O Deus da Guerra Seguir história

guardiangel Reira Trapnest

Alguns diriam que o destino é imutável. Selado. Impossível de se reverter. Bakugou Katsuki diria o mesmo. O filho de Ares vê seu destino posto à prova quando recebe uma missão do pai e tem que traçar um caminho no qual encontrará as maiores provações. Estará ele destinado à grandes glórias ou à terríveis desastres?


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#deuses #aventura #drama #258 #mitologia #grécia #bakushima #kiribaku #kirishima #bakugou
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Capítulo 1: Encontro

Alguns diriam que o destino é imutável. Selado. Impossível de se reverter. Bakugou Katsuki diria o mesmo. Ou ao menos, era o que o ensinaram. O caminho de um homem era traçado desde sua concepção até o dia de sua morte e as próprias Moiras fiavam cada um dos nós do destino, determinando as alegrias e tristezas do sujeito. Porém, ele não era apenas homem. Filhos de deuses com humanos eram considerados maldições. Não pertencentes ao plano humano ou divino. Frutos de iniquidades de pais poderosos. Mas nada daquilo o abalava, ou no mínimo, não deveria abalar.

Bakugou banhava-se no rio mais próximo, cujas águas caudalosas e geladas serviam como seu despertar. As sirenas que habitavam o rio o observavam de longe, curiosas e, ao mesmo tempo, cautelosas. Sabiam que, definitivamente, não era o tipo de homem que conseguiriam seduzir. Após lavar-se com alguma pressa, saiu das correntes em sua gloriosa nudez. De olhos vermelhos como fogo, corpo imponente e musculoso, cabelos loiros e feições duras, era tratado com as maiores regalias que um semideus poderia desejar. Amado por seu pai, e temido por muitos outros que não ousavam sequer lhe dirigir a palavra, sua aura era quase tão ameaçadora quanto a de seu progenitor e talvez por isso, seu contato com outros seres era tão limitado.

O banho era prelúdio de seu ritual matinal. Sentou-se na areia da pequena praia, em cima de suas vestes de dormir e tomou uma fruta da cesta que as servas do templo lhe haviam preparado. Sentia-se irritado pela falta de notícias por parte do pai. Esperava já estar em algum posto de utilidade, porém, passava os dias treinando com os adoradores no templo, desperdiçando seu tempo e talento. Queria crescer, servir, ser o melhor, o maior e o mais poderoso.

Mesmo estando com o pensamento um tanto disperso, pôde sentir a aproximação de um ser poderoso atrás de si. Normalmente, esperaria que fosse seu pai, porém, a aura era muito diferente. Não conseguia definir se era uma ameaça ou não, entretanto, entrou em posição de guarda ainda assim. Era um guerreiro e devia agir como tal.

- Seja quem for, tenha a decência de se apresentar cara-a-cara.

Disse o loiro em seu tom grave e rouco.

- Não podia esperar menos do filho mais... Controverso de Ares?

Bakugou virou-se e se viu na presença de Hermes, O Mensageiro. Sua figura humana possuía traços extremamente comuns. Era um homem de barbas longas, rosto anguloso, cabelos cacheados e olhos escuros como a noite.

- O que o Mensageiro deseja comigo?

Perguntou Bakugou, tentando não cair na provocação alheia, o que não lhe era exatamente fácil.

- Não estou aqui a propósitos meus. Seu pai e eu tivemos uma reunião hoje e ele pediu que eu o contactasse.

- Se era do interesse dele, por que não me procurou pessoalmente?

- Ele estava um tanto... Ocupado, se posso dizer.

Bakugou sabia do que se tratava a ocupação do pai. Os seios de mulheres e coxas de homens que subiam até o nível inferior do Olimpo para servir aos deuses. Sentia que, cada vez mais, o progenitor se afastava dos deveres para priorizar seus romances.

- E que mensagem ele me enviou?

- Ele lhe disse que voltasse ao templo e esperasse até o pôr do sol na frente do Grande Escudo. Não houve detalhes, mas pela sua expressão, parecia algo importante, garoto.

Katsuki quase rosnou ao ouvir o deus se referir a si como garoto. Nunca fora garoto. Era uma arma afiada, polida por seu pai desde a infância.

- Posso acaso saber se... Planejam algo juntos?

Perguntou Hermes.

O loiro olhou com desconfiança para o tio divino. Embora ele fosse O Mensageiro, era sabido em todo Olimpo e fora dele que nenhum segredo estava de fato a salvo com ele.

- Os assuntos entre ele e eu apenas concernem a nós dois.

- Definitivamente, o sangue dele corre em você... Tens mais coragem que seus queridos irmãozinhos e serias muito melhor companhia a seu pai.

- Tch... Não me tome em comparação àqueles imundos, filhos de traição.

- Hm... Sendo assim, tenho outros compromissos mais importantes do que visitar crianças abandonadas pelos pais.

A temperatura do corpo de Bakugou aumentou instantaneamente. Fosse deus ou não, jamais aceitaria aquele tratamento. Preparou o punho para atingir o tio, porém, antes que pudesse acertá-lo, o mesmo esvaiu-se em uma nuvem de areia e folhas da margem do rio, causada por um forte vento oriental.

Ele havia perdido a cabeça novamente e, dessa vez, com o pior ser possível. O grande fofoqueiro dos reinos jamais deixaria de contar sobre sua rudez e como fora atacado por um semideus sem motivo algum. Tentou acalmar-se, mas tudo o que queria era poder explodir cada um dos malditos que o tratavam como um ser inferior.

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A hora do pôr do Sol se aproximava. Bakugou ainda estava irritado com o encontro que tivera pela manhã, mas não era o momento certo para mostrar sua insatisfação, tinha que apresentar-se digno de Ares. Vestiu seu elmo de ferro com crina em fios vermelhos, tomou a pesada lança de gume alongado em uma das mãos e pôs sobre si a capa também vermelha de sua mãe, a única peça que herdara dela e que o próprio pai o deu ao chegar em sua idade de homem. Caminhou até o pátio central do templo, um tanto incerto. O Grande Escudo de Ares estava posicionado ao oeste, local no qual Apolo desenhava a descida do Sol no horizonte. Katsuki acendeu incensos de canela, os favoritos do deus, e pôs o sangue e o pernil do carneiro mais viril do rebanho no altar logo acima do Grande Escudo. Não era particularmente algo que gostava, mas, como em toda batalha, sacrifícios eram necessários.

Ajoelhou-se perante o altar com apenas um dos joelhos, mantendo a outra perna firme no chão e pronta para a ação. Iniciou as orações, repetindo a invocação ao Deus da Guerra. O céu vespertino, com tons amarelados e laranjas, rapidamente tomou a cor avermelhada com nuvens sobressalentes. O reflexo do Sol no escudo polido lentamente embaçou-se com a descida do sangue do altar. Mesmo os servos do templo temeram a imagem, apenas Bakugou manteve-se inabalado, continuando as preces invocatórias. Em apenas um instante, o tempo e espaço ao redor pararam. O Senhor das Batalhas mostrava sua imagem ao filho através de seu escudo.

- Louvado seja Ares, O Grande General.

Saudou a seu pai, olhando firmemente nos olhos vermelhos sangue do deus.

- Esteja à vontade, filho. Estou contente com a oferenda.

Ares percebeu que mesmo em sua presença, Katsuki mantinha a guarda alta. "Um militar nato", pensou, porém manteve as palavras para si.

- O que desejas de mim, senhor?

- Serei breve em minha fala. Sei que desejas tornar-se um dos meus generais e quero que saiba que concordo.

Bakugou sorriu levemente, tentando disfarçar a alegria ao saber que o pai compartilhava de seus desejos.

- Porém... Além de meu sangue, carregas o de sua mãe. Também és humano. Fobos e Deimos são meus braços direito e esquerdo pois são permitidos no Olimpo.

Poucas coisas abalavam o espírito do semideus, porém, uma delas certamente era o fato de que jamais poderia estar ao lado do pai, exercendo o papel que cumpria tão melhor que seus irmãos.

- E então?

- Minhas ordens são: vá até o Oráculo de Delfos, receba sua previsão como o humano que é, após, volte ao templo, me informe de seu destino e então eu o enviarei até Esparta onde poderá subir nos rankings do meu exército e se tornar o maior general humano de todo o mundo.

A mente do filho de Ares girava um pouco. Que tipo de plano era aquele?

- Tenho permissão para falar, senhor?

- Prossiga.

- Por que devo ir à Delfos novamente se poderia simplesmente ser enviado até Esparta? Levaste-me até lá quando minha mãe morreu e eles previram exatamente o que tenho por maior objetivo.

- Katsuki, és homem. E como tal, deve saber qual é o seu destino. Apenas quero me certificar de que nada mudou. Não discuta minhas ordens. Irás até Esparta quando eu decidir que é o momento.

O loiro suspirou de forma baixa. Não queria desagradar ao pai com insubordinação. Não entendia os desígnios do Deus da Guerra, mas se assim ele desejava, assim seria.

- Sim, pai.

- Assim que desceres de Delfos, venha até o templo novamente e da mesma forma, convoque-me. Até lá, não entrarei em contato. Não esqueças de que és minha arma mais mortal. Meu orgulho.

E da mesma forma que aparecera, o deus sumiu, e as nuvens e céu vermelhos juntos. As pessoas que circulavam voltaram a se mover e a bolha temporal se dissipou, deixando apenas o sangue que escorreu, incensos apagados e um Bakugou muito irritado e confuso.

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O filho de Ares trancou-se em seu quarto no templo, se é que era possível viver ainda mais recluso. Deixou sua parte das tarefas do sacerdócio e os treinamentos com combatentes rasos e concentrou-se em polir seu corpo e mente para a missão que lhe foi dada. A grande verdade é que estava tentando dar vazão à sua frustração. Os gritos de raiva vindos do local assustavam até mesmo os que o conheciam. As servas do templo passaram a deixar suas refeições na porta do aposento.

Depois de quase cinco dias de cólera, o calor que sentia em si arrefeceu o suficiente para que pudesse juntar suas coisas para partir. Apresentou-se ao sacerdote-chefe do templo de Ares e explicou os motivos de sua partida. Não podia dizer que sentiria falta do lugar, mas ainda não iria para onde desejava.

- Então, o Grande Senhor o convocou? Não se sente honrado?

Perguntou Hereu, o velho sacerdote-chefe.

- É claro que estou honrado! Que tipo de pergunta é essa, velho?

- O ouvi em uma guerra pessoal durante os últimos dias.

- Não foi isso. Eu...

- Não precisas esconder coisas de mim, Katsuki. Eu o cuidei desde criança, dei-lhe aos treinamentos mais duros que poderias suportar e ainda assim, nunca o vi murmurar como o fez.

Não havia muito o que responder, Hereu conhecia cada traço da personalidade explosiva de Bakugou.

- Diga-me, velho. Há por acaso algo que meu pai tenha lhe dito que não o disse a mim?

- Sei que estás aflito com a ida até Delfos, mas se há alguém capaz disso, é você. O verdadeiro sangue de Ares. Precisas conhecer seu destino. É perigoso que um semideus aja de forma descontrolada.

- Estou certo de que não há nada de errado com meu destino. Sei que eles dirão que serei o maior general de Esparta e que meu caminho não se desviará disso. É minha ambição. Juraria pelo Estige se ele me desse a chance.

- Escute, filho de Ares. Nenhum homem ou mulher têm ambições fortes o suficiente que o coração não abale.

- E o que raios isso significa?

- Isso é o que terá que descobrir por si. O oráculo nunca erra. Saia de lá com a vitória, Katsuki, e seu pai o honrará.

- Diga o que quiser, velho. Até mesmo o oráculo concordará comigo. Voltarei aqui e anunciarei a meu pai que meu destino é imutável.

Hereu sorriu brevemente. Tinha Bakugou como protegido e sentiu-se mais aliviado ao perceber que algumas coisas sobre o jovem jamais mudaram. A obstinação era a principal delas.

- Vá com a benção do Deus da Guerra.

O loiro bateu sua lança contra o escudo que carregava, posicionando-se de forma ereta e lançando um olhar desafiador ao homem que o criou.

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Bakugou saiu do Templo de Ares em Pérgamo com destino ao porto de Tróia, de onde tomaria um barco com destino a Atenas. Não desejava passar por nenhuma das duas cidades. A primeira era o centro da adoração a Afrodite, mãe de seus irmãos Fobos e Deimos. Ele detestava traição em seu íntimo e saber que os covardes eram prole daquele ato vil, o fazia detestar a deusa. A segunda, era o local dos loucos cultistas da tia, que era a grande rival de seu pai no que tangia à questão da guerra. Montou seu garanhão chamado Dínamo e saiu em velocidade. Fez algumas pausas em cidades maiores, onde pôde encontrar local para repousar e abastecer-se de água e comida, em apenas três dias já encontrava-se nos limites de Tróia.

A chegada à cidade fora muito característica. Já era crepúsculo e Katsuki observou que havia muito mais pessoas ali do que em Pérgamo. Elas andavam despreocupadas e pareciam contentes e aquilo muito o intrigou. Desmontou de Dínamo, andando ao seu lado, enquanto tentava absorver os ares de celebração que pareciam envolver o centro da cidade. Mulheres e homens enfeitavam todo o local com pétalas de rosas vermelhas e brancas e pequenas flores rosas e azuis. Pessoas vestidas com túnicas brancas queimavam paus de canela, enchendo o ar com o mesmo cheiro doce que seu pai tanto amava.

Uma das mulheres aproximou-se dele, olhando de forma provocativa. Não demorou muito até que recebesse um rosnado do semideus e se afastasse completamente. Outro jovem desavisado aproximou-se também, mas dessa vez, Bakugou não pôde desviar.

- É o festival à nossa deusa e você está intimado a participar!

Disse o jovem de voz fina, enquanto dançava ao redor do loiro.

- Tenho acaso cara de quem deseja celebrar qualquer coisa? Jamais poderia celebrar a uma deusa de atitudes tão indignas. Suma da minha frente ou eu sumo com você.

O rapaz afastou-se, parecendo aterrorizado. Era exatamente esse o tipo de ato que detestava entre os adoradores de Afrodite. Em sua opinião, eram medrosos e frágeis. Lhes faltava coragem e bravura. Viviam apenas da própria beleza e de atos libidinosos.

Katsuki virou-se para procurar uma estalagem e, para sua sorte, havia uma com estábulo exatamente na frente do local. Era óbvio que seria incômodo ter que ouvir o barulho da festa, porém, certamente, era o local mais próximo e que aceitava cavalos que poderia encontrar. Deixou o garanhão no estábulo, entrou na estalagem e pediu por um quarto. Mas como nem tudo se resumia a sorte, o único lugar disponível ficava exatamente de frente à praça do festival.

Foi até o banho público da estalagem, lavou-se e, pela primeira vez dentre os dias de viagem, sentiu-se de fato limpo e com odor agradável. Subiu ao pequeno quarto e tentou acomodar-se na cama para dormir, embora ainda fosse cedo. Estava cansado e sentia que nem mesmo os gritos dos servos de Afrodite poderiam o acordar. Rapidamente, Morfeu o levou a seu reino.

Em algum momento de sua inconsciência, Bakugou ouviu tambores. O ritmo era constante e convidativo. A melodia das flautas e banjos exalavam uma sensualidade que até mesmo Katsuki, que não tinha qualquer desejo, era incapaz de ignorar. Os gritos lá fora se intensificaram e se misturavam com coros cantados. Ainda estava de olhos fechados, porém, agora estava muito acordado. Virou-se para um lado e outro na cama dura, mas não conseguia voltar a dormir. Estava curioso demais para saber o que atiçava tantas pessoas de uma só vez.

Decidiu abrir a janela para observar, nem que fosse por pouco tempo. Quando o fez, teve a visão que deixou seus olhos embaçados por nuvens de água e fogo. Uma fogueira gigante no centro do local queimava e ao seu redor, um jovem de cabelos vermelhos e longos dançava livremente. Sua imagem bruxuleava com as ondas de calor emanadas da fogueira. Eram movimentos lânguidos, envoltos em um tecido fino, quase transparente, que fizeram com que o coração de Bakugou saltasse de uma maneira que ele jamais conheceu. Tinha certeza de que não era hipnose, então, apenas lhe restava uma única outra resposta, enquanto olhava incessantemente da janela de seu quarto.

Aquela dança cativou até mesmo ao implacável filho de Ares.

17 de Fevereiro de 2020 às 03:10 0 Denunciar Insira 1
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