A minha história da chegada do meu filho Seguir história

ventoepoesia Rafael Ferreira

Uma descriação sincera e inusitada da chegada do Pedro na vida de um jovem casal.


Histórias da vida Todo o público.

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A minha história da chegada do meu filho

Com o violão na mão observava o menino em prantos tentando achar o peito materno, a mãe em prantos tentando alimentar seu filho. E eu em prantos irrompi em louvor a Deus pois vi com meus próprios olhos, como nunca havia visto, a soberana história de Deus se cumprindo em minha vida. Pedro, filho da promessa, veio ao mundo, e será parte do maravilhoso plano de glória de Deus.

Tudo começou na terça-feira, dia 17 de março, às 19h30, quando a bolsa da Carol estourou e eu enfim me dei conta que realmente seria pai. A Carol já sabia que seria mãe há 9 meses atrás, para ela era algo viceral, "DNÁtico", simplesmente natural. Para mim, honestamente, era apenas uma barriga que se mexia e que me enchia de medo. Fomos para o hospital, e eu, surpreendentemente, estava tranquilo e muito seguro, contrariando as minhas próprias expectativas sobre mim mesmo, e a de muitos amigos que achavam que eu desmaiaria ao lado da cama de parto. Pois bem, chegamos no hospital, deixei a Carol na frente do PS e fui estacionar a Yavanna (nossa kombi) num local bem em frente. Entrei no corredor que dava acesso ao estacionamento e fiz uma curva à direita, e inesperadamente minha tranquilidade se transformou em letargia, que acabou com a lateral direita da Yavanna toda raspada. O rapaz que trabalhava no estacionamento olhou de longe, ficou parado, pensando e depois de alguns segundos disse "assim não vai passar"! Engoli rapidamente a raiva e todas as ideias de possíveis consequências que vieram à minha mente naquele momento. Estacionei a Yavanna bem torta, diga-se de passagem, peguei todas as malas e me dirigi ao hospital.

Eperamos 15 minutos para o atendimento e fomos chamados, a obestetra examinou a carol que tinha incriveis 9 dedos de dilatação. Subimos diretamente para a sala de parto. Uma série de procedimentos estranhos começaram a ser realizados, cerca de 8 pessoas se movimentavam de um lado para o outro pegando coisas e colocando coisas e falando em mediques, que na minha opinão era para que nós não entendessêmos o conteúdo. Carol estava pronta e era a hora da anestesia, ficou de costas enquanto 3 médicos estavam discutindo como colocar uma agulha gigante por entre sua coluna vertebral. Foi nesse momento que eu tive um pouco de dificuldade, tudo perdeu a cor e eu "agachei" para pegar um melhor ângulo dos olhos da carol, enquanto falava palavras de incentivo como "foça, foça, foça, respira, respira, respira". Me acomodei nos meus tornozelos e ali permaneci quase 20 minutos incentivando que a Carol relaxasse porque logo ia passar. Guerreira! É isso que tenho pra dizer dessa mulher. O pessoal da anesteia apanhou uns 30 minutos para dar as duas anestesias e eu só sai no último minuto, porque precisava urgentemente ir no banheiro.

Passada essa fase maluca, e eu mais aliviado, chegara o momento de sentir as contrações e fazer força. Foi então que descobrimos o quanto a médica que nos atendia era sensacional. Ela estava mais animada que a Carol, falava alto dando comandos e brincando com todo mundo. Carol entrou na onda da Luiza e isso foi essencial para o desenvolvimento dos fatos. Muitas pessoas faziam coisas e falavam números no meio da sala, pegavam coisas e colocavam em lugares diferentes, falando mediques. Até esse momento eu não havia entrado na brincadeira, se assim posso dizer. A Luiza inicou uma conversa a respeito de qual o tipo de força que a Carol precisava fazer, qual o lugar onde a força seria realizada e qual a duração de tempo para cada forçada. Foi nesse momento que eu achei que entraria em cena e que incentivaria a Carol como nunca havia feito, que minhas palavras dariam energia vital para cada empurrão. Então a Luiza pegou um pano e falou "linda, tudo isso que te falei nós vamos fazer no meio de um jogo chamado cabo de força, você já brincou?". Sinceramente não entendi nada, mas continuei firme, testas, dentes e punhos contraídos. Inusitadamente Carol pegou o pano, numa atitude minimante austera, e disse "já joguei sim". Mordeu a ísca, eu pensei! Sim, a Carol é uma pessoa extremamente competitiva, ela sempre guarda essa qualidade para ela mesma, nas suas palavras é para evitar conflitos, algo relacionado a voleyball e colegial, pelo que me lembro. Luiza, ao perceber que Carol havia entrado no jogo, lançou outro gatilho "tem que segurar a respiração durante todo o tempo de forçada, você consegue?". Essa parte da história eu realmente não sei se aconteceu, ou se foi apenas uma projeção da minha mente, mas Carol, prontamente, respondeu - consigo sim! faço aula de canto há muitos anos e enfim os exercícios de diafragma terão um fim proveitoso! Comecei a ficar irritado, cabo de guerra, aula de canto, competição - isso não tem nada a ver com o parto, precisamos de concentração - pensei comigo mesmo, olhando para a cara da Luiza que me perguntou se estava tudo bem. Foi então que finalmente começou uma das situações mais malucas da minha vida, e por incrível que pareça (nem eu acredito que estou escrevendo isso) para mim foi como um era uma vez. Carol se concentrou, olhou firmemente para Luiza, que retrucou o olhar e, numa atitude de desafio, pegou o pano e passou ao redor do corpo, como se dissesse - quero ver você ganhar de mim.

A primeira contração, depois desse cenário todo montado, que durou apenas 3 minutos, chegou! Carol respirou fundo e puxou com toda força o pano, Luiza não cedeu facilmente e empurrou todo o seu corpo para trás, a disputa, a brincadeira começara, de tanta força que Luiza fez, Carol saiu uns 30 centimetros da cama de parto, mas continuava puxando firmemente. A contração passou, mas não a brincadeira! Logo viria a segunda e a terceira, a quarta, e a cada contração Carol segurava mais a respiração e puxava com mais força. Minha testa, dentes e punhos não estavam mais contraídos, nesse momento, meu coração parecia estar no meio de um jogo do palmeiras e meu maior desejo era torcer com todas as forças, não pela Carol (e nem pela Luiza, que ainda vou desafiar para um braço de ferro!) mas pelo Pedro. Um coração de Pai nascia ali! As duas se olhavam com firmeza e alegria, e eu, junto com as outras 6 pessoas na sala, gritávamos pela Carol. Fui me soltando e gritando mais alto. A cada contração eu contraia meu coração de maravilhamento e paixão pela mulher da minha vida, pelo filho que Deus me deu. Um dos momentos que eu mais tinha medo na minha vida, se tornou como uma bricandeira de criança, eu estava me divertindo! O fatídico momento chegara, se passaram cerca de 30 minutos, quando Luiza e outra doutora disseram que era a última empurrada e que essa tinha que ser a mais forte. Carol se preparou, eu olhei para ela e com apenas um movimento do rosto, acenando positivamente, mostrei minha admiração e minha confiança, mostrei que seria o expectador mais interessado, o torcedor mais ávido, seria o que ela precisasse que eu fosse. A contração veio, Carol empurrou, eu vi a cabeça do bebê saindo, uma pessoa já estava com as mãos preparadas para agarrá-lo, faltava apenas a última forçada, que com profunda alegria veio - Ah maluco, se é loco, tá saindo um bebê de dentro dela, Ahhhhhhh - meu coração saiu pela boca, eu vi a vida, eu vi o Senhor trazendo meu filho à vida! Imediatamente o bebê foi quase que lançado no colo da Carol, que olhou para ele e disse "olha a boquinha, que linda!". 22h19.

Eu vi minha mulher recebendo seu filho, sorrindo, meu filho nos braços dela, fazendo um barulho parecido com um de um macaquinho (rs). Pedro no seu primeiro respiro mostrou que tem agúdos maravilhosos, vai cantar tão bem quanto a mãe. A Carol e a Luiza soltaram o pano, o jogo terminou, mas a diversão só tinha começado. Havia um ar de contentamento em toda a sala, todos estavam felizes com a brincadeira, e principalmente com o vencedor dela, o Pedro. Sensacional, Deus é sensacional! Passados os primeiros momentos de exames e processos, pessoas tirando coisas e colocando coisas em outros lugares, falando mediques, fomos para o quarto. Foram 3 dias naquele quarto, Deus preparou um hospital e pessoas incriveis para cuidar da nossa família, foi uma experiência maravilhosa no hospital são paulo. Pedro teve dificuldades para mamar, e como isso é desesperador. Todos dizem que vai dar certo, que ele vai pegar, e até acreditamos nisso, mas como é difícil! Depois de três dias no hospital não víamos a hora de ir para casa e curtir no lugar mais confortável do mundo, nosso lar. Minha maior expectativa era chegar em casa e tocar violão para ele, ler a bíblia para ele, cantar RAP pra ele, fazer as coisas que eu mais gosto de fazer com ele! Troquei fralda, dei banho, ninei o bebê, tudo tão legal, tão divertido! Faz 4 dias que não dormimos, nosso corpo e mente estão exaustos. Mas isso é apenas exercício para o coração crescer, se alargar e deixar o Pedro bem confortável aqui dentro da gente. O olhar ingênuo de um jovem, pai de primeira viagem, é que podem vir todas as noites sem sono, cansassos e o que for, o Pedro é incrível e nada pode mudar isso!

Carol, seu parto foi maravilhoso, você me ajudou a ver a vida de Deus como eu nunca havia visto, sempre vou te admirar por esse momento! Nossa família cresce, agora somos três, que venham mais 10!

Família querida, vocês são especiais e fazem parte de cada detalhe desse momento, não só por toda ajuda e presença, mas simplesmente por ocuparem lugares de honra em nossos corações. Meu coração se alegra em seguir a dinastia do Ivan e do Chico, da Lea e Lu, se formos metade do que vocês foram para nós, o Pedro será a criança mais feliz da terra! Pedro, seu avô chico é um herói, salvou sua família e mostrou o que é ser um homem de Deus, os anos nessa terra passarão rápido, e logo todos nos encontraremos com ele, e vai ser a maior festa!

Pedro, meu filho, você é filho da promessa, de duas pessoas que entragaram sua a vida a Jesus Cristo, de 4 avós que entregaram sua vida a Jesus Cristo. Sinta-se a vontade, nosso lar será para você o lugar de conhecer a Deus e de viver a vida da forma mais bela que puder. Os sofrimentos virão e serão muitos, mas que eles sejam apenas adornos para a maravihosa vida com Cristo, o Servo Sofredor. Te abençoo, como seu pai, pois nós dois somos filhos do mesmo Pai bondoso, do Pai das luzes do qual procede toda boa dádiva.


21 de Março de 2020 às 23:34 4 Denunciar Insira 4
Fim

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Juliana Oliveira Juliana Oliveira
Que lindo, divertidissimo , inspirador e cheio de" graça "! Obrigada por escrever amamos
Lucila Garcia Lucila Garcia
Dizer o quê?!!! Lindo, comovente, verdadeiro, transborda amor. ❤
Fernanda Abdalla Fernanda Abdalla
Amei Rafa! Me rachei na hora “9 incríveis dedos” kk Que Deus abençoe sempre sua família! Bj
Lu Astolfo Lu Astolfo
Que lindo ver a vida tomar vida em vento e poesia. Lindo!
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