predohenr Pedro Lopes

Após uma experiência traumática, Ângelo troca de escola pensando que seus problemas simplesmente deixariam ele em paz, mas será que isso vai acontecer? ou suas preocupações apenas mudarão de nome? Essa história conta todo o percurso do garoto nessa nova etapa de sua vida. Finalmente ele conseguirá sentir que pertence a algum lugar? Esta história também está sendo publicada por mim no Spirit Fanfics, Wattpad e Nyah! Para contato direto com o autor desta história, mandar e-mail para: [email protected]


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O início

Se procurar pelo significado da palavra “amor” no navegador você irá se deparar com isto:

amor

/ô/

substantivo masculino

  1. forte afeição por outra pessoa, nascida de laços de consanguinidade ou de relações sociais.
  2. atração baseada no desejo sexual.

Para Ângelo, todas as palavras com aquela conotação soavam como se fossem qualquer coisa. O fato é que era cansado de toda aquela merda envolvendo esse conceito, já havia até se acostumado a todo tipo de dor por coisas que ele passou. Foi feito de trouxa, iludido, traído, enganado, chantageado e até sido deixado como última opção. Já era explícito que ele era insuficiente e que talvez nunca fosse viver algo parecido com um amor normal e sempre acabava se culpando por coisas que estavam fora do próprio controle. Ele vinha de uma família com status e as outras pessoas sempre o tratavam como um filhinho de papai, coisa que ele não era. Não. Definitivamente não era igual a sua família. Em sua casa moravam 3 pessoas, seu pai, ele e sua irmã, que tinha 6 anos. Mas, além dali, havia mais um. Noah, o mais velho.

A mais nova se chamava Helena e tinha uma síndrome que foi adquirida quando estava na barriga de sua mãe, a doença de Stargardt, uma doença genética e que a faria perder progressivamente a visão. A gravidez foi conturbada e a mãe foi aconselhada várias vezes que aquilo poderia trazer danos a si mesma durante o parto, porém ela não quis abortar. Ela teve uma hemorragia durante o parto e acabou por falecer. Cruzes, o peso daquelas palavras doía, Ângelo podia sentir que mesmo se fizesse uma década do acontecido, ainda seria forte a presença de sua mãe em sua vida. Lembrar aquilo era doloroso demais para si.

A infância de Helena foi bem complicada devido a doença e como o geneticista havia previsto, a garota acabou por perder quase toda a sua visão, fazendo com que ela não tivesse tanta liberdade assim.

Ângelo estudava em uma das escolas mais prestigiadas da cidade – como era de ser com todos os que eram bem de vida dali –, era afastada do centro, em um bairro calmo da cidade. O colégio era dividido em blocos, cada um era um prédio de 3 andares, com uma letra do alfabeto associada e com sua própria finalidade, como por exemplo o bloco A, que eram os dormitórios dos alunos, o B, C e D, que tinham as Salas de Aula e assim por diante.

Seu pai foi fazer a matrícula junto com o garoto no ano passado e agora suas aulas iriam começar no outro dia. Quando o tempo havia passado tão rápido? Já era fevereiro e ele talvez não estivesse pronto para todo aquele caos que seria estudar em uma nova escola, assim como reiniciar todo aquele processo cansativo de arrumar amigos.

Após tomar seu café da manhã, com sua irmã e seu pai, foram direto ao carro para deixá-lo na escola. Helena tinha aula naquele dia, mas havia ido junto porque queria dizer um adeus a seu irmão, que em teoria só voltaria para casa no próximo final de semana.

Durante o percurso estava tudo calmo, mas Ângelo não sabia como se sentia sob essa condição, seria isso o início de uma era pacífica de sua vida ou apenas a calmaria antes da tempestade? Isso o intrigava mais do que tudo porque essa era uma das coisas que ele não conseguiria saber a resposta por mais que pensasse sobre. E foi ali, observando o exterior pela janela do veículo, que ele ficou reflexivo. Não a ponto de ficar triste, mas para entender o momento que ele estava passando.

Após certo tempo, foi interrompido pelo barulho do carro que foi diminuindo a velocidade, parando, sendo desligado e pela voz estridente de seu pai:

-Chegamos. – Disse curto e seco.

-Eu preciso mesmo? – Ângelo falou enquanto bufava em desaprovação, ainda sabendo que eventualmente aquilo teria de acontecer.

-Já tivemos essa conversa antes. – Proferiu o maior, enquanto o menor lembrou de quando ele viera fazer sua matrícula. Teve um déjà vu, sentia que já havia passado por aquela situação. Era esse sentimento que tomava conta dele nesse exato momento pela conversa acontecer da mesma maneira de antes.

-É, já tivemos sim – Quando ele terminou de dizer estas palavras, sua voz foi interrompida pelo som estridente de uma Helena que havia acabado de acordar e estava espreguiçando-se enquanto bocejava.

-Chegamos? – Ela disse ainda sonolenta e os dois do banco da frente deram um aceno de cabeça, confirmando.

Após isso, Ângelo se despediu de seus parentes e marchou rumo à escola com suas malas. Chegando na entrada, ele viu o grande portão de entrada, tendo logo após ele, o hall e a recepção. Perguntou onde era seu quarto, dando suas informações de matrícula e logo o moço estava lhe ensinando o caminho até lá.

Chegando lá, deixou suas malas no chão e notou que no quarto havia uma de solteiro, uma cômoda e uma escrivaninha de cada lado do quarto, além de um único guarda-roupa na parede oposta. Ângelo gemeu em negação por não querer dividir o quarto com alguém, pensava que conseguia se virar muito bem sozinho. Na cômoda da direita tinha uma foto enquadrada de uma família, ficou curioso, então andou até lá e pegou a foto, abraçando a moldura com as duas mãos. Viu 4 pessoas, duas mulheres mais velhas, aparentemente casadas e dois meninos, um maior e um bem pequeno. O grande era um menino loiro, o cabelo era de um tamanho médio, o maior da foto estava com um grande sorriso enquanto olhava para o menino que aparentemente era seu irmão.

***

Lucas tinha chegado na escola havia pouco tempo e em vez de ir direto ao seu quarto, ficou vagando pelos corredores e salões de sua tão conhecida escola, estudava lá desde que podia se lembrar. Vinha de uma família da classe alta da sociedade e qualquer pessoa que lesse o jornal o acharia problemático apenas pelo conteúdo que aparecia na mídia sobre si, já havia aparecido várias vezes em páginas de fofoca por polêmicas envolvendo bebedeira em festas, drogas e tudo mais, só que a mídia sempre exagerava nas histórias e ele nunca havia feito as coisas do jeito que saía nas matérias. Ok, o menino admitia que não era santo, mas qualé, não precisava desse alvoroço todo apenas por ele querer ter uma vida agitada. Era bonito, gostava de seu cabelo e era vaidoso. Filho de duas mulheres que ele considerava as coisas mais importantes para si junto de seu irmãozinho.

Assim que cansou de ficar vagabundando pelos corredores, foi aos seus aposentos de sempre enquanto se perguntava quem seria seu parceiro de quarto, odiava aquela política de ficar mudando todo ano. Quando ele abriu a porta, se deparou com uma imagem um tanto engraçada. Um menino aleatório estava em pé perto de sua cômoda e segurava a foto de sua família nas mãos. Se aproximou do seu menino e fez um barulho com a garganta propositalmente para avisar que estava ali, o que acabou por ter um efeito que ele não imaginava, o guri tomou um susto e quase deixou cair o porta-retratos.

Porra, Lucas não lembrava de ver alguém tão bonito como o garoto que estava na sua frente fazia eras. Os cabelos do garoto eram pretos, cacheados, cuidadosamente definidos, com um rosto quase fino e lábios carnudos.

Após alguns segundos, finalmente, o garoto abriu a boca para se explicar.

-Desculpe por isso, sou tão introme…

-Sou bonito né? – Falou abrindo um sorrisinho de canto deixando o outro menino sem reação. O outro apenas sorriu e permaneceu em silêncio, então Lucas teve que falar novamente.

-Desculpe por isso. Enfim, qual o seu nome? – Disse ele massageando a cabeça enquanto dava um sorrisinho desajeitado.

-Ângelo – Respondeu o outro enquanto estendia sua mão, querendo cumprimentá-lo.

-Lucas – Disse, respondendo ao aperto de mão do outro.

-Prazer em te conhecer. -Proferiu o menor.

-O prazer é todo meu – Disse Lucas enquanto sorria com a intenção de deixar aquela frase com uma conotação sexual. Era legal deixar o outro com vergonha.

Ângelo estava intrigado com o menino que acabara de entrar em seu quarto e o fez arder em vergonha. Quem ele pensa que é? Pensava. Acabara de chegar na escola e já havia chamado a atenção de um bocado de gente.

Após ajeitarem suas coisas no quarto, os alunos se dirigiram à suas respectivas salas de aula. Naquele lugar, tudo era puxado e os alunos sempre tinham que dar o melhor de si para alcançar o êxito. Lucas estava sentado no fundão, onde sempre se sentava todo ano e seu colega de quarto, Ângelo, estava um pouco à frente, umas duas ou três cadeiras. Na sua classe, haviam quarenta e oito alunos, havia uma organização perfeita de seis filas com oito cadeiras de comprimento, uma para cada aluno

A primeira aula que teve foi a de Filosofia, um professor novo havia entrado, visto que a antiga havia se aposentado. O professor tinha uma estatura mediana e usava óculos de lente arredondada. As meninas começaram a cochichar assim que ele entrou, notando a beleza do docente. Se posicionou na frente da sala, bateu as mãos afim de fazer os alunos ficarem quietos e deu início a sua aula. Fazia tempo que Lucas prestava atenção e o resultado dessa atenção em especial agora tinha um motivo, seu Professor de Filosofia.

Quando o último sinal do dia tocou, Lucas foi direto ao seu dormitório para pegar uns pertences seus e ir para casa, tinha que pegar umas coisas que não couberam em seu carro. Chegou no seu quarto, deixou sua bolsa, pegou seu celular, seus fones de ouvido, a carteira e saiu. No corredor, deu de cara com Ângelo, que lhe olhou com uma cara de dúvida, mas o garoto apenas seguiu em frente rumo ao estacionamento e enfim, entrou no seu carro e dirigiu até seu lar.

Sua casa era enorme, quase uma mansão. O jardim da entrada, a porta grande, a sala, os quartos, os quartos dos funcionários, a cozinha, tudo aquilo era consequência de todo o lucro que a empresa de suas mães havia gerado. Como enriqueceram? Cansadas e quebradas, vindas de um mercado de trabalho cruel e nem tão agradável, decidiram abrir uma farmácia juntas, que foi crescendo, abrindo filiais e logo elas tinham estabelecido um monopólio.

Às vezes lembrava de quando suas mães foram ao orfanato e o adotaram. Assim que elas o viram lá, se interessaram por ele logo de cara. Era um garoto infeliz no orfanato, as outras crianças faziam de sua vida um inferno, o obrigando a ter que amadurecer mais cedo do que nunca. Lucas confessa que demorou um tempo para se acostumar com a nova família que havia arrumado, naquela época ele era bem introspectivo, coisa que acabou causando com que fosse uma criança um tanto quanto difícil de lidar.

Alguns anos depois da adoção, as duas queriam outra criança, porém em vez de adotar, preferiram fazer uma gravidez por meio da Fertilização In Vitro, que gerou o outro filho menor. Após arrumar as coisas que tinham faltado, guardou a mala no carro, mas como já era tarde da noite, resolveu dormir em casa, acordar mais cedo e voltar a escola no dia seguinte.

24 de Fevereiro de 2020 às 18:13 0 Denunciar Insira Seguir história
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