fanny_odadmayan Fanny Odadmayan

Sarah vivia normalmente com seus pais numa fazenda, contudo em um dia por alguma esquisitice do destino, acaba acordando na cama de um completo estranho, e para piorar vários séculos no futuro. Totalmente assustada com toda aquela nova realidade, precisa se acostumar aos novos costumes e tecnologias. Jonathan é um homem sem expectativas na vida, apenas trabalhava e passava os dias bebendo e lendo revistas eróticas. Quando se depara com uma mulher desconhecida dizendo ser do passado tudo vira de cabeça para baixo. Ainda mais porque aos poucos Sarah vai trazendo alegria e mudando o jeito dele de encarar a vida, talvez ela seja a magia encantadora do natal que tanto ouviu dizer.


Ficção científica Distopia Para maiores de 18 apenas.

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A mulher estranha

20 de novembro de 3999

Ele andou pelas ruas estreitas respirando aquele ar gelado, as construções apertadas e metálicas traziam um ar sombrio, mas pensando consigo mesmo seria difícil o subúrbio ter algum clima alegre. Seus passos eram misturados com barulhos da agitação matutina de máquinas e pessoas começando o dia. Olhava tudo atentamente, indivíduos lotavam trens enquanto outros abriam as portas dos estabelecimentos. Conforme passavam os minutos aumentavam a quantidade de carros, sons de caminhadas e conversas ficavam cada vez mais altas. Andava entre as pessoas cansadas, todos os rostos vazios indo cumprir seus afazeres, assim como ele sem perspectivas.

A divisão do mundo fez ascender grandes capitais no qual concentravam tudo, poder, conhecimento científico, economia. Apesar disso, prevalecia uma enorme desigualdade, no qual existia uma realidade esquecida das pessoas à margem da sociedade. Tecnologias impressionantes, inúmeras empresas e vida fácil estavam centralizados somente em regiões centrais, após isso restavam amontoados de casas e indivíduos insignificantes.

A divisão C-10, em que morava, fazia parte dos 14 bairros de Calípolis, sendo esta integrante dos grandes centros políticos. Ele recordou quando aprendeu na escola de onde foi tirado aquele nome, servindo como inspiração os escritos de Platão onde idealizou sua cidade perfeita. Tal termo estava longe da verdade encontrada, ricos e poderosos desfrutavam qualquer luxo enquanto outros viviam nos minúsculos quartos lutando para sobreviver. Eram iguais somente aos impostos, deviam todos pagar além de serem completamente obedientes à ATLANTIS, uma corporação composta por inteligências artificiais extremamente influentes.

Depois da terceira e quarta guerra mundial, todos ficaram chocados quando as tecnologias foram usadas no intuito de destruir, os governos vigentes concluíram que toda raiz do mal estava nas ambições. Então se tivessem controle sobre os sentimentos humanos estaria tudo resolvido. Desde o ano 2500 implantaram os códigos que monitoram todos aspectos da vida humana, pessoas passaram a comprar emoções em forma de programa, assim eram inseridos nos capacetes conectados ao computador. Desse jeito as placas estimulavam o cérebro causando a sensação desejada. Iniciou-se, portanto, uma comercialização de sentimentos, onde ATLANTIS vendia diariamente ideias como ser desnecessário ter apego às emoções. Por que se preocupar e deixar os instintos te controlarem? Foram tais fraquezas ligadas a soberba, orgulho, maldade, inveja, ganância, causas da guerra.

Ele colocou seu pulso no leitor da máquina onde escaneia o código de barras para identificá-lo, tudo passou a ser controlado pelo Estado, os habitantes da monumental Calípolis, deveriam ser exemplo. Máquinas registravam diversas atividades como quanto dinheiro tinha nas contas bancárias, batimentos cardíacos, níveis de estresse, sono, saúde. Qualquer manifestação de sentimentos ruins faziam as barras da marca no braço assumirem uma cor vermelha. Rapidamente este indivíduo era encaminhado aos Anjos de Controle, médicos treinados para realizar terapias que acalmaria os anseios, pois um membro corrompido mancharia todo o restante.

Suspirando naquele frio, observou as luzes no céu cinzento, regiões mais afastadas continham fábricas onde empregava muita gente. A capital deveria ter aparência limpa e organizada para atrair os olhares do mundo, toda parte suja ficava nos lugares afastados. Tubos transparentes aéreos percorriam aquele espaço, carros eram dirigidos por meio de jatos em velocidades assombrosas. Chegou perto da máquina perto do trabalho para comprar algo, apertou os botões assistindo a garrafa contendo café rolar até onde pegava a bebida, tomou dois goles depois digitou no seu aparelho de comunicação, uma placa fina onde projetava num holograma as notícias cotidianas. Caminhou vendo até chegar na pequena porta verde decorada com guirlandas de natal. Já estão pensando nessa data?, refletiu erguendo uma sobrancelha.

Entrou cumprimentando o ruivo que mexia nas lentes grossas, mesmo com avanços científicos algumas pessoas insistiam em usar objetos retrógrados. Caminhou na direção da pequena sala no fundo do estabelecimento, ali detinha um espaço próprio. Havia embalagens com comida espalhadas numa pilha, além da poltrona marrom no qual caracterizavam aquele lugar. Vestiu o macacão laranja, uniforme da oficina, posteriormente dirigiu-se ao seu posto, trabalhava consertando equipamentos eletrônicos.

Jonathas logo abriu espaço entre as peças na mesa, focou sua atenção para frente onde tinha um enorme braço robótico, sustentado por cabos. Mexeu na tela verde do monitor, verificando quais possíveis problemas daquele equipamento estaria apresentando. Listou alguns pontos para serem analisados, então pegou alguns instrumentos. Distraído com o trabalho não percebeu uma senhora se aproximando, completamente embaixo do objeto mecânico apenas sentiu algo cutucá-lo. Imediatamente levantou-se batendo a cabeça, tinha esquecido da máquina acima.

- Com licença, poderia olhar isto? - disse a mulher segurando um capacete da ATLANTIS.

- Posso terminar isso depois. Hum… deixe-me ver.

O mecânico abriu atrás do objeto analisando as peças, mexeu nos fios coloridos esperando alguma resposta, após fazer os ajustes, logo aquela coisa acendeu luzes azuis. Satisfeito devolveu a senhora, pois tal sinal mostrava estar operando normalmente.

- Ah muito obrigado, nunca imaginei ser tão simples.

- Precisa ter algum conhecimento sobre circuitos mas não era nada tão complicado. Contudo é bom trocar o equipamento, este já está obsoleto.

- Entendo…. quanto vai ficar?

- Louise irá dizer ali naquela mesa - falou apontando para a colega de trabalho que digitava rapidamente no computador.

Voltou ao serviço respirando fundo, ultimamente mal começava o dia e já desejava ficar sozinho em sua casa. Novamente foi interrompido, desta vez pelo ruivo, Matthew possuía um jeito estranho, alto e desengonçado, vivia construindo pequenos robôs. Aprendeu tudo quase sozinho, seu sonho era ainda entrar num emprego na capital.

- Johny a srta. Berger está te chamando - comunicou ele limpando sua testa.

- Ah ótimo - resmungou mal humorado.

Caminhou até um escritório praticamente escondido no corredor, entrou observando a mulher com o capacete em cima da cabeça, sua chefe conseguia ser bem rígida mas também era justa. Tinha aberto aquele estabelecimento junto ao marido, contudo este a traiu dois anos antes, então acabou guiando o negócio sozinha.

- Queria falar comigo?

Ela não respondeu, seus cabelos loiros como ouro balançavam acompanhando o movimento agitado dela, Nurya dava bastante risadas entretida com as imagens virtuais projetadas pelo aparelho. Apenas apontou para um objeto metálico achatado onde recebiam mensagens, ele se aproximou vendo o holograma aparecer então leu as palavras ali. Achou estranho de início, aparentemente falavam de uma prima que nunca conheceu e agora queria encontrá-lo.

Foi criado por sua mãe desde a morte do pai quando tinha dez anos, possuía outra irmã caçula no qual o visitava às vezes, esta já estava com casamento marcado daqui três meses. Havia mandado diversos recados para ele comparecer, porém odiava festas e nem via motivos de felicidades ao ver sua única parente viva sair daquela divisão devido ao marido com condições financeiras melhores. Se achava egoísta por ter esse raciocínio, entretanto ainda assim, não conseguia pensar de maneira diferente.

- Ah obrigada – disse saindo dali.

Fechou a porta reflexivo, normalmente para enviar alguma localização o indivíduo mandava suas coordenadas, não através de mensagens assim. Achou melhor esquecer por enquanto, tinha muito a se fazer. O homem voltou ao posto de trabalho, sentou na cadeira metálica, continuando a mexer na maquinaria. Tal emprego podia ser extremamente cansativo, mas comparado às pessoas desempregadas até possuía privilégios. Mordeu uma maçã no qual estava próximo dele, enquanto assistia alguém comunicar no grande telão sobre um concurso de natal onde o vencedor passaria as férias numa ilha paradisíaca. Se eu ganhasse uma merda assim sairia daqui, pensou ele.

- Animado? - indagou Matthew - Logo as vendas de natal irão movimentar esse lugar.

- Nem se Jesus voltasse esse fim do mundo ficaria interessante.

- Cadê o espírito natalino, rapaz?

- Lembra do ano passado? Me diverti muito.

- Ficou em casa bebendo.

- Exatamente.

- Ah vamos lá, Nadine dará uma festa na casa dela na noite de véspera, vai ser bom irmos. Trabalhamos nos ferrando todos os dias, merecemos descanso. Aliás terá muitas garotas lá, aquela mulher que você ficou no ano anterior, como era o nome mesmo…. Stacy né? Vai ir também.

- Está sabendo demais das coisas - falou, não desviando sua atenção do serviço, sabia que o amigo tentava constantemente animá-lo, porém estava longe de ser sociável - Além de ser péssima influência, caso Kittinie ouvisse você mataria nós dois.

Matthew riu do comentário depois voltou às atividades do trabalho, este saía com uma jovem cozinheira do restaurante a uns quarteirões dali, já fazia meses que tinham encontros após o expediente. Thalia conhecia várias pessoas devido ao emprego, pois uma diversidade de indivíduos comia no estabelecimento onde estava empregada. Através disso, ele conseguia ter conhecimento dos acontecimentos e geralmente acabava falando ao outro.

Louise aproximou-se passando as mãos na testa suada, apesar de cuidar da parte financeira também realizava alguns consertos. Os cabelos pretos encaracolados estavam amarrados a um lenço vermelho, o macacão era duas vezes maior que seu corpo. Trazia consigo três sacolas verde escura, ao notarem isso cessaram as atividades para pegarem a comida. Jonathan e ela não tinham grande simpatia um pelo outro, havia vezes na qual o homem achava que a mulher tinha prazer em irritá-lo, fazia de tudo para arranjar motivos e implicar.

Foram mais seis horas lidando com clientes, distribuía esse tempo bebendo escondido no quarto onde guardavam produtos de limpeza, ou trazia seu capacete o transportando para algum lugar que tinha paisagens impressionantes e distantes do ambiente sujo no qual desempenha seu ofício.

Quando encerraram o expediente, os dois mecânicos se despediram das outras duas. Caminharam pelas ruas escuras, esse era um momento que iam para casa quietos, presos aos próprios pensamentos, apenas aproveitando a companhia de ambos. As ruas eram tomadas pelas sombras na medida que o céu assumia um tom mais escuro de cinza, os barulhos das fábricas diminuíram até restar o silêncio inquieto. Todos sabiam que ficar até tarde não podia ser boa coisa, bairros afastados como C-10 policiais vinham realizar seus negócios escusos. Nunca poderiam contar com segurança ou proteção ali, apesar disso havia uma contradição presente nas noites da divisão. Outro movimento emergia em meio a escuridão, pontos localizados de bares e encontros específicos de indivíduos das mais diversas intenções.

Jonathan seguiu seu caminho após despedir-se do amigo, sendo o único ser perambulando naquela rua. Ao chegar na sua moradia, viu a sala pequena e procurou pela robô, Helga nome dado por ele, tinha sido jogada fora pelos seus antigos donos por apresentar alguns defeitos. O mecânico conseguiu consertar essa falha, desde então passou a ser com quem compartilhava os momentos. A máquina retangular metálica veio na direção dele, tinha duas rodas compridas brancas e formato oval, uma voz falhada de programa ecoava da tela verde na frente do robô.

- O frio está se aproximando sr. Coker, logo precisará colocar casacos - resmungou o objeto eletrônico - Nossa moradia também não mantém muito bem o calor, quando chover…...

- Eu já sei - ele a interrompeu, estranhamente possuíam uma relação de afeição parecida com irmãos, seria tão miserável e carente assim para se apegar a algo não humano?

Jonathan andou até o outro quarto no qual era separado por uma divisória de metal, grande parte das moradias dali eram forradas pelo aço devido às fuligens e outras coisas expelidas pelas indústrias. Portanto, eram meros conglomerados de janelas em prédios marrons, containers e quaisquer outra coisa no qual desse para morar. O sujeito morava numa casa pequena improvisada, três cubículos serviam para este sobreviver. Várias residências se amontoavam ao redor das linhas de trem, assim ficava mais fácil ser transportado rumo ao trabalho, apesar disso não era seu caso.

A pia branca ficava debaixo do espelho sujo, o reflexo dele ficava partido por causa da extensa fissura no vidro. Matthew já havia pedido para trocar, entretanto nunca fez isso, nem se preocupava com aparência então serviria de nada. Lavou o rosto com a água gelada, ligeiramente saiu dali tirando desajeitadamente os sapatos, posteriormente retirou a camiseta. Seus cabelos marrons agora bagunçados foram amassados enquanto este vestia uma blusa. Retornou ao outro cômodo vendo toda bagunça ali, sua residência não tinha nenhuma ordem. Na cozinha havia apenas uma mesa, armários e fogão, saberia nem dizer se teria suprimentos adequados, normalmente comia qualquer porcaria processada. Além disso, possuía dois sofás e a tela que assistia algo quando entediado. No próximo quarto encontrava-se a pequena cama e guarda-roupa. Estava procurando algum cigarro nos bolsos dos casacos quando escutou os lençóis se movimentarem. Intrigado interrompeu suas ações chegando mais perto, calmamente pousou os dedos no tecido querendo puxar, contudo foi paralisado pela voz feminina.

- Não se atreva! - esbravejou ela.

- Está brincando né? Você que está na minha cama! - proferiu vendo a outra.

- E-eu……

- Como entrou aqui? - perguntou.

- N-não sei…. tudo foi tão rápido….

- Está drogada?!

Ela fez uma feição de desentendida, estava cada vez mais se enrolando nos tecidos. Visivelmente confusa queria sair dali, porém tudo parecia tão estranho, até mesmo as roupas do sujeito tinha alguns adornos diferentes. Estava se sentindo tão vulnerável, talvez tenha sido aquele cara que a trouxe aqui e queria aproveitar dela, precisava pensar em como iria escapar. Olhou ao redor, ali tinha uma cama simples acompanhada pelo guarda-roupa de quatro portas. As paredes metálicas produziam eco com a fala deles, ela observou seu próprio corpo, ainda usava o mesmo macacão jeans e camiseta listrada de vermelho. Em um momento cuidava dos animais na fazenda onde morava, e num estalar de dedos foi transportada para aquele local desconhecido.

Ele tentou manter sua calma, deu alguns passos cautelosos na direção da outra, deveria ser alguma pegadinha sem graça. Matthew mandou aquela imagem perfeita em 3D para assustá-lo. Pulou na cama a fim de averiguar, mas apenas encontrou a pele humana macia, ficaram abraçados por uns segundos estáticos, não sabiam reagir. Quando despertou sua consciência do susto repentino, a estranha gritou dando tapas nele que se afastou resmungando de dor.

- Seu pervertido! Era isso que queria né? Veio com essa história de ''quem é você?'' para disfarçar!

- O que? Não!

- Olha só, minha avó ensinou uns golpes, não mexa comigo!

- Farei mal nenhum, apenas quero entender.

- Ah é, então me diga porquê estou aqui nesse lugar? É algum tipo de traficante no qual leva moças indefesas?!

- Você é a esquisita no meu quarto!

- Explique o motivo de ter pulado em mim?

- A-achei que fosse algum ciborgue ou talvez uma imagem em 3D.

Ela franziu as sobrancelhas não compreendendo o que era dito, incomodada por estar numa situação assim resolveu levantar e correr na direção da porta. Jonathan foi atrás, para alguém enrolada no lençol a mulher ia muito rápido. Parou trombando nela que havia ficado imóvel ao observar uma pequena tela fixa na parede onde mostrava a jornalista. Caminhou lentamente tocando nos números miúdos, parecia ter visto um fantasma, depois virou-se chocada.

- 3999?! I-isso não pode ser real.

- Porque?

- Ainda estamos em 2021!

O homem refletiu novamente se não estaria talvez bêbada, cansado daquilo tudo passou as mãos nos cabelos pretos bufando. A desconhecida andou na direção da janela, encarou paralisada o mundo lá fora. Enormes prédios e linhas dos trens constituía aquele lugar, acima haviam tubos onde carros voadores andavam velozes. Preocupado pelo estado dela pediu para Helga checar os batimentos cardíacos da outra.

-Não ouse fazer nada! - exclamou finalmente reagindo.

- Ah que bom, está viva ainda.

- Você me trouxe a esse lugar….. meu Deus só pode ser sonho….

- Sou bem real, isso posso assegurar.

Completamente alterada ficou cada vez mais em choque, o homem ainda incompreendia tudo, entretanto optou em aproximar-se da estranha. Esta deu uns passos afastando dele assustada, posteriormente olhou novamente a janela. Desesperada cometeria qualquer loucura para ir embora dali. Uma sensação dolorosa abateu-se sobre esta, afinal não conhecia aquele lugar, estava longe de casa isso tinha certeza. Sentiu seu coração bater acelerado, os dedos permaneciam tocando na tela fina que transmitia o noticiário.

-Sei que tudo está confuso, porém necessita acalmar-se - pronunciou na melhor voz sossegada na qual conseguiu - Talvez tenha bebido demais e alguém a deixou…..

- Eu estava em casa cuidando dos animais, não tem como isso ter acontecido. Além disso, nunca vi esse local antes.

Luzes vermelhas iluminaram a rua escura, os Guardiões faziam vigias pela Calipolis, saber quem encontrava-se ali para cumprir a lei ou fazer negócios sujos era difícil. Logo, ser visto por um deles não era boa coisa. Ainda mais devido a mulher estar alegrando ser do passado, com certeza encarariam de outra maneira.

- O que aconteceu para ter tantos policiais? - questionou curiosa encostando no vidro, observou os dois indivíduos desceram das motos e conversarem entre si, seguidamente um sorriso enorme brotou nos lábios dela - Talvez possam me ajudar.

- Até parece, não estão aqui para auxiliar pessoas - proferiu a puxando bruscamente dali.

- Hey! - expressou por causa da força empregada pelo sujeito - Como vou saber se diz a verdade?

- Não irá ter certeza, contudo encontra-se sozinha num lugar desconhecido, então é melhor me ouvir. Afinal está sem opções melhores.

- C-como voltarei para casa? - indagou quase num sussurro.

- Na verdade não sei, nunca vi algo assim antes.

O homem apenas sorriu amargo de tantos azarados para acontecer loucuras semelhantes a essa e foi justamente o escolhido. Andou até achar seu cigarro jogado no chão, acendeu dando longas tragadas. Sem saber como prosseguir, estendeu a mão para cumprimentá-la, porém ela ficou somente encarando.

- No passado não eram educados?!

- Estou distante de séculos do meu lar, espera mesmo que eu esteja pensando nisso? Idiota! - gritou a mulher.

Ele ergueu uma sobrancelha surpreso por aquela reação mas sentiu compaixão pelo estado dela. Respirou fundo refletindo no fato da vida sempre querendo complicar alguma coisa.

-Ok, e de onde você é mesmo? - questionou.

- Dallas no Texas.

- Nunca ouvi falar, hum está perdida então - proferiu, muitas informações passavam pelo seu cérebro agora - Vamos nos apresentar primeiramente, eu sou Jonathan e você?

- Sarah - disse ainda desconfiada.

- Olha, estou confuso sobre tudo, porém vou tentar te ajudar.

- Por qual motivo faria isso?

- Talvez eu seja um cara legal, além disso não gosto de histórias no qual incompreendo - falou somente.

A mulher franziu suas sobrancelhas depois baixou os olhos na direção da mão que segurava seu pulso fino, imediatamente soltou-se como se tivesse levado um choque. Ele engoliu em seco depois pediu para a outra sentar num sofá vermelho escuro, tinha embalagens brancas por todos lados e copos marrons claros amassados ao redor da pequena mesa no centro. Sarah acomodou-se em meio às pequenas almofadas, sentir aquele tecido contra a pele fez pensar na sua casa. Ela estava receosa, não sabia se devia confiar nele, cada parte dela encontrava tentando compreender tal situação, ainda parecia tudo um sonho ruim.

- Não é só você que está assustada, eu também quero poder entender. Olha para minha situação, apenas desejava descansar após um dia exaustivo e me deparo com alguém totalmente estranho dizendo ser do passado.

- E-e o que faço agora?

- Sinceramente não tenho ideia - disse sem medir suas palavras.

Ele esfregou as mãos no rosto, já estava sonolento e deveria dormir logo então pediu para acompanhá-lo até o quarto. Caminhando lento atrás dele, a viajante do tempo retornou ao cômodo onde havia sido transportada. O mecânico abriu aquele guarda-roupa e pegou um colchão fino jogando no chão em seguida.

- Por enquanto, posso somente oferecer algum lugar para dormir.

Sarah iria rebater mas foi interrompida pelo sujeito que iniciou uma conversa sozinho, estranhando ela achou que o homem estivesse maluco, mas após alguns segundos identificou a pequena máquina que respondia às perguntas dele.

- Antes gostaria de fazer uns testes contigo - pronunciou Jonathan - Quero me certificar que é mesmo do milênio anterior. Helga consegue checar os batimentos cardíacos dela?

- Sim - afirmou convicta a robô.

- Então se é de 2021 não conhece a ATLANTIS, certo?

- Uhum - murmurou confusa.

- E sobre o que aconteceu em 2550?

Ela balançou a cabeça desorientada, então o homem olhou para uma tela onde as ondas mostravam a pulsação dela.

- Quem motivou o assassinato do presidente em 2458?

- Ah chega - falou Sarah se levantando irritada - Não sei nada dessas coisas!

- Os batimentos ficaram estáveis ao negar as perguntas - revelou a máquina.

- Você se saiu bem.

A mulher acompanhou ele ir no mesmo armário no qual tirou aquele colchão jogado próximo aos seus pés, então apareceu segurando um conjunto de roupas azuis, a calça era escura como um oceano, ao contrário da camiseta no qual era tão clara semelhante o céu dos dias ensolarados.

- Acho que deseja vestir algo mais confortável.

- Simplesmente se convenceu da minha inocência - exprimiu a morena mostrando uma ponta de amargura na voz.

- Sim - expressou no mesmo tom áspero, seguidamente deitou na pequena cama deixando o corpo repousar nos travesseiros - Inventei aqueles questionamentos, caso tentasse formular alguma resposta seria mentira então estaria querendo me enganar.

Sarah deixou-se abrir a boca surpresa, posteriormente pegou os trajes e foi para o banheiro apertado. Jonathan ficou encarando a janela por um tempo, por morar perto da linha ferroviária sabia exatamente os horários daquele transporte, todo dia pontualmente às oito e meia passava um. Observava as janelas amarelas e algumas pessoas sentadas dentro dos vagões com olhares tão vazios quanto ele.

A estranha entrou no espaço coberto por azulejos verdes escuros, talvez ali seria o único que não encontrava aquele frio metálico. Vestiu as roupas tremendo, depois ouviu o sujeito bater na porta, havia trazido um casaco. Olhou seu reflexo no vidro partido, nem mesmo sabia quais pensamentos ter sobre a situação. Saiu deparando com alguém deitado encarando um vazio noturno pela janela. Caminhou timidamente então deitou no local designado, jogou os trajes que usava em cima da cadeira perto dali.

- Nenhum de nós dormirá hoje - falou ele repentinamente.

- Eu sei, não sou nenhuma assassina, então adormeça tranquilo.

- Isso é o que diria um homicida - disse depois virou na cama e se cobriu.

- Como você mesmo proferiu, está sem opções melhor confiar em mim - pronunciou ofendida.

Jonathan ficou parado sem reação, viu que ela estava certa, resmungando baixo, se cobriu e fechou seus olhos. As luzes da casa desligaram repentinamente fazendo ela pular amedrontada, mas logo a voz eletrônica avisou que era um sistema automático no qual fazia isso quando o dono da casa ia dormir. Piscou várias vezes seguidas, não tinha ainda concentrado sua atenção na pequena robô, o triângulo metálico possuía suas pontas arredondadas por onde passava as correias proporcionando a motilidade, parecia como aqueles tanques de guerra faziam para se moverem.

- Q-quem é você mesmo?

- Sou o comando de voz dessa casa, me chamo Helga.

- A-ah….. pode fazer eu voltar ao meu lar?

- Desculpe, mas não sou programada nessa função.

A outra suspirou frustrada então fitou o sujeito que já encontrava-se pendurado na cama e babando no colchão.

- Caramba ele simplesmente desmaia na cama - murmurou, mesmo sem saber de nada aparentemente estava segura, encostou a costa na superfície dura e respirou fundo - Estou louca? Será um pesadelo? Não posso dormir com um desconhecido.

Nesse instante um trem passou iluminando todas as janelas da pequena casa, os flash de luz varreram o rosto dela deixando esta hipnotizada pelos rostos nos vagões. O som alto do transporte deslizando pelos trilhos metálicos ecoou por longos minutos. Deve ter permanecido várias horas acordada, rolava no colchão tentando se sentir confortável. Helga apareceu novamente abrindo um compartimento dentro dela, ali continha uma embalagem laranja cheia de comprimidos brancos. Esta colocou na frente da outra dizendo que quando o mecânico tinha episódios de insônia ingeria substâncias químicas para dormir. A viajante piscou os olhos rapidamente, não poderia confiar em algo dado naquele estranho lugar, porém agradeceu ao robô. Sarah colocou o pequeno frasco de plástico no chão perto dela, as luzes do trem atravessavam o objeto projetando sombras dele na parede. Deve ter ficado várias horas acordada, pois num momento sentiu as pálpebras pesarem, e então finalmente adormeceu.

*******

O dia amanheceu com Sarah ouvindo um barulho agudo, abriu seus olhos vendo Jonathan vestir seu casaco comprido marrom, essa visão a fez despertar totalmente. Helga apareceu dizendo sobre uns sapatos jogados no banheiro, imediatamente ele foi buscar e voltou amarrando os cadarços de uma bota preta. Quando o homem se deu conta dela olhando tudo sentiu-se engasgar.

- A senhorita está com fome? - perguntou indo até a cozinha.

- Pode me chamar pelo nome - exprimiu pressionando a barriga, toda essa história de viagem no tempo deixou ela até esquecer das necessidades básicas, levantou-se seguindo os barulhos feitos pelo homem - O que é isto?

- Proteína - falou comendo uma massa pastosa, ele pegou uma lata no armário e colocou no outro lado para ela.

Sarah sentou em frente ao mecânico, pegou a embalagem despejando o alimento no recipiente deixado ali na mesa, depois experimentou mastigando a comida vagarosamente tinha gosto de vários cereais juntos. Meramente adocicado caiu até bem no paladar, seu estômago agradeceu por estar sendo abastecido.

- Espero que goste porque só tem isso - revelou seco.

- Não é tão ruim.

Jonathan finalmente parou para observá-la atentamente, os cabelos castanhos claros caíam pela costa em ondas suaves. Seus olhos cor de mel, boca rosada com lábios carnudos, além da pele branca salpicada com algumas pintas marrons, faziam dela ser bastante bonita. Não pode ignorar as curvas sinuosas do corpo dela, seios bem grandes e firmes, coxas grossas, bumbum avantajado. Era muito gostosa, tinha que admitir, seria difícil explicar para os outros sobre ela.

- Hum, já está na hora de eu ir - disse o homem tentando cessar seus próprios pensamentos.

- E-eu vou fazer o que enquanto isso?

Ele a encarou por alguns segundos, aparentava estar avaliando algo. Não sabia para onde levá-la, nem deveria deixar alguém estranho na casa dele. Respirou fundo raciocinando as alternativas até se decidir.

- Você irá comigo, porém antes preciso pegar umas roupas para você com Kittinie.

15 de Dezembro de 2020 às 20:27 0 Denunciar Insira Seguir história
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