Inerzia Seguir história

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Paola Girão


Inércia é uma palavra tão pequena, porém, com múltiplos significados, que descrevia exatamente como sua vida estava antes de conhecê-lo. Sem ele, sua vida nunca teria deixado de ser inerte. "— Ando entediado. Sabe como é... Rotina, vida parada, monotonia... Parece que nada acontece! — Coloca as mãos no bolso da frente de sua calça. — Inércia. — Completa."


Romance Romance adulto jovem Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Em progresso - Novo capítulo Todas as Quartas-feiras
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Crocodilia

Era final de setembro. A primavera mal havia chegado e Pâmela já desejava que a estação lhe trouxesse alguma novidade. Os cabelos antes castanhos claros, agora tinham uma cor alaranjada forte, que combinava com seus olhos verdes de esmeralda. Essa era a esperança de mudança que tinha dentro de si.

Porém, a novidade só lhe rendeu alguns elogios das amigas, colegas de classe e trabalho. Além de olhares de reprovação de sua família e de seu namorado. Nada mudara. E isto a consumia por dentro.

Saía do trabalho (ou como preferia chamá-lo: inferno) às 18 horas. Odiava ser operadora de telemarketing, contudo, era obrigada. Sua família precisava de dinheiro. Pegava um ônibus e chegava à faculdade com a aula já em andamento. Estava no penúltimo ano e por mais que gostasse do que cursava, não sabia se aquilo lhe traria futuro.

Sentava-se sempre na mesma carteira, conversava com as mesmas pessoas, ouvia os professores falarem as mesmas coisas. No intervalo, comia as mesmas coisas, falavam dos mesmos assuntos e ao ir embora tomava sempre o mesmo ônibus.

Exceto às sextas-feiras, como era o caso, em que saía para beber com as amigas. Carolina e Elaine: Uma mais tímida e séria. A outra mais extrovertida e despudorada. Não tinha confiança total nas duas, já sofrera muito por amizades. Entretanto, tinha esperança de que podia chamá-las de companheiras.

Beberam muito naquela noite, de tudo um pouco: Whisky, caipirinha, vinho, chopp, vodka... Como resultado, tiveram de pedir um táxi para Elaine, enquanto gargalhavam alto de algo aleatório. Mesmo incomodada com a monotonia frequente, Pâmela julgava esse um dos momentos mais divertidos de sua semana.

Tomou um ônibus com Carolina, já que eram praticamente vizinhas. Ela morava três casas após a sua. No meio do caminho, a morena pegou no sono, escorou-se em seu ombro. Sorriu com aquilo.

Aproveitando a solidão, resolveu observar a rua pela janela do ônibus, atentando-se a detalhes. Algo que era um dom seu. Estava morrendo de sono, no entanto, se seguraria para não descer no ponto errado.

Quase cochilava, quando pararam no farol e viu uma cena horripilante: Um homem, de máscara e colete, com uma caveira desenhada em ambos, enforcava dois indivíduos com as próprias mãos. Em seguida, chocou suas cabeças e os jogou no chão. Como se não bastasse, atirou.

O veículo voltou a se mover. Olhou para todos os lados, espantada. Apenas Carolina e ela estavam lá, sentadas no fundo. Além do motorista, que provavelmente não teria visto aquela brutalidade. Sacudiu a cabeça para tentar esquecer, cogitando ser fruto de sua imaginação. Todavia, aquilo a perturbou até que chegasse ao seu destino.

Como de costume, entrou em casa de mansinho. Seus pais já estavam dormindo, trabalhariam no dia seguinte. Só os veria provavelmente no domingo. O único dia em que conseguiam se cruzar, mesmo morando dentro da mesma casa.

Foi para seu quarto, se trocou e se deitou. Porém, nada apagava de sua memória aquela crueldade que vira. Não era Católica praticante, mas rezou pelo menos uns três “Pai-Nosso” e duas “Ave-Marias” para ver se o sono chegava. De nada adiantou.

Deu alguns cochilos, entretanto, se manteve acordada boa parte da noite. Ouviu um murmurinho vindo da cozinha. Olhou no relógio: 05h00min. Provavelmente seus pais haviam acabado de levantar, já que entravam cedo em seus trabalhos.

Chegou à mesa do café e os viu recebê-la com sorrisos, contentes. Beijaram-na e abraçaram-na, como se não a vissem há tempos.

- Meu amor, é tão difícil te vermos acordada! – sua mãe exclamou.

- Acordou cedo hoje. Vai sair com o Daniel? – seu pai perguntou, enquanto puxava uma cadeira ao seu lado, para que se sentasse.

- Vou sair mais tarde. Na verdade, não consegui dormir, estava preocupada com algumas coisas... – mentiu. Pegou uma faca, cortou um pão, passou margarina.

- Que horror! Olha só o que esse homem fez! – bradou a esposa, mostrando a tela do celular para o marido, que arregalou os olhos e murmurou um “Misericórdia!”.

- O que estão vendo? – Pâmela perguntou, a fim de puxar um assunto e obter um pouco de atenção para si.

- O tal justiceiro que tem matado várias pessoas aqui na cidade, chegou à nossa região e matou dois homens com um tiro na cabeça. – ao ouvir seu pai dizer aquilo, engasgou-se com o café que acabara de colocar na boca.

Mais uma vez, o flashback da noite anterior a aterrorizou.

- Filha, o que foi? – a mãe levantou preocupada, dando-lhe tapinhas nas costas para que melhorasse. – Olha só que assunto horrível para falarmos na mesa do café, hein, Fábio! – ele deu de ombros e continuou a ler a matéria.

- Aqui ainda diz que não conseguiram descobrir como esse tal justiceiro arranjou essas armas. Que horror! – o homem continuava a comentar, enquanto a jovem tentava se recompor. – Ainda que esteja matando bandidos, esse cara também é um criminoso. Deveria ser punido!

- O único que pode tirar vida é Deus! – a mulher fez o sinal da cruz.

Terminaram de comer, enquanto os pais falavam de assuntos de trabalho. Pâmela manteve-se em silêncio, seus pensamentos não saíam daquele episódio bárbaro. Beijaram-lhe a testa e saíram, enquanto ela tentaria dormir um pouco.

Depois de muito custo, conseguiu.

Cerca de três horas depois, se levantou, tomou banho e se arrumou para ir de encontro com seu namorado. Ao trancar o portão e se virar para a rua, viu uma movimentação estranha de um caminhão que trazia móveis. Finalmente a casa da frente seria comprada, depois de tanto tempo.

Logo, um carro preto, com vidros escuros, encostou atrás. Dele, saiu um homem charmoso aparentando estar na meia-idade. Tinha cabelos lisos, em tamanho médio, barba bem feita. Usava óculos escuros e uma roupa social. Olhou em sua direção, tirou os óculos e acenou com a cabeça, sorrindo em seguida.

Lembrou-se mais uma vez da cena do justiceiro. Não conseguiu correspondê-lo, pois saiu com passos apressados.

Chegou ao ponto, viu seu ônibus se aproximar, deu sinal. Desceu pouco tempo depois, em frente ao shopping. Suspirou pesadamente quando viu duas ligações perdidas de Daniel. O ciúme daquele homem a incomodava às vezes.

Finalmente o encontrou. Ouviu-o contar tudo sobre sua semana no trabalho e na faculdade. Seu ego era tão grande, que talvez não coubesse dentro daquela praça de alimentação. Estava aérea. Seu pensamento voava entre o justiceiro e o charmoso novo vizinho. Deixou que Daniel falasse sozinho, não se importava com quantas metas havia batido ou quantos protótipos e maquetes havia feito.

Notou que ela não prestava atenção nele e bateu forte na mesa, se levantando. Estatelou os olhos para encará-lo, enquanto ele começou a gritar sobre o quanto ela não se importava com seu relacionamento, que deveria está-lo traindo e a mesma ladainha de sempre.

As pessoas em volta pararam de comer para olhar a confusão. Começaram a comentar entre si sobre o fato.

Cansado, Daniel a puxou pelo braço, obrigando-a a se colocar em pé. Sacudia-a, enquanto apontava o dedo em seu nariz, em tom de ameaça. Por fim, um homem decidiu se intrometer na briga:

- Então você gosta de ser valente com mulheres. – comentou. – Vem ser valente comigo, amigão! – o namorado a soltou e se virou com fúria na direção da voz. Então, ela percebeu que se tratava do novo vizinho.

Daniel caminhou em direção ao intrometido. Iria agredi-lo, contudo, os seguranças do shopping interviram e o seguraram, levando-o à administração, enquanto gritava blasfêmias contra o intruso.

O salvador de Pâmela se aproximou. Encarou o chão envergonhada, ao notar que era o centro das atenções.

- Está tudo bem com você? – tocou em seu braço.

- Se eu dissesse que sim, seria mentira. – abaixou mais ainda o rosto, enquanto cruzou os braços diante do peito. – Obrigada.

- Vamos à administração. Precisamos saber se o esquentadinho está melhor. – abriu espaço para que ela passasse.

Foram em silêncio ao local. Antes que entrassem, o homem disse:

- Meu nome é Thiago. Caso perguntem quem foi o enxerido que se meteu na sua briga. Vou ficar aqui, caso precise. Você entra.

- Prazer, Pâmela! – forçou um sorriso, abriu a porta e viu seu namorado recebendo um sermão do chefe da segurança do shopping.

“Pelo menos algo de diferente aconteceu desta vez, Pâmela.” – pensou consigo mesma, tentando ser otimista.

5 de Fevereiro de 2020 às 23:55 0 Denunciar Insira 1
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