Olhos Perversos Seguir história

noveluas Tata C

Taehyung não sabia o que era ter medo na maioria do tempo, apenas quando encarava os olhos perversos de Seokjin nas noites em que tudo lá fora parecia desaparecer. [taejin; bts]


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#gay #lgbt #lemon #boyxboy #seokjin #taehyung #bts #vjin #taejin
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304

Os fios dourados da garota se espalhavam por todo o travesseiro, e ao seu lado, Taehyung se lembrava de quando ainda sentia algo por ela. Quando ainda voltava feliz para casa e ansiava em sentir a pele hidratada e quente na sua. Mas naquela noite, a observando dormir inconsciente de tudo que se passava dentro de sua cabeça, ele não conseguiu evitar sentir pena. Odiava o sentimento mesquinho, que a deixava apenas como uma peça sem encaixe, perdida.

Tirou o cobertor de cima do corpo e enfrentou o frio da noite, ainda com o peito desnudo. Encarou seu reflexo no espelho, os cabelos desalinhados, os olhos rodeados de um tom arroxeado, que mostravam à todos o seu cansaço. Taehyung só tinha um lugar em mente, para onde queria fugir todas as noites e todos os dias, se fosse possível. Pegou o celular, abriu o contato dele e digitou:

“Me encontre no 304 em uma hora, por favor.”

Enviou, fechando os olhos por um momento, mordendo os lábios e se amaldiçoando mais uma vez. A pior parte era esperar que uma resposta chegasse, e ela sempre demorava. Afinal, que graça teria se não houvesse um pouco de tensão, de incerteza. Ele nunca foi uma pessoa paciente e a maioria das pessoas entendia que não era bom o testar. Mas não ele, que pouco se importava com seus caprichos.

Foram exatos vinte e nove minutos de espera, e então a notificação chegou, com a mensagem que dizia:

“Dois e setecentos, pelo horário.”

Porra. Ele pensou, quase vociferando o sentimento odioso de ser usado e gostar disso.

Não pensou muito antes de se enfiar em suas roupas sociais de novo, mas sem se importar com um paletó, seria inútil de qualquer forma. Enquanto colocava os sapatos italianos, olhou mais uma vez para ela, suspirou e se levantou, seguindo para fora do quarto. Não conseguia ao menos sentir remorso por deixá-la no meio da madrugada e ir em direção ao hotel mais distante que conseguira achar há um tempo. Depois de fechar a porta, o mais silenciosamente que poderia, entrou no carro e deu partida para o sul da cidade, sentindo cada célula do seu corpo despertar.

-

Esperar uma resposta era nada se comparado à esperar por ele. Mesmo que tivesse aceitado encontrá-lo mais uma vez naquele quarto, ele apareceria quando quisesse, antes que o tempo que tinham pudesse se esgotar. O relógio em seu pulso marcava duas e vinte três, estava em seu segundo copo de whisky, com a cabeça encostada na poltrona, os olhos pesados encaravam o teto bege, ansioso e entediado.

Sob a mesa de centro da salinha de estar, o envelope branco esperava seu dono chegar, com dois mil e setecentos wons, em notas pequenas, como de costume. Se perguntassem à Taehyung, ele diria que era pouco, mas ainda assim, não se dava ao luxo de dispor de mais por ele, que não aceitaria, de qualquer jeito. Era alguém com uma boa quantidade de convicções, e não tinha receio em deixá-las claras.

As suaves batidas na porta tiraram Taehyung de um transe, o fazendo levantar em direção à ela com certa rapidez. Mas antes que pudesse abri-la, ele deu um último gole na bebida e se olhou no espelho do hall, não gostando muito do que viu. Espantou qualquer tipo de dúvida e abriu. Lá estava ele, como se fosse estrelar a porra de um filme, causando respostas completamente inconscientes no outro, que nunca conseguia dar um “boa noite” apropriado.

— Oi — o loiro disse, sorrindo de lado e piscando lentamente.

— Entra…

Já com a jaqueta no meios dos braços, ele entrou no quarto, terminando de a tirar ainda no hall e a jogando num dos cantos. A camisa de seda azul escura, contrastava com a pele alva e com os lábios que pareciam tingidos de carmim. Taehyung nunca sabia o que dizer quando realmente estava com ele, por mais que imaginasse milhões de vezes seus encontros.

— Não vai dizer nada? Foi você que me chamou.

— Deixei a Sunhye na cama pra vir te ver… — ele falou, recostando na porta fechada.

— Não é isso que você faz desde o começo? — perguntou, enquanto servia um pouco de bebida para si.

— Seokjin… — sussurrou involuntariamente.

— Achei que tivesse esquecido o meu nome — falou, voltando seu olhar para o moreno. —, tem algum problema com ele?

— Tabu — respondeu rindo. — Se eu falar seu nome com frequência, eu vou enlouquecer, você sabe.

— Não.

Se olharam por alguns segundos, insatisfeitos com a conversa. Seokjin deu as costas e seguiu para o quarto, se sentia cansado, e aquela cama era boa demais para que fosse deixada de lado. Taehyung foi atrás, como um seguidor fiel, que não sabia bem o que estava a adorar. Mas estava. E como se tentasse evitar o ínicio de um frenesi, se manteve de pé, enquanto o loiro se esparramou na cama depois de deixar o copo vazio no criado mudo. Estar com ele era como encarar uma intensidade aquém de sua capacidade.

— Quanto tempo você vai levar pra me tocar dessa vez? — Seokjin perguntou, se apoiando nos cotovelos, com partes da pele a mostra pela bagunça da camisa.

Taehyung revirou os olhos e mordeu o interior da bochecha.

— Falando assim pareço um virgem que tem medo de chegar perto de outro cara…

— Pelo contrário, Taehyung, pelo contrário. — Ele se virou para cima, começando a desabotoar com certa lentidão sua camisa. — Você parece um daqueles caçadores que odeiam perder o alvo, que espera o tempo que for pra ser certeiro. E sabe… eu sou uma presa impaciente.

O moreno umedeceu os lábios, esboçou um meio sorriso e suspirou.

— Quer mais whisky? — ofereceu.

— Sim.

Taehyung caminhou até a beirada da cama, sentindo os olhos grandes do loiro em si, enquanto ele ainda trabalhava com os botões. Pegou o copo e quando se direcionava para a salinha mais uma vez, olhou para ele de relance, vislumbrando a pele de porcelana quase completamente a mostra. E talvez em uma guerra interna, entre deixar tudo de lado para ir até ele e continuar tentando estabelecer uma comunicação, ele foi até a garrafa de bebida, servindo os dois copos.

Por um breve momento, tudo o que podia ser ouvido naquele quarto era o tintilar dos vidros que o moreno manejava, era um som agradável, e mesmo que os dois parecessem jogar um com o outro, eles queriam estar ali e estavam satisfeitos com o fato. Seokjin não deixava transparecer, mas sempre que recebia uma mensagem de Taehyung, algo em si se remexia, não se aquietava, até que colocasse seu par de olhos nele.

Taehyung voltou ao quarto com os copos novamente cheios e entregou um deles à Seokjin, que já havia retirado a camisa. O moreno sentia um frio na barriga toda vez que podia ver a pele alva do outro, era tão perfeito e imaculado, ele não entendia como aquilo era possível. Considerando as circunstâncias, era como se os momentos em que estavam juntos fossem um erro no tempo, e fora daquele quarto eles “juntos” não existissem.

Mas ali sim, existiam.

— Taehyung — ele falou, enfatizando cada sílaba. —, vem aqui, não fica aí de pé me olhando.

O moreno suspirou. Queria mais que tudo ir até ele, mas tinha algo naquela madrugada, algo no álcool, algo no ar. Não era só mais uma vez, não era só mais uma fuga da realidade e não seria só mais uma foda.

— Me deixa fazer isso direito, Seokjin.

O loiro deu mais um gole na bebida e se levantou. Colocou o copo no criado mudo e se direcionou até a ponta da cama, onde estava a camisa recém retirada.

— Taehyung, não sei o que você tem hoje, mas eu não tô afim de adivinhar. É melhor você voltar pra sua casa.

— O quê? O que tá fazendo?

Seokjin parou, com a peça na mão, respirando devagar, se virou para ele e não disse nada por alguns segundos, e então se aproximou.

— O que você quer de mim?

— Jin…

— Sério, não vamos mais mentir e dizer que eu sou só seu garoto de programa favorito.

— Claro que não, porra, você é… — Seus olhos fitavam tão intensamente as orbes grandes de Seokjin, que sua sensação era de que seria engolido a qualquer momento. Porque a intensidade deles era tanta, que não havia como não temê-los. — Tudo.

Quatro letras, duas sílabas, foram como um divisor de águas para aqueles dois homens. Seokjin ouviu o que queria, Taehyung disse o que queria, mas nenhum deles sabia ao certo o que fazer com aquilo. Mas não precisavam descobrir naquele exato momento. Na verdade, precisavam processar o que havia sido dito na forma mais humana possível.

Pele com pele. Desejo.

Taehyung não viu mais motivos para que não fizesse o que queria, o que cada célula de seu corpo desejava. Deixou o copo de lado e foi até ele, com ansiedade, de respiração pesada. Os olhos marejados de Seokjin, ainda demonstravam o quanto esperaram pelo toque dele, pela iniciativa de ir até ele.

Deitou sobre o corpo esguio e seminu, sentindo a temperatura alta; os braços do garoto entrelaçaram seu pescoço e enfim os lábios se tocaram, desesperados um pelo outro. Não houve um ritmo, foi confuso, como se temessem se perder em meio ao beijo.

E se perderam, de fato.

Mas Taehyung precisava olhar para ele, encarar de perto aqueles olhos perversos, que o levaram a perdição, que o fizeram sair de qualquer trajeto planejado. Porque no fim, o único caminho era o que levava até ele.

A mão do moreno acariciou a pele clara e suave, assistindo Seokjin derreter sob ele, fechar os olhos e se entregar, cada vez mais. Ainda havia tecido demais sobre eles, e Taehyung fez questão de retirar o que restava no loiro. Peça por peça, devagar. A pressa sempre fora um dos defeitos daquela relação. E por isso o Kim mais novo tentava a cada encontro ser mais suave, menos afoito; podendo assim deixar que o mais velho percebesse realmente o que ele sentia ao estar com ele.

Era tão mais do que qualquer palavra poderia descrever, tão mais do que qualquer toque, que tudo acaba parecendo leviano demais. E Taehyung não queria ser leviano com aquele homem, não com ele que lhe mostrava o que era realmente sentir tudo tão intensamente. A vontade, a saudade, a necessidade. Precisava de Seokjin como sempre achou que não deveria precisar de alguém. Não gostava dessa dependência, e tentou negar para si e para o outro. Mas no fim, ali estava ele, querendo cada pedacinho dele, como jamais quis qualquer outra coisa.

13 de Fevereiro de 2020 às 13:29 0 Denunciar Insira 0
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