mauriciojcp Maurício Pereira

Após ver o homem que matou sua família escapar impune, o policial Robert Hilliard decide buscar meios que lhe possibilitem fazer justiça com suas próprias mãos. Mesmo que para isso ele tenha que reviver um antigo caso que ajudou a encerrar, e tomar uma decisão que pode mudar para sempre sua vida. O que você estaria disposto a fazer para combater uma injustiça?


Suspense/Mistério Todo o público.

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INJUSTIÇA

Ele apaga seu quarto cigarro e já se prepara para acender outro. São muitos os pensamentos que passam na cabeça do Sargento da Polícia de Port Stealis, Robert Hilliard. Sentado em sua poltrona ele espera o sol nascer, hoje ele terá uma árdua missão. Acompanhar o julgamento do homem que matou sua família.

Ele olha para a janela da sala, a cortina está entreaberta. Ele avista aquele grande e bonito céu laranja e pensa que em seus dezenove anos de carreira ele nunca acompanhou um caso tão difícil como este. Ficar cara a cara com o homem que matou sua mulher Virginia, e sua filha, Mary. Ela levava sua filha ao encontro do pai que estava prestes a sair do trabalho, porém sua visita surpresa foi interrompida por Brandon Sheffield. O jovem que vinha em alta velocidade, acabou perdendo controle e atropelando as duas que morreram no local do acidente.

Algumas testemunhas que chegaram próximo ao carro de Brandon, antes dele sair em alta velocidade e abandonar suas vítimas, notaram que havia garrafas de bebidas alcoólicas pelo chão do carro. Mas o que torna tudo mais difícil para Robert, é que Brandon é filho do poderoso Walter Sheffield. Um grande barão do crime de Port Stealis.

Ele olha para o relógio que está em seu pulso e percebe que já são 7h. Seus olhos cansados demonstram noites mal dormidas. Ele então levanta de sua poltrona, veste seu casaco preto, pega as chaves do seu Pontiac Judge, da década de 70. Um carro do qual tem muito orgulho de ainda possuir. É uma herança deixada pelo seu falecido pai que tinha o pintado de preto fosco, e que Robert ainda o manteve como no último dia que seu pai o dirigiu. Ele entra em seu carro e deixa o bairro de North St. Stealis, rumo ao Tribunal de Justiça que fica no centro da cidade.

Ao parar em um sinal próximo ao Tribunal de Justiça ele ajeita o banco de passageiros de seu carro. Um revólver de calibre quarenta e quatro está sobre o banco. Muitas coisas passam em sua cabeça, no fundo ele sabe o que pode acontecer neste julgamento. A cidade de Port Stealis não é mais a mesma em que ele cresceu. Inúmeras gangues e famílias poderosas se apossaram da cidade, que ficou cada vez mais corruptível desde seu alto escalão. Prefeitura, Tribunal de Justiça, Delegacia, Superintendência todos com vários corruptos. E a família Sheffield é uma das mais poderosas da cidade.

Ao estacionar seu carro o Sargento já avista o capitão do seu Distrito Policial.

Ele acha que vai me impedir de fazer alguma besteira?

O sargento desce de seu carro com raiva e caminha com ferocidade em direção do Capitão Charles A. Self, que fica parado próximo às escadarias do Tribunal de Justiça.

- Pensa muito bem no que você vai fazer lá dentro! Diz o Capitão, antes mesmo que Robert se aproxime dele.

- Você quer acabar como ele? Sendo um assassino? Sua mulher iria querer isso de você?

- Não ouse falar de minha esposa. Eu tenho certeza que ela não iria querer é que este maldito saísse impune disso tudo!

O capitão observa a imprensa que neste momento começa a chegar para acompanhar o show que está prestes a ter início. E o desfecho é claro, todos sabem qual vai ser. Mas Robert no fundo ainda preserva um pingo de esperança. Será que hoje será feita justiça?

- Você sabe muito bem como isso tudo vai acabar Capitão. Você sabe... Walter Sheffield já chegou aqui com Brandon?

- Eles já estão lá dentro Robert.

O capitão então observa o estado deplorável em que Robert está. Sente que algo pode dar errado dentro daquele tribunal. Ele então coloca a mão no peito de Robert como se fosse pará-lo e diz.

- Veja seu estado Robert... Há quanto tempo você não dorme? E que cheiro é esse?

Robert abaixa sua cabeça e olha para suas mãos. Seus dedos amarelados de nicotina o denunciam. E o cheiro forte de álcool se mistura com o de cigarro.

- Se você está assim há três semanas, eu não quero nem ver o estado que você vai chegar depois disso.

- Quando você passar pelo que eu passei você vai entender porque estou neste estado!

O Capitão tira a mão do peito de Robert e observa ele subir os degraus do Tribunal. Antes de voltar para o distrito o Capitão diz:

- Pense muito bem no que você vai fazer Robert.

Ele entra no Tribunal de Justiça, seu coração acelera, suas mãos começam a suar como nunca havia acontecido antes. Pela primeira vez ele vai ficar de frente com o assassino de sua família, agora ele vai poder olhar dentro dos olhos do homem que atropelou sua mulher e filha, e que as abandonou para agonizar até a morte. Ele senta na primeira fila e espera o julgamento começar. Aqueles poucos minutos antes do réu ser chamado foram como horas para Robert. E nesse poucos minutos ele se lembrou da vida que passou ao lado da mulher que mais amou em sua vida.

O réu então é chamado e todos o observam entrar e sentar-se em sua cadeira de frente ao Juiz, George Moss. Robert não tira os olhos de Brandon, e não aguenta ver que ele está com uma expressão tranquila, como se tudo aquilo não estivesse acontecendo. Como se o próprio réu já soubesse de sua sentença. Brandon então olha para trás de seu banco, procura rapidamente Robert em meio às pessoas, e quando o vê apenas levanta levemente o canto de sua boca, como se um sorriso sarcástico estava prestes a ser dado.

A raiva consome Robert por dentro, não só por Brandon ter dado esse leve sorriso debochado para ele. Mas com o passar do tempo ele começa ouvir as mesmas testemunhas que antes acusavam o réu, mudarem totalmente seus discursos, agora eles culpavam Virginia pelo atropelamento. Até mesmo o laudo feito pela guarda de trânsito da cidade havia sido adulterado. Aquilo foi o bastante para Robert, que coloca sua mão dentro do seu casaco segurando o cabo do seu revólver calibre quarenta e quatro. Mas antes mesmo dele levantar e puxar o gatilho, ele pensa em sua família.

No fundo ele sabe que sua família não gostaria que ele tivesse esse fim. Ele então simplesmente se levanta e deixa o julgamento. Entra no carro e coloca suas mãos sobre o volante. Seus olhos se enchem de lágrimas e ao mesmo tempo ele começa a socar o volante com ambas as mãos. Ele então vê os repórteres da rede televisiva ST News, e do jornal impresso Port Stealis Today deixarem o prédio e aguardarem na escadaria.

Brandon Sheffield desce ao lado de seu pai, cumprimenta seu advogado, Derek Willsey, e sorri para as fotos. Robert liga o motor de seu carro e sai em arrancada do estacionamento do Tribunal e vai em direção ao Distrito Policial. A vida de um homem totalmente destruída, enquanto culpado por isto está em liberdade.

A cidade se tornou sombria e cheia de criminosos. Em Port Stealis a corrupção estava por toda parte. Enquanto dirige até o 1º Distrito Policial, Robert notava nas ruas o que ele nunca notou antes. Que mesmo durante a luz do dia a cidade nunca saía da escuridão. A sociedade em que ele vivia estava podre e corrompida. Dentro de si ele questionava se realmente seria possível salvar essa cidade.

Ao entrar no Distrito todos os policiais presentes olhavam para Robert. Seu parceiro, John Navarro tenta falar com o Sargento, mas em vão. Ele passa por John sem ao menos olhar para ele, e vai direto ao gabinete do seu Capitão.

- Você vai permitir aquele desgraçado sair impune?!

- O que você quer que eu faça Robert? Pelo que eu sei todas as testemunhas negaram que Brandon estivesse acima da velocidade. E falaram que sua mulher tentou atravessar a via sem prestar atenção em nada!

Robert dá um soco na mesa do Capitão e diz:

- Você sabe que Walter Sheffield comprou todas aquelas testemunhas, não sei como ele teve acesso aos nomes delas. Mas eu vou descobrir quem foi o maldito que fez isso, e ele vai pagar.

Capitão Charles levanta de sua cadeira e fecha a porta de sua sala.

- Robert, você sabe que eu gosto muito de você. Eu te conheço há quantos anos? Quinze no mínimo, não é? Mas eu vejo pelo seu estado que você não está em condições de estar aqui.

- Que droga você quer dizer com isso? Responde Robert surpreso.

- Acho que você precisa tirar um tempo para pensar nisso tudo que você passou. Infelizmente não tem como você continuar como está.

Robert fica incrédulo ao perceber que o Capitão o estava afastando do cargo de policial. Se não fosse o bastante perder sua família, Robert estava prestes a perder o trabalho de sua vida.

- Após tudo que aconteceu comigo você está me afastando?

- Desculpa Sargento, mas você não tem mais condições de estar aqui.

- Você sabe que neste momento este Distrito é tudo que eu tenho...

- Por isso mesmo Robert. Quando você estiver melhor será bem vindo de volta.

Robert deixa sua arma em cima da mesa do capitão junto com seu distintivo. Ele abre a porta da sala com força. Caminha pelo corredor sob os olhares de seus antigos companheiros. Em cima da sua mesa já o esperava uma caixa para ele guardar suas coisas. Seu afastamento era inevitável.

27 de Março de 2020 às 00:05 0 Denunciar Insira 1
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