Lucky Seguir história

li_02 Alice

Lance estava aflito. O Dia dos Namorados havia chegado, trazendo o grande dilema de qual seria a maneira perfeita de confessar seu amor por Keith.


Fanfiction Desenhos animados Todo o público.

#Voltron--Defensor-Lendário #klance #lgbt+ #fluffy
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A voz de Keith ficava cada vez mais distante, à medida que os pensamentos de Lance iam se afogando em um mar de preocupações. Algo pequeno em si insistia em dizer que aquilo era besteira. Seus sentimentos poderiam esperar mais um pouco, afinal, o teste que fariam amanhã era extremamente importante, mas a voz logo foi silenciada por um tsunami de inquietação.


Como ele conseguiria fazer isso? E se recebesse uma resposta negativa? E se o amigo achasse que fosse uma piada de mau gosto? Todas essas vias o estressavam, tiravam-lhe o ar, e, principalmente, a concentração.


— Se for para ignorar totalmente minha explicação, não perca nosso tempo na próxima vez e vá estudar sozinho — Uma voz ralhou, em tom elevado, fazendo com que Lance finalmente saísse de seu transe.


As orbes azuis captaram o rosto de Keith, contorcido em uma careta tediosa e irritada.


— Me desculpe, me desculpe mesmo… — Lance se apressou em dizer, as palavras saindo de uma forma enrolada, quase dificultando a compreensão. — Prometo que agora vou focar mais.


— Não vai não, eu te conheço. Nem é primeira vez que você faz isso hoje… — Keith rebateu, a voz no mesmo timbre enfurecido e sarcástico de quando discutia com algum professor. — Aconteceu alguma coisa? — Acabou por indagar, seu olhar totalmente vidrado no amigo.


Lance quase engasgou, os pensamentos voltando a rodopiar em sua mente em uma corrente fria que lhe causava medo. A pergunta de Keith era óbvia, simples. Mas seu coração acelerou, sentindo-se pego em flagrante.


— É… eu… ah… bem, você sabe… - As palavras lhe fugiam, mas a pressão vinha avassaladora. — Eu preciso… preciso falar uma coisa importante com uma pessoa… — Falou, cuidadosamente. Keith acompanhando a explicação enrolada do amigo — E não sei como fazer isso e isso tá realmente acabando comigo. — Completou, afobado.


— Hmm… — Keith fechou o caderno de anotações, seus olhos piscaram rapidamente e sua expressão se consolidou de maneira pensativa. — Sobre o que é? Talvez eu consiga ajudar… — Se ofereceu.


O coração de Lance falhou algumas batidas, e uma inquietação tomou conta de si. A boca seca incomodava, e não conseguia pensar em mais nada para dizer. Ele não entendia o porque de estar vivenciando esse ciclo ansioso. Costumava lidar bem com seus sentimentos, era direto. Sequer pensou que algum dia encararia esse tipo de nervosismo.


O som que ecoou pela biblioteca parcialmente vazia não foi a voz de nenhum dos dois. O celular de Keith vibrava em seu bolso, a melodia de uma canção ficando gradualmente mais irritante em seus ouvidos.


Keith atendeu rapidamente. Pelo contexto do assunto, Lance conseguiu identificar que era Shiro no outro lado da linha, o irmão de consideração de Keith.


Estava internamente grato pela ligação, sentindo uma onda de alívio percorrer o corpo.



— Desculpe Lance, preciso ajudar o Shiro com algumas coisas… — Keith declarou, após desligar o pequeno aparelho. Ele não parecia estar animado com o pedido do irmão, mas a mochila já pendia no ombro esquerdo e ele procurava as chaves de sua moto.


Lance não protestou. Somente acompanhou o amigo em direção a saída.


Durante o curto trajeto, nenhuma palavra surgiu entre eles. Lance sentia como um silêncio desconfortante, porém protetor. Mesmo que fossem amigos desde sempre, preferiu que, ao menos naquele momento, se comportassem como estranhos.


Quando finalmente se viu sozinho, sob a calçada acinzentada e o sol morno, sentiu como se houvesse perdido uma oportunidade. Ele precisava resolver isso logo, se cobrir de coragem… Não queria se acostumar com despedidas tão vagas.


••


— Lance, tente se acalmar! Você ir pra lá e pra cá tá me deixando nervoso… — Hunk implorou, enquanto observava o amigo. Sentia-se ligeiramente entediado com toda a situação. Talvez pela falta de prática em lidar com aquele acontecimento raro.


— Não me peça algo assim, não agora! — O outro rebateu. Achou que seria fácil colocar os pensamentos em ordem, mas quanto mais pensava sobre o assunto, o nervosismo retornava. — Não tem como me ajudar?


— Eu estou tentando, Lance, mas você é mais cabeça dura do que parece… — Hunk murmurou. Vasculhava o apartamento que dividiam com os olhos, em busca de algum estopim para a ideia perfeita… como o amigo queria.


Apesar de toda a complicação que estavam passando, Hunk estava feliz por Lance, e, indiretamente, por Keith também.


Ambos faziam bem um para o outro, de uma maneira singela e única. Pareciam um roteiro clichê de uma amizade que começou na infância e, posteriormente, viria a se tornar algo mais intenso... em um ritmo delicado. Esperava que dessem certo.


— Que tal flores? — Hunk sugeriu. Algo acerca dos pensamentos sobre histórias românticas deveria ser aproveitado.


— Ele não gosta muito, vive reclamando que não consegue manter uma viva… — Lance respondeu, rapidamente. A expressão corporal mostrando que novamente estava divagando entre as correntezas de pensamentos.


— Uma carta? — Hunk fez outra tentativa.


— Aí o problema é comigo… — Lance murmurou, tentando soar divertido. — Acho que não é meu estilo fazer algo assim… — Completou, e Hunk acabou concordando, um tanto triste por ainda permanecerem de mãos vazias.


Começou a entender, vagamente, um pouco mais sobre a atual inquietação do amigo. Ele realmente desejava algo impecável, minucioso. Ainda sim, romântico. Tudo equilibrado como a melodia e letra de uma bela canção.


Hunk piscou, era a ideia perfeita.


— Uma serenata, Lance! — Vibrou, fazendo com que o outro o olhasse imediatamente — Sem questionar, trate de afinar agora mesmo aquele violão! — Ordenou e, por fim, sorriu ladino quando o amigo levantou do sofá, em direção ao quarto.


••


Em um primeiro momento, o filme lhe pareceu incrivelmente interessante, mas agora Keith havia se desviado completamente, e encarava o teto esbranquiçado de sua casa.

Os olhos, na realidade, não estavam focados em nada específico, e o som do filme estava desaparecido por entre o barulho de seus devaneios.


Fazia certo tempo que Shiro e Allura haviam saído, para comemorar o resto daquela noite tão aclamada pelos amantes.


Keith não se dera conta a respeito da data especial até chegar em casa, onde acabou encontrando seu irmão desesperado pois não sequer sabia o que fazer para a namorada. Era um acontecimento triste, mas ainda sim, cômico.


Nos primeiros pensamentos que lhe invadiram, agradeceu por estar solteiro e não necessitar vivenciar tudo aquilo. Entretanto, com o decorrer das horas, começou a refletir sobre sua inativa vida amorosa. Não poderia considerar rápidas paixões, muito menos um amor platônico... poderia? Mesmo que fosse capaz, preferiu que isso tornaria a situação um tanto mais deprimente.


Virou-se, deitando de uma maneira mais confortável. A televisão exibia agora outro programa, mas a atenção de Keith estava demasiadamente prejudicada para que percebesse.


Seu subconsciente ainda agarrava fragmentos de paranóias e angústias. Sua situação aparentava ser ultrajante, de certa forma… ao menos pareceria, sob o olhar de outros.


Keith não costumava pensar sobre como era estar sozinho em meio a tantos casos românticos próximos de si. Ou como realmente não possuía nenhum tipo de experiência, e o mais próximo disso era uma paixonite patética, insistente e clichê, que, na realidade, havia começado a importuná-lo mais do que o usual naquela noite de fevereiro.


Há tempos que conseguia controlar aquela sensação de aperto no peito... porém agora ela parecia incontrolável. A memória rebobinando para mais cedo, a preocupação alarmante de Lance… o que poderia ser? Seria ele pensando em como se declarar para alguém? Visto a data, não era uma hipótese descartável.


Keith se remexeu novamente no sofá, praquejando, e continuou uma sequência de movimentos até se irritar completamente. Porque aqueles pensamentos estavam lhe atormentando, lhe tirando a paz? Depois de tanto tempo soterrados… porque vieram à tona tão facilmente?


Acabou desistindo de se questionar, e entregou a vitória para seus devaneios. Sentia-se exausto, mesmo que o esforço físico tivese sido nulo.


Em um ato de derrota, decidiu que tentaria dormir um pouco. Não era algo inteligente de se pensar, mas era a escapatória mais viável para que Keith finalmente parasse de encarar o mundo material, que tornava aquelas lamentações cada vez mais reais.


••


Em meio a um sono conturbado, acabou sendo fácil despertar tarde da noite, ao ouvir um barulho estranho vindo de fora de sua residência.


Keith levantou, assustado. O estado de alerta logo o dominou, no mesmo instante que confirmou que o som que havia ouvido não pertencera a algum dos diversos sonhos e pesadelos que sua mente projetou durante as poucas horas de sono.


Sentia a atmosfera pesada, uma singela semente de pavor eclodindo em si. Ligar para o Shiro? Ou para a polícia? Seria uma boa ideia tentar achar a origem do barulho sozinho, possivelmente só com um guarda-chuva como arma?


O barulho ecoou novamente, e Keith conseguiu identificar como sendo pedras se chocando contra algo. Alguém estaria tentando vandalizar sua casa? Ou lhe chamar?


Seus pés se moveram sozinhos, as ideias não concretizadas.


Quando se deu por si, o corpo aparentava dormência por conta do choque com o gélido ar noturno, mas, novamente, estava surpreso demais para perceber.


Ao lado de fora de sua casa, estava Lance, segurando o velho violão que lhe fora dado de presente há tantos anos.


— Lance? Mas-


— Não diga nada agora! Só escute… por favor! — O amigo pediu e, mesmo a uma considerável distância, Keith observou a ternura em seu olhar.


O sentimento de confusão acabou ofuscado quando uma lenta melodia começou a ser dedilhada.


— Do you hear me, I'm talking to you… Across the water across the deep, blue, ocean under the open sky oh, my, baby, I'm trying…


Keith sentiu o coração acelerar, inconscientemente.


— Boy I hear you, in my dreams. I feel you whisper across the sea, I keep you with me in my heart…you make it easier when life gets hard... — Lance entoava, o rosto envergonhado escondido por uma feição alegre, apaixonada. — Lucky I'm in love with my best friend, lucky to have been where I have been, lucky to be coming home again...


O frio que antes cobria o corpo de Keith desapareceu. Ele sentia-se quente, em êxtase.


Durante a música, havia se beliscado inúmeras vezes, e as marcas avermelhadas lhe provavam que não estava em outro sonho.


A outra parte da letra sumiu de seus ouvidos.


Se apressou em descer as escadas rapidamente, movido pela adrenalina. Logo, estava parado perto de Lance, respirando com certa dificuldade.


O outro o encarou, levemente assustado.


— Keith? — Chamou, preocupado, pensando se teria feito algo de errado.


Em resposta, Keith se aproximou mais, e o puxou pela camisa, abraçando-o.


— Você é um idiota… — Murmurou, pousando a cabeça na nuca do outro.


Lance sorriu. Algumas lágrimas surgiam em seus olhos… estava tão feliz… — Um idiota que te ama muito… — Sussurrou em resposta.


O coração de Keith acelerou novamente. Ainda sentia-se imponente, pela surpresa. Não conseguia clarear as ideias… mas também se sentia bem… em paz.


— Por que não disse antes? — Acabou perguntando, sem desfazer o abraço.


— Eu queria a maneira perfeita de te dizer… — Lance respondeu. Seus braços não mais seguravam o violão, e agora detiam o corpo de Keith.


— Todas as maneiras seriam perfeitas… idiota… — O outro murmurou em resposta, sem se preocupar em ser ouvido ou não.


Só queria aproveitar a sensação calorosa daquele abraço.

9 de Fevereiro de 2020 às 12:01 0 Denunciar Insira 1
Fim

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