O Funcionário do Fast-Food Seguir história

ellariamlamora EllariaM Lamora

Uchiha Sasuke levava uma vida simples e metódica. Amante de cafés e jazz, era apenas mais um estudante de direito que não tinha grandes preocupações. Até o atípico dia em que envolveu-se com Uzumaki Naruto no metrô de Tóquio. A singular figura carregava um boné de fast-food (de uma rede que o universitário odiava), uma chamativa jaqueta laranja e deixava um irritante sorriso gigante acompanhar seus gestos espalhafatosos. Como se não bastasse, ainda possuiu a audácia de presentar o universitário com um café. Sasuke o odiou, obviamente. O que o Uchiha não sabia, no entanto, é que aquele café seria o primeiro de muitos que tomaria acompanhado do funcionário do fast-food. Ao passo de que sua vida seria virada de cabeça para baixo e o mundo, beirado a lógicas e regras, seria completamente destruído ao deparar-se com os segredos da vida do Uzumaki. Ao som de Lady Gaga e comidas deliciosas, é claro.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

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O Sem-Noção





ERAM SETE HORAS DA MANHÃ e Uchiha Sasuke estava atrasado para seu estágio. Sim, o maldito estágio que lhe pagava uma merreca e fazia o universitário questionar se pedir no semáforo não lhe renderia mais dinheiro e saúde mental, comparado ao que sofria aguentando a chatice de seu chefe e obrigações que fugiam totalmente do contrato estabelecido entre os dois. — Afinal, onde buscar café do outro lado da cidade seria proveitoso para seu currículo? Ele não sabia e nem poderia, já que seu senhor de engenho desprezava aquelas perguntas.

Mas naquele momento de desespero — e com o coração acelerado pela corrida que fazia nas ruas apunhaladas de pessoas tão infortunadas quanto ele —, Sasuke tinha apenas a certeza do quão fodido estava. Até mesmo já conseguia visualizar as bochechas escarlates de seu chefe tomado pela cólera, despejando-a para que todos os vivos e mortos pudessem escutar.

É claro que isso não melhorava em nada o humor — já péssimo — do Uchiha, cujo praguejava incessantemente a cada quase escorregada que os tapetes de folhas lhe forneciam. Como ele odiava o outono e a equipe de limpeza da cidade!

Ao chegar ao metrô, jogou-se no meio da massa humana e foi empurrado para um dos vagões, conseguindo com sorte um lugar para sentar-se. Não reclamou e muito menos agradeceu, já que — após pousar sua maleta nos próprios joelhos — seu olhar grudou-se na tela de seu celular, encarando o horário com uma preocupante obsessão.

Ignorou o reflexo daquele aparelho, ocupando-se em fazer um nó decente em sua gravata. Odiava o fato de como a faculdade sugava toda energia vital, roubando as noites de sono só para que trabalhos e estudos fossem colocados em dia. Amaldiçoava Itachi por convencê-lo que cursar aquela porcaria de Direito seria a melhor escolha de sua vida, com todas aquelas leis e contextos históricos que o consumiam totalmente. Ao parar para pensar, vivia e respirava para o curso e o estágio: dormia, comia, conversava e jogava pensando em leis, constituição e tudo que lhe lembrasse Direito. O resultado era visível: olheiras que o transformavam em zumbi. Uma magreza que fazia seus amigos pensarem que estava desnutrido e, claro, o péssimo humor que acompanhava o Uchiha vinte e quatro horas.

E de praxe, naquele momento o Uchiha estava puto.

O celular em suas mãos vibrava sem parar, aumentando sua cólera. Desbloqueando o aparelho, tratou de ver quem era o corajoso que ousava conversar com ele naquele momento, já que todos seus amigos sabiam o quão perigoso era desenvolver um diálogo com Sasuke na manhã, levando em contaque os níveis de raiva deleelevavam-se significativamente com o nascer no sol, atingindo seu ápice.

Após digitar a senha, observou que havia seis mensagens de Suigetsu, em seu costumeiro flood, questionando desesperadamente se ele tinha feito o trabalho que os dois precisariam apresentar naquele dia. Respondeu apenas um seco“sim” e seguiu nas mensagens. Ao que parecia, Sasori passara a madrugada inteira — provavelmente bêbado — implorando para que o universitário o ajudasse com Sakura, sua amiga que cursava medicina. Ignorou, arrependendo-se de ter se aproximado daquele colega de Itachi. Ah! Por falar no demônio, lá estava o irmão, perguntando se ele tinha levado a marmita que preparara com amor e carinho — quando Sasuke sabia de sua imperícia na cozinha e tinha a certeza de que a marmita não passava de arroz queimado com um ovo frito. Por fim, Sakura tinha mandado uma corrente irônica, desejando que deus o eliminasse. Com o cenho franzido, ofendeu-a e ganhou uma resposta no mesmo segundo:


Uchiha Sasuke: Irritante.

Irritante: Alguém já amanheceu de TPM, haha

Irritante: Me diz que você já respondeu o Suigetsu, pelo amor de Hipócrates¹

Irritante: JURO que ele me mandar só MAIS UMA mensagem perguntando sobre você, vou bloquear

Irritante: E você fez essa porcaria que ele tanto fala, né?

Uchiha Sasuke: Respondi.

Uchiha Sasuke: Claro que fiz e ficou perfeito

Uchiha Sasuke: Itachi ficou morrendo de inveja da minha formatação, até perguntou se tinha pagado alguém

Irritante: Você pagar alguém? OMG

Irritante: Depois de mim, é a pessoa mais falida que eu conheço, lol

Irritante: Mas já que é tão perfeito assim

Irritante: Aposto que estudou para a prova de hoje

Uchiha Sasuke: Puta merda

Uchiha Sasuke: Esqueci disso


Sasuke bufou, frustrado. Gastara boa parte da madrugada terminando a porcaria do trabalho sobre Economia Política e, obviamente, ignorara aquilo. Droga! Estava totalmente fodido com aquela prova que o esperava: Direito do Trabalho não era sua área. Odiava aquela merda que quase nunca era seguida, ainda mais em seu ambiente de trabalho, onde seu amável chefe parecia ter prazer de se esquecer que aquilo existia. Mas mesmo sabendo que ia se ferrar, procurou em sua maleta uma folha limpa e uma caneta, começando a anotar o que precisava se lembrar, caçando em sua memória as aulas e observações dos professores, as discussões com Suigetsu e os trabalhos e artigos que havia lido nas últimas semanas, assim como os casos estudados.

Entretanto, o universitário não esperava que o trem parasse subitamente e, no susto, sua caneta voasse de suas mãos, interrompendo a linha de pensamentos. Era só o que faltava!

Ótimo jeito de começar o dia, pensou sentindo-se extremamente cansado. Sem alternativas e sentindo uma intensa vontade de tomar uma xícara de café, começou a procurar discretamente a caneta por entre os pés daqueles que estavam ali por perto, sem nenhum resultado. Seu ódio aumentou quando notou que aquela porcaria era a única que tinha na sua maleta e o na mesma hora entendeu tudo: Itachi devia estar roubando-o — ou como dizia carinhosamente, pegando emprestado sem expectativas para devolução.

Em meio aos pensamentos de como assassinaria seu irmão, não notou que um rapaz de sua idade empurrava algumas pessoas, aproximando-se. Sasuke, na verdade, só se deu conta dele quando o rapaz sorriu — um sorriso tão grande e aberto que o Uchiha momentaneamente pensou que ele estava zombando de si — e o entregou a maldita caneta preta.

— É sua?

O universitário assentiu, zangado.

— Na verdade foi fácil saber disso, pois você é o único maluco que pensou que seria uma boa ideia escrever com o trem em movimento. — Gargalhou, bagunçando as mechas douradas no topo de sua cabeça. Sasuke percebeu que por baixo de uma bizarra jaqueta laranja, ele trajava a camiseta de uma rede de fast-food que ele odiava — Boa sorte na sua carta de amor aí.

— O que disse, idiota? — Sussurrou, arrancando o objeto das mãos do desconhecido.

— Toma — O rapaz ignorou sua raiva e o entregou um copo de café — Para espantar esse humor horrível. Fala sério, dá para sentir lá de fora da estação! Ah, não precisa se preocupar, pois é do Ichiraku e tudo que eles fazem é bom.

Sem escolhas, o Uchiha aceitou o copo de café.

Aquilo era inacreditável: quem em sã consciência era tão gentil as sete da manhã e distribuía café para desconhecidos com um patético sorriso gentil na cara? Com as sobrancelhas cerradas, Sasuke pegou-se refletindo que aquele idiota provavelmente devi afazer parte de alguma dessas organizações que tem como filosofia o altruísmo completo. Um arrepio frio percorreu sua espinha e ele fez uma careta: de gente assim em sua vida já bastava a Haruno, que —por fazer Medicina — toda hora o enchia com mensagens de carinho e preocupação.

O loiro pareceu notar que ele realmente não queria papo e ocupou-se em mexer em seu celular, digitando mensagens e rindo de coisas que o universitário não poderia entender. Sasuke ignorou sua existência e resolveu beber logo o café, surpreendendo-se com o sabor: extremamente forte, como ele gostava. Fez uma anotação mental para pesquisar depois na internet sobre esse tal Ichiraku, com a certeza de que compraria seus cafés por lá.

Pensou que teria paz, poiso rapaz em sua frente não voltara a infernizá-lo. Pensou. O que não sabia é que estava extremamente errado, pois em questão de segundos um som alto de música pop preencheu toda sua audição e ele levantou a cabeça, olhando indignado para o loiro —que balançava a cabeça, com dois fones nos ouvidos e cantarolando junto. Notou que as pessoas começavam a fuzilá-lo pelo olhar e, constrangido, percebeu que também se tornara alvo de seus olhares. Ótimo! Deviam pensar que ele estava com aquele imbecil.

Embaraçado, voltou sua atenção para o celular, buscando ajuda da futura médica e explicando a situação, exigindo ajuda. Sakura, no entanto, fez pouco caso daquilo:



Irritante: É só cutucar ele e dizer que o fone tá com defeito

Uchiha Sasuke: E se ele começar a falar comigo de novo?

Uchiha Sasuke: Eu pego esse trem todo dia

Uchiha Sasuke: As pessoas vão olhar para mim e pensar

Uchiha Sasuke: Olha lá o amigo do sem-noção

Uchiha Sasuke: Ninguém vai se oferecer para carregar minha maleta e papeis quando eu estiver em pé, pq vão tratar isso como carma que vou merecer por supostamente andar com gente estúpida e imbecil

Uchiha Sasuke: E bota imbecil nisso

Uchiha Sasuke: Acredita que ele está ouvindo Lady Gaga?

Uchiha Sasuke: Nem para ser um Jazz...

Uchiha Sasuke: Qual o problema da juventude hoje em dia? Por qual motivo só ouvem esses lixos que a indústria musical popular produz? Quando me formar, vou processar todos eles.

Irritante: Para de fazer drama, Sasuke!

Irritante: Jazz é um lixo para pseudo-cult

Irritante: Juro que vou arrebentar sua cara!

Irritante: O menino mostrou-se amável com você, então custa fazer um gesto gentil? Você iria gostar de estar pagando um mico desses, sem ninguém para te avisar?

Uchiha Sasuke: Se bem não duvido nada que ele queira estar chamando a atenção.

Uchiha Sasuke: Sabe como são esses funcionários de fast-food...

Irritante: Que discurso lixo, Uchiha Sasuke

Irritante: Vou fingir que não li isso e você vai chamá-lo

Irritante: Minha prova de Fisiopatologia² vai começar agora

Irritante: Então boa sorte no seu drama aí



Sasuke bufou novamente e desejou boa sorte para amiga, descrente com seus conselhos nada úteis. Maldito dia que tentara ser um cavalheiro com a Haruno, chamando a solitária menina de cabelos rosados para brincar na gangorra consigo na pré-escola, só para acabar com os pés esfolados pelo fato da menina não ter noção de sua força física. Deveria ter percebido que aquilo era um presságio do que seria a amizade deles, com uma Sakura brutamonte que nunca aliviava a barra para ele e sempre que podia trocava farpas com o Uchiha.

Ah, claro, ele sempre acabava cedendo aos conselhos daquela jovem bruxa.

Como estava fazendo naquele momento, ao cutucar o sem noção na sua frente, que — de tão avoado que era — não percebeu o universitário chamando-o. Sasuke irritou-se em como ele parecia entretido com alguma coisa em seu celular e decidiu puxar com força a jaqueta, na parte do braço. O celular do menino caiu na cara do Uchiha, que resmungou um palavrão.

— Ei, você se machucou? Foi mal! — O rapaz exclamou, pegando o aparelho de volta e olhando genuinamente preocupado para o moreno — Não precisava fazer isso, cara! Pensei que iria me roubar. — Berrava sobre o volume dos fones em seu ouvido.

Sem nenhuma delicadeza, Sasuke puxou aqueles fios, aproximando o rosto dos dois e, face à face, arrancou aquilo das orelhas do loiro em um puxão violento.

A porra do seu fone está com defeito — Sussurrou, ameaçador — Se você não notou, está incomodando os outros.

O desconhecido arregalou os olhos e uma evidente cor púrpura preencheu suas bochechas. Ele sorriu meio embaraçado diante dos olhares de desprezo que as pessoas do transporte direcionavam para si.Sasuke —lá no fundo de sua alma —sentiu uma pequena empatia por aquele sem-noção.

— Poxa, valeu! — Agradeceu, ignorando a violência que o outro tinha usado e tímido, virou-se de costas para o Uchiha, saindo pelas portas que se abriam, quase correndo para longe daquele trem. Um pontinho laranja em uma multidão cinza.

Sasuke suspirou desconfortável e foi então que percebeu que o boné que o loiro trazia nos braços descansava em seu colo: um M amarelo sorrindo maldoso para si.

Aquele com certeza seria um longo dia...

22 de Janeiro de 2020 às 23:03 0 Denunciar Insira 0
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