Ele é MEU! Seguir história

noveluas Tata C

Seokjin queria Taehyung fora de casa antes do fim do dia, e o único problema para que aquele casamento acabasse enfim, era Bibi, o filho daquele casal em pé de guerra. Uma história sobre divórcio, amor e morangos! [taejin; bts]


Fanfiction Bandas/Cantores Todo o público.

#boyxboy #lgbt #seokjin #taehyung #vjin #taejin #bts
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Um pedacinho do paraíso

— Olha aqui, Taehyung, você tem até o fim do dia pra sumir daqui! — Seokjin bradou para o, agora, ex-marido.

— TUDO BEM, Kim Seokjin! — o mais novo concordou irritado, já estava com metade das roupas jogadas na maior mala que encontrou na casa, que por sinal, era de Jin. — Mas que fique claro, os papéis ainda não saíram e eu nem tenho que sair da minha casa ainda!

O moreno já estava saindo da sala quando ouviu o protesto e quase no automático retrucou:

— Pois fique sabendo, que com o seu plano maravilhoso de virar agricultor e ir plantar morangos, essa casa não é mais sua e muito menos minha!

Ouvir a verdade sempre doía e Seokjin nunca gostou de usar luvas de pelica, a verdade era sempre nua e crua. Oras, Taehyung perdeu todo o dinheiro dos dois na compra — mal feita — de um sítio no interior; seu plano era levar o marido e Bibi, o golden retriever que adotaram juntos quando ainda eram apenas namorados. Mas, com os problemas da compra e o fim da estrutura financeira do casal, as brigas se tornaram constantes e o desgaste foi inevitável; agora o mais novo teria que se contentar apenas com os morango e com Bibi.

Pelo menos esse era seu plano.

-

Taehyung estava sozinho em casa, ainda levando suas coisas para a caminhonete que comprara para sua nova vida no sítio, e graças a Deus que o fez, aquela mudança não seria possível sem aquele espaço todo. Bibi estava bem calminho, mas isso mudaria com a viagem até a nova casa; o loiro reuniu as coisinhas dele, a caminha, os potes de ração e alguns remédios, itens de higiene e tudo estava quase pronto para ser levado até o carro, mas o barulho do carro de Seokjin se fez presente e ele soube que sua saída estratégica e tranquila tinha ido por água abaixo.

Um Seokjin ainda emburrado entrou pela porta aberta, com uma das sobrancelhas levantada, afinal, não era para que o loiro estivesse ali àquela altura. O som estava quase se pondo e era o fim de seu prazo para dar o fora da casa. E agora, além de encarar a irritação do ex com sua presença, enfrentaria a discussão óbvia que teriam por Bibi.

— Tá aqui aind… — ele se interrompeu ao ver as coisas de Bibi todas reunidas em uma das caixas. — Mas que porra é essa, Kim Taehyung?!

O mais novo se sobressaltou, por mais que ele esperasse, nunca estava pronto para como Seokjin conseguia ser assustador quando ficava irritado.

— O quê? — tentou parecer firme. — Eu e meu filho estamos saindo da sua casa!

— O meu filho não vai pra lugar nenhum com você. Tá me zoando é?

— Olha aqui, Seokjin, nós adotamos ele juntos, é tão meu quanto seu!

— Tá, e seguindo a sua linha de raciocínio, por que diabos ele deve ir com você, se é tão meu quanto seu? — questionou agachado, acariciando o pelo macio de Bibi, que mal entendia aqueles tons alterados.

O loiro bem que tentou dizer alguma coisa, mas é que não saia nada de sua cabeça atordoada. Odiava ter que sair dali, odiava ter que brigar pelo cachorro e odiava ter que chamar Seokjin de ex, tudo era frustrante. Mas por algum motivo, ele tinha uma certeza, não sairia sem Bibi, ah, não sairia mesmo!

— Não quero saber, sem ele eu não fico — ditou, se sentando no sofá e apoiando os pés numa das caixas já fechadas.

O moreno bufou e grunhiu em desgosto; sentia raiva do ex e a decepção o consumiam, mas ele também tinha certeza de uma coisa: de Bibi ele não desistiria, nem por um minuto.

— Pois bem, mas suas tralhas ficam naquela lata velha que comprou e você dorme no sofá hoje. Amanhã nós vamos dar um jeito nisso ou não me chamo Seokjin!

Saiu em direção ao quarto, batendo o pé e resmungando com os céus; enquanto isso, Bibi foi até o pai e se aconchegou com ele no sofá. O sorriso no rosto de Taehyung poderia significar apenas que ele estava satisfeito em não se afastar de sua grande bolinha de pelo. Mas havia algo no ar que poderia muito bem sugerir que aquele não era o único motivo.

-

Bibi acordou cedo naquele sábado, um dos pais dormia largado no sofá e o outro no quarto, embolado nos cobertores e abraçando um travesseiro por falta de opção. O canino já estava entediado e o sol lá fora estava bonito demais para que dormissem mais; por isso, ele foi até o sofá e pulou em Taehyung, pense só, não é um poodle, é um golden.

O loiro acordou assustado com o peso sobre si, já que geralmente Seokjin não deixava que o coitadinho subisse na cama do casal.

— Bibi! — gritou aliviado. — Quer me matar? Achei que era seu pai me enxotando de vez…

O Kim suspirou, ainda de coração acelerado. Resolveu levantar de uma vez, talvez fazer um café da manhã para o, quase, ex-marido e pensar mais um pouco em tudo aquilo. Bibi continuou em seu encalço, se entrelaçando em suas pernas.

-

No quarto, Seokjin tentava abrir os olhos, mas sentia um cansaço enorme e uma vontade louca de ficar ali o dia todo. Sua cabeça rodava, não queria encarar Taehyung, não queria ter que brigar por Bibi, não queria encarar um divórcio.

Enrolou mais um pouco e olhou o celular, Taehyung havia postado um stories de Bibi, e depois um da mesa com café da manhã. Abusado, ele pensou, nem deveria estar aqui!

Levantou enfim e apenas foi até o banheiro se arrumar, mas sem se preocupar em tirar o pijama. Iria lá dizer para que ele fosse logo para o sítio e o deixasse em paz para pensar que raios faria da vida com aquela confusão toda.

Abriu a porta do quarto e já pôde ouvir o loiro tagarelando com o filho, como se aquele fosse o sábado mais normal do mundo. Se aproximou da cozinha e os viu, brincando um com o outro, Taehyung como sempre fazendo Bibi de bobo, e esse caindo em tudo.

— Ô Taehyung, você já deveria ter ido pro seu sítio? — perguntou, se escorando na porta.

— Bom dia pra você também!

Seokjin revirou os olhos e piscou lentamente. Apesar de tudo, aquela mesa cheia de coisas parecia muito atrativa, principalmente os pães de queijo cheirosos e frescos da padaria da esquina. Aquilo era suspeito, todos os seus favoritos ali, café fresco de coador, ora ora, o que aquele loirinho atrevido estava querendo?

— E por que esse esquema todo aí?

— O quê? — perguntou, se fazendo de confuso. Como não houve resposta, ele continuou. — Essas coisinhas? — Apontou para a mesa. — Nada demais, só comida de café da manhã…

— Sei… — respondeu, se aproximando para se sentar.

Taehyung não falou mais nada, apenas serviu café com dois cubos de açúcar para Jin e o ofereceu a ele; que em silêncio, aceitou. Bibi rondava o pai mais velho, parecendo receoso, sentia que ele estava confuso e incomodado.

— O que foi, meu amor? — perguntou ao golden, acariciando o pelo macio.

— Ele sabe o que você sente… — Taehyung falou.

— Eu tô ótimo, okay, Bibi? — Sorriu para ele, como se fosse um bebê.

— Jinnie…

— Ah, não — ditou, não estava disposto a ouvir o apelido de novo.

— Eu só, não quero sair daqui brigado, porra, eu sei…

— Sim, você errou feio, errou muito, errou grande.

— Eu sei, mas você tem certeza que isso é o suficiente pra gente não se amar mais?

— Taehyung, a gente já não teve essa conversa?

— Só quero ter certeza, se é isso que você quer, eu vou embora mesmo, e vou fazer o possível pra te ajudar nessa transição, a achar outro lugar pra morar e tudo mais…

— Não se preocupa com isso. Nós só brigamos, e você sabe como é difícil que eu esqueça as coisas, tudo se tornaria cada vez pior. Vai ser melhor assim.

Naquele ponto, nem o pão de queijo, nem os cookies ou o café tinham mais o gosto especial que tiveram em outros momentos. Bibi estava deitado no cantinho que gostava e os dois humanos se olhavam com pesar, mas com bem menos raiva que no dia anterior. Esse o fim? Tipo, o fim mesmo? Era a pergunta que ambos tinham na cabeça.

— Tudo bem, eu saio daqui a pouco. Mas o Bibi vai comigo.

— Não vai.

— Vai.

— Ah, mas não vai.

— Seokjin, ele é meu!

— Ele é MEU! E NÃO VAI COM VOCÊ, ENTENDEU? — Sua expressão não parecia nada com a de quem estava brincando, e naquele momento, Taehyung soube que perdeu.

Iria para o sítio sem Bibi e sem Seokjin. E aquilo era exatamente a definição de um plano que deu terrivelmente errado.

-

Há um mês Seokjin vivia em uma casinha pequenina de tudo no centro da cidade, pagando um absurdo em aluguel. Bibi não tinha espaço e parecia chateado. E o moreno, apenas tinha duas motivações, seu trabalho, que pagava as contas e o golden carinhoso que o esperava em casa ansioso todos os dias. Tudo parecia estranho e mesmo que ele odiasse admitir, tinha vontade de ir até o mais novo, perguntar como o sítio estava indo, se os vizinhos eram legais, se os morangos eram doces, coisas assim.

A noite já havia caído naquele dia, ele tomava uma cerveja na varanda minúscula enquanto acariciava Bibi, que deitava em seu colo tranquilo. O celular começou a tocar, o tirando dos pensamentos. Esticou a mão para o pegar, vendo que a tela dizia ser Taehyung; atendeu sem pensar, com medo de perder a chamada e nunca mais saber o que é que ele queria.

— Alô?

— Oi.

— Oi…

— E-eu liguei porque… não sei, queria saber do Bibi, e de você.

— Ele tá bem, um pouco menos animado que antes… Sabe, pouco espaço e tal — respondeu, sorrindo melancólico ao olhar para o cachorro.

— E você?

— Trabalhando, só isso.

— Sinto falta, Jin — ele disse, e respirou fundo antes de continuar. —, de tudo…

— Tae, não sei o que espera que eu fale.

— Na verdade, eu queria te fazer um convite… Mas, quero que pense antes de responder um não automático, pode ser?

— Pode.

— Passe o fim de semana aqui, eu, você e Bibi. O clima tá muito bom, os morangos estão lindos, eu só quero que você conheça o sítio, só isso.

Seokjin não respondeu de imediato, na verdade, fechou os olhos, deixando que a saudade lhe fizesse sorrir com o convite. Droga, ele me tem tão fácil, foi tudo que lhe passou a cabeça antes de responder.

— Tá… Nós vamos.

Taehyung era péssimo em disfarçar suas emoções e mesmo pelo telefone, Seokjin conseguiu sentir que ele sorria sem controle e agradecia aos céus pelo sucesso do convite.

— Vou te mandar o caminho certinho, venha amanhã bem cedo, certo?

— Certo, Taehyung, bem cedo.

Depois de uma despedida estranha, eles desligaram e Seokjin olhava para Bibi com receio, sabia que o que ele diria se pudesse falar: “Ah, eu sabia, papai, eu bem que disse”.

-

“Há 200 metros, vire à esquerda e encontre o seu destino”.

— Muito obrigada, Maria, sem você eu jamais chegaria nesse lugar, pelo amor de deus, Taehyung! Onde é que achou esse sítio, pai eterno!

Lá estava ele, antes das sete da manhã, chegando ao tão encantado sítio do ex-marido. Bibi estava atrás, todo eufórico com a viagem. O caminho não era longo, mas ao entrar mesmo na área dos sítios, tudo era como um grande labirinto, e graças ao GPS, ele conseguiu chegar no tempo estimado e não com umas quatro horas de atraso.

O portão do lugar era bonito e lembrava a entrada de um jardim encantado, ainda que simples. A placa em frente dizia: Sítio Singular, e tinha o desenho de uma carinha com sorriso quadrado, outra com lábios cheinhos e um cachorro. Droga, por que ele é assim? Seokjin pensou, sentindo aquele desenho bater feito brasa no seu coração de manteiga. Ele buzinou três vezes e esperou.

A figura de Taehyung apareceu minutos depois, abrindo o portão. Vestia uma calça cáqui larga, uma camisa listrada fina e um chapéu de palha cobrindo a cabeleira loira. Era mesmo um cultivador de morangos no final das contas. Ele sorriu largo ao ver os dois no carro, seu coração mal cabia no peito; fez sinal para que Jin levasse o carro para dentro e depois fechou o portão mais uma vez. Falou algo inaudível da distância que estava de Seokjin, que fez uma careta enquanto se preparava para soltar Bibi.

— Eu perguntei, se foi difícil chegar!! — falou depois de se aproximar.

— Ah, graças à Maria, foi fácil.

— Quem é Maria?

— A moça do GPS — respondeu sorrindo.

— Ah, claro que a moça do seu GPS tem um nome.

Seokjin deixou que Bibi saísse do carro, e imediatamente tudo se tornou euforia pura. O golden grandalhão não sabia o que fazer para demonstrar o quão feliz estava em ver seu amado Taehyung, que não se importou nem um pouco em se jogar no chão para brincar com ele. O mais velho observou os dois, sentindo o peito se aquecer e a cabeça se confundir ainda mais. Retirou a pequena mala e algumas coisas de Bibi e esperou que os outros dois se resolvessem para que eles pudessem ir até a casa.

Depois que Bibi se deu por satisfeito em sentir o cheirinho do pai e de lamber a carinha bonita toda, eles foram até outra parte do sítio, onde ficava a plantação de morangos e a casa. Os pés de morangos eram realmente lindos e estavam cheios, prontos para serem colhidos. A casa era pequena, tinha uma varanda linda, com duas cadeiras de balanço e muitas plantinhas. Tudo tinha a cara dos dois, e Seokjin sabia que isso era exatamente o que o marido sempre quis, algo tranquilo e que pudesse aconchegar os três da melhor forma.

Era irritante saber como tiveram coragem de o enganar na compra e fazê-lo perder tanto dinheiro, e consequentemente, causando o caos na família.

— Então… o que achou? — o loiro perguntou, quando o levou para se sentar na varanda e aproveitar o resto da manhã.

— É tudo lindo.

Taehyung o olhava com tanta ternura, que ele sentia poder derreter ali mesmo, era tão difícil ficar sem ele. Muito mais do que ele um dia imaginou.

— Você tá feliz, Jin? — perguntou.

— Eu…

— Porque eu não. Nem de longe, nem um pouco. Eu sinto uma falta absurda de você, da sua risada, das suas broncas, do seu café, e dos seus lábios…

— Taehyung.

— Olha pra mim e diz que não sente a mesma coisa.

Seokjin continuou olhando para os morangos, para o céu claro e as poucas nuvens gordinhas espalhadas por ele. Tinha medo de olhar para ele naquele momento. Por deus, estavam se separando, os papéis estavam na sua gaveta prontos para serem assinados, o que estavam fazendo ali afinal?

— Acha mesmo que isso daria certo? Eu, você, Bibi e um sítio de morangos? — perguntou, ainda sem o olhar.

— Tenho certeza.

Taehyung se levantou e estendeu a mão para ele, que o encarou finalmente antes de dar a mão e se levantar também. O loiro o levou até as escadas da varanda, e o envolveu pela cintura, o levando para mais perto. O coração dos dois batia rápido, como se fosse a primeira aproximação deles. O mais novo deixou um selo perto dos lábios de Seokjin, sentindo a maciez que tanto amava.

— Olha esse lugar, Jinnie, é um pedacinho do paraíso — falou, olhando para o pedaço de terra. —, mas só vai me fazer feliz se você estiver aqui comigo. Porque, mesmo que eu tenha errado, mesmo sendo um idiota completo, você é o amor da minha vida, e sem você, nada é bom o suficiente.

— Como você consegue? — Seokjin perguntou, levando os braços até o pescoço do outro. — Ser assim tão… tão…

Os dois riram, não havia palavras suficientes para aquilo. Taehyung findou aquela distância, prendendo os lábios gordinhos cor de morango nos seus; como tinha sentido falta deles. Queria beijar seu Seokjin por todos os minutos do dia, por quanto tempo fosse permitido. E só se separaram quando o ar fez falta.

— Isso quer dizer que você aceita? — Taehyung perguntou, sem desgrudar o rosto de Seokjin, ainda querendo o toque.

— Aceito o quê?

— Voltar pra mim — falou, sorrindo. — Volta pra mim, Seokjin, me deixa te recompensar pelos meus erros, me deixa te mostrar o quanto eu amo você.

O mais velho fez um bico com os lábios, fechando os olhos. Taehyung sempre foi intenso demais, e isso nunca falhou em deixá-lo sem chão. O amava tanto que chegava a doer. Mesmo com todos os problemas, com a decepção e a irresponsabilidade do mais novo, ele não conseguia ignorar o coração enorme e generoso que ele tinha, e como ele conseguia o fazer se apaixonar, de novo e de novo. Abriu os olhos, e ainda com o biquinho formado, falou:

— Volto, sempre volto pra você.

Bibi estava deitadinho ao pé de uma das cadeiras, gostava do ar do sítio, das cores e de como era bom ter os dois juntinhos, bem pertinho um do outro e de si. Sua pequena família, no pequeno sítio, com os pequenos pés de morango. Era realmente um pedacinho do paraíso na terra. E os papéis não assinados que repousavam em gavetas diferentes, seriam rasgados muito em breve.

9 de Fevereiro de 2020 às 15:37 0 Denunciar Insira 1
Fim

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Tata C Tata, 25y

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