brenkim brendon kim

Wu Fang e sua mãe, Jiangli, estão prontos para mais um dia como piloto e aeromoça. Sozinhos no avião, o motor falha e eles caem em direção ao mar, podendo ver a morte lhes batendo à porta. Mas o que acontece quando ao invés de cair na água gelada e salgada eles chegam a duas ilhas e quatro civilizações diferentes divididas entre ar, terra, fogo e água?


Ficção científica Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#dimensão-paralela
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A chegada

Ele sentia o peso de todos aqueles olhares o perfurando e o acompanhando a cada passo pesado. A corda bem fixa em seus pulsos o apertava dolorosamente, vaias e comemorações por sua sentença eram ouvidos de todos os cantos dos reinos e os pés descalços mal aguentavam a dor de escalar o vulcão.

Haviam dois jovens à base do portal, com lágrimas nos olhos e o coração batendo em alívio, as mãos dadas e o medo indo embora ao ver o pai pagar por seus crimes.

"Wu Peng, seus atos imperdoáveis o levaram a esse momento de vergonha e desprezo. O conselho dos quatro reinos decidiu não tirar sua vida, sua sentença será o exílio." o rei de Aquor decretou e com um sutil aceno, Huo Jian, rei de Vulkan, entregou as oferendas aos guardiões e a luz amarelada e quente da lava se tornou azulada e fria.

"Suas últimas palavras?"

Ele manteve-se em silêncio e em seguida, pulou para dentro do buraco, sendo seguido por uma grande onda de comemoração.

Wu Fang acordou tão disposto quanto nos outros dias, amava a sensação gostosa do sol da manhã batendo em suas costas e a luz o acordando cedinho, antes mesmo de seu despertador. Levantou em um pulo e tomou um banho frio demais na opinião de qualquer pessoa sã, se vestiu com o costumeiro uniforme de piloto bem passado pela mãe que dormia no quarto ao lado do seu.

Fez o café da manhã como sabia que a progenitora gostava, no estilo americano. Olhou para a mesa bem arrumada e com um grande sorriso, saltitou para o quarto da mãe, abriu a janela e deixou o sol entrar, ouvindo os murmúrios em negação da mais velha.

"Bom dia, flor do dia! Hora de acordar e mexer esse corpo, mais um dia nos espera."

Puxou ela pelas mãos e a mulher se viu obrigada a sair da cama.

"Isso é algum tipo de vingança por eu te acordar cedo no ensino médio?"

"Talvez." Sorriu arteiro. "Agora vai tomar um banho e se arrumar pro trabalho, a gente não pode se atrasar."

"Sinceramente, o que eu tinha na cabeça quando inventei de dar sem camisinha…" Implicou enquanto ia para o banheiro, batendo a porta com força e arrancando risadas do filho.

Quando voltou do banho a cama já estava estendida e o uniforme bem alinhado em cima dela, sorriu, tinha o melhor filho do mundo e nunca poderia reclamar dele, mesmo com as piadas e o humor ácido quando era acordada, Wu Fang sabia do amor que a mãe sentia.

Wu Jiangli mesmo estando quase na casa dos cinquenta, tinha a aparência de uma mulher de pouco mais do que trinta, era tão bonita e sorridente quanto o filho, mas felizmente não tinha aquela irritante mania de limpeza que Fang carregava.

"Meu filho, você realmente não precisa lavar a louça agora." Reclamou, mas sorria enquanto lhe abraçava por trás e beijava sua bochecha com carinho.

"Bom dia pra você também."

Jiangli se sentou na mesa e começou a comer ao mesmo tempo em que conversava com o filho sobre o tempo daquele dia. Ambos trabalhavam nas alturas, Fang era piloto de avião e a mãe aeromoça, a precipitação era muito importante.

"Falaram que vai chover, mas não vai atrapalhar o vôo."

"Você vai pra onde hoje?" Perguntou casualmente enquanto expulsava o filho da pia para lavar a xícara do seu café.

"Nós" enfatizou "vamos a bordo de um jatinho particular buscar e levar uma família riquíssima para Miami."

"Ah não, tudo menos os Jung."

"É, são os Jung."

"Bom, eu espero que nesse vôo tenha calmantes."

"Mais calmante que minha voz de veludo?" Fang brincou.

"Ah, pronto!"

"Senhores passageiros com destino à Miami, por favor mantenham seus cintos devidamente afivelados e perturbem minha mãe apenas se for necessário."

Jiangli riu. Mesmo que tivesse certos passageiros chatos, voar era sua vida e ter seu filho ao seu lado fazia tudo ser ainda melhor.

"Pronta, minha rainha?" Fang perguntou antes de saírem de casa.

"Pronta, plebeu."

Antes de entrarem no táxi que havia chamado mais cedo, Fang imediatamente abriu a porta do carro pra sua mãe que agradeceu sorrindo para o filho.

"As maravilhas de ter criado um gentleman." Jiangli se gabou enquanto Fang se juntava a ela.

E assim seguiram para mais um dia de trabalho rumo ao aeroporto.

Já na aeronave, mãe e filho seguiam todo o protocolo de segurança para decolarem devidamente e buscarem a família Jung.

"Seu cinto está bem preso, senhora Wu?" Perguntou Fang.

"Está."

"Tem certeza?" Insistiu.

"Filho, eu sabia checar cinto de segurança antes de aprender a trocar suas fraldas." Jiangli respondeu com um ar risonho.

"Eu sei, mãe. Mas meu bem maior é você, custa nada eu zelar pela sua segurança." Respondeu Fang de forma carinhosa.

"Não faz assim, senão eu choro." Jiangli falou fingindo secar algumas lágrimas.

"Então, podemos ir?"

"Vamos."

E com autorização da torre de comando, partiram.

"Mãe!" Gritou, tentando manter o controle a todo custo. O seu e o do avião. "Perdemos contato com a torre!"

"Merda! Onde estamos?"

"No meio do Mar Amarelo, estamos fodidos. Uma das turbinas enguiçou e a chuva está cada vez pior."

"Vou buscar os coletes, continue tentando contato!"

Gritou correndo para a outra ponta do avião, buscando os coletes salva-vidas e o bote, o coração batendo em desespero enquanto procurava por mantimentos porque sabia que se caíssem, e iriam, estariam mortos no meio da água agitada pela tempestade.

"Merda, eu perdi!" Gritou sentindo a adrenalina correr por todo o corpo enquanto a mãe voltava para a cabine de controle. Vestiram os coletes antes que o avião mergulhasse em pleno ar e se abraçaram mais apertado do que nunca.

"Eu te amo, mãe."

"Eu te amo muito, meu filho."

A última coisa que a mulher viu antes de perder a consciência foi um pedaço de terra que tinha no máximo o tamanho de cinco cidades e o avião indo de encontro a ele.

18 de Fevereiro de 2020 às 16:44 0 Denunciar Insira 1
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brendon kim só mais um escritor que tem fé em um dia crescer

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