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Hawtrey S


Jim Moriarty tem um novo alvo. Sherlock Holmes tem um novo caso. E John Watson com certeza vai enlouquecer ficando entre os dois. Não que tivesse uma escolha mais fácil, era queimar ou vê-lo queimar sozinho. "O problema é que você vê, mas não observa." ~Johnlock~ ~Pós-queda do nosso querido Sherlock.


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#Moriarty #mistério #BBC #JohnWatson #SherlockBBC #SherlockHolmes
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Em progresso - Novo capítulo Todas as Sextas-feiras
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Why did you come back?

Não tinha certeza sobre qual fora o momento onde tudo começara a mudar de um jeito incontrolável e insano. Não havia como saber, porque antes disso, desse momento incerto, os dias no 221 B já não estavam exatamente comuns, na verdade estavam tão tensos que preferia se afundar no trabalho a ter que chegar mais cedo e encontrar Sherlock em mais um dia ruim, não que isso fizesse alguma diferença, a maioria dos dias do detetive estavam sendo ruins e este sequer tentava ser diferente com quem dividia o apartamento.

John se sentia mais idiota que o normal. Sherlock passara dois malditos anos longe, fingindo-se de morto, cortando as teias de Moriarty, e John sofrera com um inferno durante todo esse tempo. Era mais do que esperava, mais do que imaginava. Quando o amigo pulou daquele maldito hospital sentiu que parte da sua alma também estava sendo arrancada, era loucura dizer aquilo, mas era a única maneira que conseguia pensar para explicar como se sentia. Não era só uma dor dilacerante, era também um vazio extremo que crescia dentro de si, um sentimento tão ruim que o acompanhava todos os dias, em qualquer lugar e aumentava quando entrava naquele apartamento.

A poltrona de couro sempre estava vazia, a mesa se tornou intocável, o silêncio se tornou enlouquecedor, as cortinas das janelas não eram mais abertas, não havia mais paradas irritadas no mercado ou alguém o acordando no meio da noite, sem mais objetivos, e com o tempo John achou que seria o próximo a pular do terraço do hospital. O pior era não ter como sair dali, seu emocional não queria se desapegar das únicas coisas que restaram de Sherlock e o racional sabia que não havia para onde ir, onde ficar ou como pagar. Então permaneceu mergulhado naquela escuridão, sempre chegando do trabalho, tomando um pouco a mais de alguma bebida alcóolica a cada dia, levantando-se no dia seguinte se sentindo horrível e voltando a trabalhar como se nada acontecesse.

Mas para John nada acontecia mesmo.

Lestrade notou o quanto o amigo estava péssimo em uma visita inesperada, motivada – discretamente – por Mycroft. Então o Inspetor passou a lhe fazer companhia na maioria das noites, tentando fazê-lo rir com os seus romances fracassados e casos estúpidos. John não podia negar que ele conseguia algumas vezes, porém, as madrugadas ainda eram silenciosas demais para a sua sanidade mental e com o tempo tudo o que queria era que aquele maldito telefone vibrasse com uma mensagem impossível.

Com o tempo John meio que desistiu.

Quando finalmente conseguiu se mudar, quase quatro meses depois de permanecendo mergulhado nessa escuridão vasta, descobriu que a angústia o acompanharia mesmo que estivesse em outro planeta. Seu apartamento era médio e confortável, mas sempre estava organizado demais e, acredite só, vazio demais.

Então em um dia qualquer, na verdade era seu único dia de folga na semana, acordou cedo como esteve fazendo nos últimos meses, praticamente anos, e encontrou Mycroft sentado em seu sofá. Distante e inexpressivo. John ignorou a pergunta obvia sobre como ele entrara ali, mas hesitou em perguntar o motivo da visita. Não se falavam ou se viam desde o enterro de Sherlock e John não via motivos para mudar isso.

Naquele dia, John lembrava bem, Mycroft murmurou um “Bom dia” opaco em cordialidade e pediu que se arrumasse. Cansado dos segredos dos Holmes e ainda sim curioso, obedeceu-o em silêncio, no entanto, quando voltou para a sala Mycroft não estava mais lá, em seu lugar havia outro Holmes, aquele que se despediu e pulou de um hospital.

— Seu grande imbecil! — xingou antes de avançar sobre Sherlock Holmes e acertá-lo com um soco no rosto.

Queria machucá-lo tanto naquele momento.

E realmente tentou, socou-o diversas outras vezes até decidir que seria bem mais justo com os seus sentimentos se o enforcasse com as próprias mãos doloridas. Claro que não iria matá-lo, mas Sherlock deve ter pensado o contrário, pois agarrou seus punhos com toda força que conseguiu reunir e o afastou sem ar. John tinha consciência de que seu rosto estava completamente vermelho e banhado em lágrimas, mas só conseguiu levantar do chão e xingar o seu amigo até a última geração Holmes, se houvesse mais alguma.

— Perdoe-me John... eu.. eu... deixe-me explicar — Sherlock balbuciou.

Por breves segundos pensou que Sherlock também cairia em lágrimas, mas lembrou que era o único afogado em sentimentos naquela parceria. Observou seus olhos perdidos e de repente se sentiu confuso. O que estava sentindo exatamente? Raiva pela mentira? Felicidade por ser mentira? Mágoa? O que era aquilo explodindo em seu peito, que aumentava suas lagrimas e fazia seu coração bater com desespero?

— John, pare... pare de chorar, por favor — Sherlock pediu com a voz falha.

— Foram dois anos! Malditos anos! — John gritou, saindo mais como um rosnado — Eu vou chorar o quanto eu quiser, seu idiota!

— Pelo menos tire esse bigode, está ridículo.

— Eu tiro se prometer me explicar tudo o que aconteceu, em detalhes!

— Qualquer coisa para poupar meus olhos dessa coisa.

Sherlock nunca prometera em palavras e tampouco explicou qualquer coisa, John tirou o bigode mesmo assim, após isso criou o habito de se xingar todos os dias.

Porque ele só podia ser um grande idiota para acreditar que Sherlock Holmes teria algum tipo de consideração por seus sentimentos, ou mesmo pelo seu luto. Alguns meses se passaram desde o dia em Sherlock voltara à vida, mas o dia parecia uma lembrança bem mais distante. Algo quase surreal. A relação entre eles mudara drasticamente depois daquilo, houve apenas questionamentos e brigas, casos solucionados da maneira mais profissional possível. Ambos haviam mudado, porque John queria uma simples explicação e Sherlock queria apenas o silêncio. Era estressante e se o médico achava que iria se matar antes, agora só conseguia pensar que mataria alguém a qualquer momento.

— Merda Sherlock! — esbravejou batendo seu copo sobre a mesa desorganizada e suja — Tudo o que eu quero é uma explicação. Mereço isso, não? Sou seu amigo!

— No momento você apenas está sendo extremamente chato — Sherlock devolveu no limite de seu controle — Inferno, esqueça esse assunto e me deixe terminar essa maldita pesquisa!

— Pois essa maldita pesquisa vai esperar ou será lançada janela a fora nesse instante.

Sherlock ergueu os olhos de seu tubo sobre a mesa e encarou John com fúria:

— Você não seria capaz... eu o odiaria, com certeza!

— E não já odeia? — John rebateu aumentando a voz, fazendo Sherlock arregalar ligeiramente os olhos — Eu não estou pedindo um filme ou um relatório, quero apenas saber o que infernos aconteceu pra você fingir estar morto por dois anos e voltar sem qualquer explicação, mas não! John Watson não é digno dos segredos de Sherlock Holmes e que o inferno se abra e o engula toda vez que ele ousar perguntar sobre o assunto!

Era para ser mais uma cena assustadoramente comum, apenas mais uma briga que faria a Sra. Hudson lamentar pelo resto da semana ou até outra surgir. Havia sempre aquela troca de palavras nada saudáveis, cuspidas no outro com raiva e mágoa, que feriam mesmo sem intenção, e como todas as vezes Sherlock esperou John explodir, o que acabara de acontecer, e logo o observaria pegar seu celular e se trancar no quarto pelo resto da noite.

Dessa vez foi diferente. John estava cansado de toda aquela briga, cansado da dor e da raiva que corroíam sua mente e o resumiam a um corpo exausto que só desejava dormir para sempre. Então, vagamente ciente de que era sexta-feira, não pensou duas vezes antes de enfiar a carteira no bolso, agarrar suas chaves e seu celular e sair batendo a porta. Não voltaria para Baker Street naquela noite nem se o pagassem.

Não planejou o que iria fazer, apenas queria colocar a maior distancia possível entre ele e Sherlock. Ocupou sua noite pulando de pub em pub, nunca bebendo o suficiente para ficar bêbado e quando amanheceu, foi atrás de comida e água para impedi-lo de vomitar na frente das pessoas. Em alguma hora da madrugada, não muito depois de ter deixado o apartamento, seu celular começou a vibrar e não parou mais. Vibrou e vibrou, tantas vezes que John nem sentia mais a diferença em seu bolso, parecia algo constante. Perto das oito da manhã se encostou em uma parede e alcançou o aparelho, encontrando mais de trinta ligações de Sherlock e quase o mesmo número de mensagens.

— Oh Deus... — gemeu frustrado.

Cogitou responder, mas logo em seguida olhou para cima vendo o nome de um hotel barato e esqueceu, passaria o resto dia e, talvez a noite, ali.

Pagou em dinheiro, tomou um longo banho quente e se jogou na cama de solteiro simples do quarto desconhecido. Novamente alcançou seu celular, leria as mensagens pelo menos.

“Estamos bem.

E xxx.”

A primeira mensagem era de um amigo, Edward. Franziu o cenho, não havia uma mensagem anterior e não se lembrava de ter perguntado algo. Ignorou por enquanto.

“John onde você está? Estou ligando há duas horas.

SH”

“Pelo menos atenda o telefone.

SH”

“Espero que não esteja me ignorando, seria infantilidade demais até mesmo para você.

SH”

“Certo, parece que está me ignorando.”

“John responda.”

“John, não seja tão idiota. Volte para casa.”

“Vai mesmo passar a noite fora sem ao menos dizer onde está?”

“Ou com quem?”

“John!”

“Atenda a droga do celular Watson!”

“Se não me responder em uma hora eu vou pedir ajuda ao meu irmão. Não me deixe fazer isso.”

John riu involuntariamente criando respostas malcriadas para cada mensagem que lia e que permaneceram chegando pelo resto da noite enquanto o mesmo bebia, desligado do mundo. Havia muitos “John!” e inúmeros “Qual é o seu problema?”, em cada uma sentia seu dedo formigar para digitar uma resposta. Não digitou e só parou de ler com rapidez quando uma mensagem maior e de um novo número surgiu na tela.

“Doutor Watson, o que está fazendo? Por obséquio, responda o meu irmão. Dê algum sinal de vida, digite um xingamento ou somente grite com ele quando ligar, eu não o aguento mais! Fui acordado no meio da madrugada porque o senhor, Doutor, decidiu dar um passeio infinito em Londres e caso não tenha notado, isso é extremamente irritante. Meu querido irmão está com um complexo de preocupação insuportável e se eu ouvir mais uma pergunta sobre você, Doutor Watson, serei forçado a sujar minhas mãos pela primeira vez e será com o sangue da minha própria família.

MH”

“Entre em contato ou serei obrigado a rastreá-lo e o arrastarei de volta a Baker Street com ou sem vida.

MH”

John franziu o cenho, de repente preocupado com a possibilidade de estar sendo rastreado naquele mesmo instante. A última mensagem de Mycroft fora enviada perto das seis da manhã e o médico realmente acreditou na raiva do mais velho. Decidiu que o melhor era respondê-lo logo.

“Preciso de algum espaço pacífico Mycroft, me dê um tempo e ignore seu irmão. JW”

Hesitou em escrever a próxima, seria para Sherlock. Mas ou respondia ou corria o risco de deixa-lo irritar Mycroft de novo. Bem, com certeza não era isso que queria.

“Sherlock, por favor, deixe seu irmão em paz. Ele não tem nada a ver com nossas brigas estúpidas. Entenda, só preciso de um tempo ou vou enlouquecer dentro desse apartamento, não suporto mais nossas brigas por um motivo que nem deveria existir! As vezes eu só quero...”

O que queria, exatamente? Não queria socá-lo, com certeza. Um abraço? É, talvez, seria realmente bom abraçá-lo naquele momento tão... Fechou os olhos e praguejou o caminho dos seus próprios pensamentos. Inadequados e errados. Ignorou completamente os batimentos desenfreados do seu coração e sua boca seca, mais uma vez negando aquele sentimento que nunca deveria existir.

Vocês apenas se amam, podemos voltar ao caso agora?, Lestrade soltou um dia quando presenciou mais uma briga. Sherlock nem se importou, mas John se deixou desabar em sua poltrona. Não precisara daquilo para saber sobre os próprios sentimentos, mas aquela frase jogada como uma bomba de pressão certamente o afetou, mostrava que provavelmente qualquer um notava os sentimentos do loiro, exceto o alvo deles. Sherlock parecia cego a tudo que o envolvia, na verdade, ignorava-o na maioria das vezes em que estavam sozinhos e nunca dizia uma palavra sequer quando pegava John com os olhos fixos nele.

O médico entendera o recado.

Apagou a mensagem e não voltou a tentar responder.

Decidiu voltar para o apartamento um pouco antes de escurecer e não hesitou em caminhar todo o percurso, havia gastado demais naquela pequena aventura.

Quando a porta do 221 B se abriu, apenas o silêncio o recebeu. Imaginou que Sherlock estaria em mais um dos seus casos rápidos ou o havia deixado para trás, então o viu sentado na poltrona com os olhos vidrados em algo que só ele via. Palácio mental, talvez.

— Sherlock? — tentou hesitante.

Não sabia como o outro iria agir, se haveria mais gritos ou palavras grosseiras, mas o silêncio permaneceu. John suspirou e largou as chaves sobre a mesa, não insistiria com o detetive mais teimoso de Londres, então subiu para o seu quarto e se trancou lá por todo o domingo, pouco preocupado em comer e esgueirando-se apenas para o banheiro algumas vezes. Sherlock o ignoraria, então faria o mesmo com ele.

Como iria prever que seria forçado a mudar de atitude?

24 de Março de 2020 às 21:44 0 Denunciar Insira 0
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