Uísque & Outro Drink Seguir história

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O que reserva, a noite, aos desconhecidos amantes...


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O blues escorreu pela porta quando foi aberta, uma recepção aconchegante e sedutora. Encararam com estranheza, sempre o faziam. No entanto ainda era melhor do que estar em casa sentindo-se parte da mobília, como acontecia cinco dias por semana. Guiou a cadeira para onde esbarrariam menos enquanto perguntavam-se onde estaria o acompanhante...

— O de sempre? — perguntou o atendente.

— O de sempre. — confirmou.

Não demorou a ter a mesa atendida, e permaneceu com seu jantar de uma porção com um copo duplo de uísque. Ainda era sexta-feira, nada de trabalho de escritório, talvez sábado bebesse menos, e domingo gravaria mais um tutorial de drinks.

Deixava os drinks elaborados para consumir em casa, na rua era a base, o início, a origem — a lembrança de porque não mais dirigia.

Mas um olhar era dirigido novamente à sua mesa, o olhar de quem ria e divertia-se com seu grupo, quem falava mais alto e gritante, e que, diferente da semana anterior, aproximou-se e se sentou na sua frente antes que qualquer convite fosse feito.

— Posso te acompanhar? — questionou.

— Por quê? — estranhou o motivo.

— Estão indo embora, mas quero ficar. — justificou.

Reparou o sotaque estrangeiro, com a voz prejudicada na pressa da fala, e observou os dedos da companhia, indóceis, tamborilando uma música diferente daquela na junkebox. Viu o sorriso desconcertado pelo flagra, o olhar que ainda agitado mostrou estar sob controle — não havia decidido acreditar em amizade ou risco ainda — e era uma sensação estranha e quase esquecida. Sorriu e tragou.

— Sim, claro. — concordou libertando a fumaça.

— Ótimo! Solitárias companhias solitárias. — o sorriso aumentou. — Desculpe a agitação. Fora o álcool eu juro estar bem, e não usar de agressividade.

— Não é da minha conta. — deu de ombros.

Pediram outra porção, e preferia algo que não uísque, ao menos para aquela noite.

— Não somos da nossa conta. — concordou.

— Ainda assim não deveria beber. THDA.

— Tão evidente?

— Tanto quanto eu, imagino.

Sorriu do sorriso sem graça que provocou ao se mostrar confortável diante da situação.

— Posso sentar ao seu lado? — disse do outro lado da mesa.

— Por que gostaria? — suspirou diante do copo. — Por que não?

Mudou de lado rapidamente, tomando o copo do outro lado para brindarem e beberem um gole mais. Tornou-se mais fácil sorrirem, e ousou tocar com suavidade o pulso de quem regia a mesa, com a ansiedade a corroer quando observou dos olhos aos lábios, e subiu um pouco mais a mão em um pedido mudo de permissão.

O toque se mostrou agradável antes do afastamento repentino, antes de o cigarro ser tragado novamente e ser lançado um olhar ao balcão, gesto que foi prontamente imitado ao apresentar o receio e incômodo. Ambos encarados por olhos maliciosos que desviaram para as próprias conversas e bebidas, ou não.

Aproximou o rosto de quem estava ali antes, apenas um pouco — não sabia se a aproximação seria novamente censurada —, e com maior segurança inspirou de seu pescoço sem notar que provocou o fechar de olhos, satisfazendo-se.

— Gosto do seu perfume. — concluiu. — Me fez acreditar que não estávamos aqui, em um pub.

— O que está fazendo?

— Me apresentando melhor.

Encarou ainda sem apresentações.

— É proibido. — declarou.

— Por que seria? — indagou com o hálito entreaberto.

— Apenas é...

— Se assim quisermos — corrigiu —, que essa noite não seja.— pediu.

Selou os lábios, em um beijo que provocou desvio de olhares que não poderiam cuspir o descontentamento e a repulsa,ao reprovar. Todos ali tinham segredos, todos eram estranhos, e ninguém poderia denunciar algo tão natural — ainda que condenável no íntimo de tantos. Conduziu pela nuca, provando-se os sabores, explorando os interiores das bocas, deslizantes. Até as mãos puxarem a roupa repentinamente, então se acalmaram em mútuo respeito.

Sem cicatrizes visíveis, conheciam as que não eram suas como se pudessem sentir, latejantes, e tocar temendo provocar maior dor. Acenderam seus cigarros e beberam mais, com seus rostos avermelhados, antes de se despedirem para o dia seguinte.

❈❈❈❈❈

O preparo do drink de domingo foi pensado no encontro. Quem imaginaria a destreza da função de uma repartição elaborar bebidas tão saborosas e sedutoras? Fez uma dose extra, para si, antes de deitar-se, expondo-se apenas para si, em sigilo.

Na outra residência levantou-se no mesmo horário para ir ao trabalho, desviando por quadras, ruas, e bairros sem nunca se encontrarem pelo acaso. Aplicou as atividades da classe especial, assessorando alguns dos alunos que tivesse maior dificuldade sem deixar de ter atenção ao restante da turma, crianças tranquilas e dóceis.

De saída partiu para o clube, para a natação diária que continha seu transtorno junto com a medicação, finalmente à caminho de casa ao entardecer. Tentou assistir ou ler algo, distrair-se sem que o pensamento saísse de sua cabeça. Não importava-se de ignorar o endereço, nunca teve vocação de stalker e seria deselegante surgir repentinamente — se estivesse em casa para a recepção. Ainda assim lamentou profundamente a não troca de telefones, foi uma longa noite e ainda assim rápida demais.

Faltavam três dias, contados ansiosos como se fossem sete, em expectativas pueris depois da última vez que se aproximaram. A distração do pensamento constante, à espreita de significados e expectativas, com a ansiedade sem saber se veriam-se novamente no final de semana longínquo.

Chegou no horário de hábito, recebendo o olhar de imediato e pôde apostar que a porta era observada a cada momento que abria. Recusou ajuda para chegar à mesa reservada e, por chegar depois, perdeu seu lugar junto à parede. E, a pedido de quem antes aguardava, o simpático atendente levou seu prato preferido à mesa, ainda aquecido ao denunciar recém preparo e zelo.

— Chegou cedo. — observou.

— A ansiedade te corroeu também?

— Um pouco. — admitiu.

Comeram e aceitou o braço no apoio de sua cadeira, que levou a inclinar sobre o outro, e deu-lhe de comer nos lábios que repentinamente recordou o sabor — seu uísque misturado a preferência alheia. Com o isqueiro ao lado do cinzeiro acendeu um cigarro, quando terminaram, e compartilhou a névoa cálida e tranquilizadora antes de beber mais um gole, ouvindo a outra garganta mover-se ao também se manter úmida.

Voltou-se de sorriso largo, como sempre, e sobrancelhas arqueadas.

— Sabia te conhecer de algum lugar! — surpreendeu-se ao identificar quem chegara em rodas. — Apresenta ótimas receitas nos seus vídeos!

— Imaginei ser o motivo de se aproximar! — admirou-se em confissão.

— Não pude notar, com uma produção tão... diferente.

— Não quero que o escritório me reconheça. Seria um problema. — esclareceu.

— Entendo... Eu faria o mesmo. — confessou. — Tentarei fazer alguns dos drinks, algum dia.

— Posso ensinar pessoalmente. — sugeriu.

— Gostaria de sair daqui comigo?

Concordou, era o que havia dito e tão logo pagaram saíram, lado a lado na calçada quando a ajuda foi recusada para guiar o aparelho facilitador da sua locomoção. Um prédio teria escadas, outro elevador, e para este último seguiram.

Ficou confortável no sofá, enquanto as bebidas eram preparada pela visita, seguindo as instruções cuidadosas e dedicadas de quem tinha maior experiência, e não ligou quando tirou a camisa ao preparar, estava calor e antecipou outras expectativas.

Mais confortáveis provaram-se novamente, mais ousados quando a outra camisa foi tirada, admiraram-se, com todas as sugestões aceitas. Um suspiro perdido quando o mamilo foi encontrado e um sussurro perseguido por outro quando houve o exame entre as coxas. Adaptaram-se.

Os dedos contornaram a cintura, estreitando sua curva, aproximando-se mais para ouvirem-se em segredo — confessariam um pouco de excitação ao tocar e se deixar descobrir onde terminava o joelho, precocemente. Enquanto descontente em acariciar o pescoço com os lábios provou-o com a língua, e as nádegas com as unhas, e os ombros com os dentes quando os corações se aceleraram.

Urgentes e entregues, ecoando as vozes nos olhares, irregulares. Estreitou os joelhos ao redor, exaustos e perseverantes diante da sedução, ágeis, tensionados, com as pontas dos dedos delicadas entre os fios dos cabelos. Sacrifícios nos braços desconhecidos que juravam lealdade, acalmando-se por um instante em seguida.

Não se permitiram adormecer, com carícias e provocações, e não esperaram os músculos dos braços sustentarem embora ainda assim ousassem, em direção ao chuveiro. Há tanto tempo não via o chão tão distante que sorriu, e gargalhou com as cócegas dos beijos entregues sob o queixo.

Com os pés sem vacilarem no chão molhado manteve o braço firme na cintura de quem não pôde apoiar-se, e deitou a outra cabeça em seu ombro, deixando que a água corresse pelas costas nuas. Em brincadeira boba teve o queixo mordiscado, e mordiscou o nariz antes de beijar a testa, e descer aos olhos para alcançar os lábios.

Após não saírem no sábado, em sua ocupada dedicação, vestiu seu roupão após um último banho, e esperou as outras roupas serem vestidas, mesmo sujas, antes de despedirem-se. Amantes testemunhavam seu melhor final de semana após longa data, pensaram ao deitarem-se em seus travesseiros à eras de distância. Desejaram que a semana terminasse na segunda-feira seguinte.

❈❈❈❈❈

Chegaram juntos após verem-se em esquinas opostas, as mãos aquecendo uma à outra ao caminhar para a aquecer as que encontraria frias por girar os aros, e entraram com seus sorrisos secretos em desafio, para o refúgio à margem habitual. Trocaram os copos para conhecer os sentimentos que as bebidas trariam, apenas entre suas risadas ao finalmente confidenciarem os segredos, confiados à outra alma.

— Posso assistir a gravação de domingo? — pediu. — Teríamos mais tempo.

— Penso em ensinar. — sugeriu.

— Juro me dedicar. — prometeu.

— Pode me ajudar a fazer vídeos mais didáticos. — instigou.

— Meus livros estão em casa. — concordou.

— Ótimo.

Acabada a bebida pediriam mais, com os pensamentos nublados ao retornar ao que preferiam e as misturar, encerrando cedo. Aqueceu as mãos ao concordar em não mover a cadeira, com atenção ao tráfego no lugar de quem caminhava. Não era um trajeto tão distante, não eram degraus tão difíceis, não eram complicadas barreiras impostas quando novamente desejavam ter os corpos aquecidos nos braços — e abraços, e embalos, e embaraços.

— Posso te amar? — perguntou pela manhã.

— Por que não? — concordou. — Por que gostaria?

— Porque sei que você me ama... — beijou.

Seria outro sábado sem ver o tráfego, conquistados pela ocupação. Enlaçou, envolvente ao aconchegar, cessou os braços e por fim beijou. Então, como o frescor do café que logo seria preparado, continuaram de onde haviam parado antes de por fim iniciar o dia. Últimas horas antes de separarem-se por extensos cinco dias de abstemia.

Embora, em solitude, não mais em abandono.

1 de Março de 2020 às 01:30 0 Denunciar Insira 1
Fim

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