Esqueça-me Seguir história

lilmiew Yasmin de Carvalho

Esqueça-me. É melhor assim. Uma obra original de Yasmin de Carvalho. Todos os direitos Reservados. All rights Reserved. © lilmiew | Yasmin de Carvalho { 11/02/2020 , 17:17hs }


Poesia Romance Todo o público.

#saudade #despedida #amor
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https://www.youtube.com/watch?v=HzE45YJQOLY




Esqueça-me.

O mais rápido possível...

Apaga-me, enquanto ainda é seguro respirar.

Porque quando os céus desabarem,

e as águas rolarem, feito cascatas emocionais,

nada mais restará de pé.

Esqueça-me.

Destrua as lembranças do passado...

Esconda dos olhos e do peito, o que um dia se viveu.

Corra para longe, o mais depressa

que o corpo aguentar, porque quando

as estrelas caírem de seu esplendor, não

haverá misericórdia ao pulsante.

Esqueça-me.

Desfaça os elos que um dia, surgiram.

Que os passos mal dados, se percam,

como pegadas na areia quente, que o vento destrói

quando passa, feroz e implacável.

Esqueça-me...

Esqueça-me agora.

Deixe que meu olhar suma das tuas

memórias, assim como o som da minha voz.

Permita que meu sorriso esmaeça com o transcorrer

dos segundos, das semanas, dos séculos...

Permita que meu toque, minha respiração,

cada palavra dita, gesto feito, sussurro imperfeito,

sejam vagarosamente liquidados do teu ser.

Permita-se me esquecer...

Apenas faça, de uma vez, sem rodeios.

Esqueça-me... Eu suplico.

Delete minhas fotos, cesse minhas mensagens,

exclua tudo o que um dia, atou-nos feito nós.

Esqueça-me, apenas... Esqueça-me.

Rasure as promessas discursadas com a

eloquência de uma alma que desconhecia a dor por vir;

substitua minhas roupas no armário, por outras,

as tuas, ou as delas, não me importa.

Apenas faça, depressa!

Um corte limpo e indolor,

antes que o sangue colora a face lívida

feito tecla marmórea, onde os poemas mais bonitos

foram feito poeira, sumindo com o tempo...

Porque o tempo não foi leal ou gentil,

ele, cruelmente envolto pela realidade sádica,

não se importou em atenuar o penar ardido que

corroeria as dobradiças da alma.

O tempo foi implacável, atros, impiedoso feito

tempestade, que só revolve a desolação que escondemos

por debaixo dos tapetes da alma.

O tempo... Ele não foi bom, mas trouxe verdades,

aquelas que tu não me contaste, aquelas que eu insistia,

inocente, em não enxergar de jeito algum.

E ele marcou-me, como ferro em brasa, deixando

para trás, rastros de uma aflição inegável...

E a paúra, ah, a constante incerteza que assola lentamente,

como carras invisíveis que, cravadas no peito, te

sufocam gradativamente, não deixando saída, a não ser,

a total desistência...

E foi o que fiz.

Eu desisti...

De ti, de mim, do nós que eu tanto sonhei.

Desisti porque não havia salvação, não havia

um segundo sequer de esperança ou conserto para

o que tínhamos... E, será que tínhamos mesmo algo?

Hoje, não sei mais.

Porque tu mudaste as visões de mundo que sempre tive.

Porque ao teu lado, enxerguei belezas não vistas,

vivenciei verdades não experienciadas, provei sabores

não apreciados, vislumbrei cenários ignorados e senti,

mais do que tudo, sentimentos jamais explicados.

Ao teu lado, eu toquei as estrelas, sem saber que,

quanto mais alto eu subia, mais irremediável

tornava-se a minha iminente condenação...

Porque tu nunca me disseste que, ao tocar as estrelas,

eu atrelava a meus pés, as âncoras que me puxariam

para baixo, sem misericórdia, sem bondade, sem... Compaixão.

Porque tu nunca me disseste que, se eu caísse - ou melhor, quando

eu caísse - diferente do que eu achava, tu não estarias lá

para salvar-me.

Porque tu me fizeste crer que éramos um só, mas,

na realidade, nunca fomos, porque tu nunca foste meu,

como outrora fui sua, das palavras aos sorrisos mais sinceros.

Porque tu me fizeste acreditar, acreditar de verdade,

desde a veracidade dos teus dizeres, até a honestidade dos

sentimentos que proclamavas a mim.

E eu acreditei... E entreguei-me... E eu cedi, do meu tempo,

às minhas convicções, do meu amor, às minhas frustrações,

dos meus sonhos, aos meus anseios.

Eu cedi meu coração para que nele, habitaste; e paguei por isso.

O preço por amar demais, resumiu-se à solidão,

nua e crua, sem floreios ou borrões bonitos.

Num dia, éramos bagunça, daquelas bem poéticas, que dá

orgulho declarar-mo-nos, os autores de tal obra; no outro,

éramos caos e confusão, misturados demais para fazer o

entendimento claro e trivial; e no seguinte, éramos

puro silêncio, irreconhecível, tremendamente distantes do que um dia,

fomos.

Passamos de obra-de-arte sem limites, para destroços de uma

guerra sangrenta e desnecessária.

Sem sentido, sem valor, sem motivação.

Tu me fizeste desnecessária; tornaste-me algo banal,

irrelevante, sem vida ou razão.

Eu me tornei o reflexo do que sempre temi: solidão.

E tudo o que mais me afligia, tornou-se realidade;

passei de um sonho perfeito, para um pesadelo

enclausurado nos mais múltiplos tons de castanho;

despi-me das inseguranças, acreditando que estarias

ao meu lado, quando medo batesse à porta para descobrir,

no passo seguinte, que elas, as inseguranças, eram as únicas

que jamais abandonariam-me.

Meu eu sublime fora destroçado pelo que tu

fizeste, ou pior ainda, pelo que não fizeste.

Pelas palavras não ditas, pelos sentimentos não demonstrados,

pelas verdades escondidas, pelas promessas irreais.

Tudo, absolutamente tudo, feriu-me, quebrou-me

em mais que dois ou três pedaços.

Foram tantos, que mosaico nenhum conseguiria

unir todos eles...

E ainda sim, eu demorei para entender,

para aceitar que aquilo, que aquela desordem

era resulto puro e tão somente das tuas atitudes...

E demorei ainda mais para aceitar que a anarquia

em meu peito, era reflexo da dor que o esquecimento

causava... Ou pior, da certeza que meu amor,

de nada valia a ti.

O meu amor era isso, um novelo embolado com ternura

demais, que fora erroneamente presenteado a alguém

que não merecia a maciez contida nele.

O meu amor era meu, unicamente, e não nosso,

como eu jurava ser... A dor da percepção foi inegável.

E eu sofri, e eu chorei, e eu quebrei, mais que uma vez,

ou duas, ou três... Eu senti a felicidade se esvaindo

por entre meus dedos, vi meus planos fugindo do meu

controle e vi meus sonhos esmaecendo na praia.

E tudo se perdeu, e eu me perdi, e tudo morreu.

Mas sabe o que é mais desastrosamente curioso?

É que mesmo depois que tu partiu, mesmo depois que me partiste,

mesmo depois que dilaceraste o meu peito, arrancando de mim,

o coração que unicamente te amou e te quis bem,

eu não morri...

Continuei viva, dia após dia, chorando e sofrendo,

até que o aperto no peito diminuiu, passando de uma

constante sufocante, para um quase imperceptível lembrete;

as lágrimas reduzissem de cascatas de pranto silente,

pra uma face seca e inalteravelmente sóbria,

e o coração retorcido, retomasse sua forma plena de pulsar.

Eu continuei vivendo... Primeiro, sobrevivi, depois, reaprendi a viver.

A dor não passou, mas quase sumiu; as lágrimas não foram esquecidas,

mas secaram... E eu voltei a sorrir.

Redescobri que a única dona e portadora da felicidade

sou eu, apenas eu, absoluta em meu tentar e perseverante

na esperança de que, mais cedo ou mais tarde,

tudo ficará bem.

Tudo ficará bem. Tudo ficará bem... E ficou.

Porque eu sobrevivi ao amor que um dia senti e

que quase me destruiu. Porque eu sobrevivi ao caos

que tu instaurou em mim. Porque eu sobrevivi a dor

que se abateu sob meus cachos.

Porque eu sobrevivi... Porque me sinto mais forte do que

jamais imaginei sentir. Porque... Eu sou inteira de novo.

E passou.

O tempo passou, a tristeza passou, a dor passou,

a solidão passou, a decepção passou, o sofrimento passou.

Tudo passou.. porque nada é para sempre.

Nem o amor, nem eu, nem nós.

E eu ressurgi, das cinzas, às estrelas,

recuperando o meu verdadeiro lugar, bem ao lado

do sol nascente...

Esqueci as palavras frias e cruéis, deletei os julgamentos

e me anulei para toda negatividade possível.

Eu me libertei!

Libertei os cachos e devolvi a eles, a leveza

que sempre fora nata de mim...

Libertei os olhos e devolvi a eles, a liberdade

de cantarem em brilho ou gotinhas salinas,

seja ao onde for, seja como for.

Libertei meu peito e devolvi a ele, a sutileza

de abrigar uma alma que mesmo imperfeita, é

singularmente valiosa aos olhos dos céus.

Eu me libertei....

Joguei fora as correntes que me aprisionavam no passado,

emancipei meus medos e ressurgi das trevas à luz.

Eu me curei... Não por amor externo, mas pelo próprio,

porque precisei ser ferida por amar alguém além de mim,

para me dar conta que meu amor tem ser eu mesma.

Eu precisei abrir mão de você, para compreender

que minha melhor companhia, sou eu mesma.

Abri minhas asas para o mundo, deixando

que minha essência pudesse, mais uma vez,

transbordar e fluir para o universo ao redor.

Eu virei a página... E acho que deve fazer o mesmo.

Aqui, eu me despeço.

E peço...

Por favor, esqueça-me!

Para sempre.







YCD, 16/02/2020, 00:40hs.
19 de Fevereiro de 2020 às 02:59 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Yasmin de Carvalho Cantora Lírica, Escritora, Compositora, Apaixonada, Sonhadora.

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