brokeen Mavih

Nunca iria passar pela cabeça de Byun Baekhyun que ao fugir de casa às pressas e sem precaução nenhuma, em meio ao caos que se encontrava, iria encontrar algo que iria mudar e moldar completamente o seu caminho. E que ao pensar que estaria deixando o seu lar para trás, estaria encontrando o seu verdadeiro lar, Park Chanyeol.


Fanfiction Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#258 #lgbtq+ #aventura #Viajem #exo #chanbaek
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Se está ruim, pode piorar

O gancho do telefone deslizou pela a palma de minha mão soada e caiu contra o chão, o baque não teve nenhum som, e muito menos o ruído do telefone. Tudo ao redor estava mudo para mim, pois em minha mente haviam mil coisas correndo e se atropelando enquanto eu corria para o meu quarto.

Quando tropecei no último degrau da escada, soltei um grito e fechei os olhos por alguns segundos, dando conta de tudo que estava acontecendo e no quanto eu estava uma bagunça, chegando por fim na conclusão: O que eu ainda estava fazendo nesse lugar?

Os quadros na parede com pessoas sorridentes e felizes pareciam falsos e desconhecidos. A única coisa familiar que pude ver em minha vista embasada foi a placa de ‘’NÃO PERTUBE’’ colada na porta de meu quarto, mas assim que a abri, todos os móveis e objetos dentro dele pareciam estranhos.

Cada roupa jogada no chão, cada pôster colado à parede ou cada livro colocado alinhadamente na estante pareciam não ter algum significado. Tudo que estava em seu lugar parecia incerto, como se nada pertencesse ao local e de alguma forma eu também não pertencia, e eu sentia isso dentro de mim, me rasgando por dentro e fazendo com que meus olhos se enchessem d’água e minha cabeça latejasse.

Abri meu guarda roupa e ao olhar para as camisetas e calças jeans nos cabides, a única coisa que fiz foi pegar cada peça e jogar contra o chão em um ato impulsivo. Gritei contra as paredes e apertei minhas têmporas com força.

Por quanto tempo mais isso iria continuar? Quanto mais eu teria que esperar para que algo fizesse sentido?

Joguei as roupas em minha mochila e peguei a chave do carro, uma das únicas coisas porcarias que infelizmente me fazia lembrar de meu pai. E eu odiava tê-lo em minha mente novamente.

Coloquei a mochila nas costas e desci as escadas até a cozinha. Avistei os remédios antidepressivos jogados pela pia, ter aquilo em vista me fazia estremecer. Joguei as pílulas no ralo e liguei o triturador. Deixei com que o barulho das pílulas sendo trituradas enfestasse o local e não me importei em deixar aquilo ligado, eu apenas queria ir embora.

Bati a porta da cozinha e entrei no carro. Era um Ford Ka 2014 branco, que meu pai fizera questão de comprar para mim quando completei meus 16 anos, presente inútil já que eu não podia dirigir naquela idade, foi a última vez que ele havia falado comigo, levando em conta que agora eu tinha dezoito anos.

Mas para quê questionar quando seu pai aparece na garagem com um carro novo de presente para você, ainda mais quando ele passa meses sem dar noticiais, como se um presente pudesse consertar todas as merdas que ele já havia feito.

E posso dizer, ele é um exemplo de pessoa, só que do pior tipo de pessoa. Do tipo que te deixa aos doze anos com a sua mãe sozinha após perder o filho caçula.

[...]

Se você estiver correndo em uma pista, saindo de Bucheon e seguindo pela rota de Jak-Dong na direção de Yangcheon-Gu, sozinho, à 120Km/h sendo que o limite é 80Km, você seria preso se fosse pego por alguma blitz?

Mesmo que fosse, no momento eu estava pouco me fodendo para alguma autoridade que passasse. Na verdade, eu estava pouco me fodendo para tudo, até para mim mesmo. Porque no meu estado, eu já não sabia mais quem eu era.

Eu era um desconhecido.

Eu sequer conhecia o estranho que habitava o meu corpo.

E isso doía.

Doía muito.

Enquanto eu continuava dirigindo sem um destino em mente, a sensação de vazio mantinha-se afundando em meu peito, e eu tinha a certeza de que ela não iria sair nem tão cedo. Eu tinha em mente que iria fazer isso em algum ponto da minha vida, algum momento que eu explodisse. E aconteceu.

Eu possuía medo de que isso fosse acontecer, mas agora, o medo foi embora e o vazio se tornou a principal coisa agarrada ao meu coração.

Às vezes, o vazio é pior que o medo. Pois com o medo seus limites se tornam algo para você se agarrar, e com o vazio, nada mais importa. E não ter nada para se importar era a pior coisa que poderia acontecer. E estava acontecendo comigo.

Mesmo que tudo estivesse desabando, ainda existiam pessoas que fizessem parte de minha vida, mas eu simplesmente não estava me importando. E isso fazia-me repensar se a pessoa sentada em frente a esse volante ainda era eu.

No carro ainda tinham algumas latinhas vazias de cerveja jogadas e algumas pela metade. Fui obrigado a terminar de tomar algumas por causa da sede que estava me incomodando. E eu odiava cerveja.

Ser posto em situações que eu odiava fazia parte de meu cotidiano, talvez esse seja o motivo para eu não dar mais importância para as coisas incômodas, e até mesmo para as importantes, já que agora elas passavam despercebidas por mim.

Após uma hora de estrada fui obrigado a parar no meio do nada por motivos de: eu ainda tinha minhas necessidades, e tomar uma quantidade razoável dessa detestável cerveja surgiu efeito.

Me afastei levemente de meu carro, apenas uns cinco passos e desabotoei minha calça. E se me perguntarem se eu deixei a chave no carro com ele ligado, eu irei dizer sim, porque eu sou um otário que não serve nem para pensar direito, deixando o carro ligado para gastar gasolina, e com o meu lindo raciocínio de uma criança de cinco anos, não imagino que tenha algum ser mau intencionado para fazer algo comigo, tipo... roubar meu carro, porque oras, eu estava no meio do nada.

Bem, eu estava enganado.

Sim, existem ladrões na estrada. Mesmo quando você estiver sozinho nela, com ninguém perto a mais ou menos uns 100Km de distância, vai aparecer um filho da puta para te foder.

E foder muito, foder bonito, foder gostoso.

Só ouvi a porta batendo e virei-me com tudo com o pau de fora e com aquele olhar de ‘’Poxa cara, logo agora?’’.

Sim, tinha um cara no meu lugar de origem chamado: banco do motorista.

Olha que interessante, não me lembro de ter chamado um motorista particular, claro que não, porque afinal, eu estou sendo roubado.

Aquele dedo do meio levantado e aquele sorrisinho sarcástico no rosto daquele homem feriram a minha dignidade.

- Tenha uma divertida caminhada, garoto. – O homem cuspiu em minha direção enquanto arrancava com o carro.

Não deu nem tempo de correr, porque primeiro: Mesmo com o dedo do meio apontado para mim, ele teve a ousadia de tirar uma arma de não sei aonde e apontar para mim, ou seja, não tinha como nem eu correr para mostrar alguma forma de ‘’esse carro é meu, e irei lutar por ele’’, e segundo: eu estava ocupado demais colocando meu pênis pra dentro da calça.

Total de tudo: Tinha um cara dirigindo o meu carro, com uma arma apontada para mim, e olha... ser o alvo de um revolver com seu pênis para fora, não é muito legal ou emocionante, na verdade eu poderia chorar agora, se não estivesse tão chocado.

Quando o carro se distanciou a primeira e única coisa que me passou pela cabeça foi...

Porra velho, minha mochila.

Após isso, cheguei a uma simples conclusão:

Eu odeio caras que roubam pessoas inocentes na estrada.

[...]

Meus pés doíam a cada passo, o suor escorria por meu pescoço e mãos. Ao limpar as gotas de suor em minhas bochechas molhadas, achei estar enxugando lágrimas. Afinal, qual seria a diferença do suor obtido ao caminhar dolorosamente e as lágrimas obtidas no mesmo processo? Os líquidos saídos de mim eram os mesmos e vindo das mesmas dores.

A dor em meu peito não era diferente da dor de meus pés. Era rítmica, cansativa e constante. Por quanto tempo mais eu teria que passar por isso?

Ao fechar os olhos para descansá-los da luz forte do sol no horizonte que queimava minha pele e irritava minha íris, pude soltar um soluço, me permiti liberá-lo ao perceber que não fazia sentindo esconder isso de mim mesmo.

Mostrar força e resistência vai fazer os problemas desaparecerem? Por muito tempo obtive a resposta dessa pergunta à força, com a experiencia, mas fingia não sabê-la para apenas tentar novamente e acabar no mesmo lugar de sempre.

No limbo que era a minha vida.

Ao escutar o telefonema de minha tia avisando a mesma coisa pela décima vez, eu resolvi deixar o telefone caído no gancho e sair de casa com o carro de meu pai. Afinal, aquela era a única porcaria que ele havia deixado para mim.

Um carro novo não iria suprir a necessidade de tê-lo ao meu lado, mas qual seria a importância disso? Eu tinha minha mãe prestes a morrer ao meu lado, ele tinha uma mulher mais nova que fingia um amor verdadeiro. Era simples e rude a resposta dele a respeito do que iria escolher. Mas machucava, e o que eu poderia fazer?

E bem... ouvir de um telefonema de sua tia que sua mãe estava desmaiada no banheiro, sangrando e dopada não era uma das melhores notícias a se ouvir, ainda mais em quase todos os quinze dias.

O mesmo prazo, os mesmos problemas.

E essa era a única solução que eu consegui achar: andar mais de quatro km a pé num sol escaldante do verão raro de Seul à procura de um posto de gasolina ou alguma alma humilde para fornecer ajuda, porque fui roubado no ato simples de querer mijar.

Não era fácil fugir dos problemas... Não mesmo.

Mas pelo menos eu ainda tinha meu celular que lindamente não esqueci ao ter que sair do carro para mijar. E não tinha sinal, e nem bateria.

Que delícia.

Minhas tentativas de ver o lado bom das coisas nunca davam certo, por isso eu só imaginava o pior das coisas, desde criança, quando algo começava a dar errado, eu podia ter a certeza de que há coisas piores para acontecer, e elas irão acontecer. Oh se vão.

Antes eu tinha meu irmão para me dar esperanças de alguma coisa boa no futuro, mas depois que ele se foi, não tinha nada para me dar esperança. Porque mesmo que você tenha pensamento positivo sobre as coisas, sempre terá algo para foder o teu pensamento, sempre terá algo para te desaminar, e eu estou cansado de tentar me reerguer novamente. Talvez seja por isso que estou mais fodido do que o normal, porque eu escolhi ser assim e as situações apenas contribuíram para que piorasse.

Ou seja, não seja pessimista quando a sua vida está uma merda.

Porque ela vai piorar.

E eu sou a prova viva disso.

Ou quase não tão viva porque nunca pensei em minha vida inteira que se eu fosse andar tanto assim e ainda continuaria vivo.

Ao longe eu já podia avistar uma estrutura parecida com um posto de gasolina. Já estava quase agradecendo à Deus por saber que logo a vista teria algum lugar para que eu comprasse algo para comer, pois estava desidratado e morrendo de fome – e sim, passar cerca de duas horas andando significava que estava desidratado, aliás, para a minha estatura e para o sedentarismo, eu estava provavelmente prestes a morrer agora.

Perto do local me dei conta de que faltava apenas uma coisa para que eu comprasse algo... Dinheiro. Quando cheguei perto da loja de conveniência faltei abrir o berreiro de dor e sofrimento quando vi aquelas embalagens de doces e salgados.

Enquanto encarava aquilo tudo a minha frente resolvi que não faria mal se eu pelo menos entrasse no mercado e implorasse por pelo menos uma garrafa d’água. Ao adentrar, já fui muito bem recebido pela face carrancuda da mulher do caixa. Não era minha culpa se ninguém vinha nesse fim de mundo. E a única pessoa que vinha não tinha nenhum centavo no bolso e foi acabado de ser roubado.

Pela vidraria dava para ver uma viatura da polícia estacionada. Faria alguma diferença se eu reportasse minha história? Se eu dissesse que fui acabado de ser roubado, mudaria alguma coisa? O carro sequer era meu e nem em meu nome estava, porque eu era inútil demais para ter qualquer porcaria no meu nome.

Eu tinha acabado de completar dezoito anos, acabara de fugir de casa e não queria ter que voltar por causa de um imprevisto infeliz. Eu era maior agora, tinha que me virar, mesmo que todas as situações estivessem contra mim, eu tinha que seguir para piorar ainda mais.

Mas o pior era que eu havia fugido sem nenhuma ideia em mente, mas eu sabia que tinha ido embora para encontrar alguma coisa, ou algum um meio de me livrar de todas as coisas ruins que me rondavam. Eu estava enterrado em um limbo, e precisava me arrancar dele, mesmo que precisasse sacrificar todas as coisas que eu tinha, ou que eu nem sequer tenho.

Suspirei e pedi educadamente que a mulher me ‘’emprestasse’’ um copo d’água, mesmo que eu não fosse devolver depois.

- Estou perdido e vim parar aqui. – Expliquei.

Ela assentiu enquanto buscava uma garrafinha de água no refrigerador e me entregou. Estava quase abrindo a garrafa quando a ouvi dizer:

- A água é ‎₩2000 Won.

- Ah, pode ficar com ela. – Franzi a boca e coloquei a garrafa no balcão.

Isso é um absurdo.

Comecei a andar no local, para fazer uma pausa, já que estava muito calor lá fora e nesse lugar pelo menos tinha ar-condicionado, e eu esperava do fundo do meu coração que eu não tivesse que pagar por ele também.

A cada passo que eu dava, vinha uma tentação diferente a minha frente. Doces, salgados, bolos, tortas... Fechei os olhos, mas em seguida os arregalei ao escutar o barulho do ronco de meu estômago.

Em que situação eu fui parar? Meu Deus do céu.

Mas iria piorar.

Oh se ia.

No fundo do local, enquanto eu observava aquela Coca-cola gelada me encarando dentro do refrigerador, tive que desviar o olhar, senão eu desmaiava. Sentei-me no chão e comecei a repensar em todas as escolhas que fiz na vida e por qual razão ou circunstância eu havia me enfiado nisso.

Ah, lembrei.

Minha vida era uma merda.

Eu já era um merda em si, o que iria esperar da minha vida?

Refletindo sobre isso, tive uma brilhante ideia. Levantei-me e ao olhar discretamente para a mulher no caixa que estava distraída mexendo em seu celular, tive a chance de por meu plano em prática, se não fosse aquele segurança gigante na porta me encarando, que incrivelmente eu não tinha percebido ao entrar no mercado.

Eu estava morrendo, ainda estou, como repararia naquilo? Ou melhor, como não repararia? Aquilo lá era um poste. Mas bem... Eu ainda tinha minha dignidade - ou uma parte bem pequena dela, tipo uns 20% se eu der sorte, que era algo que eu não tinha, então valia uns 12% - então iria lutar pelo meu alimento, ou melhor, roubar o alimento que não era meu, mas seria ao estar em meu estômago, o que eu torcia muito para que acontecesse.

Peguei uma embalagem de doces, outra de salgado e um potezinho de um pudim da hora que eu achei e os coloquei por dentro de meu casaco e fechei o zíper – não pergunte como ou porquê de eu estar vestindo um casaco nesse calor, eu gosto de sofrer, masoquismo é o nome – e torcei para que o segurança não tivesse visto, já que eu praticamente me agachei atrás de uma das prateleiras.

- O que está fazendo dessa forma? – Uma voz rouca surgiu do além para me matar.

Se meu coração pudesse dar um salto de trampolim, ele estaria batendo no meu crânio agora.

- Puta que pariu.

Sussurrei suando frio e virei-me lentamente para o lado, e tive que inclinar minha cabeça em 90° graus para olhar para o ser que havia quase me feito falecer.

E não, não era o segurança, e no momento eu já havia agradecido à Deus doze vezes – o número da minha dignidade restante, sim, eu faço cálculos – por não ser o segurança, mas era um garoto muito alto por sinal.

Engoli em seco e suspirei para me acalmar. Olhei para o chão e percebi uma coisa, eu estava literalmente no chão. E as minhas ‘’comidas’’ estavam jogadas ao chão. As peguei rapidamente e as coloquei no lugar que elas pertencem – no meu casaco – e me levantei como se nada tivesse acontecido.

- Você está falando sério? - Um sorriso de canto apareceu na face daquele ser desconhecido e muito intrometido por sinal.

- Eu disse algo por acaso? – Indaguei e percebi que ainda estava vivo, já que minha voz saiu nítida e clara.

- Não disse, mas fez. Essas coisas são suas?

Apontou para o meu casaco e percebi que minha barriga havia crescido por causa da protuberância que as embalagens faziam.

- Não é da sua conta. – Passei direto por ele e fui até o refrigerador pegar minha coquinha. Se eu não pegasse aquilo, eu morria.

- Sabe... tem um segurança ali e alguns policiais. Você é mesmo tão burro ao ponto de querer roubar algo agora? – Ele ainda continuava atrás de mim, e novamente, eu tive que inclinar a cabeça para olhá-lo.

- Imagino que você não me conheça e nem eu conheço você. Então faça o favor de continuar o que estava fazendo, que não era me espionar, eu espero, e cuide da sua vida. – Tentei passar por ele, mas eu estava preso naquela merda de fileira porque esse garoto estava impedindo a minha passagem. – Você trabalha aqui, por acaso?

- Não. – Respondeu direto e continuava a me encarar. Tive que desviar o olhar porque estava desconfortável demais.

Ele era alguns centímetros maior que eu – sim, centímetros, não metros, obrigado – suas mãos eram grandes, o que me intimidou um pouco se ele trabalhasse realmente aqui, seus olhos eram grandes e castanhos e a forma deles eram engraçadas, pois pareciam pingos de água deitados, seu cabelo era preto e a franja estava bagunçada sobre seus olhos, e suas orelhas eram... eram arqueadas, falei arqueadas para não ser maldoso.

Mas uma coisa que me chamou atenção foi seu sorriso de canto irritante que não ia embora de jeito nenhum. Era engraçado ver a desgraça dos outros? Às vezes sim, mas poxa, tenha piedade de mim.

- Me dê licença, eu preciso ir embora. – Quase choraminguei.

- Se estiver precisando destas coisas, eu pago para você.

Olha só, o bom samaritano, o ser humilde. Pena que não acredito em boas pessoas assim do nada, eu tinha acabado de ser roubado, era normal que eu continuasse desconfiado.

- Pague para si mesmo se estiver querendo alguma coisa, eu não pedi nada para você. Me deixe ir. – Tentei passar por ele, mas sua mão me impediu.

Aah, que ódio!

- Estou tentando ser uma boa pessoa.

- Então seja uma boa pessoa em outro lugar. – Empurrei seu braço com força e sai correndo pela loja.

Nem vi o segurança quando passei por ele e torcia do fundo do meu coração que ele não viesse atrás de mim, porfavozinho senhor, continue em repouso, faz bem para o corpo, também faria bem para mim, se eu não estivesse necessitado de comida e precisasse roubar para sobreviver.

Quando cheguei na rodovia, olhei para trás e não vi ninguém correndo atrás de mim, na verdade, achei estranho aquele garoto estar parado conversando com o segurança que mantinha sua mão apontada para mim. Ou aquele moleque estava me caguetando, ou me ajudando. Eu não sabia se agradecia ou xingava, pois de alguma forma, nas duas opções ele estaria segurando o segurança por algum tempo.

Só sei que voltei a correr, quase morrendo de cansaço, mas continuei correndo. Eu deitaria no asfalto agora se não estivesse tão quente e fosse queimar minha linda pelezinha.

Após algumas corridinhas leves para garantir mais distância entre o posto, me enfiei dentro do mato e sentei-me no chão mesmo, pois é, a vida tem dessas. Tirei aquele casaco que tinha transformado meu corpo em uma fornalha e abri a embalagem de salgadinhos. Nuggets são bons mesmo estando frios, mas estavam quentes agora. E continuavam sendo bons, na verdade, até pedra seria bom na situação em que eu me encontrava.

Resolvi sair do mato suspeito e voltei a minha caminhada, afinal, eu não sabia quando ou como iria conseguir chegar na próxima cidade. Para ser sincero, eu não sabia nem como iria sobreviver daqui em diante. Eu realmente estava pensando no futuro, na verdade, estava bastante preocupado sobre ele, especialmente agora.

Olhando para o horizonte percebi algo bom, o sol havia diminuído e havia formado nuvens ao longe. Se eu não estivesse errado, iria chover daqui a algum tempo. Eu esperava que estivesse errado agora.

Abri minha coca-cola e tomei um longo gole enquanto terminava de comer meus queridos nuggets. Vi um carro se aproximando atrás de mim, e pensei se deveria dar sinal para que parasse, mas pensando bem, qual seria a probabilidade de o motorista ser um assassino, estuprador ou uma pessoa ruim disposta a fazer algo ruim com a minha pessoa?

Não pensei duas vezes e dei sinal, mas o ser abençoado não parou para mim. Eu não sabia se agradecia ou amaldiçoava. Eu não sabia nem em que posição eu me encontrava, eu seria um andarilho agora? Teoricamente não já que tinha um lugar para viver, uma segurança de vida e a metade de uma família desestruturada.

Mas na prática eu seria sim um andarilho, eu seria até um maratonista se levasse em conta o quanto eu corri. Mas sim, eu seria um andarilho já que estava na pista e não sabia para aonde ir, e um desses lugares não seria em minha casa. Então... eu seria muito estúpido agora? Acredito sim.

Eu havia agradecido o fato do sol ter diminuído, não é mesmo? Agora eu praguejava que o sol tivesse ido. Pois além de ter escurecido, eu podia sentir gotas de água tocando a minha pele, então... eu estava certo, ia chover, e eu estava mais fodido do que estava antes.

Coloquei o casaco na minha cabeça enquanto continuava andando e esperava alguma alma bondosa me ceder carona. Mas após os chuviscos engrossarem me dei conta de que não iria adiantar nada continuar com o casaco na cabeça, eu já estava todo encharcado. Comecei a sentir frio e coloquei o casaco e o capuz dele em minha cabeça quanto continuava a comer.

Um segundo carro passou, e após eu sinalizar, passou direto novamente.

Poxa, cadê a humildade do povo deste país?

Vi uma claridade perto de mim e quase que dou um pulo quando escuto um barulho estridente. Vai mesmo trovejar e relampejar? De verdade mesmo? Isso é sério? O mundo não gosta de mim, não é possível uma coisa dessas.

Enquanto eu estava achando que ainda não podia piorar mais, se não bastasse os relampejos estarem vindo perto de mim e os trovejos quase fazer eu cuspir meu coração pela boca, vejo uma claridade atrás de mim, um carro, suponho. Mas tem um pequeno detalhe, o carro estava quase ao meu lado e a velocidade dele estava reduzida e me acompanhando, ou seja, eu ia ser morto e estuprado agora.

Pronto, acabou.

Minha inútil existência iria se acabar agora.

Eu agradeço ou choro?

Eu acho que escolho a segunda opção, pois eu estava soluçando agora.

Correr é uma boa opção? Mesmo não sendo, eu estava correndo agora. Correr de um carro é algo lúcido a se fazer? Não. Mas olha a minha situação, nada seria lógico em uma hora dessas.

O carro aumentou a velocidade e ao passar por mim, vejo ser uma caminhonete, uma Chevrolet s10 para ser exato. Agora pronto, podem muito bem esconder meu corpo na carroceria. Bem... Foi bom conhecer vocês.

A caminhonete parou e começou a dar sinal de ré, pensei em dar meia volta e entrar dentro do mato, mas a porta do motorista se abriu, e de lá desceu uma pessoa. A minha ideia de entrar no mato pareceu a mais viável no momento, mas não sei o que me dá que eu travo, o pânico paralisa mesmo as pessoas, não é? Tô sentindo isso agora.

O homem se aproximou de mim e vi que não era bem um homem... era um garoto. E seu rosto é familiar, e o sorriso no canto de sua boca também.

25 de Março de 2020 às 23:41 0 Denunciar Insira 0
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Mavih Oi caro visitante, sou apenas uma pseudo escritora que passa o tempo surtando por k-idols e sofrendo por animes, alem de aclamar todos os livros da Cassandra Clare, sejam bem vindos ao cantinho das minhas historias!

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