quem diz que os demónios não podem sentir? Ele acreditava que não podia sentir até conhecer a alma manchada de Ália. Ela não é uma santa, não é um anjo, é uma humana e como todos eles, não é perfeita. Muito, muito longe de ser perfeita, Ália esconde um segredo, e a sua consequência foi ser atirada para a boca dos lobos. 7 lobos para ser exata. Bem-vindo a Príncipes do Inferno. Tenha cuidado e, mais importante, Guarde a sua alma a sete chaves.


Suspense/Mistério Para maiores de 18 apenas.

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Prólogo (1° parte)

Anos antes...

O vapor passava pelos seus dedos gelados na tentativa de os aquecer, sem sucesso. O seu corpo tremia, a única coisa que podia fazer era encolher-se cada vez mais dentro do saco de dormir, na esperança da formação de algum calor.

Ele ouvia o vento uivar lá fora e sentia-o na pele filtrado pelos tecidos da tenda barata. A chuva caía numa imensidão anormal, era como se os próprios céus o tentassem castigar. A cada minuto ele se arrependia mais de ter fugido, teria que conviver com o seu pai abusivo, mas pelo menos estava debaixo de um teto.

Algo, ou alguém, dentro dele, dizia para não desistir. Que isto era apenas o primeiro passo, fugir do mal para procurar o bem. E passar por estas coisas era um começo, eram os deuses testando a sua força.

Ele tinha que aprender a amanhar-se sozinho, já não tinha ninguém. Essa foi a sua decisão e é essa decisão que ele tinha que seguir como o homem que era.

Passou a mão pelos cabelos castanhos e tirou-os da testa, respirou fundo e fechou os olhos se concentrando em tudo que não fosse o temporal lá fora.

Foi aí que ele ouviu o barulho.

Rapidamente se sentou no colchão fino, olhou para todos os lados, mas não conseguia ver sombras à sua volta.

"Que animal seria estúpido o suficiente para sair e correr com esta tempestade?" Pensou. Mas o seu subconsciente respondeu prontamente: "Que fazes tu aqui então? Podias estar na tua cama, seco e quente. No entanto está aqui."

Ele acenou com a cabeça mesmo estando sozinho. O som parecia aproximar-se, o animal deve ter ouvido o seu movimento. O que podia ser? Um urso? Um lobo? Ele não era forte o suficiente para lutar contra nenhum deles. Abraçou-se aos joelhos e limitou-se a ouvir a proximidade se tornar mínima. Sentiu-se inútil, assustado, até chegar a um desespero horrível, era torturante.

Depois o ouviu: Um riso, um riso que o abalou até a espinha. Aquele som agarrou-se à sua pele, aos seus ossos, até a sua alma. Ele entrou em pânico, naquele momento soube que não se tratava de um animal feroz. De alguma maneira ele sentiu que um monstro com dentes e garras afiadas não se igualaria ao que estava do outro lado da tenda. As gargalhadas maléficas estavam cada vez mais perto, tornaram-se graves e por um momento pareciam múltiplas mesmo sabendo no seu ser que havia apenas uma criatura que o circundava.

Sim, criatura. Mesmo que não o veja, ele sabia que ele não pertencia a este mundo, porque cada fibra do seu corpo lhe dizia.

Ele sabe que a cada passo a vida lhe escapava um pouco mais. De repente viu a sua vida passar pelos olhos verdes cobertos de lágrimas. O sorriso da sua mãe e o cheiro dos seus cozinhados, o seu pai, aquele que o devia proteger, fervendo de raiva contra ele, culpando-o por nascer, humilhando-o pelos seus fracassos na escola. A sua mãe deitada na cama do hospital durante meses, a sua despedida, o funeral que lhe segue. A realização de que aquele homem barbudo e fedorento é o único laço de sangue que ele tem, as brigas, a violência, os anos de angústia e baixa auto-estima, as relações amorosas falhadas por falta de afeto ou por simplesmente falta de percebas de como tratar mulheres. O tempo todo passado olhando para o vazio se perguntando sobre a vida, a sorte e o azar de cada um, o destino... tudo isso parecia tão pequeno e... inútil.

O destino trouxe-o aqui, de sofrimento começa para de sofrimento acabar.

Ele respirou fundo, preparado para aceitar o caminho que Deus lhe deu, quando o fecho da tenda deslizou, a abrindo. O seu corpo ainda tremia, e não parava. O coração queria sair-lhe pelo peito assim como a comida, que de certeza que se tivesse algo no estômago já teria evacuado. Mesmo com o ambiente gelado o suor escorria-lhe pelo cabelo até ao pescoço.

Um suspiro escapou pela sua boca quando o viu. O homem de olhos totalmente pretos encarava-o com curiosidade, esperando uma luta ou algum tipo de reação. Tinha um sorriso no rosto, um sorriso sombrio que lhe cobriu a pele de arrepios.

Ele era o mau em pessoa, era um demónio, era uma criatura que o queria levar para as profundezas do inferno. E com a sua voz demoníaca marcou as suas palavras no coração do garoto:

— Oh meu diamante.... Finalmente te encontrei.

Ele viu uma espécie de fumo preto sair pela sua boca, esse fumo espesso obrigou a boca do jovem a abrir, forçando-o a permitir a sua entrada. Ele sentiu o seu corpo ceder, sentiu como se o rasgasse por dentro. Ele tentou lutar, mas era tarde de mais, a sua influência estava dentro dele, tomando conta de si, possuindo cada parte do seu ser, o silenciado em seguida, pressionando-o para um fundo trancado com todo os aloquetes do mundo sem possibilidade de escapatória.

Ele deixou-se tomar, com a última imagem do corpo do homem que sorria para ele há uns segundos caído aos seus pés, com olhos vazios e cada orifício coberto de sangue.

28 de Março de 2020 às 01:49 0 Denunciar Insira 2
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