pedrom_campos Pedro Campos

Há cerca de 700 anos, um grande mal assolava o mundo. Uma entidade tão poderosa, que nenhum homem conseguia sequer olhar em seus olhos, sem cair em desespero e loucura. Felicidade era um mito que ninguém acreditava. Briccio, não era apenas poderoso, era inteligente e divino. Seu poder era supremo. Tinham até medo de falar seu nome. Mas um dia, uma pessoa de grande inteligência e perspicácia conseguiu enganá-lo, e trouxe sua ruína. Há aqueles que dizem que ele morreu. Outros, que ele está à espreita, sem energias suficientes para retornar. Independente de qual a verdade, longos anos de paz se seguiram a partir desse grande dia. Até que um dia, o jovem Ray, indo em direção ao castelo real, encontra um grimório mágico. Mal ele sabia que tal encontro mudaria o curso da história.


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Relâmpago

Ray


Ray estava ofegante. Não aguentava mais correr. Estava com a cara toda arranhada por causa dos galhos das árvores que chicoteavam seu rosto e suas pernas doíam demais. Seu pai vinha logo atrás, também ofegante, segurando a bolsa que sempre levava junto.

- Não pare de correr, Ray, eu vou tentar segurar ele.

Ray continuou correndo, mas não ouviu mais os passos do seu pai. Parou e olhou para trás. Seu pai estava parado, com sua capa flutuando e um livro com um brilho escuro nas mãos dele. Naquele momento, o céu, que até então estava claro, ficou mais escuro do que a noite, e no céu surgiu um pontinho brilhoso, se parecendo com uma estrela cadente. Veio se aproximando a ponto de ficar do tamanho de um círculo de fogo gigantesco, queimando seus olhos.

No mesmo instante um clarão tomou conta do quarto. Sua mãe tinha entrado e aberto as cortinas.

- Eu achei que, com o grande dia chegando, ao menos você tentaria acordar mais cedo, dorminhoco.

- Não enche mãe!

- Teve aquele sonho outra vez? - disse ela, fitando-o apreensiva

- Sim… - murmurou Ray, que odiava o fato de terem se passado 7 anos que seu pai tinha sumido naquele incidente, e que nunca foi achado nenhum vestígio dele.

Sua mãe ficou em silêncio. Ela não gostava de conversar sobre o assunto.

Ray se levantou e deu um longo bocejo. Aquela lembrança ainda lhe perturbava, mas precisava se concentrar. Esfregou os olhos afastando aquele dia terrível da cabeça. "Não é possível que nunca vou esquecer esse dia'' pensou, dando outro longo bocejo.

Ray era um garoto negro como todos no humilde vilarejo onde morava, perto da divisa com o Grande Deserto. Era o vilarejo mais afastado do castelo real, além de ser o mais humilde. Com uma cultura diferente do resto do reino, era um vilarejo que sobrevivia da forja, já que, por ser tão próximo ao deserto, todo o seu solo era ruim para plantio, sendo praticamente pura areia.

Assim que tomou café, Ray foi subir em uma grande rocha ao lado oposto da vila, como de costume. Era uma rocha bem íngreme, que ele gostava de passar horas deitado. No topo, tinha a visão de todo o vilarejo. Não passava de 20 casebres pequenos. Os ecos das batidas das forjas eram bem audíveis. Como Ray era muito fraco, não conseguia se adaptar a forja. Passava grande parte do dia ajudando os idosos da vila em seus afazeres, pois, mesmo com seus recém formados 18 anos, ainda não tinha chegado a data da apresentação real. Todo ano, no final do inverno, garotos e garotas de 18 anos deveriam se apresentar a uma avaliação no castelo real. Se atendessem as expectativas, eram destinados a alguma função específica. Se não, voltavam para suas casas.

- Tomara que achem algo pra eu fazer - murmurou, pensativo - odeio essa areia.

Se levantou, e viu o velho Rohn ao lado de fora de seu casebre soltando grandes arcos de fumaça com seu grande cachimbo. Todo mundo achava o velho meio gagá por causa das histórias que contava, mas todas as crianças gostavam muito dele.

Desceu em um salto, e foi em direção a ele.

- Bom dia senhor Rohn - gritou Ray com a mão levantada.

- Olha se não é o pequeno Ray - exclamou Rohn, com a voz tão rouca que parecia que sua garganta estava rasgando.

Rohn era um velho alto com uma longa barba branca. Negro, de olhos castanho escuro profundos, demonstrando grande sabedoria, era impossível dizer se tinha 80, 100, 500 ou mil anos.

- E então garoto, pronto para o grande dia? - perguntou Rohn.

- Acho que sim - respondeu Ray - Não vejo a hora de sumir desse poço de areia.

- Você vai sentir saudades - riu Rohn, uma risada tão rouca que poderia ser confundida com uma tosse.

- Eu duvido muito sr. Rohn, ninguém gosta desse lugar de verdade, só vive aqui pois não tem outra opção - exclamou.

- Na época dos dias sombrios, qualquer um daria a vida por um lugar calmo como esse - disse ele, ainda sorrindo.

- Você fala tanto desses dias sombrios, por acaso estava lá?

- Faz mais de 700 anos pequeno Ray - falou Rohn com um ar misterioso - sou velho, mas não tanto assim.

Ray poderia jurar que ele ERA tão velho SIM, mas preferiu não falar nada.

- O que pretende fazer quando chegar na capital real?

- Faço qualquer coisa, mas prefiro não ser do exército do rei. - disse Ray - Se me lembro bem, não são os melhores camaradas que posso encontrar na capital, além de meu porte físico não ser dos melhores.

Rohn olhou ele de cima a baixo.

- Poderia ser um mago, apesar de hoje seja muito difícil alguém ascender a tal posto.

- Mago? Como aqueles das histórias que você conta?

- Exatamente. A muitos anos que os magos não existem mais, tem que possuir um talento natural e um grimório para ser um mago de verdade, mas a anos que nosso reino não tem mais magos.

- O que é um grimório? - perguntou Ray confuso.

- Um livro de feitiços. Só existem exatamente 10 grimórios no mundo, que estão divididos entre os 7 reinos. Nosso reino possui 3, que estão no castelo.

- Mas porque ninguém mais usa os grimórios? E o que eles fazem?

- Primeiro que ninguém escolhe um grimório, é ele que escolhe o seu portador. Quando o portador morre, o grimório volta para o mesmo local de onde foi retirado, no caso, o castelo. Quanto às habilidades de cada um, nunca ouvi sobre todos, só os do nosso reino. Seria uma grande vantagem saber as habilidades dos reinos vizinhos, não? - disse dando sua risada rouca - Nosso reino possui os grimórios de Fogo, Luz e Escuridão.

De repente um lampejo passou na mente de Ray.

- Meu pai tinha um grimório???

- Hum… acho difícil, já que ele nunca serviu ao exército.

Ray se decepcionou um pouco.

- Espero pegar uma função que não me incomode e possa ficar tranquilo, com certeza o exército é a pior opção possível.

- Não se preocupe com isso, pequeno Ray, você é jovem demais para viver preocupado desse jeito - disse Rohn sorridente.

Ray se despediu e deu mais uma volta na vila, ajudando os idosos que conhecia bem: dona Herma, com sua terrível dor na coluna, sempre pedia para ele lavar suas roupas e estender; o velho Felinton, com sua visão cansada e turva, sempre precisava de ajuda para ler os pergaminhos das receitas que ele tinha comprado na capital há pelo menos uns 40 anos atrás; e Flick, que queria trocar algumas telhas de sua casa maltrapilha. Mas a lembrança do livro de seu pai ficou girando em sua mente até o fim do dia.


Tempestade


Enfim chegou o dia de sua partida. Ray preferiu sair um pouco antes de escurecer, pois, se tudo desse certo, conseguiria chegar ao amanhecer na capital. Mas estava bem apreensivo. Grandes nuvens negras estavam vindo em direção, anunciando uma tempestade. "Não vou desistir agora por causa de uma simples chuva" , pensou. Se despediu de sua mãe, que desejou boa sorte e decidiu fazer uma ultima visita ao velho Rohn.

- Não se demore muito pequeno Ray, pois uma nuvem negra está vindo.

- Não tenho medo de chuva - disse Ray sorrindo - só vim te fazer uma última visita. Espero que o senhor possa continuar por muito tempo contando suas histórias para as crianças do vilarejo!

- Pode deixar comigo. - disse Rohn sorrindo - Tenho uma coisa que preciso te contar ainda Ray.

- O que é? - perguntou Ray confuso.

- Trevas e luz são inimigas naturais. Crianças, até mesmo adultos, tem muito medo do escuro, então acabam correndo em direção a luz. Mas até mesmo a luz pode ser perigosa e traiçoeira.

Ray fitou ele por alguns segundos. Rohn parecia estar falando realmente sério.

- Então... Certo, vou me lembrar disso.

Ray deu a mão para ele, e se despediu. Seguiu a estrada que, conforme avançava, ia mudando a vegetação de areia por várias plantas, até chegar a uma densa floresta. "Ao menos estou só com uma bolsa", pensou Ray, pois os primeiros pingos tinham começado a cair, e pensava no peso de caminhar encharcado no meio da floresta. Essa ficava cada vez mais densa e com árvores e arbustos cada vez mais altos, e vez ou outra via algum animal correndo em busca de abrigo.

Estava caminhando a várias horas. A chuva agora era torrencial e pesada. Trovões e relâmpagos explodiam acima dele, como se deuses antigos estivessem em guerra no céu. Até que avistou um pequeno morro. A lembrança daquele dia veio clara em sua mente. O lugar aonde seu pai tinha sumido. Naquele dia, tinham se dirigido até um vilarejo vizinho para vender algumas armas que seu pai tinha forjado, e estavam voltando para casa quando foram abordados por duas pessoas encapuzadas. "Se eu fosse mais forte, poderia ter lutado ao lado de meu pai". Esse pensamento lhe assombrou por muito tempo, mas faziam tantos anos que jurou esquecer. Continuou seguindo em frente, e cada vez mais relâmpagos desenhavam o céu noturno. Quando passou pelo morro, a coisa mais improvável possível aconteceu: não dois, mas 4 homens encapuzados estavam bloqueando a estrada. Ray praguejou em silêncio por não ter trazido junto ao menos uma faca, mas mesmo possuindo uma, não seria a melhor arma contra quatro ao mesmo tempo.

- Pode parando por aí, amigo - disse o encapuzado mais alto, parecendo ser o líder do grupo.

- Desculpe, mas estou com pressa, preciso chegar a tempo na capital para ajudar um ente doente - foi a única desculpa que passou pela cabeça de Ray.

- Então não vai se importar de olharmos sua bolsa - disse um segundo encapuzado, visivelmente embriagado - Afinal, como boas pessoas, temos que garantir que você não esqueceu nenhum remédio.

Ray já estava se virando pra correr, e não tinha notado que tinha um quinto atrás dele. Levou um soco tão forte no estômago que por muito pouco não desmaiou. Caiu de cara na lama, e tudo estava girando. Virou pra cima, e só conseguiu ver um vulto da gangue rindo dele, e um clarão de um relâmpago cortando o céu. Levou um chute nas costelas, que o fez gritar de dor. Pegaram sua bolsa, mas não tinha nada além de algumas moedas e uma marmita.

Relâmpago.

Voltaram a direção de Ray.

- Nunca vi um remédio a base de marmita -gritava o bêbado - Mas já que você não tem nada pra dar pra gente, vamos ter que aproveitar do jeito que der.

Relâmpago.

Todos ele puxaram ele até uma árvore. Estava tão desnorteado que não conseguia reagir. Ouviu o barulho de cintos sendo abertos.

Relâmpago.

Dessa vez, o relâmpago caiu bem perto, incendiando uma árvore próxima. A gangue se assustou, mas decidiram terminar o que tinham começado. Quando o primeiro colocou a mão em Ray, um raio caiu exatamente na árvore em que estava apoiado, arrebentando ela de cima a baixo e pegando fogo. Todos recuaram assustados, mas não pelo fato de quase terem morrido, mas por Ray, que deveria ter fritado, estar de pé a frente deles, com um livro dourado nas mãos e olhos brilhando.

- Esse bostinha não apanhou o suficiente - disse o líder - vamos acabar com a raça dele!

Nesse momento, o livro se abriu.

- Fulgur Magicae: Saggitta Fulgur.

Cinco raios desceram em forma de flecha do céu, acertando em cheio a gangue, queimando todos eles vivos. O livro se fecha, e Ray cai ao chão desmaiado. Ao longe, uma pequena figura observa toda a cena, e vai embora com um grande sorriso no rosto.


Forasteira


Ray acordou com a luz do sol em seu rosto. A chuva tinha passado, e o céu estava completamente limpo. Ainda sentia um pouco de dor pelo socos que tinha levado. Se levantou, cheio de lama. Sentiu um estranho cheiro de carne queimada. Olhou a sua frente e ficou horrorizado quando viu os corpos carbonizados, vários pedaços espalhados ao redor dele.

- Mas o que aconteceu aqui????

Ray não conseguia se lembrar muita coisa, só que tinha apagado quando teve a impressão de um raio cair em sua cabeça.

O sol começou a formigar sua pele. Era quase meio dia. Ray começou a recolher suas coisas apressado, pois se não chegasse no castelo até o fim da tarde, perderia a chamada dos candidatos. Sua marmita estava intacta, por incrível que pareça, e conseguiu recolher todas as moedas. Pensou em vasculhar nos corpos carbonizados, mas sentiu muita repulsa. Estava quase partindo quando viu no chão um livro dourado. Pegou ele, e sentiu um estremecer como se tivesse levado um choque de leve. Sua capa dourada tinha um brilho leve, com desenhos em forma de relâmpagos, e uma escrita ao centro: Fulgur Magicae. Abriu ele, e quando viu a primeira linha, teve a impressão o livro tinha ficado mais pesado. Tinha várias palavras, mas não sabia que língua era que estava escrito. Folheou um pouco até achar uma página com 3 linhas que conseguia ler: "Sagitta Fulgur", "Coruscamine" e "Parva Clypeus".

- Será que esse é um daqueles grimórios que o senhor Rohn me contou? - pensou em voz alta

Pensou em ler em voz alta uma das palavras, e seguiu sua intuição:

- Coruscamine!!!

Nada aconteceu. Se decepcionou um pouco, mas, como sua curiosidade sempre foi maior que o bom senso, decidiu tentar de outra maneira.

- Fulgur Magicae: Coruscamine!!!

O grimório brilhou em soltou algumas faíscas, e Ray sentiu um choque forte o suficiente para fazer ele dar um pulo. Jogou o livro no susto, mas, ao invés de cair, o livro ficou flutuando. Sentiu uma coisa estranha no corpo, poderosa, como se estivesse... elétrico. Decidiu abandonar o livro e correr para o reino, não queria se incomodar com essas coisas que saíram dos contos do velho Rohn, afinal, já tinha problemas demais por ter ficado desacordado e estar em cima da hora para a chamada. Pegou sua bolsa e, quando começou a correr, parou repentinamente: o livro estava flutuando ao seu lado e, o que mais lhe assustou, estava a pelo menos duzentos metros de aonde estivera um segundo antes. " Será que..." Decidiu testar. Começou a correr com toda a velocidade, as árvores passando como vultos ao seu lado, uma velocidade que jamais imaginara alcançar. Quando parou, estava a quilômetros de onde estivera, na beirada do fim da floresta. Estava sorrindo. Uma magia de velocidade. A velocidade de um relâmpago. "Acho que agora eu chego a tempo". Pensou, ficando aliviado por não perder a chamada. Voltou a correr, e corria tão rápido que as vezes acabava queimando algumas plantas no caminho. Quando parou novamente, estava a apenas 5 quilômetros dos gigantescos portões do castelo. Ficou assustado consigo mesmo.

- Como eu desativo essa coisa - pensou em voz alta.

Olhou o livro, pegou e disse novamente: Coruscamine!!! O grimório parou de flutuar de parou de brilhar, caindo no chão. Quando Ray foi se abaixar para pegar, sentiu uma dor no corpo tão intensa, que caiu de cara no chão, sem conseguir se mexer. Era como se tivesse levado marteladas dos ferreiros na vila em seu corpo inteiro. Nesse momento, passou uma lembrança em sua mente de algo que Rohn tinha lhe dito uma vez:

- Pequeno Ray, todo nosso mundo possui magia. Algumas visíveis, outras invisíveis. Todos os seres do mundo utilizam dessa magia, seja para combates, seja para sua sobrevivência, seja para entretenimento. Essa magia do mundo se chama Mana. A Mana existe em todo lugar: nos rios, no ar, nas florestas, mas principalmente em nossas veias. Agora você é muito jovem pequeno Ray, mas quando ficar mais velho, vai entender como utilizar essa Mana. A Mana é como nossa energia corporal, se usar demais, você fica cansado. Lembre-se: Tudo é uma troca equivalente! Se você pegar uma espada extremamente pesada para atacar um inimigo, o golpe pode ser muito poderoso, mas a que custo?

Ray ficou com raiva dessas lembranças virem em sua mente justo agora, pois na época não levou a sério, já que nunca viu ninguém na vila usar magia a vida inteira.

- Ora ora ora, pelo jeito o menino relâmpago abusou demais do livrinho dele! - disse uma voz feminina em tom de deboche.

Ray estava com tanta dor que não conseguia nem virar o rosto para ver quem estava ali.

- Magicae Aqua: Remedii Aeger

Ray sentiu seu corpo ficar gelado, como se tivessem jogado um balde de água fria em seu corpo, mas, por incrível que pareça, sentiu um imediato alívio. Depois de alguns minutos, finalmente conseguiu levantar e olhar para quem tinha lhe ajudado: uma garota de capuz, bem pequena, aparentando ter a mesma idade que Ray, com o rosto bem fino e bonito, cabelos bem brancos e o que mais lhe chamou a atenção, os olhos extremamente azuis, cintilantes.

- Não vá me dizer que nunca viu uma garota na sua vida, não fica me olhando desse jeito não! - disse ela, fingindo cara de assustada.

- Obviamente que já vi uma garota- disse com a voz tremula, parecendo uma criança pequena que discute com outra- Só achei estranho encontrar tão rápido outra pessoa com grimório, sendo eles tão raros.

- Tenho meu grimório desde os 4 anos de idade garoto, e você é beeem atrasadinho viu.

Ray estava perdendo a paciência com aquela garota.

- Pois bem, esse grimório apareceu pra mim de repente e não faço idéia de como funciona, ta feliz agora?

- Sinceramente? Estou achando uma graça essa sua cara de bobão estressadinho - disse ela rindo - Eu tive treinamento desde pequena pelos antigos da minha terra natal, pois o grimório da água sempre foi de meu reino, esse seu que é esquisito.

- Esquisito?

- Baller possui os grimórios de fogo, luz e trevas, esse grimório não deveria estar por aqui - disse pensativa - afinal, esse reino já é mais forte por ter 3, e ainda ganha mais um.

- Não tinha pensado nisso, agora vou ter que esconder ele pra não entrar no exército, droga.

- Você não está achando que vai passar despercebido que é um mago perante os caras do exército, acha?

- Mas é só esconder o grimório, eles nem vão ficar sabendo de nada.

A garota abriu o livro.

- Magicae Aqua: Frame.

O lindo grimório azul como as águas do oceano brilhou, e saiu água dele, flutuando ao ar. Começou a girar, ficando quase transparente. Ray viu seu reflexo na água e entendeu o que ela queria dizer: seus olhos que antes eram escuros, estavam dourados, e as pontas de seus cabelos também.

- Quando você é escolhido por um grimório, sua fisionomia também muda - agora ela parecia ser uma mulher de 30 anos falando - Você ficou todo arrebentado porque exigiu demais do seu corpo, que não está acostumado a usar a mana. Você precisa treinar, tanto corpo físico quanto sua mana. Quantas magias você tem?

- Tem três que consigo ler.

- As três magias iniciais: magia de ataque, magia de defesa e magia de suporte. Obviamente que cada grimório tem magias diferentes, mas, no meu caso, minha magia de suporte é a cura. O corpo humano é constituído em torno de 70% de água, o que me permite desenvolver anticorpos e até recuperar um músculo atrofiado. Mas no seu caso, parece ser uma magia de aumento de poder físico. Você vai ter que treinar muito para poder usar essa magia, porque seu corpo me parece bem fraco.

A garota se levantou.

- Enfim, nosso encontro foi muito legal, mas preciso seguir minha viagem e terminar minha missão, afinal, estou em reino hostil - disse ela sorrindo.

- Como assim, espera - disse Ray, se levantando também - Eu preciso de ajuda, não sei como lidar com isso. Como preciso treinar meu corpo e minha mana? Tenho várias perguntas.

- Não se preocupe com isso, seu reino possui outros magos, eles vão te ajudar com isso - e foi se dirigindo em direção oposta ao castelo.

- Eu posso ao menos saber seu nome?

- Não - disse ela sorrindo - Eu nem poderia ter te ajudado, pois, na verdade, somos inimigos. Mas contente-se com isso: sou a pessoa mais linda que vai encontrar em sua vida, pode me chamar de deusa.

Nisso se virou, abriu o livro e recitou: " Magicae Aqua: Ice Slide"

Novamente surgiu água do livro, caindo na frente dela e abrindo um caminho de gelo, no qual ela saiu deslizando em uma velocidade incrível, como se flutuasse. "Sua deusa" rosnou Ray, com raiva do jeito debochado dela. Colocou o livro na bolsa, e se dirigiu aos portões do castelo, pensando em quanta informação tinha conseguido, ao mesmo tempo preocupado com o que poderia encontrar no castelo.

2 de Março de 2020 às 11:35 2 Denunciar Insira 3
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Karimy Lubarino Karimy Lubarino
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March 02, 2020, 12:52

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