Consequences (One Shot Camren) Seguir história

steallmylarry Same Eyes

Durante uma apresentação musical, a jovem Camila Cabello é levada a reviver toda sua história de amor com a pessoa que mais amou na vida: Lauren Jauregui. Porém, nem todas as histórias de amor têm um final feliz, e Camila precisa aprender a lidar com as consequências de um coração partido.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#drama #258 #Consequences #fifth-harmony #one-shot #songfic #lgbtq #camila-cabello #lauren-jauregui #camren
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Capítulo Único


Notas do Autor

Nota 1: essa é a primeira vez que publico algo aqui, espero que gostem e que sejam pacientes comigo :)
Nota 2: a narrativa acontece paralelamente à canção, portanto eu recomendo que procurem a tradução da música para entender melhor a história.
Nota 3: sejam gentis com as pessoas, bebam água e aproveitem a leitura ;)

Camila POV

Meus dedos deslizam pelo teclado e, enchendo meus pulmões de ar, começo a cantar:


"Dirty tissues, trust issues
Glasses on the sink, they didn't fix you
Lonely pillows in a strangers bed
Little voices in my head
Secret keeping, stop the bleeding
Lost a little weight because I wasn't eating
All the souls that I can't listen to
To tell the truth...


Flashback on


Acordo em um quarto desconhecido com o peito subindo e descendo rapidamente. Mais um pesadelo.

Olho para o lado e vejo um emaranhado de cabelos negros, caindo em cascata pelo travesseiro. Me aproximo devagar para acorda-la com um beijo na bochecha, mas antes de concluir o ato minha cabeça é invadida com as memórias da noite anterior. Não é ela.

Levanto com cuidado para não acordar a mulher desconhecida e vou até a janela do quarto, para apreciar a Estátua da Liberdade ao longe, através do vidro.

Ando pelo apartamento em busca do meu celular e encontro-o desligado, em cima da mesa de cabeceira que está ao lado da mulher deitada na cama, pego-o e vou para o sofá da sala. Ligo o aparelho e no mesmo instante recebo as milhões de mensagens que venho ignorando por semanas e outras milhares de ligações, mas nenhuma delas era de quem eu esperava. Me sinto um pouco desapontada por isso.

Já deveria estar acostumada, atira meu subconsciente.

O relógio marca 04:35 e aproveito o silêncio da madrugada para ler algumas das mensagens. A maioria não é realmente importante e isso faz com que eu as ignore por mais um tempo, respondendo apenas alguns amigos e pessoas da minha gestão.

Vou para o instagram e rolo o feed diversas vezes, mas nada é interessante também. Até que uma foto chama minha atenção. Na foto, Lauren está segurando um bebê recém-nascido no colo, com um enorme sorriso no rosto, enquanto um homem tem seus braços envoltos em seus ombros, apreciando-a com um olhar apaixonado e um sorriso no rosto. O sorriso que costumava estar estampado no meu rosto .

Uma imensa dor invade meu peito no mesmo instante em que vejo a foto. Meus olhos voltam a se encher de lágrimas, como tem acontecido todos os dias por meses. Já era para eu ter superado, penso.

Saio livre do apartamento, sem pelo menos deixar um bilhete para a mulher que não lembro o nome.

As ruas de Nova York são sempre frias nessa época do ano, mas o frio é habitual para pessoas que andam sem rumo, com uma visão embaçada pelo choro e um coração partido que não consegue ser curado. O que está acontecendo comigo?

Melhore, Camila! digo para mim mesma, mas de nada adianta.

Caminho até uma praça isolada com as pernas trêmulas e sento-me em um dos balanços do parquinho, me certificando de que não há ninguém por perto. E ali desabo. Assim mesmo, no meio da rua, em público, mas ainda assim, sozinha. Como eu estive por meses.

Todas as noites viradas em baladas, as bebidas, as pessoas com quem fiquei, os pequenos jogos mentais, de nada adiantaram. Só fizeram com que eu me sentisse ainda mais vazia e solitária. E cada boca que beijava eu ​​me lembrava dela, e nenhuma delas tinha o seu gosto. Nenhuma das pessoas tinham seu cheiro que me levava para casa, nem seus cabelos macios que faziam eu me sentir segura, nem sua voz rouca que faziam meu corpo inteiro se arrepiar, nem seus olhos que me transmitiam toda a confiança necessária para que eu fosse melhor para ela, para o mundo e para mim mesma.

Nenhuma dessas pessoas me fez sentir tranquila e segura, feliz e livre, sã e salva, em casa. E nenhuma dessas pessoas pode fazer eu me sentir assim. Porque Lauren era a minha casa.


Flashback off


Uma lágrima escorre solitária por meu rosto, mas limpo-a rapidamente, o que faz com que eu erre algumas notas, mas não me importo e continuo a cantar:


"Loving you was young, and wild, and free
Loving you was cool, and hot, and sweet
Loving you was sunshine, safe and sound
A steady place to let down my defenses...


Flashback on


Corro pelo jardim da casa dos pais de Lauren procurando por ela.

- LAUREN - grito, mas sem resposta. - Amor, não me abandone, por favor! - suplico.

- Eu nunca faria isso. - Ouço sua voz sussurrar atrás de mim e isso faz com que um arrepio corra por toda minha espinha.

Giro nos meus pés encarando seus lindos olhos verdes, que estão quase fechados por conta do sorriso que se encontra nos seus lábios. Não resisto à tentação e beijo-a com vontade e ela faz questão de retribuir na mesma intensidade.

Quando separamos nossos lábios, ela estende um braço para mim, entregando um buquê feito com algumas flores pequenas, as mesmas que ela havia me mostrado mais cedo, as que ficavam atrás da casa. As mais bonitas, na verdade.

- Eu mesma fiz - ela sorri ainda mais. - Você gostou?

- Ah Lauren, você é tão clichê adolescente. - Rio e suas bochechas ganham um tom avermelhado. - O melhor clichê que já tive a honra de conhecer. - Sorrio para ela, que retribui pousando um beijo na minha testa.

- Ah, e claro que gostei, eu amei, na verdade. Assim como eu amo tudo o que está relacionado a você. - Concluo.

Cada palavra é sincera.

Seu rosto fica ainda mais corado e seu sorriso se alarga ainda mais.

- E eu amo você!

- Eu te amo mais! - digo.

- Não seja idiota - ela deposita um outro beijo na minha bochecha esquerda, - e vamos entrar porque o almoço já está pronto.

Andamos em direção à casa de seus pais abraçadas, mas no meio do caminho ela me para e penso que dirá algo muito importante, mas ela simplesmente diz:

- E aliás, com certeza sou eu que amo mais nessa relação!

Realmente era algo importante.

- Ah! Não é possível! - finjo estar brava.

Ela ri alto e é a risada mais genuína que meus ouvidos já tiveram o prazer de conhecer um som. Não consigo me conter em rir junto.

Também não discuto, mas no meu coração eu sinto que, mesmo não podendo quem é ama mais nessa relação, tenho a certeza de que eu a amo mais do que já sonhei amar qualquer pessoa em toda a minha vida.

Ela é a única pessoa que nunca fez eu sentir insegura em relação aos meus sentimentos. Porque ela fazia eu me sentir segura.


Flashback off


"But loving you had consequences...

Meu peito dói ao cantar essa frase e, por um segundo, penso que não conseguirei conter as lágrimas. Até que as lembranças invadem novamente minha cabeça.


Flashback on


Lauren está em minha casa e já nem sei quanto tempo se passou desde que começamos a discutir. Mas tenho a impressão de serem horas.

O choro está preso na minha garganta, mas sou orgulhosa demais para deixar uma lágrima escapar. No entanto, o orgulho dela parece não resistir tanto quanto o meu, porque ela começou a chorar há alguns minutos.

O que faz com que eu quase desabe também. Mas não posso aceitar o que ela quer. É demais para mim.

- Não estou dizendo que precise ser agora, mas é algo que eu desejo muito, Camila - ela soluça, - e-em toda a minha vida e-eu sempre me imaginei sendo mãe. Namorando homem ou mulher, eu sempre imaginei que em algum momento da minha vida eu teria uma criança em meus braços...

- Mas eu nunca pensei assim - corto sua fala, - ainda mais agora que minha carreira está começando a dar certo. Uma criança, eu... eu não sei. A questão é que em todos os meus planos para o futuro, nenhum deles inclui uma criança.

- Mas se o problema for sua carreira a gente pode dar um jeito. Eu estou sempre aqui, Camila. - Ela tenta me convencer. A forma como ela diz meu nome soa como uma súplica para que eu entenda e ceda. Mas isso só faz com que meu coração parta mais, porque uma criança está fora de cogitação para mim. E ela nunca entendeu isso.

- Você não está entendendo, Lauren. - Quero explicar da melhor forma possível o meu ponto, para que isso termine logo e nós fiquemos bem.

- Eu não quero um filho porque, com um bebê novas exigências surgem, minha rotina vai ser modificada, meus planos serão pensados incluindo uma criança, e eu não quero mudar o estilo de vida que eu tenho. Eu gosto da minha vida como ela está, não quero mudar isso.

- Sim, eu entendendo. Não estou dizendo que isso vai ser agora, é um plano para o futuro. E podemos fazer certo para que não prejudique sua carreira. - Ela limpa as lágrimas que insistem em escorrer por seu rosto. - Por favor! - ela suplica. - É meu sonho.

- Desculpa, mas esse sonho eu não posso realizar! - disparo. - Criar um ser humano para o mundo é muito delicado e exige tempo, esforço e paciência...

- Mas nós daremos conta do recado. Eu prometo que será emocionante e, sinceramente, nossos filhos não encontrarão mães melhores que nós. - ela sorri de forma singela, maravilhada com uma ideia.

- Eu não sei se estou preparada para ser mãe. Isso não faz parte de quem eu sou, me desculpe - digo.

As lágrimas brotam novamente em seus olhos. E, agora, nos meus também.

- M-me desculpe, amor - ela diz em um sussurro, cabisbaixa. - Mas eu não consigo sequer imaginar a idéia de passar uma vida inteira sem criar uma criança. Eu sinto muito.

Seus olhos sobem ao encontro dos meus procurando um retorno da minha parte, mas não consigo sustentar seu olhar por mais de dois segundos e abaixo a cabeça ignorando-a. Eu não quero isso pra mim.

- Me desculpe também, amor, mas todos os meus planos de vida, uma criança, nunca esteve inclusa. - Volto meu olhar para ela.

- Parece que enfim ficamos fora de sintonia - ela sorri irônica. - O que vamos fazer agora? Sustentar isso? Mas até quando? Me desculpe mas eu não quero levar esse amor por muito tempo sabendo que temos um prazo para terminar. Eu... eu...

Não consigo conter o choro entalado na garganta. Enfim chegou o dia em que eu sempre adiei a chegada. Agora, me arrependo de não ter sido cem por cento honesta com ela, quando ela falava sobre seus planos de formar uma família e morar em uma cidade pequena, em uma casa com quintal grande para as crianças correrem. Toda vez que ela tocava no assunto eu sorria e acenava, mas sempre arrumava um jeitinho de mudar o assunto. Me culpo por me envolver tanto e por ter deixado que ela também se envolvesse. Eu dei falsas esperanças para ela durante muito tempo e o choque agora não poderia ser maior. Depois de quatro anos juntas é demais para mim, mas não posso mentir para ela por mais tempo. Eu a amo e, por isso, preciso ser honesta com seus sentimentos.

Me aproximo dela e toco seus cabelos macios, e depois todo o seu rosto, como uma forma de gravar cada pedacinho dela. Cada mínimo detalhe. Deslizo meus dedos até seus lábios e me aproximo para tocá-los com os meus, iniciando um beijo calmo, mas intenso e cheio de desejo. Deslizo meus lábios para seu pescoço depositando uma sequência de beijinhos por todo o local. Sinto seu cheiro adocicado, sua pele macia, tudo o que é mais importante para mim. Ela me afasta um pouco com as mãos, para logo em seguida diminuir a distância novamente colando nossas testas. Aproveito cada segundo do nosso último momento, ouvindo apenas sua respiração e aproveitando sua presença.

Separo nossos corpos para olhá-la nos olhos uma última vez, aqueles olhos que sempre me ampararam e olharam para mim com admiração e amor, e que agora se encontravam cobertos por lágrimas. Ela envolve seus braços ao redor da minha cintura encaixando seu queixo no meu ombro direito, e retribuo o abraço com os últimos resquícios de força que habitam o meu ser. Tento passar todo o amor que sinto por ela nesse abraço, rezando para que, qualquer que seja a entidade divina a me abençoar, faça com que ela sinta tudo que eu queria passar. Todo o amor.

Ela sela nossos lábios, olha nos meus olhos e diz:

- Eu te amo, Camz.

- Eu também te amo, Lauren.

Ela tenta separar nossos corpos, porém tento segurá-la por mais tempo, mas ela consegue desvencilhar-se de mim e, gira em seus pés, se colocando fora do meu campo de visão já embaçado pelas lágrimas.

Fecho a porta e escorrego por ela me sentando no chão. Abraço meus joelhos e desabo.

Todas as minhas expectativas caem por terra. E esse sentimento é cruel e devastador.

Os sintomas insistem em continuar, minha visão está turva, meu peito dói e meu corpo treme. Tudo o que posso fazer por minutos, que mais parecem horas, é chorar. Chorar muito.

Vou até a sacada e observo as ruas de Los Angeles. Mas cada canto dessa cidade me lembra de nós. Não demora muito para que as lágrimas voltem a cair.

- Droga Lauren, eu te amo tanto!


Flashback off


Não consigo segurar as lágrimas e minha voz sai fanhosa na segunda parte da música. Fique forte, Camila! penso.


"Hesitation, awkward conversation
Running on low expectation
Every siren that I was ignoring
I'm paying for it...


Eu e Lauren conversamos outras vezes depois daquele dia numa tentativa de reconciliação, que nunca aconteceu. A solução foi deixá-la ir, mas uma parte dela ainda está em mim, me impedindo de seguir em frente.


"Loving you was young, and wild, and free
Loving you was cool, and hot, and sweet
Loving you was sunshine, safe and sound
A steady place to let down my defenses
But loving you had consequences

Loving you was dumb, dark and cheap
Loving you still takes shots at me
For loving you was sunshine, but then it poured
And I lost so much more than my senses
'Cause loving you had consequences...


Flashback on


Entro na banheira cheia de água quente na expectativa de limpar minha mente e relaxar um pouco meu corpo, mas meu cérebro insiste em me lembrar da vida miserável que tenho levado por esses 18 meses.

Foram noites e mais noites na cama de estranhos. Dias e mais dias forçando um sorriso que nunca mais foi sincero. Madrugadas e mais madrugadas chorando contra o travesseiro depois de mais um pesadelo com o dia em que ela me deixou. Esse jogo de orgulho que criei fez com que eu me afundasse em um buraco escuro e frio dentro da minha própria mente.

Ela nunca me ligou, e eu fiz tudo para ignorar o máximo meu celular. Ela não desistiu do desejo de ser mãe e eu não perdi a determinação de fazer exatamente o contrário.

Fiz tudo para evitar o máximo receber notícias dela, mas tive algumas recaídas durante esse tempo, e no mês passado descobri que ela estava namorando um homem e parecia feliz em sua foto no instagram. Sei que estou sendo egoísta, mas vê-la feliz e saber que não sou o motivo de sua felicidade, faz eu me sentir muito pior.

Saio da banheira e visto uma roupa confortável para ficar em casa. Hoje eu não vou sair.

Pego meu notebook e abro meu e-mail lendo todos, mas o último deles faz meu coração disparar. É dela.

Abro rapidamente sem nem ao menos saber ou assunto. Mas a esperança se esvai na mesma intensidade e rapidez com que se ascendeu. É um convite de casamento. Leio até o fim para ter certeza de que se trata do casamento dela. E sim, é.

Mas o nome dela ao lado do nome de outra pessoa destacados no convite não faz meu coração disparar tanto quanto no momento em que vejo a data. É na semana que vem.

Salto da minha cama e pego meu celular. Disco seu número, que já foi trocado algumas vezes desde que nos separamos, mas sempre dei meu jeito de consegui-lo novamente através de Harry.

O telefone começa a chamar, a ligação está quase caindo na caixa postal e a minha coragem já começa a fraquejar quando ela atende a chamada.

- Alô! - sua voz está rouca do outro lado da linha, fazendo com que eu me arrepie por inteiro. Como eu senti saudades dessa voz. - Alô? Tem alguém aí? - quase me esqueço de responder.

- Ah, desculpe! E-eu ... - minha voz falha. Por que eu liguei?

- Camila? - sua voz tem uma mistura de surpresa e um pouco de decepção, eu diria.

- Oi, sim, sou eu. - Me embaraço com as palavras - é... me desculpe ligar assim do nada.

- Não, tudo bem. - ela tenta ser amigável mas consigo perceber a tensão e o desconforto em sua voz.

- Bem, eu...

- Me desculpe te cortar assim, mas... é importante? É que meu noivo está me esperando para provar os sabores de bolo para casamento. - Ela diz tudo muito rápido, como se fosse difícil dizer tudo aquilo para mim, e precisasse dizer de uma só vez para não perder as palavras pelo caminho.

Mas seu tom de voz não diminui minha dor e as lágrimas preenchem meus olhos deixando minha visão embaçada.

- É... na verdade, eu só liguei para parabenizá-la - minto. - Receio que não poderei ir ao seu casamento, porque...

- Sua carreira? - atira.

- Sim, é isso. - Continuo a mentir. - Sabe como é?! Muitos compromissos e enfim...

- Não, não sei como é. - Suas palavras me atingem como flechas. Ela mudou. - Mas posso imaginar, - ameniza ao perceber a arrogância com a qual havia falado. - Tenho visto você em várias revistas e jornais. Parabéns, você parece ter conseguido o que sempre quis.

- Ah, sim, consegui. - Mas isso me custou você. - Você também parece ter conseguido o que queria.

- Sim, consegui! - ouço o som de um sorriso se formando em seus lábios. - Estou casando e... não sei se você já sabe, mas, estou grávida de 2 meses. - Seu tom é animado, mas suas palavras já causaram um enorme estrago em meu peito.

Uma dor que nunca pensei ser possível sentir invade meu peito e me esforço ao máximo para não desabar. Afasto um pouco o celular do meu rosto e respiro várias vezes para tentar me controlar.

- Camila? Ainda está aí? - ouço sua voz me chame fraca do outro lado da linha.

- Oi, sim?! - as palavras saem arrastadas da minha garganta. - É... me desculpe. Ahn... parab...

- AMOR, VEM RÁPIDO! - ouço uma voz masculina gritar ao longe.

- JÁ ESTOU INDO - ouço-a gritar de volta.

- Desculpe, Camila - ela volta a falar comigo. - Mas preciso ir agora.

- Ah sim, tudo bem. - Não, não está nada bem. - Não vou te incomodar mais. Parabéns, Lauren. Você merece toda a felicidade do mundo.

- Obrigada! Você também merece. - ela diz.

- Obrigada! - Mas talvez eu não tenha essa sorte, penso.

- Adeus, Camila!

- Adeus, Lauren!

Desligo a chamada e caio deitada em minha cama soltando todo o choro que estava entalado na minha garganta.


Flashback off


Aah loving you."

Já se passaram dois anos e meio desde o nosso término, mas sim, eu ainda a amo. E acredito que sempre irei amá-la.

Toco a última nota de música olhando para platéia, e como imãs, meus olhos instantaneamente encontram as esmeraldas de Lauren, e estão cheias de lágrimas, assim como os meus.

Ela sabe que é sobre nós.

Seus olhos me analisam uma última vez e ela vira as costas para mim, me deixando novamente.

Fecho os olhos respirando fundo, antes de me retirar do palco com uma reverência discreta de cabeça. Não sou capaz de dizer nada além de um fraco "Obrigada!" ao público e saio às pressas do palco para evitar desabar na frente de todos.


~ * ~


Tropeço algumas vezes até alcançar a porta do camarim, entrando a passos rápidos no local. Vasculho ao redor para me certificar de que não há ninguém, e quando tenho certeza de que é seguro, tranco a porta atrás de mim, e corro para o sofá localizado ao lado da enorme janela de vidro que permite à lua iluminar todo o ambiente, e ali, à luz da lua, eu desabo novamente como uma despedida para os dias ruins.

Passo alguns longos minutos respirando fundo entre os soluços, na tentativa de controlar o choro. Aos poucos, consigo regularizar minha respiração e meus batimentos cardíacos.

Quando os soluços cessam e as lágrimas secam de vez, olho na janela e abro minha mente para as memórias. Penso em tudo que já aconteceu até aqui, desde minhas lembranças mais remotas até os dias atuais. Tento organizar todos os eventos em uma única linha de raciocínio, confundindo uma data ou outra, mas tentando salvar os pontos principais. Eu já passei por tanta coisa e sobrevivi, por que isso me derrubaria?

Ouço uma batida na porta e seco as lágrimas depressa andando até ela.

- Quem é? - pergunto.

- Sou eu, Sofi. - não consigo evitar ficar um pouco desapontada, mas não triste. Eu nunca diria não à Sofi se pudesse evitar.

- Posso entrar? - ela pergunta.

- Claro, meu anjo. - abro a porta e me esforço ao máximo para dar o meu melhor sorriso.

Rapidamente ela envolve seus bracinhos ao redor da minha cintura e nos dirigimos até o sofá onde eu estava sentada anteriormente. Ficamos sentadas ali por alguns segundos apenas aproveitando o silêncio e a companhia uma outra. Até que ela resolve quebrar o silêncio:

- Posso fazer uma pergunta? - questiona receosa.

- Claro, querida.

- Se você e a tia Lauren se amam tanto, por que não continuam juntas?

Penso por alguns segundos naquelas palavras até chegar a uma conclusão que guardei por todo esse tempo, desde que ela me deixou:

- Sabe, Sofi, às vezes é preciso fazer sacrifícios por quem se ama. Amar é deixar a pessoa livre para ser quem ela é e quem ela quer ser. E amar pode machucar muito porque você passa a colocar as necessidades do outro acima das suas. É por isso que às vezes é preciso deixar outra pessoa ir, porque você percebe que suas necessidades são incompatíveis. No fim das contas, amar também é deixar ir.



16 de Fevereiro de 2020 às 02:09 0 Denunciar Insira 0
Fim

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