Pelas Suas Mãos Seguir história

kztironi Karina Zulauf Tironi

Pelas Suas Mãos é um conto sobre a vulnerabilidade de um relacionamento e as inseguranças que temos quando amamos muito uma pessoa.


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Pelas Suas Mãos

O que me mata de verdade é saber que você tem essa opção.

Qualquer dia desses, esteja a gente deitados no seu sofá amarelo ou tomando açaí em um domingo à tarde na beira da praia, você pode simplesmente se tocar de que não é exatamente isso que quer para a sua vida. Quem sabe nunca foi, mas só naquele momento você se deu conta.

Você pode perceber que o jeito que raspo a colher no açaí ou como me deito em seu peito não chega nem perto de quão bom ou quão perfeito era com ela. Quão etéreo ela fazia o simples ato de comer ser, ou quão incrivelmente leve a cabeça dela pesava acima do seu coração, sem fazer pressão. Sem machucar.

Então talvez as coisas lhe virão como uma avalanche. Não, você não quer aquilo. Você não quer estar com uma pessoa como eu, que se esquece de coisas que você disse mesmo estando prestando muita atenção, que se atrapalha em contar situações do dia a dia por não encontrar palavras para tal, que tem uma paixão por escrever e transbordar pelas mãos, por isso tem tanto cuidado ao te tocar, com medo de sufoca-lo com tanta profundeza. Talvez você faça uma análise interna e perceba que, caramba, nós não somos parecidas. Talvez perceba que rio alto demais, que fujo de situações que me demandem certo nível de responsabilidade, tenho crises de ansiedade e tristezas repentinas, e que eu nunca conseguirei ser como ela em muitos aspectos.

Muito provavelmente as memórias que fez comigo sejam insuficientes para apagar ou sequer nublar as que teve com ela, e, assim, você verá que não tenho como tomar seu lugar, porque meu molde não é o mesmo, e não caibo no vazio que ela deixou em você.

O que me mata é saber que tudo pode mudar assim, de repente.

Você estava evitando isso, eu sei, e desde o começo me proteger de quebrar e sofrer foi sua missão – por isso tentou me afastar. Mas eu não conseguia. Não depois de ter olhado em seus olhos, de ter escutado-o falar... Eu não poderia deixa-lo ou recuar. Eu estava envolvida demais, como Jack jurando pular atrás de Rose. Eu vi em você uma alma que combinava tanto com a minha que foi impossível sequer pensar em renunciar da chance de tentar.

Porém, agora eu vejo o quanto as memórias o atormentam, como a falta dela e a falta do que vocês tinham o faz sofrer. E eu sei que estou no meio de um campo de batalha, bem no centro, e sei que as chances de eu sair viva da guerra são mínimas e sei que meu coração é o alvo principal; eu sei disso tudo, mas não posso erguer a bandeirinha branca agora. Eu preciso estar aqui, do seu lado, mesmo que isso signifique me ver caída ao chão, congelando de frio, fumaça de pólvora cobrindo minha visão do céu azul.

Eu sei das chances. Sei que talvez eu vá ter uma das grandes, maiores, alegrias da minha vida, como também sei que posso não ser mais a mesma pessoa quando tudo isso acabar.

Nessa guerra eu preciso permanecer, porque não suporto a distância entre nós, mesmo que a consequência disso seja todo esse sangue derramado. Eu quero estar com você mesmo que o resultado venha a ser ter meu coração estraçalhado, porque eu sei, no fundo, que eu preferira morrer pelas suas mãos do que pelas minhas.

Então me mate com um sopro de um beijo e eu partirei em paz.

17 de Fevereiro de 2020 às 15:22 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Karina Zulauf Tironi É aqui que eu me apresento? Não posso fazer feio, a primeira impressão é a que fica! Meu nome é Karina. Eu sangro no papel... hã, quero dizer, eu escrevo. Merda. Apague essa bizarrice que eu acabei de falar. Eu sou escritora, autora, e entrei na plataforma para divulgação gratuita (uhuuu). Espero que isso dê certo.

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