A Queda de Um Guerreiro Seguir história

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Há muito tempo, os Santos de Atena foram considerados a sumidade da raça humana. Homens fortes, valorosos e justos. Dignos de estarem ao lado da Deusa da Justiça na luta contra o mal, mas ficar no mesmo patamar que as divindades torne-se fácil ignorar o fato de que eles são apenas humanos. Um inimigo não se esqueceu dessa condição e usa a fraqueza intrínseca no coração humano para se vingar.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

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Tristeza

O que é ser uma pessoa boa? Alguém poderia responder que ser uma boa pessoa é fazer as coisas certas, mas o que é fazer a coisa certa? Quem determina o que é certo e errado? O que é justo ou injusto? Matar alguém é errado? Mesmo que haja uma justificativa para tal ato? Então, dependendo da corrente desse pensamento, podemos concluir que ele é uma má pessoa? Porque ele já matou antes. Ele matou quando tinha apenas catorze anos. Antes mesmo de ter barba na cara, ele já tinha sangue em suas mãos.

Mas ele tirou uma vida para salvar outras bilhões. Uma vida será que pesa mais do que outra? E duas vidas, pesam mais que uma? Ajudaria pensar que se ele não tivesse matado teria morrido pelas mãos de quem assassinou? Seria perdoado se argumentasse que o homem que o criou teria o matado ou será que complicaria ainda mais a sua situação? Afinal, Camus havia sido como um pai para ele. Seria legítima defesa ou um crime análogo ao parricídio?

Há anos, Hyoga de Cisne desistiu de achar uma resposta para essas perguntas. A cada nova conclusão, uma infinidade de dúvidas vinha junto com um pacote de desilusão, mágoa e desespero. Era um tanto irônico ele lutar ao lado da Deusa da Justiça e ainda sim, não conseguir definir o que era justo e o que não era. Presumia-se que poderiam ter um conhecimento maior por fazer parte de uma conspiração divina, mas chegou à conclusão que os deuses também eram falhos e tampouco tinham as respostas para essas perguntas.

Talvez ninguém as tivesse, mas mesmo assim, nada tirava a vergonha de Hyoga por algumas coisas que pensava na privacidade de sua mente, como desejar o rompimento da paz que foi tão duramente conquistada.

Desde os seis anos, ele fora criado para lutar. Toda a sua vida girou envolta de batalhas, de crueldade, de lutas, do empoderamento do mais forte para sobrevivência dele e de outros. Um Santo de Atena não tinha outra opção além da vitória, pois sem ela o mundo acabaria em chamas. Eles, os Santos de Atena, eram a única defesa dos humanos contra os deuses. E nos últimos anos, ele se tornou um soldado sem guerra.

O loiro tentou seguir em frente, assim como todos os outros seguiram, mas havia males que passaram pelos seus olhos que não podiam ser simplesmente esquecidos como todas as outras coisas banais. Ele possuía cicatrizes que os outros não tinham. Seiya nunca precisou lutar contra a Marin. Seu treino nunca o permitiu desabar em lágrimas como Shun fazia quando se sentia triste e ele não tinha um amor para se apoiar como Shiryu tinha Shunrei. Inusitadamente, o mais próximo deles que o compreendia quase por completo era Ikki.

Ambos eram muito parecidos em gostos, em luta e em dores. Os dois tiveram que matar ou morrer pelas mãos dos mestres, fazendo o que era certo e não o que queriam. Os dois também perderam amores — apesar de serem amores diferentes, mas amor é amor de qualquer forma —, ambos gostavam de se isolar em sua solidão e tinham medo de confiar e serem traídos. Um por prudência e o outro por experiência.

Talvez fosse por causa dessas dores similares que a ligação que tiveram após a derrota de Hades se estabeleceu. Alguém de fora poderia não compreender como essa inusitada amizade começou, entenderiam menos ainda quando libertaram toda a dor através de beijos ásperos e toques urgentes. Que a válvula de seus escapes eram orgasmos corridos, mas nunca ninguém percebeu essa estranha ligação para questioná-los.

Seus encontros eram escusos e clandestinos na calada da noite. Às vezes em motéis na beira da estrada, longe de qualquer lugar frequentado por conhecidos e aquela vez não havia sido diferente das anteriores.

O quarto do motel da vez só não se encontrava em completa penumbra graças ao precário abajur aceso ao lado da cama de casal desfeita, projetando sombras sinistras pelo cômodo feiamente decorado, provavelmente sendo a estética a menor das preocupações dos donos, vez que os clientes daquela espelunca estariam preocupados com outras coisas, mas o loiro atentava seus olhos cerúleos na decoração por falta de outra coisa para ocupar a mente.

Para ser sincero, Hyoga traçava as linhas do papel de parede brega para não se focar no desgosto que sua vida se transformara e afastar o desejo pela escuridão. Há tempos havia perdido o medo do escuro, encontrando nele não um inimigo, mas um amigo querido.

Na completa escuridão, ele poderia ser ele mesmo. Não haveria sorrisos para enfeitar seu rosto, nem cordialidades e nem o risco de alguém ver a vergonha de suas lágrimas mal contidas, pois onde já se vira um Santo do Gelo chorar?

Era nas trevas que seus pensamentos mais sombrios fluíam, como se fossem donos do lugar. Pensamentos que nunca poderiam vir à tona perto dos lemurianos, que liam mentes, e menos ainda na presença de sua Deusa apenas para não correr o risco de contaminá-la com sua podridão e vergonha.

Deitado na cama, sua vergonha não provinha da sua nudez, mas sim pela mera presença dele e de seu acompanhante no quarto. Era o que seu encontro significava e quão pecaminosos eram os seus atos atualmente.

Havia sido divertido há alguns anos atrás, mas as coisas mudaram da última década para agora. Ele não era mais um menino procurando consolo ou tentando reconstruir sua vida. Também não era mais jovem para se valer de erros. Ele era adulto, dono de seus atos e ele não tinha explicação do por que continuar persistindo em um erro que magoaria muita gente em volta.

— Não podemos continuar fazendo isso, Ikki — disse o russo a guisa do bom dia para o moreno que andava de um lado para o outro a procura de suas roupas.

— Eu sei — respondeu o mais velho, mas a indiferença em sua voz deu a certeza para Hyoga que Ikki não tinha as mesmas preocupações que ele.

O silêncio se estabeleceu pesado por longos minutos, até o loiro voltar a quebrá-lo.

— É só isso que você tem a dizer? — a voz de Hyoga nunca se alterou, mas a queda da temperatura no quarto indicava o seu estado de espírito.

— O que você espera que eu diga? — Ikki permaneceu inalterado. Ele, sendo o fogo vivo, não tinha medo do gelo ou do frio.

Hyoga ficou calado porque ele também não sabia o que dizer para responder. Aquela era uma velha dança entre eles que durava três longos anos.

— Eu preciso ir. — Ikki puxou a carteira e tirou o dinheiro de dentro, jogando ao lado de Hyoga na cama. — Acho que isso cobre o estrago que fizemos nas paredes.

As desvantagens de ter uma força exacerbada é que sempre deixavam um rastro de destruição por onde passavam quando perdiam o controle. Era comum entre os dois esses acidentes acontecerem. Talvez fosse um sinal para eles se afastarem, mas se nada até agora fora capaz desse intento, Hyoga temia nunca conseguirem parar.

O moreno não esperou resposta e não se dignou a dar uma despedida decente. Apenas abriu a porta e saiu, batendo-a logo em seguida.

Ao se encontrar finalmente sozinho, o russo desligou o abajur, mergulhando o quarto na escuridão. Ele não via nada, mas ninguém também seria capaz de lhe ver, portanto estaria seguro para tirar todas as máscaras que vestia na frente dos outros.

Com uma risada de escárnio, se perguntou qual seria a nova alcunha que os Espectros na Morada do Juízo no Submundo de Hades lhe deram ao ver sua vida no Livro dos Condenados. Com certeza não seria tão difícil criar algo novo e pejorativo. Nu em uma cama de motel, sujo de suor, saliva e coisa pior, sem estar acompanhado da pessoa da qual passou uma tórrida noite e com cem euros jogados ao seu lado para pagar o quarto, Hyoga apostaria que seria algo como “A Prostituta da Fênix”. Definitivamente, era como se sentia naquele momento.

Sozinho, ele podia ignorar o rastro quente e salgado das lágrimas, perdendo-se em sua própria miséria. Não pela primeira vez, ele desejou uma nova batalha para ter um motivo para extravasar sua fúria, sua frustração, sua mágoa e então, ter uma razão para desistir sem se validar de covardia. Como seu Mestre Camus já lhe dissera uma vez em outro momento, pessoas normais têm justificativas e ônus em algumas atitudes que os Santos de Atena não possuem. Um suicídio de um civil, por exemplo, talvez pudesse ser perdoado ou compreendido, embora nunca fosse a melhor saída, mas nunca que um Guerreiro de Atena teria a mesma piedade de julgamento.

Tirar a própria vida seria visto como um ato de egoísmo. Sem ser soberbo, Hyoga sabe qual é o seu valor. Sabe o patamar que seu nome e sua constelação protetora chegou aos Deuses e graças a esse conhecimento, ele sabe também o peso que teria sua perda caso a Terra fosse ameaçada novamente. Desistir significaria colocar mais peso da responsabilidade do mundo nas costas dos seus outros irmãos de armas. Seria esperar que a Terra ficasse bem sem ele e sua força.

Em uma guerra, ninguém desconfiaria da sua vontade e sua vergonha pertenceria apenas a ele enquanto para os demais, ele morreu como o guerreiro que deveria ser. Uma honra falsa, mas seria melhor que o demérito coletivo em ter um Guerreiro de Atena suicida.

Seus pensamentos obscuros foram interrompidos por um som que ressoou de súbito. Era o seu celular que fora jogado com a calça em algum canto do quarto. Mesmo sem olhar o visor, o russo já imaginava de quem se tratava, por uma série de motivos.

Depois dele e dos outros se recuperarem de seus ferimentos da Guerra Santa, ao invés de retornarem para um Santuário vazio e devastado, todos os Santos que pereceram nas batalhas daquele século estavam milagrosamente vivos. Nenhum deles sabiam explicar como, apenas acordaram em seus túmulos e rumaram ao Templo de Atena esperando pela próxima catástrofe.

Atena prometeu que eles não tinham com o que se preocupar e bastava viverem suas vidas, fazendo-os pensar que houve interferência de sua amada deusa, mas segundas chances como aquele não se questionava.

Esses anos passados serviu para Hyoga “acertar as contas” com Camus, o que havia sido bom, mas em contrapartida, o loiro não interagiu muito com os demais além de uma conversa superficial, por isso os únicos que lhe ligariam seria o próprio Camus, Shun e, em ocasiões muito específicas, Ikki. Seiya e Shiryu eram seus amigos, mas eles estavam em suas próprias vidas e não teria motivos para ligarem para ele, preferindo conversarem pessoalmente.

O celular parou de tocar ao fundo, porém para o seu desalento, logo recomeçou. Com passos trôpegos e pigarreando para deixar a voz menos rouca, Hyoga atendeu ao telefone.

— Não me diga que você ainda estava dormindo, Alexei — disse Camus do outro lado da linha, com a voz severa de sempre.

Hyoga não precisava nem estar olhando para o Mestre para saber que ele estava fazendo sua carranca de desaprovação. Ela tem sido cada vez mais frequente nos últimos tempos, mas mesmo com o costume, ainda lhe afeta, fazendo-o se encolher culpado como fazia quando ainda era um garotinho.

— Não, eu já estava acordado — respondeu o loiro. Não era mentira. — Do que precisa, Mestre? — perguntou, mudando o enfoque da conversa no intuito de distrair o francês.

— Te fazer um convite. Milo me torrou a paciência para fazer um quiche lorraine agora no café da manhã e pensei se você não gostaria de comer conosco. Tenho alguns croissants assando no forno também. Sei que os ama.

O primeiro pensamento de Hyoga foi recusar o convite, mas então se refreou antes que pudesse dar a resposta. Conhecia Camus muito bem e sabia como o ruivo era insistente. Se desse uma negativa, ele ia querer saber o porquê, e caso conseguisse ter a sorte de enganar seu Mestre — o que era muito difícil —, ele ligaria outro dia e continuaria fazer o convite até conseguir, preocupando-se com algum problema inexiste que pudesse ter, porque aos olhos do aquariano mais velho, sempre seria uma criança.

— Claro, um café da manhã reforçado será ótimo — disse o loiro fingindo alegria.

— Perfeito. Estou te esperando em Aquário.

Sem uma despedida, Camus desligou o telefone. Seria um gesto rude para algumas pessoas, mas não para Hyoga, que estava mais que acostumado com o jeito pragmático do outro.

Tentou adiar sua ida ao Santuário o máximo possível, mas havia um limite de tempo tolerável que Camus poderia aceitar de atraso e não estava com humor de aumentar o tempo do sermão que receberia quando o informasse de sua volta para a Sibéria.

Apesar dos tempos de paz e a liberdade de irem para qualquer lugar, a maioria dos Santos de Atena permaneceu residindo no solo sagrado. Hyoga não fez parte desse grupo, preferindo se isolar no leste siberiano para desagrado de Camus e sempre que se encontrava com Ikki, sua permanência em Atenas se encurtava. Não que alguém soubesse sobre esse detalhe.

— Bem-vindo de volta, Hyoga — cumprimentou Mu serenamente na entrada do primeiro Templo.

Era impressionante como parecia que nada havia mudado. O lemuriano continuava exatamente o mesmo. Sereno, mas ao mesmo tempo intimidante com sua armadura reluzente.

— Camus me alertou que você pediria passagem. Ela está concedida — voltou a dizer Mu, dando um passo para o lado, permitindo que ele avançasse.

Velhos hábitos eram difíceis de serem superados. Os Santos de Ouro continuavam não permitindo a passagem pelos Doze Templos. Nem mesmo para os Santos de Bronze. O Grande Mestre, Shion, preferia pecar pelo zelo em excesso, pois os históricos de ameaças vindos de dentro deles provavam que nem todo o cuidado bastava. Havia algumas exceções para moradores extras nos Templos, como servos, pupilos que estavam sob a tutela e cônjuges, mas fora estes, ou deveria vir de um aviso antecipado da visita de algum deles ou por uma exigência de direta de Atena ou do Grande Mestre para o trânsito nos Doze Templos. Fora isso, eles teriam que suar para convencê-los a passar e, se conseguissem, eram escoltados por pelo menos dois deles.

Hyoga agradeceu e passou pela moradia. Foi a mesma formalidade até chegarem em Gêmeos, quando Saga subiu para lhe acompanhar, seguindo o protocolo e o mesmo aconteceu em Leão.

Hyoga odiava essa situação. Diferente de Seiya e Shun, ele não era falante ou simpático. Não sabia como iniciar um assunto e o percurso sempre permanecia em um silêncio constrangedor. O pior, porém, era sempre quando chegava em Virgem. Havia medo, culpa, mágoa e até mesmo inveja rondando a sua mente e temendo que o Santo de Virgem descobrisse o porquê desse furacão de sentimentos.

— O que está fazendo aqui? — Ikki lhe barrou na entrada do Sexto Templo vestindo suas roupas civis e ficando descalço.

— Vim a pedido de Camus — Hyoga respondeu secamente, ignorando a pontada de dor em seu coração.

Era exatamente nesses encontros no Templo de Virgem que se convencia de que não era uma boa pessoa, pois contrário a todos que ficaram felizes com a volta dos irmãos de armas caídos, o russo desejava que eles nunca tivessem voltado. Assim poderia fingir que Ikki ainda lhe pertencia.

— Está tudo bem, Ikki — Shaka surgiu interrompendo o diálogo. — Fui a uma reunião com o Grande Mestre e na volta Camus me informou da visita.

Ikki não respondeu, mas virou o corpo para receber um cumprimento carinhoso de Shaka. Com um reflexo brilhante surgindo no movimento, a atenção de Hyoga se desviou para o anel dourado preso em uma corrente que estava para fora da camiseta.

Um anel de casamento. Aquele mesmo anel, que Atena abençoou quando permitiu a união entre Shaka e Ikki, era objeto de ojeriza por parte de Hyoga. Ele odiava se deitar com o Santo de Fênix e sentir o metal gelado em sua pele. Era um lembrete desagradável do papel que tinha na vida do mais velho e pela recusa de Ikki em retirar do pescoço, ele queria que Hyoga nunca esquecesse.

— Então sabe o porquê preciso da passagem. Pretendo visitar logo o Camus e partir para a Sibéria imediatamente — o loiro solicitou, querendo interromper qualquer conversa fiada e ter a permissão para prosseguir.

Os olhos do Santo de Cisne permaneceram na figura magra de Shaka, mas ele sentiu o olhar penetrante de Ikki que lhe era tão familiar em sua figura.

— Acha prudente se ausentar do Santuário? — perguntou Shaka com a voz monótona. De todos os Guerreiros de Atena, o indiano era um dos que mais se opunha as ausências dos Santos afastados.

Para ele, morrer e ressuscitar não quitava sua obrigação para com a Deusa e o mundo, portanto sua missão de vida prosseguia de onde havia parado. Fazia parte do dever deles de protegerem Atena onde ela estivesse. Logo, o lugar deles era no Santuário junto dela.

— Estamos em período de paz. Minha presença aqui é inútil — respondeu o russo.

— Não é a ausência da presença que me preocupa, é o espírito. Como podemos ter certeza da sua lealdade se insiste em permanecer longe sem motivo maior?

— Meu espírito sempre está voltado para Atena. Ela sabe que qualquer sinal de anormalidade, eu voltarei disposto a me sacrificar por ela e pela Terra. Sempre foi assim e sempre será — respondeu Hyoga. — Se duvida da minha lealdade, talvez queira questionar a decisão da própria Atena que me concedeu o indulto de morar fora — desafiou Hyoga.

Duvidar da lealdade de um irmão de armas era uma acusação grave por si só, mas duvidar de uma decisão da própria Atena era uma atitude análoga à traição. No fundo, o Santuário não havia mudado tanto desde a Batalha das Doze Casas como gostavam de fingir.

Saga de Gêmeos se remexeu inquieto e Aiolia cruzou os braços, mas nenhum dos dois falou nada. A tensão entre os cinco aumentou.

— Passagem? — solicitou Hyoga com a voz fria como seu Cosmo.

Shaka não emitiu som, apenas saiu do meio do corredor e o olhou caminhar para fora com o queixo erguido. A única coisa que o sustentou foi a raiva, mas uma vez fora da influência de Ikki e Shaka, o temperamento de Hyoga esfriou, dando vazão a culpa.

Ele odiava Shaka. Odiava a relação que ele tinha com Ikki, o que ele significava para a Fênix e odiava que ele não soubesse o que havia ganhado quando nem ao menos tentou lutar. Porém, em que pese tudo o que sentia, o russo sabia que o indiano era uma vítima das ações dele e de Ikki, portanto sua raiva nunca superava a culpa.

Era sempre exaustivo passar de um para o outro. Era apenas uma dor que substituía a outra. A culpa corroía o interior como mordidas de vermes, que de pouquinho a pouquinho devoravam a carne. A raiva, porém, queimava enquanto durasse. Ao cessar, via que ela destrói seu interior tanto quanto a culpa.

Olhando para a enorme estátua de Atena que era visível aos quatro cantos do Santuário, Cisne se questionou quando foi que sua vida se transformou e se resumiu a apenas esses dois sentimentos e orou pela figura da Deusa que obtivesse clemência em breve para o seu sofrimento.


Continua...


Notas da Autora:

Olá, amores mio! Essa fanfic já foi postada uma vez nessa mesma conta, mas a apaguei porque não gostei de como estava ficando. Eu voltei a reescrevê-la, principalmente porque minha escrita evoluiu nesse tempo — pelo menos eu penso que sim — e fiquei ansiosa para mostrar o resultado desse comecinho da nova versão.

Eu não utilizei uma linha canônica específica nessa fanfic. Peguei coisas do mangá, do anime, dos OVAs, coisas da minha cabeça também, misturei tudo e fui montando um Frankenstein de Cavaleiros dos Zodíaco. Espero que tenham gostado desse capítulo tanto quanto eu gostei de escrever. Beijinhos de megawatts de luz! <3

23 de Janeiro de 2020 às 01:47 0 Denunciar Insira 0
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